Liberdade, Beleza, Verdade, Amor .

Frenético e romântico, a arte de Baz Luhrman num filme magnífico.
Baz Luhrman surge no cinema na década de 90, bem no início da década com o “animadinho” Vem Dançar Comigo, onde já mostra o seu cinema arte num filme a lá Dirting Dancing. Depois surge com a sua ótima versão de Romeu e Julieta, com Leonardo DiCaprio ainda um rosto ganhando espaço. Mas foi em 2001 que ele ganhou notoriedade, trazendo de volta o gasto, porém estiloso gênero “musical’ do cinema.
Os musicais, assim como os westerns, sofreram com o esquecimento e praticamente foram enterrados na década de 60. A partir da década de 70, poucos foram os exemplos de filmes, que seguindo essa fórmula (musical ou western) que deu certo, o que acabou contribuindo para o quase esquecimento do gênero. E Baz Luhrman trouxe de volta o gênero de uma forma renovada, com gás, num filme estonteante, brilhante e contagiante.
O ano é 1889, o mundo vive uma revolução boêmia e a França é o palco dessas transformações. O jovem Christian (Ewan McGregor em ótima interpretação) desafia o pai e vai até Paris para viver a revolução. Lá conhece Toulouse (o estranho John Leguizamo) e sua trupe, que planejam uma peça de teatro que seja apresentada no Moulin Rouge, o cabaré mais badalado da cidade.
Após a desistência do autor da peça, Christian assume, mas precisa convencer Harold Zidler (o ótimo Jim Broadbent) o dono do cabaré. Pra isso, Toulouse arma um encontro de Christian com a mais bela cortesã, Satine (a belíssima Nicole Kidman em interpretação inspirada), em que Christian terá de convencê-la para conseguir financiamento para a famigerada peça.
É nisso que a história de Moulin Rouge se desenvolve. No começo temos alguns showzinhos de clichê, o mocinho desajeitado, a troca de pessoas intencional, mas tudo embalado ao louco e empolgante ritmo da casa noturna, tocando a música “Lady Marmelaide”, que virou hit na época, há também uma versão de “Smeels Like Teen Spirit” do nirvana que eu achei ótima.

É no balanço frenético da casa que Christian acaba criando um afeto pela cortesã, sem saber que a mesma estava prometida a um duque (Richard Roxburgh, asqueroso e divertido), que pretendia transformá-la numa estrela. Após um número musical bem divertido, Christian, Satine e Cia conseguem convencer meio “sem querer” o duque e Harold a financiar a peça. Começa aí o “grosso” da história. Christian e Satine se apaixonam (impossível não adorar a cena), após fazerem o número musical mais belo do filme, onde cantam algumas boas músicas num arranjo diferente é excelente. Na música tem desde Beatles a U2, e na interpretação de Kidman e McGregor ficou ótima.
Depois se segue mais um pouco de momentos clichê, mas que não comprometem a qualidade da obra, até que chegamos no trágico final, que na minha opinião foi um dos melhores já feitos.
Baz Luhrman fez uma obra de arte em pleno início de século. Tentar reviver os musicais pode parecer a princípio uma má idéia, mas Baz com seu estilo fez um trabalho magnífico, onde beleza e música caminha juntos. Quero começar pela direção de arte premiada. Há muitos detalhes que são percebidos quando se vê o filme mais de uma vez. Os quartos, o cabaré e principalmente Paris (eu só vi uma recriação digital boa assim em King Kong, que fez Nova York de maneira super competente). Depois vem a ótima fotografia. Colorida, esfuziante, bela. O figurino, também premiado, é outro show. A trilha, com performances incríveis, consegue empolgar, assim como os grandes musicais de antigamente.
Moulin Rouge é uma obra de arte mostrada na tela.

(Solidão e a dor de perder quem ama: o personagem de Ewan McGregor consegue mostrar todos os sentimentos em cena)
Desde a brincadeira com o logo da 20th Century Fox na abertura, até aquele tango que toca nos créditos finais. Esse é um daqueles filmes arte, que veio pra dar novo fôlego ao desgastado e esquecido gênero musical, e Baz acertou em cheio em falar sobre o amor, o filme lembra muito uma tragédia de Shakespeare, e emociona e diverte como A noviça Rebelde ou Hair fizeram.
Mas que infelizmente foi bem injustiçado no OSCAR.
Uma Mente Brilhante não merecia aquele OSCAR de melhor filme e Baz Luhrman merecia muito mais a estatueta de direção. Dois prêmios foi pouco pra essa obra de arte ambulante.
Moulin Rouge – Amor Em Vermelho é um dos grandes filmes do século XXI.
Baz Luhrman fez um filme envolvente, mesmo que em algumas partes clichê, mas que diverte, conta uma história e termina da melhor forma.
Nota: 10
Moulin Rouge, EUA 2001.
Direção: Baz Luhrmann.
Atores: Ewan McGregor , Nicole Kidman , John Leguizamo , Jim Broadbent , Christine Anu.
Duração: 02 hs 06 min

“Haja o que houver, eu te amarei até o fim da minha vida.”





