É um filme que leva a várias reflexões. Com cenas que serão difíceis esquecer. Parece que estávamos ali dentro daquela sala de aula. Invisíveis, mas podendo sentir toda a tensão presente. Chega a ser meio angustiante, até numa de querer interferir. Parabéns ao Diretor. ‘Entre os Muros da Escola‘ ficará como um documental de que ainda tem que se fazer muito pelos adolescentes. Principalmente com tantas etnias dentro de um espaço tão pequeno.
Não dá para não traçar paralelos com outros filmes. Trarei dois em especial: ‘Ao Mestre com Carinho‘ e ‘Escritores da Liberdade‘. Com esses três, teremos de imediato, três países: Inglaterra, Estados Unidos e França. Por serem muito procurados por imigrantes. Que fogem da repressão, da fome… Que vão em busca de uma vida condigna. Dos ideais que há na bandeira francesa: Liberdade, Igualdade, Fraternidade. Mas até legalizarem sua permanência, ficarão sob tensão. Temerosos. Com isso, seus filhos, mesmo tendo nascidos nesse novo país, poderão se sentir sem uma pátria.
A Escola, mais do que nunca, assume uma responsabilidade na formação social dos jovens. Um papel que era exclusivo dos pais. Até para ir quebrando um ciclo, o Corpo Docente deve adequar o ensino a realidade da turma. No filme, uma mãe diz que preferiria que seu filho estudasse noutro colégio. Por ele nivelar por cima. Seria ótimo, mas se todos pudessem acompanhar o ritmo daquilo que é ministrado. Mas há quem não acompanhe. O que dá margem para uma discussão, mas para não me alongar… Cito que o Professor tem que encontrar um jeito de se fazer entender. Se conseguir esse canal, poderá elevar o nível do ensino.
Uma outra discussão que o filme deixará, seria como estabelecer limites. Para que o jovem saiba que a liberdade dele não pode prejudicar a do próximo. Que saiba que há hora e local para tudo. É um dos grandes estresses dos Professores, ganharem o respeito em sala de aula. Em mostrar que a autoridade dele é por hierarquia. Agora, há um outro fator cultural que não dá para esquecer. É que para os franceses, é normal o castigo físico nos filhos. Palmadas, e até tapa na cara. Em casa, ou na rua, eles vêem nisso como fator disciplinador. Mas e entre os muros da escola? Isso não é aplicado, claro. Mas para jovens de outras etnias, que são sabedores disso, pode virar como uma arma para afrontar seus professores.
O Professor Marin (François Bégaudeau), primeiro tenta ensinar a língua pátria a turma. Mas nesse ano em questão, o penúltimo, antes de decidirem qual caminho trilharão, eles parecem mais arredios. Por aqueles que já conhecia, dá para avaliar as mudanças. Só que na reunião dos professores, não encontram um denominador comum. Algo que os unissem para resgatarem aqueles adolescentes. Sozinho, vulnerável, ainda tenta tenta conciliar a sua aula com um lado meio paternal.
Para finalizar, esses pequenos rebeldes, também têm muito a ensinar aos seus mestres. É uma via de mão dupla: Professores e Alunos; e não ‘versus‘. Que esse filme, seja mais um a ser levado às salas de aulas. E que suscite várias debates. Para que cada vez mais, um número maior de adolescentes não se enverede pelo mundo do crime.
O filme é muito bom! De querer comentar mais aspectos. Não deixem de ver.
Por: Valéria Miguez (LELLA).
Entre os Muros da Escola (Entre les Murs). 2008. França. Direção: Laurent Cantet. Elenco: François Bégaudeau, Nassim Amrabt, Laura Baquela, Cherif Bounaïdja Rachedi, Juliette Demaille, Dalla Doucoure. Gênero: Drama. Duração: 128 minutos. Baseado em livro homônimo de François Bégaudeau.
Este filme está na minha lista para assistir. Filme que adoro é tipo este, como um livro, que te faz refletir, sob vários aspectos e pontos de vista.
Parabéns pelo belo artigo. Excelente.
Lella querida, um abraço e felicidades neste dia do amigo e sempre!
Isa
Isa!
O filme, de imediato, me deixou sem fala. Porque veio muitas informações na mesma hora. Foi preciso respirar fundo. E mesmo assim, a primeira coisa que falei, foi um ‘Caramba!’
Com um certo atraso: Feliz Dia do Amigo pra ti e pra Todos!
Beijão,
Também gostei muito, um dos melhores do primeiro semestre. Fiquei curiosa para ler o livro.
Oi Lella.
Fui assistir esse filme gostei muito. Agora falta ler o livro …
Bjs.
Elvira
Ana e Elvi,
também fiquei com vontade de ler o livro. Saber mais dos pensamentos desse Professor.
Beijão,