Afinal, quem é BORAT? Um repórter, um humorista? Um repórter-terrorista? Simplesmente ele apareceu para aterrorizar o povo americano. Ele saiu de um país bem distante, chamado Cazaquistão a fim de fazer um documentário sobre hábitos, atitudes e costumes dos norte-americanos ou simplesmente fazer merchandising? Mistério…
Borat é um repórter que vai à America do Norte a trabalho, fazer uma espécie de documentário sobre esse país, mas na verdade a imagem que nos passa é de que está nos vendendo um pacote turístico de seu país – o Cazaquistão, cuja capital, ALMA-ATÁ(até 1997), hoje é a cidade de ASTANA na época em que era uma das repúblicas da antiga URSS. Alma-Atá é uma belíssima cidade que significa “A cidade das maçãs”, país que fala dois idiomas oficiais: o cazaque e o russo; uma das maiores reservas de petróleo não exploradas do mundo, e por aí vai… Daí não entender as contradições desse filme: O protagonista se apaixona justamente por uma atriz de filme pornô, e a sua irmã como ele mesmo dizia era uma rameira.

Se Borat é o segundo melhor repórter de seu glorioso país, imagine como deve ser o primeiro? A curiosidade em conhecê-lo aumenta.
Humor, ingênuo, às vezes; outras sarcásticas.
Não há como silenciar diante dessa comédia. Borat é um escracho.
Nem de longe Borat seria daqueles filmes de humor refinado, pelo contrário, é atrevido; mostra que cinema é uma forma de manifestar emoções, alegrias, tristezas, protestos, raiva… capaz de mexer com a nossa razão e emoção. Foi assim com o filme A PAIXÃO DE CRISTO de Mel Gibson que não há como segurar o choro, ou como no A CAMINHO DE GUANTÁNAMO, em que a reação mais comum seria de raiva dos yanques. Borat não podia ser diferente, mesmo nas situaçães hilárias em que o humor estava mais para OS TRAPALHÕES (na cena do galo dentro da mala); ou pastelão como em O GORDO E O MAGRO (na cena em que ele e seu amigo correm nus e uma a tarja preta cobrindo suas partes íntimas).
Talvez humor negro na residência do casal de judeus idosos quando Borat e seu amigo pensaram que seriam envenenados, mortos ou trucidados ou quando ele oferece dinheiro às baratas achando se tratar desse mesmo casal transformados? E na cena em que ele canta o hino nacional americano com a letra do hino nacional cazaque em forma de deboche? São muitos os questionamentos…
Borat é um filme simplesmente divertido do início ao fim. Borat é um personagem mundial; por onde passar será lembrado ou ser reconhecido em alguma situação, alguma cena ou alguma piada. E não há quem não diga “Já vi esse filme”, “Essa piada é velha”, talvez graças à globalização, as piadas tornaram-se universais. Borat não é novidade; é apenas mais um filme de humor. Mas por que está fazendo tanto sucesso? Talvez pela sua irreverência e seu cinismo.
Karenina Rostov.