Avatar

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Um detalhe bastante focado durante as quase 3 horas de duração de Avatar, é a divindade que protege os nativos e a vida no rico planeta Pandora. Como essa divindade não toma forma durante o filme, podemos sugerir que se trata de um canadense de 55 anos, egocêntrico e megalomaníaco. James Cameron não possui uma filmografia extensa, mas dentre 9 filmes, uns 80% serem considerados filmes importantes para o cinema, é motivo o bastante para defendê-lo, mesmo se achando o rei da cocada preta.

Muito pretensioso e cheio de vontade de uma vez por todas carimbar pra sempre seu
nome no rol dos grandes do cinema, ele desde Aliens o Resgate (1986) (onde ganhou não só mais dinheiro pra fazer um filme, como também a confiança dos produtores da FOX, já que vinha do incrível O Exterminador do Futuro), quando inseriu efeitos especiais embasbacantes e criou momentos de tensão e ação como nenhum outro.
Fez blockbusters de todas as espécies, desde histórias no fundo do mar à super espiões com problemas conjugais, até atingir o ápice de sua carreira até então: Titanic.

Mas antes de Titanic surpreender o mundo, ele tinha começado um projeto muito pessoal, mas que na época, devido a falta de tecnologia, não poderia ser realizado. Depois do sucesso arrasador da sua aventura nos mares, ele se dedicou a desenvolver a tecnologia necessária pra levar seu projeto adiante. Mas após assistir O Senhos dos Anéis e ver o personagem Gollum ganhando vida, ele pensou ”…está na hora”.

Mas ele não queria apenas captar os movimentos e unir ao filme convencional. Ele queria uma experiência verdadeiramente única, levar o 3D a um patamar diferente, levar o 3D a ser algo realmente próximo da realidade. Ele queria revolucionar o cinema. Motivo de piada por cinéfilos mais ortodoxos e tendo seu filme ameaçado por se tratar de algo muito ambicioso, ele na surdina preparou a coisa toda. Foram 2 anos apenas para ter os movimentos dos atores captados, fora o processo de pós produção, e o resultado desse árduo trabalho é deslumbrante.

Muito artístico, muito bem trabalhado, muito bem detalhado. Ver Pandora “viva” é algo que vai ficar na cabeça por muito tempo. Aos desavisados, pode parecer uma locação aqui pela Amazônia ou qualquer outra floresta tropical do mundo. Mas não é. É impressionante ver que tudo aquilo é criado por computador, e criado de uma maneira que nos leva a ver que a magia do cinema, não morreu. Por mais que existam Rollands Emmerichs e Michaels Bays da vida, existe um James Cameron pra nos mostrar que o cinema ainda e sempre realizará experiências que nos atiçarão a descobrir mundos novos e aguçar a nossa imaginação. Algo que só o cinema pode proporcionar.

Só que infelizmente as novidades terminam aí.

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Por mais megalomaníaco, egocêntrico, grande diretor e tudo mais, James Cameron se acha no direito de errar em detalhes menores, mas que fazem uma grande diferença no resultado final. Senhor Cameron, errar é humano, e isso não lhe faz um Deus.

Por mais que o filme seja riquíssimo em detalhes, riquíssimo em cores, perfeição e beleza, ele é pobre em um texto que esteja a altura do grande trabalho que o filme é. Cameron em seus filmes define antes de tudo quem é quem: mocinho, vilão, personagem avulso, essas coisas. Depois delimita bem o que será a história, mostrando qual caminho vai seguir e preparando o espectador para o que ele quer mostrar. A impressão que fica é “Já vi esse filme antes”, e já viu mesmo.

O modelo é clássico, sem muitas alterações. Durante a projeção fiz links com vários outros exemplos de filmes que possuem uma premissa muito parecida, como por exemplo Pocahontas e Dança com Lobos, e é impossível não enxergar situações em outros filmes. Quanto a isso, o que poderia ser o melhor e maior trabalho do Cameron, perde um pouco do brilho. Se não fosse pelo planeta onde tudo acontece, o filme infelizmente seria mais do mesmo.

Mas mesmo com os defeitos acima, não o é.

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O irmão gêmeo de Jake Sully (Sam Worthington) é um gênio da ciência e morreu pouco antes de ir para Pandora estudar a vida por lá e fazer parte do projeto Avatar. Jake então é convidado pelos acionistas de uma mineradora que procura um metal muito valioso por lá, para ir no lugar do irmão e assumir o corpo Avatar que seria dele. O problema é que Jake está preso a uma cadeira de rodas. Depois de pouco mais de 5 anos viajando, chega ao planeta que foi invadido covardemente pelos humanos. Como diz o coronel, “Um dia em Pandora que vão querer estar no inferno só para descansar”.

Lá ele conhece a Dra. Grace (Sigourney Weaver), que chefia as pesquisas sobre a vida nativa do planeta, e tem feito descobertas valiosas sobre os nativos Na’Vi, extraterrestres com 3 metros de altura que possuem uma ligação muito forte com a sua terra. Mas também conhece Parker Selfridge (Giovanni Ribisi ), um inescrupuloso que comanda toda a logística da operação, que planeja uma “retirada diplomática” dos Na’Vi de um lugar sagrado para eles. Parker conta com a ajuda do Coronel Miles Quaritch (Stephen Lang), que comanda o pessoal militar, responsável por obrigar essa retirada diplomática.

Parker
e Quaritch vêem em Jake a solução de seus problemas, e utilizam o projeto Avatar ao seu favor. O projeto Avatar consiste em passar a mente de um humano para um corpo sintético que suporta viver em Pandora, já que seu ar é mortal aos humanos. Os Avatares imitam com perfeição os Na’Vi, facilitando a sobrevivência no planeta. Jake recebe a tarefa de em 3 meses conquistar a confiança dos nativos e convencê-los a se retirarem do lugar sagrado, onde por sinal encontra-se a maior jazida do minério que tanto buscam.

O problema é que Jake acaba se envolvendo demais com os nativos, com direito a amor proibido e tudo mais, e precisa escolher, em que lado ele vai lutar.

Venhamos e convenhamos, o roteiro é pobre. Mas contrasta com a riqueza visual de Pandora. Avatar acerta em muita coisa, mas é nos menores e mais importantes detalhes que se afunda.

O roteiro em si, não é muito elaborado. Atolado de clichês e um enredo já batido, ainda assim consegue envolver o espectador e causar uma verossimilhança tremenda com o nosso mundo.

Já começando desconcertando as coisas, transformando o homem em ET, o filme nos coloca como dominadores de um mundo sem defesa. Os nativos lembram muito os indígenas que morreram aos montes em várias partes do mundo onde o imperialismo reinou e ainda a guerra ao terror dos Estados Unidos, sendo sutilmente criticada, mas no fim, lembra muito a guerra do Vietnã, onde venceu quem conhecia o terreno, e não quem tinha as melhores armas.

Tudo isso conta como ponto a favor da trama, mas não esconde furos tremendos, tampouco a falta de cuidado em criar diálogos que de nada acrescentam ao filme. Sem profundidade nenhuma e sendo raso em boa parte da história, por mim é considerado o maior defeito do filme. E digo mais, é o único defeito do filme.

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Saindo dessa parte, o que realmente vale a pena mesmo é o que por trás da história e diga-se de passagem, é o grande atrativo do filme. O tempo levado para desenvolver a tecnologia e o árduo trabalho por trás de tudo isso, foi recompensado com uma criação inigualável, de um mundo que só mesmo o cinema poderia proporcionar. Por conta disso, Avatar é um grande colosso cinematográfico, grandioso em tudo e épico desde já.

Filmado para ser a revolução 3D e adicionada ao novo xodó do cinema, o formato IMAX, o filme é de um apuro técnico invejado, os Na’Vi e todas as criaturas vivas de Pandora não parecem ser meros efeitos de computador, mas sim seres vivos, detalhadamente construídos.

Atentem para os detalhes nos olhos, eles ganham vida! Atentem para veias e as covinhas nos cantos das bocas, principalmente da Avatar da Sigourney Weaver, as expressões são incrivelmente idênticas as da atriz. O mesmo pode se dizer de Sam Worthington e Zoe Saldana (que interpreta Neytiri, a nativa que roubao coração de Jake Sully).

Durante a captura dos movimentos, quando os atores vestiam aquelas roupas com pequenos pontos que captavam os movimentos de seus corpos, micro câmeras filmavam seus rostos ao mesmo tempo, e depois as imagens gravadas eram manipuladas por computador e geraram um efeito onde o realismo é de uma perfeição que chega a emocionar. E o mesmo acontece com os animais e plantes que habitam Pandora. O olhar é o espelho da alma, e neste filme, todos no filme transparecem suas almas, sejam humanos, sejam Na’Vi, sejam animais voadores que parecem helicópteros do DaVinci.

A fauna e flora do planeta é algo esplendoroso. Não só a vida do planeta mas outros detalhes como água de rios e até as improváveis, porém realistas montanhas suspensas, são de uma beleza ímpar. Eu achava que Peter Jackson havia alcançado esse efeito com os cenários virtuais de King Kong, mas Avatar abocanhou esse posto muito merecidamente.

O chato é que nem todos terão acesso a essa “revolução”. Nem todo cinema possui IMAX, nem todo cinema é 3D. Mas mesmo em 2D é possível notar a beleza do trabalho praticamente artesanal do filme. Foram cerca de 1000 pessoas envolvidas. O resultado é fantástico.

A parte de som beira a perfeição. Foi algo que realmente nos inseriu dentro da proposta do filme, não apenas barulho, mas sons que nos fazem ir até Pandora e lá ficar inerte por muito tempo. A lindaça fotografia é outro ponto forte. Mesmo o filme sendo digital em boa parte, é quase impossível distinguir o que é real e o que é criado em computador. Esse fato que James Cameron atinge, é certamente uma das coisas mais próximas a realidade que um filme poderia chegar.

A trilha não é de muito relevante, infelizmente.
O grande parceiro do Cameron, James Horner, entrega uma trilha pobre, e em muitos pontos parecidas com outros trabalhos dele, sendo o mais gritante Titanic. Sem contar a música tema do filme, que mesmo sendo boa de se ouvir, acaba lembrando muito My Heart Will Go On.

Mas creio que infelizmente, James Cameron irá viver sempre na sombra do que Titanic representou não só para a sua carreira, mas também para a cultura pop. E por falar nele, aqui ele prova mais uma vez ser um grande diretor de cenas de ação. Mas também, cria momentos lindos, que garantem a sua grandiosidade e consolidam a tal revolução no modo de fazer cinema que ele tanto quer. Cito por exemplo a cena em que Neytiri carrega no colo Jake Sully em forma humana. O toque que Jake dá no rosto dela é de arrepiar. Cameron capta com muita competência tudo isso. A edição, que ele assina também, é outro componente a favor, já que deixa tudo mais claro, e não aquele retalho de cortes que Michael Bay faz em seus filmes. As cenas de ação são intensas e empolgantes, garantindo a diversão que o filme propõe.

E foi com isso que o filme me conquistou. Não precisou ser um primor no roteiro, mas sendo algo que está ali pra divertir e oferecer sensações que nenhum outro filme conseguiu recentemente, já vale a consideração. Foi como se eu estivesse assistindo a O Mágico de Oz com 6 anos de novo. Completamente hipnotizado pelo filme. O efeito foi o mesmo. Entrar em Pandora foi como visitar o mundo de Oz mais uma vez, só que agora em outra conotação.

É com toda a segurança do mundo que admito: James Cameron conseguiu mais uma vez, queiram ou não.

Claro que ele poderia ter trabalhado num roteiro mais elaborado e sem tantos erros, o que certamente transformaria Avatar numa grande obra prima. Mas lembrem-se, roteiro nunca foi o forte do Cameron. Então sente-se e sinta Pandora. A experiência é ímpar.

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Nota: 9,0 (poderia ser 10, mas Cameron derrapou no roteiro!).

Avatar, 2009

Direção: James Cameron.
Atores: Sam Worthington, Zoe Saldana, Sigourney Weaver, Lola Herrera, Joel David Moore, Giovanni Ribisi, Michelle Rodriguez, Stephen Lang, Wes Studi, CCH Pounder, Laz Alonso, Dileep Rao, Matt Gerald, Sean Anthony Moran, Scott Lawrence.
Duração: 162 min.

2 comentários em “Avatar

  1. Na verdade acho que vale 10.
    Não acho que ele tenha derrapado no roteiro, nem que houve falhas. Achei o filme, apesar das cenas de guerra e violência, muito sensível com toda a questão mágica da floresta e dos cenários fascinantes… só alguém sensível faria algo assim.
    Se eu comparasse os últimos filmes de Harry Potter, por exemplo, que são grandiosos e cheios de efeitos especiais, eles, infelizmente, deixam a desejar com o pouco tempo disponível pra tanta informação o que torna o filme cheio de falhas e muito “rápido”, sem tempo pra gente acompanhar.
    O contrário acontece em Avatar, na minha opinião. O filme é cheio de informação, as vezes meio cansativo, mas consegue uni-la como fios de um tecido bem trançado, coeso.

    Opinião é opinião, cada um tem a sua.
    Como diz sabiamente minha mãe: tudo é questão de interpretação, cada um interpreta de uma forma, e as formas são múltiplas…

    é isso aí
    Um abraço!

    And Happy New Year!!

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