AVATAR (2009) – Em Busca das Pernas Perdidas…

Sendo eu uma recém cadeirante, segui com esse olhar a saga desse herói paraplégico em Avatar. Será difícil não trazer spoilers, assim, se ainda não foi ver o filme, certifique-se se quer continuar a ler o texto. Adianto que eu amei o filme! Que não vi o tempo passar. É um filme que vale a pena pagar mais para assistir em 3D. Eu vi.

Coloquei como subtítulo o – em busca das pernas perdidas -, não no sentido de que a vida acabou para nós. A cadeira de rodas deu a mim uma nova vida. Só não aproveito mais porque a acessibilidade ainda é deficitária nos locais onde gosto de ir. No meu texto sobre o filme ‘Substitutos‘, eu disse que aquele com certeza eu não gostaria de ter. Porque eu quero sentir que faço parte da paisagem: sentir o vento, frio, calor… Experimentar por mim mesma todas as sensações que me sobraram. Se andar, correr, é sentada numa cadeira, que assim seja.

Agora, me pondo no lugar do herói do filme, eu também faria a mesma opção que fez no final. Aliás, a minha torcida foi para isso, desde a hora que Jake (Sam Worthington) saiu correndo com o seu Avatar. Parecia uma criança, correndo feliz. Mas ainda ai, durante o filme, tal como em ‘Substitutos’, ele, o Jake paraplégico, estava no comando desse avatar, deitado, fechado, dentro de uma câmara.

Alguns detonam logo o filme por ter um final previsível. À esses, que vão ver outro filme. A história em Avatar nos é contada de modo diferente. Mas todos os pontos chaves estão lá, quer seja de um Romance, de um Drama, de um Épico, de um filme de Guerra… Assim, o Herói termina por ganhar uma torcida para que vá ser feliz em outra galáxia. O que me fez lembrar de ‘Contatos Imediatos do 3° Grau‘, de ‘Cocoon‘…

Em ‘Avatar‘, também tem o sonho acalentado de alguns, em descobrir novos recursos minerais fora da Terra. Como se não bastasse destruir a natureza do nosso Planeta, aqui queriam destruir um local lindo demais. E nele, uma imensa árvore venerada pelos na’vis. Conto o que de fato queriam desse solo, bem embaixo dessa árvore, mais adiante.

Quem seria o herói dessa história?

Ele é Jake, um ex-marina, que além de ter ficado paraplégico, perde seu irmão gêmeo. Sem mais ninguém na Terra… aceita ir até Pandora dar prosseguimento a um trabalho científico do qual o seu irmão fazia parte. O Projeto Avatar. Sendo convidado por militares, era como estar de volta a ativa. Mas só chegando lá, foi que tomou conhecimento do que terá que fazer. Dar “vida” a um ser gerado em laboratório. Um nativo de Pandora com DNA de terraquéos. No caso, do seu irmão.

Querem com esse novo ser, voltar a estabelecer contato com os Na’vis. Habitantes de um local cobiçado nesse outro Planeta. Aliás, por ter ficado curiosa, foi saber um pouco sobre Pandora. É uma Lua. Onde seus habitantes veneram, e vivem em total harmonia com a natureza. A Gaia deles é ainda preservada em toda a sua essência. Além dos na’vis possuírem formas primitivas, inclusive com caudas, os animais têm aparência jurássicas… Essa parte do filme é em Animação. O cenário é lindo demais. De uma riqueza nos detalhes sem igual. De se ver encantada.

Quem estariam de olho em Pandora?

De um lado, temos os cientistas, biólogos de formação. À frente, a Dr. Grace Augustine (Sigourney Weaver). Que não gostou nada de ter um Fuzileiro – o Jake – como um membro de sua equipe. Mesmo sendo irmão de um ex-membro tão importante. Como toda pesquisa científica, há de se ter quem banque. Dai, tendo que ficarem um tanto quanto subserviente. Mas Grace além de ousada, é atrevida o bastante para não se deixar dominar por completo. E terá um grande papel na defesa de Pandora. Pausa para falar da atriz, Sigourney Weaver. No filme anterior que vi, o ‘Ponto de Vista’, ela não atuou bem. Assim, foi prazeiroso vê-la atuando bem. Mesmo que filmes com extraterrestres já façam parte da sua filmografia, a sua Dra. Augustine ficará na lembrança.

Ainda dentro de sua equipe, eu gostei de ver um com um perfil de um indiano. Dando um caráter menos frio ao Projeto Avatar. Ele é o Dr. Max Patel (Dileep Rao). Um outro personagem, tal como a Dra. Grace, fica de pé atrás com a contratação de Jake. É o Spelman (Joel Moore). Mas Jake termina por conquistá-los. Até porque, tendo ficado perdido em Pandora, sozinho, e sobrevivido, passa a ser assediado por mais pessoas… No final, esse será o lado que fará a grande diferença.

Do outro lado, mas de quem banca a pesquisa, temos à frente, o jovem meio yuppie Selfridge (Giovanni Ribisi). Que querendo mostrar serviço, aos acionistas, não terá nenhuma consideração, nem com os humanos, nem com Pandora por completo: povo, cultura e lugar. Para ele o que interessa são as jazidas de Unobtanium. Um minério supercondutor. Pesquisando sobre a importância desse tipo de pedra: “A utilização crescente de magnetos supercondutores nos diversos setores, desde a medicina, transporte, energia, extração mineral e até fusão nuclear, demonstra a importância deste mineral, assim como da tecnologia que fará uso dele no presente e no futuro“. Pausa para falar do Ribisi. Que para mim, sempre deixa a sua marca nos personagens que interpreta.

No comando, mas dos militares, temos Coronel Quaritch (Stephen Lang). O vilão dessa história. Mas que não entrou para o rol dos Grandes Vilões da História do Cinema. Talvez pela histeria… ou pela amargura de ter sido uma mera cobaia nos primeiros testes do Projeto Avatar. A mim, causou um sentimento de pesar. Não sei qual seria a intenção do Diretor para esse personagem. Cheguei a pensar se um outro ator teria feito melhor. Quaritch tenta um acordo com Jake: trazer informações vitais para os militares, lá de Pandora. Em troca, lhe daria novas pernas. Mecânicas. Que mesmo que durem muito, terminam por desgastar a parte do corpo onde ficarão ligadas. Com o avatar, ou melhor, encarnando, de corpo e alma, o seu na’vi, ai sim daria a Jake uma nova vida. Lá, em Pandora, com seus novos companheiros. Uma reencarnação em vida.

Em seu comando, a jovem Trudy (Michelle Rodriguez). Pilota helicóptero, e bem. Uma militar com ideais em xeque. Se obedece cegamente, ou não. Termina por ajudar o lado da Dra. Augustine. A cena onde adentra nas brumas, é de pensar em Avalon. E dela ser mais uma guerreira a salvar Pandora. Trudy até em enfrenta o Quarich durante um ataque.

Dos habitantes de Pandora…

O destaque vai para Zoe Saldanha, a jovem herdeira do trono, Neytiri. Ciente de sua missão futura, entrará em conflito ao se apaixonar por Jake. Mas também por acreditar nas mensagens advindas da mãe natureza, poupa-lhe a vida. Pois Jake é tido como um enviado. Neyrtiri então é designada para ensinar a Jake toda a cultura dos na’vis. E é durante esses ensinamentos, que ficamos conhecendo todo o esplendor de Pandora.

E Jake fará de tudo para salvar Pandora da invasão. Mas ciente de que terá que escolher um dos lados. Agora, ‘Avatar’ não traz um ‘Salve a Natureza!’, mas sim uma busca por uma qualidade de vida melhor. Da que vivia até então. E mais de acordo com a sua natureza.

Um ótimo filme. Que eu o veria outras vezes mais. Pena que o ingresso para 3D é caro. Mesmo pagando meia, a grana está curta, e tenho muitos filmes para ver. Ah! A trilha sonora é linda! A começar pela música, tema central:

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Atividade Paranormal

Como o ano está terminando, já posso me dar ao luxo de escolher entre o melhor e o pior filme do ano. Atividade Paranormal certamente estará na listinha do Troféu Framboesa de Ouro de 2009. Apesar do marketing muito bem caprichado feito pela distribuidora Paramount Pictures e foi exatamente o que me levou a assisti-lo, não posso negar que a minha decepção foi imensa.

O filme é razoável (elogio); tinha tudo para ser bom, pelo menos foi uma boa chamada do trailler, mostrando o seu lançamento e um suposto público na mais tensa expectativa e ansiedade, levando muitos sustos durante a sua projeção, mas tudo enganação, não era para tanto. Criou-se uma expectativa, mas deixou muito a desejar o cinéfilo de suspense / terror.

Atividade Paranormal é o primeiro filme do diretor e roteirista israelense Oren Peli que teve a idéia a partir de uma experiência pessoal (ele estava dormindo e foi acordado por uma caixa de detergente que caiu no chão e que o assustou) de baixíssimo orçamento, custando apenas 11 mil dólares, aos moldes do pseudo-documentário, o ótimo A Bruxa de Blair e do formidável Cloverfield (este a Paramount na época realizou uma imensa campanha para promovê-lo com ar de verossímil e credibilidade pelo formato de filme documentário), mas não vingou.

O roteiro é simplório: um casal de namorados que moram juntos. Ela Katie (Katie Featherston) que desde a infância se diz perseguida por espíritos e assombrações. O seu namorado Micah (Micah Sloat) acredita nela, resolve comprar uma potente filmadora para registrar possíveis acontecimentos paranormais dentro da casa e captar imagens do sobrenatural. Um documentário com formato de Big Brother. Filmado em apenas uma semana na própria casa do diretor, a maior parte no quarto do casal, dormindo. A filmadora fica ligada a noite toda e pela manhã é que o casal vai ver o que de imagem assombrosa foi captada.

A alma penada só aparece de madrugada. O casal só dorme de porta aberta. A porta bate sozinha. A moçoila é sonâmbula. Às vezes luzes da casa se acendem e se apagam pela suposta assombração; ouve-se barulho irreconhecível pela casa; outras vezes pegadas parecida com de um animal deixado no talco espalhado no assoalho. O casal nunca muda de posição na cama. Uma madrugada o rapaz vai verificar um barulho no alçapão e encontra uma foto da namorada. Outra madrugada ela aparece machucada e sangrando.

O casal resolve um dia dar uma saída e deixa o jogo Ouija, armado sobre a mesa e a criatura acaba mordendo a isca deixando mensagem indecifrável do  além. O casal procura ajuda de terceiros, uma espécie de médium, este, porém, diz não ter como ajudá-lo.

O filme nem um pouquinho de terror psicológico para disfarçar tem… não há tensão; é arrastado, a jovem é arrastada literalmente pelo espírito - ao clímax – o que torna a cena hilária, ao invés de assustar; (um curta talvez ficaria assistível) e pasmem, fez sucesso nos festivais independentes dos EUA, e os distribuidores deixaram o público votar se a fita deveria ou não ser lançado e isso só aconteceria se conseguisse o mínimo(?) de um milhão de votos. E não é que conseguiu facilmente? Tanto que ultrapassou a bilheteria do lançamento de A Bruxa de Blair, na época e já ultrapassou Jogos Mortais VI, ainda nos cinemas.

Dizer que a fita decepcionou só aguça a curiosidade de quem ainda não assistiu, pelo menos isso acontece comigo, mas quem não sofre de ansiedade pode muito bem aguardar chegar nas locadoras ou na tevê paga. E fim de conversa para não dar mais cartaz a este.

Sem créditos finais nenhum dando ar de documentário. O que salva o filme e está fazendo esse sucesso todo é a bem feita jogada de marketing. Realmente a propaganda é a alma do negócio.

Cotação: Ruim.

Karenina Rostov

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Atividade Paranormal

Titulo original: (Paranormal Activity)
Lançamento: 2009 (EUA)
Direção: Oren Peli
Atores: Katie Featherston , Micah Sloat , Mark Fredrichs , Ashley Palmer , Amber Armstrong
Duração: 86 min
Gênero: Terror

Nova York, Eu Te Amo

O filme Nova York, Eu Te Amo é uma colcha de retalhos sobre o projeto “franquia” seguindo o modelo de Paris, Eu Te Amo de 2006. São várias situações, várias histórias de amor e de encontros sob diferentes prismas, algumas confusas, outras nem tanto.

Trânsito caótico, pessoas brigando pelo mesmo táxi; a eterna questão do preconceito racial, a calma e a paz que a convivência na terceira idade traz; na passarela pessoas conhecidas no meio de anônimas. A selva de pedra, a Estátua da Liberdade imponente, um convite ao mundo para ela conhecer.

A miscigenação começa pelos onze contadores dos curtas-metragens; a maioria de nacionalidade não-americana. Há cineastas de origem indiana, japonesa, árabe, chinesa etc; pode-se constatar no final, nos créditos a pluralidade de países representados, exceto Brasil, ficou de fora desta vez como foi em Paris, Te Amo, representado por Walter Salles e faltando também de origem hispânica  para criar esse fantástico mosaico que a cidade representa.

Cada qual narrando uma história de amor, à sua versão para a mesma cidade; contando o encontro de todos os povos num só lugar. Uma das historias achei um tanto incompreensível, meio surrealista sobre uma diva que depois de anos volta a se hospedar no mesmo hotel e relembra de cenas que não se sabe exatamente o propósito.

O charme da burguesia e da 5ª Avenida; A ponte do Brooklyn e o centro financeiro de Manhattan; o revoar dos pássaros, diretores mostram os elementos que ligam aqueles que trabalham e circulam pelas ruas e avenidas, através de costumes, religiões, diversos sotaques, sinais fechados, pedestres, turistas…

O novo trabalho é assinado por diretores que foram escolhidos justamente por representarem o elemento de liga entre todos aqueles que circulam pelas ruas de Nova York à revelia de sobrenomes, raças, credos, nações e sotaques. O filme é arrumado e editado de tal forma que quase não se nota nessa versão nova-iorquina o limite entre um filme e outro, onde uma história termina e outra começa; não está evidente, e um personagem acaba transitando pelo espaço da próxima história.

Curtas para todos os gostos. Gostei da história do músico interpretado por Orlando Broom e por Christina Ricci; ela fazendo uma leitora assídua dos escritores russos, em especial Dostoievski, e o casal só se conhecia por telefone, até que um dia ela toma coragem e bate à sua porta.

Nova York, Eu te Amo é um filme de sentimentos e relacionamentos casuais ou não.

O próximo projeto está previsto para 2010, e será sobre uma cidade brasileira, ou melhor Rio, Eu Te Amo!

Sim, Rio, Eu te Amo! Uma declaração de amor.

Karenina Rostov

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Sinopse:

Na cidade que nunca dorme, o amor está sempre presente. Conexões humanas espontâneas, surpreendentes e eletrizantes criam um caleidoscópio que bombeia o coração da cidade. De Tribeca ao Brooklyn, passando pelo Central Park, pequenos contos dirigidos por dez realizadores de todas as partes do mundo exploram os cinco cantos de Nova York, compondo um retrato complexo e apaixonante de seu rico universo urbano.

Cast.

Biografia do diretor:

- Jiang Wen nasceu em 1963, na China.

- Mira Nair nasceu em 1957, na Índia.

- Shunji Iwai nasceu em 1963, no Japão.

- Yvan Attal nasceu em 1965, em Israel, mas cresceu na França.

- Brett Ratner nasceu em 1969, nos EUA.

- Allen Hughes nasceu em 1972, nos EUA.

- Shekhar Khapur nasceu em 1945, na Índia.

- Natalie Portman nasceu em 1981, em Israel, mas cresceu nos EUA.

- Fatih Akin nasceu em 1973, na Alemanha.

- Joshua Marston nasceu em 1968, nos EUA.

- Randall Balsmeyer nasceu nos EUA.

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Nova York, Eu Te Amo faz parte do projeto concebido pelos produtores franceses Emmanuel Benbihy e Marina Grasic. A ideia é convidar vários cineastas a fim de dirigirem histórias que se passam numa cidade. Paris, Eu Te Amo (2006) foi o primeiro filme da série e o próximo, Rio, Eu Te Amo será filmado na cidade brasileira, com estreia prevista para 2011.

Os produtores propuseram aos cineastas convidados que filmassem em 24 horas, editassem em uma semana e mostrassem as características marcantes de cada local da cidade onde filmaram. Por isso, Nova York, Eu Te Amo tem muitas cenas rodadas nas particulares ruas de Nova York. Diferentemente de Paris, Eu Te Amo, que tinha segmentos bem distintos, preservando de uma forma bem clara a identidade de cada diretor, este segundo filme do projeto soa mais como um longa sobre pessoas que vivem em Nova York do que uma união de curtas-metragens, como ocorria na produção sobre a cidade francesa.

Julie e Julia. Muito Além de uma Terapia Ocupacional

O filme tem um certo charme. Meril Streep só não rouba todo o filme porque dois personagens masculinos foram bons também: Stanley Tucci e Chris Messina. A Amy Adams não fez feio, mas pelo personagem em si deixou uma dúvida: se uma outra atriz teria feito melhor. ‘Julie e Julia‘ é um bom filme, mas que poderia ter sido ótimo se Nora Ephron tivesse enxugado um pouco. Não precisava se alongar.

Nas cenas onde Julie cozinhava eu ficava pensando em Juliette Binoche, de ‘Chocolate’. Mesmo sem querer comparar performance me perguntava se daqui a um bom tempo eu ainda lembraria dela como da personagem de Binoche nesse filme. Ou mesmo em outras personagens que mostraram que a arte culinária também é um ato de amor e sedução. Como a Dona Flor, de ‘Dona Flor e Seus 2 Maridos’. Esse é um lado que eu também gosto. O de cozinhar por prazer, e não por obrigação. Já com a personagem Julia, de Meryl Streep, em certas cenas me levava a pensar nas paródias. Até tem uma no filme. Com certeza sua personagem é de atrair charges & afins. Pela comicidade. Pelo porte. Agora, não tem como se encantar com ela. Meryl nos leva a não pensar em nenhuma outra atriz, nem muito menos em nenhuma das personagens que interpretou ao longo da carreira. Bravo!

No tempo presente – 2002 -, temos Julie (Amy Adams) indo morar no Queens, com o seu marido, Eric (Chris Messina). Ela perdeu um emprego numa Editora. Assim não se viu motivada a terminar um romance. Indo trabalhar num Grupo de Apoio as vítimas do Wolrd Trade Center. Desencantada da vida, desestressa cozinhando. E entre provas e desabafos com Eric nasce a idéia de um criar um Blog. Mais! De nele contar o seu novo Projeto: de preparar todas as receitas do livro de Julia Child. O ‘Dominando a Arte da Culinária Francesa’ (Mastering the Art of French Cooking). E por achar que tem Distúrbio de Déficit de Atenção (DDA), Julie impõe a si um prazo: de em um ano para preparar as 524 receitas do livro.

Paralelo a essa história o filme recua no tempo entre as décadas de 50 e 60. Julia (Meryl Streep) está chegando em Paris. Seu marido, Paul (Stanley Tucci), Diplomata, fora designado para atuar na capital francesa. Julia fica encantada com tudo. Principalmente com a culinária francesa. Até porque, quando numa conversa com Paul sobre estar entediada diz que adora comer. Brincadeiras à parte Julia se propõe a aprender a cozinhar os pratos franceses. Assim se matricula no Le Cordon Blue.

Por lá encontra um osso duro de roer: a diretora. Mas decidida, Julia investe todo o seu tempo nesse aprendizado. E por tabela conhece duas mulheres que sonham publicar um Livro de Receitas. O que dará mais molho nessa sua estada na França. Além de sobrar para Paul, uma investigação. Época do Macartismo nos Estados Unidos.

Se com o passar dos anos o tempo não deu filhos a Julia e Paul, o amor que sentiam um pelo o outro manteve acesa a chama até o final. Paul também foi um grande incentivador da esposa. Por esse seu lado profissional.

Já Julie e Eric tiveram uma pequena separação. Mas voltando logo às boas. Por ainda estarem começando a vida de casados, filhos ainda não estavam nos planos do casal. Tinham um gato. Eric também incentivava a esposa nesse seu novo lado profissional. Mas ainda reticente quanto a ela contar as intimidades do casal no Blog. Até o Chefe de Julie lhe pede que não fale dele no Blog.

Julie era fã de Julia desde criança. Dai a escolha para o seu Projeto. Mas Julia não entendeu, ou não explicaram direito para ela. Mesmo assim Julie a tinha como um ícone a ser respeitada e amada. Indo conhecer a cozinha de Julia, não dentro da casa dela, mas num Museu.

Julia se propôs a aprender as receitas e então descrevê-las em inglês. Não conheço o livro, logo não sei se há as histórias sobre a preparação de cada uma delas. A Julie pegou essas receitas e as colocou para uma linguagem atual para atingir pessoas sem intimidades com a cozinha. Mesmo que Julia tenha dado novos ingredientes a algumas receitas, a base já existia. Não sei, mas para mim ficou a idéia de que Julie trouxe Julia de volta à mídia. Que virara peça de museu. Creio que se Paul estivesse vivo, faria as duas se encontrarem.

E aqui é algo a se pesar. Nós que escrevemos nessa mídia de certo modo estamos falando de outras pessoas. Quando não são fictícias invadiremos suas vidas. Faremos uma exposição delas. Sem nem perguntarmos se elas querem. Eu me coloquei mais no lugar da Julie, do que da Julia que se sentiu usada. Porque em meus textos eu também analiso, descrevo a obra de alguém; no caso: filmes. Esse é um recado que a Nora Ephron deixa nesse filme. Fica como um alerta para que nesse contexto sejamos originais. Que mantenhamos nossa identidade. Que se alguém se sentir “usada” que veja que estamos junto nisso.

Como viram ‘Julie e Julia‘ conta a história de duas donas de casas que descobriram na culinária as suas vocações. Ou através dela, já que lançaram livros. E o filme é baseado numa história real. Aliás, em duas histórias. Duas autobiografias de sucesso: ‘Julie & Julia’, de Julie Powell e ‘My Life in France’, de Julia Child com Alex Prud’homme.

Como disse no início, se o filme fosse mais curto eu voltaria a revê-lo outras vezes mais. Assim do jeito que está, só se avançando certos trechos. Para então rever a Julia Child de Meryl Streep. Ela está impagável! Mas me perguntei também se fui com muita sede ao pote. Não sei. O que sei é que queria que esse filme me arrebatasse. Que eu o achasse excelente! Acho melhor parar por um tempo de assistir filmes sobre donas de casas. Por não me empolgar por isso. De qualquer jeito, só em ver a Julia da Meryl já vale pena. Eu recomendo!

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Julie e Julia (Julie & Julia). 2009. EUA. Direção e Roteiro: Nora Ephron. +Cast. Gênero: Biografia, Comédia, Drama, Romance. Duração: 123 minutos.

De Repente, Gina (Frühstück mit einer Unbekannten)

De repente, o sono foi embora, ligo a tv, e zapeando, paro com a apresentação de um filme, pela atriz Ângela Leal. Por ter gostado da sinopse, comecei a ver o filme. E logo depois, lá estava eu, sentada na cama, acompanhando encantada uma das Comédias Românticas mais lindas que eu assisti nos últimos tempos.

De Repente, Gina‘ nos mostra o início de uma linda história de amor entre dois adultos: ela já perto da casa dos trinta, ele já havia passado da dos cinquenta. Ambos, estavam tão envolvidos com suas ocupações profissionais, que desabituaram até de flertar. Um simples prazer em comum – uma xícara de café pela manhã -, foi o início de tudo. Onde se encontraram pela primeira vez – Laurens e Gina.

Laurens (Jan Josef Liefers) era muito tímido. Aquele lugar vago na mesa dela, fora a opção para não ficar de pé no Café. Gina (Julia Jentsch), nem tanto. Tanto que partiu dela, puxar conversa. O título da apostila que ele estava lendo, chamou-lhe a atenção.

E nesse romance, terá como pano de fundo: a pobreza que devora o mundo. Que mata crianças por minutos. Mas não estarão em uma Ong, ou numa Instituição levando alimento para os africanos. Não. Eles ficarão dentro do encontro com o G8 na Alemanha. Pois Laurens é quem faz toda a pesquisa de dados para o Ministro das Finanças, que estará na mesa de negociação com o primeiro escalão do G8. Laurens, será uma eminência parda que sem querer, dará ‘armas’ a Gina para lutar pelas crianças do mundo. Até por ela amar sua profissão: enfermeira parteira.

Ainda nesse café da manhã, quase que um gesto gerou um mal estar entre eles. Pois se para ele a jornada de trabalho estava para começar naquela manhã, para ela, um turno de doze horas terminara. Dai, o não conseguir segurar um bocejo – realmente de sono -, pareceu a ele que seria por conta do assunto de sua conversa. De que era alguém entediante. Para tentar acabar com esse pequeno incidente, marcam um encontro. Um almoço, onde poderiam se conhecerem melhor. Com um pouco mais de tempo. Menos de uma hora, por conta da agenda apertada dele.

O título original – Frühstück mit einer Unbekannten -, refere-se a esse encontro – Café da manhã com uma desconhecida. Embora o segundo encontro foi que deslanchou o continuarem juntos, o nascedouro fora realmente no encontro casual no Café. Pois se não tivesse tido interesse de um no outro, a história deles não decolaria.

Talvez, quem escolheu para título oficial o ‘De Repente, Gina‘ (Suddenly Gina), focou apenas o lado masculino nessa relação. Por ele ser tímido? Por ela ter chegado sem aviso na vida dele? Por ela ter motivado, a eles e os demais, que ainda estava em tempo de mudarem de atitude? Gina não apenas quebrou protocolos, ela deu um ‘Acorda!’ geral a todos. E ainda bem que Laurens também acordou.

Por vezes ficamos tão focados nos filmes da Telona, que os feitos diretamente para a TV, terminam relegados a sessões da tarde. Bendita insônia que me levou ao Canal Futura, e por ele ter visto ‘De Repente, Gina‘. Um filme de ver com brilhos nos olhos! E de querer rever.

Por: Valéria Miguez (LELLA).

De repente, Gina (Frühstück mit einer Unbekannten). 2007. Alemanha. Direção Maria von Heland. Roteiro: Martin Rauhaus. Elenco: Julia Jentsch (Angelina ‘Gina’ Franke), Jan Josef Liefers (Laurens Wagner), Stefan Kurt, Andrea Sawatzki, Iris Berben, Jürgen Heinrich, Simone Thomalla, Catherine Deneuve. Gênero: Comédia, Romance. Duração: 90 minutos. Produção para a TV. Remake do filme britânico ‘The Girl in the Café’, de Richard Curtis, de 2005.

Recontagem – Por trás da politica!

A nova produção original da HBO é um assombro sob muitos aspectos. Recontagem (Recount EUA 2008) telefilme que se propõe a esmiuçar os bastidores do conturbado período que sucedeu a eleição presidencial de 2000 e que tomou o mundo inteiro pela apreensão e incerteza acerca do destino da democracia mais pujante do planeta é em primeira estância, um filme apartidário. Pelo menos até sua cena final.

Em Recontagem, acompanhamos em um ritmo acelerado – tanto quanto o desdobramento imprevisível dos eventos retratados – o desenrolar da batalha politica e jurídica entre os comitês de Al Gore e George Bush pela presidência da república. A fita expõe em minúcias, nem sempre lisonjeiras, os tramites que conduziram Bush ao poder.

A riqueza da produção dirigida por Jay Roach, que assumiu a vaga de Sidney Pollack que se afastara do cargo em virtude de seu já debilitado estado de saúde, é justamente o insight tenaz que oferece a esse episódio notório e ainda por muitos incompreendido. Pautando-se pela veracidade dos fatos, Recontagem abrilhanta o trabalho dos homens de bastidores da politica, geralmente desconhecidos do grande público. Existem, é verdade, insinuações. Mas elas nunca são defendidas pelo filme, são inseridas no contexto da história e relegadas á importância devida.

Com elenco afinado, capitaneado por um cativante Kevin Spacey, por um excelente Tom Wilkinson e por um Dennis Leary roubador de cenas, o filme rende também como um eficiente thiller, embora o desfecho da história seja notório. Outro mérito da direção de Roach. Se há um porém, é o desnecessário tom jocoso do final. O julgamento que a história, inevitavelmente impetraria ao 43º presidente dos EUA, como todos sabemos, Bush, não precisava ser antecipado de forma tão prosaica por Roach.  Não chega a estragar o resultado. Recontagem é entretenimento de primeira classe. Mas certamente data o filme. Além de lhe vestir a incômoda carapuça da desonestidade. Afinal, o filme hesita, ou faz que hesita, em posicionar-se em relação ao conflito dramatizado, para no final fazer um comentário que em nada o ajuda enquanto dramaturgia, mas lhe convém enquanto veículo liberal.

Por Reinaldo Matheus Glioche. Blog: Claquete Cultural.

Frost/Nixon – Jogo de cena!

Por Reinaldo Matheus Glioche.
Frost/Nixon (EUA 2008) se ocupa de muitos propósitos. Mas antes de mais nada, a nova fita de Ron Howard se incumbe da responsabilidade, pouco verificada no cinema, de desanuviar  um dos momentos mais controvertidos da história politica, social e midiática dos EUA. O embate entre o até então tido como frívolo e superficial apresentador da TV britânica David Frost e o ex- presidente Richard Nixon, acusado de muitos crimes, mas sem julgamento.

O que Peter Morgan, autor da peça em que o filme se baseia e roteirista da fita, faz é unir um intenso trabalho de pesquisa com o saboroso acréscimo da imaginação sobre os eventos que precederam e que temperaram a série de entrevistas contratadas por Frost.

Ao teorizar sobre a figura politica de Nixon em um contexto tão específico, Roward e Morgan humanizam a figura combalida de um dos mais impopulares políticos da história americana. Para isso contam com a performance mediúnica de Frank Langella. O ator, escondido embaixo de uma maquiagem que o aproxima da imagem do ex- presidente, devassa a alma de um homem que foi engolido pela própria ganância. Langella, no final da sessão nos faz esquecer até mesmo do verdadeiro Nixon, tamanha profundidade e nuança de sua caracterização. Michael Sheen que vive David Frost também dá um show a parte. O ator que já havia chamado considerada atenção como o Tony Blair de A rainha, reveste seu Frost de fraquezas, dúvidas, camadas e uma doçura que antagoniza na medida certa com a carrancuda feição de Nixon.

O filme angariou 5 indicações ao Oscar (filme, direção, ator, roteiro adaptado e montagem), não levou nenhum, contudo, passa à posteridade como um filme que ao se debruçar sobre um momento político histórico do passado americano, reflete o presente com contundência exuberante.

Além do elenco inspirado e do olhar investigativo sobre uma ferida americana, Frost/Nixon é um deleite para quem se enamora do fazer jornalístico. Roward e Morgan destrincham os pormenores de como se dá toda a produção de uma entrevista do porte e relevância como a que Frost realizou com Nixon.  E a montagem do filme explicita isso de forma bastante agradável. De fato, Morgan, ao conceber o roteiro estava movido pelo espírito jornalístico.

Por Reinaldo Matheus Glioche.  Blog: Claquete Cultural.

Avatar

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Um detalhe bastante focado durante as quase 3 horas de duração de Avatar, é a divindade que protege os nativos e a vida no rico planeta Pandora. Como essa divindade não toma forma durante o filme, podemos sugerir que se trata de um canadense de 55 anos, egocêntrico e megalomaníaco. James Cameron não possui uma filmografia extensa, mas dentre 9 filmes, uns 80% serem considerados filmes importantes para o cinema, é motivo o bastante para defendê-lo, mesmo se achando o rei da cocada preta.

Muito pretensioso e cheio de vontade de uma vez por todas carimbar pra sempre seu
nome no rol dos grandes do cinema, ele desde Aliens o Resgate (1986) (onde ganhou não só mais dinheiro pra fazer um filme, como também a confiança dos produtores da FOX, já que vinha do incrível O Exterminador do Futuro), quando inseriu efeitos especiais embasbacantes e criou momentos de tensão e ação como nenhum outro.
Fez blockbusters de todas as espécies, desde histórias no fundo do mar à super espiões com problemas conjugais, até atingir o ápice de sua carreira até então: Titanic.

Mas antes de Titanic surpreender o mundo, ele tinha começado um projeto muito pessoal, mas que na época, devido a falta de tecnologia, não poderia ser realizado. Depois do sucesso arrasador da sua aventura nos mares, ele se dedicou a desenvolver a tecnologia necessária pra levar seu projeto adiante. Mas após assistir O Senhos dos Anéis e ver o personagem Gollum ganhando vida, ele pensou ”…está na hora”.

Mas ele não queria apenas captar os movimentos e unir ao filme convencional. Ele queria uma experiência verdadeiramente única, levar o 3D a um patamar diferente, levar o 3D a ser algo realmente próximo da realidade. Ele queria revolucionar o cinema. Motivo de piada por cinéfilos mais ortodoxos e tendo seu filme ameaçado por se tratar de algo muito ambicioso, ele na surdina preparou a coisa toda. Foram 2 anos apenas para ter os movimentos dos atores captados, fora o processo de pós produção, e o resultado desse árduo trabalho é deslumbrante.

Muito artístico, muito bem trabalhado, muito bem detalhado. Ver Pandora “viva” é algo que vai ficar na cabeça por muito tempo. Aos desavisados, pode parecer uma locação aqui pela Amazônia ou qualquer outra floresta tropical do mundo. Mas não é. É impressionante ver que tudo aquilo é criado por computador, e criado de uma maneira que nos leva a ver que a magia do cinema, não morreu. Por mais que existam Rollands Emmerichs e Michaels Bays da vida, existe um James Cameron pra nos mostrar que o cinema ainda e sempre realizará experiências que nos atiçarão a descobrir mundos novos e aguçar a nossa imaginação. Algo que só o cinema pode proporcionar.

Só que infelizmente as novidades terminam aí.

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Por mais megalomaníaco, egocêntrico, grande diretor e tudo mais, James Cameron se acha no direito de errar em detalhes menores, mas que fazem uma grande diferença no resultado final. Senhor Cameron, errar é humano, e isso não lhe faz um Deus.

Por mais que o filme seja riquíssimo em detalhes, riquíssimo em cores, perfeição e beleza, ele é pobre em um texto que esteja a altura do grande trabalho que o filme é. Cameron em seus filmes define antes de tudo quem é quem: mocinho, vilão, personagem avulso, essas coisas. Depois delimita bem o que será a história, mostrando qual caminho vai seguir e preparando o espectador para o que ele quer mostrar. A impressão que fica é “Já vi esse filme antes”, e já viu mesmo.

O modelo é clássico, sem muitas alterações. Durante a projeção fiz links com vários outros exemplos de filmes que possuem uma premissa muito parecida, como por exemplo Pocahontas e Dança com Lobos, e é impossível não enxergar situações em outros filmes. Quanto a isso, o que poderia ser o melhor e maior trabalho do Cameron, perde um pouco do brilho. Se não fosse pelo planeta onde tudo acontece, o filme infelizmente seria mais do mesmo.

Mas mesmo com os defeitos acima, não o é.

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O irmão gêmeo de Jake Sully (Sam Worthington) é um gênio da ciência e morreu pouco antes de ir para Pandora estudar a vida por lá e fazer parte do projeto Avatar. Jake então é convidado pelos acionistas de uma mineradora que procura um metal muito valioso por lá, para ir no lugar do irmão e assumir o corpo Avatar que seria dele. O problema é que Jake está preso a uma cadeira de rodas. Depois de pouco mais de 5 anos viajando, chega ao planeta que foi invadido covardemente pelos humanos. Como diz o coronel, “Um dia em Pandora que vão querer estar no inferno só para descansar”.

Lá ele conhece a Dra. Grace (Sigourney Weaver), que chefia as pesquisas sobre a vida nativa do planeta, e tem feito descobertas valiosas sobre os nativos Na’Vi, extraterrestres com 3 metros de altura que possuem uma ligação muito forte com a sua terra. Mas também conhece Parker Selfridge (Giovanni Ribisi ), um inescrupuloso que comanda toda a logística da operação, que planeja uma “retirada diplomática” dos Na’Vi de um lugar sagrado para eles. Parker conta com a ajuda do Coronel Miles Quaritch (Stephen Lang), que comanda o pessoal militar, responsável por obrigar essa retirada diplomática.

Parker
e Quaritch vêem em Jake a solução de seus problemas, e utilizam o projeto Avatar ao seu favor. O projeto Avatar consiste em passar a mente de um humano para um corpo sintético que suporta viver em Pandora, já que seu ar é mortal aos humanos. Os Avatares imitam com perfeição os Na’Vi, facilitando a sobrevivência no planeta. Jake recebe a tarefa de em 3 meses conquistar a confiança dos nativos e convencê-los a se retirarem do lugar sagrado, onde por sinal encontra-se a maior jazida do minério que tanto buscam.

O problema é que Jake acaba se envolvendo demais com os nativos, com direito a amor proibido e tudo mais, e precisa escolher, em que lado ele vai lutar.

Venhamos e convenhamos, o roteiro é pobre. Mas contrasta com a riqueza visual de Pandora. Avatar acerta em muita coisa, mas é nos menores e mais importantes detalhes que se afunda.

O roteiro em si, não é muito elaborado. Atolado de clichês e um enredo já batido, ainda assim consegue envolver o espectador e causar uma verossimilhança tremenda com o nosso mundo.

Já começando desconcertando as coisas, transformando o homem em ET, o filme nos coloca como dominadores de um mundo sem defesa. Os nativos lembram muito os indígenas que morreram aos montes em várias partes do mundo onde o imperialismo reinou e ainda a guerra ao terror dos Estados Unidos, sendo sutilmente criticada, mas no fim, lembra muito a guerra do Vietnã, onde venceu quem conhecia o terreno, e não quem tinha as melhores armas.

Tudo isso conta como ponto a favor da trama, mas não esconde furos tremendos, tampouco a falta de cuidado em criar diálogos que de nada acrescentam ao filme. Sem profundidade nenhuma e sendo raso em boa parte da história, por mim é considerado o maior defeito do filme. E digo mais, é o único defeito do filme.

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Saindo dessa parte, o que realmente vale a pena mesmo é o que por trás da história e diga-se de passagem, é o grande atrativo do filme. O tempo levado para desenvolver a tecnologia e o árduo trabalho por trás de tudo isso, foi recompensado com uma criação inigualável, de um mundo que só mesmo o cinema poderia proporcionar. Por conta disso, Avatar é um grande colosso cinematográfico, grandioso em tudo e épico desde já.

Filmado para ser a revolução 3D e adicionada ao novo xodó do cinema, o formato IMAX, o filme é de um apuro técnico invejado, os Na’Vi e todas as criaturas vivas de Pandora não parecem ser meros efeitos de computador, mas sim seres vivos, detalhadamente construídos.

Atentem para os detalhes nos olhos, eles ganham vida! Atentem para veias e as covinhas nos cantos das bocas, principalmente da Avatar da Sigourney Weaver, as expressões são incrivelmente idênticas as da atriz. O mesmo pode se dizer de Sam Worthington e Zoe Saldana (que interpreta Neytiri, a nativa que roubao coração de Jake Sully).

Durante a captura dos movimentos, quando os atores vestiam aquelas roupas com pequenos pontos que captavam os movimentos de seus corpos, micro câmeras filmavam seus rostos ao mesmo tempo, e depois as imagens gravadas eram manipuladas por computador e geraram um efeito onde o realismo é de uma perfeição que chega a emocionar. E o mesmo acontece com os animais e plantes que habitam Pandora. O olhar é o espelho da alma, e neste filme, todos no filme transparecem suas almas, sejam humanos, sejam Na’Vi, sejam animais voadores que parecem helicópteros do DaVinci.

A fauna e flora do planeta é algo esplendoroso. Não só a vida do planeta mas outros detalhes como água de rios e até as improváveis, porém realistas montanhas suspensas, são de uma beleza ímpar. Eu achava que Peter Jackson havia alcançado esse efeito com os cenários virtuais de King Kong, mas Avatar abocanhou esse posto muito merecidamente.

O chato é que nem todos terão acesso a essa “revolução”. Nem todo cinema possui IMAX, nem todo cinema é 3D. Mas mesmo em 2D é possível notar a beleza do trabalho praticamente artesanal do filme. Foram cerca de 1000 pessoas envolvidas. O resultado é fantástico.

A parte de som beira a perfeição. Foi algo que realmente nos inseriu dentro da proposta do filme, não apenas barulho, mas sons que nos fazem ir até Pandora e lá ficar inerte por muito tempo. A lindaça fotografia é outro ponto forte. Mesmo o filme sendo digital em boa parte, é quase impossível distinguir o que é real e o que é criado em computador. Esse fato que James Cameron atinge, é certamente uma das coisas mais próximas a realidade que um filme poderia chegar.

A trilha não é de muito relevante, infelizmente.
O grande parceiro do Cameron, James Horner, entrega uma trilha pobre, e em muitos pontos parecidas com outros trabalhos dele, sendo o mais gritante Titanic. Sem contar a música tema do filme, que mesmo sendo boa de se ouvir, acaba lembrando muito My Heart Will Go On.

Mas creio que infelizmente, James Cameron irá viver sempre na sombra do que Titanic representou não só para a sua carreira, mas também para a cultura pop. E por falar nele, aqui ele prova mais uma vez ser um grande diretor de cenas de ação. Mas também, cria momentos lindos, que garantem a sua grandiosidade e consolidam a tal revolução no modo de fazer cinema que ele tanto quer. Cito por exemplo a cena em que Neytiri carrega no colo Jake Sully em forma humana. O toque que Jake dá no rosto dela é de arrepiar. Cameron capta com muita competência tudo isso. A edição, que ele assina também, é outro componente a favor, já que deixa tudo mais claro, e não aquele retalho de cortes que Michael Bay faz em seus filmes. As cenas de ação são intensas e empolgantes, garantindo a diversão que o filme propõe.

E foi com isso que o filme me conquistou. Não precisou ser um primor no roteiro, mas sendo algo que está ali pra divertir e oferecer sensações que nenhum outro filme conseguiu recentemente, já vale a consideração. Foi como se eu estivesse assistindo a O Mágico de Oz com 6 anos de novo. Completamente hipnotizado pelo filme. O efeito foi o mesmo. Entrar em Pandora foi como visitar o mundo de Oz mais uma vez, só que agora em outra conotação.

É com toda a segurança do mundo que admito: James Cameron conseguiu mais uma vez, queiram ou não.

Claro que ele poderia ter trabalhado num roteiro mais elaborado e sem tantos erros, o que certamente transformaria Avatar numa grande obra prima. Mas lembrem-se, roteiro nunca foi o forte do Cameron. Então sente-se e sinta Pandora. A experiência é ímpar.

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Nota: 9,0 (poderia ser 10, mas Cameron derrapou no roteiro!).

Avatar, 2009

Direção: James Cameron.
Atores: Sam Worthington, Zoe Saldana, Sigourney Weaver, Lola Herrera, Joel David Moore, Giovanni Ribisi, Michelle Rodriguez, Stephen Lang, Wes Studi, CCH Pounder, Laz Alonso, Dileep Rao, Matt Gerald, Sean Anthony Moran, Scott Lawrence.
Duração: 162 min.

The Commitments – Loucos pela Fama

The Commitments – Loucos pela Fama
(The Commitments, Irlanda/Reino Unido/EUA, 1991)

Direção: Alan Parker

Elenco: Robert Arkins, Michael Aherne, Angeline Ball, Maria Doyle Kennedy, Dave Finnegan, Brohagh Gallagher, Andrew Strong

Baseado no romance de Roddy Doyle

“Se você tem ‘soul’ (alma), a banda mais trabalhadora do mundo está esperando o seu contato.” Este anúncio abre um filme delicioso, tanto no que se refere à história, quanto à trilha sonora: Mustang Sally, Try a Little Tenderness, Take me to the River, The Midnight Hour…

Jimmy Rabbitte quer montar uma banda de irlandeses negros… Hm, na verdade, isso é um pouco difícil, mas ele consegue convencer alguns sardentos de que eles são negros e tem orgulho. Eles passam horas vendo James Brown, repetindo o mantra…

O pai de Jimmy, grande fã de Elvis, não bota muita fé na idéia, mas…

Ele seleciona algumas pessoas, todos inexperientes, mas acha o cantor perfeito: egocêntrico e irrascível. Bem, o baterista também não se controla, as meninas estão se encontrando na vida, ou seja, caos. Até que o poderoso Joey, digo, o veterano Joey passa a ensinar o verdadeiro soul com seu trompete… Inclusive, as meninas tem muito a aprender com o experiente Joey.

A banda se destaca e o genioso Andrew Strong rouba a cena, cantando muito! Existe uma banda até hoje, que já se apresentou no Brasil.

Adoro e espero que mais gente tenha assistido.

Trilha Sonora de The Commitments:
1 Mustang Sally (Andrew Strong)
2 Take Me to the River ( Andrew Strong)
3 Chain of Fools (Angeline Ball, Maria Doyle)
4 The Dark End of the Street (Andrew Strong)
5 Destination: Anywhere (Niamh Kavanagh)
6 I Can’t Stand the Rain (Angeline Ball)
7 Try a Little Tenderness ( Andrew Strong)
8 Treat Her Right (Robert Arkins)
9 Do Right Woman, Do Right Man (Niamh Kavanagh)
10 Mr. Pitiful (Andrew Strong)
11 I Never Loved a Man (The Way I Love You) (Maria Doyle)
12 In the Midnight Hour (Andrew Strong)
13 Bye Bye Baby (Maria Doyle)
14 Slip Away (Robert Arkins)

Atividade Paranormal

A receita é velha mas eficiente: Um tom de documentário para dar realismo, atores completamente desconhecidos e nenhum crédito ou trilha sonora.

A fórmula que arrebatou plateias do mundo com “Bruxa de Blair” é repetida aqui no filme de Oren Peli – Atividade Paranormal -, com um tema um pouco diferente: Uma assombração que perturba um casal até que eles resolvam chamar um especialista para afastar a terrível presença.

O filme até que assusta eventualmente, criando uma tensão crescente que leva ao clímax não muito surpreendente, embora lance mão de elementos manjadíssimos no gênero, como talco para desvendar pegadas, portas que batem e o velho tabuleiro de Ouija. No entanto, acho que como seu precursor, “A Bruxa”, funciona melhor no vídeo caseiro.

Mas há outro mistério desconcertante que percorre todo o filme: Que tanta beleza é esta que o ator vê o tempo inteiro em sua parceira? Descontando o tal do amor, só pode ser um “encosto” de mau gosto.

Carlos Henry.