Lua Nova

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Em novembro do ano passado, o Best Seller da americana Stephenie Meyer ganhava a sua versão cinematográfica. O filme Crepúsculo veio com um orçamento risível e feito apenas para acompanhar o sucesso do livro. O resultado foi excelente e entupiu as salas de cinema de todo o mundo. Crianças, adultos, todo mundo no cinema acompanhando as aventuras de uma garota que se apaixona por um vampiro.

A historinha de amor impossível ganhou o coração de todo mundo e as adaptações dos outros livros tornaram-se inevitáveis, e 1 anos depois, chega as telas de todo o mundo Lua Nova, o 2° episódio de uma saga com 4 livros. Agora com um orçamento mais gordinho e cheio de vontade de ser grande, a segunda aventura apresenta melhoras consideráveis em relação ao primeiro e já dá um lampejo de amadurecimento à obra.

Só que mesmo apresentando melhoras, o filme ainda se perde em falhas tolas em sua estrutura narrativa, ao tentar inserir uma abordagem mais clássica aos personagens, citando exaustivamente Romeu e Julieta de Shakespeare, acaba ficando confuso em alguns momentos e faz o filme virar uma montanha russa de sobe e desce que incomoda durante suas duas horas de exibição.

Tudo começa no aniversário de Bella Swan (Kristen Stewart ), que tenta manter as aparências com seu namorado vampiro Edward, interpretado ainda por Robert Pattinson. Os vampiros parentes de Edward fazem uma festa para Bella, e ela comparece, pois trata-se de vampiros bonzinhos que brilham no sol. Lá acontece um acidente: ao abrir um presente ela se corta e o sangue atiça os desejos mais primitivos de um deles, causando uma briga durante a festa.

Preocupado com o futuro de Bella, e sabendo que tudo pode dar errado, Edward decide sumir para protegê-la. Só e sentindo a falta do namorado, Bella tenta por a vida nos eixos, ainda mais quando fortalece amizade com o garoto Jacob (Taylor Lautner), que a ajuda a ser um pouco mais feliz na ausência do vampiro.

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Só que as coisas começam a fugir do controle de todo mundo. Jacob na verdade é um lobisomem que possui um trato com os vampiros amiguinhos de Edward, que quer se matar porque acha que Bella está querendo morrer (lembram de Romeu e Julieta?) e pior, Victoria, a vilã da história, está no encalço de Bella e vai querer dar trabalho pra todo mundo no filme.

A trama não é das mais diferentes, já vimos essa coisa toda em vários outros filmes, só que aqui, é apresentada com uma abordagem que atinja os jovens de uma maneira mis didática. Pregando a castidade e a boa conduta, sentimentos que todos nós sabemos, vão contra os princípios dessas criaturas lendárias, o filme segue fiel à obra e ao mesmo tempo tenta caminhar com as próprias pernas.

Uma coisa que a autora foi muito criticada, no que tange a mitologia envolvendo os seres fantásticos da história, está no fato de ela dar a eles características muito diferente do que foi dado ao Conde Drácula, por exemplo. Os vampiros deixam de ser sedutores, deixam de ser ameaçadores, andam tranquilamente durante o dia (a desculpa dada é que o lugar onde vivem é nublado o bastante para evitar a passagem de luz solar) e o que mais me incomoda, ficam brilhando de maneira muito homossexual na luz do sol. Para alguns é liberdade poética, pra mim é sacanagem.

E o mesmo vem com os lobisomens, que começam a sentir uma febre toda vez que um vampiro aparece. Preciso dizer que isso é meio “homo” também? Peço desculpas pelo machismo, mas cresci lendo e assistindo histórias onde essas criaturas tocavam o terror e faziam seus atos aterrorizantes por puro instinto e tal e coisa. É legal ver coisas diferentes? É, mas quando adiciona cimento ao invés de trigo na massa do bolo, é errado. É jogar poeira no ventilador.
Mas uma coisa que notei de diferente nesse segundo filme, foi o incomodo com esses detalhes. Obrigatoriamente o diretor teria que respeitar o livro que serve de base, mas ele tenta de todo jeito passar em cima desses detalhes constrangedores. Sem perder tempo tentando explicar porque os lobisomens ficam com febre, ele apenas cita essas coisas e tenta levar o filme pra frente. Erro cometido por Catherine Hardwicke em Crepúsculo, onde ela abusa dos detalhes constrangedores e fez um filme apenas para os Fãs, e não para o grande público. Lua Nova tenta reparar esse erro ao tentar levar o filme para outros públicos, e tentar perder os estigmas que a diretora do filme anterior criou.

Mas esse ponto a favor se perde quando o filme insiste em ser água com açúcar, criando momentos de um melodrama chato e desnecessário. Boa parta do filme fica nisso e acaba sendo maçante em boa parte. Quando entra na ação, na hora do “pau quebrar”, como sabiamente dizia o “Coisa” do Quarteto Fantástico, a coisa é pior do que se imagina. O uso de câmera lenta a lá Zack Snyder é um porre imenso e não cria clima nem clímax pra nada. São cenas monótonas e rápidas. Começam e do nada terminam. Possuem até um domínio bom de técnica, mas são tão apagadas que passam sem deixar saudade pelo filme. Se era pra fazer daquele jeito, era melhor nem ter feito. Concordam?

Mas a direção de Chris Weitz, o mesmo por trás do ótimo Um Grande Garoto, é bem competente.

Em muitos momentos do filme ele mostra uma segurança tremenda na hora de criar um clima de abandono que impera por boa parte. Por exemplo, uma seqüência onde Bella vê o tempo passar sentada na janela do seu quarto. É bem feita, bem montada e um dos poucos momentos do filme onde o melodrama funciona sem ser piegas. Outros momentos que achei bacana foi quando ele filmou a ação por cima e em câmera lenta, dando um efeito bonito pra alguns momentos do filme.

Só que a parte técnica pouco ajuda. Por mais que a fotografia seja até boa, os efeitos especiais pouco ajudam, sendo artificiais demais. Só que claro, apresentam uma melhora considerável em relação ao outro filme. O que me anima é que os ajustes estão sendo feitos e se o ritmo continuar, no próximo filme, que já está em finalização, a história pode sofrer uma mudança interessante e deixará de ser exclusivamente de um público restrito (fã) e atingirá um público maior. Essa pretensão pode ser sentida em Lua Nova e pode ser que em Eclipse, dependendo de quem assuma a direção, a coisa melhore mais.

O elenco ainda é apagado e é a única coisa do filme que não melhorou em nada. Vi cerca de 40 minutos de Crepúsculo (achei tão besta que nem cheguei até o fim), e uma das coisas que mais incomodaram foi o elenco. São rostos bonitos, usando aquele método picareta de chamar a atenção dos jovens, nada mais. Estão todos péssimos, ainda. Principalmente o trio principal: Bella/Edward/Jacob. Todos bem desconfortáveis no que fazem. Chega a ser bizarro ver o personagem Jacob com cabelo grande e cara de “que eu to fazendo aqui”.

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O mesmo acontece com Robert Pattinson. Será que ele só sabe fazer a mesma expressão?

No mais, alternando altos e baixos, Lua Nova não é uma perda total de tempo. Eu mesmo desfrutei da minha Companhia e dei risada o tempo todo das bizarrice que o filme mostrava. Ficava fazendo piadas durante a exibição e acabou valendo os R$ 6,00 gastos no ingresso. Mas se você tiver algo melhor pra fazer, vá fazer.

Nota: 4,5

The Twilight Saga: New Moon, 2009 (EUA)
Direção: Chris Weitz.
Atores: Kristen Stewart , Robert Pattinson , Taylor Lautner , Dakota Fanning , Michael Sheen.
Duração: 130 min

4 comentários em “Lua Nova

  1. Pois é ra 30. Concordo com vc. Ainda é um filme com muitos problemas. E nos próximos, embora os problemas possam ser amenizados, eles tb terão vez. Romper com o que chamamos de “problemas” é romper com a identidade conceitual de um público. É , exagerando na comparação, como se o super homem fosse terráqueo e japonês.

    De qualquer maneira, concordo com suas observações. Acrescento que o diretor de Eclipse é David Slade dos bons Meninamá.com e 30 dias de noite (vampiros bestiais). A saga vai continuar evoluindo, mas sempre necessitando de sua tolerância. Aproveito para convidar o pessoal aí a conferir o especial sobre Lua nova no meu blog. http://www.claquetecultural.blogspot.com
    ABS

    E beijos para Lella

  2. Da onde você tirou que “homo” pode ser usado como sinônimo de ruim? O que é uma “maneira homossexual”? É uma maneira que gosta de outras maneiras? Péssimo post.

  3. olha, eu adoro o livro… mas o filme é cansativo e os atores atribuem a mesma expressão facia (de tédio) para qualquer coisa que eles estejam sentindo. Se estão felizes ou tristes, eles tem a mesma cara. Isso é pessimo.

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