Querido John (Dear John. 2010)

Ainda vendo o filme – Querido John -, fiquei pensando se teria que me posicionar como uma estadunidense para entender melhor o que ia pela cabeça do casal de protagonistas. Para pelo menos não ser tão crítica com eles, vendo-os como superficiais demais. Até o engajamento de ambos, não pareceu vir de dentro. Talvez por uma fuga, ou mesmo por não ter uma perspectiva maior para si mesmos. Claro que nem todos precisam nadar contra a correnteza. Nem todos precisam ter ambições profissionais. Até entenderia que a personagem aqui, tivesse “saído” da Escola do filme ‘O Sorriso da Monalisa’. Que a estória deles até possa ter dado certo no Livro. Mas no filme, a estória de ambos se perdeu. Eu não sabia se abandonava a sessão, ou se ansiava que chegasse logo ao final. Por fim, terminei de assistir. E… Tudo por conta de John (Channing Tatum) e Savannah (Amanda Seyfried).

Começando por John, e por algo positivo do personagem. Algo que costumo ressaltar em meus textos. O de canalizar um aspecto próprio que pode até destruir a vida de uma pessoa. Pois já que é nato, o melhor a fazer é encontrar um outro caminho, num fim benéfico, ou menos destruidor. John era extremamente forte. Mais! Reagia muito rápido, e com violência, a até a uma agressão verbal. Muito embora, fosse uma pessoa pacata. Por conta de uma briga… se alistou. Para mim, foi para ter como descarregar essa força, e sob um comando. Criado pelo pai (Richard Jenkins – Sempre ótimo!) desde a infância. A mãe abandonara os dois. Seu pai colecionava moedas. Um hobby passado pelo filho, após esse ter-se encantado com uma visita na Casa da Moeda quando criança. Ambos, de pouca fala. Seu pai era uma pessoa extremamente metódica. E tendo boa índole também.

John estava de férias – duas semanas -, do serviço militar. Em seu primeiro dia, uma jovem chama a sua atenção. Ela nem o notara. Chegara com um grupo no pier onde John olhava o horizonte após surfar. O rapaz que acompanhava a jovem, ao brincar com a bolsa dela, acaba deixando cair no mar. Enquanto ele corre, para sair do pier, e pela praia ir buscar a bolsa, John pula lá de cima mesmo. Um gesto imprudente, que poderia até ser fatal. Era um macho chamando a atenção da fêmea. E conseguiu. Ela é Savannah. Que se sente na obrigação em retribuir o favor. Já que ele lhe trouxera sua bolsa.  Aos poucos, o gelo foi se quebrando, e eles começaram a namorar. Cientes, que ele voltaria para o Quartel, e ela iria para a Faculdade.

Às vésperas dele embarcar, eles se desentendem. Tudo porque Savannah comenta do problema do pai do John. Ele fica indignado. Na cabeça dele, era como se ela chamasse seu pai de maluco. Savannah tinha percebido que o pai dele era autista. Ela tinha um pouco de experiência nisso, por conta do filho, Alan (Braeden Reed), de um grande amigo, Tim (Henry Thomas), de seus pais.

Refeito, já mais calmo, John vai procurá-la, até para se desculpar. Não a encontrando, deixa um bilhete com um vizinho. O tal pai do menino, e que já sentira físicamente uma das explosões de John. Mais tarde, Savannah vai ao seu encontro, e com uma carta. Selando de vez, o compromisso de sempre escreverem cartas contando tudo o que faziam, enquanto estivessem longe.

A princípio, John daria baixa dali a alguns meses. Mas um grande incidente o fez mudar de ideia, e seguir carreira militar. Fora o 11 de Setembro. E é por conta disso, um dos motivos que citei no início do texto. Logo de início, até dá para entender a causa que o Bush levantou: combater os terroristas. Mas com o passar do tempo, caberia uma reflexão maior. Mas é o que falei: eu não sou uma cidadã americana. Como já deixei meu ponto de vista sobre o que veio com o 11 de Setembro, em alguns textos de filmes como em ‘Soldado Anônimo‘ e ‘No Vale da Sombras‘, para citar dois exemplos.

Com isso, o tempo longe um do outro foi aumentando.

Savannah, até pelo carinho com o pequeno autista, investe seu tempo e dinheiro num Haras para uma ajuda terapêutica, ou até reabilitação de Crianças com algum tipo de sequela. Mas sem nenhum planejamento, não soube levar o espaço adiante. Era algo caro demais para se manter. A bem da verdade, ela estaria melhor como uma dona de casa, que ocupasse seu tempo vago como voluntária em causas humanitárias. Os bastidores, era muito trabalhoso para ela. E sem John por perto, a sua realidade como pessoa a levava a tomar uma decisão, e logo. Para ela, a receita da felicidade era ter sonhos realizáveis.

A distância consegue matar um grande amor?

Quando se está de fora, é até fácil dizer: ‘Isso eu não faria!’. Até aqui, eu aceito. Mesmo assim, o que esses dois fizeram, fora um desperdício de vida. Eles se “engajaram” em causa alheia, esquecendo deles mesmos. No que ela fez, pode até ter um que de humanitário, mas fora precipitado.

Enfim, Se enxugassem um pouco o filme, ficaria como um bom sessão da tarde. Mas do jeito que está, ficou um tédio. Não recomendo.

Por: Valéria Miguez (LELLA)

Querido John (Dear John). 2010. EUA. Direção: Lasse Hallström. +Cast. Gênero: Drama, Romance, Guerra. Duração: 105 minutos. Baseado no livro homônimo de Nicholas Sparks.

TOY STORY 3 # 3D (2010)

Toy Story 3 traz Woody, Buzz e toda a turma de volta às telas quando Andy se prepara para ir para a faculdade e seus leais brinquedos vão parar numa… creche! Mas esses bravos baixinhos não estão para brincadeira, enquanto preparam um plano da grande fuga. Nesta aventura, rostos novos — alguns de plástico, outros de pelúcia, incluindo o famoso solteiro e festeiro acompanhante da Barbie, Ken; o ator e ouriço de jardineira, Espeto; e um ursinho de pelúcia rosa com cheiro de morango, chamado Ursinho Fofo.”

O desenho da Pixar que fecha a trilogia é bastante interessante e saudoso lembrando o tempo em que as crianças usavam a imaginação ao se divertir com seus brinquedos toscos e criativos. Com o advento da alta tecnologia, os rebentos parecem só se satisfazer com a violência sangrenta e epilética dos jogos de computador. Lembro que ao visitar “A Pedreira” em Barcelona, encantei-me com as miniaturas e os curiosos passatempos de uma sala infantil projetada por Gaudí e concluí porque os grandes gênios estão em extinção. As ideias já nascem prontas para quem usa o programa certo e não há muito espaço para criação legítima nos dias de hoje.

A menina que inventa seus personagens e algozes sozinha em suas brincadeiras delirantes protagoniza as melhores sequências do filme. Aí está o trunfo de TOY STORY 3 que embora calcado no que há de mais novo na arte da animação, exalta o instinto lúdico e primário que ainda resiste no mundo inocente de algumas crianças.

De bônus, ainda ganhamos o originalíssimo curta: “Noite e Dia”, uma curiosa e inesquecível brincadeira animada em três dimensões com o que há de melhor entre as estrelas e a luz do sol. O curta já vale o ingresso. “Na história de “Dia & Noite” (Day & Night), quando Dia, um companheiro do sol, encontra Noite, um desconhecido de humor nitidamente mais sombrio, faíscas voam! Dia e noite estão assustados e desconfiados, um do outro em primeiro lugar, e rapidamente começam com o pé esquerdo. Mas eles descobrem que cada um deles tem qualidades únicas – e percebemos que cada um deles oferecem uma janela diferente para o mesmo mundo – a amizade ajuda ambos a ganharem uma nova perspectiva.

Por: Carlos Henry.

Três Homens em Conflito

tres

O Bom:
Clint Eastwood
Sem nenhum escrúpulo, ele parasita bandidos procurados pela justiça, arma um plano fajuto apenas pra ficar com a recompensa e ganha a vida dessa forma. Talvez chamado de bom pelo fato de ser o Loirinho e assim lembrar os anjos.

O Feio:
Eli Wallach
Assim como na regra da vida, Tuco, o feio é rejeitado e cobiçado pela justiça. sua sociedade com Loirinho não rendeu o que esperava e quando se torna um dos guardiões de um segredo, sua vida começa a depender do alcance dos disparos de sua pistola.

O Mau:
Lee Van Cleef
Ganha a vida fazendo o que sabe de melhor: matar sem perguntar porque e sem dar satisfação. Sua crueldade cruza o oeste e seu nome, Olhos de Anjo é sempre acompanhado de um adjetivo de medo.

Os três travam uma guerra que vai além de posses. É algo que envolve ego, e cada um tem o seu. Apesar de fingirem uma “amizade” inexistente, seu ódio vai além de qualquer coisa, e quando suas vidas se entrelaçam por conta de um valioso tesouro, escondido nos confins da Guerra Civil Americana, o conflito torna-se inevitável, e a velha rivalidade domina suas vidas.

A rivalidade entre esses 3 tipos por conta do tesouro é o centro de um dos faroestes mais amados e incríveis da história. Três Homens em Conflito é daqueles filmes que se assiste sem ver o tempo passar, mesmo com quase 3 horas de duração.

Dirigido pelo saudoso Sergio Leone, de muitos tantos excelentes westerns, como por exemplo o meu preferido do gênero Era Uma Vez No Oeste, o filme é de um bom gosto tremendo, que conquista a todos, de 8 a 80, e claro os antecessores desse aqui, Por Um Punhado de Dólares e Por Uns Dólares a Mais.

Com uma narrativa simples e bem deliciosa, ele une humor e muito tiroteio, conseguindo com muita tranqüilidade desenvolver uma história aparentemente simples. Na verdade Leone consegue fazer um épico dentro do velho oeste. Está tudo lá. Cenas grandiosas de batalhas, personagens marcantes e bem trabalhados e um enredo preso a detalhes carismáticos para ser contado. Respeitando e ainda eternizando os “moldes” do estilo (poeira, unhas sujas de pólvora e claro, os duelos), o filme consegue ser charmoso, eletrizante, divertido e grandioso.

homens

Ainda que o “grosso” da história comece lá depois da primeira hora, Leone usa o começo do seu filme para fazer uma “identificação” de seus protagonistas, os nome-título do filme (The Good, The Bad and The Ugly – O Bom, O Mau e o Feio), colocando seus personagens em situações que de alguma forma desenham suas características mais evidentes.

Mas é quando ele chega no “grosso” da história, é que tudo ganha a forma esperada. Enquanto antes ele estava em tiros e tiros, guardou muitas surpresas para o resto do filme. Quando seus personagens têm o caminho cruzado, no calor da batalha, a trama começa a ser definida e claro, com recursos simples, ele consegue prender nossa atenção até o fim.

É quando aparece a antológica seqüência da explosão da ponte, a tortura ao som da música e claro, o trielo genial. Acertando em valorizar detalhes, Leone consegue assim passar um realismo fantástico aos seus filmes, talvez isso diferencie seus faroestes de caras como John Wayne, que passava um ar mais “artístico”, mais “clássico”.

Os diálogos proferidos como projéteis são deliciosos, sendo os melhores deles guardados para Tuco, o feio. Trocas de farpas e aqueles jargões ditos por valentões e pistoleiros confiantes são constantes e temperam o filme de uma forma magistral. Seguido por situações sendo algumas engraçadas e outras mais sérias, o roteiro é um primor. E ainda nas mãos de um cara do calibre do Leone, sai de um enredo simples e vira um épico grandioso.

em

Mas o que mais ficou guardado foi a recriação fidelíssima da época que a história se passa. Figurinos, cenários, gírias, comportamento, essas coisas, tão bem feitas que chegam a impressionar com tamanho realismo. A cena da batalha da ponte é perfeita em tudo, o “trielo” no cemitério é perfeito em tudo, as cenas no deserto são perfeitas em tudo, o filme é perfeito em tudo!

Tecnicamente é de uma precisão tremenda. Olhando hoje, nem parece que custou pouco mais de 1 milhão de dólares, já que o padrão de um filme mediano está na casa dos 30 milhões. Com uma montagem astuta e a direção soberba do Leone, o filme consegue impressionar e causar uma tensão deliciosa porque foi feito do jeito certo.

Já chegando nas atuações, não há adjetivo pra descrever. O trio principal (Clint, Lee, Eli) está competente e coeso com tudo, conseguem aquela dualidade de gêneros fantástica, sabem ser engraçados na hora certa, sabem ser misteriosos na hora certa, sabem surpreender o espectador, e conseguem. Difícil escolher um, mas fico com o carisma e as patetagens do Feio. Só ele faz o filme valer a pena.

conflito

E o ponto principal é claro, chama-se (G)Ennio Morricone! Que trilha sonora fabulosa. Cada acorde soa perfeito no filme, até os assobios. Incrível como esse “ragazzo” conseguiu ser rei das trilhas faroestes. Todas as suas músicas são a maior referencia do gênero, creio eu, mais populares até que os lendários duelos. Muito bacana como ele inseriu e eternizou a gaita por exemplo, e o assobio. Muitas paródias de faroestes tinham esse detalhe, que considero, vinda do velho Ennio, mestre supremo do assunto.

Com tudo no lugar, e praticamente sem defeito algum, Três Homens em Conflito ta no coração de todo amante de cinema. Fico feliz em saber que temos algo desse porte no cinema.

Nota: 10

The Good, The Bad and The Ugly (1966).

Direção: Sergio Leone.
Atores: Clint Eastwood , Lee Van Cleef , Eli Wallach , Aldo Giuffrè , Mario Brega.
Duração: 02 hs 41 min

Esquadrão Classe A (2010)

Em um tempo onde coisas coloridas com as calças do Tiririca é a moda e poluem nossos jovens, e vampiros maquiados dita a qualidade das obras destinadas à diversão cinematográfica, baixo minha cabeça e rezo para a boa e velha diversão de qualidade. Ainda que alguns tentem manter isso e levam a sério a coisa, produzindo obras respeitadas, mas com defeitos bobos, como o recente Homem de Ferro 2, que mesmo eficiente acaba de auto flagelando nos próprios erros consegue ser divertido a beça e nos entreter com dignidade, o que podemos notar é um quase apocalipse cultural. As músicas boas tornam-se escassas e os filmes divertidos de verdade acabam se resumindo em saudosas reprises em nossos DVDs ou sessões na TV.

Mas os poucos que lutam para a boa qualidade dos filmes de ação e do entretenimento puro e verdadeiro estão aí. Veio o excelente Kick Ass e agora, me deparo com esse surpreendente Esquadrão Classe A. Antes que faça julgamento errado de mim, o filme é sim, cinematograficamente falando uma bela bosta. Mal dirigido, uma edição porca, clichês e canastrices. Mas tudo isso, é feito com uma maestria digna, e todos os elementos ruins aqui são saudosistas, e nos divertem como nossos amados clássicos absurdos e eternos dos anos de Sessão da Tarde e Cinema em Casa. Trata-se de um filme tão bacana, tão empenhado em divertir, que perdoamos suas falhas e caímos de cabeça. E suas duas horas que passam voando compensa o ingresso.

Baseado em uma famosa série de TV dos anos 80 (olha que coisa), o filme acompanha 4 soldados que trabalham por conta própria. Liderados pelo sistemático e esperto Coronel Hanibal Smith (Lian Neeson), Cara de Pau (Bradley Cooper), Murdock (Sharlto Coopley) e B.A. (o ex lutador de vale tudo Quinton Jackson) usam planos altamente estudados e realizam todo tipo de missão impossível. Em uma delas, a de evitar que placas de falsificação de dólares cheguem em mãos erradas acompanhado de milhões da moeda já falsificados, acabam vítimas de uma traição e vão presos. Com a oportunidade de escapar da prisão e limpar seus nomes, iniciam um plano que dará fim ao esquema e limpará seus nomes.

Joe Carnahan conduz o filme com todo tipo de artifício que lhe foi concebido: efeitos especiais usados até a exaustão, tomadas aéreas vertiginosas, roteiro com as mais mirabolantes idéias e claro, atores que, ainda que canastrões, muito carismáticos, e que fazem a coisa toda valer a pena. Cada clichê que ele insere em cena funciona, e sem exigir muito (coisa que não dá num filme como esse) acaba se divertindo a beça com material de qualidade.

Ao contrário de seres como Michael Bay e Rolland Emmerich, que fazem obras moralistas e carregadas de seriedade quando deviam ser desligados disso, Joe consegue bolar dentro das próprias mentirosas seqüências, momentos divertidos e ritmados, demonstrando estar bem a vontade no filme. Mesmo que desembeste e perca a mão fazendo comprometer o que estava construindo (o que explica a direção ruim) abusando de cortes e cenas montadas em um triturador, o que ele faz é deixar a coisa toda tão descompromissada e se diverte, bem como quem assiste.

Cenas como, o grupo planejando um ataque e ao mesmo tempo o ataque acontecendo, ou a já antológica cena do tanque de guerra (sim, muito boa mesmo!) só mostram isso. E o nível de baboseiras absurdas só fazem o filme crescer no meu conceito. Ele abraça a filosofia do “é um merda, vamos nos divertir com isso”, bem como os filmes de ação das antigas.

Claro que, sem querer comparar com obras inesquecíveis como Máquina Mortífera, Rambo ou Bradock ou qualquer coisa do Charles Bronson, mas a partir do momento que o diretor demonstra culhão suficiente para despir a roupa de cineasta de filmes mais sérios, como o fodaço Narc, ou filmes de ação mais inteligentes como A Última Cartada e se assume um ótimo condutor de aventuras descerebradas, já merece atenção.

O chato é ver a turma abrir mão desses filmes com essa proposta (a de divertir acima de tudo sem outros métodos ou artifícios) para acompanhar a vampirada boiola ou os filmes que lotam as salas 3D. Para isso, Joe nos brinda com outra passagem deliciosa, onde ele alfineta com gosto esse tipo de filme: num sanatório onde esta rolando um filme em 3D. A reação dos pacientes é a grande piada.

Explosões, piadas e frases de efeito, situações cômicas – involuntárias ou não – e saio do cinema feliz. Me diverti por duas horas com um filme imbecil e adorei. Lian Neeson, que errou feio em Fúria de Titãs ganha meu respeito de novo com seu charuto e dizendo ficar louco quando um plano dá certo. Bradley e Sharlto, vindos do hilário Se Beber não Case são os que se mostram ainda mais bem a vontade. Sharlto principalmente, o filme se torna mais agradável devido a seu personagem idiota. Bradley que se mostrou um pouco desconfortável, mas ainda assim se saiu bem. Não dá de exigir a melhor atuação do cinema em um filme desses.

Quinton Jackson, o estreante, é a cara do Mr. T, o eterno B.A. da série original, e ele em seu primeiro filme, consegue ser melhor que a veterana (e infelizmente um dos calcanhares de Aquiles do filme) Jessica Biel. Ela é toda perdida e não é de nenhuma relevância dentro do filme. O show mesmo é ver os 4 juntos com suas palhaçadas e vontade de salvar o mundo destruindo metade dele.

E diferente de bombas como G.I. Joe, Esquadrão Classe A não é aparentemente tão idiota e mesmo o sendo, é tão eficiente e mais divertido, que compensa a assistida. E seus atores são melhores que os do filme do Sommers, que diga-se de passagem, é uma bela bosta. Com esse aqui é diferente. É tudo tão errado que dá certo, e as diversões “sadias” de minha infância voltam com ar saudoso e cara de século XXI. Adorei Esquadrão Classe A e indico a todos que procuram diversão das boas.

Nota: 8,0
Cotação: *****.

The A-Team, EUA (2010)

Direção: Joe Carnahan.
Atores: Liam Neeson , Bradley Cooper , Sharlto Copley , Quinton Jackson , Jessica Biel.
Duração: 124 minutos.
“Se você tem um problema, se ninguém pode ajudá-lo e se você puder achá-los, talvez você possa contratar o Esquadrão Classe A”

Lua de Fel

lua

No início o amor é tudo rosas. Pra tanto, o que temos é um casal nascendo em Paris, o melhor lugar do mundo para viver uma paixão, e o aspirante a boêmio e escritor revolucionário Oscar (Peter Coyote) descobre que as charmosas ruas parisienses e suas mulheres belas e a sua cosmopolita característica, irão render a ele não só uma grande paixão, ardente, engraçada e trágica, como também entender mais sobre si e sobre as outras pessoas, aprenderá que não está só no mundo, e que pode sim, ao contrário do que imagina, tornar-se escravo. Escravo de Mimi.

Quando se completa sete anos de casamento, há de se comemorar de uma maneira diferente e especial, que seja romântica e traga bons momentos e que engrandeçam a vida amorosa de um casal. Nigel (Hugh Grant) e Fiona (Kristin Scott Thomas) estão lá. Mas o que se vê não é um casal em busca de comemorar uma data gloriosa, já que 7 anos é bastante tempo. Mas sim, entender como se deixaram estagnar e ainda assim não encontrarem saída para seus dilemas pessoais como casal. O que eles procuram na verdade é um reencontro, e que possam fazer valer a pena essa viagem, fazendo seu mor voltar a florescer.

Seu caminho é cruzado por Mimi (Emmanuelle Seigner), a bela e enigmática Mimi. Ao socorrerem ela, acabam envolvendo-se com Oscar, seu marido. Preso numa cadeira de rodas, ele precisa relatar à Nigel, que cresceu os olhos para Mimi numa noite, tudo o que se passou no seu relacionamento, para que ele pudesse ver suas verdadeiras intenções com a moça, e que não se arrependesse depois.

Mas na verdade, aquilo serve mais como terapia de relacionamento, uma vez que (sem sucesso) Oscar tenta dizer a ele como reacender o fogo com Fiona. Cego por Mimi, tudo que Nigel quer é ter aquela mulher. O homem é fraco.

E desde Adão e Eva, onde Eva, nascida da costela de Adão, conseguiu dominá-lo de tal maneira que foram expulsos do paraíso (e isso rendeu às mulheres o ingrato estigma de pecadoras por tanto tempo) é distorcido aqui. A mulher é forte e dominadora, mas isso só quando se sente ameaçada. O filme segue essa linha de raciocínio. As mulheres aqui aparentam fragilidade, ser submissas, aparentam ser controladas, mas quando menos se espera, enquanto ainda se pensa em agir, elas já estão descansando. Podem fazer sua vida ir do céu ao inferno, mas claro, se você fizer por onde.

A história de Oscar e Mimi começa como o poema de Oswald de Andrade:

Amor:
Humor.

E que humor. Uma relação saudável, de duas criaturas enamoradas, descobrindo o melhor da vida nas quatro paredes. Seguem seqüências de um humor sem compromisso, de gags divertidas e claro, acompanhadas de muita sensualidade. Inesquecível a antológica cena em que Mimi dança para Oscar. Em algum sentido, Mimi completa Oscar, e ele gosta disso. No início pensamos que isso irá durar para sempre. Tudo o que podem fazer para apimentar a relação eles fazem, mas uma hora isso começa a se tornar irrelevante. O amor acabou?

Brigas, discussões, tapas, poucos beijos, muito ódio e ternura disfarçada. O amor acabou? Em um dos momentos mais incríveis do filme, ela diz que vai embora e ele pouco se importa. Mas antes que ela saia, logo volta correndo e se declara, dizendo que ele é o grande amor de sua vida.

O sentimento antes belo torna-se escravidão. Ou não. O relacionamento deles começa a ruir. E ele se achando esperto , logo trata de dar fim a isso, para que ainda saia ileso. Torna a vida dela um inferno, que inferno, com direito a trocar o nome dela na hora do sexo e a bater na sua cara (ato mais repugnante do mundo a meu ver), mas quando chega nível, algo está fora do controle.

A solução que ele toma é mais drástica ainda, a manda embora simplesmente para se ver livre dela. O que ele não sabe é que ela jamais esquecerá.

Oscar começa a viver intensamente a vida, com várias mulheres, vários exageros, uma vida trocando a noite pelo dia, que desencadeará sua própria ruína. Um acidente e ele fica de cama. Ela volta e prova que jamais esqueceu o que ele havia feito com ela. É hora de se vingar. Oscar vai do céu ao inferno em um fade. Ela o leva pra casa, na cadeira de rodas, com o intuito de cuidar dele. Mas a perversidade com a qual ela o trata é maior do que o amor que ela diz sentir. Chegando a dançar com outro e fazendo sexo com outro na frente dele. A que ponto isso chegou ele se pergunta. Ou então, porque deixou chegar a isso.

Quando essa história é contada a Nigel, e o diretor inspirado Roman Polanski desconstruindo o amor de forma degradante e de certa forma doentia, o filme chega a seu clímax. O casal em busca de um sentido e o casal que já encontrou seu sentido e hoje é escravo disso, juntos. Quem Mimi irá escolher e qual será a reação que isso irá desencadear. O momento final é tenso, mas de tão tenso que só mostra o óbvio: o homem é fraco e o amor o torna escravo.

Um texto forte e uma direção repleta de ironias e mensagens (a melhor delas quando Oscar fala sobre traição, levantando a mão com sua aliança), Polanski diz muito e arrasa, atingindo todas as feridas que ele quer.

Diferente da abordagem intimista que filmes como 9 Canções deram, ou da choradeira desgraçada e açucarada dos romances modinha, Lua de Fel é um massacre psicológico. Mesmo depois do filme ainda nos sentimos incomodados com a crueza de detalhes e construção verdadeiras de cenas. E ao mesmo tempo que o filme é sexy e provocante, quando transforma esse sentimento aparentemente lindo em slasher de terror, faltam reações positivas.

E se ele conseguiu isso, certamente conseguiu o que queria mostrar. A saga de ambos casais é montada de uma maneira soberba. Belas imagens (como a do carrossel) contrastam com não tão belas e o estado de espírito das personagens, evoluindo, degradando, sendo construída, é dual e irônica. Polanski brinca com o que chamamos de amor e só mostra que isso é um produto do ódio, ódio de si mesmos. O sentimento em questão é na verdade uma busca por outra a quem possa depender para ser feliz e realizado, e sem precisar ser pessimista, isso é feito.

Com uma fotografia impressionante de bela, atuações fortes – com exceção de Hugh Grant e Kristin Scott Thomas, que não passam a energia pesada e forte do diretor, sendo apáticos e em muitos momentos sem graça – por parte de Peter Coyote e Emmanuelle Seigner, essa mostrada em sua totalidade e realmente se entregando ao personagem, e uma trilha sonora incrível (assinada pelo mestre Vangelis), Lua de Fel não chega a ser o filme definitivo sobre o amor. Mas é um dos que melhor mostrou suas implicações e conseqüências.

fel

O mais engraçado é o ar cosmopolita do filme, com várias personagens de várias partes do mundo, dizendo que o amor é universal. Irônico, não? Levando em consideração tudo o que mostrou no filme…

Forte e incrível do início ao fim, mas ainda aquém de outras obras primas que ele fez, Lua de Fel é imperdível.

Nota: 9,0
Cotação: *****.

Bitter Moon, França/Inglaterra (1992)

Direção: Roman Polanski.
Atores: Hugh Grant , Kristin Scott Thomas , Emmanuelle Seigner , Peter Coyote , Victor Banerjee.
Duração: 139 minutos.

Tudo Pode Dar Certo

Woody Allen no set de filmagem

Woody Allen envelheceu ou melhor, continua velho. Existem coisas que só o tempo pode nos dar. A idade nos permite certas regalias que na juventude são impensáveis. Woody Allen é assim, parece que nasceu velho e por isso critica com o desprendimento de quem não pertence a raça humana. É certo que aquela criatura rabugenta que descrê de Deus e de si mesmo é o próprio Woody. O filme  “Tudo pode Dar Certo” foi escrito há 30 anos, logo Woody há 3 décadas, já era “deus”, dono de uma rabugice bem humorada e não acreditava mais na humanidade. Ele ostenta um invejável currículo com 44 filmes, invejáveis elogios e também invejáveis críticas, afinal quem com a crítica fere, com ela será criticado. O que filme tem um título otimista de mais diante do original Whatever Works” é uma aula de deboches e sarcasmos de, boas atuações e ótimas piadas.

Dirigindo-se despudoradamente à platéia, no melhor estilo Machadiano, aBoris Yellnikoff (Larry David). Interpelando a platéia cinéfilapersonagem principal do filme , Boris  Yellnikoff (Larri David), recusa-se a enganar seu cérebro com remédios para depressão e pâncio, declara nos minutos iniciais do filme que “ este não é um filme alegrinho e se é isso que estamos procurando, devemos procurar uma massagem para os nossos pés e a cada tentativa de suicídio, encontramos motivos para rir. Ele  começa metralhando a humanidade que fez com que “suas melhores idéias como o socialismo e o cristinaismo fracassassem por “pressuporem a idoneidade moral, a decência dos homens”. Certamente que um judeu pode dizer ao mundo que “pais interessados na educação dos filhos, deveriam levá-los para passar as férias num campo de concentração”,  em contrapartida qualquer cidadão pode sugerir que a sua sogra faça um passeio no Museu do Holocausto…

“Tudo pode dar Certo”, configura  90 minutos de diversão, onde um velho ranzinza de QI elevadíssimo, quase indicado ao Prêmio Nobel, com ataques de pânico, crises de hipocondria e uma crônica descrença na humanidade e um medo da morte maior que tudo, se dirige a nós, esfregando-nos na cara onde exatamente estivemos errando nos últimos anos ou desde sempre…. “Visão global”, inteligência ou esquizofrenia? Jamais saberemos pois nos  filmes de Woody Allen, somos todos  loucos e também pagantes por uma arte que nos leva a rir do que não pode dar certo.

Boris, quando não está reclamando da vida e conclamando os amigos a entender que tudo está errado e que a vida não presta ou atormentando e torturando os seus alunos de xadrez, dá-se a chance de amar, uma criaturinha estúpida cuja beleza ele vai percebendo no dia-a-dia. No início do filme ele termina um casamento desgastado pelo excesso de possibilidades de dar certo, plausível então, tentar o relacionamento com aquela que teoricamente não oferece a menor possibilidade.

Relaxe, apure os ouvido, se o seu inglês não está lá essas coisas, privilegie as legendas. Assistido sem olhos críticos, o filme é uma deliciosa fábula do quanto podemos ser felizes, quando desenvolvemos a capacidade de nos desapegar dos conceitos que nos fazem infelizes por vivermos numa sociedade que o tempo todo nos pede satisfações sobre nossos atos mais íntimos. No zoológico humano de Wood Allen, tudo realmente dá certo: Tem sempre um jovem lindo e paciente (Henry Cavill) para a loira burra (Evan Rachel Wood) que simples e esforçada leva o gênio a descobrir com simplicidade a própria simplicidade sem modéstia alguma.

Tem a mulher interiorana (Patrícia Clarkson)  de meia-idade repressora e reprimida, exercitando os anos 70, que ao descobrir-se artista passa a viver de arte e conviver num casamento triplo. Tem a constatação que muitos são religiosos e membros do clube do rifle, no filme representados por (Ed Begley) por pura falta de coragem de buscar coisas melhores para fazer.

Sim, existe possibilidade de felicidade no mundo, numa grande cidade, o que não existe são cérebros inteligentes com funcionamento perfeito, pois isso é prerrogativa exclusiva do bom e velho Boris que ainda assim, ao final do filme questiona se ainda haveriam espectadores na platéia a assisti-lo. Sim, Boris ficamos aqui, afinal nunca a infidelidade, e morte, a dor e transtornos psíquicos foram tão divertidos.

Se eu tivesse que dar nota para este filme, daria 8 pelo conjunto da obra, mas pelos risos que me provocou, certamente  seria 10… É bom poder rir daquilo que jamais deveríamos ser.

A grande pergunta que me faço: teria Woody Allen, algum dia lido Machado de Assis?

Título original: Whatever Works
Gênero: Comédia, Romance
Direção e Roteiro: Woody Allen
Elenco:Larry David (Boris Yellnikoff), Evan Rachel Wood (Melodie Celestine), Patricia  Clarkson (Marietta), Henry Cavill (Randy James)

CASABLANCA – O ENLATADO Clássico

CASABLANCA é o meu Clássico de cabeceira.

Em tempos de remake, já que os roteiristas hollywoodianos  andam sem criatividade,  sonhei que este filme entrava na lista dos remanufaturados. Seria uma boa ideia? Tenho lá as minhas dúvidas. Como seria um novo “The End’? Uma releitura, quem sabe, transformando o amor impossível em final feliz. A viagem. ”Esse é o início de uma bela amizade” A memorável frase veio desta película.

Clássico e famoso, dirigido por Michael Curtiz e lançado em 1942, com base na peça Eveybody Goes to Rick, de Murray Burnett e Joan Alison, a fama em torno deste cult não parou de crescer ao longo de décadas. A trama é uma mistura de amor frustrado por questões em torno de morais, sacrifício e honra e, para usar um termo da época adultério.

Há uma coletânea de frases cliches, como: “Com tanta espelunca no mundo ela tinha (colisão) que entrar na minha”, “Prendam os habituais suspeitos”, “Toque Sam, toque As Times Goes by”. O filme, aliás, também ficou famoso por frases sui generis, como “Play it Again, Sam”, título do roteiro de Woody Allen, que interpreta um devoto de Humphrey Bogart, em filme de 1972 dirigido por Herbert Ross (no Brasil, “Sonhos de um Sedutor”).

É um dos filmes que tratam de cartas de amor na telona: Casablanca, Nunca te Vi, Sempre te Amei, Ligações Perigosas, Beijos Proibidos, Rastros de Ódio, Lolita, A Essência da Paixão etc.

E o bilhete de amor mais famoso da história do cinema foi escrito por Isa para seu grande amor Richard. Diz assim:

“Richard, não posso te acompanhar ou te ver outra vez. Não pergunte porquê. Apenas acredite que eu te amo. Vá meu querido, e Deus te abençõe. Isa”

Um curiosidade sobre CASABLANCA:

O filme foi colorizado em 1988 para ser exibido na televisão. Ficou show! Ahahahaha… Lembro que cheguei a gravar em VHS, só me desfiz dessa fita há pouco tempo com a faxina anual. Os cinéfilos deste museu, reclamaram muito, acharam um  absurdo, e somente em 1992, quando o filme completou 50 anos, fizeram a correção o que chamaram de erro, e foi exibido, na telinha, a tão aguardava versão original restaurada. Quem tem a cópia colorizada tem uma fortuna. Bem o mal, tem gente que fatura com autógrafos, o papel de bala do artista, a sobra do sabonete, e tantas coisas que se fica sabendo dos bastidores e fora dos holofotes que é impróprio comentar aqui neste horário.

Ilsa: Toque uma vez, Sam. Pelos bons velhos tempos.
Sam: Eu não sei o que você quer dizer, Senhorita Ilsa.

Ilsa: Toque, Sam. Toque “As Time Goes By”.

Karenina Rostov.

A Enseada (The Cove) – 2009

Por: Waguity®.
Os documentários sempre nos ensinam algo e neste não foi diferente. Porém, neste caso foi algo que assusta: Golfinhos podem “cometer suicídio”. E eu diria que isso é exatamente o fio da meada para este documentário.

Em 1964 o mundo ficou fascinado com a estréia da série televisiva Flipper, que existiu até 1967. Nada seria como antes! Todos se encantaram com os golfinhos e pela genial capacidade destes bichinhos e pela impressionante capacidade de realizarem manobras complexas e capacidade de aprenderem. É! Nada seria mesmo como antes! E a partir daí viraram estrelas de longa-metragem, além de virarem febre em parques aquáticos, cujo maior representante é o que ainda é o mais famoso de todos: SEA WORLD.

Richard O´Barry foi o responsável pelo treinamento do golfinho original da série televisiva. É justamente a partir deste treinamento e o seu desfecho cruel que terminou gerando uma “maldição” para estes seres e que serve de base para o documentário criado por Louie Psihoyos.

Golfinhos viraram um negócio rentável onde um golfinho capturado chega a custar uma pequena fortuna. No caso do documentário ele tem como foco uma pequena enseada na ilha de Taiji, no Japão, onde os golfinhos estão sendo massacrados em uma quantidade assustadora que pode beirar a marca de 23 mil golfinhos mortos por ano.

O golfinho original da série morreu nos braços de Richard O´Barry, de um certo modo um suicídio e o treinador jamais se recuperou deste episódio pois a fatalidade lhe despertou para a cruel realidade de que ele foi o estopim para todo o triste cenário que surgiu desde então. Fica explícito desde o começo do documentário que Richard O´Barry já foi detido em inúmeras ocasiões onde ele “vestiu a camisa” em prol da defesa destes animais. O que levou a sua prisão em varias localidades do globo. Virou a sua cruzada pessoal, que de certo modo tenta compensar e exorcizar os seus fantasmas do passado.

A equipe envolvida com o documentário monta uma grande operação “de guerra” e partem para o Japão com a difícil missão de registrar este massacre pela primeira vez e através de difíceis incursões noturnas eles conseguem (sempre sob risco eminente de serem detidos pelas autoridades locais) instalar câmeras camufladas e de visão infra-vermelha e como não poderia deixar de ser eles são perseguidos pela polícia e ameaçados pelo governo, que ganha com os exploradores da indústria de carne de golfinho (outro detalhe assustador é que tal carne não serve para consumo por possuírem uma quantidade de mercúrio extremamente danosa para os que a consumirem).

O filme é o registro desta aventura com um alto grau de risco e com uma mensagem de alerta muito importante: Está ocorrendo uma matança indiscriminada de golfinhos e o que agrava ainda mais a situação é o fato de não existirem leis que protejam estes seres deste massacre gigantesco e estúpido!

O que as câmeras registram é simplesmente estarrecedor! A tal enseada fica com suas águas totalmente tingidas de vermelho a custa do sangue destes seres e o clímax vem por conta de Richard O´Barry, quando este chega a uma convenção de preservacionistas, expondo numa tela de LCD as imagens registradas por ele e sua equipe. No fim o telespectador é convidado a expor o seu manifesto e a não fechar os olhos diante de tão cruel realidade.

Definitivamente é um alerta que não podemos fechar os olhos enquanto ele ocorre indiscriminadamente e com o aval de autoridades de peso. Não é a toa que The Cove ganhou o Oscar 2010 de MELHOR DOCUMENTÁRIO. Um grito de alerta, um prêmio mais do que justo e merecido.

Por: Waguity®.

Unas Fotos en la Ciudad de Sylvia

“Ana, meu amor, eu vim ao Rio para te achar.” Quem passa pela Rodoviária Novo Rio, deve conhecer esta frase. Trata-se de uma pichação antiga, e por alguma razão ninguém apagou, está lá até hoje, em uma das pilastras da avenida ao lado e não tem como não deixar de ler.

Fico pensando nessa romântica história toda vez que passo por ali. Imagino Ana e concluo que é uma pessoa de sorte. Alguém deixar tudo para trás, em outra cidade, para vir procurá-la. Só pode ser um louco, muito apaixonado (coisa rara hoje em dia, parece história de novela mexicana) mesmo que seja um amor não correspondido, uma relação platônica que nunca será completa, mesmo que o rapaz nunca encontre a sua amada, é uma felicidade pessoal ter um sentimento idealizado dentro da gente independente, se haverá reciprocidade, se um terá o mesmo amor pelo outro, ou um completará o outro como a história da outra metade da laranja perdida por aí. Acredito ser um verdadeiro tesouro e relacionei com um filme que recentemente assisti, que me fez ligar os pontos entre ambas.
Não sei, nem imagino que fim levou essa história: Ana foi encontrada? Quem é o rapaz que fez essa viagem em busca do amor? Nunca terei essa resposta, torço para que o cupido esteja comprometido até a última peninha aí, e que o destino tenha armado uma cilada para que sua missão tenha um happy end.

E o filme que me fez associar ambas nos faz viajar ao túnel do tempo da descoberta dessa linguagem artística. No princípio era a fotografia e a fotografia se fez filme e do filme inventou-se o CINEMA. É um filme catalão que achei super instigante e original, dando um enfoque narrativo completamente diferente de tudo que conhecia do mundo cinematográfico e de que se tem conhecimento, no meu entender, claro! O título é UNAS FOTOS EM LA CIUDAD DE SYLVIA. É uma produção espanhola de aproximadamente 67 minutos, e pode-se associar o roteiro a uma obra de ficção ou a um documentário. Ou seria real e fantasia? Mesclam-se todas as categorias que se sabe de cinema. A proposta é totalmente inovadora e meio doida de se “fazer arte”. O dono da idéia é o espanhol José Luis Guerin, que estava presente no evento (uma mostra do cinema catalão que aconteceu no RJ) para falar e divulgar suas produções entre outros diretores inclusive participando como palestrante e que na sua concepção questiona a própria linguagem do cinema. Parece tratar-se de reinvenção, recriar e pensar como tudo começou, lá pelos idos Irmãos Lumière e Thomas Edison.

O filme é uma espécie de diário filmado. É a história de um homem que volta 22 anos depois a Estrasburgo, cidade onde conheceu uma mulher de nome Sylvia, que só viu uma única vez e por quem se apaixonou.

O título já deixa claro qual a proposta do diretor ao fazer esse filme UMA FOTOS NA CIDADE DE SYLVIA. Os 67 minutos são contados por fotos em preto e branco. Às vezes seqüenciada do mesmo assunto, possibilitando “visualizar” o movimento, como por exemplo, o ventilador de teto ligado, os passos de uma mulher, movimento labial etc.
As fotos em preto e branco, para dar idéia de um tempo passado, captados pela câmera fotográfica do próprio diretor registrado pequenos detalhes como se fosse abrir um diário de anotações de um turista, e começar a narrar tudo através de mapas, ruas hotéis, chaves, objetos pessoais, situações, expressões, desenhos, acompanhando, milimetricamente, todos os passos de todas as mulheres que ele, o protagonista, se é ele próprio ou o eu-poético? (Xavier Lafitte) trafegando pelas ruas da cidade de Estrasburgo em busca de um rosto. 22 anos depois ele volta a procurar essa mulher de nome Sylvia que viu uma única vez.

Acredite! É exclusivo, diferente de tudo. Esta obra certamente foi feita para despertar o público do sono profundo e da mesmice, num foco expressivo, estimulando o sentido visão, “o olhar para ver”.

O filme, repito, tem pretensão de documentário, porém, é pura imaginação, confundindo-se com o real. É um diário em formato de álbum de fotos, em que ele forma a história dela, da suposta Sylvia. Ela pode ser qualquer mulher; pode ser até mesmo uma personagem da literatura, como Beatriz, de Dante Alighieri, por exemplo.
A genialidade da história não para por aí. Não se contentando, o diretor fez um outro filme Chamado NA CIDADE DE SYLVIA. Este com atores, colorido, mas quase sem diálogo tão interessante quanto o primeiro.
Ele vaga por muito tempo pela cidade que agora se chama NA CIDADE DE SYLVIA a fim de encontrar um rosto de mulher que jamais esqueceu (ou será que se esqueceu, por isso vê Sylvia em todas as mulheres daquela cidade?) um rosto que viu uma única vez e foi amor à primeira vista para tentar encontrá-la. Enquanto percorre as ruas da cidade, contempla as mulheres que cruzam seu caminho, e imagina como seria hoje o rosto daquela que nunca esqueceu e que tanto ama? Rugas, envelhecida, outro corte de cabelo, outro andar, outro tipo físico, outro olhar… hoje aquela que quer tanto encontrar. A procura o leva para outras cidades e, em todas ele encontra novos rostos e novos signos a evocar a mulher ausente.

Enquanto ele vaga pelas ruas, encontra Sylvia, sua mulher idealizada, nos passos de uma, olhar de outra, delicadeza das formas, no andar, no cabelo, no semblante, enfim, ela está presente em todas.

E vai registrando cada uma dessas mulheres que encontra pelo caminho.
O filme é literalmente uma viagem sem volta. Retrocede cento e poucos anos, no tempo, época dos irmãos Lumière e utiliza uma série de signos linguisticos novos nada convencional, uma nova forma de pensar e fazer cinema novo por meio das condições de realidade arriscando novas fronteiras.
Será que ele encontrou Sylvia? Ela existe ou é pura imaginação?
Talvez nenhuma delas seja real, mas sempre me causa uma reação positiva, uma alegria, um sentimento que agrada a minha alma.
Como faço curso aos sábados, não deu para ficar para a palestra pois estava meio cansada, mas deixei com um amigo a missão de perguntar ao diretor o seguinte:
- E então, o senhor encontrou a sua SYLVIA?
Estou até agora sem saber se meu amigo conseguiu fazer a pergunta. Quando souber, conto aqui.
Existe uma possibilidade de ser uma história real como a de ANA daqui do Rio de Janeiro e que está registrado até hoje para quem quiser ler.
Cotação: *****Karenina Rostov

She’s Out Of My League (2010)

Por: Fabio Montarroios.
Bem sabemos o quão estapafúrdia geralmente são algumas traduções de títulos de filmes aqui no Brasil, mas para “She’s Out Of My League” eu arriscaria algo como “Ela é areia demais pro meu caminhãozinho” sem medo de errar. (Apenas para constar, acho que optaram pelo emocionante título “Ela é demais para mim”…)

Bem, preste um pouco de atenção na seguinte relação de filmes e veja mais adiante se há alguma coerência no meu argumento:

“The 40 Year-Old Virgin” (“O virgem de quarenta anos)
“Zack and Miri Make a Porno” (“Pagando Bem, que Mal tem?”)
“Knocked Up” (“Ligeiramente Grávidos”)
Juno
“You’ve Got Mail” (“Mensagem para você”)
“Adam”
“Little Manhattan” (“ABC do Amor”)
“Summer” (500 dias com ela)

Dentre muitos outros filmes possíveis para uma lista, dá pra perceber que quando os americanos desenvolvem um gênero, chegam a exauri-lo com a repetição das fórmulas que o compõe. A comédia romântica, certamente, é um desses gêneros pra lá de batidos e que, provavelmente, deve fazer muito marmanjo bufar na fila do cinema ou na locadora quando gentilmente deixa a escolha do filme para a esposa, namorada ou amiga. Notadamente, as garotas gostam de histórias românticas que terminem bem depois de certos torvelhinhos e reviravoltas mirabolantes. É, claro, um caminho seguro: nada que vá te deixar deprimido no fim da sessão, apesar de algumas lágrimas rolarem no meio da trama, pois tudo foi muito bem intercalado com muitas chances para rir e refletir um pouco bem ao estilo auto-ajuda. Em suma, noto que as comédias românticas oferecem mais do mesmo. E isto, diga-se, não se configura em crítica no sentido de censurar ou sugerir que se procure outros filmes.

Contudo, pude perceber que uma certa linhagem está tomando forma e ganhando maturidade (apontando tanto para uma audiência masculina quanto feminina). Trata-se de uma espécie de comédia romântica também, mas que parece procurar um público jovem que pensa rápido e está um tanto enfadado com as mesmas soluções de sempre. Daí, da lista que apresento, percebo que desde de “Mensagem para você”, uma porção de filmes se encaixa no mesmo perfil: eles são engraçados, as personagens passam por uma grande transformação (o protagonista geralmente sofre a maior delas), há muita provocação e piadas que criticam segmentos da sociedade americana, há um reforço das diferenças dos grupos sociais e ênfase caricatural em algumas personagens e, felizmente, as mulheres geralmente aparecem como o mote para as diversas transformações das personagens masculinas sem tolice ou fragilidade.

Até este ponto você pode estar pensando que vou sugerir algo como uma nouvelle vague americana, mas não é o que está se dando, pois os americanos são muito distintos dos europeus e acredito que nunca teríamos uma proposta com um corpus da cinematografia francesa, no caso. E, mais uma vez, isto não implica em demérito. São só visões de mundo diferentes e audiências diferentes… Para uma nouvelle vague americana teríamos que ter uma sequência de filmes ao estilo.

Em, “She’s Out Of My League”, a história é conduzida às avessas: parte da perspectiva de um homem frágil (sem ter que dar uma de Woody Allen) em busca de uma garota “bem resolvida” e que toma a iniciativa (perfeita dentro do modelo americano de vida: loira, inteligente, sexy, etc). As semelhanças de “She’s Out Of My League” com “O virgem de 40 anos” são pra lá de gritantes na condução da narrativa e estruturação geral. E, sinceramente, parecem trazer o mesmo tipo de conforto que as comédias românticas trazem quando as assistimos. Só que, agora, temos filmes que exigem um pouco mais da audiência, pois a trama é, até certo ponto, imprevisível. A habilidade dos roteiristas americanos é fabulosa: eles realmente têm a capacidade de transitar por várias situações com carga dramática precisamente ajustada. Os atores não falham em seus papéis: parecem terem sido escolhidos com muito cuidado e se comportam de maneira extraordinariamente convincente, pois se adéquam muito bem ao papel para o qual foram selecionados (sem overactigng ou apelar para as cansativas gags das sitcoms que poderiam também se alinhar a este novo sub-gênero da comédia romântica como, por exemplo, “The Big Bang Theory”, “Family gay” e quejandos) talvez por se parecem um pouco com as personagens. Numa indústria de cinema grande como a americana, isto deve ser possível, pois aqui, por exemplo, vemos um Caio Blat em muitos filmes diferentes… Certamente isto faz dele um ator melhor, mas para a audiência fica complicado ver a mesma cara em papéis tão distintos.

Foi com grande prazer e surpresa que, então, assisti “She’s Out Of My League”, assim como “500 dias com ela” e “Pagando Bem, que Mal tem?”! Todos estes filmes parecem sugerir um novo tipo de americano (apesar dos democratas serem liberais e os republicanos conservadores, os filmes tendem a ser apolíticos, portanto a impressão é que todos são democratas, mas eu acho que o intuito é mesmo atingir o maior número de pessoas nos EUA e no mundo). Bem, daí muitas análises sociológicas podem derivar desta perspectiva: estão explorando a geração y, o impacto das mídias sociais, a crise mundial, a necessidade de atrair público para o cinema com ou sem 3D, etc, etc, etc… Se houve um esforço grande para mostrar as mazelas dos negros nos EUA através do cinema ao longo da história, deve estar presente também na mente dos americanos responsáveis pela indústria cinematográfica mostrar que, especialmente, as mulheres podem ir além de “Sex and The City”, de que você pode ser um vencedor, mesmo não sendo um cara fortão física e moralmente (mas a obrigação de ser um vencedor está lá, amigo, sempre presente…, só que agora a coisa está mais light, mais… Google: você pode ser nerd e ser herói também).

Esta de mostrar que uma pessoa qualquer, mesmo sem qualquer talento ou com talentos não descobertos, pode ir longe é velha no cinema americano (em qualquer cinema, a propósito)… e só faz reforçar a mística deles de uma sociedade feita por pessoas que sempre superam suas metas e lideram, de algum modo, uma transformação. Mas se “She’s Out Of My League” tira uma onda com “Top Gun: ases indomáveis” e se lambuza ao mostrar com orgulho uma família vexatória como aquela do “Professor aloprado” (1996), então eu acho que eles estão mesmo tentando cunhar um estilo de vida diferente: alheio às ambições daquela velha superpotência belicosa e indo mais pelo caminho de pessoas que optam por uma vida, até certo ponto, e como está na moda também, sustentável (novamente: física e moralmente). A rebeldia juvenil contra a guerra antes feita com sexo, drogas e rock, agora se dá com muita ironia, transição para a vida adulta e um computador.

Então, mesmo se você joga Flight Simulator assiduamente talvez você acabe com a garota mais bonita e legal que aparecer. Acho que esta é meio que a frase que poderia resumir “She’s Out Of My League”, pois entre um Top Gun no Iraque (que vai voltar destruído psiquicamente) e um nerd que pode se tornar um milionário (que vai ter como maior problema gerir a popularidade e a conta bancária), a segunda opção parece ser a atual preferência dos americanos. Só não é tão fácil na vida real, tanto que o Obama até agora não desatou o nó da guerra mais longa dos EUA (e não dá pra colocar toda a culpa nos conservadores).

Daí que nenhuma garota (ou garoto) é areia demais para o seu caminhãozinho se você usar uma estratégia eficiente de logística com sua rede social ;)

Por: Fabio Montarroios.