A Suprema Felicidade (2010)

Eu  gosto do Jabor, aquele cheio de verbos, empolgado. Quando leio seus textos, até consigo ouvir sua voz e ver seu dedo enérgico em riste a cortar os ares. Então, esse excesso de verbos transpassaram para o filme A Suprema Felicidade

Achei bonita a produção, a reconstituição de  uma época onde tudo era tão importado, tão estrangeiro principalmente a sensualidade.  Se imediatamente ao sair do cinema, me perguntassem  sobre o que trata o filme, minha resposta imediata seria… Sobre o fim das coisas! Sobre o que mesmo considerado correto está errado, ou não deu certo…  Sobre os caminhos que a iniciação sexual  nos idos 50…

Se tivessem me contado que o filme é autobiográfico, talvez eu o entendesse melhor. A mim pareceu que os argumentos que compõem o filme seriam suficiente para umas três produções:
- a relação de Paulo (Jayme Matarazzo ) e seu avô Noel (Marco Nanini),
- o relacionamento dos pais de Paulo,
- a iniciação sexual de Paulo.

Sendo uma biografia entende-se esse tudo ao mesmo tempo, é assim que a vida é.  Como se fossem vários episódios compondo um mesmo filme, as cenas se vistas isoladamente já depreendem em si um valor, um fato, uma mensagem. Por isso cheguei a pensar que Sofia (Mariana Lima) a mãe de Paulo teria enlouquecido, seria a informação de que mulheres reprimidas e castradas surtam mas voltam logo ao normal, ou simplesmente uma reminiscência do diretor? Ou ainda uma anotação: ‘Olhem, naquele tempo era assim, as mulheres eram escolhidas pela beleza e carisma e acabavam verdadeiras trancafiadas em nome da oral e dos bons costumes’…

O comprador de quinquilharias (Emiliano Queiróz) que não aceita as recordações de família fala de um comportamento ético que se perdeu no tempo. O pipoqueiro falastrão, Bené (João Miguel) que ainda existe em algum subúrbio longínquo dá um tom divertido.

As imagens são belíssimas mas algumas passagens me deixaram no ar e assim talvez seja na obra porque assim é na nossa vida. Mas que algumas cenas poderiam não ter existido, com certeza, como por exemplo,  a cena em que aparece um teco-teco a fazer malabarismos e Sofia feliz e saltitante grita: ”ele faz isso por mim!” E  abraça o filho que nesta cena tem 8 anos embora ela traga a caracterização de quando ele tem 19…

Talvez  Jabor tenha aproveitado o filme para uma terapia, para incendiar seus navios e contar como era bom poder freqüentar bordéis, pagar pelo sexo e ainda escolher com quem  fazê-lo. Talvez tenha ocorrido algo similar à cena do eclipse e isso justificaria seios nus fora de hora.

Talvez tenha querido dizer que a suprema felicidade não está na eletrônica e informações full time em tempo real, mas em a partir da nossa vivência poder fazer escolhas de acordo com o nosso afeto e fé. Que ser criado em colégio de padres não era uma boa contribuição à religiosidade das pessoas, que freqüentar prostíbulos e bordéis não faz de ninguém um tarado. Que a despeito de tanto glamour importado os mortos eram carregados em carroça à luz do dia em nome de um  atraso científico na capital federal e no país, mas que não era  isso que tornava as pessoa infelizes.  Que Paulo sempre gostou de meninas complicadas,  principalmente por seu amor começar a partir dele mesmo em sua imaginação, sonhos e fantasias. Que tanto faz catolicismo ou espiritismo, religião é algo pra envenenar a realidade das pessoas.

Nanini está magistral como Noel, o avô de Paulo – mas quando foi que este ator foi menos que  maravilhoso? Dan Stulbach é de uma competência emocionante mostrando que amar não é o suficiente para que se seja feliz ou para fazer alguém feliz.  Elke Maravilha no papel de ex-prostituta casada com o avô de Paulo,  bem que poderia ter um aproveitamento melhor, mas é que me parece que Jabor estava a fim de falar mesmo do universo masculino…. Cabeção, o amigo de Paulo ao se perceber homossexual, ao demonstrar (para a platéia, porque a anta do Paulo só pensava  em Deise, a maluquete médium Maria Flor) que amava Paulo some num cenário enfumaçado como se fosse pro tal reino dos céus chato e carola apregoado pelos padres…

Entendo Jabor, você nunca teve tendência a ser gay e que deixar isso bem claro nesse filme que não é autobiográfico, mas era assim que se fazia com os amigos naquela época, jogava o cara na névoa do esquecimento? Não sei , mas é fato que depois de tudo,  o que fica são impressões que resultam no perfil que criamos de nós mesmos. Não tem como não ter saudade da nossa infância, não tem como no final de tudo avaliarmos que fizemos o melhor com o sempre pouco que temos no momento de decidir.  Não tem como pensar que neste A Suprema Felicidade, ninguém era feliz nem alegre… O mais feliz se confessa apenas alegre e conta teve 10 minutos de suprema felicidade.

Paulo era um cara intenso, curioso com pressa de  viver, fora o avô e as putas não tinha muito com o que se alegrar, saber que a felicidade não existe, com sorte somos alegres até que não foi tão ruim, chato foi a decepção que me acompanhou na saída do cinema eu preferia como Paulo  acreditar que a felicidade existe se sair procurando por ela. Divertidas  as participações cenas com os padres  (Ary Fontoura, Jorge Loredo e Raphael Molina) e suas maldições infernais.

Mas sei lá, achei esse Paulo um tremendo de um egoísta pelo seu comportamento alheio à família, por representar o jovem de sexo masculino de uma época e as garotas em que segundo Jabor “não davam” e vagar pelos bordéis sempre a escolher e não comer ninguém e terminar por acabar com a fonte de renda de Marilyn e sua mãe. Aos egoístas, mesmo os poucos 10 minutos de felicidade suprema será negado talvez por isso um filme tão nostálgico onde ninguém consegue realmente estar feliz ou alegre…

Postado por Rozzi Brasil

Dizem Por Aí… (Rumor Has It… 2005)

Com um tempinho chuvoso, ligo a tv e no Guia um título chamou a minha atenção. Curiosa, fui olhar mais informações sobre o filme. Ali mesmo, era só teclar mais um botão no controle remoto. Numa de curtir um momento preguiçoso, em vez de cair no sono, o filme me cativou. Dai trouxe-o para vocês, mas terá alguns spoilers. Foi inevitável. Mas nada que vá tirar o prazer em ver o filme. Em ver ‘Dizem por aí…

Foi o nome do Diretor me fez de imediato querer ver o filme. Ele é o Rob Reiner. Reiner tem um jeito todo especial de falar sobre relacionamentos entre pessoas que de certa forma passam por algum momento junto. Seus filmes podem não atrair milhões de espectadores, mas seu público meio que segue seus filmes com carinho. Sendo que alguns ficam em nossa memória cinéfila, nem que o mote maior tenha sido mais por uma cena em especial. Como exemplo: é dele a cena onde Meg Ryan simula um orgasmo em pleno restaurante, no filme ‘Hally & Sally‘. Mesmo com um certo glamour, mostrando pessoas de uma classe média dos Estados Unidos, suas estórias mostram situações comuns em todas as classes sociais, e em outros lugares. É em ‘Hally & Sally’ que temos uma das frases mais românticas que alguém pode ouvir daquele que muito ama, uma verdadeira declaração de amor:

Eu vim aqui hoje porque quando você se toca que quer passar o resto de sua vida com alguém, você quer que o resto de sua vida comece o quanto antes.”

Claro que os nomes no elenco também eram um belo convite: Shirley MacLaine, Richard Jekins, Kevin Costner, Jennifer Aniston, Mark Ruffalo e a sempre maravilhosa mesmo em uma participação pequena Kathy Bates.

O filme faz uma brincadeira muito gostosa. Que acredito fazer parte do imaginário de muitos Diretores: contar o que aconteceria a mais num dos Clássicos. E Reiner escolheu ‘The Graduate‘. Ficamos sabendo disso logo no início do filme. Quem nos conta é Sarah, a personnagem da Jennifer Aniston. Ela vem a ser a neta daquela que inspirou e se tornou a Sra. Robinson, do Livro e depois do Filme. Quem faz a sua avó é Shirley MacLaine.

Sarah está indo com o recente noivo (Mark Ruffalo) assistir o casamento da irmã caçula. Ela não entende a calma da irmã às vésperas do matrimônio. Como também a sua própria reação no momento do pedido. Ficara muito aquém do que idealizara.

Será que só quem ouve os sinos tocando são as personagens dos filmes? Como saber se é mesmo com aquela pessoa que você quer para uma vida a dois? O que de fato fará o casamento não morrer com a rotina diária? Porque com o passar dos anos o convívio pode tirar a paixão ardente dos primeiros anos.

Não tendo a mãe enquanto crescia, Sarah se achava não pertencendo a sua própria família. Não se identificava com seu pai e com sua irmã. Achando que caíra de pára-quedas no seio daquela família. Dai, lhe veio a dúvida de ter um outro pai. Ainda como a somar nesses seus anseios, sua vida profissional não decolara. Jornalista em um grande jornal, mas escrevendo Obituários. Assim, tentando se achar, Sarah resolve investigar um mistério que ronda o passado de sua mãe. Tendo ela morrido quando Sarah era uma criança é com a sua avó que colhe as primeiras informações. Cruciais ou não, naquele momento era uma desculpa perfeita para se afastar também do noivo. Então ela parte…

Mulher pode tudo sim! Até em experimentar outros prazeres antes de tomar uma decisão tão séria: o “até que a morte os separe“. Mas desde que se desligue da relação atual. E isso vale para homens e mulheres.

Jennifer Aniston, a impagável Rachel em ‘Friends’, tem feito muitas Comédias Românticas ultimamente. Com altos e baixos nesses filmes. Em ‘Dizem Por Aí…‘ a performance dela me surpreendeu. Creio que o mérito é o Diretor, que tirou o melhor dela.

Os demais personagens estão bem, tanto em atuação como no contexto da estória. Assim, destacarei um deles, Richard Jenkins, que faz o pai de Sarah. Aquele que ela diz que não tem nada a ver com ela. Esse pai que criou as duas filhas praticamente sozinho. O filme também pode ser visto por esse ângulo: uma paternidade abraçada por amor e devoção as filhas. Uma única fala dele já traduziria tudo isso. Num dos questionamentos dela, ele responde:

“_Porque você estava dentro dele.”

A cena por si só, já emociona. Mas também faz uma bela homenagem a pais como ele.

Não é um filme que ficará memorável como ‘Harry & Sally’, mas deixo a sugestão. Mas mais precisamente para um público que dá valor a um relacionamento duradouro; as relações que queremos que se perpetuem. Um bom filme. Que vale a pena ver e rever.

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Dizem Por Aí… (Rumor Has It…). 2005. Austrália / EUA. Direção: Rob Reiner. Roteiro: Ted Griffin. +Elenco. Gênero: Comédia, Romance. Duração: 96 minutos.

Os Outros Caras (The Other Guys. 2010)

Quando um filme se propõe a dar destaque a uma dupla, para mim, é primordial que haja uma química entre eles. Mais importante que a trama em si. Até para ficar memorável. Exemplo disso seria com o filme ‘Lethal Weapon’, onde só com a menção do título me vem à mente os dois atores: Mel Gibson e Danny Glover. E não foi o que aconteceu com ‘Os Outros Caras‘. Pois nele tivemos dois solos onde não deveria ter. Houve um solo maior que a mim pareceu que fora involuntário. O lance é que Will Ferrell (Gamble) levou o filme quase todo nas costas. Pois não houve uma afinidade com Mark Wahlberg (Hoitz).

Outro ponto que eu não gostei foi com explicações demais. Uma narração em Off até traz um certo charme ao filme. Mas desde que não detalhem tanto. Deveriam deixar que aquele que vê o filme tire as suas próprias conclusões. Afinal, piada não se explica!

Ainda há dois outros pontos pesando contra, mas falo deles mais adiante. Agora, entrando na estória do filme. De quem seriam esses outros caras.

Mas para entender um pouco de como eles entrariam em cena, deixando de serem os outros, se faz necessário contar quem seriam aqueles que eles tomariam o lugar. Para isso, uma fala já faria um raio-x completo. Algo mais ou menos assim:

O que justificaria milhões em prejuízos numa perseguição de uma apreensão com algumas gramas de maconha?

Pois é! Os policiais que amam armar um circo como esse ai são os Tiras do momento. São eles: Highsmith (Samuel L. Jackson) e Danson (Dwayne Johnson). E até que com essa dupla houve química. Agora, não gostei de como saíram de cena. Foi algo surreal demais. Que ficou sem graça. Poderiam ter um final à altura do espetáculo que tanto amavam, ou algo do tipo pastelão. Por mais sátira a filmes de Tiras, fazer o que fizeram seria o mesmo que dizer que não tinham cérebros. Enfim…

Com isso, temos os outros: aqueles que ficam nos bastidores, ou melhor, os que fazem o trabalho burocrático da Polícia. Até os que encontrariam desculpas que justificassem os prejuízos dos que saem em campo. Para lá vão os que cumprem alguma punição – que é o caso do Hoitz -, como também aquele que gosta da investigação sem ação, pesquisando no Sistema – que é o que Gamble prefere fazer. A comandar todos, até os policiais que vão nas capturas, há Capitão Gene. Personagem de Michael Keaton. Um personagem que poderia ter rendido muito mais. Pena!

Hoitz queria os holofotes da mídia, mas mostrando que era um bom policial. Mais! Para que esquecessem de vez o grande fora que dera. Como para descontar toda a sua raiva, ele desconta em Gamble. Que para todos: é um nerd para saco de pancadas. Acontece que Gamble era um nerd sim, mas com algo a esconder. Assim, via também nesse trabalho burocrático, uma auto punição.

O filme é uma comédia que em vez de pastelão beira ao escatológico. A cara que Wahlberg faz ao ver que as gatas amam Gamble, é onde seu solo voa mais alto. Clichê ou não, é hilário. Ferrell está ótimo em todas as cenas. Que me levou a querer só elas. Até entendo que teriam que mostrar também um pouco da vida, do drama do Hoitz, mas ficaram enfadonhas. Ah! As louras terão um momento de revanche com a personagem da Eva Mendes, que no caso é morena. Enfim, é um bom sessão pipoca. Mas esperem passar na tv.

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Os Outros Caras (The Other Guys). 2010. EUA. Direção: Adam McKay. Gênero: Ação, Comédia, Crime. Duração: 107 minutos.

Muita Calma Nessa Hora (2010)

Filmes de verão normalmente fazem muito sucesso. Vide “American Graffit” do George Lucas, “Summer Lovers” do Randal Kleiser e as películas com Frankie Avalon e Elvis Presley. O filme nacional dirigido por Felipe Joffily em questão nos remete a “Menino do Rio” de Antonio Calmon, um estouro nacional nas bilheterias dos anos 80.

O enredo é simples como deve ser: Um trio de belas garotas (Andréia Horta, Gianni Albertoni e Fernanda Souza) que atravessam a ponte e vão para Búzios para esquecer desilusões amorosas. No caminho encontram a hippie Estrella (Débora Lamm) e se unem em aventuras leves e divertidas com rapazes de tirar o fôlego.

O trunfo maior de “Muita Calma Nessa Hora” é justamente o elenco que une veteranos como Louise Cardoso, Lúcio Mauro e Laura Cardoso (ainda que sua cena seja uma das poucas embaraçosamente ruins) com gente jovem, boa e talentosa como os protagonistas, além das participações notáveis de Maria Clara Gueiros (a empregada desconfiada Rita), Marcelo Adnet (o NERD Augusto Henrique), Luís Miranda (o gay espalhafatoso Buba), Leandro Hassum (policial), Marcos Mion (Cebola), Sérgio Mallandro (tatuador), Heloísa Périssé (cartomante) e Nelson Freitas (Pablo).

Curiosamente, o filme não é apelativo e as cenas de sexo são oportunas. Na verdade, o tema principal gira em torno da amizade verdadeira e do amor fraternal.

Para fazer deste o “Menino do Rio” dos nossos tempos, só faltaram mesmo um título menos idiota e uma trilha sonora mais caprichada embora Caetano Veloso e Pitty estejam nos créditos finais.

Carlos Henry

Muita Calma Nessa Hora. 2010. Brasil. direção: Felipe Joffily. Gênero: Comédia. Duração: 92 minutos.

OS ANOS JK – uma trajetória política

1954: suicídio de Getúlio Vargas. 1955: crise política ameaça a posse do presidente eleito, Juscelino Kubitschek. 1956: JK assume a presidência. Promete democracia e desenvolvimento. Supera crises e crises. Começa a construção de Brasília. Brasil muda de tom. 1960: JK inaugura Brasília. 1961: JK dá posse a seu sucessor Jânio Quadros. Sete meses depois Jânio renuncia. Crise. 1964: Golpe Militar instaura ditadura. JK é cassado. Dez anos de história. Muitas crises. O governo JK é um exercício de democracia. O Brasil ferve. Os anos JK. Ver para não esquecer.”

O filme traz uma abordagem a respeito da história do Brasil, com relação às eleições de JK, o nascimento de Brasília, o grande sucesso de Jânio Quadros que logo renuncia.

A produção cinematográfica trabalhada por Hélio Paulo Ferraz, inicialmente procura destacar as problemáticas e o contexto vivido na época; promovendo uma breve apresentação da crise política, o golpe militar, e a cassação dos direitos políticos de Juscelino Kubitschek.

O foco propriamente dito e a trajetória política de Juscelino Kubitschek, aquele conhecido como o “presidente bossa nova”, popular entre os grandes números de artistas, que objetiva o aceleramento no desenvolvimento do País rumo a modernidade e a ocupação de destaque entre as potencias mundiais.

Podemos notar que o filme trabalha a trajetória de Juscelino, mas não deixa de fazer uma análise da sociedade na época como relação ao econômico, político, social e cultural; um movimento de confronto direto entre grupos distintos que busca o controle do poder.

O filme é um referencial bibliográfico que não só trabalha a trajetória de Juscelino, destacando também todos os processos históricos que se inicia ante dos anos 50 e que permanecem como um grande marco até hoje na contemporaneidade.

Afinal, podemos afirmar que o grande movimento político e populista de Juscelino Kubitscheck mudou o rumo e as estruturas da história brasileira.

OS ANOS JK: Uma Trajetória Política. 1980. Brasil. Direção: Silvio Tendler. Elenco: Othon Bastos (narração), Renato Archer, Henrique Teixeira Lott, Tancredo Neves, Magalhães Pinto. Género: Documentário. Duração: 110 minutos.

Um Homem Misterioso (The American. 2010)

O título dado no Brasil até que trouxe uma peça para se tentar descobrir quem seria o tal homem. Mas quem seria ele? Um matador de aluguel? Um, de muitos que há por ai. O título original diz de onde esse veio. E virou uma alcunha, quando dele falavam no lugarejo onde se instalou por um tempo. Um lugar encravado numa das montanhas da Itália: Castel del Monte.

Antes de ver o filme ao ler uma sinopse ela me fez pensar em ‘Layer Cake‘. Primeiro fiquei a pensar se teria o mesmo desfecho. Depois, se esse aqui seria tão bom quanto o outro. E o que traria de diferencial entre tantos filmes com matadores profissionais.

Verdade seja dita, o carimbo do passaporte veio com essa dobradinha, esses dois colírios: George Clooney + Paisagens da Itália.

Seu personagem já no início do filme mostra que ele não é um qualquer, que mata sem dó nem piedade. O que faz criar uma expectativa maior com relação a trama. Ainda o vemos se cercar de cuidados quanto a sua segurança. Mas a estória perdeu o rumo depois dai. Ou eu que viajei demais por ter o George Clooney no elenco desse filme, esperando por um bom drama.

No livro, o qual foi baseado, até pode render uma boa estória. Mais ainda se aprofundou na relação dele com o pároco local. Culpas, expiações, pecados, absolvição… se houvesse mais no filme, ai sim seria um bom diferencial: a amizade dos dois.

O Padre, sem saber, o ajuda a construir uma arma. A arma que será usada para matar alguém. E quem seria esse alguém? Como quem estaria por trás de tudo? Mais até, ele estaria ali só para construir essa arma?

Além dos dois colírios citados, outro ponto que fica no filme, e a título de curiosidade, está em mostrar que para quem entende do assunto, aquilo que as barreiras alfandegárias não enviam, encontrará as outras peças, ferramentas e materiais, numa oficina de desmanche de carros. As sucatas se transformando em uma arma que atinge o alvo de longe.

Um outro ponto negativo do filme, foi a falta da espontaneidade dos italianos. Do modo de falarem também por gestual. Até a língua italiana que eu gosto de ouvir, foram pouco usadas. Como desculpa: prostitutas aprendendo a língua inglesa. Para mim o real motivo seria que os americanos, em maioria, não gostam de verem legendas em filmes.

E ao término do filme me peguei a pensar se um outro Diretor teria feito da estória um bom filme. Como também me fez continuar gostando muito de ‘Layer cake’. Já que ‘Um Homem Misterioso‘ é bem mediano. Mesmo com os dois colírios – Clooney e Itália -, não recomendo. No máximo, esperem passar na tv.

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Um Homem Misterioso (The American). 2010. EUA. Direção:  Anton Corbijn. Elenco: George Clooney (Jack / Edward), Thekla Reuten (Mathilde), Irina Björklund (Ingrid), Johan Leysen (Pavel), Paolo Bonacelli (Padre Benedetto), Violante Placido (Clara), Filippo Timi (Fabio), Anna Foglietta (Anna), Patrizio Pelizzi (Antonio). Gênero: Crime, Drama, Romance, Suspense. Duração: 105 minutos. Baseado no livro de Martin Booth, ‘A Very Private Gentleman’.

À Moda da Casa (Fuera de Carta). 2008

Antes da falar do filme, quero falar do desenho que está ilustrando-o.
Com ele o ‘Cinema é a minha praia!’ está inaugurando um parceria a muito sonhada: ganhamos um Ilustrador.
Ele é o Tiago Nunes, do Blog Desenhando.
Vida longa a essa parceria!

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Agora, o filme…
O diferencial desse filme é trazer uma estória não tão rotineira na vida de um homossexual. E o porque de já estar ressaltando a sexualidade do protagonista, fica por dois pontos. Primeiro, porque é ainda um assunto carregado de preconceito, com isso quanto mais mostrarmos que são pessoas como todo mundo, menos reações de espanto veremos até numa troca de carinho em um local público. Uma simples troca de beijo ainda é visto como algo escandaloso.

O outro ponto, é que está no contexto da estória. E qual seria ela? Num resumo seria: o dono de um restaurante, endividado, homossexual assumido, se vê tendo que conquistar dois filhos e um vizinho. Com o desenrolar, somos levados numa torcida para que ele consiga resolver todos os seus problemas.

Ele é um ótimo Chef de Cozinha, de seu próprio restaurante em Madri. Exige perfeição no preparo de cada prato, porque sabe que um simples descuido pode por tudo a perder: sabor, textura, apresentação… Mas não conta muito com funcionários competentes. Daqueles que vestem a camisa do local de trabalho. Dois em especial fazem parte desse grupo. Pelo menos enquanto também levarem seus problemas pessoais para aquela cozinha contribuirão para aumentarem os de Maxi. Que precisa urgentemente que o seu restaurante ganhe uma Estrela no Guia Michelin. Que levaria o seu restaurante ser um ponto turístico, elevando a frequência. Com aumento do caixa.

Por conta da expectativa da visita de um crítico influente, seu mais desastrado garçom aumenta o seu estresse por conta da marca Michelin. O outro funcionário atrapalhado, é a Alex, a Maitre. Que vive a procura de um relacionamento sério, mas acaba mesmo é atraindo homens que só a querem para uma transa. Mesmo com funcionários relapsos, Maxi é um condescendente patrão.

Às vezes, o destino coloca vários acontecimentos juntos. Para Maxi também veio no embalo: um novo vizinho e a guarda dos filhos. Mesmo tendo se  enamorado do jogador, tenta ajudar Alex a conquistá-lo. Mas o jeito vulgar dela acaba não ajudando muito. Com os filhos, o drama também não é fácil.

Maxi chegou a ter um casamento com uma mulher. Vieram os filhos. Mas ele quis assumir a sua homossexualidade. A esposa o expulsou da sua vida e da dos filhos. Maxi não viu mais os filhos. Não se sentia um pai. Com a iminência da morte, ela o chama para lhe entregar os filhos. Então Maxi se vê perdido, não querendo se passar por hetero diante dos filhos. Quanto aos filhos, aquele pai era também um completo estranho. A conquista aqui teria que ser dos três: Maxi aprender amar seu casal de filhos, e os filhos amar esse pai.

‘À Moda da Casa’ além de abordar o preconceito dentro do núcleo familiar, também o traz em ambientes profissionais. Como se em certos meios o sair-do-armário seria algo inconcebível. O que dará chance ao expectador de refletir,  se também concorda com isso.

Muito mais pelo tema, é que eu deixo a sugestão para que vejam À Moda da Casa. Quanto mais o mundo se ver livre da homofobia, melhor. Como também por ser um bom filme. Que entrou para a minha lista de rever.

Por: Valéria Miguez (LELLA).

À Moda da Casa (Fuera de Carta). 2008. Espanha. Direção: Nacho G. Velilla. Elenco: Javier Cámara (Maxi), Lola Dueñas (Alex), Fernando Tejero (Ramiro), Benjamín Vicuña (Horacio), Chus Lampreave (Celia), Luis Varela (Jaime), Cristina Marcos (Marta), Alexandra Jiménez (Paula), Junio Valverde (Edu), Alejandra Lorenzo (Alba). Gênero: Comédia, Romance. Duração: 111 minutos.

A Mulher sem Piano (La Mujer sin Piano. 2009)

Assisti ao filme A Mulher sem Piano no Festival do Rio deste ano do diretor espanhol Javier Rebollo produzido em 2009 e achei algumas passagens bem interessantes e instigantes, recheado de citações e originalidade que, para não passar em branco ou cair no esquecimento, resolvi registrar aqui.

A estranheza começa pelo título A Mulher sem Piano (?), penso que há duas possibilidades de entendimento:  1º – Pode ser uma expressão idiomática, daí somente o nativo dessa nação para explicar o seu significado; 2º – A outra possibilidade  seria interpretando a história da própria  protagonista A MULHER do título e a razão dela não possuir um instrumento musical desse porte: imenso e pesado, sendo necessário mais de uma pessoa para transportá-lo. O que pode representar essa figura de linguagem? O árduo trabalho de se Carregar um piano nas costas ou a outra expressão Matar um leão por dia, seria a luta pela sobrevivência nessa selva, refere-se a todo e qualquer sacrifício diário de todo mortal, a luta constante para resolver os problemas, a cruz de cada um,  o fardo, incessante da labuta e dos afazeres por mais simples que seja.

Conta a história de Rosa (Carmen Machi), casada, independente, dona de seu próprio negócio, um filho casado de uns trinta anos. A vida de Rosa digamos, é um mar de rosas pelo fato de ser uma eterna rotina: vive para a casa, o trabalho e para o marido. Só que a sua vida tornou-se reprise do filme de sua própria história enfadonho, roteiro enjoado que perdura por trinta anos. Pela sinopse, não chamaria a atenção nem do cinéfilo eclético, pois a princípio parece idiota. A rotina de uma dona-de-casa, a quem interessaria? Só que a sinopse às vezes engana. Este filme, garanto, tem altas doses de originalidade.

A primeira cena, apresentação das personagens, acontece dentro do carro de seu marido e quase não há diálogo, ou melhor, depois de trinta anos de casamento, já não existe comunicação verbal  muito menos contato físico. Eles despedem-se friamente e cada um segue o seu rumo.

A outra locação é a residência do casal, onde Rosa, mulher de meia idade, comum, realiza sua dupla jornada, seus afazeres domésticos, cuidar do marido, da casa, lavar, passar cozinhar, preparar o café, fazer faxina, atender às suas clientes que funciona em um recinto da sua própria residência, uma clínica de tratamento de beleza, jantar, assistir a um pouco de televisão e por fim dormir. A sua vida é uma eterna rotina. Com o marido não há mais diálogo. Às vezes, ela em sua intimidade pratica o tal ‘amor solitário’. Falam somente o básico. Agem como se fossem dois estranhos vivendo sob o mesmo teto.   A história tem duração não mais que um dia. Nada de novo acontece na vida dessa mulher sem piano que já não sorri para a vida, e nem se acha uma pessoa interessante. A mesmice é sua companheira inseparável.

Após se despedir do marido, Rosa vai aos correios para retirar uma encomenda. Entrega à funcionária o aviso de retirada juntamente com seu documento de identidade, e a funcionária dos correios a faz assinar o papel de recebimento da mesma, e volta com um pacote prontamente para lhe entregar. Confere a assinatura com a da identidade e, depois de examiná-lo cuidadosamente, diz que é impossível lhe entregar o pacote porque o seu RG está já há três anos vencido. Rosa fica incrédula pelo que acaba de ouvir e retruca dizendo tratar-se da própria, para que conferisse novamente a foto com ela e de que já havia assinado a guia de recebimento. A funcionária séria e secamente lhe responde que não poderá lhe entregar e pega o pacote e leva-o de volta para guardar. Rosa fica pensativa e sem entender. Nada mais a fazer volta para casa desanimada sem a sua encomenda.

E aí, querido expectador? Você não gostaria de saber o conteúdo desse pacote, assim como eu? Fiquei curiosa, já que o mesmo não nos foi revelado. O que será que Rosa queria a todo custo retirar nesse dia? O que ela comprou?  Chegou a perguntar até que horas era o atendimento nesse estabelecimento.  Mas quem tem a imaginação fértil… Rosa volta para casa arrasada… cuida do almoço da faxina, vai ao seu consultório anexo ao lar, o telefone toca, vai atender, o interlocutor é um velho conhecido nosso, o vendedor  telemarketing, a chatice rotineira descartável. Rosa, sem piano, sem pena, sem plano sem pestanejar, desligou.  A Rosa definhava, morria a cada dia, cansada, apática, da eterna repetição, da rotina, nem as ligações ao marido era novidade. Resolve ligar infinitamente nesse dia, também ao filho.

Outra coisa instigante que acontece na locação é um quadro na parede, uma pintura pendurada sobre a cabeceira de seu aposento, que chama muito a atenção e instiga nossa imaginação por ser uma pintura incomum, sombria, escura, e principalmente para um quarto do casal, representando um caçador a cavalo, um lobo morto por ele e ainda há  três vivos, os rodeando, mas tem apenas duas flechas e mais alguns cães. O marido ao se levantar sempre olhava o quadro; já Rosa, como parecia não gostar, resolveu retirá-lo de cena, e o guardou em algum canto da casa.

A noite cai. O marido não janta. A mulher olha a comida que preparou com carinho e ninguém a tocou, indo tudo para o lixo.  Antes de irem dormir assistem juntos a um pouco de televisão que nada tem de interessante; ela faz um passeio pelos canais procurando algo, eles agem como dois estranhos, um mantendo a distância física e emocional do outro, o único som que se ouve é o que vem do aparelho. Até que ele resolve ir para a cama e ela fica um pouco mais. Rosa desliga  a tevê, vai ao banheiro, se arruma coloca uma peruca talvez na tentativa de se tornar naquele momento uma outra pessoa, pega uma mala e sem avisar o companheiro, parte. Qual seria o objetivo? Fugir daquela situação? Começar de novo? Durante bastante tempo ela vaga pelas ruas de Madrid. Vai para a rodoviária, dirige-se a um guichê a fim de comprar uma passagem, sem destino. Em vão. É informada pelo funcionário que acabou de fechar e que só reabrirá no dia seguinte às sete da matina. Desanimada, ela vai procurar um canto para descansar. Observa as pessoas ao redor. Faz algumas ligações, mas do outro lado da linha ninguém atende. Observa atentamente um rapaz que está sentado a sua frente e é também observada por ele. Um celular toca. É do rapaz, mas ela pensa que é seu porque tem o mesmo toque. Eles começam a conversar a partir daí, falando da mesma música dos seus respectivos aparelhos. Surge um affair ali. O rapaz, Rdek conta que é polonês fugitivo e que deseja retornar para a sua terra natal para pagar uma dívida e que está na Espanha a trabalho, e que já juntou dinheiro suficiente para isso; somente depois ela descobre que ele é procurado pela polícia polonesa, enfim, uma situação insólita vivida por ela e pelo da poltrona testemunhando essa condição inesperada vivida por ela. Ela mesma não sabia direito o que estava acontecendo. Sabia que deveria sair dali, tentar fazer alguma coisa, ir em busca de felicidade.

Ela dá uma saída para fumar porque dentro do saguão é proibido. Lá fora é confundida com prostituta, acaba fazendo amizade com uma e com outras pessoas. Volta ao saguão o ambiente bem movimentado, gente dormindo pelos cantos, e o guarda local despejando-os de lá.   A mulher sem piano percorre por diversos cantos de Madrid pela madrugada afora, vive diversas situações insólitas. Até que encontra o seu conhecido polonês Rdek, caído no meio da rua, ela o acode, e ambos saem para um restaurante e entram para comer. O novo casal vive um dia incrível de descobertas devido a momentos difíceis que ambos atravessam. Eles seguem a madrugada toda em fuga.  Até que resolvem pernoitar num hotel.

No salão do hotel tem um piano e Rosa ao passar por ele, dedilha alguma coisa. Aleluia! Por um instante daquele dia peculiar Rosa é A MULHER COM PIANO!

Lá na intimidade desse quarto de hotel, Rosa deita-se no divã e conta toda a sua vida para seu novo amigo polonês que ouve atentamente. Nesse instante ele ouve com dupla atenção a história do quadro que ela lhe conta, que o retirou de seu quarto e encostou no porão por não entender e não gostar dele.

Rdek fica alguns minutos pensativo, e depois dá maravilhosamente a sua interpretação sobra a obra de arte, qual a sua mensagem e o que essa pintura representa. Para mim foi o ponto culminante do filme.  A explicação fantástica!  A mulher sem piano e o forasteiro retornam à rodoviária com a intenção de partirem para à Polônia. Ela se dirige a um guichê e compra duas passagens. Ao retornar ao encontro de Rdek, Rosa nota que dois policiais o abordam e o levam dali.

Desanimada, a mulher, não tem outra opção, senão voltar para o seu lar.

Ao chegar a casa já pela manhã, chega a ser cômico, o marido se levantando e ela indo para a cama.  A rotina novamente impera: mesa posta, marido saindo para trabalhar, casal sem diálogo, ela a volta com seus afazeres domésticos, até que olha para a parede vazia, sem o quadro, sai e volta com ele e o repõe no seu devido lugar de origem de onde nunca deveria ter saído.

Agora, com ou sem piano, Rosa sabe que pode dar um novo rumo à sua vida. O telefone toca, é o seu filho no outro lado da linha. E a vida segue… todos os dias como uma folha em branco que deve ser preenchida. Cada um é ator ou protagonista de sua própria história… com ou sem piano.

Parabéns aos roteiristas!

Karenina Rostov

*

Sinopse: Rosa é dona de casa e vive com o marido em Madrid. Prestes a entrar na menopausa, ela não tem amigos nem vida social, e seu maior prazer é ver um prato fumegante de comida ser servido com admirável pontualidade na hora das refeições. Tendo vivido toda sua vida em função da família, não está nada satisfeita consigo: não se acha bonita nem gosta de seu cabelo. Mas, num dia desses, decide escapar de sue mundo e viver apenas uma noite diferente. Concha de Prata de Melhor Diretor no Festival de San Sebastián 2009.

Ficha Técnica

Título: La Mujer sin Piano

Diretor: Javier Rebollo

Roteiristas: Lola Mayo, Javier Rebollo

Elenco: Carmen Machi, Jan Budar, Pep Ricart, Nadia Santiago

Ano de Produção: 2009

País: Espanha / França

Duração: 95

RED – Aposentados e Perigosos (2010)

Amei! Sorrisão estampado ao término do filme. E com gosto de quero mais! Quer saber o porque? Então continue a ler. Tentarei não deixar spoiler. Ah sim! Aos jovenzinhos preconceituosos com a turma-da-melhor-idade melhor assistirem outro filme.

O antes! Só em ter Bruce Willis no Elenco já é um convite para ver o filme. Acontece que em ‘RED – Aposentados e Perigosos‘ o brinde é maior, por trazer também: Morgan Freeman, Helen Mirren e John Malkovich. E uma participação para lá de especial de Ernest Borgnine. Pronto! Estava então carimbado o meu passaporte para acompanhá-los nessa bela, eletrizante e divertida viagem.

O subtítulo dado no Brasil trata-se de uma tradução da sigla RED: Retired Extremely Dangerous. Dai não está entregando o filme. Eles são de fato a fina flor dos Agentes Secretos da CIA. A idade chegou, dando a eles a chance de aproveitarem uma vida normal. Virando pacatos cidadãos. Será que conseguiram se adequar a nova realidade?

Essa Tropa de Elite é composta por: Frank Moses (Bruce Willis), Joe Matheson (Morgan Freeman), Marvin Boggs (John Malkovich) e Victoria (Helen Mirren). Eles foram obrigados a retornarem, pois do contrário seriam eliminados. Por conta disso, os convido a não focarem apenas em quem estaria por trás dessa ordem. Porque toda a trama nos leva a algumas reflexões.

Uma dessas reflexões seria como um mergulho numa aula de Geo-política, cujo teor seria as incursões dos Estados Unidos nos Países Latinos. Sob a égide de combater o inimigo – seja ele o narco-tráfico, os terroristas… -, há o sentimento exacerbado de donos do mundo, de protetor-dos-fracos-e-oprimidos. Fachada! Porque por trás do belo gesto há o interesse real: o proveito maior é para eles, não para o país onde se instalaram. Mais! Onde o tempo de permanência nesse território equivale ao que lucrarão, ou usarão dali.

Dessa reflexão pulamos para uma outra. A qual me fez lembrar do que escrevi para o ‘No Vale das Sombras‘. Já que nessas incursões levam jovem programados para matar. Onde o botãozinho ‘Stop’ que os levariam a questionamentos internos, dependerá mesmo da essência de cada um. E que no Treinamento não há o de desprogramar.

Na trama, temos a de Guatemala em 1961. Foram em socorro de um governo de terror, mas… Vindo para um episódio mais recente, e bem real, hão de se lembrar do que militares americanos fizeram a presos lá no Iraque. Por conta do ego inflamado eles próprios filmaram, e elas vieram a público. O desfecho desse ato foi desaparecendo da mídia. Não há interesse deles em propagandear tais abusos por parte do povo deles. Pela própria cultura de que são os melhores, pela farda, pelo treinamento… após o momento escória-da-raça-humana, haverá o que há por vir. O que farão depois disso. Como sairão de tudo o que passaram e fizeram. O que farão desse passado nebuloso.

Na trama, o primeiro dos RED a ser procurado é Moses. Levava uma vidinha insossa, mas que não perdeu a agilidade dos velhos tempo conseguindo se livrar de um grupo de assassinos. Mesmo tendo dado um banho nesse pelotão, e até pela desconfiança de quem seriam eles, Moses queria saber o porque. É quando procura por Joe. Esse vivia num asilo, aderindo assim a essa nova missão. Também por descobrir que assim como Moses, está nessa queima de arquivo.

Paralelo a isso, Moses entende que a mocinha também corre perigo. Que pode vir a ser uma isca a quem o quer ver morto. Ela é Sarah (Mary-Louise Parker). Atendente do Serviço de Pensões do Governo. Ninguém achava que onde há Herói não haveria uma Mocinha, não é mesmo? Dai, nem venham com crítica de que é clichê, pois faz parte do Mito do Herói. Sonhadora, leitora contumaz desse tipo de aventura, aquilo veio como um presente dos deuses para sair da sua vidinha sem sal.

Se com Joe, Moses descobre quem são esses que estão a frente para eliminá-los, precisava saber o elo que os ligavam, e a uma lista maior já quase concluída. Vai estar com Marvin. Esse é um sobrevivente, com sequelas, de um experimento do governo: controle da mente. É onde se vê que o combate às drogas pelo TIO SAM, tem duas faces. Um outro filme onde também se constata isso, é ‘Perigo Real e Imediato‘. John Malkovich faz um Marvin tão louco, tão genial, que me deixou querendo por uma continuação, e tendo ele a frente. O seu Marvin é divertidíssimo!

Moses precisa entrar no QG da CIA. Para não apenas juntar as peças, mas também ter em mãos um trunfo. A lista com os nomes dos eliminados, existia. As mortes, acontecendo; e sem deixar evidências. Só para os do RED é que não se importavam com os rastros.

Se há essência no interior de cada um da velha guarda, também há um acordo de cavalheiro entre eles. Mesmo tendo estados em campos opostos. O que leva Moses procurar por Ivan (Brian Cox). E dentro da Embaixada Russa, Moses vai pedir por Credenciais para ele e Sarah entrarem na CIA. Assim como Moses, no íntimo Ivan também é um romântico. Um cavalheiro à moda antiga.

Quem cuida desse Arquivo Morto da CIA, é Henry, personagem de Ernest Borgnine. Participação elogiável para ambos: ele e quem o escalou. Não importa o tamanho do papel, se o ator é bom, o deixará memorável. Além do que é sempre bom ainda ver a velha guarda atuando.

Já cientes do tamanho da encrenca, e precisando entrarem num outro QG, eles vão procurar pela Lady da turma, Victoria. Por ser uma exímia atiradora, ela será a retaguarda que os três precisam para encontrarem com Alexander Downing (Richard Dreyfuss). Uma das peças chaves desse jogo. Também caberá a ela um certo tiro… Para uma saída de cena honrosa. Que me levou a pensar na Maude de ‘Ensina-me a Viver‘.

E na cola dos REDs está o jovem agente William Cooper (Karl Urban). Um chefe de família zeloso. Que aspira por cargos mais alto. Que se verá em xeque.

Quem estaria de fato por trás de tudo? Por que? Vidas, Cargos, Prestígio Social, Política, Executivos, Cidadãos Comuns, tudo, todos serão cartas fora do baralho nas mãos de quem aspira por um poder maior. E como falei, será a essência de cada um deles que estará em xeque. Se haverá cheque que os tirem do caminho que escolheram.

Antes de finalizar, deixo mais uma das reflexões que o filme traz: que é em relação ao Sistema Político e Mundial. Ele está podre, mas não dá para implodir e começar do zero. Porque por trás dele há uma teia muito forte. Se em ‘Tropa de Elite 2‘ se tem uma visão do que está acontecendo no Brasil, em ‘RED – Aposentados e Perigosos’ a amostragem é com um país de primeiro mundo. Então, por mais que a esperança se esvai a cada Eleição ainda fica um querer de que um dia todos dessa teia trabalhem de fato pelo bem coletivo. Até porque é o povo que elege parte dela: os políticos. Caberia então a eles guiar o entrelaçamento dela.

Por fim, tirando a atuação de Rebecca Pidgeon, que não marcou presença, os demais estão ótimos, e em sintonia. A Fotografia é deslumbrante. A Trilha Sonora veio como um coadjuvante. O final não ficou em aberto, mas me deixou querendo por uma continuação. E é isso! Peguem a pipoca porque o filme é muito bom!

Por: Valéria Miguez (LELLA).

RED Aposentados e Perigosos (RED). 2010. Canadá / EUA. Direção: Robert Schwentke. Gênero: Ação, Comédia, Crime. Duração: 111 minutos. Roteiro: Erich Hoeber & Jon Hoeber. Baseado nos quadrinhos de Warren Ellis e Cully Hamner.

Uma Cidade Sem Passado (Das Schreckliche Mädchen. 1990)

A trama se inicia com a personagem Sonia a qual busca relatar o cotidiano vivido na sua contemporaneidade, enfrentando várias dificuldades voltadas aos espaços sociais, econômicos e político da época.

Sonia além de buscar informação do passado, ela visava relatar a sua história por meio de uma árvore que era considerada um local de memória, um diário onde se colocava os acontecimentos e fatos oprimidos por uma sociedade opressora que nega a história de uma comunidade que como Sonia, objetivava a construção e permanência de um presente passado que registrava a existência de uma memória esquecida.

O autor Michael Verhoven trabalha com uma linguagem clara e sucinta para que os telespectadores compreendam a importância da história para o registro da memória social, política, econômica e individual de cada membro que compõe uma sociedade.

No decorrer do filme notamos a construção histórica de Sonia, através de sua pesquisa e investigação a qual ela busca construir e colocar em público o passado de sua cidade.

No desenrolar drama é visível a dificuldade enfrentada por Sonia, pois os arquivos os quais continham a memória registrada do passado de sua cidade eram protegidos, ou seja, censurado pelas as forças que governavam na época.

Entretanto isto não limitará o trabalho de Sonia, pois ela desafia os princípios morais e éticos da época, com objetivo de romper com paradigmas opressores, com ideal revolucionário de liberdade de expressão e produção de suas ideias.

A final a produção cinematográfica alemã trabalhou com ênfase a importância da história enquanto memória de uma sociedade seja ela vivida na particularidade ou na coletividade dos processos de um grupo que registra e construí os padrões éticos e sociais de um determinado espaço e tempo histórico.

Em suma, podemos afirmar que “Uma Cidade Sem Passado” é um filme que coloca em discussão as problemáticas da contemporaneidade voltadas a memória histórica que em muitos momentos é silenciada ou esquecida.

Uma Cidade Sem Passado (Das Schreckliche Mädchen / The Nasty Girl). 1990. Alemanha. Direção e Roteiro: Michael Verhoeven. Elenco: Lena Stolze, Hans-Reinhard Müller, Monika Baumgartner, Elisabeth Bertram, Michael Gahr, Robert Giggenbach, Fred Stillkrauth, Barbara Gallauner, Udo Thomer, Ludwig Wühr. Gênero: Comédia, Drama, Guerra, História. Duração: 92 minutos.