É com surpresa que vimos o filme mais fascinante sobre vampiros surgir da Suécia. Desde “Nosferatu” do Murnau e “The Hunger” do Tony Scott não surgia nada tão original, hipnótico e assustador sobre o tema. Tomas Alfredson orquestra brilhantemente um elenco afiadíssimo (especialmente as crianças) calcado num roteiro preciso e envolvente sobre Oskar, um menino solitário que conhece uma vizinha estranha e noturna. A criatura o ajuda a ter mais autoconfiança para enfrentar seus agressores no colégio enquanto terríveis mortes acontecem no lugar.
A fotografia é um espetáculo à parte ajudando a compor um clima gélido e assustador com um enquadramento singular, cheio de contrastes e closes inéditos. A música também é perfeita e caminha junto com toda esta perfeição técnica compondo situações apavorantes que enchem a tela a cada instante com imagens de gelar o sangue sem abusar dos efeitos especiais. É preciso estar atento para não perder detalhes preciosos como sons de fome e a besta oculta pelas sombras ou subindo pelas paredes feito um inseto rastejante. Esqueçam os clichês óbvios como cruzes, dentes pontiagudos, alhos e caixões embora a essência da lenda esteja completa na estória. A releitura inteligente acrescenta elementos psicológicos e sexuais que impregnam a trama com uma verossimilhança impressionante tocando em temas delicados como a difícil transição para a adolescência, longevidade, ambiguidade, longevidade e luta pela sobrevivência. Tudo manipulado com habilidade, sensibilidade e sutileza raras para o gênero.
Em dias de crepúsculos e sanguessugas lésbicas, “Deixa ela entrar” será um marco para uma nova era de filmes sobre vampiros se as portas continuarem abertas para a qualidade.
Carlos Henry






Para mim este também foi um dos melhores filmes que vi este ano. Se destacando nesta onda de vampiros cools.
A mistura de inocência com brutalidade, de ingenuidade com terror, de carência com necessidade é muito bem conduzida pelo diretor sueco.
As crianças estão maravilhosas, me chegou a despertar lembranças desta época tão tenra, quando ainda se é crianças mas já existe aquele sentimento de estar próximo do sexo oposto.
As cenas são de uma sutileza maravilhosa. Mesmo se tratando de um filme de terror, pra mim, foi um dos filmes mais sensíveis e doces, assim como brutal, como um filme de vampiro deve ser.
É um dos filmes de crianças mais adultos que já vi.