Arrasta-me para o Inferno (Drag me to Hell)

Arrasta-me para o InfernoDrag me to Hell” é um filme de terror horripilante, debochado e delicioso para ser visto sem preconceitos.

Sam Raimi amadureceu ao longo de sua carreira criando pérolas como “Homem-aranha” e “O Grito”, mas não esqueceu suas origens quando assombrou fazendo rir no clássico trash: “Evil Dead” (A Morte do Demônio) de 1981. É justamente desde filme que Raimi parece ter tirado a essência de humor negro e horror fantasioso e ilimitado para esta novidade imperdível. Desta espécie de oportuna auto-homenagem, nasceu uma obra que o diretor conduz com habilidade, segurança e fluência impressionantes do início ao desfecho perfeito recheado de cenas tão inverossímeis quanto assustadoras. Agora com o refinamento de uma produção cuidadosa e cheia de efeitos de primeira com direito a uma trilha sonora primorosa incluindo até uma música não utilizada do filme: “O Exorcista”.

A estória gira em torno de uma bancária que recebe uma praga ao negar um empréstimo a uma velha esquisita. Ela e o namorado vão procurar um médium para ajudar a afastar o mal. Raimi poderia fazer mais filmes como este porque é o seu verdadeiro estilo e Spielberg bem que deveria fazer o mesmo. É o público quem ganha.

Por: Carlos Henry.

Arrasta-me para o Inferno (Drag me to Hell). 2009. EUA. Direção: Sam Raimi. Elenco: Justin Long, Alison Lohman, Jessica Lucas, Lorna Raver, David Paymer, Dileep Rao, Reggie Lee. Gênero: Terror, Thriller. Duração: 99 minutos.

Tempos de Paz

tempos-de-paz“Não serei o poeta de um mundo caduco”

A paz é um estado de espírito; é a busca frenética de sossego, uma conquista diária prazerosa e confortável para qualquer pessoa, tão necessário quanto o ar que se respira. Quando se tem paz interior, se tem fora dela e em qualquer lugar. Já dizia o escritor russo Tolstoi “Sempre haverá guerra e paz”, significa que a paz é apenas um momento de trégua. E o escritor alemão Brecht dizia que só se encontra paz na guerra. Contradições à parte…

O novo filme brasileiro TEMPOS DE PAZ, dirigido por Daniel Filho, nos leva a essa reflexão. O enredo é a 2ª Guerra Mundial. Imigrantes fugiam DELA para qualquer terra estrangeira. Entre os imigrantes estava um ator de teatro, tentando entrar no Brasil, se passando por um agricultor. É claro que ele enfrentará um obstáculo para que realize esse sonho. Esse imigrante travará uma batalha para conseguir a tão almejada paz. Será um duelo de titãs. Para conquistar a sua liberdade e receber seu salvo conduto, terá que lutar contra um investigador e torturador de polícia; terá que pegar em armas para conseguir vencer essa guerra. O ex-oficial Segismundo interpretado pelo ator Tony Ramos tenta a qualquer custo cumprir a sua função de barrar e impedir que comunistas e nazistas entrem no país, e um deles é o ator polonês interpretado por Dan Stulbach pelo fato de se mostrar um sujeito muito suspeito. A partir do encontro de ambos, o interrogador alfandegário Segismundo com o ex-ator polonês Clausewitz começa uma nova batalha. Trava-se uma nova guerra. A guerra, na verdade, são de lembranças que parece que jamais se apagarão. E ninguém está isento tê-las, independentemente de boas ou más.

Um ator que consegue sobreviver a um campo de concentração perdendo todos os parentes e amigos, perdendo a sua língua de origem, sua identidade e seu país, deixando para trás uma guerra para entrar em outra. Um ator que aprende uma língua latina por amor, declama Drummond, terá que provar que não é melhor do que ninguém nem mesmo ao próprio torturador brasileiro, pois, apesar de tudo foi o único que sobreviveu da família para contar a historia. Como fugir de um país em guerra se terá que levar na bagagem as eternas lembranças?

Quando começa o embate entre ambos, há um momento que nos faz pensar que ele deveria desistir de querer ficar, que seria melhor enfrentar a guerra em seu país e nem ter saído de lá. Comparando as duas guerras, a de lá era até branda, pois a de cá ele ouviria coisas mais terríveis da boca desse alfandegário, as mais duras e dolorosas lembranças do outro, suas torturas às suas vítimas, que talvez, guerra nenhuma seria pior.

Por ser confundido com um nazista fugitivo, é que se desenrola na sala de imigração a desconfiança nesse sujeito. E o ex-torturador alfandegário, era a própria guerra, capaz de fazer as coisas mais bárbaras e horrendas possíveis; das piores torturas inimagináveis tanto que o próprio médico interpretado por Daniel Filho, salvador de sua irmã, interpretada pela atriz Louise Cardoso, ele sem piedade torturou, quebrando as suas mãos os seus instrumentos de trabalho. A maneira encontrada pelo interrogador foi de fazer um trato com o imigrante; ele deveria fazê-lo chorar. Se conseguisse essa façanha, receberia a tão sonhada liberdade e a nova vida. Poucos atores, porém atuações magistrais. Um filme sublime. E o melhor o diretor deixou para o final, homenageando grandes imigrantes que contribuíram para o engrandecimento do país e todo o amor pela nova pátria.
Tempos de Paz. Assista com carinho.

“O tempo é a minha matéria, o tempo presente, os homens presentes, a vida presente.” C.D.A.

Por: Karenina Rostov.

Tempos de Paz. 2009. Brasil. Direção: Daniel Filho. Elenco: Tony Ramos (Segismundo), Dan Stulbach (Clausewistz), Daniel Filho (Doutor Penna), Louise Cardoso (Clarissa), +Elenco. Gênero: Drama. Duração: 82 minutos.