Abro este espaço para registrar a minha admiração e meu carinho ao jovem e talentoso ator brasileiro Rodrigo Santoro. Ele é o cara, como se diz na linguagem moderna e não se pode deixar de elogiar quem é merecedor, ainda mais quando é um produto nacional tipo exportação.
A expressão Bicho de Sete Cabeças tem origem na mitologia grega, mais precisamente na lenda da Hidra de Lerna, monstro de sete cabeças que, ao serem cortadas, renasciam. Matar este animal foi uma das doze proezas realizadas por Hércules.
A expressão ficou popularmente conhecida, no entanto, por representar a atitude exagerada de alguém que, diante de uma dificuldade, coloca limites à realização da tarefa, até mesmo por falta de disposição para enfrentá-la.
A adaptação e a história real, em certos momentos, fundem-se. Austragésilo (autor) e Neto (personagem), adolescente de 17 anos, usuário de maconha e outros medicamentos de uso restrito, passa por maus bocados quando o seu pai depois que encontrou a erva em sua mochila, resolve interná-lo em um hospital psiquiátrico, sem ao menos comunicá-lo. O rapaz só descobriu ao chegar lá. O pai, pensou que estaria fazendo o bem tentando curá-lo do ‘vício’, mesmo sabendo que o moço era apenas usuário. Neto foi transferido de um hospital a outro sem ao menos ter sido examinado, e foi submetido a muitas torturas e eletrochoques. Isso durou, aproximadamente, três anos, até que, desesperado, ele ateou fogo em sua própria cela, para chamar a atenção das autoridadess por tudo o que estava passando, e conseguiu. O ato despertou seu pai, que depois o tirou do manicômio. Neto acabou sofrendo muito, inclusive nas mãos da polícia, que lhe proporcionou doses extras de humilhação e espancamento. As conseqüências das torturas sofridas nos hospitais tornaram-se irreversíveis. O moço ficou impotente e meio idiota.
O título do filme vem da canção Bicho de Sete Cabeças interpretado por Zeca Baleiro na qual a própria letra é referência aos acontecimentos trágicos dessa história protagonizado por Neto (Rodrigo Santoro) e seus amigos moradores da periferia de São Paulo, onde a historia se passa. Sem recursos financeiros, o lazer e o entretenimento, dos jovens era pichar muros e fachadas públicas, ou distrair-se fumando maconha nas madrugadas, até que um dia o rapaz cai nas mãos da polícia. Maconha, por lei, é droga ilícita, considerado crime. Contrário do o cigarro, ainda dito charme da burguesia. O vicio da mãe do rapaz interpretado por atriz Cassía Kiss, é menos hediondo do vício de seu pai, vivido pelo ator Othon Bastos, bebedor de cervejas, vendidas livremente nos bares, mercados, praias, rotuladas como drogas lícitas. Hoje só considerado crime “SE dirigir, NÃO beba!” Assunto que daria muitas filosóficas defesas de teses.
No hospital psiquiátrico é que começa a tortura e a tragédia do moço; lugar que deveria salvá-lo, é que acaba destruindo-o aos poucos; um lugar horrivelmente real, verdadeira fábrica de loucos, sujo, pessoas maltratadas, sem alimentação, sem cuidados pessoais, em péssimas condições de higiene, e diariamente dopadas, deixando seqüelas para toda a vida.
A trilha sonora foi composta por canções de diversos estilos, desde mpb, rock, rap e punk.
Bicho de Sete Cabeças
Zeca Baleiro
Não dá pé
Não tem pé, nem cabeça
Não tem ninguém que mereça
Não tem coração que esqueça
Não tem jeito mesmo
Não tem dó no peito
Não tem nem talvez ter feito
O que você me fez desapareça
Cresça e desapareça…
Não tem dó no peito
Não tem jeito
Não tem ninguém que mereça
Não tem coração que esqueça
Não tem pé, não tem cabeça
Não dá pé, não é direito
Não foi nada
Eu não fiz nada disso
E você fez
Um Bicho de Sete Cabeças…
Não dá pé
Não tem pé, nem cabeça
Não tem ninguém que mereça (Não tem ninguém que mereça)
Não tem coração que esqueça (Não tem pé, não tem cabeça)
Não tem jeito mesmo
Não tem dó no peito (Não dá pé, não é direito)
Não tem nem talvez ter feito (Não foi nada, eu não fiz nada disso)
O que você me fez desapareça (E você fez um)
Cresça e desapareça… (Bicho de Sete Cabeças)
Bicho de Sete Cabeças!
Bicho de Sete Cabeças!
Bicho de Sete Cabeças!
(Repetir a letra)
Bicho de Sete Cabeças foi dirigido por Laís Bodanzky e o autor do roteiro é Luiz Bolognesi. Laís teve muita dificuldade para captação de recursos porque os patrocinadores não queriam ver o nome da marca vinculado a um filme que falava de drogas, preconceito e hospícios. Mesmo com poucos recursos ela conseguiu fazer bonito, este maravilhoso filme.
Desejo a Rodrigo Santoro tudo de bom, que continue brilhando em sua carreira e nos representando muito bem com todo o seu talento. Nota 10 para ele e para este filme!
Aplausos.
*
Para quem gostou de Bicho de Sete Cabeças deve prestigiar também “AS MELHORES COISAS DO MUNDO” que está na lista dos filmes nacionais pré-candidato ao Oscar 2011. Torçamos.
Karenina Rostov








Rodrigo Santoro é um gato!
Olá, Ursulah,
Ainda bem que ele tem tantas qualidades inegáveis, não? Além de nos presentear com o seu talento, simpatia, simplicidade E charme, o moço ainda é todo GATOSO?
Obrigada pela postagem!
Beijos.
Ótima escolha, Rodrigo é mesmo lindo, além de ser simpático, e carismatico, acho ele lindo, talentoso, e o sonho de consumo de todas as mulheres.
Camila,
De fato, além de talentoso o moço é esforçado e batalhador. Bicho de Sete Cabeças é a prova dos nove disso; na minha opinião é onde ele deu o melhor de si. E aproveitando o embalo, acaba nos representando bem em qualquer canto do mundo.
Bom para ele como também para o país que aos poucos vai perdendo espaço de reconhecimento conquistado no futebol, e igualando ou ganhando em outras áreas culturais por merecimento de muitos que se esforçam para chegar lá.
Neste caso a beleza do rapaz é um mero detalhe.
Abraços.
Assisti o filme devido ao curso de enfermagem.
Me chocou a dura e cruel realidade vivida naquela época. As imagens fortes me levaram a refletir sobre como estamos tratando os nossos pacientes. Claro que a realidade de hoje é muito diferente. Mas fica como uma lição de algo que não pode, nem deve ser feito. Não mais.
O filme é ótimo. Os atores estão de parabéns.
Eu que tinha um certo preconceito com filmes brasileiros, vi que tenho perdido muito devido a isso. Irei prestigiar mais o cinema nacional.
E Karenina, parabéns pelo texto!
Abraços,
Oi, Marina, espero ter ajudado de alguma forma com o texto em seu curso de enfermagem.
Sempre gostei de cinema de um modo geral e tenho um carinho especial pelo nacional.
Obrigada pela mensagem!
Abraços.