A nova produção original da HBO é um assombro sob muitos aspectos. Recontagem (Recount EUA 2008) telefilme que se propõe a esmiuçar os bastidores do conturbado período que sucedeu a eleição presidencial de 2000 e que tomou o mundo inteiro pela apreensão e incerteza acerca do destino da democracia mais pujante do planeta é em primeira estância, um filme apartidário. Pelo menos até sua cena final.
Em Recontagem, acompanhamos em um ritmo acelerado – tanto quanto o desdobramento imprevisível dos eventos retratados – o desenrolar da batalha politica e jurídica entre os comitês de Al Gore e George Bush pela presidência da república. A fita expõe em minúcias, nem sempre lisonjeiras, os tramites que conduziram Bush ao poder.
A riqueza da produção dirigida por Jay Roach, que assumiu a vaga de Sidney Pollack que se afastara do cargo em virtude de seu já debilitado estado de saúde, é justamente o insight tenaz que oferece a esse episódio notório e ainda por muitos incompreendido. Pautando-se pela veracidade dos fatos, Recontagem abrilhanta o trabalho dos homens de bastidores da politica, geralmente desconhecidos do grande público. Existem, é verdade, insinuações. Mas elas nunca são defendidas pelo filme, são inseridas no contexto da história e relegadas á importância devida.
Com elenco afinado, capitaneado por um cativante Kevin Spacey, por um excelente Tom Wilkinson e por um Dennis Leary roubador de cenas, o filme rende também como um eficiente thiller, embora o desfecho da história seja notório. Outro mérito da direção de Roach. Se há um porém, é o desnecessário tom jocoso do final. O julgamento que a história, inevitavelmente impetraria ao 43º presidente dos EUA, como todos sabemos, Bush, não precisava ser antecipado de forma tão prosaica por Roach. Não chega a estragar o resultado. Recontagem é entretenimento de primeira classe. Mas certamente data o filme. Além de lhe vestir a incômoda carapuça da desonestidade. Afinal, o filme hesita, ou faz que hesita, em posicionar-se em relação ao conflito dramatizado, para no final fazer um comentário que em nada o ajuda enquanto dramaturgia, mas lhe convém enquanto veículo liberal.
Por Reinaldo Matheus Glioche. Blog: Claquete Cultural.






Em ‘Uma Verdade Inconveniente’, eu senti falta do Al Gore ter se aprofundado mais nessa recontagem na Flórida.
Os Estados Unidos devem, ao mundo, essa verdade.
Adoro o Kevin Spacey!
Vou querer ver esse filme.
sou poeta, me ajudem a publicar meu primeiro livro