Deadgirl

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Embora alguns possam rotular este como um filme de terror medíocre, senão mesmo ruim, eu o considero um bom drama, excelente objeto para algumas reflexões acerca da bestialidade humana – tema tão explorado por mim em meu blog e mesmo em outras análises da sétima arte.

Em Deadgirl temos dois amigos problemáticos e não-sociáveis com o mundo. Na escola não interagem com ninguém. Não obedecem regras do mundo. São invisíveis perante a existência. Entretanto, o vandalismo é a forma que encontram para dizer ao universo “Ei, estamos aqui!”, visto que o próprio sol e a própria lua viraram de costas para ambos.

ATENÇÃO: Contém SPOILERS a respeito da história. Se não quiser saber o que acontece, então não leia o conteúdo abaixo.

Um dia, como tantos outros, os dois resolvem matar aula para se divertirem. J.T – o que mais aceita a sua condição de esquisito e de abandonado por todos – sugere à Rickie – este não se vê como alguém esquecido, embora seja tanto quanto o seu amigo – que eles visitem um hospício abandonado.

Ao chegar ao local, os dois se embebedam e começam a destruir as coisas por pura diversão. Entre quebra de vidros e cadeiras arremessadas, os dois ouvem um barulho proveniente de um corredor. Um cachorro ameaça atacá-los, então eles correm e acabam por entrar numa sala onde uma mulher está deitada, amarrada e, aparentemente, viva!

Diante da cena, Rickie fica preocupado e deseja ir embora. Aquela mulher ali poderia representar problemas para ambos. Porém J.T. fica fascinado ao observar a mulher amarrada, em total submissão e sem poder fazer nada, com um olhar mórbido e cansado. Ao fazer um exame mais minucioso, J.T. acha a mulher bonita e começa a se excitar com a imagem.

Rickie deseja ir embora, porém quando J.T. começa a tocar a mulher, Rickie tenta impedi-lo e acaba levando um murro de seu melhor amigo. É o fim da amizade. Rickiei vai embora e J.T. fica sozinho com a mulher amarrada.

No outro dia na escola, J.T. diz que Rickie precisa voltar com ele ao local para mostrar algo indizível com palavras. Convencido, ambos voltam ao hospício e Rickie observa a mulher com o pescoço quebrado, porém ela ainda se mexe.  Sem entender, J.T. pega a arma de Rickie e dá três tiros na mulher. Ela continua movendo-se. Então J.T. explica que a mulher não morre – que na noite anterior ela começou a gritar e ele quebrou o seu pescoço por três vezes, porém ainda vivia.

Deadgirl

Ao saber que não há um limite para o fim da mulher, J.T. se excita cada vez mais com a tortura. Na contramão, Rickie está cada vez mais horrorizado e rompe em definitivo com o seu ex-amigo. As cenas de tortura não saem de dentro de si, ele pensa constantemente em libertar a mulher dos abusos sofridos. No dia em que planeja fazer isto, encontra um outro colega da escola transando com a pobre mulher amarrada, enquanto J.T. apenas observa, anestesiado pelo sofrimento da mulher morta-viva.

Na escola, Rickie arruma uma briga com o namorado da menina que ele é apaixonado. No meio da uma surra, Rickie oferece a oportunidade de ver algo único e leva o cara para ver a mulher no hospício. O fortão fica com medo, porém com a pressão de J.T. e de outros dois colegas da escola, ele vai manter relações com a defunta, que já está com o pescoço quebrado, com três buracos de bala no corpo, e cheia de hematomas. Acaba mordido por ela. É a vingança de Rickie através da mulher morta.

No outro dia, porém, o brigão começa a falecer e acaba por morrer. Eles então adivinham que a mulher é uma espécie de zumbi: quem ela morder também fica num estado semelhante ao seu. Então J.T. decide transformar uma nova mulher em zumbi para fazer de objeto de desejo junto com a outra.

Eles acabam por pegar a menina que Rickie está apaixonado. Rickie consegue salvá-la enquanto seus amigos morrem, porém ela é ferida. Antes de sair do hospício, Rickiei manifesta o quanto ele a ama. Porém ela repudia este amor e pede apenas para sair dali. Então J.T., ferido e a beira da morte, diz que ainda havia tempo para transformar ela num zumbi também, que ele poderia ter ela por todos os dias naquele mundo. Que no mundo real eles jamais conseguiriam algo assim por que eram rejeitados.

Ao término do filme vemos Rickie feliz na sala de aula. Ao término, ele se direciona para o hospício e lá está a garota de seus sonhos presa como a mulher anterior. Ele acolheu o conselho do falecido J.T. e aceitou o seu estado de invisibilidade.

Por incrível que pareça, este filme tem um objeto de crítica semelhante à uma grande obra, tanto da literatura quanto do cinema: Ensaio Sobre a Cegueira, de José Saramago. Os mesmos demonstram o quão cruel pode ser o homem numa situação onde as leis, a ética e a moral não se aplica. Quando não há nada que possam repreender o homem, eis que ele revela o seu lado mais insano.

Neste filme o que observamos é exatamente isto. Se de um lado o mundo nunca deu bola para J.T., por que ele se importaria com regras agora? Se o caminho que eles trilharam até então era o mesmo dos outros, por que eles não eram aceitos por todos? Neste contexto, suas ações eram justificadas pela aceitação da negação de sua existência perante o universo. Neste caso, não há busca de construção de nada, apenas destruição, alívio e prazer imediato.

No “mundo real” ele era controlado, em seu mundo ele controlava: a punição da mulher morta era a punição para todos aqueles que lhe esqueceram. Era a raiva contida colocada para fora. Era a afirmação que ele precisava: se ninguém se importa eu também não preciso me importar. Adeus condutas leais, adeus leis. Temos o retrato da moral ao avesso.

Se no Ensaio Sobre a Cegueira o tema é tratato de forma filosófica e sociológica, neste Deadgirl o tema é tratado de forma antropológica. Aqui temos a vingança de um homem só. A criação de uma realidade única e exclusiva para o ser solitário arremessado num mundo despreparado para recêbe-lo. Embora Rickie não acreditasse em J.T. e embora ele quisesse mudar a forma como era vista por todos, ao término Rickie descubriu que J.T. tinha razão: eles não pertenciam aquele local.

Neste contexto, quem são os os loucos,  aqueles que estão do lado de fora ou aqueles que estão do lado de dentro desta bolha imensa chamada vida?

Enquanto filme o desenvolver é lento e por vezes cansativo, embora não menos instigante (é aquele filme que você deseja ver o final à todo o custo, embora visualize o visor algumas vezes para saber se ainda falta muito para acabar). Porém enquanto instrumento ele é muito bom. Neste caso, se não houver muitas opções para assistir, fique com este que você não irá se arrepender.

Por: Evandro Venancio. Blog: EvAnDrO vEnAnCiO.

Link IMDB: http://www.imdb.com/title/tt0896534/

Deadgirl. 2008. EUA. Diretor: Marcel Sarmiento. Roteiro: Trent Haaga. Charlotte Frogner, Shiloh Fernandez, Noah Segan, Michael Bowen, Candice Accola, Andrew DiPalma, Eric Podnar, Nolan Gerard Funk.

Død Snø

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Recordo que um amigo uma vez me confidenciou que gostaria de ver o círculo pegar fogo na recente tensão causada no oriente entre a Coréia do Norte e o Japão. Surpreso, questionei o motivo desta posição. Pois ele disse: “Pois aí surgiria uma terceira guerra mundial! Assim teríamos uma série de boas novas histórias para serem contadas à respeito deste tema! Novos romances e novos filmes! A companhia de Hitler já não oferece mais nada interessante para a cultura do século XXI”.

Ele estava errado. Mesmo com um tema que, aparentemente, parece que está esgotado, fui extremamente surpreendido com o filme que dá título à este post! Se trata de um filme de terror gore, thrash mesmo! Vem do Lado B de um vinil bem sem vergonha, de um artista que nunca ouvimos falar e cujo atrativo está no borrachão esverdeado. A temática é a mesma de sempre: jovens se reunem para passar um final de semana afastados da cidade grande com o único propósito de beberem e fazerem sexo. Lá coisas estranhas começam a acontecer e as vítimas começam a desaparecer uma a uma.

Parece maçante e clichê demais, não é mesmo? Pois não se enganem, pois o filme é muito divertido! As coisas estranham são nada mais nada menos que zumbis – e daí? – pois é, meu chapa, só que não são qualquer zumbi não! São zumbis nazistas! É isto mesmo, você não leu errado! Basta ver as fotos deste artigo!

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Um antigo batalhão do regime nazista se converteram em mortos-vivos e agora alastram as proximidades de onde encontram-se os jovens inocentes (burros) que buscam apenas um pouco de perversidade!

O que faz este filme ser diferente dos demais? São várias coisas:

1) Não se trata de um filme americano – eles sabem fazer bons filmes, mas pecam neste gênero (por isto a invasão de filmes orientais e mesmo outros, como “Deixe Ela Entrar ” são exemplos de como fazer um excelente filme de terror).

2) Diferente dos acampamentos de fim-de-semana de outros filmes, onde geralmente a paisagem é linda e o tempo é agradável, nesta filmagem o cenário é debaixo de neve.

3) Não estamos falando de qualquer tipo de zumbi: estamos falando de soldados treinados, regidos por um comandante maligno, impetuoso e voraz!

4) O filme não tenta lhe dar sustos, pois a própria história beira ao rídiculo e isto seria um desastre, portanto você encontrará um filme muito hilário (quase como se fosse uma comédia de terror) e também… muito (mas muito mesmo) nojento…

5) O banho de sangue e as mortes brutais!

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Colega, se você não tem estômago forte nem assista ao filme – ao menos, não depois de uma refeição  – caso contrário suas entranhas sairão por sua garganta. Tripas, sangue, cérebro, sangue, amputações, sangue, cabeças decepadas, sangue, intestino arrancado e muito sangue! Tudo isto sem desviar a câmera!

E mesmo assim você consegue dar boas risadas, como nas cenas finais, onde dois amigos resolvem sair da casa de inverno! Enfim, aos fãs do gênero, eu recomendo como uma opção de bom entretenimento – mas não vá pensar que após ver o filme você terá aprendido algo sobre o nazismo! Quem não gosta, passe para o próximo filme da lista!

Se relacionamos sangue e vinho com filmes vampíricos, com todo o glamour, romance e elegância com um refinado terror, podemos relacionar este filme apenas com sangue e cachaça de segunda linha!

Por: Evandro Venancio. Blog: EvAnDrO vEnAnCiO.

Link IMDB: http://www.imdb.com/title/tt1278340/
Trailer: http://www.youtube.com/watch?v=9SQSijWiOsk

Død snø. 2009. Noruega. Diretor: Tommy Wirkola. Roteiro: Stig Frode Henriksen e Tommy Wirkola. Charlotte Frogner, Ørjan Gamst, Stig Frode Henriksen, Vegar Hoel, Jeppe Laursen, Evy Kasseth Røsten, Jenny Skavlan, Bjørn Sundquist, Ane Dahl Torp, Lasse Valdal. Duração: 91 minutos.