Não sei se assisti a esse filme num dia sem a menor paciência para ‘prendas do lar’. O certo é que tive que fazer força para não cair no sono na primeira meia hora do filme. Aliás, esse é um daqueles filmes que se enxugassem uns vinte minutos, ficaria mais amarradinho. Mas como esse filme me levou a uma divagações, terá spoilers.
Tudo bem que nesse período entediante… era mostrado a vida de uma dona de casa branquinha dos Estados Unidos. Algo como a própria Pippa Lee definiu: de que a maioria queriam e viviam como a de um comercial de margarina. Digo o branquinha, por aquilo que vimos nos filmes. Principalmente retratando há mais de trinta anos atrás. Uma dona de casa negra, não teria sido retratada assim. Seria mais como em ‘Corina‘, com a Whoopy Goldberg. E se for para esteriotipar com comicidade, creio que ‘Y Love Lucy‘ é ainda imbativel. Ok! Essa era uma Série de Tv, mas que eu adorava assistir.
Pippa Lee (Robin Wright Penn) começa o filme como uma dona de casa de uma classe média… diria que alta, pela casa. Como num comercial… mesmo servindo um jantar feito por ela… parecia era ter saído de um salão de beleza. Muito elogiada por todos, mas algo dito pelo seu filho, lhe faz parar e reavaliar a sua vida. De algo eu gostei muito: embora faça isso aos cinquenta anos de idade, deixa a mensagem que nunca é tarde demais para um ‘Acorda Mulher!’.
Acontece que ao longo do filme, vemos que poderia ter feito isso bem antes de casar, ter filhos… É quando começa a contar sobre a sua relação com a sua mãe, Suky (Maria Bello). Em criança (Madeline McNulty), se sente responsável pelo comportamento de sua mãe. Suky, por sua fraqueza emocional, se aproveita dessa dependência. Até porque suas outras tábuas de salvação seriam as anfetaminas, e sonhando que vivia como num filme, num comercial… Pippa era uma também, mas que lhe dava um eco…
Pippa só descobre o que deixava a mãe entre fase depressiva, e eufórica, já adolescente (Blake Lively). Assim mesmo, porque seu irmão contou. Resolve então experimentar… para ver se vivenciando encontraria a causa. Mas por esse caminho, era como pegar um atalho direto para uma das consequências. Pois uma das causas, seria uma vida onde se excluísse por completo. Seguindo o determinado culturalmente – casar, engravidar, cuidar do marido, filhos, casa… -, e de si, só cuidados com a aparência. Para não quebrar o ciclo. De ser uma dona de casa elogiada por todos. Sempre solícita. Sem negativas.
No filme ‘O Sorriso de Monalisa‘, creio que foi a personagem de Kirsten Dunst que diz para a de Julia Roberts, que uma mulher também pode se sentir plenamente realizada sendo apenas dona de casa. Embora aceite tal argumento, ainda assim me pego a pensar se no fundo Pippa não estaria ocultando uma inaptidão para uma realização profissional. Ou mesmo por não saber viver só.
Após ver que tomara o caminho errado, Pippa foge de casa. Indo morar com uma tia, Trish (Robin Weigert). Lá, descobre a homossexualidade da tia. Algo que para ela, vê como uma subversão. Que a deixa excitada, mas no sentido de rebeldia. Embora sua tia diz que terá que voltar aos estudos, Pippa se deixa seduzir pela companheira de sua tia, Kat (Julianne Moore). Pelo trabalho dela… E quando a tia descobre… acabou-se o que era doce.
Pippa era meio limitada. Intelectualmente fraca. O que a levou a seguir o ciclo, em vez de quebrá-lo. Não chegou a fazer o que sua mãe fazia. Mas colocou na cabeça que queria ser indispensável para as pessoas. Sem aptidão profissional, só lhe restava ser uma dona de casa nota mil.
Conhece Herb (Alan Arkin), um escritor, e trinta anos mais velho. Ele estava casado com Gigi (Monica Bellucci). Mas Herb foi se apaixonando perdidamente por Pippa. Até que por um acontecimento trágico… Pippa que antes gostava de ser o centro das atenções dele, é levada a ser esposa dele. Conseguindo ai mostrar o seu valor como dona de casa, mãe, e esposa exemplar. Deixando a si mesmo de fora desse pacote. No final… bem, é como se trocasse da casa: trocando uma fixa por uma móvel.
Herb até tenta lhe dá meios para que adquira muito mais cultura. Mas não era mesmo a praia de Pippa.
De volta ao seu presente… Pippa descobre que tal qual a sua mãe, também tinha um segredo. Algo onde extravasava a sua frustração. Mas fazer um balanço do passado é bem mais fácil. Já do seu presente, não. E para confundir ainda mais suas emoções, descobre que seu marido a está traindo com sua melhor amiga, Sandra (Winona Ryder). Bem mais jovem que ambos. Ela é casada com Sam (Mike Binder). Este nutre uma paixão por Pippa. Até por achá-la a esposa que todo homem deveria ter. Talvez, por destratar, humilhar publicamente a esposa, é que Sandra quis dar-lhe um troco. Mas por também se sentir por baixo, encontra no amigo Herb a sua tábua de salvação.
Eis que surge um não tão jovem meio rebelde no caminho de Pippa. Ele é Chris (Keanu Reeves). Que após uma separação, volta à casa paterna. Esses, vizinhos de Pippa. A mãe de Chris, é mais uma dona de casa a se preocupar mais com o que os outros irão dizer, do que consigo própria. Chris, é daqueles cara sem a menor aspiração profissional. Mas não que isso lhe pese tanto. O que o leva a tentar afastar-se das que seguem essa cartilha.
Pippa, inconscientemente, tenta ver nessa relação o porque de sua filha menosprezá-la. Grace (Zoe Kazan) se ligou mais ao pai. Pippa novamente, busca por uma causa, pegando um atalho que a leva para longe. Até que dessa vez, o destino deu uma mãozinha… Embora uma cena curtinha, mãe e filha se entendem.
Após repassar toda a sua vida a limpo… Pippa vai viver, vivenciar algo que não vivera no passado. Por ter-se ligado logo a um homem bem mais velho. Em busca de uma adolescência/juventude tardia. Errada, não estava. Até porque carreira profissional nunca fizeram mesmo parte do seu ideal de vida. Ambos, Chris e ela curtiam essa vida… mediana.
Como falei no início, com menos uns 20 minutos de filme, ficaria melhor. Se chegou até esse trecho, e se interessou pela história, assista. Mas se tiver um outro que queira muito ver, ou rever, nem pense duas vezes. Esse aqui, seria um que já poderia ter ido logo para a tv. É um filme mediano. E confessando que fiquei pensando porque a Julianne Moore aceitou fazer esse filme.
Por: Valéria Miguez (LELLA).
A Vida Íntima de Pippa Lee (The Private Lives of Pippa Lee). 2009. EUA. Direção e Roteiro: Rebecca Miller. Gênero: Drama. Duração: 93 minutos.






Nossa, gostei muito do seu texto e, apesar de vc classificá-lo como mediano, quero muito assistir esse filme. Continuo com boas expectativas.
Bjs Lella
Ok! Depois nos conte o que achou.
Vou ver o novo com a Meryl Streep – ‘Julie & Julia’.
Beijos Rei!
Oi minha querida!
Hehehe, eu já não me fiz de rogada, pus o sono em dia vendo este filme, ou melhor dizendo, não vendo.
Concordo que uma boa tesourada na edição viria bem a calhar. É aquele tipo de filme que somos seduzidos pelo elenco e ao terminar ficou a sensação de que não precisava ter sido feito. Ele ocupa espaço de outros!
Vim pra deixar os meus votos…
Desejo a vc e familiares um ótimo Natal e um Ano Novo abençoado com muita saúde, bons amigos e realizações!
Um abraço do seu tamanho beeeem apertado.
Oi sumida!
Um Feliz Natal pra vocês!
Sobre um filme, acho que descontei nele minha fase “cuidando da casa sozinha”
no final do dia, fico um caco.
Beijão,