Desmontando a Trilogia MATRIX

Matrix_posterO livro Neuromancer. A HQ Os Invisíveis. Os filmes Tron, Equilibrium, Cidade das Sombras, Johnny Mnemonic – O Cyborg do Futuro e O Show de Truman. As animações Ninja Scroll e Ghost in the Shell. Todos eles podem ser considerados fortes influências para os irmãos Andy e Larry Wachowski criarem o fenômeno Matrix. Devido a isso choveram acusações de plágio que perderam força com o tempo. Afinal, por que nunca acusaram estas obras de se plagiarem entre si?

matrix_movieO filme original Matrix estreou em 1999 contando a história do hackear Neo (Keanu Reeves), que começa a receber recados no seu computador de um grupo de pessoas misteriosas que vestem couro preto e usam óculos escuros, encabeçadas por Trinity (Carrie Ann-Moss) e Morpheus (Lawrence Fishburne). Seu contato com elas é monitorado por autoridades igualmente misteriosas que vestem terno e gravata e também usam óculos escuros, lideradas pelo Agente Smith (Hugo Weaving), que aconselha Neo a se manter afastado do outro grupo, criando um dilema bem kafkiano para o personagem.

Matrix_Morpheus-red-or-blue-pillMas o protagonista segue sua natureza curiosa e vai encontrar Morpheus numa noite chuvosa. Dentro do quarto deste, Morpheus lhe fala sobre a Matrix. O problema é, como próprio diz, “Não se pode explicar o que é Matrix. Você tem que ver para crer.” Ele oferece a Neo a ingestão de duas pílulas, vermelha ou azul, que decidirão seu destino. Uma o fará esquecer do encontro pra sempre e a outra terá o mesmo efeito de Alice quando entrou no País das Maravilhas. Nem preciso dizer que ele seguiu o coelho branco.

Numa das reviravoltas mais chocantes do cinema o quarto ao redor de Neo se desfaz e ele acorda nú e sem cabelo num casulo gosmento, semelhante à nave alienígena do filme Fogo No Céu, e com um plug na cabeça. Resgatado pela nave Nabucodonosor, onde estão Morpheus, Trinity e os demais, e Neo surta ao se dar conta que passou toda sua vida num mundo de realidade virtual que mimetiza a Terra da nossa época criado pela Matrix, uma gigantesca inteligência artificial que dominou o mundo num futuro pós-apocalíptico escravizando os humanos e usando-os literalmente como pilhas, conforme Morpheus revela numa das cenas mais emblemáticas do longa. Os poucos humanos livres vivem numa cidade debaixo da terra se escondendo de máquinas gigantes que vêm caçá-los para alimentar a Matrix.

Matrix_NeoUsando um sistema especial algumas dessas pessoas conseguem entrar e sair da simulação de realidade, mas são sempre caçados por agentes como Smith que agem tais como anti-corpos ao perceberem uma ameaça ao “organismo”. A razão para Neo ter sido libertado é porque, segundo uma profecia, ele seria o escolhido para livrar o povo e vencer a Matrix. A partir daí começa a verdadeira história e esse é um dos pontos fracos da obra dos Irmãos Wachowski. A concepção que eles imaginaram é mais interessante que o seu desenrolar.

O filme original segue com o treinamento que Morpheus dá a Neo, o que pelo menos pra mim já desemboca no primeiro absurdo conceitual da franquia.

Por que diabos alguém teria que aprender artes marciais pra enfrentar inimigos dentro de uma simulação da realidade? Por que, em vez de uma luta “corpo-a-corpo” eles não criam armas virtuais maiores do que as que estavam usando? Se se pode simular uma metralhadora porque não simular uma bomba atômica ou uma carta de antrax?

As lutas e mesmo os tiroteios são puro fetiche relacionado a videogames e soam muito estranhos.

Matrix_OracleTambém é apresentada uma personagem que vive dentro Matrix, a Oráculo, que aparenta ser uma doce velhinha que assa biscoitos, mas é uma espécie de sábia que dá as dicas paras os rebeldes enfrentarem a Matrix. É ela quem indica a Neo seu difícil destino, que é ligado ao de Trinity.

Matrix_CypherEnquanto isso, Cypher, um dos homens do grupo de Morpheus, faz um acordo com o Agente Smith e decide trair seus companheiros em troca de poder voltar para a Matrix. Esse é um dos pontos intrigantes da trama, pois questiona o fato de que a vida dentro da realidade virtual é melhor que a da realidade crua… afinal é uma vida de sonho. Porém, isso nos leva ao segundo grande absurdo do filme: por que, em vez do Cypher, esse quesitonamento não é do Neo? Porque simplesmente Neo não teve que sacrificar NADA ao deixar a Matrix! Ele era um homem solitário, não tinha amigos, família, nem mesmo grandes sonhos. Já do outro lado sua vida passou a fazer sentido, com um propósito, um mestre e até um grande amor. Tudo se encaixou bem até demais tornando o protagonista um personagem raso, que serve apenas ao ideal messiânico do contexto. Como Keanu Reeves é um ator carismático, ainda que limitado, acaba funcionando bem na proposta em tanto maniqueísta do longa, mas essa falta de humanidade inevitavelmente empobrece o filme.

Matrix_Agent SmithApós a traição de Cypher, que acaba morrendo por isso, Morpheus acaba capturado e Neo e Trinity vão resgatá-lo. A “vontade” de Smith em capturar Neo é tamanha que ele incorpora outros agentes, se tornando assim quase invencível, mas, durante o combate, Neo incorpora (ou mentaliza) uma natureza que lhe dá super poderes, com uma ajuda da Trinity que dá o beijo da bela adormecida no Neo na Nabucodonosor, enquanto sua versão virtual acaba derrotando Smith ao incorporá-lo e destruí-lo de dentro pra fora, para em seguida escapar da Matrix, a qual ele agora acredita poder derrubar num futuro não tão distante.

O filme fez sucesso especialmente com uma parcela em especial do público, hoje conhecida como geeks. Foram eles quem melhor sacaram os simbolismos e metáforas de um filme feito num tempo em que a internet ainda engatinhava e o computador doméstico ainda era um luxo, pelo menos no Brasil. Elementos como os personagens falando ao telefone discando um código pra sair da Matrix, o deja-vu de Neo com o gato que seria uma falha no sistema, Smith incorporando os agentes e Neo incorporando Smith, que nada mais seriam que ações de download, entre várias outras coisas, são na verdade símbolos de situações de rotina no mundo da informática. Agregado a isso a várias noções filosóficas, especificamente o Mito da Caverna de Platão, e religiosas, especialmente ligadas ao gnosticismo, incorporadas à trama.

Matrix_Bullet TimeInfelizmente para o público não-geek, no qual me incluo, já é dificílimo captar as nuances mais superficiais desse universo. Imagine então as mais complexas. Claro que o grande público terminou fisgado pelos espetaculares efeitos especiais, principalmente o imitadíssimo bullet- time (que durante um tempo era sinônimo de Matrix), que roubavam a cena da trama. O que nos leva ao terceiro grande absurdo sobre Matrix: Como é que uma obra cuja proposta é criticar a escravização do homem pela tecnologia moderna pode ser tão dependente do que há de mais moderno em tecnologia? Sim, pois sem os efeitos especiais, será que o roteiro se sustentaria da forma como é apresentado?

O sucesso da ficção científica motivou os Irmãos Wachowski a dirigirem mais dois filmes de uma vez, especialmente depois que O Senhor dos Anéis fez trilogias virarem moda em Hollywood. Muitos apontam as continuações como o grande mau que afligiu a franquia.

Matrix Reloaded Em Matrix Reloaded, de 2003, é mostrada Zion, a última cidade humana. Lá as pessoas se dividem entre os que acreditam que Neo será o seu salvador e os céticos. Infelizmente no começo do segundo filme, Neo já conheceu bem o lugar e não há como pôr o público no lugar dele e introduzir esse elemnto de forma mais palatável. Com a entrada de outros personagens da resistência, Morpheus e Trinity vão se tornando cada vez menos relevantes, ainda que os Wachowski tenham buscado meios de desenvolvê-los mais.

Descuidaram-se, no entanto, ao cometerem um dos piores erros de edição da história do Cinema, NÃO mostrando um plug na nuca do Neo quando este chega em Zion, sendo que o plug não havia sido retirado quando ele foi libertado da Matrix no primeiro filme, nem de ninguém que era libertado. Aliás, logo depois o plug volta à aparecer na cabeça dele misteriosamente. Essa cena levantou um sem-fim de teorias sobre ele nunca ter deixado a Matrix ou o suposto mundo real dos filmes também ser a Matrix, mas aparentemente foi só um erro grosseiro dos realizadores mesmo.

Matrix Reloaded_RaveSeguido por outro grande erro, que foi a festa rave. Não tenho nada contra festas raves, mas é patético que o último resquício da civilização humana seja uma rave. Você não vê sequer uma feira-livre que seja em Zion, mas as raves resistiram. Pior que isso. É inconcebível que a festa seja realizada num futuro distante pós-apocalíptico exatamente como é nos dias de hoje, com o mesmo tipo de dança, as mesmas luzinhas… a cultura e a sociedade ao redor são brutalmente diferentes, mas o estilo das raves se mantiveram intactos. Impressionante.

Matrix Reloaded_PersephoneDentro da Matrix, os rebeldes seguem as instruções da Oráculo e vão atrás do Chaveiro, que como o nome indica tem a chave para os segredos da inteligência artificial, enfrentando pelo caminho diversos personagens que são versões de programas de computador com aparência humana, tais como o Chaveiro e a própria Oráculo. Pra alívio do público um deles, Perséfone, tem a cara e o corpo da Mônica Belucci, um bálsamo que descansa a nossa vista no meio de tanta poluição visual, pois o problema mais uma vez é que pra um públcio não-geek o máximo que se vê é ação com estética de videogame, e esses personagens nada mais seriam que os vilões da fase intermediária.

O rolo aumenta quando o Agente Smith volta, cada vez mais independente, para se vingar de Neo. Agora ele pode incorporar qualquer pessoa na Matrix, criando um exército de clones para enfrentar Neo, numa cena estupidamente exagerada nos efeitos especiais aonde podemos ver claramente quando Keanu Reeves e Hugo Weaving são substituídos por polígonos que parecem ter saído da lixeira de projetos descartados da Pixar. A verdade é que essa cena só existe porque Neo e Smith precisam lutar em todos os filmes.

Matrix Reloaded_TrinityNo correr das batalhas Trinity morre e é ressucitada por Neo com seus poderes, numa sequência ainda mais clichê que o beijo que ela dá nele no primeiro filme. É quando Neo fica cara a cara com o Arquiteto, o mais importante programa-que-parece-humano-mas-não-é da Matrix, pois seria uma espécie de porta-voz da mesma. Numa cena em que os Wachowski claramente buscam o mesmo efeito da revelação de Morpheus no filme anterior (com duas portas no lugar das duas pílulas), o Arquiteto conta a Neo que ele não passa de uma anomalia do sistema, que aparece de tempos em tempos sempre com a cara do Keanu Reeves pra ajudar os humanos a se rebelarem contra a Matrix e sempre é derrotado por escolher salvar Trinity, a quem amava. Ou seja, no meu entender, mesmo tendo um corpo físico, Neo era da mesma natureza do Arquiteto, o Chaveiro e a Oráculo e daí vem seus poderes. Só uma programação diferenciada da média, mas que, ainda que não possa ser detida, é sempre controlada.

Matrix Reloaded_The Architect Mesmo sabendo de seus fracassos passados e seu provável fracasso futuro, ele insiste em tentar salvar os humanos de Zion, cada vez mais próxima de um ataque das máquinas. Se a cena da conversa com o Arquiteto já pode ser considerada a mais complicada da trilogia, imagine quando o filme termina com um gancho que mostra o Agente Smith SAINDO da Matrix pro mundo real usando o corpo de um humano da resistência? Então veio Matrix Revolutions, lançado também em 2003, meses depois do segundo filme.

Matrix RevolutionsEsse terceiro longa basicamente mostra Neo (que conseguiu fugir da Matrix no início desse terceiro filme) e cia. tentando desesperadamente deter a Matrix, enquanto as máquinas chegam cada vez mais perto de Zion. Ele conta a Morpheus que toda a profecia que ele acreditava não passava de mais um programa da Matrix numa cena que pra mim deixou muito a desejar, pois acho que o Morpheus desistiu cedo demais das suas convicções, principalmente depois de ter que ouvir muitos o tomando por louco em Zion por causa do Neo. De repente o próprio Neo de certa forma fala isso e ele acaba aceitando rápido demais. Na verdade eu acho que nem se o próprio Arquiteto mostrasse-lhe as imagens dos vários Neos que o visitaram no passado ele acreditaria tão fácil. Mas a essa altura os Wachowski já jogaram pro alto a preocupação com a subtrama de outros personagens e se concentram em carregar à trama pra um final.

Matrix Revolutions_machine-O Agente Smith, infiltrado no corpo de um dos rebeldes, ataca Neo e Trinity, deixando o herói cego. Aliás, as cenas em que se consegue “enxergar” Smith dentro de alguém lembram o clássico do terror Eles Vivem. Enquanto isso, Zion é atacado por robôs que parecem os braços do Dr. Octopus do Homem-Aranha e resiste com os humanos controlando uma espécie de transformers, mas que lembram até demais a armadura que Ripley usa pra vencer o alien no fim de Aliens 2 – O Resgate. Usando seus poderes no mundo real (Sim! Acertou quem achou que não há explicação decente pra isso!) Neo consegue afastar os “Octopus” e chegar até o que seria o coração, ou cérebro (ou umbigo já que tudo soa extremamente pretensioso mesmo), da Matrix, mas Trinity morre (de novo!) para que ele alcance seu objetivo. Neo então conversa com um monte de ferro-velho (o tal umbigo da Matrix que mais parece um ácaro gigante) e faz um trato: Zion seria poupada se ele detivesse o outro programa que saiu completamente ao controle e, de certa forma, se tornou tudo aquilo que se esperava de Neo, ou seja, a grande ameaça ao sistema: Smith. Muita gente detesta a idéia de parecer que o escolhido era Smith, mas essa foi uma das poucas saídas coerentes pro caminho que foi tomado.

Matrix Revolutions_Neo and SmithA anomalia Neo estava sob controle, mas ele teve um efeito colateral, que Jung classificaria como o arquétipo da Sombra e a Matrix se sentiu ameaçada por algo novo então. O que é sacanagem é você chamar de Revolutions (Revoluções) um filme em que no fim o protagonista faz um acordo diretamente com o sistema para deter alguém que seria uma real ameaça à ele, principalmente quando esse alguém era apresentado a princípio como maior representante desse sistema. Enfim… Neo e Smith, ambos super poderosos agora, tem uma batalha final em meio à uma grande tempestade!?… Vai ver a Matrix achou que seria mais emocionante uma luta na chuva, ainda que isso também não faça o menor sentido!

Neo termina subjugado por Smith que o incorpora, desejo que ele devia nutrir desde que o inverso aconteceu no primeiro filme. Porém, se Smith é a sombra e Neo é o seu oposto, este último é a luz e as trevas são sempre dissipadas pela presença da luz. Isto causa uma espécie de auto-destruição, ou melhor explosão, já que um arrebenta o outro de dentro pra fora, ou melhor ainda, implosão, já que os dois passam novamente a serem parte integrante da Matrix, pois o Neo havia entrado lá para lutar através da conexão direta com o tal umbigo. Uma leitura complementar seria de que Neo era um vírus e Smith estava tão poderoso que já não era um vírus, mas um sistema autônomo. Então a Matrix usa o vírus Neo para infectar o sistema Smith. Ou ainda a velha história do veneno de cobra, cuja vacina é feita a partir do próprio veneno.

Matrix Revolutions_NeoAssim, a vida em Zion e a vida na Matrix são salvas graças ao sacrifício de Neo, os octopus vão embora e o Arquiteto vai bater um papo com a Oráculo, que pra quem ainda não entendeu só que ajudar os humanos por também ser uma anomalia do sistema.

Realmente, pra quem curte informática Matrix pode ser um programão. Por outro lado, o resto do público talvez crie uma identificação maior com outros filmes que falam de simulação de realidade como O Show de Truman ou Cidade das Sombras, que simbolizam respectivamente a Televisão e o Cinema da mesma forma que Matrix simboliza os computadores.

Uma última curiosidade pra ficar pra registro: há quem jure que o Google do nosso presente é a Skynet (da franquia Exterminador do Futuro) num futuro próximo… e que a Skynet é a Matrix num futuro remoto.

Por: Guilherme Cunha.  Blog: Panorama Imaginado.

Rock’n'Rolla – Mais um filme de Guy Ritchie

rocknrolla_ver2Sabem… sempre gostei dos filmes do Guy Ritchie. “Jogos, trapaças e dois canos fumegantes” e “Snatch” são ótimos filmes.

Ocorre que, com Rock’n'rolla foi diferente. Guy me decepcionou e muito. Sem querer ele demonstrou mais uma vez que a sua fórmula é uma só. Guy Ritchie é quase como um Dan Brown dos cinemas. Ele só escreve de um jeito e só sabe contar as histórias de um jeito. Tem sempre um cara super mau, tem sempre um grupo de amigos pé rapados que pisam no calo de quem nem sabem quem e se dão mal e tem sempre uma série de coincidências que ninguém sabe explicar.

Sempre o mesmo. Sempre as mesmas gírias. E sempre engraçado, com piadas que nem todo mundo acharia graça.

Rock’n'Rolla é um filme que vale à pena ver e vai ter continuação. Aliás, vale à pena ver se vc não viu nenhum outro filme de Ritchie. Se já, nem se dê ao trabalho…

Director:
Guy Ritchie
Writer:
Guy Ritchie (written by)
Release Date:
31 October 2008 (Brazil)

Cast (Cast overview, first billed only) Gerard Butler … One Two
Tom Wilkinson … Lenny Cole
Thandie Newton … Stella
Mark Strong … Archy
Idris Elba … Mumbles
Tom Hardy … Handsome Bob
Karel Roden … Uri Omovich
Toby Kebbell … Johnny Quid
Jeremy Piven … Roman
Ludacris … Mickey (as Chris Bridges)
Jimi Mistry … Councillor
Matt King … Cookie
Geoff Bell … Fred the Head
Dragan Micanovic … Victor
Michael Ryan … Pete

Lady Vingança – mais um filme sobre “adivinha o que”?

lady-vinganca-poster

E então eu comecei a assistir a trilogia da vingança, do diretor  Park Chan-Wook. Comecei pelo “Oldboy” que acabou sendo a minha primeira crítica cinematografica neste blog. Enfim, agora só falta assistir o “Mr Vingança”.

Se não assistiu o filme, não leia. Contém Spoilers.

O filme, ao contrário de Oldboy, traz uma narrativa lenta e dolorosa. Com muitos “flashbacks” e “fastforwards”, é palpável a dor da protagonista e a sua procura constante. Não pela vingança, que é mera questão de tempo (e que nos deixa angustiados o filme todo sobre como e quando ocorrerá). A sua busca é por remissão, é por perdão.  O perdão dos outros, pelo qual chega a se mutilar, e o perdão próprio por algo que não fez e se penitencia (que a levou a fazer sexo com alguém que representava o assassinado de tantos anos atrás).

A palavra que resume o filme talvez seja realmente essa, no fim das contas, angústia.  Cada momento de filme traz a quem assiste um pouco da angústia da protagonista, e o fim, a final vingança traz muito mais angústia. Talvez, aqueles minutos que o assassino passa amarrado sejam muito piores do que os anos em que a protagonista passou presa. Ou não.

Mas faltou um desfecho assustador como em Oldboy. Enfim… obras primas costumam ser únicas, mas Lady Vingança continua sendo um filme muito bom.

Cast (Credited cast)

Yeong-ae Lee … Geum-ja Lee
Min-sik Choi … Mr. Baek

Director:
Chan-wook Park
Writers:
Seo-Gyeong Jeong (writer)
Chan-wook Park (writer)
Release Date:
29 July 2005 (South Korea)

“kill Bill” ou “do what you want and enjoy the consequences”

kill_bill_vol_two_ver5ATENÇÃO! Contém Spoilers.

“Kill mothafucka Bill”, um dos filmes de mais sucesso de Tarantino, e também, na minha humilde opinião, um dos menos entendidos.

Tirei os últimos dias para tentar colocar meus “filmes que quero ver pela primeira vez ou de novo” em dia. Comecei por Lady Vingança, que vai ganhar uma resenha própria, e passei por “Rock’n'Rolla” (do Guy Richie), que provavelmente também ganhará. Passei aos blockbusters e fui direto ao Kill Bill. No momento em que comecei a assistir, lembrei que só havia visto no computador, antes de sair no cinema, e que nunca mais tinha colocado os olhos no filme. Foi bom assistir novamente.

O tema principal do filme talvez seja realmente a vingança que Kiddo procura e o que faz até consegui-la. Mas permitam-me dizer que esse não é o tema do filme. O tema do filme é simples e se resume em uma palavra: consequência.

Bill é o líder de um esquadrão de matadores de aluguel e ganha a vida matando as pessoas ao redor do mundo e ganhando rios de dinheiro com isso, como ele mesmo define. Porém, o que ele ainda não enfrentou na vida (ou não tinha enfrentado, até cruzar com a fúria de Kiddo) era a consequência. A consequência por seus atos, bons ou maus, mas a simples e cruel consequência.

Foi Bill que recrutou Kiddo e contou a ela sobre Pai Mei, e também foi Bill quem colocou os dois em contato para o treinamento. Foi mencionando o nome de Bill que Kiddo conseguiu que Hattori Hanzo quebrasse seu juramento e lhe forjasse uma espada. Foi Bill que convocou todo o seu grupo de extermínio para matar Kiddo e todo o seu quase-futuro de felicidade e também foi Bill que atirou na cabeça de Kiddo, provocando assim o seu coma e a sua fúria.

Foi Bill quem se apaixonou por Kiddo, e lhe fez um filho, e foi por causa desse filho que Kiddo encontrou a felicidade, depois de tantas mortes. E essa foi a consequência final de Bill: dar como presente, depois do gosto doce da vingança, a felicidade ou infelicidade de  ter para sempre um pedaço de si junto a sua assassina e amante.

Em tempo:  Mil perdões por ter ficado tanto tempo sem postar aqui. Tentarei ser mais constante.

GARAPA SEM PASTEL

Garapa_Documentário

Comer é uma necessidade do estômago; beber é uma necessidade da alma.”
Victor Hugo

A linguagem de uma narrativa cinematográfica no formato documental é de extrema importância e valor já que é um constante aprendizado, acrescentando novas informações, somando experiências, matando curiosidades ou especulações de um determinado assunto de total ou parcial conhecimento, que se domina ou não.

Fazer um filme DOCUMENTÁRIO, a princípio, parecer ser algo fácil e simples, bastando uma idéia na cabeça e uma câmera na mão. Mas nada é o que parece ser. A dificuldade é tamanha, tal qual a uma superprodução recheada de efeitos especiais.

José Padilha, cineasta brasileiro, ganhador de muitos prêmios pelos seus filmes TROPA DE ELITE e ÔNIBUS 174, realizou recentemente um documentário intitulado GARAPA.

Garapa é uma bebida nacionalmente conhecida como caldo de cana. Garapa pode ser também qualquer bebida refrigerante mistura de água com açúcar.

O cinema DOCUMENTÁRIO é fascinante. O fascínio está na forma de abordagem, na temática e em todos os ingredientes inseridos. O fascínio daquilo que temos sede de aprender e apreender. E o aprendizado às vezes é doloroso; e a apreensão às vezes maltrata a alma.

Assistir ao documentário GARAPA, é preciso ter estômago de avestruz e sangue de barata. É um filme indigesto. Um filme VERDADEIRO. As verdades de nosso país muitas vezes varrido para debaixo do tapete. O problema existe, e finge-se não ouvir, ver e falar.

Garapa_01GARAPA mostra o drama de três famílias nordestinas miseráveis, e é considerado um dos mais contundentes retratos da fome no Brasil, tendo como único recurso alimentício a garapa (mistura de água com açúcar), e um auxílio de um pouco mais que R$ 50,00, repassado pelo programa bolsa-família ou Fome Zero. O filme é todo em preto e branco (o que torna o documentário menos chocante e violento), sem música, confetes ou serpentinas, tendo como protagonistas três mulheres batalhadoras e seus filhos como figurantes. A tristeza e o drama enfrentados diariamente por essas três famílias não param aí. São vários os fatores: o desemprego, a falta de saneamento, educação e lazer ou programa de controle familiar. Acostumados com a situação, vivem sem nenhuma expectativa.

A fome é um assunto mundial e parece não ter fim. É o pior tipo de violência. Não precisa citar a África, ela está aqui, ao nosso lado, o nosso vizinho, em nosso país.

É um documentário que veio para somar e sensibilizar a todos do grande problema que é essa forma de violência que considero a pior de todas: A FOME. Lembrando que há vários tipos de fome: fome de saber, de conhecimento, de amor, de solidariedade, de amizade, mas a de não ter um pão para se comer pela manhã, nunca comer uma fruta, nem água potável, passar por todo tipo de privação e humilhação, pedindo, esmolando é simplesmente o fim, a pior desgraça que o ser humano NÃO deveria enfrentar.

Para quem é sensível, se choca e passa mal com facilidade com o que fere e maltrata, com as mais diversas formas de violência, este filme não é aconselhável. NÃO ASSISTA em hipótese alguma. Que eu me lembre é o primeiro filme que a censura não é definida. A informação sobre ele diz CENSURA A DEFINIR. Talvez seja um tipo de aviso ao expectador como: CUIDADO, ou ATENÇÃO.

Vivendo e aprendendo e nunca mais ser o mesmo assistindo a documentários. Fará parte de sua história de vida, estará para sempre nas suas células, na mente ou no coração; de alguma forma te modificará. Repensar os valores da sociedade, a ética, seu espaço e liberdade, direito de ir e vir, as obrigações, os deveres, a impotência diante desse caos que não embevece, nem orgulha; entristece e envergonha.

E depois de assistir ao GARAPA o expectador nunca mais será o mesmo. E o assunto não se esgota aqui.

Por: Karenina Rostov.  Blog: Letras Revisitadas.

GARAPA. 2008. Brasil. Direção e Roteiro: José Padilha. Gênero: Documentário. Duração: 110 minutos.

Monty Python Em Busca do Cálice Sagrado

Monty Python and the Holy Grail_BrookinsVou recomendar um filme (e chover no molhado) que mudou para sempre minha vida (daquelas coisas de antes e depois, sabem como é…) e quase me matou… com 5 minutos de exibição (a contar dos letreiros) eu já estava quase sem respirar, com o peito arfante… por fim, acabei sentado num dos corredores laterais do extinto Cineclube Bixiga. Olhava em volta e percebia que não teria ajuda… todos estavam sofrendo as mesmas coisas que eu, com intensidades diferentes.

A partir daquele dia fiquei irremediavelmente viciado e, as vezes, me pego “encenando” trechos do filme… o pior é que os efeitos “nocivos” eram contagiosos e boa parte dos meus amigos apresentam os sintomas…

O filme???

Monty Python Em Busca do Cálice Sagrado.

Niii…
Salve o fígado do Brave Sir Robin!
E… qual a velocidade de uma andorinha em vôo?

Por: Marco Antonio Xavier.

Monty Python Em Busca do Cálice Sagrado (Monty Python and the Holy Grail). 1975. Reino Unido. Direção: Terry Gilliam e Terry Jones. Gênero: Comédia. Duração: 91 minutos. Baseado de forma irônica na lenda da busca do Rei Arthur para encontrar o Santo Graal. Elenco:
- Graham Chapman (Rei Artur / Deus / Cabeça do meio),
- John Cleese (Cavaleiro Negro / Sir Lancelot, o Bravo / Tim),
- Eric Idle (Sir Robin, o Não-tão-bravo-quanto-Sir Lancelot / Concorde / Irmão Maynard),
- Terry Gilliam (Patsy / Cavaleiro verde / Sir Bors),
- Terry Jones – Sir Bedevere / Príncipe Herbert (voz),
- Michael Palin (Dennis / Sir Galahad o Puro / Narrador / Rei do Castelo no Pântano / Irmão do Irmão Mynard / Líder dos Cavaleiros que falam NI!).

Laranja Mecânica

laranja-mecanica“Well, well, well, Druges… Qual vai ser o programa hoje? Que tal um pouco da velha Ultraviolência?

Sádico, tenso, vibrante, espetacular, ousado, perfeito! Todos os adjetivos possíveis são bem empregados em algo tão perfeito como Laranja Mecânica, filme baseado no ótimo livro de Anthony Burgess, filmado por ninguém menos que ele, Stanley Kubrick – O Cara!
Alex DeLarge é um péssimo exemplo. O moleque sai a noite com os amigos pra praticar delitos, se diverte vendo os outros serem espancados, humilhados. Com uma mentalidade forte, o líder do grupo de arruaceiros é também o mais sádico. Gosta de pegar mulher quando quer, ouvir Bethoven, bater em mendigo, estuprar e praticar roubos. Só que ele não controla sua ira, nem mesmo com seus amigos, que por causa de uma brincadeira, acabam traindo o pobre Alex. Preso por assassinato, ele decide ser cobaia do “Método Ludovico”, que consiste em fazer o delinqüente deixar de ser delinqüente.
O problema é que fora da prisão, as coisas parecem conspirar contra ele. Todos que ele de alguma forma fez sofrer, farão o mesmo com ele. Destino ingrato. Alex se torna vítima de seus próprios atos e acaba pagando por isso.
São pouco mais de 2 horas de um filme denso, cheio de pompa e sentimento, que arrasa em tudo, desde o mais fútil detalhe, até a estilizada violência que o filme traz.
Kubrick não deixa nada passar. Cada ponto do filme é uma crítica ao mundo moderno, às seus defeitos e conseqüências, quase um presságio do que temos hoje. Juventude rebelde sem causa, violência em todos os pontos, evolução nas construções e tudo mais, mas um povo ainda primitivo, que não aprendeu a andar com as próprias pernas.
Os diálogos carregados de sutilezas ferrenhas a isso é o que há de mais delicioso no filme. Até as gírias usadas por Alex e seus amigos, soam com esse tom. As cores vibrantes (marca do Kubrick), com cenários extravagantes, passam a sensação de futuro próximo, o que torna o filme ainda mais autentico e verdadeiro.
laranja-mecanica_01
A forma como Kubrick conduz seu filme é primoroso e fabuloso. Abrindo o filme com muita violência, ele não economiza nas doses pancadaria. E isso ele faz de uma forma a criarmos certo desprezo pelo personagem principal. Só que depois do tratamento, Alex acaba de alguma forma ganhando a simpatia do publico, passa de vilão a mocinho quase que instantaneamente. Essa mudança radical, da água pro vinho, mostra que ele não é o único sádico/frio/violento que existe. Todos são, e não há “Método Ludovico” no mundo capaz de mudar isso.
Enquanto tudo é desenvolvido com calma e maestria, mergulhamos cada vez mais naquele mundo imaginário que não está tão longe e tampouco diferente do nosso. Todas as coisas mostradas por Kubick no filme são planejadas com muito cuidado, são colocadas em cada momento do filme com muita paciência, e o resultado é uma explosão de imagens vibrantes e certeiras, que só com outras “assistidas” é que são sacadas.
Cada movimento de câmera, cada quadro é trabalhado para passar algum sentimento, como por exemplo, perversidade na cena em que Alex acidentalmente mata a “louca dos gatos”. Outro exemplo é quando sentimos a inocência dele quando está cantando “I’m Singing in The Rain” na banheira tomando banho.
Outra sacada genial, é que o filme não expõe a violência de maneira direta, e sim de um modo mais subjetivo, sem mostrar sangue, sem mostrar membros quebrados, sem apelar pra essas coisas tão comuns hoje em dia. Tudo é mostrado com o mínimo de violência, e por isso acaba sendo tão chocante. Voltando o exemplo do assassinato, em que Kubrick em momento nenhum mostra Alex enfiando aquele pênis no rosto dela, mas as imagens que acontecem ali são o bastante pra vermos isso, por isso sai tão chocante. E se notarem nem há sangue na cena.
Outra coisa bacana é a união entre belo e feio, algo bem constante no filme como na cena em que Alex e seus amigos vão brigar com a gangue do Billy Boy, ela começa com uma imagem bela e caminha para algo nem tão belo assim. Esse efeito é mais sentido com a trilha, cheia de Bethoven como pano de fundo da violência.laranja-mecanica_02

Os figurinos são outro arraso, extravagantes, exagerados, coloridos. A trilha é perfeita e atenua cada momento de maneira formidável.
Agora quanto às atuações, tudo e todos estão PERFEITOS. Malcolm McDowell está no seu melhor e memorável personagem. Com olhos azuis e sorriso jovial, o cara caiu como luva no protagonista. Não consigo imaginar outro fazendo o filme com tanto empenho e qualidade como ele. Acho que o momento mais genial é a parte em que ele vai estuprar a esposa do escritor cantando “I’m Singing in the Rain”, cena antológicaça, em que ao mesmo tempo que passa repúdio, há um certo “ar de palhaço”, que acho incrível.
O resto do elenco é ofuscado pelo Malcolm. Só que todos apresentam aquele ar asqueroso que é deliciosamente criticado no filme.
Acho que a única coisa que achei “errado”, foi Kubrick terminar o filme como terminou. O livro tem um final diferente, e que no final das contas, (interpretação minha) é uma grande metáfora sobre a passagem da adolescência para a fase adulta, já que ele começa com 14 anos e termina com 18. O lance da metáfora se dá pelo fato de ele apresentar todas as atitudes de um desordeiro quando jovem, mas quando fica adulto acaba repudiando a violência e se tornando alguém mais careta.
A versão do Kubrick ganha ares mais politizados. Nada contra, é até bom, porque termina com uma conclusão dele. O ruim disso é que na época do lançamento do filme, levaram muito a sério aquilo tudo, e a banalização foi geral. Casos de gangues como as do filme, e agindo como as gangues do filme, arrasaram a Inglaterra, obrigando Kubrick a tirar o filme de circulação, e que acabou sendo proibido. Por conta disso, no circuito pirata, muitos jovens assistiram e entenderam as mensagens. Esses caras eram Sam Mendes (de Beleza Americana), Tony Kaye (de A Outra História Americana), John Singleton (o mais jovem diretor indicado ao OSCAR, com Os Donos da Rua), sem contar os outros tantos influenciados pela magia e euforia causada por Alex DeLarge, seus Druges e um dos diretores mais fantásticos de todos os tempos, e um dos trabalhos mais Incríveis da História do cinema.

Nota: 10 (e com muito gosto!)

Clockwork Orange (1971)
Direção: Stanley Kubrick.
Elenco: Malcolm McDowel, Patrick Magee, Adrienne Corri, Miriam Karlin.
Duração: 136 min.

SUBSTITUTOS. Gostaria de ter um seu?

Substitutos_posterSó o fato de ter Bruce Willis no elenco, já me leva a assistir um filme. Uma lida numa sinopse, me fez lembrar de outros. Mesmo assim, assisti. E durante, veio sim fragmentos de outros. Pois não é que o roteiro não seja original, mas sim porque a idéia central é algo desejado pela humanidade. Indo além, creio que todos, em algum momento da vida sonhou em ter um substituto. Algo do tipo: enquanto ele encara um compromisso que não está muito afim de ir, você aproveita para fazer algo mais prazeiro.

Acontece que em ‘Substitutos‘ não é isso que acontece. Todos passam a viver trancados dentro dos quartos. Ora operando os seus substitutos, ora dormindo. Enquanto há uma vida fora dali para se viver, ficam controlando-os como um joystick. Mais! Escolhem como querem ser vistos pelos outros. Mas uma parte da população, não aceitou os robôs. Indo morar em áreas restritas.

Quem idealizou os substitutos, foi um paraplégico. Seu sonho era de proporcionar àqueles que ficaram limitados fisicamente, a se verem correndo, andando… pelo substituto. E é aqui que eu entro nessa análise. Por ser cadeirante, e recente, eu recusaria! Porque a minha primeira vez na cadeira de rodas, transitando entre as pessoas, sentindo o sol sobre mim… Foi um renascer! Era, é isso que eu quero: em fazer parte da vida. Em viver, e não sobreviver. Dai, não vi sentido nessa “troca” em ‘Substitutos‘.

Então, por que aceitaram? Ou, seria para que aceitaram essa vida vegetativa? Se nem pela casa, pelo quintal, andavam… Que prazer era esse? Estariam sendo dopados a isso?

A lógica do terrorismo está em espalhar o medo. Os Estados Unidos, com o seu “Alerta Laranja” consegue manobrar uma massa considerável. No filme, a propaganda é maciça. Camuflada, mas certeira. Com medo de se contaminarem, com medo de se acidentarem… eles estavam dominados. Agora, se a violência urbana diminuíra drasticamente, porque seria que continuavam enclausurados? Ou, quem os queriam assim?

680_VFX_00023Tudo seguia sua rotina… quando um substituto é morto na saída de uma boate. E com uma arma que matava também o seu operador. Ou seja, o humano que o controlava de dentro de um quarto. Dois agentes do FBI são convocados para resolverem esse crime: Greer (Bruce Willis) e Peters (Radha Mitchell). Com a ajuda de Bobby (Devin Ratray), um que não quis um substituto, mas que por ser um gênio da informática, não fora extraditado para as zonas restritas. Bobby não apenas descobre quem foi o assassino, como também que há alguém do FBI o acobertando.

Greer sai à caça do atirador. Mas mais interessado naquela arma. Pelo o seu poder de alcance. Na investigação, não encontra facilidades. Nem pela única indústria detentora da criação dos robôs, nem dos militares. Nem também por um outro pilar controlador de mentes: a religião. No filme, na figura de O Profeta (Ving Rhames).

E aqui pausa para uma outra reflexão. Que quando uma descoberta é visando uma melhoria em alguma sequela das pessoas, o investimento não é tão maciço como seria se ela tivesse outra utilidade. Como uma arma de guerra, por exemplo. Mesmo na farmaco, os investimentos maiores são para as drogas que causam dependência. Um exemplo disso foi com o Botox, a pesquisa inicial foi atropelada pelo culto à beleza estética. Em ‘Substitutos’ há ambas. Como a mostrar que a tecnologia, o grande vilão dela não é algo como o Hal 9000, ela ganha formas até de tranquilizantes.

Quando o substituto de Greer é exterminado, e ele salvo por pouco… ele então decide agir. Sair da sua caverna… e lembrando um pouco do Mito da Caverna de Platão… Greer tentará mostrar o que realmente devem temer…

Mesmo sendo um filme de Ação, o início é modorrento numa de mostrar que aquele mundinho era algo mesmo sem graça, sem calor humano. Depois cresce, nas perseguições… O elenco está afiado. O clima de tensão prende a atenção até o final. E Bruce Willis consegue levar o seu personagem, sem nos fazer lembrar de outros seus. O filme é bom! Eu recomendo! Agora, revê-lo, só quando passar na tv.

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Substitutos (Surrogates). 2009. EUA. Direção: Jonathan Mostow. Elenco: Bruce Willis (Tom Greer), Radha Mitchell (Peters), Rosamund Pike (Maggie), Boris Kodjoe (Stone), James Francis Ginty (Canter), James Cromwell (Older anter), Ving Rhames (The Prophet), +Cast. Gênero: Ação, Sci-Fi, Thriller. Duração: 88 minutos.

Harry Potter, O Enigma do Príncipe

Por: Dragus. Blog Pensamentos Equivocados.
Harry Potter - O Enigma do Príncipe.No dia 17 de Julho de 2009 estreou Harry Potter – O Enigma do Príncipe no cinema depois de algum atraso.

A trama incorre levemente no que é seguido no livro. Se você leu o livro, esqueça completamente tudo que sabe. É um outro filme, do livro tem pouco mais que o título. E fique feliz com isso.

O diretor e sua equipe concordaram em omitir partes e alterar outras para tornar o filme mais comercial, e obviamente aproximar um pouco de outro atual sucesso adolescente, Crepúsculo. O que resulta é um filme bom para quem não leu o livro, ou nem se lembra, e um filme corrido e ruim para quem leu.

O filme começa muito bem. Ele parece ser ágil, a destruição que ocorre na Inglaterra é bem representada. Você sente a tensão e o clima pesado na comunidade de bruxos. O Harry acompanhando Dumbledore para buscar um novo professor dá esperanças de ser um filme ótimo. E para por aí.

A preferência pelo desenrolar dos conflitos amorosos em detrimento da história criou um filme que vai agradar um determinado segmento de público. A própria razão de ser, o título, fica relevado a segunda instância no filme. Enquanto o trio Harry, Rony e Hermione investigam a origem do termo Príncipe Mestiço no livro, a coisa não funciona assim. O livro é praticamente um coadjuvante esquecido (como assim foi o elfo doméstico Dobby, lembram dele?).

Pelo menos dessa vez teve quadribol. E eles voltaram a usar uniformes, mas as roupas trouxas continuam em uso na escola de bruxos. A escola está bem caracterizada, mas de resto é só isso.

O filme tem um ritmo corrido ao mesmo tempo em que enrola. O nada que acontece se prolonga demais e chega a irritar (mas se você gostou de Crepúsculo, vai gostar dessa enrolação). O conflito de Draco é pouco explorado, não dá para se emocionar com seu dilema nem mesmo quando chega em seu ápice, a não ser que você seja uma manteiga derretida que chora até com as cenas tristes do Programa Raul Gil.

A grande cena, o clímax, o “wow!” do filme, ocorre de modo tão diferente que no livro que é recomendável não ler o livro depois do filme ou esquecê-lo sumariamente como se tivesse a capacidade de colocar suas idéias em uma penseira e apagá-la da origem. A chance de se sentir o corno da relação é grande. A cena anterior a essa, que no livro é morna – mas boa. – torna-se a mais próxima do que se pode dizer “ação” do filme.

No entanto há quem goste. E quem gostou não leu ou não lembra do livro – a vantagem de terem atrasado o lançamento: a maior parte do público esqueceu o que leu, o que ameniza críticas.

Eu não gostei, tanto como filme quanto como adaptação. O final me revoltou tanto que saí do cinema ainda mastigando e remoendo tudo que vi, o que foi minha maior decepção em 2009.

No final, tudo que passei semanas atrás não valeu de nada.

Se quer tirar a prova, boa sorte.

Harry Potter, O Enigma do Príncipe (Harry Potter and the Half-Blood Prince). 2009. Reino Unido. Direção: David Yates. Elenco: Daniel Radcliffe (Harry Potter), Emma Watson (Hermione Granger), Jim Broadbent (Professor Horace Slughorn), Robbie Coltrane (Rubeus Hagrid), Michael Gambon (Professor Albus Dumbledore), Maggie Smith (Professor Minerva McGonagall), Alan Rickman (Professor Severus Snape), Bonnie Wright (Ginny Weasley), +Cast. Gênero: Ação, Aventura, Família, Fantasia, Mistério, Romance. Duração: 153 minutos.

Herbert de Perto

Herbert de Perto_01A vida não é um filme e você não entendeu”… Mas ela pode estar num filme de forma que todos possamos entender.

Herbert de Perto” é um documentário que traz Herbert e seus sucessos paralâmicos para muito perto. Da musicalmente criticada década de 80 o filme foca o que ela teve de melhor.

Com depoimentos sérios, cravejados de sinceridade, traz à tona a honestidade do seu personagem central. O Herbert, um adolescente frustrado por não ter conseguido ser piloto de aviões, seguindo os passos profissionais do seu pai, um irmão emocionado que deixa transparecer nitidamente a admiração pelo irmão mais novo.

O Herbert ainda muito criança que pediu ao Papai Noel que trocasse o seu pedido de uma bicicleta por um violão que ele cortou fazendo pontilhados com um parafuso, serrou e adaptou com papelão e fita, já em busca de novas sonoridades.

Paralamas do Sucesso_discografiaO Herbert dono de tanta musicalidade, que ao estudar o instrumento com um amigo logo estava muito à frente do seu irmão e dando dicas para o professor. Várias cidades o viram crescer, quando morou em Brasília teve contato com aqueles que o acompanhariam vida a fora. Da sua vivência em Brasília diz algo difícil de esquecer, de como a vida naquela cidade para aqueles jovens, filhos de pessoas importantes dava a eles o sentimento de impunidade. Embora Brasília tenha sido apresentada ao Brasil como berço dos Paralamas, o pai de Herbert afirma que a banda nasceu no Rio de Janeiro, porque só aqui nessa cidade eles se estruturaram e foi o Circo Voador o primeiro sonho.

Do Herbert pai, marido e viúvo não há o que tecer comentários, seria antecipar a emoção, de um documentário que fala do acidente de uma maneira real, direta e digna, muito longe de drama, sem a menor pieguice, apenas um libelo do que é capaz a união dos amigos, o afeto da família. Eu vi um Herbert emocionante, sincero a ponto de dizer que não tem grandes habilidades a não ser trabalhar e trabalhar. Eu vi um Herbert que emociona, pois o filme nos dá a sensação de surpresa, a mesma que ele tem ao ver junto com a gente suas antigas imagens gravadas.

Os cortes são tão precisos que não percebemos a viagem no tempo, só nos damos conta quando vemos a imagem dos meninos dos anos 80 já barbudos, carecas mais gordinhos. A banda com um vigor que o tempo acrescentou maturidade, tranqüilidade, harmonia.

Herbert de Perto_02Assista, não tem tristeza nem depressão, é certo que algumas horas os olhos marejam, ver Dado Villa Lobos aperta de saudade o coração de quem viveu aquela época, rir com a mãe de Herbert responsável pela demissão do baterista Vital, que saiu da banda para compor sua história.

Herbert agora numa cadeira de rodas não é amargo nem triste, é um homem capaz de criar em equipe, recordando-se ainda do seu passado, apreciando o lugar privilegiado que tem nos seus próprio shows de onde pode observar tudo o que não foi possível observar quando se exercitava, dançava e corria pelo palco. Uma história real de um homem que na ausência dos seus planos construiu novos sonhos, cresceu num palco e continua sonhando com tudo o que se pode ter de melhor.

Por: Rozzi Brasil.  Ong Casa da Vida.

Herbert de Perto. 2009. Brasil. Direção: Roberto Berliner e Pedro Bronz. Elenco: Herbert Viana, João Barone, Bi Ribeiro, Hermano Vianna (irmão), Hermano Vianna (pai), Tereza Vianna, Dado Villa-Lobos, Pedro Ribeiro, Maurício Valladares, Zé Fortes, Paulo Niemeyer, Gilberto Gil, Lúcia Willadino. Gênero: Documentário. Duração: 97 minutos.

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