A Suprema Felicidade (2010)

Eu  gosto do Jabor, aquele cheio de verbos, empolgado. Quando leio seus textos, até consigo ouvir sua voz e ver seu dedo enérgico em riste a cortar os ares. Então, esse excesso de verbos transpassaram para o filme A Suprema Felicidade

Achei bonita a produção, a reconstituição de  uma época onde tudo era tão importado, tão estrangeiro principalmente a sensualidade.  Se imediatamente ao sair do cinema, me perguntassem  sobre o que trata o filme, minha resposta imediata seria… Sobre o fim das coisas! Sobre o que mesmo considerado correto está errado, ou não deu certo…  Sobre os caminhos que a iniciação sexual  nos idos 50…

Se tivessem me contado que o filme é autobiográfico, talvez eu o entendesse melhor. A mim pareceu que os argumentos que compõem o filme seriam suficiente para umas três produções:
- a relação de Paulo (Jayme Matarazzo ) e seu avô Noel (Marco Nanini),
- o relacionamento dos pais de Paulo,
- a iniciação sexual de Paulo.

Sendo uma biografia entende-se esse tudo ao mesmo tempo, é assim que a vida é.  Como se fossem vários episódios compondo um mesmo filme, as cenas se vistas isoladamente já depreendem em si um valor, um fato, uma mensagem. Por isso cheguei a pensar que Sofia (Mariana Lima) a mãe de Paulo teria enlouquecido, seria a informação de que mulheres reprimidas e castradas surtam mas voltam logo ao normal, ou simplesmente uma reminiscência do diretor? Ou ainda uma anotação: ‘Olhem, naquele tempo era assim, as mulheres eram escolhidas pela beleza e carisma e acabavam verdadeiras trancafiadas em nome da oral e dos bons costumes’…

O comprador de quinquilharias (Emiliano Queiróz) que não aceita as recordações de família fala de um comportamento ético que se perdeu no tempo. O pipoqueiro falastrão, Bené (João Miguel) que ainda existe em algum subúrbio longínquo dá um tom divertido.

As imagens são belíssimas mas algumas passagens me deixaram no ar e assim talvez seja na obra porque assim é na nossa vida. Mas que algumas cenas poderiam não ter existido, com certeza, como por exemplo,  a cena em que aparece um teco-teco a fazer malabarismos e Sofia feliz e saltitante grita: ”ele faz isso por mim!” E  abraça o filho que nesta cena tem 8 anos embora ela traga a caracterização de quando ele tem 19…

Talvez  Jabor tenha aproveitado o filme para uma terapia, para incendiar seus navios e contar como era bom poder freqüentar bordéis, pagar pelo sexo e ainda escolher com quem  fazê-lo. Talvez tenha ocorrido algo similar à cena do eclipse e isso justificaria seios nus fora de hora.

Talvez tenha querido dizer que a suprema felicidade não está na eletrônica e informações full time em tempo real, mas em a partir da nossa vivência poder fazer escolhas de acordo com o nosso afeto e fé. Que ser criado em colégio de padres não era uma boa contribuição à religiosidade das pessoas, que freqüentar prostíbulos e bordéis não faz de ninguém um tarado. Que a despeito de tanto glamour importado os mortos eram carregados em carroça à luz do dia em nome de um  atraso científico na capital federal e no país, mas que não era  isso que tornava as pessoa infelizes.  Que Paulo sempre gostou de meninas complicadas,  principalmente por seu amor começar a partir dele mesmo em sua imaginação, sonhos e fantasias. Que tanto faz catolicismo ou espiritismo, religião é algo pra envenenar a realidade das pessoas.

Nanini está magistral como Noel, o avô de Paulo – mas quando foi que este ator foi menos que  maravilhoso? Dan Stulbach é de uma competência emocionante mostrando que amar não é o suficiente para que se seja feliz ou para fazer alguém feliz.  Elke Maravilha no papel de ex-prostituta casada com o avô de Paulo,  bem que poderia ter um aproveitamento melhor, mas é que me parece que Jabor estava a fim de falar mesmo do universo masculino…. Cabeção, o amigo de Paulo ao se perceber homossexual, ao demonstrar (para a platéia, porque a anta do Paulo só pensava  em Deise, a maluquete médium Maria Flor) que amava Paulo some num cenário enfumaçado como se fosse pro tal reino dos céus chato e carola apregoado pelos padres…

Entendo Jabor, você nunca teve tendência a ser gay e que deixar isso bem claro nesse filme que não é autobiográfico, mas era assim que se fazia com os amigos naquela época, jogava o cara na névoa do esquecimento? Não sei , mas é fato que depois de tudo,  o que fica são impressões que resultam no perfil que criamos de nós mesmos. Não tem como não ter saudade da nossa infância, não tem como no final de tudo avaliarmos que fizemos o melhor com o sempre pouco que temos no momento de decidir.  Não tem como pensar que neste A Suprema Felicidade, ninguém era feliz nem alegre… O mais feliz se confessa apenas alegre e conta teve 10 minutos de suprema felicidade.

Paulo era um cara intenso, curioso com pressa de  viver, fora o avô e as putas não tinha muito com o que se alegrar, saber que a felicidade não existe, com sorte somos alegres até que não foi tão ruim, chato foi a decepção que me acompanhou na saída do cinema eu preferia como Paulo  acreditar que a felicidade existe se sair procurando por ela. Divertidas  as participações cenas com os padres  (Ary Fontoura, Jorge Loredo e Raphael Molina) e suas maldições infernais.

Mas sei lá, achei esse Paulo um tremendo de um egoísta pelo seu comportamento alheio à família, por representar o jovem de sexo masculino de uma época e as garotas em que segundo Jabor “não davam” e vagar pelos bordéis sempre a escolher e não comer ninguém e terminar por acabar com a fonte de renda de Marilyn e sua mãe. Aos egoístas, mesmo os poucos 10 minutos de felicidade suprema será negado talvez por isso um filme tão nostálgico onde ninguém consegue realmente estar feliz ou alegre…

Postado por Rozzi Brasil

Dizem Por Aí… (Rumor Has It… 2005)

Com um tempinho chuvoso, ligo a tv e no Guia um título chamou a minha atenção. Curiosa, fui olhar mais informações sobre o filme. Ali mesmo, era só teclar mais um botão no controle remoto. Numa de curtir um momento preguiçoso, em vez de cair no sono, o filme me cativou. Dai trouxe-o para vocês, mas terá alguns spoilers. Foi inevitável. Mas nada que vá tirar o prazer em ver o filme. Em ver ‘Dizem por aí…

Foi o nome do Diretor me fez de imediato querer ver o filme. Ele é o Rob Reiner. Reiner tem um jeito todo especial de falar sobre relacionamentos entre pessoas que de certa forma passam por algum momento junto. Seus filmes podem não atrair milhões de espectadores, mas seu público meio que segue seus filmes com carinho. Sendo que alguns ficam em nossa memória cinéfila, nem que o mote maior tenha sido mais por uma cena em especial. Como exemplo: é dele a cena onde Meg Ryan simula um orgasmo em pleno restaurante, no filme ‘Hally & Sally‘. Mesmo com um certo glamour, mostrando pessoas de uma classe média dos Estados Unidos, suas estórias mostram situações comuns em todas as classes sociais, e em outros lugares. É em ‘Hally & Sally’ que temos uma das frases mais românticas que alguém pode ouvir daquele que muito ama, uma verdadeira declaração de amor:

Eu vim aqui hoje porque quando você se toca que quer passar o resto de sua vida com alguém, você quer que o resto de sua vida comece o quanto antes.”

Claro que os nomes no elenco também eram um belo convite: Shirley MacLaine, Richard Jekins, Kevin Costner, Jennifer Aniston, Mark Ruffalo e a sempre maravilhosa mesmo em uma participação pequena Kathy Bates.

O filme faz uma brincadeira muito gostosa. Que acredito fazer parte do imaginário de muitos Diretores: contar o que aconteceria a mais num dos Clássicos. E Reiner escolheu ‘The Graduate‘. Ficamos sabendo disso logo no início do filme. Quem nos conta é Sarah, a personnagem da Jennifer Aniston. Ela vem a ser a neta daquela que inspirou e se tornou a Sra. Robinson, do Livro e depois do Filme. Quem faz a sua avó é Shirley MacLaine.

Sarah está indo com o recente noivo (Mark Ruffalo) assistir o casamento da irmã caçula. Ela não entende a calma da irmã às vésperas do matrimônio. Como também a sua própria reação no momento do pedido. Ficara muito aquém do que idealizara.

Será que só quem ouve os sinos tocando são as personagens dos filmes? Como saber se é mesmo com aquela pessoa que você quer para uma vida a dois? O que de fato fará o casamento não morrer com a rotina diária? Porque com o passar dos anos o convívio pode tirar a paixão ardente dos primeiros anos.

Não tendo a mãe enquanto crescia, Sarah se achava não pertencendo a sua própria família. Não se identificava com seu pai e com sua irmã. Achando que caíra de pára-quedas no seio daquela família. Dai, lhe veio a dúvida de ter um outro pai. Ainda como a somar nesses seus anseios, sua vida profissional não decolara. Jornalista em um grande jornal, mas escrevendo Obituários. Assim, tentando se achar, Sarah resolve investigar um mistério que ronda o passado de sua mãe. Tendo ela morrido quando Sarah era uma criança é com a sua avó que colhe as primeiras informações. Cruciais ou não, naquele momento era uma desculpa perfeita para se afastar também do noivo. Então ela parte…

Mulher pode tudo sim! Até em experimentar outros prazeres antes de tomar uma decisão tão séria: o “até que a morte os separe“. Mas desde que se desligue da relação atual. E isso vale para homens e mulheres.

Jennifer Aniston, a impagável Rachel em ‘Friends’, tem feito muitas Comédias Românticas ultimamente. Com altos e baixos nesses filmes. Em ‘Dizem Por Aí…‘ a performance dela me surpreendeu. Creio que o mérito é o Diretor, que tirou o melhor dela.

Os demais personagens estão bem, tanto em atuação como no contexto da estória. Assim, destacarei um deles, Richard Jenkins, que faz o pai de Sarah. Aquele que ela diz que não tem nada a ver com ela. Esse pai que criou as duas filhas praticamente sozinho. O filme também pode ser visto por esse ângulo: uma paternidade abraçada por amor e devoção as filhas. Uma única fala dele já traduziria tudo isso. Num dos questionamentos dela, ele responde:

“_Porque você estava dentro dele.”

A cena por si só, já emociona. Mas também faz uma bela homenagem a pais como ele.

Não é um filme que ficará memorável como ‘Harry & Sally’, mas deixo a sugestão. Mas mais precisamente para um público que dá valor a um relacionamento duradouro; as relações que queremos que se perpetuem. Um bom filme. Que vale a pena ver e rever.

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Dizem Por Aí… (Rumor Has It…). 2005. Austrália / EUA. Direção: Rob Reiner. Roteiro: Ted Griffin. +Elenco. Gênero: Comédia, Romance. Duração: 96 minutos.

Os Outros Caras (The Other Guys. 2010)

Quando um filme se propõe a dar destaque a uma dupla, para mim, é primordial que haja uma química entre eles. Mais importante que a trama em si. Até para ficar memorável. Exemplo disso seria com o filme ‘Lethal Weapon’, onde só com a menção do título me vem à mente os dois atores: Mel Gibson e Danny Glover. E não foi o que aconteceu com ‘Os Outros Caras‘. Pois nele tivemos dois solos onde não deveria ter. Houve um solo maior que a mim pareceu que fora involuntário. O lance é que Will Ferrell (Gamble) levou o filme quase todo nas costas. Pois não houve uma afinidade com Mark Wahlberg (Hoitz).

Outro ponto que eu não gostei foi com explicações demais. Uma narração em Off até traz um certo charme ao filme. Mas desde que não detalhem tanto. Deveriam deixar que aquele que vê o filme tire as suas próprias conclusões. Afinal, piada não se explica!

Ainda há dois outros pontos pesando contra, mas falo deles mais adiante. Agora, entrando na estória do filme. De quem seriam esses outros caras.

Mas para entender um pouco de como eles entrariam em cena, deixando de serem os outros, se faz necessário contar quem seriam aqueles que eles tomariam o lugar. Para isso, uma fala já faria um raio-x completo. Algo mais ou menos assim:

O que justificaria milhões em prejuízos numa perseguição de uma apreensão com algumas gramas de maconha?

Pois é! Os policiais que amam armar um circo como esse ai são os Tiras do momento. São eles: Highsmith (Samuel L. Jackson) e Danson (Dwayne Johnson). E até que com essa dupla houve química. Agora, não gostei de como saíram de cena. Foi algo surreal demais. Que ficou sem graça. Poderiam ter um final à altura do espetáculo que tanto amavam, ou algo do tipo pastelão. Por mais sátira a filmes de Tiras, fazer o que fizeram seria o mesmo que dizer que não tinham cérebros. Enfim…

Com isso, temos os outros: aqueles que ficam nos bastidores, ou melhor, os que fazem o trabalho burocrático da Polícia. Até os que encontrariam desculpas que justificassem os prejuízos dos que saem em campo. Para lá vão os que cumprem alguma punição – que é o caso do Hoitz -, como também aquele que gosta da investigação sem ação, pesquisando no Sistema – que é o que Gamble prefere fazer. A comandar todos, até os policiais que vão nas capturas, há Capitão Gene. Personagem de Michael Keaton. Um personagem que poderia ter rendido muito mais. Pena!

Hoitz queria os holofotes da mídia, mas mostrando que era um bom policial. Mais! Para que esquecessem de vez o grande fora que dera. Como para descontar toda a sua raiva, ele desconta em Gamble. Que para todos: é um nerd para saco de pancadas. Acontece que Gamble era um nerd sim, mas com algo a esconder. Assim, via também nesse trabalho burocrático, uma auto punição.

O filme é uma comédia que em vez de pastelão beira ao escatológico. A cara que Wahlberg faz ao ver que as gatas amam Gamble, é onde seu solo voa mais alto. Clichê ou não, é hilário. Ferrell está ótimo em todas as cenas. Que me levou a querer só elas. Até entendo que teriam que mostrar também um pouco da vida, do drama do Hoitz, mas ficaram enfadonhas. Ah! As louras terão um momento de revanche com a personagem da Eva Mendes, que no caso é morena. Enfim, é um bom sessão pipoca. Mas esperem passar na tv.

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Os Outros Caras (The Other Guys). 2010. EUA. Direção: Adam McKay. Gênero: Ação, Comédia, Crime. Duração: 107 minutos.

Muita Calma Nessa Hora (2010)

Filmes de verão normalmente fazem muito sucesso. Vide “American Graffit” do George Lucas, “Summer Lovers” do Randal Kleiser e as películas com Frankie Avalon e Elvis Presley. O filme nacional dirigido por Felipe Joffily em questão nos remete a “Menino do Rio” de Antonio Calmon, um estouro nacional nas bilheterias dos anos 80.

O enredo é simples como deve ser: Um trio de belas garotas (Andréia Horta, Gianni Albertoni e Fernanda Souza) que atravessam a ponte e vão para Búzios para esquecer desilusões amorosas. No caminho encontram a hippie Estrella (Débora Lamm) e se unem em aventuras leves e divertidas com rapazes de tirar o fôlego.

O trunfo maior de “Muita Calma Nessa Hora” é justamente o elenco que une veteranos como Louise Cardoso, Lúcio Mauro e Laura Cardoso (ainda que sua cena seja uma das poucas embaraçosamente ruins) com gente jovem, boa e talentosa como os protagonistas, além das participações notáveis de Maria Clara Gueiros (a empregada desconfiada Rita), Marcelo Adnet (o NERD Augusto Henrique), Luís Miranda (o gay espalhafatoso Buba), Leandro Hassum (policial), Marcos Mion (Cebola), Sérgio Mallandro (tatuador), Heloísa Périssé (cartomante) e Nelson Freitas (Pablo).

Curiosamente, o filme não é apelativo e as cenas de sexo são oportunas. Na verdade, o tema principal gira em torno da amizade verdadeira e do amor fraternal.

Para fazer deste o “Menino do Rio” dos nossos tempos, só faltaram mesmo um título menos idiota e uma trilha sonora mais caprichada embora Caetano Veloso e Pitty estejam nos créditos finais.

Carlos Henry

Muita Calma Nessa Hora. 2010. Brasil. direção: Felipe Joffily. Gênero: Comédia. Duração: 92 minutos.

Um Homem Misterioso (The American. 2010)

O título dado no Brasil até que trouxe uma peça para se tentar descobrir quem seria o tal homem. Mas quem seria ele? Um matador de aluguel? Um, de muitos que há por ai. O título original diz de onde esse veio. E virou uma alcunha, quando dele falavam no lugarejo onde se instalou por um tempo. Um lugar encravado numa das montanhas da Itália: Castel del Monte.

Antes de ver o filme ao ler uma sinopse ela me fez pensar em ‘Layer Cake‘. Primeiro fiquei a pensar se teria o mesmo desfecho. Depois, se esse aqui seria tão bom quanto o outro. E o que traria de diferencial entre tantos filmes com matadores profissionais.

Verdade seja dita, o carimbo do passaporte veio com essa dobradinha, esses dois colírios: George Clooney + Paisagens da Itália.

Seu personagem já no início do filme mostra que ele não é um qualquer, que mata sem dó nem piedade. O que faz criar uma expectativa maior com relação a trama. Ainda o vemos se cercar de cuidados quanto a sua segurança. Mas a estória perdeu o rumo depois dai. Ou eu que viajei demais por ter o George Clooney no elenco desse filme, esperando por um bom drama.

No livro, o qual foi baseado, até pode render uma boa estória. Mais ainda se aprofundou na relação dele com o pároco local. Culpas, expiações, pecados, absolvição… se houvesse mais no filme, ai sim seria um bom diferencial: a amizade dos dois.

O Padre, sem saber, o ajuda a construir uma arma. A arma que será usada para matar alguém. E quem seria esse alguém? Como quem estaria por trás de tudo? Mais até, ele estaria ali só para construir essa arma?

Além dos dois colírios citados, outro ponto que fica no filme, e a título de curiosidade, está em mostrar que para quem entende do assunto, aquilo que as barreiras alfandegárias não enviam, encontrará as outras peças, ferramentas e materiais, numa oficina de desmanche de carros. As sucatas se transformando em uma arma que atinge o alvo de longe.

Um outro ponto negativo do filme, foi a falta da espontaneidade dos italianos. Do modo de falarem também por gestual. Até a língua italiana que eu gosto de ouvir, foram pouco usadas. Como desculpa: prostitutas aprendendo a língua inglesa. Para mim o real motivo seria que os americanos, em maioria, não gostam de verem legendas em filmes.

E ao término do filme me peguei a pensar se um outro Diretor teria feito da estória um bom filme. Como também me fez continuar gostando muito de ‘Layer cake’. Já que ‘Um Homem Misterioso‘ é bem mediano. Mesmo com os dois colírios – Clooney e Itália -, não recomendo. No máximo, esperem passar na tv.

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Um Homem Misterioso (The American). 2010. EUA. Direção:  Anton Corbijn. Elenco: George Clooney (Jack / Edward), Thekla Reuten (Mathilde), Irina Björklund (Ingrid), Johan Leysen (Pavel), Paolo Bonacelli (Padre Benedetto), Violante Placido (Clara), Filippo Timi (Fabio), Anna Foglietta (Anna), Patrizio Pelizzi (Antonio). Gênero: Crime, Drama, Romance, Suspense. Duração: 105 minutos. Baseado no livro de Martin Booth, ‘A Very Private Gentleman’.

À Moda da Casa (Fuera de Carta). 2008

Antes da falar do filme, quero falar do desenho que está ilustrando-o.
Com ele o ‘Cinema é a minha praia!’ está inaugurando um parceria a muito sonhada: ganhamos um Ilustrador.
Ele é o Tiago Nunes, do Blog Desenhando.
Vida longa a essa parceria!

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Agora, o filme…
O diferencial desse filme é trazer uma estória não tão rotineira na vida de um homossexual. E o porque de já estar ressaltando a sexualidade do protagonista, fica por dois pontos. Primeiro, porque é ainda um assunto carregado de preconceito, com isso quanto mais mostrarmos que são pessoas como todo mundo, menos reações de espanto veremos até numa troca de carinho em um local público. Uma simples troca de beijo ainda é visto como algo escandaloso.

O outro ponto, é que está no contexto da estória. E qual seria ela? Num resumo seria: o dono de um restaurante, endividado, homossexual assumido, se vê tendo que conquistar dois filhos e um vizinho. Com o desenrolar, somos levados numa torcida para que ele consiga resolver todos os seus problemas.

Ele é um ótimo Chef de Cozinha, de seu próprio restaurante em Madri. Exige perfeição no preparo de cada prato, porque sabe que um simples descuido pode por tudo a perder: sabor, textura, apresentação… Mas não conta muito com funcionários competentes. Daqueles que vestem a camisa do local de trabalho. Dois em especial fazem parte desse grupo. Pelo menos enquanto também levarem seus problemas pessoais para aquela cozinha contribuirão para aumentarem os de Maxi. Que precisa urgentemente que o seu restaurante ganhe uma Estrela no Guia Michelin. Que levaria o seu restaurante ser um ponto turístico, elevando a frequência. Com aumento do caixa.

Por conta da expectativa da visita de um crítico influente, seu mais desastrado garçom aumenta o seu estresse por conta da marca Michelin. O outro funcionário atrapalhado, é a Alex, a Maitre. Que vive a procura de um relacionamento sério, mas acaba mesmo é atraindo homens que só a querem para uma transa. Mesmo com funcionários relapsos, Maxi é um condescendente patrão.

Às vezes, o destino coloca vários acontecimentos juntos. Para Maxi também veio no embalo: um novo vizinho e a guarda dos filhos. Mesmo tendo se  enamorado do jogador, tenta ajudar Alex a conquistá-lo. Mas o jeito vulgar dela acaba não ajudando muito. Com os filhos, o drama também não é fácil.

Maxi chegou a ter um casamento com uma mulher. Vieram os filhos. Mas ele quis assumir a sua homossexualidade. A esposa o expulsou da sua vida e da dos filhos. Maxi não viu mais os filhos. Não se sentia um pai. Com a iminência da morte, ela o chama para lhe entregar os filhos. Então Maxi se vê perdido, não querendo se passar por hetero diante dos filhos. Quanto aos filhos, aquele pai era também um completo estranho. A conquista aqui teria que ser dos três: Maxi aprender amar seu casal de filhos, e os filhos amar esse pai.

‘À Moda da Casa’ além de abordar o preconceito dentro do núcleo familiar, também o traz em ambientes profissionais. Como se em certos meios o sair-do-armário seria algo inconcebível. O que dará chance ao expectador de refletir,  se também concorda com isso.

Muito mais pelo tema, é que eu deixo a sugestão para que vejam À Moda da Casa. Quanto mais o mundo se ver livre da homofobia, melhor. Como também por ser um bom filme. Que entrou para a minha lista de rever.

Por: Valéria Miguez (LELLA).

À Moda da Casa (Fuera de Carta). 2008. Espanha. Direção: Nacho G. Velilla. Elenco: Javier Cámara (Maxi), Lola Dueñas (Alex), Fernando Tejero (Ramiro), Benjamín Vicuña (Horacio), Chus Lampreave (Celia), Luis Varela (Jaime), Cristina Marcos (Marta), Alexandra Jiménez (Paula), Junio Valverde (Edu), Alejandra Lorenzo (Alba). Gênero: Comédia, Romance. Duração: 111 minutos.