Madagascar

madagascarZoológico de Nova Iorque. Não é melhor do que o de San Diego, na Califórnia. Mas é um clássico. Nele habitam bichos especiais, artistas do entretenimento. O leão Alex, egocêntrico e folgado. A zebra-macho Marty, ponderado, sonhador e em plena crise de “meia-idade”. O hipopótamo-fêmea Gloria, vaidosa, temperamental, uma top-model da gordura. Melman, a girafa-macho hipocondríaca e totalmente surtada. Além do quarteto de pingüins, estes politicamente incorretos e terroristas. Ah, e a dupla de macacos, uns sacanas.

Em pleno aniversário da zebre, ela se descobre presa e sem perspectivas. Decide acompanhar os pingüins em uma fuga do Zôo. Os demais colegas são contra. Seqüência hilariante de animais no meio de Nova Iorque. Para quem não conhece é a mesma perspectiva de um mineiro de Governador Valadares andando pelo Times Square, o ringue de patinação do Rockfeller Center, a 5ª Avenida e finalmente: a Estação Central. Um deslumbramento daquilo que nunca viu, diante do que sempre ouviu falar. Ah, detalhe, eles se comunicam entre si, mas com os humanos, só rugidos. Igualzinho ao brasileiro desqualificado que muda para a América

Após uma comoção social breve, eles são enviados para a África. Em caixotes. A chegada na praia é muito boa, aqui o filme melhora para a crianças e piora para os adultos. Mais ação e menos diálogos e sacadas. Estamos em Madagascar. Ilha ao leste da África do Sul, banhada pelo quente Oceano Índico. Habitada por lêmures –proto-símios um degrau abaixo dos macacos- e pelas fossas, animal semelhante a hienas, que caçam os bichinhos. De começo, uma festa rave. Piadinha deslocada sobre o ectasy. Mas tudo bem.

A chefia e o conselho dos lêmures é sensacional. A história paralela dos pingüins, também. Aliás, quando eles e os macacos aparecem, ambos roubam completamente as cenas. São imprevisíveis e muito, muito inteligentes. Agora a questão é: a sobrevivência e adaptação ao novo meio. O leão Alex é o mais revoltado. Sem suas mordomias, vai se transformando. O pelo fica eriçado, o olhar se perde e como um dos topos da cadeia alimentar, tudo que vê se resume a um bife.

Entre a fome arrasadora que toma conta dele e a amizade entre Alex e a zebra, este primeiro opta por se isolar. Vai para o inóspito ambiente das fossas. Com o retorno do navio, habilmente conduzido pelos meus heróis –os pingüins, claro- os companheiros irão buscá-lo. Neste ínterim as caçadoras estão de tocaia. Aí Alex mostra seu verdadeiro eu. O gatão, o grande predador, o felino-mestre. Ótimas cenas.

Vários momentos são referências explícitas a outros filmes, tais como “Carruagens de Fogo” e suas músicas. Isso encanta o cinéfilo mais atento. O final é muito bom, surpreendente e bem colocado. Não é um filmaço de animação como “Shreck” ou “Procurando Nemo”, mas diverte e entretém.

O que há de bom: os desenhos antropomórficos, têm dedo de brasileiro, e hiperrealistas
O que há de ruim
: muitas falas e piadas do american-way-of-life, inacessível a grande maioria
O que prestar atenção: leões raramente comem peixe, mas como todo gato gosta disso, um sushi tem lógica…
A cena do filme: a loucura de Alex ao ver comida até nos seus grandes parceiros

Cotação: filme bom (@@@)

Por: COBRA.