Rock’n'Rolla – Mais um filme de Guy Ritchie

rocknrolla_ver2Sabem… sempre gostei dos filmes do Guy Ritchie. “Jogos, trapaças e dois canos fumegantes” e “Snatch” são ótimos filmes.

Ocorre que, com Rock’n'rolla foi diferente. Guy me decepcionou e muito. Sem querer ele demonstrou mais uma vez que a sua fórmula é uma só. Guy Ritchie é quase como um Dan Brown dos cinemas. Ele só escreve de um jeito e só sabe contar as histórias de um jeito. Tem sempre um cara super mau, tem sempre um grupo de amigos pé rapados que pisam no calo de quem nem sabem quem e se dão mal e tem sempre uma série de coincidências que ninguém sabe explicar.

Sempre o mesmo. Sempre as mesmas gírias. E sempre engraçado, com piadas que nem todo mundo acharia graça.

Rock’n'Rolla é um filme que vale à pena ver e vai ter continuação. Aliás, vale à pena ver se vc não viu nenhum outro filme de Ritchie. Se já, nem se dê ao trabalho…

Director:
Guy Ritchie
Writer:
Guy Ritchie (written by)
Release Date:
31 October 2008 (Brazil)

Cast (Cast overview, first billed only) Gerard Butler … One Two
Tom Wilkinson … Lenny Cole
Thandie Newton … Stella
Mark Strong … Archy
Idris Elba … Mumbles
Tom Hardy … Handsome Bob
Karel Roden … Uri Omovich
Toby Kebbell … Johnny Quid
Jeremy Piven … Roman
Ludacris … Mickey (as Chris Bridges)
Jimi Mistry … Councillor
Matt King … Cookie
Geoff Bell … Fred the Head
Dragan Micanovic … Victor
Michael Ryan … Pete

Lady Vingança – mais um filme sobre “adivinha o que”?

lady-vinganca-poster

E então eu comecei a assistir a trilogia da vingança, do diretor  Park Chan-Wook. Comecei pelo “Oldboy” que acabou sendo a minha primeira crítica cinematografica neste blog. Enfim, agora só falta assistir o “Mr Vingança”.

Se não assistiu o filme, não leia. Contém Spoilers.

O filme, ao contrário de Oldboy, traz uma narrativa lenta e dolorosa. Com muitos “flashbacks” e “fastforwards”, é palpável a dor da protagonista e a sua procura constante. Não pela vingança, que é mera questão de tempo (e que nos deixa angustiados o filme todo sobre como e quando ocorrerá). A sua busca é por remissão, é por perdão.  O perdão dos outros, pelo qual chega a se mutilar, e o perdão próprio por algo que não fez e se penitencia (que a levou a fazer sexo com alguém que representava o assassinado de tantos anos atrás).

A palavra que resume o filme talvez seja realmente essa, no fim das contas, angústia.  Cada momento de filme traz a quem assiste um pouco da angústia da protagonista, e o fim, a final vingança traz muito mais angústia. Talvez, aqueles minutos que o assassino passa amarrado sejam muito piores do que os anos em que a protagonista passou presa. Ou não.

Mas faltou um desfecho assustador como em Oldboy. Enfim… obras primas costumam ser únicas, mas Lady Vingança continua sendo um filme muito bom.

Cast (Credited cast)

Yeong-ae Lee … Geum-ja Lee
Min-sik Choi … Mr. Baek

Director:
Chan-wook Park
Writers:
Seo-Gyeong Jeong (writer)
Chan-wook Park (writer)
Release Date:
29 July 2005 (South Korea)

“kill Bill” ou “do what you want and enjoy the consequences”

kill_bill_vol_two_ver5ATENÇÃO! Contém Spoilers.

“Kill mothafucka Bill”, um dos filmes de mais sucesso de Tarantino, e também, na minha humilde opinião, um dos menos entendidos.

Tirei os últimos dias para tentar colocar meus “filmes que quero ver pela primeira vez ou de novo” em dia. Comecei por Lady Vingança, que vai ganhar uma resenha própria, e passei por “Rock’n'Rolla” (do Guy Richie), que provavelmente também ganhará. Passei aos blockbusters e fui direto ao Kill Bill. No momento em que comecei a assistir, lembrei que só havia visto no computador, antes de sair no cinema, e que nunca mais tinha colocado os olhos no filme. Foi bom assistir novamente.

O tema principal do filme talvez seja realmente a vingança que Kiddo procura e o que faz até consegui-la. Mas permitam-me dizer que esse não é o tema do filme. O tema do filme é simples e se resume em uma palavra: consequência.

Bill é o líder de um esquadrão de matadores de aluguel e ganha a vida matando as pessoas ao redor do mundo e ganhando rios de dinheiro com isso, como ele mesmo define. Porém, o que ele ainda não enfrentou na vida (ou não tinha enfrentado, até cruzar com a fúria de Kiddo) era a consequência. A consequência por seus atos, bons ou maus, mas a simples e cruel consequência.

Foi Bill que recrutou Kiddo e contou a ela sobre Pai Mei, e também foi Bill quem colocou os dois em contato para o treinamento. Foi mencionando o nome de Bill que Kiddo conseguiu que Hattori Hanzo quebrasse seu juramento e lhe forjasse uma espada. Foi Bill que convocou todo o seu grupo de extermínio para matar Kiddo e todo o seu quase-futuro de felicidade e também foi Bill que atirou na cabeça de Kiddo, provocando assim o seu coma e a sua fúria.

Foi Bill quem se apaixonou por Kiddo, e lhe fez um filho, e foi por causa desse filho que Kiddo encontrou a felicidade, depois de tantas mortes. E essa foi a consequência final de Bill: dar como presente, depois do gosto doce da vingança, a felicidade ou infelicidade de  ter para sempre um pedaço de si junto a sua assassina e amante.

Em tempo:  Mil perdões por ter ficado tanto tempo sem postar aqui. Tentarei ser mais constante.

GARAPA SEM PASTEL

Garapa_Documentário

Comer é uma necessidade do estômago; beber é uma necessidade da alma.”
Victor Hugo

A linguagem de uma narrativa cinematográfica no formato documental é de extrema importância e valor já que é um constante aprendizado, acrescentando novas informações, somando experiências, matando curiosidades ou especulações de um determinado assunto de total ou parcial conhecimento, que se domina ou não.

Fazer um filme DOCUMENTÁRIO, a princípio, parecer ser algo fácil e simples, bastando uma idéia na cabeça e uma câmera na mão. Mas nada é o que parece ser. A dificuldade é tamanha, tal qual a uma superprodução recheada de efeitos especiais.

José Padilha, cineasta brasileiro, ganhador de muitos prêmios pelos seus filmes TROPA DE ELITE e ÔNIBUS 174, realizou recentemente um documentário intitulado GARAPA.

Garapa é uma bebida nacionalmente conhecida como caldo de cana. Garapa pode ser também qualquer bebida refrigerante mistura de água com açúcar.

O cinema DOCUMENTÁRIO é fascinante. O fascínio está na forma de abordagem, na temática e em todos os ingredientes inseridos. O fascínio daquilo que temos sede de aprender e apreender. E o aprendizado às vezes é doloroso; e a apreensão às vezes maltrata a alma.

Assistir ao documentário GARAPA, é preciso ter estômago de avestruz e sangue de barata. É um filme indigesto. Um filme VERDADEIRO. As verdades de nosso país muitas vezes varrido para debaixo do tapete. O problema existe, e finge-se não ouvir, ver e falar.

Garapa_01GARAPA mostra o drama de três famílias nordestinas miseráveis, e é considerado um dos mais contundentes retratos da fome no Brasil, tendo como único recurso alimentício a garapa (mistura de água com açúcar), e um auxílio de um pouco mais que R$ 50,00, repassado pelo programa bolsa-família ou Fome Zero. O filme é todo em preto e branco (o que torna o documentário menos chocante e violento), sem música, confetes ou serpentinas, tendo como protagonistas três mulheres batalhadoras e seus filhos como figurantes. A tristeza e o drama enfrentados diariamente por essas três famílias não param aí. São vários os fatores: o desemprego, a falta de saneamento, educação e lazer ou programa de controle familiar. Acostumados com a situação, vivem sem nenhuma expectativa.

A fome é um assunto mundial e parece não ter fim. É o pior tipo de violência. Não precisa citar a África, ela está aqui, ao nosso lado, o nosso vizinho, em nosso país.

É um documentário que veio para somar e sensibilizar a todos do grande problema que é essa forma de violência que considero a pior de todas: A FOME. Lembrando que há vários tipos de fome: fome de saber, de conhecimento, de amor, de solidariedade, de amizade, mas a de não ter um pão para se comer pela manhã, nunca comer uma fruta, nem água potável, passar por todo tipo de privação e humilhação, pedindo, esmolando é simplesmente o fim, a pior desgraça que o ser humano NÃO deveria enfrentar.

Para quem é sensível, se choca e passa mal com facilidade com o que fere e maltrata, com as mais diversas formas de violência, este filme não é aconselhável. NÃO ASSISTA em hipótese alguma. Que eu me lembre é o primeiro filme que a censura não é definida. A informação sobre ele diz CENSURA A DEFINIR. Talvez seja um tipo de aviso ao expectador como: CUIDADO, ou ATENÇÃO.

Vivendo e aprendendo e nunca mais ser o mesmo assistindo a documentários. Fará parte de sua história de vida, estará para sempre nas suas células, na mente ou no coração; de alguma forma te modificará. Repensar os valores da sociedade, a ética, seu espaço e liberdade, direito de ir e vir, as obrigações, os deveres, a impotência diante desse caos que não embevece, nem orgulha; entristece e envergonha.

E depois de assistir ao GARAPA o expectador nunca mais será o mesmo. E o assunto não se esgota aqui.

Por: Karenina Rostov.  Blog: Letras Revisitadas.

GARAPA. 2008. Brasil. Direção e Roteiro: José Padilha. Gênero: Documentário. Duração: 110 minutos.