Entre Irmãos (Brothers. 2009). Se nem os dedos da mão são iguais…

Entre Irmãos nos leva a algumas reflexões. Embora trechos dele remete a outros filmes, num todo, ele ganhou uma estória única: a relação entre dois irmãos. Num momento da vida deles. Como canalizaram os ressentimentos guardados com os acontecimentos presente. Mais! Será que o amor constrói, ou destrói a vida de um homem? E o desamor, que consequências futuras trará? Já adiantando que mesmo sendo um bom filme, não me deixou uma vontade de rever.

A relação entre esses dois irmãos – Sam (Tobey Maguire) e Tommy (Jake Gyllenhaal) -, não é transparente. Embora se gostem, não há intimidades, entre eles. Como se vivessem em lugares distantes. Há um tipo de competição entre eles. Inconscientemente. Traçando um paralelo com a realidade… Que como toda relação entre irmãos, essa competição começa na primeira infância. Como também, com o passar dos anos ela se intensifica. Mais! Em vez de acabarem com ela, é alimentada pelos próprios pais. Por conta das comparações entre seus filhos. Será que não entende que cada um é um ser único?

Como se quebra um ciclo vicioso desses? De imediato: seria se dando conta de que tem algo errado consigo próprio, e que não tem como resolver sozinho. Do contrário, poderá chegar num momento que irá explodir. Mais que arcar com as consequências, não deve é transferir para outros, esse seu erro.

O Mito Caim e Abel não se encaixa nessa história. Já que Sam sempre recebeu muito amor do pai, Hank (Sam Shepard). Era tido como o filho exemplar. Se ele fez o que fez, fora levado… talvez por uma superproteção. Sam pelo seu temperamento meio introvertido, pelo peso em ser um bom filho, tenha preferido seguir a carreira militar para sentir-se sobre controle. Nem era porque o pai também fora um militar. Sentia-se muito mais em casa no Quartel, do que em sua própria casa. Mas uma coisa era estar aquartelado, em plena segurança. Outra coisa era estar num campo de batalha. Ai, se vive e como se comete atos desprezíveis.

Guerras! As insanidades, as atrocidades… cometidas e avalisadas por ela. Onde não há códigos de ética, já que atendem aquele que se sente soberano. Ou, as potencias que lucram fomentando as guerras. Por trás delas, uma indústria maior: a bélica. Embora fato real como o com o diplomata brasileiro Sérgio Vieira de Mello, até por não respeitarem a Bandeira da ONU, os Estados Unidos pecaram em invadir o Iraque. Como também em “convencer” até as crianças de seu país, que estavam indo combater o povo mau. A ONU também, nessa Guerra, se preocupava mais com os combustíveis, do que com a população inocente… A estória desse filme, é um desdobramento dessa invasão. No Afeganistão.

“Na guerra, o único heroísmo é sobreviver“. (Samuel Fuller)

Em outras palavras: melhor ser um covarde vivo, do que um herói morto. Agora, é um “vale tudo” mesmo para se manter vivo? Sam mostrou que não estava preparado para esse “poder de matar”. Mas alguém em sã consciência estaria? Mais! Será que faríamos o mesmo que ele? E o que faríamos depois?

Bem, Sam transferiu sua culpa em quem não tinha nada com isso. Por conta disso, é que se eu fosse definir esse filme numa única palavra, ela seria transferência. Mas já dizendo aos da área psico, que aqui eu não sei se teria o mesmo significado do que tem para vocês. Porque esse transferir seria em arrumar um outro pretexto onde culpar alguém por algo, com isso fugindo do seu problema. Não é fuga, mas um descarregar. Sam, por exemplo, não fez aquilo que cobrou do irmão…

Agora ele, seu irmão Tommy. A ovelha desgarrada… Tommy, mais expansivo, ou seria mais explosivo? Um rebelde com causa… Está saindo da prisão, às vésperas de Sam embarcar para o Afeganistão. Como está em condicional, sabe que terá que se comportar. Pagando pelo seu erro. Mas faltava ainda se libertar de outras prisões… Fiquei pensando se alguém mais extrovertido, ou com propensão a ser assim, se levaria mais chances de uma volta por cima.

Sam é dado como morto. Recebeu enterro como Herói de Guerra. Tommy, primeiro se rebela com essa notícia. O amava. Mas sabendo também que ganharia mais um estigma se não se endireita-se de vez. O estigma seria: ‘Por que ele morreu, e não eu?’ Para a Família ele nada valia. Assim, resolve ajudar a cunhada, Grace (Natalie Portman) cuidar das suas sobrinhas: Isabelle (Bailee Madison) e Maggie (Taylor Geare). Carismático, Tommy acaba conquistando as três. Por tabela, uma aproximação do pai.

Ao voltar para a casa… com um pesado fardo… Sam percebe que sua casa ganhou vida com a sua “morte”. Que sua Família estava feliz com o novo Tommy. Mas quem de fato mudara? Sam ou Tommy? Mesmo tendo vivido num inferno, Sam teria o direito de descarregar naqueles que o amavam tanto? Quem mostrou-se mais apto a resolver a questão? Tommy, ao longo da vida, viu, viveu, as mazelas do ser humano. Sam e Hank, só viram, viveram esse lado sombrio da humanidade, nas Guerras.

Sobre os atores… O homem-aranha cresceu! Brincadeirinha! É que ainda está vivo na memória esse personagem de Tobey Maguire. Ele até que atuou direitinho nesse aqui. Mas queria o seu Sam mais arrebatador. De fazer dele um quase vilão, quando fez o que fez. Jake Gyllenhaal sim, esse quase rouba o filme. Só não fez, porque a trama do filme se destaca mais. É uma estória “patrocinada” pela cultura de guerrear com a desculpa de combater o mal. Como a não enxergar que, diante de um desafio, quais valores sobressairão. Em relação aos outros atores, uns, também atuaram direitinho.

Como falei no início, é um bom filme. Vale ser visto mais pela estória desses dois irmãos. A Trilha Sonora está ótima! Mas o filme por um todo não me deixou saudades.

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Entre Irmãos (Brothers). 2009. EUA. Direção: Jim Sheridan. +Cast. Gênero: Drama, Guerra, Thriller. Duração: 105 minutos.

P.s(17/03/10): Faltou contar que o ciclo dessa Família iria continuar. Na cena do aniversário da caçula, a filha mais velha mostrou-se ser igual ao pai. Para sua felicidade pessoal, não se intimidaria em mentir, humilhar, magoar, ferir… quem quer que fosse.

2 comentários em “Entre Irmãos (Brothers. 2009). Se nem os dedos da mão são iguais…

    • Oi Rê!

      Quando publiquei o texto, eu já estava acamada. E só o fiz, porque o texto já estava quase pronto. Mas como deixei para procurar pela trilha sonora depois… nem imaginei que a “virose” me faria ficar tantos dias prostada.

      Vou vê se acho a trilha e coloco aqui.
      Beijo,

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