Tartarugas Podem Voar (Lakposhtha hâm parvaz mikonand)

tartarugas-podem-voarTartarugas Podem Voar‘ é um filme que traz um documental da insanidade de uma época, e que é bem atual. Que dói na alma. Que enoja em saber dos requinte cruéis dos fabricantes de minas terrestres. De mostrar a bestialidade em soldados estuprando uma adolescente. De que, principalmente crianças, são meros danos colaterais, totalmente sem significância para os fomentadores das guerras.

Para quem viu ‘Caçadores de Pipas‘, ou leu o livro, já tem uma noção de uma diferença étnica naquela região do Oriente Médio. Refiro-me aos Curdos. Que em períodos de guerra, tentam sobreviver como em guetos. Isso quando não são dizimados. Em ‘Tartarugas Podem Voar‘ a trama se passa num acampamento curdo. De um lado, uma forte fronteira a lhes barrar entrada, a Turquia. E saindo dali, o forte preconceito dentro do Iraque.

Aqui, se ve um grupo de crianças tentando sobreviver nesse mundo inóspito. Cruel, melhor dizendo. Como ganha pão: o desarmar minas terrestres que serão revendidas no mercado negro. De lá, alcançarão um preço muitíssimo maior, e que não será repassado a essas crianças. São elas que correm todos os riscos. São mutiladas no corpo, e na alma.

princesa-diana_contraria-as-minas-terrestreA atualidade está carecendo de uma outra Personalidade como a Princesa Diana. Que ajudou a acordar parte do mundo para essa vil arma. E que eu quero falar mais sobre as minas terrestres, antes de voltar a análise do filme.
A maior indústria de minas do mundo encontra-se nos Estados Unidos, a Claymore Inc. Fabricam um tipo de mina cuja função é destruir e cauterizar logo após a explosão, os membros inferiores dos elementos atingidos, mutilando sem matar. Este artifício é feito de forma que o alvo não venha a morrer por hemorragias, e sim permanecer vivo, acordado, e sentindo dores pela maior quantidade de tempo possível, de forma a quebrar o moral da tropa em seu avanço. Além disso, serão precisos dois homens para carregar o ferido, diminuindo o número de soldados para combate“. Tem mais aqui.
Três fatores essenciais contribuíram para a criação do Tratado de Proibição de Minas Antipessoais (Tratado de Otawa, que entrou em vigor em Março de 1999, assinado por 153 países; no qual os governos signatários se comprometeram a remover, num prazo de dez anos, todas as minas existentes dos seu territórios): os mortos e feridos causados pelas minas terrestres em todo o mundo, a contribuição de alguns países, mas sobretudo, a mediatização do flagelo pela Princesa Diana“. Tem mais aqui.
Março de 1999… Dez anos se passaram e… E os Estados Unidos desenvolveram um novo tipo de mina. Chamado de spider (aranha), o artefato seria uma alternativa às minas tradicionais proibidas pelo Tratado de Ottawa, pois pode ser detonada por controle remoto.

A história se passa às vésperas da ocupação norte-americana no Iraque. Com isso, os adultos estão preocupados em tentar saber notícias externas pela televisão. Para tal fim, contratam um dos jovens para conseguir uma antena parabólica. Ele é o Satélite, quase um menino ainda. Tem esse apelido porque um dos artigos que vende, são as antenas.

É um líder entre todos, adolescentes e crianças, muito estimado. Que acaba se encantando por uma adolescente, Agrin. Ela, o irmão e uma criança vieram se juntar ao local, mas não se integram ao grupo. Trazem um segredo de um passado recente. Satélite tentará quebrar essa barreira. Apesar de todo o flagelo, ele tenta passar calor humano.

É um filme que poderia ser passados nas Escolas. Numa tentativa de não virarem adultos egoístas. O mundo urge num desarme-se maior. Se as mentes de muitos adultos já não tem como melhorar, que seja ensinado as crianças os reais valores. ‘Tartarugas Podem Voar‘ é um excelente filme! O qual eu tornaria a ver, mas não no momento. É muito triste, pela história, pela estupidez dos humanos.  E gostaria muito que muitos assistissem. Ele traz uma maldade que poderia ser evitada.

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Tartarugas Podem Voar (Lakposhtha hâm parvaz mikonand /Turtles Can Fly). 2004. Irã / Iraque. Direção e Roteiro: Bahman Ghobadi. Elenco: Soran Ebrahim (Satellite), Avaz Latif (Agrin), Saddam Hossein Feysal (Pashow), Hiresh Feysal Rahman (Hengov), Abdol Rahman Karim (Riga), Ajil Zibari (Shirkooh). Gênero: Drama, Guerra. Duração: 95 minutos.

A Estranha Perfeita

Sinopse: A jornalista Rowena (Halle Berry) resolve fazer uma investigação independente do assassinato de uma amiga. Assim, ela começa a mergulhar no universo dela, disfarçando-se tanto no mundo real quanto no virtual, da internet, e acaba se envolvendo em um relacionamento complicado e obsessivo on-line com um homem (interpretado por Bruce Willis).

fotocena13 A Estranha Perfeita – Perfect Stranger

Direção: James Foley

Gênero: Suspense

EUA – 2007

Como não existe perfeição no mundo, o título já começou imperfeito ou sugestivo? Não sei… sei que me chamou a atenção. Penso que num filme de suspense, as atenções quando postas em holofotes merecem considerações, pois a intenção é a de sempre desviar a atenção… pra outras coisas. Hummmm! Stranger…

Tal como o Roteirista que escreve a obra para vender o peixe da idéia, eu poderia escrever e vender esse filme a partir de minha escrita, mas serei clara: não valeria a pena.

Um suspense raso, com vários clichês e um final sugestivo. Sugere que pode ter a continuação, mas essa seria completamente previsível.

Algo nele me chamou mais atenção do que o suspense em si: as propagandas para o Google.

Tem sido recorrente filmes que colocam o Google no pedestal do conhecimento. Pior é que tem quem compre essa idéia. No próprio Arquivo X (o segundo filme), Dana Scully busca no Google conhecimentos a respeito da difícil e complicada cirurgia com célula-tronco; submete o cristão (menino doente) à ela depois de uma vasta “pesquisa”… Por favor! Menos, muito menos, quase nada!!!

Nesse estranho suspense, a vida das pessoas ficam expostas nesse site. O que eu acho um crime. E de fato é!

Anyway…

Saudações Vampirescas.

Por: Vampira Olímpia.

A Partida (Okuribito)

okuribitoO filme de Yojiro Takita tem um roteiro que poderia cair facilmente num resultado pesado e indigesto: Um músico sensível do Japão após perder o emprego, aceita cuidar do ritual de preparação de cadáveres nos funerais. Este novo ofício, que parecia reservado ao destino do rapaz, irá criar alguns conflitos, mas também determinará a solução de antigos e profundos problemas familiares.

Apesar do tema escabroso, “Okuribito”, que venceu o excelente “Valsa com Bashir” na Academia ganhando o Oscar de melhor filme estrangeiro, é surpreendentemente leve, emocionante e até engraçado em muitos momentos. Cheio de nuances e soluções brilhantes (Como as cenas das pedras mensagens), tem o mérito de desmistificar a morte e os mortos tratando-os de forma tão simples como o ato de comer com prazer.

Simples e natural como deveria ser a vida, consegue ser este delicioso filme sobre a importancia do perdão e da despedida em cada partida.

Por: Carlos Henry.