I love his cinema italiano # NINE_o filme

Por: Sam Shiraishi.
Outro dia tive meu début em cabines de imprensa para petit comité. No espaço de cinema que a Sony mantém em Sampa pude vivenciar a sensação de ver um filme em primeira mão numa daquelas salas pequenas de cinema onde se reunem diretor, parte do elenco e executivos para avaliar o filme antes da estreia. Claro que não era uma avaliação, mas foi mais intimista e especial, diferente de outras cabines de imprensa (sessões especiais para jornalistas) às quais tinha comparecido em cinemas paulistanos. E o filme em questão se passava nos bastidores do cinema: Nine, de Rob Marshall (diretor de Chicago), no qual Daniel Day Lewis interpreta um diretor de cinema. À sua volta, nove mulheres inclassificáveis dançam e cantam neste filme que na verdade é uma homenagem ao cinema italiano do meio do século XX. Para cinéfilos, eu diria, e, acima disso, para quem gosta de musicais.

Imagens de divulgação do filme como esta acima dão a impressão equivocada de ser quase um filme erótico, mas não é. Classifico-o mais como um drama masculino, a busca de si mesmo pela qual passam muitos homens na meia-idade.

Imagens como esta (e a frase da personagem de Penélope Cruz, "I'll wait for you with my legs open") dão a impressão de que se trata de um filme com grande apelo erótico, mas eu o classificaria como um drama retratando a busca do homem que chega na meia-idade por uma identidade há muito perdida.

A chance de ouvir o elenco cantar músicas inusitadas (em performances memoráveis, como a de Kate Hudson) vale o ingresso

Tem a amante insandecida Carla (Penélope Cruz), a esposa dedicada Luisa (Marion Cotillard, cujo personagem me pareceu uma homenagem à Grace Kelly e Audrey Hepburn), a musa Claudia (Nicole Kidman, no papel de uma atriz de sucesso), a figurinista e confidente Lilli (Judi Dench, cuja caracterização me lembrou a Edna Mode, de Os Incríveis! risos), a repórter sedutora e esfuziante da Vogue (Kate Hudson, encarnando a jornalista estadunidense da década de 1960, em busca de sucesso e aventuras), a prostituta que mudou sua infância (Stacy Ferguson, a Fergie). Acima delas, em todas elas, em nenhuma delas está a figura da mãe, vivida pela belíssima Sophia Loren, a verdadeira inspiração, fantasma e motivadora da vida do diretor de cinema Guido Contini (Daniel Day Lewis).

Baseado no filme Oito e meio, de Frederico Fellini, Nine mostra o mundo cinematográfico, desnudando-o de seu glamour e glória, na metáfora da busca de Guido por inspiração e uma possível salvação em meio à queda livre. No entanto estão lá duas coisas que não são facilmente digeríveis no cinema: a tragédia humana, o fundo do poço antes da busca da redenção, e o musical, gênero pouco popular nos dias de hoje. Mas quem for conferir, ganhará com interpretações inusitadas (nem todas, Nicole Kidman e Penélope Cruz parecem representar o mesmo papel no qual estão consagradas) e com a sensação de participar de parte da criação cinematográfica.

Por: Sam Shiraishi (aka @samegui). Jornalista e blogueira responsável pelo A vida como a vida quer e diversos outros projetos de mídia online.

Decálogo IV, de Kieslowski

Os Dez Mandamentos – Versão resumida – Velho Testamento – Êxodo 20.

1. Não terás outros deuses diante de mim.
2. Não farás para ti imagem de escultura, não te curvarás a elas, nem as servirás.
3. Não pronunciarás o nome do Senhor teu Deus em vão.
4. Lembra-te do dia do sábado para o santificar. Seis dias trabalharás, mas o sétimo dia é o sábado do seu Senhor teu Deus, não farás nenhuma obra.
5. Honra o teu pai e tua mãe.
6. Não matarás.
7. Não adulterarás.
8. Não furtarás.
9. Não dirás falso testemunho, não mentirás.
10. Não cobiçarás a mulher do próximo, nem a sua casa e seus bens.

DEUS

“Ninguém pode viver nossa vida por nós.
Se há algo que eu quero é paz.”
Kieslowski

Decálogo IV  -  Kieslowski

Quem já não viu um filme que envolva carta? São tantos, não? De amor, de escárnio, de conteúdos diversos… é o fetiche máximo do melodrama. Em Lolita de Stanley Kubrick, carta de Charlotte endereçada ao amado; Ligações Perigosas de Stephen Frears a carta ocupa lugar privilegiado, como também em Nunca te vi… Sempre te Amei de David Hugh Jones; Disque M para Matar de Alfred Hitchcock; Cartas de Iwo Jima de Clint Eastwood; Rastros de Ódio de John Ford; em Casablanca é uma quase carta; na verdade trata-se de um bilhete de conteúdo significativo e como este último tornou-se um cult, achei interessante destacar o de Isa para Rick. E a finalidade quase sempre é a mesma: é usada como pretexto para o desenrolar das ações e dos diálogos.

“Richard, não posso te acompanhar ou te ver outra vez. Não pergunte o porquê. Apenas acredite que eu te amo. Vá, meu querido, e Deus te abençoe. Isa”.

Umas das histórias mais tocantes da telona que eu me lembro e que a protagonista é uma Carta é exatamente aquela que não vi. Como é possível? Parece loucura, mas é isso mesmo. Trata-se de um dos filmes do DECÁLOGO de Kieslowski que eu batizei de A CARTA. Vira e mexe, me lembro desse filme. A minha irmã foi que me contou, e sempre tive a sensação de tê-lo assistido, lembranças de algumas cenas de certos detalhes, as sutilezas nos gestos, olhares, e não sei por que, na época,  ao ouvir tive uma sensação desagradável, que me deixou agoniada e triste.

Anos depois é que assisti ao belo filme, (em janeiro de 2010, no CCBB- Rio) e para minha surpresa, é como se estivesse revendo.

O Decálogo é uma adaptação livre de Os Dez Mandamentos do Antigo Testamento da Bíblia. Kieslowski realizou na década de oitenta para a televisão Polonesa e cada um deles com o tempo de 55 minutos, transformando, pouco depois os dois primeiros em longametragens:  o Não Amarás e o  Não Matarás.

São histórias dos tempos modernos, mostrando que desde que o mundo é mundo quase nada mudou, que o homem continua o mesmo: invejoso, ambicioso, mentiroso, egoísta e toda espécie de fragilidade no que tange “a moral e bons costumes’.

Os episódios são independentes, e  foram realizados em Varsóvia, num conjunto habitacional – lugar-comum para todos eles. Há  um personagem misterioso que entra mudo e sai calado, que aparece transitando em cada história apresentada. Se você ainda não assistiu, preste atenção para saber quem é ele. Se já assistiu é forçar a memória. Neste 4 episódio é o homem que carrega uma canoa nas costas e ao passar por Anka a encara quando ela tenta em uma das vezes abrir a carta, o que a faz desistir. Isso daria margem a um novo roteiro.  Às vezes de uma frase se cria um conto, uma poesia, uma novela. Veio-me essa ideia… viajo… Kieslowski explica: Seria uma espécie de anjo. Parece querer dizer “Faça a coisa certa.”

A Carta como eu a denominei trata-se do DECÁLOGO 4 – HONRAR O NOME DO TEU PAI E DE TUA MÃE. Kieslowski é bem didático, deixando claro a intenção da mensagem que se quer passar, daquilo que a pessoa faz, independente de certo ou errado, sofrerá a devida consequência; é metódico, tratando cuidadosamente questões éticas, morais e religiosas a cada respectivo mandamento, à maneira dele de interpretar e de  fazer a leitura do mundo.

Honrar o Nome do Teu Pai e de Tua mãe – É a história de Anka, uma jovem de vinte anos. A mãe morreu quando ela apenas tinha alguns dias de vida e passou a viver com o pai, Michel que a criou sozinho. Um dia ele viaja, e enquanto está fora a filha encontra em seu quarto um envelope escrito com a letra do pai: “Não abrir antes da minha morte”. Dentro, um outro envelope endereçado, com a letra de sua mãe, para ela. Anka é uma estudante de teatro, com um professor que marca em cima, só podia mesmo levar jeito para a coisa e ter talento de sobra para dar e vender. Como toda garota de sua idade, tem namorado, e confessa que já fizera um aborto (isso para justificar ao pai que toda mulher sabe que é mãe e quem é o pai;  enquanto que  e o homem nunca tem essa certeza).

Excelente atriz. Revela ao pai que encontrou a tal carta  enquanto ele estava viajando e  mentiu-lhe que leu. Imaginou o conteúdo, decorou e contou a ele que acreditou. Na verdade ela escreveu uma outra com tudo o que imaginara. Um devaneio. Vinte anos se passaram  e nenhum dos dois leu a bendita Carta.

Envolve outros mistérios e segredos da alma. Amor velado e não revelado; sentimentos não vividos por medo. O que me deixou agoniada, na verdade foi não saber o conteúdo da mesma. Curiosidade mórbida essa do expectador, mas claro, fiquei intrigada. Não se tem acesso como os outros exemplos que citados no início. Lembra o filme russo O RETORNO –   uma caixinha e o segredo de seu conteúdo revelado apenas ao fundo do mar.

A intenção  era não revelar o mistério. Havia uma desconfiança de adultério no  ar. E desde então a incerteza povoa a mente do viúvo: “É a minha filha ou não?” E de Anka que amava aquele homem não como pai: “É ou não meu pai?” Sem resposta, sem certeza, gostavam-se através de gestos e insinuações. Um pedaço de papel pode fazer um estrago enorme na vida das pessoas. Resolveram queimar. Um mistério que virou cinza.

Tudo poderia ser diferente se eles a tivessem lido.  Mas aí não haveria roteiro, não teria filme, esta história não existiria…

São tantas coisas que se deixa para trás…cartas que não são lidas ou que não se escreve, palavras que não são ditas, sentimentos que não se vive, desculpas que não pedimos…Tem coisa que é melhor mesmo não se saber. Nunca.

Karenina Rostov

Amor Sem Escalas (Up In The Air)

O Diretor, e também Roteirista, Jason Reitman continua numa subida rumo ao topo dos Grandes Diretores da História do Cinema. Veio com ‘Obrigado Por Fumar‘, depois ‘Juno‘, nos brindando agora com ‘Up In The Air’. Os três filmes são ótimos! Até por trazerem críticas mordazes da sociedade atual. Por vezes, metendo o dedo na ferida. E que para mim, do melhor jeito: com um humor refinado.

O título dado no Brasil – Amor Sem Escalas -, foi péssimo. Até por deixar a impressão que se trata de uma Comédia Romântica. Mas não é! Tem Romance. Tem Comédia. Tem Drama. Mas tudo dentro do contexto.

O filme fala de escolhas.

De expectativas por elas. De ter a certeza de que fora a opção certa. Mas será que se tem de fato essa certeza? Mais! Quando o planejado não dá certo, o que fazer? Ficar, ou pegar outra rota? Ou até, ficar, mas tendo uma rota paralela, como válvula de escape?

Uma dessas escolhas, estaria em viver, morar sozinho.

Mesmo tendo família, há de se pesar o quanto vale a pena construir mais uma. Dando seguimento ao nome? Seria esse um forte motivo? Não teria outra forma de perpetuar seu sobrenome? Constituir uma nova família seria por opção, ou uma meta? Ou, porque é assim que tem que ser? Algo já estipulado pela sociedade. O ‘E foram felizes para sempre‘ existe de fato?

Enfim, o filme nos leva a várias reflexões, inclusive quanto ao significado do título original: Up In The Air. Para mim, seria algo como: ‘O céu é o limite!‘ Pelo fato do protagonista ter em mente uma meta… Mas também porque viver nas nuvens, o mantém em repouso para as suas tarefas mundanas. Ah! De vez em quando é muito bom a sensação de ‘Estar nas nuvens!‘ E qual seria o seu significado para o título original desse filme?

Ele é o personagem de George Clooney, Ryan Bingham. Que optou por viver sozinho. Ele tem no seu passado, algo que, se não justifica, pelo menos explica o porque de não querer criar raízes. Ele até tem duas irmãs, mas se não fosse por uma, mal saberia delas. Aliás, nem acompanhou o crescimento da irmã caçula. Voltando a vê-la ás vésperas do seu casamento. O que irá render ótimas cenas com o seu provável cunhado. Tudo por conta da sua feliz solteirice.

Ryan até tem um apartamento. Mas tem como lar, os aeroportos, os vôos, os hotéis onde se hospeda, os bares e restaurantes onde bebe seus drinks e faz sua refeições… Seu ‘Lar’ de fato cabe todo numa mala. Ali carrega os seus itens essenciais. E mais, que em nada atravancam sua rotina de vida. Mesmo viajando dentro do país, às revistas nos check-in, tendo muita bagagem lhe tomaria muito tempo. Aliás, as cenas nos aeroportos são divertidíssimas! Se para alguns, parecerão preconceituosas… o fato é que para quem viaja muito, e gosta de observar, tenderá a concordar com algumas. E no caso de Ryan, é fator primordial. Também no quesito: ganhar tempo. Ou melhor, em não desperdiçar tempo.

Por sua fidelidade numa certa companhia aérea, por suas milhas já conquistadas, ele consegue caminho livre – sem esperas em filas -, nos aeroportos, como também nas empresas conveniadas. Mas a sua grande meta, é entrar para um clube muito mais seleto ainda. E isso só conseguirá ao ultrapassar aos 10 milhões de milhas em vôos. Ai sim, ele ficará nas nuvens.

Acontece que, aparece alguém para atrapalhar seus planos de ‘vôos’. Seu chefe, Craig (Jason Bateman), compra a ideia de uma novata na empresa. A jovem Natalie (Anna Kendrick). Como todos recém formados, ela também acredita ter a ideia original. Natalie tem na internet a grande deixa para alavancar a firma. Como nessas fórmulas sempre constam corte nas despesas, os chefes acabam cedendo. Internet… Quem com ferro fere, com ferro será ferido

Ryan a põe em xeque diante do seu projeto. Inexperiente, e por conta do vacilo dela, Craig encarrega Ryan de ensinar-lhe como agir ante uma situação limítrofe. Embora aborrecido por ter que levá-la junto em suas viagens de trabalho, ele concorda. Pois com isso ganhará um tempo maior para alcançar o tão sonhado Cartão.

É nem só dinheiro que se transformou um cartão. Hoje, até um título de elite, também o é. Seria o cartão magnético o tapete voador das Mil e Uma Noites? Bem, como já bem disse o slogan de um… certos prazeres na vida, não tem preço.

Natalie ganha sua primeira aula no aeroporto. Pois se vai ter que viajar com ele, terá que se adequar. Tralhas demais, com o Ryan, nem pensar. Servindo de lições até para nós. Confesso que exagero um pouco no que coloco na mala. Numa de: posso precisar. Agora, aquela mala da Natalie, nem em sonho carregaria. Precisam ver. Ou seria, ouvir!?

Depois, suas lições recebidas são para ver que os métodos até então empregados na firma, e no caso por Ryan, não é nada jurássico. E por que? Porque eles lidam com um material humano, e num momento crítico. Tudo porque o que fazem é demitir pessoas. Trabalhadores que não mais serão necessários nas firmas onde trabalham. Porque a firma de Craig é contratada para fazer esse serviço que, como disse Ryan – um Chefe não teve culhões para fazê-lo. Natalie também ficará sabendo que o know how adquirido em tantos anos de trabalho, não se aprende nos bancos escolares.

Ryan também dá Palestras. Mais que de simples motivação, para que vejam que ‘bagagem’ demais, ‘pesa’ muito. Que o essencial basta. Mas ao longo do filme, ele será testado involuntariamente para saber que, ou quais, itens essenciais que realmente contam, ou contarão dali para frente. Que lhe bastam nessa jornada chamada vida. E quem lhe porá em xeque, é a pentelhinha. Ops! É a Natalie.

Entre uma escala e outra, uma mulher num bar lhe chama a atenção. Por quase meditar sobre um cartão em sua mão. De cartões, Ryan entende. Bem, sendo uma cantada ou não, é preciso que a outra parte também esteja afim. E ela estava. Ela é Alex (Vera Farmiga). Pausa para dizer que deu química essa dobradinha: Clooney e Farmiga. Alex se mostra uma mulher independente, até em romances passageiros, sem o menor vínculo. O que conquista ainda mais Ryan. A ponto de convidá-la para o acompanhar ao casamento da irmã. Inteligente e elegante, Alex tem ciência de seu fascínio. Mas que também traz um mistério…

‘Up In The Air’ é quase um homem posta à prova. Por o filme ser desse personagem – Ryan Bingham. Com algumas mulheres meio que contribuindo para esse check-in interior. Se ele vai decolar, ou ficar de vez em solo. E é um grande convite de irmos junto com ele. Agora… Sabe aqueles filmes que não faz muita diferença em se ver na Telona (Cinema) ou na telinha da TV? Mesmo tendo gostado muito dele? Para mim, esse é mais um deles. Assim, em tempo de grana curta… A escolha será sua, se irá aguardar em vê-lo pelo DVD, ou correr para o cinema. Afinal, George Clooney é um deus do Olimpo.

O filme também traz participações de peso. Ponto para o Diretor, um quase desconhecido antes de ‘Obrigado por Fumar’, de 2005! Alguns, participaram de seus outros filmes, como por exemplo: J.K. Simmons e Sam Elliot. Mas também tem um outro coadjuvante que está bem vivo em nossa memória: Zach Galifianakis (‘Se Beber, Não Case‘).

A trilha sonora é outro ponto alto. Como as tomadas vista do alto. Então é isso, ‘Amor Sem Escalas’ é imperdível.

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Amor Sem Escalas (Up In The Air). 2009. EUA. Direção e Roteiro: Jason Reitman. +Cast. Gênero: Comédia, Drama, Romance. Duração: 109 minutos. Baseado em livro de Walter Kirn.
Curiosidade: Ganhou o Globo de Ouro 2010, de Roteiro.

Topo.

O Sombra (The Shadow)

Enfim, navegando pela net, encontrei o DVD a venda num ótimo preço.
Não entedi porque esse filme é dificil de ser encontrado para alugar ou comprar.
Ele mal passou pelo cinema, nao empolgou , pouco se comenta dele pelas locadoras ou mesmo entre as pessoas. No entanto acho uma das estórias em quadrinhos onde as ilustrações e enredo foram das mais felizes em adaptações para o cinema.

Alec Baldwin personificou o perfeito gentleman (Lamont Cranston) da virada do século 20 rico, bonito, influente,com um passado nebuloso e ainda com a mocinha apaixonada.
Lamont Craston, no passado foi um homem vil, ganancioso entorpecido de todas as formas: pelo vicio em droga, pelo poder, pela crueldade, que alem de tudo controlava a produção e trafico do ópio. Após mais um assassinato ele é arrancado de seu “castelo”, levado a um reino místico e lá é obrigado a se redimir perante o mundo senão teria castigo eterno por tudo de ruim que fez no passado.

O Sombra é negro como foi o passado. Mas é atraves dele que Lamont deverá defender a sociedade dos bandidos. O filme todo tem a iluminação entre o azul profunda até o negro, quebrados pelas cores etéreas da heróina interpretada por Penélope Ann Miller. Alias a presença dela é de matar a maioria das mulheres hoje de vergonha pela falta de elegancia e um algo a mais.

A mais dificil das missoes será combater o último descendente do grande Genghis Khan, que volta a terra e quer destruir tudo com a bomba atómica.

Para quem gosta de ver os DC comics na tela, recomedo

Diretor: Russell Mulcahy
Elenco: Alec Baldwin, John Lone, Penelope ann Miller
Produção: EUA, ação. 107 min. colorido
Universal

Alta Ansiedade (High Anxiety)

Em homenagem a Alfred Hichtcock, o filme de Mel Broks é uma comédia escrita e desenvolvida a partir de algumas cenas como Vertigo, Os pássaros, Janela Indiscreta.

Alías a janela é a abertura para que as crises de acrofobia, alta ansiedade , ataquem o médico psiquiatra, Dr. Richard H. Thorndyke (Mel Brooks) cada vez que ele precisa passar por alturas quer por voos, elevadores, janelas de prédios altos.

Como psiquiatra, ele é convidado a passar uns tempos numa clinica de reabilitação para ” investigar” algumas situações estranhas que acontecem por lá. Para o azar do médico, os crápulas que estão sabotando a clinica liderados pela sexy Nurse Diesel descobrem a fobia do médico por altura.

O filme vai acontecendo em cenas adaptadas dos suspenses hitchcoquianos muito boas. Dá espaço ate para os romances sado-maso da enfermeira Nurse Diesel e o proprio médico com uma clássica loira fatal extraida de algum fime noir.

É uma comédia de muitos risos as vezes gargalhadas, porque Mel Brooks é otimo durante os surtos.

Desconfio que a Madonna se inspirou na sexy Diesel para sua fantasia.

Que acham?

Enfim é comédia obrigatoria para ter em casa. Se tiver oportunidade para alugar aproveite e se passar na tv não percam.

Direção : Mel Brooks

Elenco: Mel Brooks, Madeline Kahn, Cloris Leachman, Harvey Korman, Ron Carey, Howard Morris, Dick Van Patten, Jack Riley, Charlie Callas, Ron Clark,

Genero: comédia, duração 94 minutos, colorido, EUA

Fox Entertainment, 1977

Sherlock Holmes (2009) = Lógica + Ação

Sensacional! De acompanhar toda a história com brilho no olhar, e sorriso na face. Mais! De no final, querer que venha logo uma outra estória. Com o vilão que nesse ficou nas sombras, o Professor Moriat. Pois nesse, a dupla – Sherlock Holmes (Robert Downey Jr) e Dr. John Watson (Jude Law) – tem pela frente um outro vilão, Lord Blackwood (Mark Strong). Como também, uma vilã, Irene Adler (Rachel McAdams). Da qual Holmes é apaixonado.

O Diretor Guy Ritchie deu muito mais ação a esses personagens tão famosos. Colocando na dupla além das observações dos detalhes, muito mais agilidade. Deixando um lado meio bonachão para o Inspetor Lestrade (Eddie Marsan), da Scotland Yard. Esse, no fundo, um fã de carteirinha de Holmes. Na guerra contra os grandes foras da lei, os que possuem costas-quentes, seria estupidez não ajudar por baixo dos panos o ousado Holmes.

Downey carimbou de vez esse personagem. Seu intrépido Holmes é cativante. Por vezes, quase um meninão a precisar dos cuidados do Watson. É muito bom quando um ator consegue fazer de seu personagem, um único. Sem nos lembrar de outros. Bravo Downey! Vida longa a ti, e também a seu Holmes!
A minha expectativa maior estava em Jude Law. Em querer ver como encarnaria o Dr. Watson. Até pelo biotipo de muitos que fizeram esse personagem. Jude me surpreendeu de modo agradabilíssimo. Gosto dele! Ele teria aqui que inverter um pouco o seu jeitinho de meninão pidão. Pois o Watson é como um irmão mais velho de Holmes, mais compenetrado. E ele conseguiu. Foi grande! Até em mostrar-se indiferente aos caprichosos, ou testes de Holmes. Amei o Watson de Jude! Vida longa aos dois!

Eu, que costumo reclamar de ter tão pouco bons papéis femininos em filmes como esse, onde os protagonistas são personagens masculinos, até que gostei do espaço dado para a Irene Adler. Cuja performance de Rachel McAdams foi muito boa. Claro, que não a ponto de eclipsar Holmes e Watson. Mas a ponto de carimbar seu passaporte para fazer outra vez a Irene. Mas do que aparentar uma mulher fatal, para conseguir o seu intento, um jeitinho angelical tem mais a ver com a personagem. Ela tem o time certeiro em cena. Uma outra personagem feminina que não fez feio, foi Kelly Reilly. A noiva de Watson. Alguém que seria a pedra no sapato de Holmes.

Dois animais também fizeram bonito nesse filme. Um deles, é o cachorro da dupla, o Gladstone. Holmes e Watson reivindicam a posse dele. Que é uma eterna cobaia nas experiências de Holmes. Esse, rouba a cena em suas poucas aparições, mas de forma encantadora. O outro, dá um toque mais sombrio à noite londrina, é um corvo. Meio a la Profecia… quando ele surge, é aviso de que alguém vai se dar muito mal.

Um pouco da trama do filme:

Holmes é convocado por uma Ordem Secreta. Querem que dê um fim a um ex importante membro: Lord Blackwood. Que diante de um poder… atemorizando o povo… pretende uma conquista maior…

Entre crise existencial por Watson estar se mudando – vai se casar -, Holmes e Watson, fingindo acompanhá-lo só para protegê-lo, irão tentar desvendar também esse grande mistério:

Magia negra existe mesmo?

O filme é excelente! De querer rever, até para prestar mais atenção as deduções que ambos nos trazem. Nem precisa dizer que Londres é um cenário perfeito para uma aventura com essa dupla de detetives. A trilha sonora assinada por Hans Zimmer acende o mistério. E como disse no início: o filme é divertido. Não deixem de ver!

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Sherlock Holmes. 2009. Reino Unido, EUA. Direção: Guy Ritchie. +Cast. Gênero: Ação, Aventura, Crime, Drama, Mistério, Thriller. Duração: 128 minutos.

O Homem que Engarrafava Nuvens

Quando assisti ao trailer confuso do filme de Lírio Ferreira, não dava sequer para perceber do que se tratava e parecia uma colcha de retalhos. E é exatamente o que é.  Só que muito bem costurada, acabada e rica em detalhes.

O tema pretende decifrar um pouco o célebre compositor Humberto Teixeira, que em parceria com Luiz Gonzaga, espalhou o ritmo do baião pelo mundo, mas acaba abrangendo todo o cenário da música popular brasileira em várias épocas.

Praticamente todos os cantores importantes aparecem no filme: De Carmen Miranda a Chico Buarque passando por Gal Costa numa brilhante apresentação em parceria com Sivuca, até uma versão magnífica de Maria Bethânia para “Asa Branca” que é um presente para os fãs. Isso sem contar com figuras como Belchior, Jorge Dória, Raul seixas e Ilka Soares.

No meio da salada saborosa de sons, imagens e ritmos, surge Miho Hatori entoando um “baião asiático”, Bebel Gilberto divulgando o famoso arrasta-pé em inglês bossa-nova sofisticado e um cantor americano que adapta o êxodo nordestino de “Asa Branca” com um episódio parecido nos Estados Unidos provando que temos todos quase a mesma estória.

Denise Dumont, atriz e filha de Humberto, é o fio condutor do roteiro recheado de saudades dos pais e do país. Ela mora no exterior há décadas e ainda enche os olhos com sua beleza e voz especiais inexplicavelmente afastados das telas desde então. Aproveite então as cenas de “Radio Days” do Woody Allen e “Terror e Êxtase” que aparecem no final e se não tiver pressa, fique até os créditos acabarem para se deleitar com um pouco mais de Denise. Sua investigação sobre o pai, que ela admite não ter conhecido bem, esbarra numa emocionante entrevista com a mãe que revela detalhes do caráter déspota do marido esclarecendo a “fuga” das duas para outros países e o fato da atriz não usar o sobrenome de Humberto artisticamente.

Uma curiosa contradição com o suposto caráter poético e sensível do artista capaz de colecionar arco-íris e engarrafar brumas.

Carlos Henry

O Homem do Tempo (The Weather Man)(2005)

Por: Pedro Moreira da Silva Neto.
O filme começa com a mesma intenção de dar fim a um sentido, de levá-lo ao resultado de ganho e perda. A miséria do pai, de uma posição tão importante cuja importância não mais importa. Não poderia ele mesmo ser o que quer que seja em referência a um mestre, um verdadeiro sábio que levasse algum caminho. A morte planejada, as desculpas de um fim de semana, o fim organizado não determina essa personalidade esperada que as imagens não mostram.

Não desejava ter visto o que vi. Não as exigências, a retenção de um segredo, parece a glória da ignorância, o lugar comum da suburbanidade em seu arquivo X. O que foi mais trágico, não o ridículo, mas a pouca mensagem de afeto ou a vazão equilibrada de um sentimento. O fato da estupidez da pata de camelo por exemplo não ajudam. A organização do filme não o leva a uma vitória, nem mesmo à perda. Não se constrói. Alguma verdade houvesse. O arco e a flecha de um arqueiro que não poderia chegar a uma conclusão a meio caminho.

Eles não se abraçam, não se tocam, não se ouvem e mesmo não se dissipam na expectativa de algo, mas o quê?

Eu explico, o roteiro incendeia a possibilidade de uma mensagem qualificada que não vem. Na verdade, transformar um ato tão evidente para o arqueiro não passa para a estrutura pensada do ocidental como banal. O casamento perdido também, o carro, a glória e o Hello America como coisa pequena e vinculada a um sentido de conquista que não resulta em nada senão em uma vida mais ou menos definida a caminho.

O tutor pedófilo, a casa muito evidenciada em sua plasmada ideia de um modo de vida estritamente americano deixa o filme como uma posição ridícula de ser o que não é, de parecer buscar um resultado que não subsidia absolutamente essa idéia de família conduzida, amada, com compras merecidas, de muito shop e bem estar.

O prêmio Pulitzer do pai não pega. Parece um nome indicado, uma coisa sem renome para prosseguir num argumento que morre a cada cena. Por fim as contradições de se manter distante, de filhos abandonados, de uma necessidade de cuidados que não se realizam.

O homem do tempo não dá tempo algum.

Depois da coisa jogada na cara, suco, tortas e outras mais não faz vazar a critica de uma sociedade de consumo ou que faça valer a posição medíocre de um jornalismo estancado no homem do tempo.

O mais triste é justamente o arco e a flecha que não chega ao alvo do meio caminho, de uma potencialização zen. Podia jogar futebol ou cricket, menos fazer flanar uma flecha em direção a um alvo ou alguma meta.

O discurso da agressividade sem controle, do sujeito controlado não estabiliza, fica aquele nó que não se desata. Não se cura, não se realiza e não se determina para uma ação realmente renovodora ou down, quer dizer baixa, informe e pobre. Nenhum e nem outro se validam.

Parece que o roteiro e as imagens teriam forças para nos levar a uma complexa vontade de se saber o não sabido: o tempo. A nos levar a conhecer uma trajetória de vida em sua reflexividade, e na sua consciência de humanidade desperdiçada. Que os ajustes da perda de um casamento que foi partido pudesse nos ensinar algo. O pai lhe diz para jogar no lixo o que não interessa. Que os adultos tem mais dificuldades e sabem disso para conseguirem um bem estar qualquer. Mas mesmo isso não parece suportar o recorte frágil de um filme que poderia ter sido e não foi.

A produção é de 2005 que sustenta o ator Nicolas Cage até o final num ritmo intenso.

Vale a imagem, a expectativa de futuro, a tensão de haver naqueles recortes uma condução possível para saber de um homem no tempo.

Por: Pedro Moreira da Silva Neto.  Blog: Crônica da Arte.

O Sol de Cada Manhã (The Weather Man). 2005. EUA. Direção: Gore Verbinski. Elenco: Nicolas Cage (David Spritz),Michael Caine(Robert Spritz),Hope Davis (Noreen),Gemmenne de la Peña (Shelly), Nicholas Hoult (Mike), Michael Rispoli (Russ), Gil Bellows (Don), Judith McConnell (Lauren), Dina Facklis (Andrea), Joe Bianchi (Paul). Gênero: Comédia, Drama. Duração: 102 minutos. Fotografia: Phedon Papamichael. Música: James S. Levine e Hans Zimmer.

Código de Conduta (Law Abiding Citizen)

Vi o trailer desse filme quando fui ver ‘Substitutos‘, e gostei da trama. Assim, assisti. E… Eu também gosto de filmes que nos traz os bastidores de um Tribunal de Júri. Os acordos entre as partes. Ou seria, os conchaves? Mais uma outra motivação veio se unir. Foi em lembrar do Conselho de Ética do Senado em 2009. Chega a dar náuseas. Como teve “acordos” nos bastidores. Tudo elevando a uma oitava maior: a impunidade na política do Brasil.

Impunidade! Só tendo esse termo em mente, que eu engoli o fato de em ‘Código de Conduta‘ ter um final politicamente correto, mas para o Tio Sam. É! Torci para um P.I. Meio paradoxal. Embora querendo ver o fim da impunidade nos Três Poderes, no mundo real, eu quis desse filme, algo do tipo: que exploda com eles. Seria catártico!

Nossa! Já comecei falando do fim, sem nem contar do início. E qual seria ele? Uma tragédia que bate à porta de um pacato cidadão, Clyde Shelton (Gerard Butler). Dois ladrões – Darby (Christian Stolte) e Ame (Josh Stewart)s -, não contente no saque na casa, matam a esposa e a filha de Clyde. Nem é um spoiler, porque isso é que irá deslanchar toda a trama do filme. Entrando o outro lado da balança: O ambicioso Promotor Público Nick Rice (Jamie Foxx). Ao longo do filme, cheguei a pensar se um outro ator teria agigantado esse personagem. Não que o Foxx tenha saído mal. Mas ficou devendo uma grande atuação. Quero vê-lo em ‘Ray‘.

Rice, pensando muito mais nos seus – 96% de causas ganhas -, faz um acordo nojento. O que deixa Clyde com raiva de todo aquele circo. Que Justiça era aquela que aceitava aquilo? É de enlouquecer um cara que estando amordaçado e amarrado, viu assassinarem cruelmente seus bens mais preciosos: filha e esposa. E agora, se via também atado e com um cale-a-boca-e-aceite vindo de quem estava ali para punir os infratores. Que Lei era essa? Ou, que servidores públicos eram esses que fecharam os olhos a um crime hediondo?

Então, o filme dá um salto de 10 anos. De cá, pensei: ‘É muito tempo!’ Daria tempo até do cara recomeçar sua vida. Catar os cacos… Enfim, seguir em frente com uma grande ferida no coração. Já que o tempo cicatriza… Por outro lado, até pelo o que eu contei no início… Fiquei na torcida por ele. Que não faria somente uma simples vingança. E não fez!

Clyde quis, mais que lutar, provar o quanto o Sistema era injusto. Já que a Justiça responde mesmo ao o que se pode provar à ela… Ele usaria da mesma arma. Num: prove se for capaz… Mas nem provaram, como o Sistema mais uma vez fechou os olhos… Pior! Mandou às favas toda conduta ética. E o que fizeram foi injusto!

Esse filme também me fez lembrar algo dito pelo jornalista Caco Barcellos numa entrevista na TV. Que por conta do seu livro – Rota 66 -, fez uma pesquisa, e nela viu que 93% da população carcerária no Brasil tem uma renda inferior a 3 salários mínimos. 93% é um percentual muito grande. Como se àqueles que podem pagar por Firmas de Advogados, sairão impunes de seus delitos. (E eu gostaria de saber de quanto seria esse percentual agora.)

Mais que uma caça ao rato, Rice corta um dobrado em, primeiro descobrir como parar um assassino que já está atrás das grades. Depois, em mostrar que o Sistema funciona sim. Imperfeito, mas necessário ao mundo civilizado. Afinal, não se deve fazer justiça com as próprias mãos. Se bem que, vez por outra também se faz necessário dar-uma-mãozinha a Justiça de direito. Um spoiler, até porque me fez exclamar um ‘Merda!’: É que Rice não fez Justiça… Dai, o Sistema mostrou que continua imperfeito. Até por avalizar atitudes assim.

É um ótimo filme! Cumpre bem a sua proposta. Eu recomendo.

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Código de Conduta (Law Abiding Citizen). 2009. EUA. Direção: F. Gary Gray. +Cast. Gênero: Ação, Crime, Drama, Suspense. Duração: 109 minutos.

Veronika Decide Morrer

Não são todos os dias em que vemos a história de um autor brasileiro ser adaptada para o cinema internacional. De fato, isto por si só já deveria ser um grande atrativo para o público das terras tupiniquins irem ao cinema: você incentiva ao mesmo tempo que é incentivado a ingressar neste mercado. Fora este detalhe, estamos falando da adaptação de uma obra de Paulo Coelho, um dos escritores brasileiros mais bem sucedidos na literatura mundial – embora admita que ele não figura na lista dos meus prediletos, seu talento é inegável e reflete no número de exemplares vendidos em cada um de seus romances.

Como adendo, temos, em minha singela opinião, a adaptação da melhor obra de Paulo Coelho dentro os livros que li (O Alquimista, Diário de um Mago, O Demônio e a Srta. Prym e esta a qual estamos resenhando). Verônica Decide Morrer é um belo livro onde, embora curto demais por sua dinâmica, temos uma história muito agradável de ser apreciada. Como os demais livros do autor, o texto foi escrito para o público geral, e não especificamente para os ecumênicos dos ciclos cultos e eruditos – a qual erroneamente insiste em dizer que o autor carioca não é digno de representar o Brasil no cenário internacional.

Verônika é uma jovem bem sucedida: tem um bom emprego, uma boa família e um bom lugar para morar. Sua vida é perfeita exceto um simples detalhe: Verônika não se sente como parte de seu mundo. A estrutura de sua vida não lhe sustenta e nada mais parece fazer sentido. Onde será que reside o sentido de viver para Verônika? Se não existe uma razão, talvez não exista vida. Se não há vida, o que estou fazendo aqui?

Verônika, cansada de si mesma, decide morrer. Planeja o fim de todo o seu tormento ao desligar-se para sempre do universo. Para isto, faz um coquetel de remédios e se autointoxica. Porém não consegue chegar para a eterna escuridão. Uma hora abre o olho e se encontra internada num quarto em Villete, uma espécie de casa para tratar pessoas com distúrbios mentais (vulgo manicômio). Logo alguém vem lhe explicar que seu suicídio foi mal sucedido. Uma mistura de decepção – nem isto eu consegui? – com um provável alívio de continuar ali toma conta do rosto de Verônika.

O desenvolver da história mostra a relação de Verônika em Villete e de seus frustrados tratamentos, uma vez que a garota continua propícia ao suicídio. Um tratamento alternativo é colocado em paralelo pelo responsável por Villete: dizer a Verônika que a intoxicação afetou partes de si que fatalmente lhe levariam a morte a qualquer momento. Com a certeza de morte ao invés da possibilidade gerada por si, Verônika reaprende a viver com aqueles que tanto quanto ela estão deslocados em um mundo que não lhes pertencem. Com a certeza que cada dia poderá ser o seu ultimo dia, Verônika passa a viver intensamente cada momento. O tratamento experimental é dado como certeiro.

O filme está bem fiel ao que encontramos nas linhas do livro. Além disto, temos algo a mais na película: a presença de Sarah Michelle Gellar – a eterna Buffy, a caça-vampiros – que neste filme dá uma aula de atuação, com cenas muito marcantes. Todo o filme é retrato como se fosse o ápice, com cenas muito bem trabalhadas e que merecem muita comemoração por parte dos envolvidos. A trilha sonora está impecável e condiz perfeitamente com o clima do filme. O time inteiro trabalha bem e o resultado não poderia ser melhor.

Verônika Decide Morrer é um ótimo exercício de reflexão em torno da questão sobre qual o valor e qual é o nosso papel diante da vida, sendo que o grande presente do universo é que ele está disponível para nós e o grande problema é que procuramos tanto que esquecemos que tudo está diante de nossa face. Belíssimo drama que não deveria ser negado por quem gosta de um bom cinema.

Por: Evandro Venancio. Blog: EvAnDrO vEnAnCiO.