A Casa de Alice

A idéia de família modelo tem sido abordado sempre em crise por filmes independentes, mas sempre achei que o cinema brasileiro ficou mais focado ao fator favela (e suas violências) ou a seca e pobreza no nordeste (como se a região fosse restrita a isso!). Acho que último filme brasileiro que amei que trazia a familia como pano de fundo foi “ Lavoura Arcaica”- que é um dos melhores filmes feito nos anos 2000!.

Em DVD, tive a chance de assistir a “Casa de Alice”, que me apresentou uma interessante e triste leitura da família suburbana brasileira. Vi o filme de Chico Teixeira como vendo a família alheia, e pensando que as vezes, a realidade incomoda!

Alice (Carla Ribas, que atriz incrível! Não acho que ela seja um rosto conhecido no Brasil, mas espero vê-la mais vezes no cinema!) faz uma manicure, mãe de três filhos, e tentando de um certo modo salvar o casamento. Ela divide a vida entre o papo com as colegas do trabalho e com as clientes, e em casa com a mãe. Vivendo uma vida cheia de frustração e sonhos, Alice encontra nas suas mentiras uma fuga para evitar ser ridicularizada pelas pessoas ao seu redor. Ela cobiça o homem alheio- um antigo namorado, que e se deu bem na vida e, que parece estar afim de lhe propor um vida melhor. Contudo, ela não quer perder o homem que tem em casa.

O que mais me encantou foi o fato da vida de Alice ser uma roleta russa, fazendo crer que qualquer um de nós somos sujeitos a passar pelos mesmas sentimentos vividos pela personagem. Em sua busca por sua felicidade, Alice parece nem querer ver o declínio da sua propria família. E, o mais interessente no filme e que tudo é visto pelos olhos da matriarca, a avó interpretada por Berta Zemel. Na verdade, é das visões e descobertas da avó que ficamos a saber dos atos dos membros da familia: o marido infiel de Alice, que está tendo um caso com uma jovem, que se passa como amiga confidente da sua filha (Alice); o neto mais velho, que parece um modelo do pai, mas que tem uma vida dupla, trabalhando como michê, e que só parece gostar do irmão mais novo (incesto?!), e o neto do meio, que comete pequenos delitos.

Achei que Teixeira abriu diversos “leques” até interessantes, mas não explora as tramas que ele sugere, ficando uma visão vaga na conclusão do filme. Mas, ao mesmo tempo, a “Casa de Alice” é um filme de qualidade (grande pedaço disso pertence a Carla Ribas!). Nada contra os filmes sobre favela e pobreza no Nordeste, mas o cinema do Brasil pode explorar coisas mais interessantes assim como ilustrado no filme de Teixeira.

Fiquei encantado como esse filme!

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Um comentário em “A Casa de Alice

  1. Olá Rogerio, tudo bom?
    Quando assisti “A Casa de Alice” também havia ficado hipnotizado com o que tinha acabado de assistir. Filme autoral brasileiro, com uma veia tão realista, que é arrebatador. O filme conta com um enredo muito interessante – me lembrou por diversas vezes “Linha de Passe.

    Carla Ribas faz uma composição de personagem maravilhosa, está sublime em cena, veste a camisa de Alice com uma convicção impressionante. E o resto do elenco também está de acordo, desde os garotos até a sua amiga cliente do salão – embora o destino dessa personagem nao tenha me deixado satisfeito por completo.

    abraço!

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