Atividade Paranormal

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Um trailer pode ser o princípio de um bom filme. Ou pode significar a sua total ruína…

Um trailer bem caprichado, com alguns momentos tensos do filme, temperados com diálogos que nos fazem criar expectativas de um clímax para a trama sempre chama atenção e nos leva aos cinemas para assistir o tal filme. O grande problema é que o trailer virou uma forma de picaretagem sem tamanho. Exemplos não faltam e infelizmente esse foi mais um caso.

O trailer do novo fenômeno mundial, Atividade Paranormal, é cabuloso, tenso, assustador e que querendo ou não nos atiça a ver. A premissa não das novas, rendeu bons exemplos como A Bruxa de Blair e o espanhol [REC], só que também belas babaquices como Quarentena e Holocausto Canibal (seu primeiro exemplo). Uma câmera na mão e toda a ação acontecendo em volta. Tudo para parecer o mais natural possível e nos convencer que tudo aquilo é real.

Só que o que há de bom no filme (me refiro às cenas mais assustadoras e só!) está no trailer. O resto é totalmente dispensável e compromete o filme.

Com o custo de 15 mil dólares, filmado na casa do próprio diretor (o novato Oren Peli), e que já arrecadou no mundo o suficiente para fazer uns 10 desse e já considerado o filme mais lucrativo da história (posto anteriormente ocupado por A Bruxa de Blair), Atividade Paranormal começa pretensioso demais pro meu gosto, agradecendo aos familiares e à polícia por fornecerem as imagens.

Fato um, existem dois finais diferentes: o da versão pra download e a versão do cinema, final esse alterado por sugestão de ninguém menos que Steven Spielberg. Como pode esta merda ser real?

Um casal feliz, Micah (Micah Sloat) e Katie (Katie Featherstone), ele um compositor e ela estudante de línguas, uma casa grande e confortável, mas, atentem para o seguinte: eles vivem na casa dele e há um quarto para crianças todo montado com urso de pelúcia e tudo mais, só que para ninguém! Eles em alguns minutos já dão toda a charada do filme: irão filmar as tais atividades paranormais que acontecem na casa. Chamam um tal “Paranormal” que lhes dá informações de que pode ser um demônio quem atormenta a casa, e aconselha o casal a chamar um “Demonologista” para dar cabo da criatura.Fato dois: como um filme desse quer ser levado a sério?

O começo é pura encheção de lingüiça, o casal brincando de ser documentaristas, banhos de piscina, assistem aos pequenos fenômenos que captam e tudo mais. Só que tudo começa a ficar mais sério. Ele consegue uma mesa Ouija, e tenta uma comunicação com a entidade que assombra sua casa. Ela é contra e força uma situação que, mesmo dando um medo da porra, chega a ser ofensiva. Depois vem a coragem do nosso protagonista.

Ele nos brinda com um show de hombridade gritando ’’…aah, esse é o melhor que você pode fazer?” ou ainda ”…aah você não é de nada!” e por aí vai. Ela fica na dela, sendo apenas a do contra em tudo, dizendo ”…amor, não vamos brincar com isso…” entre outras pseudos frases de efeito.

Fato três: o filme se enrosca nos próprios defeitos.

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Mas aí o tal demônio começa a se enfurecer e toca o maior terror na casa. As melhores cenas, claro, estão no fim, só que, depois de se enrolar tanto dentro dos próprios defeitos, o filme já não consegue mais criar o clímax que seu trailer sugeria. Resultado: muita coisa boa que o filme poderia render, vai por água abaixo. Só que até que não é de todo mau investimento. Algumas boas cenas de “acontecimentos” até rendem um frio na espinha, mas não passam disso, longe de causar o mesmo pânico do excelente A Bruxa de Blair. Fato quatro: tinha tudo pra ser um filmaço, mas não é.

O fim é o esperado. Prefiro o final da versão de download que a do cinema. É mais pé no chão, a do cinema é muito forçada, e estraga o filme que queria ser sério transformando-o numa diversão passageira. O da versão pra download é melhor, mais convincente, apesar de ser tão esperada quanto.

A tentativa frustrada de explicar a origem dos tais fenômenos é outra burrada, uma vez que no faz enxergar as falhas grotescas do roteiro que tenta ser natural. O roteiro podia ser algo mais elaborado e se ligar mais em manter um clima de tensão, ao invés de nos chatear com diálogos bobos e sem nexo sobre uma possível entidade demoníaca estar se divertindo na casa alheia.

O casal protagonista é apático e bem ruim. Não convencem em quase nenhum momento do filme, a não ser nas horas de desespero.

Mas convenhamos, nos momentos de desespero qualquer um convence, o problema está na hora de criar a tensão e o clímax, e eles como foco principal da trama (o foco não é a entidade que assusta eles, apesar de parecer isso) deveriam colocar isso em primeiro plano. Mas não o fazem e deixam o filme sem um ritmo mais digno de filme de terror. Depois vem o tal “paranormal”, que não serve de nada na trama, a não ser nos oferecer idéias sobre o passado da menina Katie.

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O trato visual, o som “caseiro” e as assustadoras situações a que são submetidos valem alguma coisa. Confesso que fiquei apreensivo em determinados momentos do filme, e isso era bom, eu estava sentindo medo com o filme, mas era só voltar aos defeitos citados acima, que as expectativas ruíam.

Atividade Paranormal por mais despretensioso que possa parecer, tinha qualidades para ser muito bom, render algo realmente interessante e que trouxesse alguma novidade, como seus similares. Mas infelizmente, por incompetência própria, fica no rol das bobagens.

Eu torcia por algo realmente bom, mas acabei decepcionado. Ainda bem que rende alguns sustos, e no final das contas, vale alguma coisa.

Nota: 3,5

Paranormal Activity, 2009 (EUA)

Direção: Oren Peli.
Atores: Katie Featherston , Micah Sloat , Mark Fredrichs , Ashley Palmer , Amber Armstrong.
Duração: 86 min

3 comentários em “Atividade Paranormal

  1. Eu gostei do filme, talvez por ter me feito lembrar de Bruxa de Blair, outro filme que gostei bastante também.

    Este é o tipo de filme que tem que entrar no clima, e ficar de “big Brother” mesmo, sem ter dispersões, ai sim, dá pra ficar bem apreensivo.

    Concordo com você sobre a tentativa do paranormal de explicar os efeitos. O lance de demônio tirou a seriedade do filme, já que não apareceu o tal “demonologista”, isso nem deveria ter citado.

    Ainda não vi a versão do Download, mas eu tb faria um final diferente do que vi no cinema. Da para assustar na sena, mas eu daria continuidade, matando a moça também.

    Como disse antes, o filme tem suas falhas, com os diálogos fracos e a insistência do rapaz em provocar o ser sobrenatural sem demonstrar medo, mas me agradou bastante.

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