Um Olhar do Paraíso. Vida, após a vida…

Tão bom seria em poder dizer que isso não acontece mais, atualmente. Que é coisa do passado. Mas não tem como. Ainda acontece, e muito. E não apenas pela “facilidade” que a internete deu a esses monstros humanos. Pois eles estão em todas as classes, em todas as culturas.

Dai, me perguntei se o filme teria também um olhar pedagógico. Em que pais o assistissem juntos aos seus filhos menores de idade, e conversassem com eles sobre acompanhar estranhos, ou não tão estranhos assim, a um ambiente particular. Longe de um aglomerado de gente. Mas logo em seguida eu me perguntei: E para aquela criança que não tem noção do que é a morte? Será que focaria mais no “paraíso” mostrado? Como encararia esse outro lado? Teria noção de que é algo que não tem mais volta? Enfim, caberá a vocês pais, decidirem. Pois ‘Um Olhar do Paraíso‘ é um filme que devem assistir. Convido também aos Professores do Ensino Fundamental. Que debatam com os alunos os fatos mostrados nesse filme.

Não é um filme por demais pesado, pois há momentos líricos. A nós adultos, a ojeriza surge por saber das atrocidades que ele fez. Tem momentos leves. Como a avó que tenta ser útil, mas não deixando seus vícios de lado, nem querendo envelhecer. Seria por temer a morte? Um outro momento, é com a mudança nos livros pela mãe da jovem. Pelo menos, mudaram os temas, mas o hábito de ler não. Também mostra os hobbies. O do pai. Mas o assassino também tinha um…

A estória do filme é ambientada em 1973, na Filadélfia. Num local tranquilo. Como também, bem amplo. A jovem em questão, por estar atrasada na volta da escola, resolve cortar caminho por um terreno onde existira um milharal. À primeira vista, um campo aberto daqueles não teria nenhum perigo. Mas tem! Friso como presente, mesmo no filme dizendo que naquela época ninguém tinha essa preocupação. Não pensavam que existiria essas bestas feras. Pulando novamente, para o mundo real e atual… Discernimento, aos pais no cumprimento de um horário. Se o caminho para se chegar em casa a tempo, é de fato seguro para seus filhos. Refiro-me aos atalhos que encurtam o caminho. Pois podem encurtar a vida deles.

“Os restos adorados” do título original representam um elo dos que tiveram as suas vidas ceifadas pelo mesmo psicopata. Pois apesar da estória ser contada por uma delas, a redenção final será com todas reunidas. Por outro lado, aqueles que ficam, de certa maneira com a adoração aos que partiram, também podem retê-los por mais tempo. Mas também por ele ter esquartejado a jovem e guardá-los num cofre. Um tesouro que ele sentava numa poltrona para admirar. Até sentir novamente o desejo de possuir uma jovem, uma criança…

É preciso ter uma mente mais aberta à Doutrina Espírita, para entender melhor o filme. Os muito céticos, poderão ver como pura ficção, mas poderão achar fantasioso demais. À esses, deixaria uma pergunta: ‘Em nenhum momento pensou que pode ser mais que um – morreu, acabou! -?’ Pensar na morte como finitude… Tendemos a aceitar com mais facilidade quando a pessoa está com uma doença incurável, por exemplo. Mas quando uma vida é interrompida por um prazer sádico, tendemos a demorar a aceitar. Por vezes brotando o sentimento de vingança.

Se há uma outra vida, há de se ter alguém que sirva de ponte. Alguém cujo dom ajude ao anseio dessa alma que ainda se mantém presa a vida terrena. A jovem em questão, Ruth (Carolyn Dando), é qualificada por – estranha -, pelos os que não entendem o seu dom.

O filme nos mostra o que o amor e o ódio pode fazer. Por um desejo de vingança, novos e não desejados rumos podem acontecer. E quem tiver mais tino, irá perceber a tempo. O ódio então sai de cena, e o amor mais puro reverterar a situação. Com ele, a libertação de outras almas. O que me fez lembrar de uma avó. Quando via alguém praticando uma boa ação, dizia: ‘Salvou-se mais uma alma do purgatório’. É o dilema maior ante uma tragédia: a de que voz interior ouvir – a do bem ou a do mal? Sem que esqueçamos de que é sempre bom nos desfazermos de cargas inúteis, ou as que pesarão na consciência.

Susie (Saoirse Ronan) teve a sua vida interrompida aos 14 anos de idade. Se deixou levar pela lábia de um psicopata. Estava enamorada de um jovem, o Ray (Reece Ritchie). Nem tivera tempo em experimentar o primeiro beijo. Tímida, a esse primeiro amor. Amorosa. Alegre. Tinha como ídolo o cantor do Seriado de TV, A Família Do-Ré-Mi: Keith Partridge. Se encantou com uma máquina fotográfica. Gostava de ler Romances…

É ela quem nos conta a sua estória. E é pelo seu olhar que conhecemos o lado mau de alguém; o lado daquele que tenta fugir da dor da perda; o lado de quem quer trucidar o assassino; o lado de quem desiste; o lado de quem vai atrás de provas; o lado de quem quer que todos enterrem seus mortos de vez… Nesse emaranhado temos: a Polícia, a mãe (Rachel Weisz), o pai (Mark Wahlberg), a avó (Susan Sarandon), a irmã (Rose McIver)…

E o pivor de todo esse tormento, não só na vida da Família Salmon, como das demais vítimas: George (Stanley Tucci). Tucci está irreconhecível, mas mais por conta da caracterização. Sua atuação poderia ter sido melhor. Em fazer desse personagem um vilão memorável. Fica uma repugnância pelo o que sabemos dos seus crimes. Pessoas que fazem o que ele faz, eu não acredito em cura. Ele é um psicopata em potencial. À esses, eu até sou favorável à pena de morte. Pois numa prisão perpétua, seriam gastos dinheiro publico para mantê-los. No filme fica aquela esperança, de que quando a justiça dos homens falha, a divina se faz presente… Adorei!

Eu gostei do filme! Como também entrou para a minha lista de que vale a pena rever. Até para prestar mais atenção no paraíso da Susie. A Trilha Sonora acompanhou toda a trajetória dela, e bem! Sem destacar apenas uma única canção. É um bom filme!

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Um Olhar do Paraíso (The Lovely Bones). 2009. Nova Zelândia. Direção: Peter Jackson. +Cast. Gênero: Drama, Fantasia, Thriller. Duração: 135 minutos. Baseado em livro de Alice Sebold: Uma Vida Interrompida (O romance se baseou na experiência da própria autora, que foi estuprada em seu primeiro ano de faculdade e quando foi dar queixa soube que várias mulheres haviam sido mortas no beco onde foi violentada.).

A Fita Branca – Uma história alemã para crianças

(Das weiße Band, Áustria, Alemanha, França e Itália, 2009)

"Não consigo dormir!"

"Não consigo dormir!"

Um grupo de crianças num lugarejo às vésperas da Primeira Guerra Mundial. Elas vão à escola, andam juntas observando os acontecimentos, sendo observadas por nós.

O narrador é um professor, que nos conta em ordem cronológica o que aconteceu: atentados. Primeiro o médico, depois a senhora, depois uma criança e outra. Há uma escalada de violência. Maníacos agindo.

O médico é severo. O pastor é severo. O barão é severo. Os detentores do poder e bastiões daquela sociedade… Severa. Tudo em nome de uma vida “correta”.  A Fita Branca é o símbolo desta imaculação, desta retidão, desta disciplina.

Vemos o filme tensos, tentando compreender o que está acontecendo. Seguimos o raciocínio do professor, figura simpática e apaixonada, uma pessoa conselheira e ponderada.

"Prazer em conhecê-lo!"

Momento! Eis que começam as interessantes induções. Somos induzidos! Tiramos conclusões, achamos culpados, esclarecemos o mistério. O final aberto nem é tão irritante, porque já sabemos tudo. O que nos irrita levemente talvez seja o fato de não sabermos se e como  os culpados foram punidos. Como somos vingativos, não? Ok, não sejamos tão severos: Como nosso senso de justiça clama por um desfecho adequado ao nosso código!

Muita pressão...

Mas. Provas concretas? Num primeiro momento, eu acredito em tudo que me foi “mostrado”. Depois, pensando, paro e vejo toda uma outra perspectiva. O que o Nazismo tem a ver com isso? O que uma sociedade praticamente feudal e totalmente patriarcal tem a ver com isso? O que a opressão e a falta de afeto real tem a ver com tudo isso? O que a tendência a reproduzir padrões tem a ver com tudo isso?

Haneke é um provocador. Quem assistiu Caché sabe. Ele questiona as origens da violência e nossa, sim nossa!, participação nela. O espectador decide o que aconteceu. Somos induzidos, quase compelidos a isso.

Mestre da manipulação da opinião, um Machado de Assis do cinema!

Ao ver o filme, tente descobrir o(s) culpado(s), depois, tente encontrar as provas concretas de sua culpa. Aí conversamos se tudo isso tem a ver com o passado somente.

"Voltem para a cama, a situação já está sob controle."

Excelente filme e excelentes discussões!

O diretor Micheal Haneke se explica, em entrevista:  http://www.goethe.de/ins/br/sap/kue/flm/pt5243151.htm

Danificado pela Educação (An Education. 2009)

Estreando agora, no Brazil, “Educação” é um daqueles filmes que nos dá impressão que a gente já assistiu, mas que não deixa de ser interessante. Segundo a crítica, a grande “atração” do filme é Carey Mulligan, que antes desse filme, eu apenas a tinha visto em Orgulho e Preconceito (2005), e recentemente esteve no remake Brothers (2009). Sim, ela é uma graciosa atriz e tem uma bela atuação como a estudante de 16 anos seduzida por um homem mais velho.

Recentemente, li o livro “An Education” (originalmente lançado como um artigo pessoal de Lynn Barber, na revista “Granta” e depois foi expandido e se tornou em seu livro de memórias). Na verdade, o roteiro de Nick Hornby tem como fonte o pequeno artigo da revista (Aqui se tem uma noção.), e não no livro de memórias.

Como se sabe, a narrativa literária nos dá uma plenitude profundamente detalhada, descrevendo os eventos, a repetição de diálogos e assim por diante. O leitor varia em sua capacidade de interpretar um texto, usando a sua “imagem mental de palavras“ (Chatman 40). Por tal, sou consciente dos problemas que a termo fidelidade evoca. Optando ver um trabalho de adaptação como tradução, e o que ele sugere “[como] um esforço de princípios de transposição inter-semiótica, com inevitáveis perdas e ganhos típicos de qualquer tradução” (Stam 62). Assim, vejo que o roteiro de Nick Hornby traduz a proposta de Barder, nos fazendo refletir sobre nossos valores pessoais, atitudes e escolhas.

Na primeira cena do filme, Jenny (Carey Mulligan) está na chuva em uma parada de ônibus com o seu cello. A cena serve de pretexto para o judeu charmoso e sofisticado David (Peter Sarsgaard) lhe oferecer uma carona. Da primeira vista, achei que a chuva acabou deixando o “óbvio” que Mulligan tem traços faciais, os quais me deixaram claro que ela não convenceria como uma estudante de 16 anos, mas isso logo foi abafado com uma boa maquiagem, e uma dose de talento da atriz nas cenas seguintes.

Tenho que admitir que o filme me envolveu. Me fez refletir sobre a vida assim como Lynn Barber relata sobre sua apredizagem com Simon (no filme, o personagem se chama David): “aprendi a não confiar em pessoas, eu aprendi a não acreditar no que elas dizem, mas ve o que elas fazem. Aprendi a suspeitar de que toda e qualquer pessoa é capaz de “viver uma mentira”. Cheguei a acreditar que outras pessoas – até mesmo quando você pensa que conhece bem – são, em última instância irreconhecíveis.” Por tal motivo, achei que o fio condutor para essa história de liberação feminina (nos anos 60), é o personagem interpretado por Peter Sarsgaard. David é uma espécie de Ripley (personagem criado por Patricia Highsmith), no meu ponto de vista. Ele é charmoso, mentiroso e mesmo assim verdadeiro. Quando ele começa a se complicar é facil notar a insegurança também. É um papel muito difícil e Sarsgaard faz com que pareça fácil.

Não apenas os pais de Jenny parecem seduzidos com o charme e as mentiras de David, mas, creio que quem assistir ao filme também vai ficar. Aqui nos Estados Unidos se tentou criar uma polêmica em torno do fato que David (trintão!) seduz uma estudante de 16 anos, simplesmente porque o filme nos fazer acreditar que não pode haver nada de errado em um cara mais velho querer mostrar as coisas boas da vida (música de bom gosto, jantares em restaurantes finos, viagens para lugares encantadores como Paris e Roma, e outras coisinhas) para uma jovem sem recursos financeiros. Quando Jenny complete 17 anos, ela tem que pagar a sua dívida de jantares e viagens, e isso só poderia ser pago com a sua virgindade. A sugestão de praticar o ato com uma banana me pareceu até engraçado!.

“Educação” é um filme tímido e não ousado. Lone Scherfig (parte do Dogma 95), não fez um filme para causar polêmica. Por exemplo, quando os pais de Jenny descobrem a verdadeira identidade de David, eles parecem cegos e que tudo para eles, foi como um erro do destino.

Tal como na fonte original, sabemos da vida de David através dos olhos de Jenny. A câmera mostra-nos o que acontece e nos diz a verdade assim como vivido por Jenny. Scherfig mantém a simplicidade da prosa Barber, cobrindo todos os eventos do texto, sem diminuir o centro da história. O filme oferece uma reflexão sobre como a gente pode ver o mundo, revelando um foco entre o que é certo contra o errado. O poder da independência e o conceito de trabalho honesto contra o caminho mais fácil.

“Educação” também se enriquece com o trabalho de Paul Englishby, que escreveu cinco faixas lindas para a trilha sonora. Além disse, as canções escolhidas para embelezar a narrativa são incríveis: vai das faixas marcantes como “Sweet Nothin’s”, o tema de “A Summer Place” e “A Sunday Kind of Love”, até as duas faixas originais (a balada “You’ve Got Me Little Wrapped Around Your Finger” – que aparece com destaque no trailer, cantada e escrita por Beth Rowley, e a balada mais dramática “Smoke Without Fire,” na linda voz de Duffy.

Como bonus, Educação é um filme raro que demonstra tantos aspectos diferentes da vida de uma mulher. A mulher fácil interpretada pela linda Rosamund Pike; a diretora antipática vivida por Emma Thompson, que não quer aceitar a razão que Jenny prefere casar com David, do que continuar seus estudos em Oxford; a professora que tanto se preocupa com a jovem estudante, interpretada por Olivia Williams; a mãe vivida pela talentosa Cara Seymour e Sally Hawkins, a esposa mal amada (adoraria que esse papel tivesse sido mais desenvolvido!).

Apenas lamento que nas premiações desse ano, Sarsgaard e Alfred Molina (maravilhoso como o pai de Jenny) não receberam a mesma atenção que tem sido dado a Mulligan.

Blade runner – o caçador de androide

Passadas mais de 2 décadas, o filme é um cult-classico-fantástico que beira a ingenuidade ao discutir a tal humanidade e para quem realmente gosta de Ridley Scott .
Ouvir Vangelis enquanto assiste o futuro do mundo e alta tecnologia é uma coisa que dificilmente haverá outra geração de produtores no cinema porque apesar de tudo o resultado final parece um trabalho artesanal feito com o maior cuidado.
Tampouco nao saberia avaliar qual seria a reação do pessoal que assiste o mais recente sucesso de bilheteria em 3 D. Provavelmente achariam um quase tédio.

O filme é uma mistura de várias épocas para descrever o que seria o mundo no ano de 2019 quando provavelmente estaríamos vivendo também em outros planetas. Rick Deckard (Harrison Ford) é um elegante, duro e dedicado policial, saído do genero noir que missão de proteger a sociedade de andróides ou replicantes.

Os andróides são máquinas hibridas desenvolvidas em laboratórios, cabendo a eles o trabalho pesado para preparar o ambiente espacial – planetas para os homens habitarem. O problema é que envolve colonização: a útil servidão de qualquer um ate que ela se torne um problema social fora de controle que precisa ser eliminado.
Tyrell Corporation domina a industria dos andróides. Na ânsia de querer mais, cria os modelos Nexus 6, fisicamente idênticos aos humanos, porem são mais fortes e ágeis e pior alguns deles tem sentimento. São conhecidos por replicantes, já que um dia um grupo deles fez rebelião e foram expulsos da terra, sendo obrigados a morar em outro planeta.
São máquinas instáveis, com capacidade alta de agressividade que vive no máximo 4 anos e precisam ser combatidas por uma equipe especial de policiais: os blade runner.

Os replicantes são na verdade uma analogia ao “monstro” criado por Frankenstein (de Mary Shelly) – medonho, deformado, mas com incrível capacidade de amar, sentir, sofrer e que precisa de seu criador e pai para existir.

Um grupo de replicantes faz nova rebelião, retornam a terra em busca de seu criador para tentar aumentar seu período de vida e fugir da morte próxima.
A Tyrell Cop. convoca Rick Deckard – aposentado – para essa missão.
Cada andróide é caçado, mas parece que quanto mais passa o tempo nessa caça, mais humano e inteligente eles se tornam enquanto o homem se transforma num ser irracional. Inversão de valores inadmissíveis, mas possíveis.
Rola amor: Rick se apaixona pela sobrinha do big boss da Tyrell Corporatios – surpresa para ambos: ela é uma andróide, e como andróide tem curta duração de vida. Rick decide viver intensamente com ela enquanto ela durar (durar por que é uma maquina).

Sentimento e compreensão entre os andróides Roy Batty (Rutger Hauer) e Pris (Daryl Hanna) enquanto eles durarem.

Dos androides, Roy Battey inverte a situação torna se o caçador, enquanto Rick vira a caça e corre para qualquer lugar para tentar se manter vivo. Na fuga, Rick escorrega e fica suspenso no abismo se segurando em qualquer coisa, quando Roy aparece para ver a agonia:
- Quite an expirience living in fear isn´t? That is to be a slave ….

No final quando está para despencar no abismo, Rick é salvo por Roy – que continua o monólogo:
- i´ve seen things U people wouldn´t belive … attack ships on fire … .. all those moments will be lost in time like tears in rain …

Pode se pensar tudo o que talvez Rick tenha pensado e sentido nos poucos minutos que passa ao lado de Roy ate concluir que ele nao venceu a batalha por que Roy morre e leva com ele os poucos sentimentos que Rick descobre depois.


…time to die

O filme, rodado com cenário futurista, cores escuras num som mirabolante do Vangelis comove, dependendo da ocasião rola uma lagrima porque fala de sentimentos que não temos mais, de gestos que esquecemos de praticar. Esquecemos de nós.

Genero: ficção
Direção: Ridley Scott
Origem: EUA , colorido, 117 min
Elenco: Harrison Ford (Dick) , Rutger Hauer (Roy Batty), Sean Young (1 – Rachael)
Daryl Hanna (Pris)
Warner Home Video

Soundtrack:

1. Love Theme
2. Main Title
3. One More Kiss Dear
4. Memories Of Green
5. End Title
6. Blade Runner Blues
7. Farewell
8. End Title Reprise

Recomendadissimo. Se assistir uma vez, pode apenas ligar o cd com as musicas e viajar nas próximas.

Criz Barros

AVATAR: ” EU VEJO VOCE “

Por: Affonso Romano de Sant’Anna.
Quando terminou a sessão do filme   “Avatar”, meu vizinho de cadeira, com certo ar de superioridade intelectual comentou com sua mulher:

-É… Interessante….

Tive vontade de lhe dizer: Cara, é só isso?

Na verdade, o filme é interessantíssimo. ..apesar de seus chavões e lugares comuns. Claro que é a repetição clássica da luta do bem contra o mal. Mas há algo mais. Talvez se pudesse dizer que uma das chaves do filme é a frase pronunciada por  aqueles seres estranhos, que ao invés de dizerem: “eu te amo” dizem ” eu vejo você”. Reconhecer o “outro” e dar a ele o direito de ser “diferente” é a essência dos tempos atuais. Quem ama, re/conhece, vê o outro na sua singularidade, ao invés de querer transformá-lo no idêntico.

No fundo, “Avatar” é também um filme contra o complexo industrial/militar dos Estados Unidos. E embora alguns pensem que é uma simples condenação da era Bush, o diretor Cameron revelou que começou a fazer o filme na época de Clinton. É expressamente contra “milicos” imperialistas, contra o colonizador autoritário.

Coincidentemente, neste dias revi “E o vento levou” numa edição em que há um longo e precioso “making off” .

Pois enquanto o filme de Selzenick tirado do romance de Margareth Mitchel é um deslavado  reforço ao conservadorismo sulista norte-americano, esse “Avatar” de Cameron  é crítico dos desmandos imperialistas americanos ontem e hoje. Se “E o vento levou” retrata a ideologia do antigo Sul dos Estados Unidos, “Avatar” pretende ser o Norte mais esclarecido e crítico.

Há uma certa esquizofrenia na vida americana que o filme retrata, por isto, alguns dos personagens americanos mudam de lado e vão defender os primitivos “avatares”. É como se além do “bom selvagem” tivéssemos agora o ” bom civilizado”. São os idealistas, o utopistas envolvidos em batalhas sacrificiais   defendendo os mais fracos e a ecologia do planeta. Nisto se opõem aos personagens cínicos, como aquele encarnado estupendamente por Clark Gable de “E o vento levou”- o jogador, o investidor, o dândi que tira proveito de tudo e que, para consolo da platéia, tem até alguns gestos humanitários.

Cameron ao fazer “Avatar” apropria-se do mito do herói predestinado, que tem uma marca original/ originária: seu herói é um cadeirante. Apropria-se de outros mitos, como o da “árvore da vida” de que trata o livro de Gênesis. E insere-se nas lutas ecológicas pela salvação da  “Mãe Natureza”  Por outro lado, a dupla amorosa, repete estruturas do romance do século 19. A cena de encontro da par romântico, lembra o encontro de Iracema/ Martin  e Peri/Ceci.

É um evidente avanço tecnológico e ideológico em relação aos filmes de  fantasia científica de Spielberg. Enquanto os filmes de ficção científica anteriormente especulavam  sobre outros planetas, este é uma alegoria sobre o que ocorre na terra. Alguém poderia até estudá-lo em relação  ao  ” Planeta dos Macacos”. O macaco é o nosso pré-avatar, já o avatar é o macaco imaginário de amanhã.

Há muitas leituras possíveis deste  filme ” interessante”. Suas origens remetem para a internet que criou seres artificiais chamados de  “avatares”  explorando uma  “second life”. Mas o filme de James Cameron, em 3 D, procura uma outra dimensão ideológica,  inverte a situação e nos põe de volta na realidade.

De resto, se poderia também dizer que o filme reconstrói ingredientes clássicos dos contos de fada com reis, rainhas, príncipes, figuras mágicas da floresta,etc. Enfim, pode ser muita coisa. Menos simples e pobremente um filme apenas “interessante”.

Deixa Ela Entrar. A gênese de uma mente psicopata.

Por: Renato Santos.
Aviso: O texto a seguir contém Spoilers importantes.

Estou surpreso com a quantidade de pessoas (principalmente adolescentes) que estão achando que este é um filme romantico, um filme que versa sobre uma estória de amor adolescente!

Acordem, este brilhante filme não é um romance que tem vampiros no roteiro! É uma estória fantástica que aborda de forma simbólica, e não por isto menos precisa e verdadeira, a gênese de uma mente psicopata.

O velho assassino representa o futuro do Oskar. Reparem como os dois manipulam a mesma faquinha, com os mesmos gestos. O velho é Oskar e Oskar é o velho. A “menina vampira” representa o mal absoluto. O mal que seduz e conquista o frágil e massacrado Oskar. O mal que o redime, objeto de culto e paixão.

A “menina” que aliás não é uma menina. Ela diz isto repetidas vezes, mas ele não que ouvir. Na cena em que “ela” troca de roupa isto fica claro, pois ela não possui vagina, e sim uma cicatriz no lugar do antigo pênis – sim, a “vampira” é um menino castrado, feminilizado (isto está colocado de forma explícita no livro, mas no filme a cena é muito rápida e fica difícil de entender). Ou seja, “ela” é o “alter-ego” dele.

A cena em que ele “a” aceita é fantástica. A cena em que comete o primeiro assassinato (ao entregar o vizinho no banheiro). A cena final em que ele conversa com “ela” no trem, em morse, é uma obra-prima. A conjunção de absolutos que caracteriza a mente dos psicopatas: amor x maldade.

Se você quer entender como funciona a mente de um psicopata veja este filme.

Um último comentário: o título em português mais uma vez decepciona: “Deixa ela entrar“. O título original, que em português seria algo como “Deixa o que está certo entrar”, é uma provocação, mas traz o significado do filme (na ótica do psicopata).

Amelia. Aquilo sim, é que era mulher?!

Em outubro de 2009, o filme “AMELIA,” estreou por aqui, recebendo críticas negativas. Mesmo assim, fui vê-lo por dois motivos: aprender sobre a vida de Amelia Earhart e apreciar mais um trabalho de Hillary Swank. Creio que num filme de 111 minutos é impossível descrever em detalhes sobre essa marcante figura norte americana. Na verdade, mesmo se fosse um filme de 3 horas, acho que muitos americanos de hoje não encontrariam motivação para ver um filme sobre esta aviadora que morreu aos 39 em 1937. Além disso, é importante lembrar que Earhart foi no seu tempo uma dos dez figuras americanas mais famosa do mundo.

Muitas coisas negativas podem ser ditas sobre “AMELIA,” mas vou começar pelos pontos relevantes, e que mais gostei: o filme restaura um equilíbrio à saga de Earhart, fielmente traçando seus triunfos antes de habitação, até ao seu vôo fatídico final. Outro ponto positivo no filme é a trilha sonora de Gabriel Yared. Achei-a belissima e bastante emotiva. Um erro a academia não ter reconhecido esse trabalho dele! Também, a fotografia de Stuart Dryburgh é perfeita!. As cenas de vôo são muito bem feitas, ganhando mais brilho com as belas faixas escritas por Yared.

Infelizmente, o roteiro de Ron Bass e Anna Hamilton Phelan se preocupa mais com a construção de um triângulo amoroso entre Amelia, Putnam (o coroa, a quem ela se casa em 1931) e seu jovem rival, Gene Vidal (Ewan McGregor, a pior interpretação da carreira dele, que já vi). O Vidal de McGregor é de uma suavidade, que não pude acreditar o que uma mulher tão forte como Amélia vê nele, ou vice-versa. Também, não há muita coisa acontecendo entre Amélia e Putnam (Gere, desde vez, não consegue nem fazer o típico romântico e mesmo desesperado pelo amor de Amélia, ela explica o que ela está procurando. Além disso, “o sussurro” parece tomar o centro do palco com o desempenho de Gere). Achei que o roteiro não explora os motivos que Amelia queria tanto voar. Ela quer apenas voar e voar. Bem, creio que às vezes, o ser humano gosta tanto de algo, que nem sempre encontra as razões para justificar. Contudo, como leigo sobre quem era realmente era essa figura da aviação, esperava compreender os motivos que esse mulher queria tanto voar. No filme, a Amelia de Swank vive na base de muito otimismo. Num sol ensolarado, os vôos surgem apenas para ela “se divertir” e não deixar ninguém “invadir o seu caminho.”

Swank parece como Amelia. Ela também sorrir como Amelia, e evoca Amelia, mas não é consistente na criação da personagem. Já no início do filme, nota-se que Swank, de certa forma, fala com os dentes e não com a boca. Depois, o sotaque fica um pouco melhor, mas o desempenho não. Não nego que sou fã de Hillary Swank. Mas, ela faz parte de um tipo de atriz que não convence em todo tipo de papel. Contudo, quando ela evoca algo, Hillary brilha como poucas atrizes. Seu desempenho neste filme, em muitas cenas carece de inspiração, todavia, é ainda uma atuação mais interessante do que vê uma Sandra Bullock recebendo uma indicação ao Oscar este ano. Gosto muito da cena quando Amelia está ao ‘telefone’ com o marido (Gere) e tenta esconder sua fraqueza. Nota-se uma mulher mais humana, e menos “fora” do limite que vai além de uma obsessão para voar. Essa cena foi tão boa e emocionante, que me fez querer rever o filme, agora que foi lançado em DVD.

Mesmo que perdi um pouco de esperança de me envolver emocionalmente ou visceralmente com a vida Amelia Earheart, Mira Nair pega velocidade nos minutos finais do filme. Ao mostrar o vôo ao redor do globo e segurar uma tensão genuína ao mostrar Amelia atingindo a sua última etapa. Finalmente, temos um senso palpável dos riscos selvagem tomadas pelos pioneiros da aviação. Amélia, uma heroína da vida real, que me faz chegar a conclusão de que ela estava certa! Bendita boca que cantou verdades dizendo: “Aquilo sim, é que era mulher!” Emancipou-se, foi à luta!. Ai Meu Deus, mas terá mais gente que sentirá saudades dessa Amélia?

Preciosa não é um filme para se assistir

Preciosa tem 16 anos, é uma gorda com obesidade mórbida e negra. Mora no Harlem. Seu pai lhe engravidou duas vezes, na 2ª gravidez é expulsa da escola que não lhe ensinou a escrever nem a se comunicar. Teve sua primeira filha aos 12 anos, ela é chamada de “Mongo” em referência à Síndrome de Donwn da qual é portadora, a criança é criada pela avó. Sua mãe é algo que só vendo para saber, mas recebe os cheques da Assistência Social. Ela sonha ter um namorado mas os meninos a odeiam. Sua vida é um inferno e algo acontece quando vai para uma escola alternativa onde conhece Blu Rain (Paula Patton). Além das estrelas Mariah Carey despida do invólucro de diva glamurosa, de um belo Lenny Kravitz e do show de falta de humor daquela que aprendemos a ver fazendo humor, Mo’Nique (Mary, a mãe infeliz de tanta infelicidade) temos muito o que perceber neste longa de temas indigestos e baseado em história real.

Preciosa não é um filme para se assistir, é um filme para se observar, perceber e cenas como as da sua chegada da maternidade nos convoca a participar.

Saí do cinema, a princípio pensando que o roteiro deixou a desejar, aos poucos concluí que não é um filme denúncia. O roteiro funciona como um mapa onde as situações são caminhos que nos levam a maiores ou melhores (tanto faz) reflexões. Achei o início meio engasgado, até perceber que a ótica mostrada não é a do espectador fora do problema, mas da personagem mergulhada inteira num problema do qual ela não tem plena consciência. Em alguns momentos faltou-me ar. O filme vai crescendo à medida que Clareece Precious Jones (Gabourey Sidibe) cresce através das suas observações nas suas novas experiências, superando suas limitações impostas por uma vida miserável e uma mãe que deixa as madrastas dos contos de fadas com vaga no céu.

O filme critica um Sistema de Assistência Social que assiste sem conhecer quem é o assistido, financiando a desgraça de quem pretensamente fornece subsídios para uma condição melhor. Mostra que um funcionário que goste do que faz cria toda a diferença nos serviços fornecidos e que “casos perdidos” são aqueles que em vez de encontrarem dedicação espremem-se no meio das omissões.

Surpreendente perceber que atos percebidos podem transformar pessoas. Não basta educar, precisa ser educado, mostrar para que serve a educação através do exemplo. A atitude que não se toma pode ser tão veemente quanto uma ação praticada. Alguns valores podem estar perdidos para sempre por detrás dos nossos olhos, se não tivermos um mundo novo para apresentar a quem em fase de crescimento, pareça não ter condições de crescer e muitas vezes é o descrédito e o julgamento que sepulta todo um potencial.

Preciosa é o filme sobre pessoas que aprendem a partir daquilo que vivenciam e de outras que vivendo nada aprendem. Mostra a fuga pelo sonho, pela ilusão, pelo jogo e pela TV. A fuga pela porta da tirania, quando percebendo-se fracassado é imputado  a outro os motivos do próprio fracasso.

O amor pode ser interpretado como desrespeito e se não encontrarmos quem o expresse de alguma forma digna, passaremos a vida inteira achando que desrespeito é uma forma de amor e a violência sua expressão. Quando o seu filho praticar uma ação violenta, observe as suas próprias atitudes…

Confesso que esperava um final mirabolante, animado e colorido como os sonhos da personagem principal, contudo o que assistimos sobre as suas descobertas se torna muito mais grandioso que qualquer sucesso que ela pudesse ter… Afinal, que diabos! Não é uma versão negra e pobre de Hair Spray e ao mesmo tempo que parecem surgir alguns clichês, fica longe o clichê de auto ajuda. A cena final que pode deixar a desejar talvez assim esteja por mostrar que a vida é feita de um dia após o outro e que muitas das nossas vitórias não são comemoradas por acontecerem exatamente num dia como qualquer outro de nossas vidas. Deixa um espaço vago, pois afinal nossa vida não termina…

Preciosa é uma adolescente com vida de adulta que vive numa desgraça sem fim e que ao final de tudo recebe como prêmio uma desgraça maior ainda e que aprende a viver com ela ou apesar dela. Aprende  a ser útil sem ser subjugada. Aceita um destino que jamais supunha e ao final, ao ver perdido pra sempre sua ilusão, seu sonho de menina, descobre todos os grandes motivos para viver.

Emociona quando ela deseja transmitir ao seu filho coisas que ela não conhece e não entende mas percebe que é bom justamente por nunca ter conhecido nada de bom. Conviver com pessoas de um nível melhor pode ensinar mais do que comportamentos, pois se aprende a partir do que não se entende mesmo que talvez seja um pouco tarde demais para se obter, mas não custa tentar e aí dá-se a substituição do sonho-fuga-pela-imaginação pelo sonho possível.

Ter sido vítima de violência não  é necessariamente um motivo para tornar pessoas eternamente violentas, mas estar constantemente em estado de violência e de amor completo, é fatal. Sim, é óbvio, eu sei… Tão óbvio quanto o fato de que não adianta dar um mundo físico melhor se nele não houver a sensação de importância.

Preciosa é capaz de concluir a partir do que observa no seu novo mundo. Se antes nele só havia o aspecto do romance entre homem e mulher, tudo muda vertiginosamente na medida em que percebe o amor que nunca existiu no seu mundo.

O maior gueto está dentro dos que habitam os guetos.

A pior realidade está nos que tem pena de si mesmo e não olham à sua volta.

Aqueles que tendo amor dentro de si, jamais encontraram quem pudesse fazê-lo desabrochar, não encontrarão motivos para buscar uma vida verdadeira e digna.

Clareece Precious (Gabourey Sidibe), em sua limitação fornecida pela vida e família, descobre o que muitos declaradamente sensatos e de mente aberta não são capazes de perceber.

Está tudo ali, mas é bem possível que muitos não vejam.

Sim, havia outros personagens no filme, mas e daí? Algumas performances são magistrais, outras no mínimo interessantes. Como a comediante Mo’Nique consegue chegar àquela carga de drama, bruxa, despertando ódio e asco é algo que só especialistas em talentos poderiam talvez explicar.

O fato é que não se está nunca livre de uma desgraça, mas temos várias formas de passar por ela e que aquele que nunca teve algo de bom para viver pode passar a ter desde que esteja esperto para descobrir que tenha

Está tudo ali, esforce-se para ver!

INVICTUS. Assim, Ele Conquistou o Inimigo…

Uma história de vida que lava a nossa alma!

Nelson Mandela nos leva a ainda ter orgulho da raça humana. Pois ainda há muitas pessoas na face da terra que nos deixa até enojados. Aos mais novos, que mal conhece quem é esse grande homem, terão aqui, nesse site, uma breve biografia de Nelson Mandela. Os convido-os a ler na íntegra. Aos que conhecem, mas não gostam de Filmes Biográficos, os convido-os a assistirem ‘Invictus‘. Um filme que me levou às lágrimas, encantada ao longo de todo ele, e que ela rolaram livres, ao final. Bravo Mandela! Grata, por ser o que é!

Clint Eastwood estava inspirado ao levar às telas essa versão do livro de John Carlin – ‘Playing the Enemy’ (Conquistando o Inimigo). O título do filme foca no jogo. Por ter sido por ele que Mandela conquistou o seu inimigo mais iminente: os que ainda queriam o Apartheid na África do Sul. Muito embora eu prefira um outro, anterior: O Fator Humano. Por ter sido algo que Mandela disse no filme. Para ele que na prisão quebrou tantas pedras… sabia que tinha diante de si algo muito mais difícil de quebrar: ideias.

Invictus‘ não me deixou focar apenas no filme. Então seguirei assim, ora no filme, ora na História ainda sendo feita. De Mandela, e a nossa. Que ansiamos pelo fim das segregações raciais, culturais… no mundo. E a África de hoje, é onde há muito disso.

Li que o próprio Mandela, disse numa entrevista, que gostaria de ter fazendo o seu personagem, o ator Morgan Freeman. Excelente escolha! Pois Freeman me fez pensar todo o tempo em Mandela. Bravo, Freeman! Sua performance foi magistral! Te parabenizo também por algo que li. Onde sua preocupação com esse papel era mais em cima do que Mandela não pode fazer, estando Presidente. Talvez ai, lhe veio a inspiração para ter interpretado brilhantemente.

Violência nos EstádiosRecentemente, levei para um Fórum (Orkut) a temática de uma campanha publicitária de uma cerveja: um incentivo a ser um guerreiro. Mas que pelas cenas, era como uma preparação para uma luta campal. E ela foi ao ar, pouco tempo após um episódio violento entre torcedores. Claro que esse tipo de violência não fora a primeira. Como também quem já nasce com esse espírito violento, não precisa de nenhum incentivo para libertar o lado irracional que traz dentro de si. A mim, fica uma preocupação: com as cabecinhas ainda em desenvolvimento. Crianças e adolescentes num ciclo vicioso de perpetuarem a violência. Ai, quando a educação de dentro de casa, e até mesmo dentro de sala de aula, falha, o poder público precisa agir. Como aconteceu há bem pouco tempo nas Casas Noturnas do Rio de Janeiro. Uma rigorosa fiscalização. Inclusive com os nomes dos pitboys afixados nas portas dos estabelecimentos. Parece que deu resultado. E ao ver um programa sobre as Torcidas Organizadas… o choque foi grande.

Mas por outro lado, transcrevendo algo dito por uma amiga nesse mesmo fórum – “Uma canalização lúdica da testosterona para um lado menos mortal ou mais saudável ou lúdico mesmo“… É! Ela está certa. Se conseguirem extravazar numa torcida amigável, vai corroborar em algo que já até escrevi em outros textos. De que o mundo já está armado demais. Há arenas demais. Precisamos urgentemente de um desarme-se! E foi o que Mandela fez: desarmou uma Nação através de um esporte. Mais que uma briga entre torcedores, havia uma Guerra Civil no país. Bravo!

Mandela fez esse desarme pegando o esporte “dos brancos” como o seu instrumental. Deixando perplexos a Todos os sul africanos. Um esporte de Elite, até então, o Rugby, foi o fio condutor. E mais do que isso, ele trazia a lembrança viva do apartheid. Mas ele queria canalizar toda a fúria querendo vingança, para vibrarem para uma Seleção do país. Foi emocionante acompanhar pelo filme, o desenrolar dessa estória. Embora o título já entregue o ‘escore’ final… Precisam ver cena por cena desse Campeonato Mundial.

O filme tem início no dia da Libertação de Mandela. Indo numa passagem rápida até a sua eleição. Depois, segue como o Presidente da África do Sul, até a final da Copa de Rugby. Praticamente, um ano da vida desse grande homem. Ano: 1995.

Afinal, se não posso mudar quando as circunstâncias o exigem, como posso esperar que os outros o façam?

Com um pouco mais do filme, me veio à mente essa máxima: ‘Não se apanha mosca com vinagre‘. O que seria mais fácil conter: um povo oprimido por longo anos, ou um outro que ainda se sentia acastelado? Mandela precisava chegar a esse lado do povo extremamente arrogante. Tinha então um caminho, mas a mudança deveria partir deles.

Sua ponte, veio com o capitão da equipe, Francois Pienaar (Matt Damon). Pausa para falar desse ator. Confesso que não esperava tanto dele. Ainda mais para um esporte tão violento. Até então, ele tinha uma carinha de um menino… digamos tranquilo. Mas ele mostrou ser um bravo guerreiro em campo. François tinha um bom caráter, mas com certeza amadureceu muito bem com a pouca convivência com Mandela. Chegou a ir até a cela onde ele fora confinado. E nela, ouvimos o poema que fora a Luz que não deixou que aquebrantassem o espírito desse homem, por longos anos encarcerado. Ei-lo:

Fora da noite que me encobre,
Negro como o poço de polo a polo,
Agradeço ao que os deuses possam ser.
Pela minha alma inconquistável.
Nas garras das circunstâncias.
Eu não recuei e nem gritei.
Sob os golpes do acaso.
Minha cabeça está sangrando, mas não abaixada.
Além deste lugar de ira e lágrimas.
Só surge o horror da sombra,
E ainda a ameaça dos anos.
Encontra e me encontrará… sem medo.
Não importa quão estreito seja o portão,
Como é cobrada a punição do que está escrito
Eu sou o mestre do meu destino:
Eu sou o capitão da minha alma
.”

O time de rugby tinha um jogador negro. Mandela até faz uma piadinha referente a isso. Ele foi a ponte para levar esse esporte bretão ao povão. Começando com as crianças. E logo chegou aos corações dos adultos. Até então, o esporte preferido era o Futebol. Com a final da Copa de Rugby, o país inteiro era uma torcida só.

A África sempre nos faz pensar em excelente Trilha Sonora. E ‘Invictus’ não faz por menos. Aqui, no site oficial, poderão ouvir as músicas na íntegra.

Fica assim, a sugestão para conhecerem um pouco de Nelson Mandela. Por esse excelente filme!

Por: Valéria Miguez (LELLA)

Invictus. 2009. EUA. Direção: Clint Eastwood. Roteiro: Anthony Peckham. Elenco: Morgan Freeman (Nelson Mandela), Matt Damon (Francois Pienaar), Tony Kgoroge (Jason Tshabalala), Patrick Mofokeng (Linda Moonsamy), Matt Stern (Hendrick Booyens), Julian Lewis Jones (Etienne Feyder), Adjoa Andoh (Brenda Mazibuko), Marguerite Wheatley (Nerine), Leleti Khumalo (Mary), Patrick Lyster (Sr. Pienaar), Penny Downie (Sra. Pienaar), Sibongile Nojila (Eunice), +Cast. Gênero: Biografia, Drama, Esporte, História. Duração: 134 minutos. Baseado livro de John Carlin: ‘Playing the Enemy’.

NINE (2009) – Luz! Câmera! …e Corta! Deu Bloqueio.

Deslumbrante! Um dos bloqueios criativos mais encantadores da História do Cinema. Mais! O personagem com toda certeza era mesmo para ser dele: Daniel Day-Lewis. E ele nos leva a um mergulho de tirar o fôlego. Literalmente, também. Pois há uma cena que… se forem assistir num Cinema com alta definição… chega a dar um calafrio, uma sensação de quase cair do alto da estrada naquele mar de águas tão transparentes.

Ainda falando nessa resolução da fita… Procurem por um Cinema que lhes dêem essa qualidade na projeção. Se gostam mesmo de Musical, sairão gratificados ao assistirem ‘NINE‘. Ambos merecem: você e o filme. E não é só para cenas  externas. Numa, também com ele, onde ele se questiona em frente a um telão, fica a sensação de que ele está dentro da Sala onde estamos vendo o filme. (*¹)

Quem seria esse personagem que Daniel Day-Lewis interpreta tão bem? (*)

Ele faz Guido Contini. um importante Diretor, e também Roteirista, de fama internacional. Seu público bebe nas suas fontes uma Itália romântica, sedutora, deslumbrante, misteriosa, provocante, sexy… Enfim, um país apaixonante! E não poderia ser de outro jeito, já que Guido desde a infância ama as mulheres. Por elas, seus filmes decanta o país dos sonhos de todos.

Mas com os seus últimos filmes foram um fracasso de bilheteria… mais a meia idade batendo à porta… ele passa por uma crise existencial. Vindo a refletir em seu trabalho atual. Não adiantando muito, seu Produtor, Dante (Rick Tognazzi – filho de Ugo Tognazzi), o cercar de mimos, até por conta do atraso, mas o texto não sai. Tem o cenário – um Itália com toda a sua arquitetura clássica -, a atriz principal – Claudia Jenssen (Nicole Kidman), os figurinos… Toda a equipe a postos. O título contendo ‘Itália’. E não consegue escrever uma linha sequer.

Assim, Guido faz um mergulho em seu passado e presente, numa tentativa de resgatar a si mesmo. Passará por nove questionamentos: da infância ao momento atual.

Vamos juntos nesse mergulho? Ah! O texto terá spoiler.

Mas não farei pela sequência do filme. E trata-se de um ponto de vista meu. Já que o filme é baseado em ‘Fellini Oito e Meio’, de 1963 – após oito filmes produzidos, um bloqueio não lhe deixa terminar o próximo. Nesse site terão toda a história do filme original e da montagem para a Broadway, num belo artigo.

One – Se temos a Itália, temos a Religião Católica com todas as culpas e expiações aos seus fiéis. Querendo mais que uma absolvição, Guido clama por uma ajuda divina. O Cardeal não o ajuda muito. ou, até sem querer, leva a Guido ver, que não é ali a raiz do seu problema. O Cardeal, confessa ser fã de seus filmes, mas dos antigos. Lhe dá um tema para seu novo filme.

Two – A Religião também marcou a sua infância. Guido apanhava dos Padres por ir admirar uma linda mulher. Ela morava à beira mar. Os meninos levavam suas economias para vê-la fazendo poses provocativas. Saraghina (Stacy “Fergie” Ferguson) era de fato bem provocante. Era a puberdade precoce de Guido. A natureza sendo castrada pela Igreja. Dela, Guido só lembra da sua exuberância. Em sonho acordado lhe dá um musical a sua altura. O primeiro amor do Guido menino. Sua primeira musa a lhe inspirar.

Three – A figurinista Lilli (Judi Dench) é mais que sua amiga. É uma mãe para Guido. Mas não como uma Mamma italiana. Tem um ótimo humor! Embora zombe um pouco dele, gosta muito dele. Até por mantê-la junto nesse mundo do Faz de Contas, que é o Cinema. Lilli veio do Folies Bergère. Ama o efeito de que quem está no palco, proporciona ao público. Como um termômetro… da à Cesar, o que é de Cesar… Lilli é o seu suporte. Mas ela sabe quando é a hora de cortar o cordão umbilical.

Four – Guido vai até onde sua mãe está enterrada. Tem nela a sua fã numero um. Mas a Mamma (Sophia Loren) deixou à educação de Guido, quando menino, aos cuidados dos Padres. Bem, Guido até antes desse bloqueio deu provas de que a rigidez da Igreja não lhe causou traumas. E ele ama a sua mãe. Para mim, a Sophia Loren foi uma presença apagada. Para não dizer: patética. Plásticas demais, lhe tiraram as atuações de outrora. Uma outra atriz teria feito uma Mamma inesquecível. Pena! Deveria saber envelhecer.

Five – Quando ele não pode deixar de ir a uma coletiva com a impressa, Lilli o incentiva com algo assim: ‘Vai lá! Você mente muito bem!’ Durante a entrevista, Guido conhece a jornalista de moda, Stephanie (Kate Hudson). Ela flerta sem pudor esse homem fascinante. É a Imprensa que dá vida ou acaba de vez com a fama de alguém. Assim, é uma via de mão dupla, pois um precisa do outro. Stephanie escreve seus artigos banhando-se nos filmes de Guido. Seu musical em estilo retrô, narra o poder que seus filmes tem sobre seu público, e no caso dela, em seus leitores. Eu não sei porque, mas vendo essa cena, me fez lembrar de uma cena/clip com Elvis Presley: Jailhouse Rock.

Six – Se o seu mal não é espiritual, Guido recorre a um médico para saber se é algo físico. Quer dar vida novamente as suas inspirações. Mas também não há nada com ele nessa parte.

Seven – Durante os exames, surge sua amante: Carla (Penélope Cruz). Ele quer estar com ela. Numa de que uma paixão tórrida, volte a lhe inspirar. Mas ela já não o excita mais como antes. Guido sabe que essa relação está terminando. Pela situação atual, com tantos jornalistas no seu pé, temendo um escândalo, resolve ir aos poucos. Mas Carla pressente. Como se estivesse subindo os créditos finais, e lá um ‘The End’ bem grande. E não um; ‘E foram felizes para sempre!’. Então, resolve fazer uma saída dramática… O que sepulta de vez a paixão que Guido sentia por ela. Devolvendo-a de vez para o seu marido. Sobre a Penélope, em papéis dramáticos, ela se sai muito bem. Mas naqueles que deveria mexer com a libido… ainda não. Eu cheguei a falar sobre isso em ‘Fatal‘.

Eight – Enfim, Guido teria em seus filmes uma atriz que ele adorava: Claudia Jenssen (Nicole Kidman). Uma Celebridade ciente do seu fascínio. Mas se chegou onde chegou, foi por amar a profissão, e pelo seu profissionalismo. Tal qual o Guido. Claudia, primeiro ironiza os seus testes, depois decide ir embora. Dizendo que só voltará quando lhe entregarem o Roteiro do filme. Guido consegue que ela o deixe levá-la ao seu hotel. No caminho, param para conversar. Trocam confidências… Não é uma relação de ‘criador e criatura’. Até pela sua presença em cena – um talento nato -, ela tem sido uma fonte de inspiração para ele. Aproveitando o momento íntimo, Claudia aproveita para fazer um balanço dessa dependência… resolve então pensar por ele. Já que também o ama. Claudia descobre assim, que nunca teria dele um amor pela sua pessoa. Que Guido é 100% um Cineasta. É hora dela sair de cena… O faz com muita elegância…

Todos os musicais são lindos! Mas para mim, dois estão no topo. E um é com a personagem de Nicole Kidman. Um que estão perto de uma fonte… É! Fontes em cenários na Itália é algo bem comum, mas que estando tão bem incorporados, são sempre românticos. Agora, com uma cena entre uma louraça e um homem + filme de Fellini + fonte… não dá para não pensar nessa outra cena aqui:Nine – O princípio, meio e… desfecho desse bloqueio. Princípio, porque sua esposa, Luisa (Marion Cotillard) foi atriz de um dos seus fracassos de bilheteria. Ela então abandona a sua carreira. Passando a ser a esposa que fecha os olhos para as escapadas de Guido. Embora ele diga que a sua opinião conta muito nas escolhas do Elenco, Figurino… Luisa descobre o que a Claudia também descobriu… Mas à ela, sendo a esposa, doeu mais. Mesmo sendo uma grande romântica, a isso ela não perdoa. Saindo da vida de Guido. Indo atrás da sua própria identidade. Até para mostrar que também sabe ser provocante.
Com ela, tem o segundo clip que eu amei! Um segundo que ela faz, a mim, mostrou-se muito mais sedutora do que o que a Penélope Cruz fez. Marion Cotillard deu um show! Bravo!

Guido abandona tudo. Após se despedir de toda a equipe, cai no mundo. Voltando alguns anos depois… E numa conversa com Lilly, enfim vence o bloqueio. Achando o tema certo para um novo filme… Então… é: Luz! Câmera! …AÇÃO! Agora, se foi por conta do ego ferido, ou não… Como todo excelente filme, deixa que o público dê asas a sua imaginação.

Nem preciso mencionar que a Trilha Sonora de ‘NINE’ veio a somar nesse excelente filme. Aqui, no site oficial, tem como ouvir as músicas na íntegra. Entrou para a minha lista de que vale a pena rever.

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Nine. 2009. EUA / Itália. Direção: Rob Marshall. Elenco: Daniel Day-Lewis (Guido Contini), Marion Cotillard (Luisa Contini), Penélope Cruz (Carla Albanese), Judi Dench (Lilliane La Fleur), Kate Hudson (Stephanie Necrophuros), Stacy “Fergie” Ferguson (Saraghina), Nicole Kidman (Claudia Jenssen), Sophia Loren (Mamma). Gênero: Drama, Musical Romance. Roteiro: Michael Tolkin  e Anthony Minghella. (*)Baseado no livro de Arthur Kopit, de 1982. Que foi derivada de um jogo italiano de Mario Fratti inspirado pelo filme autobiográfico de Federico Fellini 8 ½.

(*¹) – Eu fui assistir num dos Cinemas UCI, no UCI New York City Center. Se por mais um lado, estão de parabéns, por terem colocado o espaço para o cadeirante no meio. Por outro, quem projetou não visualizou que colocaram o telão muito baixo. Os recostos das poltronas da fileira a seguir, tampam a legenda que está na segunda linha. E as cabeças dos que sentam ali, tampam a primeira linha da legenda. É algo simples de resolverem: só subirem com a tela. Ai sim sim, seria um Cinema Nota 10.

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