Anticristo (Antichrist)

anticristo_posterNão espere por um filme fácil. Afinal trata-se de Lars Von Triers numa espécie de terror-fantástico-cabeça num estilo que lembra Zulawski e Tarkovski.

A belíssima e perturbadora abertura, que é a cena-chave, mostra o casal copulando em closes explícitos enquanto sua prole inocente salta da janela para a morte ao som de uma ária conhecida (ópera “Rinaldo”, de Handel) que também está no epílogo.

A partir daí, a desesperança e dor da raça humana representada por este casal de personagens sem nome reinará sem tréguas em meio a imagens chocantes e gravuras diabólicas, ilustrando a essência de uma maldade congênita e assustadora.

Há uma dolorosa redenção no sexo que culmina em sangue ejaculado no lugar do esperma e na tesoura que extirpa o clitóris em sequencias de cair o queixo.

Nesta sarabanda de momentos assombrosos com toques misóginos e alusões a um Éden sinistro, o bicho-ruim encarnado num cão danado horripilante articula: “O caos reina!” Lars então lança uma questão na frase polêmica: “A natureza é a igreja de Satanás”. O mundo seria mesmo regido pelo mal? A única reação que o espectador não terá quando os créditos subirem será a indiferença.

Carlos Henry.

Anticristo (Antichrist). 2009. Dinarmarca. Direção e Roteiro: Lars von Trier. Elenco: Willem Dafoe (He), Charlotte Gainsbourg    (She). Gênero: Drama, Horror. Duração: 109 minutos

Se Beber, Não Case (The Hangover)

se-beber-não-case_posterA motivação maior para ver esse filme foi pelo Diretor, já que pela trama principal – despedida de solteiro – poderia vir mais um médio sessão da tarde. Pois Todd Philips me surpreendeu em ‘Dias Incríveis‘. Um filme com outra trama bem batida: as fraternidades estudantis. Em ambos temas, creio que fazem parte muito mais do universo deles, os estadunidenses, do que do nosso.

Muito embora, tradicionalmente, temos por cá um tipo de despedida para nós as mulheres: o Chá de Panela. Tremenda injustiça cultural. Por que as mulheres nessa hora tem que ser práticas e os homens não? Se depois, eles se vangloriam de que são o lado racional do casamento. E fica aqui, mais uma esperança de que façam filmes com Despedida de SolteirA. Até lá… comento esse: Se Beber, Não Case.

Aliás, mais um título esdrúxulo que deram aqui. Porque o título original traduz melhor a história do filme: além da ressaca (hangover), o… já conto. Agora, deixo a sugestão para um belo filme com o tema – despedida de solteiro – é o ‘Sideways – Entre Umas e Outras‘.

Em ‘Se Beber, Não Case‘… após assisti-lo… creio que fariam tudo de novo. Não houve um amadurecimento geral. Dos quatro, em dois ocorreram mudança. Um foi com o mais desacreditado de todos. Até o próprio pai, Sid (Jeffrey Tambor), não o tinha em alta consideração. Era o Alan (Zach Galifianakis). Embora tenha sido o que levou a todos esquecerem do que aconteceu na noite anterior… além da amizade do futuro cunhado, Doug (Justin Bartha), terminou por ganhar também a dos outros dois: Phil (Bradley Cooper) e Stu (Ed Helms). E saber que tem amigos, com certeza melhora a auto estima.

O outro, fora Stu. O único que mentiu para a namorada para onde iriam. Se fosse qualificar cada um deles, Stu seria o mais tímido. Alguém que se deixa levar, facilmente. Assim, fez como um adolescente ao mentir, mas voltou como um homem. Dono de si.

Para essa despedida, Sid empresta a Doug seu mercedez conversível. Além de recomendar ao futuro genro que não deixasse Alan guiar o carro, diz que o que acontecer em Vegas, que fique por lá. Homens! Solidários até na farra.

se-beber-nao-case_dougCoincidência ou não, os quatro acordam de ressaca, sem lembrar de nada. O apartamento parecendo que passou um furacão. Com um tigre na cozinha. Um bebê dentro da despensa. Uma galinha correndo pela casa. Um sem o dente da frente. E o pior: Doug sumira.

Decidem tentar encontrar pistas. A que inicia todo o caminho de volta, é uma presilha de hospital no pulso de Phill. Assim, entrando até em frias… vão à caça do noivo… enquanto tentam enrolar a noiva.

É daqueles filmes que já poderiam logo estrear em dvd. Como um bom sessão pipoca. Com uma ótima trilha sonora! Não me deixou vontade de rever.

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Se Beber, Não Case (The Hangover). 2009. EUA. Direção: Todd Phillips. +Elenco. Gênero: Comédia, Mistério. Duração: 100 minutos.

Angel-A

Angel-A

“O que conta é o que está no interior, não o exterior.” Luc Besson

Dizem que o ser humano é diariamente acompanhado por três anjos: dois bons e um mau.
Depois de assistir ao filme Angel-A tente descobrir qual dois três é que se materializa para ajudar o personagem encrencado.

Angel-A é um roteiro surpreendente e instigante mostrando os dois lados de uma mesma moeda, ou cara e coroa, corpo e alma, dois em um, de Luc Besson que também é o responsável pela direção e produção. É a história de André, um rapaz de 28 anos totalmente endividado e por isso é perseguido por perigosíssimos gângsteres que lhes dá um prazo mínimo de algumas horas apenas para quitar a alta dívida, caso contrário, ele sofrerá terríveis conseqüências.

André se vê sem saída, e seu desespero é infinito. A solução que ele encontra é o suicídio. Quando está preste a pular de uma das mais altas pontes de Paris, ele se depara com uma linda mulher, alta, loira, aos prantos e muito triste, também com a mesma intenção de deixar de viver.

A presença dessa misteriosa moça atrai a atenção de André, que a todo custo tenta convencê-la que isso que ela pretende fazer é loucura que não vale a pena. Há um jogo de palavras interessante entre eles, dando a entender que ambos são a mesma pessoa.
Ela acaba pulando e ele, ironia do destino, acaba resgatando-a e a salva do afogamento.

André e essa misteriosa mulher descobrem que têm muito mais coisas em comum, além da tentativa de suicídio, e vão se conhecendo aos poucos. Ela passa a segui-lo, na tentativa de ajudá-lo a mudar sua vida. Decide retribuir a ajuda de seu salvador. Os dois passam a noite tentando resolver seus problemas, além de um mistério que os cerca. Ele lhe conta que deve dinheiro a Deus e ao mundo e que esse era o motivo do seu desespero. Bem, ele precisava de um anjo. E Angel-A caiu do céu no momento certo.

O céu mandou um anjo e o anjo estava com ele; e o anjo era ele. Um dia um anjo apareceu na vida dele e teve a gentileza de julgá-lo. E esse anjo o amou mesmo não sendo grande coisa.
“Nós podemos fazer escolhas justas. Eu te amo quero passar o resto da minha vida com você. Minha vida é você. Você me ensinou o essencial, a não mentir. O que eu faço. Meu Deus? Eu estou morta?”O filme é todo em preto e branco, com momentos singelos, tocantes e divertidos.

André e Angel-A são a mesma pessoa. Um é a extensão do outro. Angel-A é o anjo protetor que veio para ajudá-lo. É como aquela história de a outra metade da laranja. Só que um é um ser carnal; o outro angelical; o encontro do corpo com a alma. A simbologia significante e significado; linguagem completamente metafórica.Angel-A é um anjo pornográfico. A forma que encontrou para solucionar os problemas de seu protegido seria como prostituta. Isso vai contra todos nossos conceitos concebidos de anjo em nossas mentes. Todas as leis do paraíso. Um ser sublime. Sem pecado ou mácula. Em uma só noite conseguiu uma fortuna em “programas” que daria para pagar toda a dívida de André e ainda sobraria um bom troco.

Para quem gosta de romance angelical, este é uma boa pedida; nos faz lembrar vagamente do formidável Asas do Desejo de Wim Wenders.

O filme é uma lição de amor, com muitos ensinamentos, principalmente o de não desistir da vida. É uma história de descobertas, encontrar a si próprio, buscar saídas. Acreditar em si mesmo, alimentar as esperanças, achar soluções para os problemas por mais difíceis que possam parecer. A busca da auto-estima e da felicidade constante.

Angel–A falando com André:

“- Sou seu reflexo, sou sua imagem. Eu sou você!”

CREDITOS

Título Original: Angel-A

Gênero: Comédia Romântica
Tempo de Duração: 88 minutos
Ano de Lançamento (França): 2005
Direção: Luc Besson
Roteiro: Luc Besson
Produção: Luc Besson
Música: Anja Garbarek
Fotografia: Thierry Arbogast
Desenho de Produção: Jacques Bufnoir
Figurino: Martine Rapin
Edição: Frédéric Thoraval
Efeitos Especiais: BUFO filme surpreende do início ao fim. Ótimo é pouco.

Por: Karenina Rostov. Blog: Letras Revisitadas.

A Vida Secreta das Abelhas (The Secret Life of Bees)

A Vida Secreta das AbelhasIr ao cinema é bom. Melhor ainda é ir ao filme. Ótimo quando se pode mesclar as duas coisas. A Vida Secreta das Abelhas é esse dois em um. Um filme recheado de conflitos em torno da trama sentimento de culpa. A personagem principal é a figura retórica Paradoxo ou Oxímoro na qual combinam palavras de sentimentos opostos que parecem excluírem-se mutuamente, mas que no contexto, reforçam uma expressão, exemplificando em o ilustre desconhecido ou uma arma em casa não combina com criança de quatro anos que mata por descuido dos adultos. Um crime delicado que marcará a vida de todos os envolvidos. A partir daí desencadeará um efeito dominó e a questão de “culpa de quem?”. Culpa, um sentimento que dificilmente se cicatriza.

É necessário a presença da natureza; é necessário o aparecimento de abelhas indicando o caminho das flores, dando vida e beleza a toda narrativa; dando sinais reveladores que possam abrandar tal sentimento. A força delas na vida do homem é que dá o sossego da alma e a paz interior.

A vida tem seus segredos, o universo também. Coisas que a ciência não é capaz em tempo algum descobrir. Coisas que deverá se aprender a conviver por não haver solução, ou quem sabe substituir por outra para essa amenizar ou anular.

E o equilíbrio aos poucos tomando forma. Como dizia uma propaganda De amargo já basta a vida. O equilíbrio está na doçura do mel. Deve-se desvendar os sinais que as abelhas te presenteiam, os segredos que elas também têm, dependendo da situação vivida terá sua interpretação adequada. A natureza é sábia; dá cor ao mundo, embeleza; colhe o néctar da vida; transforma em alimento para a alma em muitos sabores. Tudo muito bem equilibrado, pela simpatia e charme. O trabalho é árduo e infinito. O tempo de colher o néctar nunca cessará; termina um ciclo para outro recomeçar. Incansável porque é compartilhado. E compartilhar é tudo.

Trazer à tona o segredo abranda o sofrimento. Se não conseguir contar ou não quiser revelar ou não querer descobrir, quem sabe a solução seja escrever bilhetes e colocar no muro das lamentações que cada um possui dentro de si. Carregar o mundo nas costas sozinho, não tem graça…

As abelhas dizem que não se deve seguir o caminho do preconceito porque é burrice; a intolerância e o racismo além de crime, é egoísta; aposse-se do direito de ir e vir, sem desrespeitar o liberdade do outro.

Acaso se lembra da última vez que chorou? Qual é mesmo o sabor da lágrima? Engana-se quem diz que é salgada. Às vezes ela tem um gosto amargo. E há quanto tempo não a deixa cair?

A pergunta simplesmente é pelo fato de ao assistir a este instigante filme, certamente vai precisar de um lenço pelas situações emotivas e sinceras. As lembranças… sempre elas… belas ou não dificilmente pode-se descartar. Segredos todos têm. Mistérios da vida que a própria razão desconhece.

O segredo das coisas da amizade… os sonhos de cada um… transformar o querer em poder sem sentimento de culpa.

Autora: Karenina Rostov

Fonte: Filme assistido.

Sinopse: Em 1964, Lily, uma menina de 14 anos, viaja para uma cidade atrás de um antigo segredo de sua falecida mãe.
A Vida Secreta das Abelhas (The Secret Life of Bees, 2008), 110 min.Direção: Gina Prince-BythewoodRoteiro: Gina Prince-Bythewood (roteiro), Sue Monk Kidd (livro)Com: Dakota Fanning, Paul Bettany, Hilarie Burton, Queen Latifah, Jennifer Hudson, Alicia Keys, Tristan Wilds, Nate Parker, Sophie Okonedo, Shondrella Avery, Addy Miller, Joe Chrest, Emily Alyn Lind, Taylor Kowalski
Nerdshop:• Livro A Vida Secreta das Abelhas, de Sue Monk Kidd (Ediouro).

Por: Karenina Rostov. Blog: Letras Revisitadas.

Salve me quem puder (Jumpin´Jack Flash)

salvemequempuder

Parece incrivel, mas este é o primeiro filme de Whoopi Goldberg na comédia. Dificil, por que ela é naturalmente engraçada, timing para qualquer texto e normalmente a vemos interpretando personagens densos.

Uma operadora entediada na função de só mexer com computador (Whoopi Goldberg) em banco de repente começa a receber mensagens estranhas em seu PC. Desconfiada de alguem de dentro da empresa, no fim decobre que é uma pessoa estranha, desconhecida de algum lugar do mundo que está pedindo uma desesperada ajuda, mas não pode se revelar e depende dela para manter contatos com os outros informantes nos EUA. Enfim ela se envolve com o anonimo, ganhando a confiança dele inclusive emocionalmente e decide ajuda – lo. Ela apenas nao sabia que a coisa era maior do que pensava: o “excitante” mundo de intriga internacional. Com o tempo o estranho assume o codinome de “Jumpin’ Jack Flash”, e explica que é um espião britânico em perigo na Europa Oriental. De um dia para outro, ela se vê enfrentando as arapucas cliches e engraçadas dos mais mortais membros da espionagem internacional.
Esta comédia inteligente cheia de suspense e perigosamente divertida principalmente com os ataques com a frigideira q a Woolpi faz para se livrar dos bandidos, alem da vida de solteira levada na forma do que chamamos hoje de Adultecentes.

A musica é dos Rollling Stones, mas esta ao som de Aretha Franklin.

Não foi sucesso de cinema, mas para DVD em casa é recomendadíssimo

Direção: Penny Marshall
Elenco: Whoopi Goldberg, Stephen Collins, Jonathan Pryce, John Wood, James Belushi, outros
Genero: comédia e ação,
Colorido, EUA, 105 min

por Cris Barros

Os Idiotas (Idioterne)

Por: Eli@ne L@nger.
os-idiotas_posterPorque algumas pessoas cismam em ver com estranheza e incômodo os portadores de Síndrome de Down – os ‘idiotas’? O que lhes ocorre internamente? Além do dó – sentimento de impotência diante de uma situação que não pode ser alterada – há algo mais? Uns reagem com repugnância, outros com sarcasmo; há quem se divirta com aquilo que vê e julga como insensato. Mas quem é o insensato, afinal? O que, exatamente, vem a ser a ‘razão’? Quem a tem?

São perguntas que o grande filme do cineasta Lars Von Trier nos lança através deste filme pouco divulgado e ‘desinteressante’. Desinteressante é olhar pra sua própria dose de idiotia! Desinteressante é se ver retratado em sua idiotice através do outro que lhe serve de espelho. Nada, nada interessante é tomar consciência de que não somos perfeitos, que temos em nós um lado do qual nem gostamos de tocar com o dedo mindinho do pé. Um lado tão rejeitado que cai direto na inconsciência, mas isto não implica em sumir: está lá! Aguardando…

Gostei do filme porque ali, não se aguardou nem guardou é NADA. O diretor se atreveu a mostrar este outro lado que existe em cada um e em todos, em todos e em cada um com suas peculiaridades. Permitiu-se e aos atores a possibilidade de conhecer este lado e de integrar à personalidade total, tanto que saíam pelas ruas, bares, com este lado exposto, mas sem perder a consciência de si mesmos.

Nos faz pensar em quem é, de verdade, o idiota? O que fazem conosco? Porque não nos é permitido ser aquilo que somos DE VERDADE, nossas neuras, nossos dramas, nossas mazelas? Todos temos, oras bolas! Porque temos que nos mostrar sempre felizes em plena infelicidade? Porque o diferente é menos legal? A piedade, muito ‘nobre’… Porque? E pra que? Somos assim tão diferentes dos deficientes mentais? Fisicamente, talvez. Mas e todo o resto? Todos temos a nossa própria quota de idiotia que é solapada, expurgada em prol da sociedade.

Tudo é permitido, mas só pros ‘idiotas’. “Deus, suportai-vos uns aos outros”… Pros ‘normais’, nem tudo é permitido. É preciso ser idiota demais, pra ser o q se é? E a variedade de idiotices? Quem são os idiotas, afinal? TODOS, TODOS NÓS!

Os Idiotas (Idioterne). 1998. Dinamarca. Direção e Roteiro: Lars von Trier. Elenco. Gênero: Comédia, Drama. Duração: 117 minutos.

Curiosidades: O filme é um dos exemplares do movimento Dogma 95, criado por diretores dinamarqueses e que prega um cinema mais simples, sem artifícios.

Arrasta-me para o Inferno (Drag me to Hell)

Arrasta-me para o InfernoDrag me to Hell” é um filme de terror horripilante, debochado e delicioso para ser visto sem preconceitos.

Sam Raimi amadureceu ao longo de sua carreira criando pérolas como “Homem-aranha” e “O Grito”, mas não esqueceu suas origens quando assombrou fazendo rir no clássico trash: “Evil Dead” (A Morte do Demônio) de 1981. É justamente desde filme que Raimi parece ter tirado a essência de humor negro e horror fantasioso e ilimitado para esta novidade imperdível. Desta espécie de oportuna auto-homenagem, nasceu uma obra que o diretor conduz com habilidade, segurança e fluência impressionantes do início ao desfecho perfeito recheado de cenas tão inverossímeis quanto assustadoras. Agora com o refinamento de uma produção cuidadosa e cheia de efeitos de primeira com direito a uma trilha sonora primorosa incluindo até uma música não utilizada do filme: “O Exorcista”.

A estória gira em torno de uma bancária que recebe uma praga ao negar um empréstimo a uma velha esquisita. Ela e o namorado vão procurar um médium para ajudar a afastar o mal. Raimi poderia fazer mais filmes como este porque é o seu verdadeiro estilo e Spielberg bem que deveria fazer o mesmo. É o público quem ganha.

Por: Carlos Henry.

Arrasta-me para o Inferno (Drag me to Hell). 2009. EUA. Direção: Sam Raimi. Elenco: Justin Long, Alison Lohman, Jessica Lucas, Lorna Raver, David Paymer, Dileep Rao, Reggie Lee. Gênero: Terror, Thriller. Duração: 99 minutos.

Tempos de Paz

tempos-de-paz“Não serei o poeta de um mundo caduco”

A paz é um estado de espírito; é a busca frenética de sossego, uma conquista diária prazerosa e confortável para qualquer pessoa, tão necessário quanto o ar que se respira. Quando se tem paz interior, se tem fora dela e em qualquer lugar. Já dizia o escritor russo Tolstoi “Sempre haverá guerra e paz”, significa que a paz é apenas um momento de trégua. E o escritor alemão Brecht dizia que só se encontra paz na guerra. Contradições à parte…

O novo filme brasileiro TEMPOS DE PAZ, dirigido por Daniel Filho, nos leva a essa reflexão. O enredo é a 2ª Guerra Mundial. Imigrantes fugiam DELA para qualquer terra estrangeira. Entre os imigrantes estava um ator de teatro, tentando entrar no Brasil, se passando por um agricultor. É claro que ele enfrentará um obstáculo para que realize esse sonho. Esse imigrante travará uma batalha para conseguir a tão almejada paz. Será um duelo de titãs. Para conquistar a sua liberdade e receber seu salvo conduto, terá que lutar contra um investigador e torturador de polícia; terá que pegar em armas para conseguir vencer essa guerra. O ex-oficial Segismundo interpretado pelo ator Tony Ramos tenta a qualquer custo cumprir a sua função de barrar e impedir que comunistas e nazistas entrem no país, e um deles é o ator polonês interpretado por Dan Stulbach pelo fato de se mostrar um sujeito muito suspeito. A partir do encontro de ambos, o interrogador alfandegário Segismundo com o ex-ator polonês Clausewitz começa uma nova batalha. Trava-se uma nova guerra. A guerra, na verdade, são de lembranças que parece que jamais se apagarão. E ninguém está isento tê-las, independentemente de boas ou más.

Um ator que consegue sobreviver a um campo de concentração perdendo todos os parentes e amigos, perdendo a sua língua de origem, sua identidade e seu país, deixando para trás uma guerra para entrar em outra. Um ator que aprende uma língua latina por amor, declama Drummond, terá que provar que não é melhor do que ninguém nem mesmo ao próprio torturador brasileiro, pois, apesar de tudo foi o único que sobreviveu da família para contar a historia. Como fugir de um país em guerra se terá que levar na bagagem as eternas lembranças?

Quando começa o embate entre ambos, há um momento que nos faz pensar que ele deveria desistir de querer ficar, que seria melhor enfrentar a guerra em seu país e nem ter saído de lá. Comparando as duas guerras, a de lá era até branda, pois a de cá ele ouviria coisas mais terríveis da boca desse alfandegário, as mais duras e dolorosas lembranças do outro, suas torturas às suas vítimas, que talvez, guerra nenhuma seria pior.

Por ser confundido com um nazista fugitivo, é que se desenrola na sala de imigração a desconfiança nesse sujeito. E o ex-torturador alfandegário, era a própria guerra, capaz de fazer as coisas mais bárbaras e horrendas possíveis; das piores torturas inimagináveis tanto que o próprio médico interpretado por Daniel Filho, salvador de sua irmã, interpretada pela atriz Louise Cardoso, ele sem piedade torturou, quebrando as suas mãos os seus instrumentos de trabalho. A maneira encontrada pelo interrogador foi de fazer um trato com o imigrante; ele deveria fazê-lo chorar. Se conseguisse essa façanha, receberia a tão sonhada liberdade e a nova vida. Poucos atores, porém atuações magistrais. Um filme sublime. E o melhor o diretor deixou para o final, homenageando grandes imigrantes que contribuíram para o engrandecimento do país e todo o amor pela nova pátria.
Tempos de Paz. Assista com carinho.

“O tempo é a minha matéria, o tempo presente, os homens presentes, a vida presente.” C.D.A.

Por: Karenina Rostov.

Tempos de Paz. 2009. Brasil. Direção: Daniel Filho. Elenco: Tony Ramos (Segismundo), Dan Stulbach (Clausewistz), Daniel Filho (Doutor Penna), Louise Cardoso (Clarissa), +Elenco. Gênero: Drama. Duração: 82 minutos.

Nascidos para Matar – Full Metal Jacket

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Nascidos para Matar – Full Metal Jacket (Born to Kill)

Direção: Stanley Kubrick

Gênero: Guerra

EUA – 1987

“Sim, estou num mundo atolado em merda. Mas, estou vivo e não estou com medo”.

Não sei se começo falando da inusitada música infantil “Mickey Mouse”, se passo pela ironia de “papaum-mau-mau-papaum-mau-mau” em pleno ataque e guerrilha ou se já chego direto ao ponto: Esse filme foi dirigido por Stanley Kubrick.

Com exceção de “De Olhos bem Fechados”, gosto muito desse Diretor. O inusitado nele não me decepciona, ao contrário, por vezes me faz rir.

Born to Kill é uma crítica ao militarismo que leva à desumanização. Composto por duas partes onde a primeira os fuzileiros se encontravam na Coorporação, em treinamento e aqui vale dar uma pausa para fazer algumas colocações:

O filme já se inicia com a dura realidade do “Exército”. Porém, não vemos duras torturas, nada que seja abominável, o que alimenta o teor psicológico do filme.

born to kill 2

Pyle, da equipe, é o que não se encaixa. Seu humanismo é visível, ele não tem o perfil dos demais companheiros. Está acima do peso, não faz os exercícios direito, tem medo, hesita. É a ovelha negra.

Essa primeira parte é importantíssima pra captar a idéia de Kubrick: como treinar o homem a deixar de ser humano e se tornar um cão.

A segunda parte mostra os fuzileiros já na Guerra do Vietnã.

“Os mortos só sabem de uma coisa:

É melhor estar vivo”.

Será que sabem? E os vivos, será que sabem como é bom estarem vivos?

Na composta narrativa de Joker, um fuzileiro que faz parte da “Imprensa de Guerra”, podemos conferir o dia-a-dia dos soldados, seus treinamentos e momentos em guerra sob o pano de fundo de uma crítica implícita aos objetivos de um combate. Kubrick usa do humor sarcástico, negro, do sadismo de alguns personagens, para montar esse quadro, acredite, quase sem sangue e sem apelações comotivas.

born to kill 3

“Escrevemos nosso nome nas páginas da História hoje”

Não entrarei no mérito da Guerra do Vietnã como real e histórica porque, ao menos pra mim, não vem ao caso essa discussão agora; pois Kubrick mostra a exemplo dessa Guerra a falta de sentido de todas as outras Guerras… que a humanidade presenciou e ainda vai presenciar.

Perante tanto imperialismo: ‘Mickey Mouse’ (…) ‘Mickey Mouse’ , pode ser visto como o resgate da fantasia de que tudo está bem.

E foram felizes para sempre.

Por: Deusa Circe.

BRUNO (BRÜNO)

bruno_posterSacha Baron Cohen voltou! E em alto estilo! Ele agora veio com um jornalista que escancara a sua homossexualidade para abalar os alicerces dos que se travestem de uma falsa tolerância. Seu Brüno não tem o menor pudor, logo para quem ficou fã desse ator em ‘Borat‘ já pode avaliar o significado disso.

Nesse filme, ele continua cutucando quem ainda tem preconceitos. Ele usa um personagem gay porque muitos marginalizam os homossexuais. Até as religiões. Claro que ao cutucar com certos dogmas religiosos, vai com jeitinho com os muçulmanos. Mas ele teve peito de ir lá, em países do Oriente Médio.

Esse seu Brüno vai mais fundo. Quer se tornar uma Celebridade. Até porque foi expulso de um Fashion Week. Também, ele aprontou com um terno de velcro nesse Desfile. Além de entrar para a lista negra nos Eventos de Moda na Europa, perde o seu emprego no canal de tv Funkyzeit, na Áustria. Então, pensa que terá os seus 15 minutos de fama (Andy Warhol), em Los Angeles.

Para quem viu ‘Borat‘ já fica ciente que virá cenas quentes. Muito quente com um dos seus assistentes. O nome desse personagem já é bem sugestivo: Diesel. Assim preparem-se para cenas bem eróticas entre Bruno e Diesel. Se forem assistir junto com pudicos, peçam que resistam a essa parte. Pois o filme vale a pena até rever.

bruno_01A pornografia dentro dos seus filmes, não chocam tanto quanto a algumas das críticas que ele traz. Mesmo não gostando de filmes meramente pornográficos, me choquei bem mais com a passagem onde entrevista pais de crianças (Essas, ainda na primeira infância.) ávidos para que elas sejam escolhidas para publicidade, filmes… Gente! É de ficar perplexa ao vê-los concordando com o que o Bruno pergunta ao preencherem as fichas. Precisam ouvir que tipo de proposta que ele faz! Pela foto com as abelhas… É, é por ai as situações para lá de absurdas que eles, os pais, dizem sim. De querer que percam a guarda dos seus próprios filhos.

Se Brüno satiriza com os anônimos querendo virar celebridades a qualquer custo, ele gira suas alfinetadas também para alguns artistas. Com a Salma Hayek, deve ser  por conta de quando ela fez ‘Frida‘. Com Mel Gibson, por conta de seu problema com os judeus. Com um político, o deixa embaraçado por conta de achar que ele fosse a drag queen Ru Paul. E satiriza com outros mais.

Ainda em busca da fama, Brüno parte para adotar alguém do terceiro mundo. Como fazem alguns artistas. Então, ele vai com o bebê para um programa de tv, numa de mostrar como virou um pai solteiro. Mas ao contar sobre essa adoção… Bem, nesses tipos de programa o público também quer aparecer. Com o circo armado, a audiência aumenta. É uma das molas que mantém as celebridades na mídia.

Ainda bem que Sacha também tem fãs famosos. Pois o Clip junto com – Elton John, Bono, Sting, Slash, Snoop Dogg e Chris Martin (Coldplay) -, ficou ótimo! Para quem não quer esperar, eis o clip, e a letra da música ‘Dove of Peace’ (Que encontrei na internet. E aproveitei para colocar a serigrafia de Picasso.):

Bruno faz uma radiografia completa da indústria da fama. E é de estarrecer. Dai, àqueles que não curtem o estilo de Sacha Baron Cohen, irão perder uma ótima, chocante e hilária história dos caminhos que muitos fazem para alcançarem o estrelato.

E tem mais situações que Bruno nos mostra. Como querendo virar hétero. Eu adorei! E vou querer rever!

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Bruno (Brüno). 2009. Direção: Larry Charles. Elenco: Sacha Baron Cohen (Brüno), Gustaf Hammarsten (Lutz), Clifford Bañagale (Diesel), Chibundu Orukwowu (O.J.). Participações: Bono, Chris Martin, Elton John, Slash, Snoop Dogg, Sting, Paula Abdul, Harrison Ford. +Cast. Gênero: Comédia. Duração: 81 minutos. Adaptação para o cinema de um personagem criado para a televisão por Sacha Baron Cohen.