Por: Sam Shiraishi.
Finalmente hoje tomei fôlego e assisti a um dos filmes mais comentados do ano: Precious, Based on the Novel “Push” by Sapphire (no Brasil Preciosa – Uma História de Esperança).
Desde que li reportagens sobre ele no final de 2009 eu queria ver, mas, confesso, temia minha reação emocional ao filme. Sempre me revoltei com a injustiça aos menores de idade e o descaso com que a sociedade trata os menores em situação de risco, mas depois que tive filhos, ver certas coisas me deixa arrasada mesmo. Não foi diferente do que eu imaginava. Chorei muito – e se você é do tipo que internaliza as coisas, sinceramente, eu recomendo que não veja o filme. Mas se tem um pouco de coragem e quer pensar no que nossa sociedade (o filme se passa nos EUA em 1987, mas poderia ser numa região empobrecida do Brasil ou de outro país em que a desigualdade de vida seja grande) aconselho que veja e pense sobre a história de Clareece “Precious” Jones (interpretada pela atriz estreante Gabourey Sidibe).
Eu chamava Enzo de “my precious” quando ele era bebê, uma brincadeira que fazia com o fato de ele ser tão amado e sua presença tão almejada por todos das duas famílias que ele era disputado como o Anel de Lord of the rings. A Preciosa do filme não teve esta sorte – na verdade, a impressão que temos é de que ela não teve sorte alguma, amor algum, cuidado algum na vida. Mas sobreviveu e aos 16 anos, quando o filme começa, é uma adolescente com obesidade mórbida grávida do segundo filho (ambos fruto de estupro paterno), que frequenta a escola para fugir de casa, mas continua analfabeta e diuturnamente é agredida verbal e fisicamente pela mãe – muito bem interpretada por Mo’Nique (de Garotas Formosas). Não há uma fada madrinha de verdade, mas a garota dá a volta por cima – e aqui nem tem spoiler, porque a história é real e a autora sobreviveu.
Vale registrar e enaltecer a presença, na produção ou na divulgação do filme, de personalidades como a apresentadora de TV Oprah, que tem se dedicado à divulgação do filme em seu programa e site. O cantor Lenny Kravitz interpreta o enfermeiro John, Mariah Carey é Mrs. Weiss, a assistente social que acompanha a segunda gestação de Precious, Paula Patton a professora Ms. Rain. E é com ela, a inspirada e inspiradora mentora da escola alternativa Let Each One Teach One, que Precious passa a descobrir seu lugar no mundo.
A história nos dá fé quando mostra que a educação pode mudar a vida de alguém – mas é preciso ter um elemento humano para que a mágica aconteça. E este elemento pode ser vivido por mim, por você, por cada um que se permite enxergar no outro uma figura que pode ser diferente, mas é igual a nós em sua humanidade – aliás, isso me lembra uma passagem de Up in the air, sobre o qual fico devendo uma resenha
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Por: Sam Shiraishi (aka @samegui). Jornalista e blogueira responsável pelo A vida como a vida quer e diversos outros projetos de mídia online.
Preciosa – Uma História de Esperança (Precious: Based on the Novel Push by Sapphire). 2009.






Listagem da Trilha Sonora de “Preciosa: Uma História de Esperança”:
Precious: Based on the Novel Push by Sapphire
01. I Can See In Color – Mary J. Blige
02. He Is The Joy – Donna Allen
03. Was That All It Was – Jean Carn
04. Did You Ever See A Dream Walking – Sunny Gale
05. Come Into My House – Queen Latifah
06. Just A Closer Walk With Thee – Mahalia Jackson
07. Love Is The Message – Mfsb
08. Now That I Know Who I Am – Nona Hendryx
09. System – Labelle
10. Somethin’s Comin’ My Way – Grace Hightower
11. It Took A Long Time – Labelle
12. Letters – Mario Grigorov
No link tem como ouvir um trechinho de cada música.
Moro nos Estados Unidos, e vi “Precious” quando estreou por aqui. Fui vitima de violencia quando crianca, e pensei que esse filme iria me marcar ou melhor dizer: o filme iria me fazer refletir e sensibilizar com a situacao e a realidade de Precious.
Li o livro e tbem o achei “forcado” no sentido que SAPHIRE se inspira em varios estorias de sofrimento e colocar esse drama( cruz pesada!)num soh pessoa. Falta veracidade em uma pessoa feia, gorda, analfabeta, mae de um filha com sindrome de Down, gravida pela segunda vez, violentada pelo pai, e abusada por uma mae que eh pior que uma madastra e ainda portadora do virus HIV. Tenho q ser justo com a competente interpretacao de
Gabourey Sidibe. Ela fez o impossivel para tornar o personagem mais humanA, mas nao o suficiente para salvar o filme. Sim, ainda se tem a Mo’nique, que nao teve muito dificuldades de “viver” uma barraqueira, pois a comediante fez o seu nome na base de um humor baixo, onde cada frase que fala se tem um palavrao. A interpretacao dela eh boa, pois eh um territorio bem conhecido. Quando Precious e mae caem no barraco, o filme fica mais interessante do que como drama, que no qual deveria ser.
Do geral, gostei da presenca curta, mas verdadeiramente defendida por Lenny Kravitz e Mariah Carey( ela estah incrivel nas 3 cenas que aparece!)
Nao entendi a indicacao de PRECIOUS como melhor filme, direcao, roteiro adaptado, e edicao no OSCAR.
O filme pode ser visto como um “A cor purpura” do GUETO na era da AIDS, mas Lee Daniels nao eh Spielberg, e o que mais falta em Precious eh o senso de verdade, pois tudo parece matematicamente preparado para OSCAR. A presenca da crianca com sindrome de Down( apenas para chocar), o discuso de Mo’noqui no final “revelando” o q ja era obvio: o odeio que sente pela propria filha; a ausencia do pai estuprator na tela, pois nao havia razao de mostra-lo como se nao houvesse espaco na estoria. Tudo torno PRECIOUS um filme pequeno e ruim!