Guerra ao Terror e Poesia

Por: Affonso Romano de Sant’Anna.
Nunca assisti a um filme com tanta tensão como esse GUERRA AO TERROR.

Que terrível obra prima, essa de Kathryn Bigelow!

Como é que essa mulher conseguiu entrar tão crua e tecnicamente na pele desses homens e na psicologia desses soldados?

Saí com a alma no barbante, por pouco não chamam uma ambulância para me levar.

Como é que alguém consegue fazer filme desses?

Me ocorre este poema no livro VESTIGIOS*, forma de dialogar com o filme:

O HOMEM BOMBA

Como se as tâmaras
e as palmeiras desistissem
do lento crescimento
e na semente da semente
- por não suportar o futuro -
o presente detonassem

como se as cabras
o leite das crias
na areia urinassem

como se no poço
a possibilidade
de água se esgotasse
e no deserto a sede
fosse tanta
que o sedento
o oceano incendiasse

como se a travessia
a nenhuma saída
levasse
como se a terra prometida
fosse estéril areia
que nenhum oásis
abrigasse

como o narrador
que pelo fim
sua estória contasse
e o autor
que pusesse o epílogo
no lugar do prefácio

o homem-bomba
não é um simples suicida
é aquele que pela morte
decide
inaugurar sua vida.

O homem-bomba
é o jardineiro
que arranca a planta
como se a plantasse
que apaga a própria luz
como se nele algo
se iluminasse.

Não bastasse
o homem-bomba
ejaculando estilhaços
apulhando-se a si mesmo
quando o amante
da mulher encontrasse

há nele outra face
-a mulher
grávida de bomba
que chega à rua ou praça
como se à maternidade
chegasse
de cujo útero explosivo
fecundada
-a morte nasce .

O que é preciso
para destampar o pino
de uma jovem bomba-viva?
O que no adolescente
já explodiu

quando nele
sob a primeira barba
a bomba entumece
ativa?

Noutras terras
diante da conjuntura
ninguém diz:
meu filho está se formando
e pretende explodir
na formatura.

Noutras terras
ninguém diz:
meu filho
decidiu formar-se
em arquitetura
mas seu projeto
é projetar-se pela morte
na utopia futura.

Noutras terras
ninguém diz:
meu filho sairá essa noite
para uma bela  aventura
vai dar tremenda festa
dentro e ao  redor
de sua sepultura.
_________

(*) VESTIGIOS, Ed.Rocco, 2005

A Fita Branca e a Repressão

Por: Affonso Romano de Sant’Anna.
Estava eu dizendo a uma jovem criada na permissividade atual, que seria interessante ela ir assistir A FITA BRANCA para ter uma idéia de como era o mundo ontem. Para quem nasceu numa cultura onde tudo é permitido, ou melhor, todas as transgressões são estimuladas,  esse filme de Michael Hanecke deve soar como algo de outro planeta. Ele é o mesmo diretor de  ‘A professora de piano’ e ‘Cachê‘ – este com a Juliete Binoche.

Ali está uma sociedade onde cada coisa tem o seu lugar pré-determinado. E cruel. O sacerdote controla a moral, o barão controla a economia, o médico (pouco ético) opera, os trabalhadores, as esposas  e os filhos obedecem. Mulheres, filhos e trabalhadores são as grandes vítimas. E sob essa estrutura rígida, a maldade, a perfídia, a brutalidade, a sexualidade, a violência e a morte laboram.

Há uma estética nova nas fotos e na narração. Uma tensão incômoda atravessa toda a história.É uma parábola da crueldade humana? No entanto dois núcleos nos dizem que o ser humano pode ser admirável: as cenas do filho menor conversando sobre pássaros com o áspero pai e sacerdote, e o amor entre o professor e a adolescente.

Que sofrimento inútil carregamos nos desencontros dentro da própria tribo!

Direito de Amar (A Single Men. 2009)

Foi inevitável a confusão entre o belo drama “A Single Man” (Direito de Amar) estrelado por Colin Firth-, com “A Serious Man”- o drama de humor negro dos irmãos Coen. Além da semelhança dos títulos, ambas enredos se passam na década de 1960, e ambos contam a história de professores universitários. Tanto Firth e Michael Stuhlbarg dão um show nos seus respectivos papéis.

Em “Um Homen Sério,” os irmãos Coen ironicamente saciam o hábito de desafiar a inteligência de sua audiência com um enigma. O acessível “Direito de Amar”, Tom Ford bota toda a sua atenção sobre as pequenas coisas na vida: desde a alegria de uma crianca, a importancia de um filhote de cachorro, a uma oferta de amizade – e, todas elas provocam uma resposta emocional visível em George (Colin Firth) para superar o luto.

Baseado no romance de Christopher Isherwood (infelizmente, ainda não li!), narra a historia de George, que, cansado do luto pela morte repentina de seu parceiro de longa data, Jim (Matthew Goode). O personagem Jim aparece no filme através de flashbacks (sabemos da noite em que ele e George se conhecem numa festa, e da sua morte num acidente de carro. Mas a ausência dele é sentida através da dor de George (magistral atuação de Firth).

Nas primeiras cenas do filme, George diz em “voiceover”: “Pela primeira vez na minha vida, eu não posso ver o meu futuro. Cada dia que passa em uma neblina… Mas hoje, eu decidi, vai ser diferente.” Num tom de voz bastante otimista, a cena é seguida pela imagem de George colocando um revólver em sua pasta. Depois, ele leva a vida como num dia comum: vai ao trabalho, e nas suas palestras para os jovens alunos, ele acusa a sociedade americana sobre a manipulação do medo; mas tarde, ele compra balas para o seu revolver. Logo a seguir, George vai ao banco, e depois, tem um jantar com uma velha amiga, Charley (lindamente interpretada por Julianne Moore). Exteriormente, George parece “destruido”, mas ele insiste que está bem, mesmo quando dança alegremente com Charley ou flertando com um espanhol em um belo parque de estacionamento. Mas, as visões de Jim voltam para ele, lembrando-lhe o que ele perdeu. Mas, ainda fica no ar: Será que ele vai se matar, ou não?

O retrato cru e honesto de Firth ajuda um pouco a inconvencional fotografia de Eduard Grau, que sutilmente vai modificando a saturação da cor do filme em momentos-chaves para transformar George de pálido e deprimido a quente e brilhante (confirmando que George é um homem que controla seus sentimentos). É um toque maravilhoso e emocionante, e um exemplo perfeito da sensibilidade que Tom Ford traz para o seu filme. O mis-en-scène passa o realismo, em que me vez sentir nos anos 60: as roupas e carros, o cabelo e maquiagem dos personagens, e a mobilia das casas. Mas, ao mesmo tempo, ficou a impressão que não existia gente feia nos anos 60, principalmente através dos olhos de George. A todos que ele dá um ‘close’, não são menos que perfeitos: desde a estudante que parece uma copia da Brigitte Bardot, o miche, o estudante interessado em George, até aos dois homens jogando tenis, e assim vai. Também, achei que Ford exagerou nos “close ups” e o uso de “slow-motion” me pareceu sem sentido, as vezes!

O filme faz uma meditação melancólica sobre o amor, a morte e a vida.

No final da última noite da vida de George, ele se depara com Kenny, (Nicholas Hoult) – o aluno impetuoso e sedutor. A presença desse personagem tem um valor forte para o conjunto do filme como um todo. Ele, jovem e lindo, mas mesmo assim triste, rebate ao experiente George. Na verdade, é na dor de Kenny que George encontra a alegria na vida. E, isso me fez ver o valor do ser humana encontrar paz na dor aparentemente insuperáveis e tragédias. Tudo parece não ser como antes, mas o filme mostra que enquanto o mundo à nossa volta continua a girar, há sempre uma esperança.

A trilha sonora de Abel Korzeniowski é espetacular. Ele emprega variações melódicas e transições suaves de tons para criar um mundo de emoções que complementam o diálogo e a expressão facial de George. A trilha adciona musicas de Shigeru Umebayashi, compositor de Wong Kar-wai. As musicas nesse filme falam quando devem e mantém o silêncio quando o silêncio é mais necessário. Surpreendente(!), e que muito me fez lembrar dos trabalhos de Philip Glass.

A Casa de Alice

A idéia de família modelo tem sido abordado sempre em crise por filmes independentes, mas sempre achei que o cinema brasileiro ficou mais focado ao fator favela (e suas violências) ou a seca e pobreza no nordeste (como se a região fosse restrita a isso!). Acho que último filme brasileiro que amei que trazia a familia como pano de fundo foi “ Lavoura Arcaica”- que é um dos melhores filmes feito nos anos 2000!.

Em DVD, tive a chance de assistir a “Casa de Alice”, que me apresentou uma interessante e triste leitura da família suburbana brasileira. Vi o filme de Chico Teixeira como vendo a família alheia, e pensando que as vezes, a realidade incomoda!

Alice (Carla Ribas, que atriz incrível! Não acho que ela seja um rosto conhecido no Brasil, mas espero vê-la mais vezes no cinema!) faz uma manicure, mãe de três filhos, e tentando de um certo modo salvar o casamento. Ela divide a vida entre o papo com as colegas do trabalho e com as clientes, e em casa com a mãe. Vivendo uma vida cheia de frustração e sonhos, Alice encontra nas suas mentiras uma fuga para evitar ser ridicularizada pelas pessoas ao seu redor. Ela cobiça o homem alheio- um antigo namorado, que e se deu bem na vida e, que parece estar afim de lhe propor um vida melhor. Contudo, ela não quer perder o homem que tem em casa.

O que mais me encantou foi o fato da vida de Alice ser uma roleta russa, fazendo crer que qualquer um de nós somos sujeitos a passar pelos mesmas sentimentos vividos pela personagem. Em sua busca por sua felicidade, Alice parece nem querer ver o declínio da sua propria família. E, o mais interessente no filme e que tudo é visto pelos olhos da matriarca, a avó interpretada por Berta Zemel. Na verdade, é das visões e descobertas da avó que ficamos a saber dos atos dos membros da familia: o marido infiel de Alice, que está tendo um caso com uma jovem, que se passa como amiga confidente da sua filha (Alice); o neto mais velho, que parece um modelo do pai, mas que tem uma vida dupla, trabalhando como michê, e que só parece gostar do irmão mais novo (incesto?!), e o neto do meio, que comete pequenos delitos.

Achei que Teixeira abriu diversos “leques” até interessantes, mas não explora as tramas que ele sugere, ficando uma visão vaga na conclusão do filme. Mas, ao mesmo tempo, a “Casa de Alice” é um filme de qualidade (grande pedaço disso pertence a Carla Ribas!). Nada contra os filmes sobre favela e pobreza no Nordeste, mas o cinema do Brasil pode explorar coisas mais interessantes assim como ilustrado no filme de Teixeira.

Fiquei encantado como esse filme!

Um Sonho Possível (The Blind Side). 2009

Sendo baseado num caso real, já seria uma grande motivação para ver ‘Um Sonho Possível‘. Mas nesse em especial, houve um aditivo a mais: o fato da Sandra Bullock ter ganho o Oscar de Melhor Atriz. Dos filmes listados para essa final de 2010, só tinha visto até então, ‘Julie & Julia‘. E… Um Oscar por esse personagem? Bem, tentando entender o porque do prêmio… Ela conseguiu não ser a Sandra Bullock. Não mostrou as caretas tão delas. Em ‘Crash – No Limite‘, ela já havia mostrado que sabe fazer um Drama, não apenas Comédias Românticas. Mas nesse, ficou um pouco travada. Como a seguir à risca um manual. Muito embora, não tenha me levado a pensar, durante o filme, se outra atriz teria feito desse personagem, memorável. O que eu já defino como uma boa atuação.

Mas seria porque a personagem, ou mesma a estória do filme soa como americana demais? Isso ficou mais nos meus pensamentos quando no final do filme, apareciam fotos dos reais personagens dessa estória, enquanto subia os créditos. A deles, num show de tv, com platéia, me fez pensar no personagem da Ellen Burstyn, em ‘Réquiem para um Sonho‘. Há por lá, essa cultura de mostrar na tv a Família… Bem, pelo menos a desse filme tinha de fato algo a ser mostrado.

Aprendemos, em criança, que uma boa ação não deve ser propagandeada. Mas a desse filme, não teria como passar despercebida. Uma família lourinha resolve adotar um jovem negro. Em plena Mississipi. Palco de grandes tragédias por conta do racismo. Sendo uma Família da Classe Alta da cidade, o fato em si não passaria despercebido. Não naquele local. E indo além um pouco, o mundo carece de oportunidades aos menos favorecidos. Dai, um feito desse deve sim ser mostrado para que motive outros mais a fazerem coisas assim. Até porque, também lembrei dessa frase do filme ‘O Declínio do Império Americano’ (Filme esse, que quero rever, sendo que dessa vez junto com ‘As Invasões Bárbaras’.):

A História não é uma ciência moral. A legalidade, a compaixão, a justiça são estranhas à História. Isso significa, por exemplo, que os negros da África do Sul estão destinados a vencer um dia, enquanto os negros americanos, provavelmente, nunca o conseguirão.

Parece cruel, mas de fato para muitos faltam uma oportunidade. Por menor que seja. Por vezes, a própria mãe precisa tomar uma decisão: em salvar a vida de um filho. Em dar a ele uma chance de crescer com dignidade. Há um filme comovente nesse tocante: ‘Um Herói do Nosso Tempo‘. Há também quem receba tantas oportunidades, que termina por não dar valor a nenhuma. E ainda culpar as circunstâncias, por não sair do lugar. Por não ter um norte.

Assim, há de se pensar também que deveria haver algo mais em comum entre quem dá essa chance e quem a recebe quando ela consegue germinar. De cara, vem que há um coração puro de ambos os lados. E é que parece que temos aqui, não apenas entre os dois – Leigh (Sandra Bullock) e Michael (Quinton Aaron) -, mas de todos na Família Tuchy: o marido, Sean (Tim McGraw); a filha mais velha, Collins (Lilly Collins); e o caçula, S.J. (Jae Head).

Michael pelo porte físico, não seria alguém que passa despercebido. Levado por um dos namorados da mãe, até um Colégio do lado rico da cidade, para que façam dele um atleta. Pela força física, o técnico (Ray McKinnon) resolve aceitar. Tendo que enfrentar o corpo docente de lá. Só uma Professora, Miss Boswell (Kim Dickens), que tal qual Leigh também acreditou que Michael poderia sair-se bem nos estudos. Leigh contrata uma explicadora, Sue (Kathy Bates). Que tenta repetidas vezes encontrar um meio dele assimilar os estudos. Já que dependia também de notas, para se diplomar.

Algo que gostei de ver: se de um lado várias instituições educacionais estavam interessadas apenas no atleta, um Professor de Literatura (Tom Nowicki) ainda queria saber se ele aprendera bem sua matéria. E numa interpretação de um texto, ele mostrou que aprendera sim. Até em mostrar que tinha sentimentos nobres.

O título original – The Blind Side -, refere-se a um posicionamento dentro do futebol americano. Pela importância de um jogador, que terá que defender um companheiro de time, mesmo sem ver qual é, ou em onde ele está. Terá que estar em sintonia com ele para que ele consiga avançar. Aquele que não vê, definirá  partida. Não entendo nada desse jogo. Mas o que fica seria em acreditar em si próprio que será capaz de fazer algo, e grande, mesmo não tendo todo o conhecimento sobre tudo. É cada um fazendo a sua parte, aquilo que sabe fazer, e bem, para o engrandecimento da equipe. Quiçá, do mundo. É essa superação de Michael que nos é mostrada. Leigh mostrou a ele que ele também fazia parte daquela engrenagem.

Por outro lado, ‘The Blind Side‘ também pode significar que ele veio do lado feio da cidade. Da periferia desassistida. Onde pobreza e miséria se fazem presente. Onde o crime alicia muitos jovens. Um lado que o outro lado rico não quer ver. E que se faz necessário, pessoas como a personagem da Sandra Bullock, dar uma oportunidade para que cresçam com dignidade. Para que tenha a chance de ter uma profissão. E por que não, que eles se sintam amado. Que fazem parte de uma família estruturada. Que saibam também como impor o limite com respeito.

O filme emociona! Há momentos engraçados, principalmente na maioria das cenas de Michael com S.J. Aprende-se um pouco do Futebol Americano. A Trilha Sonora está bem integrada ao contexto. É um bom filme. Mas com gosto de Sessão da Tarde.

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Um Sonho Possível (The Blind Side). 2009. EUA. Direção e Roteiro: John Lee Hancock. +Cast. Gênero: Biografia, Comédia, Drama, Esporte. Duração: 129 minutos. Baseado no livro ‘The Blind Side: Evolution of a Game’, de Michael Lewis.

CURIOSIDADE:
- Sandra Bullock levou o Oscar e o Globo de Ouro de Melhor Atriz em 2010.

KOLYA – O Exército Conquistado

Por: Pedro Moreira da Silva Neto.
A metáfora do filme (1996) é forte no sentido social e político com o que ocorreu com a antiga Checoslováquia. A invasão russa foi uma das causas da estruturação de políticas de controle social, de possibilidades e impossibilidades do livre arbítrio, e da presença de tropas militares internas no país.

O nome dado no Brasil é Kolya – uma lição de amor. Em nossa opinião é outro tipo de lição que não se escapa ao amor, de fato, mas um outro aspecto da afetividade.
A partir de um estado de direito destroçado, entre a guerra fria, e a tomada de poder por linhas comunistas extremamente mecanizadas, a Checoslovaquia passou por um processo de aculturação do que seria uma irmandade eslava. Os valores culturais, desde a tradição e sua manifestação estavam ameaçados, pode-se dizer que não se podia ser quem se era.

Se por um lado a burocracia é chamada de feminina em sua ordenação gradual para se atingir um resultado, por outro, na burocracia, a utilização desse mecanismo é masculino em sua evidência atroz. A invasão russa traz consigo velhas querelas e preconceito, põe em cheque a união eslava, no sentido de que a linguagem muito próxima se desintegrava em sua manifestação cultural.

Kolya traz consigo o sifnificado de um exército vencedor, o nome representa a conquista. Essa conquista fica implícita no filme e se define pela inocência de uma criança russa que de certa forma quer ser checa, ela deseja resgatar a alegria da expressão da língua eslava e de sua reificação através da cultura.

A história é simples, e passa em 1988, conta que Louka um violoncelista que fora despedido da orquestra por questões polítcas-burocráticas e de poder estando desempregado se obriga a enterrar significativamente os seus mortos. Ele toca em funerais. O desejo de um carro que pudesse facilitar o transporte de seu instrumento e de possibilitar melhores ganhos para a sobrevivência o põe em uma situação de ansiedade.

Solteiro convicto aceita um pacto de se casar com uma mulher refugiada russa para que esta obtenha a cidadania e assim adquirir o dinheiro para a compra de seu objeto de sonho, o carro. Ela de fato consegue esse direito e imediatamente foge com seu namorado para a Alemanha e deixa o filho com a avó para que logo voltar e buscá-lo. A avó morre e os familiares entregam o menino a Louka.

A situação é estranha para aquele que deseja se manter na sua singularidade de artista sem família. No momento que aceita Kolya, ao mesmo tempo reintegra-se à sua origem eslava, e ao mesmo tempo encara a sua situação política, e sua decisão de favorecer uma mulher russa refugiada, e ao mesmo tempo põe e risco a vida de um inocente, e assim necessita se recompor como um homem de responsabilidade universal, isto é livre e capaz.

O filme mostra a marcha da Perestróika, e a desintegração do bloco soviético. A conhecida Revolução de Veludo que processou a redemocratização do país.  Kolya e Louka buscam se entender, aprendendo uma linguagem irmã que se fortalece com a amizade ao mesmo tempo que questões sociopolíticas.

Com a mudança da política interna, Kolya pode retornar à mãe que vive no oeste da Alemanha, eles se despendem na estação de trem como velhos amigos. Louka retorna a seu país e à orquestra.

Kolya une linguagem, cultura, política, direitos num só movimento representado pela inocência da criança. O menino sem pai, na verdade é “sem pátria” que possui a mesma raiz etimológica. Mais que todas as forças Kolia é o exército que conquista a paz, o vencedor.

Curiosidade: Em 1993 a Tchecoslováquia deixou de existir com a dissolução da federação formando a República Checa e a Eslováquia.

O Banheiro do Papa – A vida imita a arte que imita a vida

O Banheiro do Papa (El Baño del Papa) é um filme baseado em fatos reais. Um drama que narra a vida e a luta diária de um povo sofrido e seus subempregos, vivendo de fazer bicos e transporte ilegal de muambas (pleonasmo proposital) na fronteira entre Brasil e Uruguai; fato centrado em uma família miserável da cidade de Melo, no Uruguai no ano de 1988, época do Papa João Paulo II e sua Odisséia pelo mundo.

O que mais me chamou a atenção nesse roteiro foi a criatividade, algumas ótimas sacadas, e a fotografia belíssima. São pequenas histórias assim banais que me cativam sendo transformadas em obra de arte. A viagem do maior representante da igreja católica pelo mundo tornou-se assunto corriqueiro depois de um determinado tempo; a imprensa no início fazia aquele alarde, cobertura ampla, geral e irrestrita, o foco estava centrado no Vaticano e na próxima parada de Vossa Santidade Karol Wojtyla.
Melo, que faz fronteira com o Brasil, começou a se preparar para esse santo dia. Os meios de comunicação anunciando constantemente a passagem do Papa por lá, contabilizando 50 mil pessoas participando do evento, deixou o povo pra lá de eufórico. A vinda dele é esperada pela população como uma forma de ganhar dinheiro extra. Muitos deles investiram suas economias comprando comida para alimentar a população nesse dia, bandeirinhas, souvenires e outras bugigangas; outros com a mesma idéia, mas sem recursos próprios, recorram a empréstimos a bancos.
Somente uma família teve uma idéia genial: A do Beto e sua esposa Carmen mais a sua filha Silvia. Pensaram em construir um banheiro, para uso exclusivo dos visitantes que por lá passariam, a fim de atender suas necessidades fisiológicas e cobrariam um valor simbólico de $$ 1,00, com direito a papel higiênico e tudo o mais.
Começaram a construir o banheiro no quintal da casa com tudo o que tem direito: porta, paredes de alvenaria, pia e faltava o detalhe principal o vaso sanitário. Carmen, a esposa que não era boba nem nada, tinha lá escondido no colchão suas economias que guardava para a educação de Silvia, sua filha que sonhava ser radialista. A propósito, a chegada do Papa por aquelas paragens seria o momento ideal para a garota mostrar seu talento, que por sinal vivia ensaiando. Já no dia D, da chegada do ilustre visitante é que Beto foi à cidade comprar o trono, porém, com todo o alvoroço, o formigueiro humano que se formava  naquele dia, fez com que ele se atrasasse e não conseguisse voltar para casa com o tão sonhado objeto do desejo nas costas. Num determinado momento, a família estava antenada com um canal de televisão que noticiava o povo se dirigindo ao local da chegada do divino evento, no centro da cidade e, de repente, vê no meio da multidão Beto carregando a privada e deduz que não chegaria a tempo de terminar o banheiro.
Muito trabalho por nada. Os moradores queriam tanto ganhar uns trocados, mas todo esforço de tempo e dinheiro investidos, tantos sacrifícios foram parar na lixeira. E ninguém naquele bendito dia queria fazer xixi.
Aprende-se muito com histórias desse gênero. Sempre tiramos alguma lição de vida. No carnaval 2010 do Rio de Janeiro, por exemplo, jovens moradores vizinhos do Sambódromo, aproveitaram o momento festivo para ganhar dinheiro. Como os banheiros químicos espalhados pela cidade nesse período não estavam dando vazão, duas adolescentes tiveram a idéia de alugar o de suas casas cobrando R$ 1,00 daqueles que precisavam se aliviar. Se deram bem. Chegaram a ganhar R$ 400,00 num dia de carnaval. Isso foi notícia em vários meios de comunicação, e a associaram a outro fato negativo que esse período proporciona, o de fazer as necessidades em lugares públicos. O Brasil está no ranking do ato obsceno com maior representação entre os porcalhões, que fazem xixi na rua. A repressão para os mijões presos no carnaval resultou em prisão e multa. Haja cadeia. E adianta?
Esse povo pagante é, lamentavelmente, a porcentagem mínima dos educados da nação “não faz mais que a obrigação”, já que muitos preferem deixar seus dejetos nas praças, postes, árvores ou ao lado mesmo do banheiro perdendo o seu propósito. Sem falar nos lixos que são largados em qualquer canto, em qualquer lugar.
Será que uma campanha educativa na mídia, ajudaria? Abraço a genialidade do roteiro pelas boas intenções. Por outra ótica, pode ser interpretada como uma crítica aos atos de um povo, questão de ética e cidadania, por mais simples que ela seja. Fazer xixi no lugar certo, por exemplo. A educação que deveria vir de berço não existe há tempos. Sobra mais um desafio para os bancos escolares. Clap! Clap! Clap!
Karenina Rostov

LUZ SILENCIOSA – A manutenção da tradição pela paixão

Por: Pedro Moreira da Silva Neto.
A ideologia de Luz Silenciosa participa de uma situação eminentemente moderna para uma organização que se determina na tradição. O contraponto entre ordem estabilizada e modernidade em seu abrupto tempo não determinado, não esperado se acondiciona na paixão.

Novamente se estabelece no relacionamento a condição de se petrificar, isto é, de se manter na ordem. Essa aparência é deslocada quando se percebe que é a troca conservadora por outra, a ação de um passe, de situação estruturada para outra é também tradicional no sentido de reificação do sujeito na perda de uma seguridade vivida na tradicionalidade.

Não ser tradicional, não pertencer a uma ordem não conservadora é uma atitude, por assim dizer estritamente tradicional e conservadora já que a tentativa de uma liberalidade de amor está também presa, petrificada no sentido de paixão, isto é, de uma determinação voluntariosa que se organiza na perda. Quero dizer que a perda de uma referência, de uma posição tal frente à comunidade, no caso Menonita (mas poderia ser outra) se encontra nessa dualidade entre ganhos e perdas, legitimação de um bem paixão pela morte. Que mesmo é isso, no sentido cristão que a representação do amor exacerbado se encaminha, à morte, à transmutação.

O que define por fim, essa condição de perda é, portanto, o despojo do amor, o desencontro que ocasiona a irracionalidade e a organização. Nesse sentido, penso que esta necessidade da perda é uma construção de perdas que, sem retorno se encaminha à entrópica situação do sujeito frente ao meio, uma localização geográfica da morte no território da paixão.

Luz silenciosa não é para mim uma luminosidade ascendente, senão a perda da clarificação do estado de ser. A ética amorosa, com ou sem conservantismo é a lógica da permanência reestruturada e não do corte, da amarra, mas de uma impossibilidade de ascensão cultural do indivíduo, de sua auto-percepção enquanto falho, enquanto criador de oportunidade, e relacionado não ao objeto individual do desejo, mas da transmutação do amor paixão pelo amor. O sentido de amor maior que é perdido para uma criatura que não consegue, portanto, se estabelecer.

A aculturação, ou a inversão de valores, ou o racional e emocional num embate de qualificação. A perda da memória afetiva, interna, e a percepção externa de uma realidade sociocultural, entre tudo, filhos, futuro, posição, conhecimento, atividade produtiva, fatores que são substituídos por uma posição diversa, mas muito comum e conhecida: amor paixão, indefinição às ordens culturais, motivações emocionais, pouca percepção ou um individualismo que é levado por outro que apesar de conhecido é indeterminado, contrariedade ao controle social da cultural estabelecida, entre outros aspectos.

O que se percebe que Luz Silenciosa não trata do direito de amar, mas a ocasião da paixão e a perda sim de um olhar referencial ao estado do sujeito em sua comunidade. Uma posição do indivíduo -vestido de mundo, em sua mundaneidade- que necessita de uma opção de qualidade para si, de um desejo seu e não de uma relação do sujeito frente a seu universo de conhecimento, ou de pertencimento local, ou de sentido comunitário, e mesmo de realização.

A modernidade implanta um sujeito deslocado da cotidianidade da vida relacional num casamento com a fratura do sentido sociocultural. A opção é mais um acontecimento na vida da individualidade frente à ordem familiar e cultural.

Elizabeth Fehr faz o papel da mulher traída por Johan (Cornelio Wall Fehr) menonita (comunidade religiosa que defende o pacifismo radical e rejeitam o progresso) se apaixona por outra mulher. O ator é de fato também um menonita e se espantou em se ver no vídeo. No filme não está em cheque a questão de opção comunitária, mas as esperanças de uma família, de organização apaixonada pela paz ontológica de se realizar bem por reciprocidade. A comunidade onde foi realizado o filme está ao norte do México. Uma comunidade menos radicalizada nos preceitos, mas determinada em prover o sentido comunitário em sua tradição. Apesar de possuírem carros, e outros equipamentos tecnológicos a comunidade de Johan se mantém na direção de sua crença e organização.

O fato de se apaixonar por outra é antes de tudo um acontecimento humano, mas também é um símbolo de que os fatos exteriores invadem a mais estruturada organização tradicional. Por outro lado se faz como uma definição de que havendo o senso de poder, isto é, o sujeito está em posse de algo que o mobiliza, talvez implícito pela concussão tecnológica, pela impregnação da vontade que o faz redentor, o apaixonado. A vontade de poder então é mais uma presença na vida de todos nós como nos diz Nietzsche e a sua relação com o futuro nos torna vagos e independentes, nos faz a caminho sem direção, mas justificados por aquilo que nos permite realizar a paixão e dentro dela a sua alteração com a morte. Morre com a fé o homem, e nasce do homem a fé em sua condução inexorável à morte.

No espaço estruturado finito não é possível o engano, a mentira e não pode haver perda sem a reposição ideológica presente no outro.

A morte da mulher é o resultado da paixão (alguém deve morrer mesmo que de forma simbólica), morre para que a outra se anteponha à ordem, para que continue a estrutura desejada e amada, para que sublime o amor e retorne à tradição.

A quem assiste ao filme percebe que está inclinado a partir que é em última instância um desejo de permanência que é “obliterado” pela partida.

Os Inquilinos. Os incomodados que se mudem

Sinopse: O núcleo central da trama é formado por Valter (Marat Descartes), Iara (Ana Carbatti) e os dois filhos do casal. Eles moram em um bairro da periferia de São Paulo e seguem a vida normalmente até que chegam novos vizinhos. Valter trabalha durante o dia e estuda à noite. Sua mulher diz que os novos inquilinos não trabalham, que devem ser bandidos. Ninguém sabe exatamente de onde vieram os três rapazes; Iara conta que eles levam mulheres para casa, falam palavras sujas e fazem muito barulho. Os jovens da rua querem ir para a briga, mas Valter quer apenas dormir. Ele não tem uma arma, fica fora o dia inteiro, não vê o que se passa na rua, ouve o que a mulher diz, o que a rua diz, ouve o barulho da música e das risadas dos inquilinos de madrugada. E não consegue dormir. Quem vai morrer? Valter não sabe.

Sérgio Bianchi não é um diretor de trabalhos relaxantes e fáceis. O autor de “Quanto vale ou é por quilo” e “Cronicamente Inviável” prima por uma linguagem dúbia e recheada de situações que denunciam as mazelas da sociedade.

O roteiro de “Os Inquilinos” é alinhavado com uma estrutura aparente singela e comum a vida de muita gente: Numa periferia cercada de perigos, uma família simples é aterrorizada pela chegada de vizinhos de honestidade duvidosa.

Um olhar mais atento vai perceber que o premiado roteiro esconde personagens riquíssimos de identidades dissimuladas e contestáveis. A diversidade oscilante das figuras em cena é valorizada por uma montagem competente com sequencias que mixam realidade com prováveis delírios defendidos por um elenco afiado, incluindo as crianças. A aparente narrativa linear é interrompida por algumas poucas imagens que sugerem e confundem sem explicar dando um tom misterioso e mágico que marcam e dão consistência ao trabalho. A edição digital prejudica o resultado final do som mais alto quando a (ótima) trilha musical é inserida, pecado perdoável neste filme inquietante que mantém a atenção até o estranho desfecho de assombrosa atmosfera cotidiana.

Carlos Henry

Entre Irmãos (Brothers. 2009). Se nem os dedos da mão são iguais…

Entre Irmãos nos leva a algumas reflexões. Embora trechos dele remete a outros filmes, num todo, ele ganhou uma estória única: a relação entre dois irmãos. Num momento da vida deles. Como canalizaram os ressentimentos guardados com os acontecimentos presente. Mais! Será que o amor constrói, ou destrói a vida de um homem? E o desamor, que consequências futuras trará? Já adiantando que mesmo sendo um bom filme, não me deixou uma vontade de rever.

A relação entre esses dois irmãos – Sam (Tobey Maguire) e Tommy (Jake Gyllenhaal) -, não é transparente. Embora se gostem, não há intimidades, entre eles. Como se vivessem em lugares distantes. Há um tipo de competição entre eles. Inconscientemente. Traçando um paralelo com a realidade… Que como toda relação entre irmãos, essa competição começa na primeira infância. Como também, com o passar dos anos ela se intensifica. Mais! Em vez de acabarem com ela, é alimentada pelos próprios pais. Por conta das comparações entre seus filhos. Será que não entende que cada um é um ser único?

Como se quebra um ciclo vicioso desses? De imediato: seria se dando conta de que tem algo errado consigo próprio, e que não tem como resolver sozinho. Do contrário, poderá chegar num momento que irá explodir. Mais que arcar com as consequências, não deve é transferir para outros, esse seu erro.

O Mito Caim e Abel não se encaixa nessa história. Já que Sam sempre recebeu muito amor do pai, Hank (Sam Shepard). Era tido como o filho exemplar. Se ele fez o que fez, fora levado… talvez por uma superproteção. Sam pelo seu temperamento meio introvertido, pelo peso em ser um bom filho, tenha preferido seguir a carreira militar para sentir-se sobre controle. Nem era porque o pai também fora um militar. Sentia-se muito mais em casa no Quartel, do que em sua própria casa. Mas uma coisa era estar aquartelado, em plena segurança. Outra coisa era estar num campo de batalha. Ai, se vive e como se comete atos desprezíveis.

Guerras! As insanidades, as atrocidades… cometidas e avalisadas por ela. Onde não há códigos de ética, já que atendem aquele que se sente soberano. Ou, as potencias que lucram fomentando as guerras. Por trás delas, uma indústria maior: a bélica. Embora fato real como o com o diplomata brasileiro Sérgio Vieira de Mello, até por não respeitarem a Bandeira da ONU, os Estados Unidos pecaram em invadir o Iraque. Como também em “convencer” até as crianças de seu país, que estavam indo combater o povo mau. A ONU também, nessa Guerra, se preocupava mais com os combustíveis, do que com a população inocente… A estória desse filme, é um desdobramento dessa invasão. No Afeganistão.

“Na guerra, o único heroísmo é sobreviver“. (Samuel Fuller)

Em outras palavras: melhor ser um covarde vivo, do que um herói morto. Agora, é um “vale tudo” mesmo para se manter vivo? Sam mostrou que não estava preparado para esse “poder de matar”. Mas alguém em sã consciência estaria? Mais! Será que faríamos o mesmo que ele? E o que faríamos depois?

Bem, Sam transferiu sua culpa em quem não tinha nada com isso. Por conta disso, é que se eu fosse definir esse filme numa única palavra, ela seria transferência. Mas já dizendo aos da área psico, que aqui eu não sei se teria o mesmo significado do que tem para vocês. Porque esse transferir seria em arrumar um outro pretexto onde culpar alguém por algo, com isso fugindo do seu problema. Não é fuga, mas um descarregar. Sam, por exemplo, não fez aquilo que cobrou do irmão…

Agora ele, seu irmão Tommy. A ovelha desgarrada… Tommy, mais expansivo, ou seria mais explosivo? Um rebelde com causa… Está saindo da prisão, às vésperas de Sam embarcar para o Afeganistão. Como está em condicional, sabe que terá que se comportar. Pagando pelo seu erro. Mas faltava ainda se libertar de outras prisões… Fiquei pensando se alguém mais extrovertido, ou com propensão a ser assim, se levaria mais chances de uma volta por cima.

Sam é dado como morto. Recebeu enterro como Herói de Guerra. Tommy, primeiro se rebela com essa notícia. O amava. Mas sabendo também que ganharia mais um estigma se não se endireita-se de vez. O estigma seria: ‘Por que ele morreu, e não eu?’ Para a Família ele nada valia. Assim, resolve ajudar a cunhada, Grace (Natalie Portman) cuidar das suas sobrinhas: Isabelle (Bailee Madison) e Maggie (Taylor Geare). Carismático, Tommy acaba conquistando as três. Por tabela, uma aproximação do pai.

Ao voltar para a casa… com um pesado fardo… Sam percebe que sua casa ganhou vida com a sua “morte”. Que sua Família estava feliz com o novo Tommy. Mas quem de fato mudara? Sam ou Tommy? Mesmo tendo vivido num inferno, Sam teria o direito de descarregar naqueles que o amavam tanto? Quem mostrou-se mais apto a resolver a questão? Tommy, ao longo da vida, viu, viveu, as mazelas do ser humano. Sam e Hank, só viram, viveram esse lado sombrio da humanidade, nas Guerras.

Sobre os atores… O homem-aranha cresceu! Brincadeirinha! É que ainda está vivo na memória esse personagem de Tobey Maguire. Ele até que atuou direitinho nesse aqui. Mas queria o seu Sam mais arrebatador. De fazer dele um quase vilão, quando fez o que fez. Jake Gyllenhaal sim, esse quase rouba o filme. Só não fez, porque a trama do filme se destaca mais. É uma estória “patrocinada” pela cultura de guerrear com a desculpa de combater o mal. Como a não enxergar que, diante de um desafio, quais valores sobressairão. Em relação aos outros atores, uns, também atuaram direitinho.

Como falei no início, é um bom filme. Vale ser visto mais pela estória desses dois irmãos. A Trilha Sonora está ótima! Mas o filme por um todo não me deixou saudades.

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Entre Irmãos (Brothers). 2009. EUA. Direção: Jim Sheridan. +Cast. Gênero: Drama, Guerra, Thriller. Duração: 105 minutos.

P.s(17/03/10): Faltou contar que o ciclo dessa Família iria continuar. Na cena do aniversário da caçula, a filha mais velha mostrou-se ser igual ao pai. Para sua felicidade pessoal, não se intimidaria em mentir, humilhar, magoar, ferir… quem quer que fosse.