Este Filme Ainda Não Foi Classificado (This Film Is Not Yet Rated. 2006)

 

Assisti por um canal a cabo. E não dá para ficar sem comentar esse Documentário: Esse Filme Ainda Não Foi Classificado. O tema é por demais interessante: Censura e Censores. Sendo que Mercado e Educadores também entram no contexto.

Após um tempo que passei a me dedicar a escrever sobre Filmes foi que voltei a prestar atenção se ele seria adequado ou não a uma faixa etária. Até por me perguntarem se tal filme poderia ser visto com filhos menores de idade. Lá no passado a minha preocupação maior era se eu poderia assistir ou não. Isso já faz um bom tempo, onde havia duas opções para mim ver um filme: Cinema ou Televisão. Bem antes mesmo das fitas em VHS.

Assistindo a esse documentário pude perceber que não houve grandes diferenças entre o que censuravam no passado e o que censuram atualmente. Um exemplo do passado: Por conta de mostrar pelos pubianos de um ator, numa cena bem rápida, o filme fora censurado para menores de 14 anos. Eu e umas amigas tivemos que convencer o gerente para nos deixar assistir. É! O primeiro nu masculino numa tela ficou memorável. Talvez pelo esforço em não perder o filme. Agora um exemplo do próprio Documentário: a atriz Maria Bello conta que o filme ‘The Cooler’ (2003) foi proibido para menores de 17 anos porque apareceram seus pelos pubianos numa cena.

Se no passado do nosso país era a Ditadura Militar o Órgão Censor, atualmente a uma diversidade maior. Mas com o advento de portabilizar os filmes – VHS, DVD, Internet… -, o acesso a filmes “proibitivos” cresceu. Mesmo não se tratando de uma infração para quem assiste, mas onerando muito mais para quem deixa os menores de idade assistirem, vemos nesse Documentário que muitos filmes ainda passam por cortes para adequarem o seu conteúdo ao público menor de idade, e só então receberem o aval para serem lançados. Quando não, mesmo após o lançamento ainda sofrerão em verem seus filmes editados.

Sempre fico intrigada quando assistindo filmes pela televisão vêem com isso: “Esse filme foi editado para adequar o seu conteúdo a esse horário.” Pois me pego a pensar em qual cena foi retirada. E se uma reprise do mesmo após um horário adequado, as tais cenas voltariam. Esse lance de horário, e nos canais de televisão, é também uma baita censura para o Autor de Séries, Novelas… Dependendo do horário que o programa será exibido, ele terá que adequar o texto. Já ouviu uma explanação sobre esse tema num Evento com o autor de Malhação ID.

Como podem ver há cerceamento para Cinema e Televisão. Não sei quais são os critérios para Teatro.

 O pensamento oscila para um lado e para outro. De um, seria se colocariam também uma tanga cobrindo os órgãos genitais das Obras de Artes, das estátuas, nos Museus em certos horários. Mas brincadeiras à parte, quando a nossa preocupação são de fato as crianças – e me refiro até a pré-adolescência -, claro que a Classificação Indicativa se faz necessário.

Vendo esse Documentário confesso que pensei em Michael Moore. Se tivesse sido realizado por ele, creio que o tema teria sido mais abrangente, indo também a outros países, com mais detalhes. Mas o Diretor Kirk Dick conseguiu nos dá uma amostragem bem interessante de como é feita essa Classificação Indicativa lá, nos Estados Unidos. Onde usam esses códigos: G, PG, PG-13, R e NC-17. Procurando pelos significados, encontrei esses:
- G: Censura Livre.
- PG: Conteúdo com menor grau de violência, insinuações de linguagem grosseira e ausência de temas adultos, recomendável para crianças maiores de 9 anos.
- PG-13: Não recomendável para menores de treze anos por conter alguma violência, linguagem levemente grosseira, e sugestão de temas adultos. Cenas leves.
- R: Não recomendável para menores de quinze anos por conter cenas de violência, linguagem grosseira e temas adultos leves. Cenas estilo médio.
- NC-17: Não recomendável para menores de dezessete anos por conter cenas de descrição explicita de violência, uso liberado de forte linguagem grosseira, e temas adultos tratados de modo detalhado e explícito. Cenas fortes.

Não descarto a importância de se saber a hora certa de uma criança ver certos fatos da vida. Quando se é adulto já passamos por tantos problemas, por tantas cenas reais… que deixar que vivam mais tempo da infância – a época da inocência -, é bem salutar.

Agora, quem seriam os responsáveis por fazer essa classificação por faixa etária lá nos Estatos Unidos?

Lá, é feita por uma organização única: a MPAA (Associação de Filmes da América). Cujos Membros não podem aparecer, por força de um contrato. São bem arbitrários em suas deliberações. Se algum Diretor, ou Produtor, entra em contato para reclamar, é até aconselhado a não prosseguir. Pois numa instância maior, serão membros da própria MPAA que irão julgar. Tantas as produções hollywoodianas, como as produções independentes, recebem igual tratamento. O que à primeira vista pareceria fator não discriminatório, mas com os caminhos que ambos têem na veiculização, torna-se algo discriminatório sim.

Produções independentes não são transmitidas em muitas Salas de Cinema. Por vezes, nem atingem cidades do interior. Aqui no Brasil, até mesmo um Diretor como Woody Allen, nem em subúrbios das capitais, passam seus filmes. O Documentário não entrou em maiores detalhes no porque de um filme que recebe o – NC-17 -, ficar queimado. Eu presumi que então só poderia ser exibido em poucas Salas. Me peguei a pensar no filme ‘O Caçador de Pipas‘. Pois a versão do livro para o filme adequou a estória para atingir um público muito mais jovem. Só não sei se foi por livre arbítrio do Diretor, ou imposição da MPAA.

Kevin Smith reclama de uma censura restritiva ao seu ‘Menina dos Olhos‘, por conta da personagem da Liv Tyler dizer que se masturba. Para a MPAA deve ser algo inaceitável. Tanto é, que uma das retrições feita ao ‘Meninos Não Choram’ foi por causa de um orgasmo da personagem feminina – muito prolongado na visão deles, quem conta é Kimberly Peirce. Há também a declaração de um membro de uma ONG contra a violência feminina que não entende como a MPAA deixa passar cenas onde a mulher é estuprada, arrastada, violentada… mas ficam incomodados quando não há violência num ato sexual de uma mulher, por exemplo.

O Diretor Kirk Dick contrata duas Detetives para que descubram quem são os membros da MPAA. Elas descobrem. Mas depoimentos mesmo, só de ex-membros. Pelos Estatutos do Ógão Censor, um dos critérios é que deveriam ter filhos menores de idade. Mas pelo que o que investigaram, muitos têm filhos maiores de idade. Seria o alto salário que os prenderiam a esse trabalho? Padre e Pastor também fazem parte do plantel. Por um ex-membro, foi dito que eles não teriam poder de voto. Mas sabe se lá se eles não influenciam a quem pode votar.

O Documentário também aborda uma diferenciação para filmes com teor homossexual. Onde filmes muito violentos recebem uma classificação mais branda que os com temática sexual. O Diretor Darren Aronofsky também fala da censura a seus filmes.

Enfim, fica a recomendação para que assistam. Não faltará temas para um debate, até em Salas de Aulas. Eu até veria outra vez, mesmo ficando a desejar. E essa turminha do MPAA não me sairá mais da mente.

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Este Filme Ainda Não Foi Classificado (This Film Is Not Yet Rated) 2006. EUA / Reino Unido. Direção e Roteiro: Kirk Dick. Gênero: Documentário. Duração: 97 minutos.

 

Appaloosa – Uma Cidade Sem Lei (2008)

Desde os fabulosos Os Imperdoáveis e Tombstone eu não havia encontrado mais nada no gênero Western que me chamasse a atenção. Estes dois são clássicos do cinema que estão para além de qualquer suspeita, afinal existe uma grandiosa história por trás de intocável elenco. Nada poderia ser melhor.

Nem mesmo Onde os fracos não tem vez (o fajuto ganhador do Oscar de Melhor – argh! – Filme) e nem mesmo o excelente O Assassinato de Jesse James conseguiram repetir a façanha destes dois citados acima.

Porém recentemente conferi um hit que conseguiu saciar a minha sede do estilo. Trata-se do magnífico Appaloosa – Cidade Sem Lei, filme que repete a fórmula de sucesso dos clássicos: excelente roteiro aliado a um excelente elenco.

Neste caso temos um ingrediente especial: um dos meus atores prediletos do cinema assina o roteiro, a direção e ainda atua como personagem principal! Este cara é Ed Harris e os louros são todos para si, devido ao imenso risco de fracassar ao assumir tudo sozinho.

Se o filme não fosse bom, a imagem de Ed Harris poderia ser prejudicada, mas não: tudo funciona perfeitamente bem!

Na companhia de Ed Harris, ainda temos Viggo Mortensen – representado pelo seu fiel escudeiro Everett -, Renée Zellweger, como a senhora que mexe com os brios do mocinho, e o estupendo Jeremy Irons, como o vilão da história.

Coloque estes quatro cidadãos no liquidificador, bata e veja o que sai: uma bebida com um sabor inesquecível. Assim é Appaloosa, um grande momento do cinema.

Appaloosa é uma cidade tomada pelos bandidos e constituem uma terra sem lei. Virgil e Everett formam uma destemida dupla que está habituada a este tipo de situação e que são contratados para restabelecer a ordem.

A dupla chega a lembrar de dois personagens clássicos de Miguel de Cervantes: Dom Quixote e Sancho Pança, e desconfio que ambos tenham sido verdadeiramente inspirados pelo livro do espanhol.

Agora o triunfo do filme reside nos irreverentes diálogos. É uma provocação sem fim que lhe deixa tenso em diversos momentos. Se tivesse que comparar com a televisão, Virgil é como um Dr. House versão Bang-Bang. Imagine só então o que vem por aí! Recomendado!

Por: EvAnDrO vEnAnCiO.   Blog: EvAnDrO vEnAnCiOUniverso Hiper-Real.

A Ilha: Uma Prisão Sem Grades (Boot Camp, 2008)

Neste final-de-semana assisti a um filme que não chega a ser sensacional, porém é chocante. Se não fosse os dizeres “Este filme é baseado em fatos reais” talvez passaria despercebido por mim. Entretanto, após chegar ao término, fui investigar mais a fundo e descobri que coisas muito piores do que as relatadas no filme acontecem ainda hoje.

O filme se chama Boot Camp (que pode ser traduzido como Acampamento de Recuperação em português) e segundo o site Choveu ele sairá por aqui, a partir do dia 16/07/2008, direto em DVD, com o nome de A Ilha – Uma Prisão sem Grades.

Segue a Sinopse:

Boot Camp é um thriller psicológico sobre um grupo de jovens rebeldes que são enviadas para uma casa de reabilitação em um remoto campo das Ilhas Fiji. Mas o que seus pais acreditam ser uma respeitosa e artística instituição de luxo em um lugar calmo e perto da natureza se torna uma prisão onde esses jovens são levados a um pesadelo. E é neste verdadeiro campo de batalha que eles serão submetidos a diversos abusos e lavagens cerebrais. Submetidos as situações extremas e com a sanidade mental ameaçada, estes jovens deverão enfrentar o diretor militarista e sua utópica visão de ordem, para conseguirem escapar.

O filme é um show de tortura psicológica e física, e assemelha-se bastante ao que acontece nos campos militares, com uma exceção: os torturados são crianças enviadas pelos próprios pais na espectativa que os filhos aprendam a lhes obedecer. Para eles pararem de serem torturados, precisam torturar os outros. Só assim podem subir de nível,  numa espécie de hierarquia onde quanto mais alta, mais direito a regalias.

Enfim, só vendo o filme para se sentir chocado ao ver crianças, que muitas vezes não cometem nem ao menos um crime, sendo enviadas para verdadeiros campos de concentração. Porém eu, em minha ingenunidade, achei que o filme era exagerado e o inicio que dizia que “Este filme é baseado em fatos reais. Há atualmente mais de 20.000 acampamentos de recuperação ou com regras similares ao chamado Amor Duro, abrigando milhares de crianças no mundo. Eles operam virtualmente sem nenhuma regulamentação ou fiscalização do governo.” fazia parte da estratégia de instigar a curiosidade do público. Porém, no fim, os produtores do filme insistem na questão e complementam os dizeres iniciais com os seguintes: “Desde o começo do movimento Amor Duro de reabilitação em 1970, centenas de milhares de crianças têm sido enviadas para programas iguais ou similares a este. Tem sido relatados mais de 40 mortes nos acampamentos. Não há estatísticas de quantas vidas têm sido irreparavelmente danificadas.”

Fiquei com isto na cabeça, muito incomodado pela possibilidade do real, e fui investigar a veracidade dos eventos demonstrados. Segundo o wikipedia, Boot Camps fazem parte do sistema de correção de jovens que cometeram o primeiro delito como substituição ao tradicional sistema de carceragem no EUA, ainda que diversos países adotem sistemas semelhantes. O modelo deste tipo de punição é baseado nos mesmos moldes de campos de recrutamento militares e o objetivo é fazer com que eles sejam re-educados, aprendam a obedecer regras e respeitar hierarquias para serem re-inseridos na sociedade. O tempo de tratamento varia entre 90 e 180 dias e caso o programa não seja completado, o jovem volta para o sistema tradicional de punição e é encarcerado. Estes campos de recuperação podem ser empresas privadas ou do próprio governo.

Neste caso, temos uma espécie de Febem paulista, porém com regras mais rígidas para os criminosos de primeira viagem, o que, em teoria, seria válido como forma de tentativa, pois assim estes jovens não retornariam a cometer outros crimes quando voltassem para as ruas. A punição segue o príncipio de agir antes, ainda que com certo rigor,  do que tentar fazer alguma coisa quando não tiver mais o que fazer. O problema é que no comando destes lugarem estão homens, e sabemos que o poder corrompe os homens, então surgem episódios como a do garoto Martin Lee Anderson, que no início de 2006 teve um colapso e faleceu enquanto era obrigado a continuar correndo mesmo sem aguentar e visivelmente fatigado, durante um exercício. Vídeos flagaram toda a ação e a negligência em atender o garoto mesmo após ele estar esparramado no chão – demoraram cerca de 20 minutos para chamarem o socorro médico. No julgamento pela morte de Anderson, todos os envolvidos foram inocentados. Toda a ação, vídeos e afins podem ser acessadas no site oficial do menino, para isto, clique aqui.

Porém, embora exista polêmica, assim como no tratamento da Febem, não era exatamente isto que eu vi no filme. O que eu vi foram jovens enviados para campos de recuperação privados apenas com o consentimento dos pais. Estaria os criadores do filme equivocados?

Como sempre faço ao terminar de assistir qualquer filme, fui avaliar o mesmo no imdb e dei nota 8 de 10 possíveis. Ao ler a parte de discussões do filme, vi dois tópicos que me chamaram a atenção: Este filme é realmente inspirado em fatos reais? e Estes lugares existem. O primero levanta uma questão que estava dentro de mim e o segundo responde.

Para sintetizar a discussão, a resposta é sim, caros amigos, estes lugares existem até os dias hoje. Tem preço, endereço, telefone, fotos, vídeos e depoimentos de quem passou por lá. No próprio imdb existem relatos de quem teve parentes e conhecidos colocados nestes lugares e a coisa parece ser bem pior do que as demonstradas no filme. Um membro relata que a sua ex-namorada foi agredida e molestada por funcionários. Um destes lugares é conhecido como Tranquility Bay, que é o local que inspirou o filme. Se trata de uma ilha isolada na Jamaica que, segundo o próprio site da empresa, a especialização é no tratamento de jovens e adolescentes problemáticos, entre 11 e 19 anos de idade.

Na web, estão centenas de artigos e depoimentos denunciando os maus tratos e abusos desta instituição, onde caminha a própria Besta e a Crueldade entre as crianças. Os pais pagam até o equivalente a R$ 5000,00 por mês para terem os seus filhos tratados nestes campos e muitas vezes não sabem o que acontecem por lá, visto que ligações e visitas são geralmente proibidas.

Alguns depoimentos podem ser conferidos através de movimentos como o TBfight.com e o cafety.org, que lutam pelo fim destes tipos de instituições. É barbaridade o que acontece. São recorrentes cenas de abuso, estupro, tortura psicológica e agressão física. Uma garota chegou a ficar três meses sem poder falar com alguém, isolada num quarto. As vezes são obrigados a comer uma “comida estranha”, que eles mesmo não sabem distinguir e são horríveis. Um garoto apanhava de chinelo e ficou sem as suas medicações – sendo que ele tinha sérios problemas para respirar.

Veja algumas fotos do local encontradas na web:

Numa discussão, os próprios pais relatam os abusos e demonstram arrependimento ao terem optado em colocar os seus filhos nestes locais. Um deles diz que assim que ele ficou sabendo que seu filho era mal tratado, ele o transferiu para um outro local. Então um outro participante da discussão disse: “Por acaso o problema não seriam vocês, pais que colocam os seus filhos em verdadeiras prisões?”. A resposta é comovente: “Não diga isto! Quando você for pai você irá entender o que é querer fazer de tudo para que seu filho ande por vias normais e as medidas desesperadas que muitas vezes tomamos. Jamais deixamos de amar os nossos filhos!”.

Estes são os fatos. A verdade nua e crua sem maiores detalhes ou ornamentos. Para mim, uma coisa que parecia somente ficção mostrou que a realidade é pior do que qualquer filme, por pior que seja. Sim, vivemos numa comunidade de monstros que querem ganhar dinheiro a qualquer custo moral ou ético, sem se importar em ferir valores, histórias ou tradições que um ser humano possa ter.

Pois estes Boot Camps são apenas empresas que visam o dinheiro e desprezam totalmente o homem, os tratando como lixos, com nojo e repugnância, como se fossem insetos miseráveis.

Quanto mais eu vejo, mais eu sinto vontade de desistir de tentar mudar alguma coisa. É duro, porém, devemos continuar. O caminho é a luta e a persistência,  só assim poderemos nos manter seres íntegros e que respeitam o direito e as escolhas dos outros.

Por: EvAnDrO vEnAnCiO.   Blog: EvAnDrO vEnAnCiOUniverso Hiper-Real.

O Mágico (L’illusionniste. 2010)

Sylvain Chomet já havia feito uma homenagem sutil e emocionante ao célebre cineasta de “Mon Oncle” com o excelente trabalho anterior: “Bicicletas de Belleville”. Desta vez, o diretor foi mais longe e baseou-se num roteiro original inédito do próprio Tati para criar o extraordinário “O Mágico” (L’illusionniste).

O personagem principal é muito parecido com Monsieur Hulot, o famoso personagem de Tati, desta vez encarnado num simpático mágico cuja atividade parece fadada à extinção devido às modernas e novas formas de diversão que surgem nos anos 50. Em meio à decadência de sua profissão, o mágico conhece uma jovem camareira que se torna sua fã e o acompanha pela Escócia.

Com uma sensibilidade rara e um traço artesanal impecável lindo de doer, o desenho animado desfila com maestria tipos curiosos que formam o séquito do personagem principal: Um ventríloquo, um palhaço e três acrobatas. Todos acabam sucumbindo aos novos entretenimentos que surgem através de raros diálogos e um humor singelo e algo melancólico. No final, até mesmo a última admiradora do mágico ganha novos interesses, deixando claro que a arte pura e bela está aos poucos perdendo sua plateia mais seleta.

O Mágico (L’illusionniste). 2010. França. Direção e Roteiro (Adaptado): Sylvain Chomet. Gênero: Animação. Duração: 80 minitos. Baseado num Roteiro de Jacques Tati.

Carlos Henry.

Battle for Haditha (A Batalha de Haditha, 2007)

Neste final-de-semana assisti ao filme “Battle of Haditha“, que veio a calhar num momento propício à discussão realizada no YouTube, no Orkut e em outros canais a respeito do documentário Fitna. Embora não haja uma aproximação direta do filme com o documentário, podemos estabelecer algumas relações interessantes, principalmente no que se refere à injustiça que os muçulmanos sofrem em relação aos atos terroristas de grupos isolados.

Como sinopse, o filme recria os acontecimentos do dia 19 de Novembro de 2005, onde um grupo de “Marines” das forças armadas nortes americanas assassinaram 24 pessoas, entre mulheres, homens e crianças, após terem um veículo atacado por uma bomba que foi acionada por uma célula terrorista na cidade de Haditha, no Iraque.

Se você quiser saber o que aconteceu com mais detalhes, clique aqui e leia o artigo públicado sobre o episódio no Wikipedia, em todo o caso irei comentar a respeito nas próximas linhas. Ou seja, contém Spoilers sobre a trama do filme, que não é um suspense, apenas reconta acontecimentos reais.

Logo no início, vemos um homem andando pelas ruas do Iraque. De repente ele observa um grupo linchando um homem no chão. Com ar de reprovação, ele entra em sua casa e desabafa com sua mulher: “Estes loucos da Al-Qaeda acabaram de matar o professor de inglês!”.

Claro está que a intenção do diretor é mostrar que nem mesmo os muçulmanos aprovam as atitudes destes grupos extremistas que se dizem muçulmanos fundamentalistas. Ou seja, não é possível relacionar religião com terrorismo.

Numa outra fala, um muçulmano diz: “Meu medo é que surja alguém pior do que Saddam Hussein”. Mais uma vez vemos que não são todos que concordavam com o regime do antigo ditador.

Numa fala, um soldado americano diz: “Este povo é hostil. Ou seja, caso necessário, não hesitem em atirar numa mulher ou criança, porque basta que o seu marido morra que elas virão para cima de você com armas nas mãos.” Isto me lembra uma série de comentários a respeito do Fitna que eu ando lendo em diversos fóruns. As pessoas consideram todas culpadas, apenas por adotar uma crença diferente daquelas que estão julgando.

O ataque ao comboio dos Marines foi uma estratégia de um grupo terrorista. Eles colocaram uma bomba na estrada que seria acionada através de um celular. Dois terroristas vigiavam a estrada buscando o melhor momento para ativar os explosivos. Porém, de frente para a estrada, haviam diversas casas com moradores que não tinham nada a ver com os terroristas.

Durante a passagem de um comboio do exército norte-americano, o dispositivo é acionado e um dos veículos explodem. Resultado: uma morte e dois feridos. O responsável pela operação, ordenou que os responsáveis fossem encontrados. Logo de cara, eles chacinaram cinco pessoas que estavam dentro de um carro que estava passando por ali no momento. Depois começaram a invadir as casas e a chacinar quem estava pela frente, ainda que ninguém tivesse nem mesmo a oportunidade de falar. Enquanto isto os terroristas filmavam tudo as escondidas, posteriormente este vídeo seria divulgado entre os iraquianos para inflar moradores comuns a aderirem à causa terrorista (que promove a matança com o intuito de destruir o “inimigo”). No vídeo, uma menininha com o rosto ferido diz que seus país e seus irmãos foram assassinados e que ela odeia os americanos.

Nem preciso ir adiante, mas veja que os terroristas que dali surgiriam são produtos do próprio meio. Aqueles terroristas seriam fábricados pelo próprio governo dos Estados Unidos da América, e todos os atos provenientes dali, deveriam ser responsabilidade dos mesmos. Pessoas comuns, algumas estavam em festa, morreram sem saber o porque.

E ainda tem gente que continua a defender o exterminio dos islâmicos. Afinal, neste caso, a culpa é de quem? O importante é: os muçulmanos são muçulmanos, os terroristas são terroristas. São coisas distintas. Se calhou de alguns terroristas serem muçulmanos não tem nada a ver. Alguns deles poderiam ser corinthianos, palmeirenses, flamenguistas, grêmistas, e ainda assim deveríamos combater somente os terroristas, e não os torcedores. Devemos combater este mal, e não a religião.

Será que é tão difícil assim?

Por: EvAnDrO vEnAnCiO.   Blog: EvAnDrO vEnAnCiOUniverso Hiper-Real.

Não Se Preocupe, Estou Bem (Je Vais Bien, Ne T’en Fais Pas)

Por: Marcos Wainstein.
Dramas familiares estão entre os meus assuntos cinematográficos favoritos. E quando um drama com essa tônica consegue atingir a profundidade necessária, me sinto completamente satisfeito.

Não Se Preocupe, Estou Bem!” é de uma capacidade argumentativa brilhante. O filme consegue atrair o espectador, prender a sua atenção e, emocionar sem choradeiras e pieguices.

Lili (Mélanie Laurent impecável) nutre um amor quase doentio pelo irmão, com a sua chegada a Paris ele descobre que ele brigou com o pai, e saiu de casa..e ai que Lili começa a sua saga para saber do paradeiro do irmão gêmeo. Ok..ai eu parei pra pensar e achei que o filme seria um suspense, daqueles bem comuns, onde a pessoa investiga o paradeiro de alguém e no final rola alguma surpresa. Mas quem acabou se surpreendendo fui eu. Durante uma hora e meia vivenciei um dos dramas mais profundos da cinematográfia francesa atual. Dividindo as sequências em meses, o filme mostra o drama de Lili, e de sua família, que vê a filha adoecendo e quase morrendo pela incerteza do paradeiro do irmão.

Nesse turbilhão de sentimentos doloridos e dúvidas sobre o que estaria acontecendo de fato, nos familiarizamos com Lili, nos compadecemos dela e queremos assim como a protagonista uma solução para o caso. Pois bem Lili começa a receber cartas do irmão, fica mais tranquila, faz amigos, flerta com o namorado da amiga e arruma um emprego. Nesse meio tempo as cartas sempre chegam, mas o irmão prefere manter distância de Lili e pede para ela não procura-lo.

Mesmo com todos os acontecimentos na vida dela. Lili continua triste e de fato não consegue tocar a sua vida de forma normal..e apenas no final do filme que tudo se esclarece, se torna claro e justificável, é que Lili alcança a sua redenção.

Philippe Lioret (direção e roteiro) consegue juntar no mesmo filme, 3 tipos de pessoas distintas com sentimenos nobres e ações de amor incondicional. A mãe que assiste tudo e tenta se manter forte, o pai que se pune o tempo todo e Lili, que se coloca a mercê da situação do irmão para poder tocar a sua vida.

Com uma fotografia clean, que destaca o cotidiano e as ruas de Paris, e uma direção linda de Philippe Lioret…”Je vais bien, ne t’en fais pas” é de um humanismo incontestável.

Nota: 9.0.

Nina (2004)

Este filme brasileiro, do cineasta Hélio Dhalia, que posteriormente nos trouxe uma outra obra muito interessante (O Cheiro do Ralo), traz em sua história uma livre adaptação do mais famoso romance de Fiódor DostoiévskiCrime e Castigo. Contextualizada com os dias atuais, num ambiente alternativo e underground paulista, Nina é a contraparte de Rodion Raskolnikov, uma jovem excêntrica e miserável que mal tem dinheiro para comer, muito menos para pagar o aluguel do quarto a qual vive. Com o atraso no pagamento, a velha mesquinha, proprietária do imóvel, a pressiona de todas as maneiras, chegando, inclusive, a racionar a comida de Nina, além de cobrar juros exorbitantes para cada dia que o pagamento deixa de ocorrer.

Nina, numa situação desesperadora, com fome, vivendo na miséria das ruas paulistas, utiliza-se de todos os recursos para adquirir algum dinheiro. Nas vezes em que consegue, a velha lhe tira tudo, sem demonstrar a menor piedade do estado precário da jovem – mesmo quando esta tenta lhe agradar. Com prazo final para efetuar o pagamento, Nina começa a declinar rumo a insanidade, sem saber o que fazer, sem poder sonhar com um futuro, com toda a pressão possível exercida em cima de si. Logo passa a idealizar, de forma inconsciente, o assassinato da proprietária de seu imóvel.

A velha decide, então, colocar o quarto de Nina para alugar e logo aparece um interessado, que faz pagamento adiantado. Nina observa toda a cena e entrar num estado eloquente, ainda pior do que se encontrava. Com os nervos a flor da pele, ela precisa agir. Da pior maneira possível, ela resolve o seu problema e assassina a velha mesquinha. Porém, o sentimento de culpa surge no mesmo momento, ainda mais quando o novo inquilino passa a bater na porta e não encontra a velha disponível para lhe receber.

Logo ela passa a delirar sobre um sentimento de constante perseguição. Acredita que todos desconfiam de si perante o crime. Logo Nina não conseguirá suportar sua própria existência mediante um sentimento de culpa incalculável. Ela sente a necessidade de pagar pelo ato cometido e sua consciência não lhe deixe em paz por um minuto sequer.

É dentro desta narrativa que encontramos os personagens sombrios de Nina. O movimento e a direção dá um tom extremamente desconfortável na película, o que ressalta a proposta do filme em demonstrar os sentimentos da protagonista. Tirando a personagem título, temos uma série de outros personagens marcantes e característicos, que reforçam ainda mais o teor da obra de Heitor Dhália.

Porém, ainda assim, Nina é um filme que transita em minhas sensações de forma negativa e positiva simultaneamente. Até agora não sei se gosto ou não do resultado final. Para melhor atestar a minha mensagem, fico feliz por um brasileiro, dentro do cenário nacional, trazer uma leitura cinematográfica para uma das melhores obras de literatura do mundo (sim, o terceiro mundo também lê Dostoiévski!), por outro lado a complexidade das personagens de Dostoiéski não se resolvem também quando transportados para a sétima arte.

A trama principal de Crime e Castigo, embora encurtada e adaptada, foi bem construida no roteiro de Nina. Porém quem já leu algo de Dostoévski sabe que o enredo principal é mero detalhe perto da grandiosidade de cada livro. O trunfo de Dostoiévski reside nas entrelinhas e nos conflitos psicológicos de cada personagem. Isto, obviamente, foi deixado de fora em Nina. Em Crime e Castigo temos personagens que são essências para que este se tornasse um dos mais respeitados livros da literatura e que foram totalmente abandonados nesta adaptação: como vislumbrar um releitura do livro sem equivalentes para Porfiry Petrovich e sua grande habilidade de dedução e persuação ou mesmo a irmã de Raskolnikóv? E o seu grande e fiel amigo Razumikhin, que desempenha papel tão importante? E o sacana Ludin? E pior, onde está Sônia – talvez a mais importante das personagens de apoio à Raskolnikóv?

Enfim, Nina faz bem aquilo que se propõe a fazer, porém a proposta não está a contento para os fãs de Dostoiéski. De alguma forma bebemos roteiro que não saceia a sede de literatura. Pela limitação do tempo em que uma história deve ser contada para os cinemas, entendemos o que Heitor Dhália fez com Nina (talvez seja por isto que ele não se atreveu a chamar o filme de Crime e Castigo, e nem mesmo diz que é uma adaptação, mas tão somente foi inspirado pela obra). Mesmo assim, por vezes penso que se é para ficar na retaguarda e não ser mais ousado (como Meirelles foi em Ensaio Sobre a Cegueira), melhor não filmar e deixar como está.

Por: EvAnDrO vEnAnCiO.   Blog: EvAnDrO vEnAnCiOUniverso Hiper-Real.

A Saga Harry Potter


A Saga Harry Potter  promove uma desmistificação a respeito dos bruxos que em muitos períodos da história foram perseguidos e torturados. A produção cinematográfica trabalha a magia e as forças sobrenaturais como algo natural e que transforma o filme em uma das produções mais famosas do mundo. O que era temido e considerado do “mau” foi transformado pela mídia em algo interessante e que visa mostrar aquilo que as pessoas tanto desejam (poderes sobrenaturais) um anseio de todos.

A saga promove uma relação entre o mundo da magia com o mundo real, onde os personagens vivem sentimentos como: intrigas, paixões, conflitos da vida cotidiana.

Todavia, é visível que Harry Potter trouxe inovação e criatividade no que se refere as produções cinematográficas. Tal feito se reflete no grande numero de bilheterias vendidas pelo mundo. Entretanto o filme transformou os personagens em símbolos de sucesso e popularidade nós quatros cantos do mundo.

Enfim, a saga promete deixar saudades nas telonas espalhadas pelo mundo, pois o filme já faz parte da vida contemporânea de bilhões de telespectadores que transformam a magia cinematográfica em uma fantasia do mundo real.

Por: Diogo Caetano.

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Harry Potter é uma série de aventuras fantásticas, escrita pela escritora britânica J. K. Rowling. Somam sete livros publicados. Grande parte da narrativa se passa na Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts, e foca os conflitos entre Harry Potter e o bruxo das trevas Lord Voldemort. Ao mesmo tempo, os livros exploram temas como amizade, ambição, escolha, preconceito, coragem, crescimento, responsabilidade moral e as complexidades da vida e da morte, e acontecem num mundo mágico com suas próprias histórias, habitantes, cultura e sociedades. Os sete livros deram origem a oito filmes de grande bilheteria, com o último, Harry Potter e as Relíquias da Morte, sendo dividido em duas partes, uma lançada em 2010, e a outra com lançamento em 2011.

 

- Harry Potter e a Pedra Filosofal (2001). Dirigido por Chris Columbus, o filme introduz Harry Potter, um garoto que descobre em seu aniversário de onze anos que é um bruxo e é mandado para a Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts para iniciar sua educação em magia. O filme estrela Daniel Radcliffe como Harry Potter, assim como Rupert Grint e Emma Watson como os melhores amigos de Harry, Rony Weasley e Hermione Granger, respectivamente. O elenco adulto inclui Richard Harris, Maggie Smith, Robbie Coltrane, Alan Rickman e Ian Hart.

 

- Harry Potter e a Câmara Secreta (2002). Depois de férias aborrecidas, era hora de Harry Potter voltar a estudar. Um elfo doméstico, Dobby, o alerta para não voltar, pois correrá grandes perigos se voltar para Hogwarts. Coisas estranhas acontecem para dificultar o regresso de Harry. Persistente e astuto, ele não se deixa intimidar pelos obstáculos e, com a ajuda de seus fiéis amigos, começa o ano letivo em Hogwarts. Novos colegas, novos professores, muitas descobertas e… um grande e perigoso desafio, que fará com que Harry possa descobrir mais sobre seu misterioso passado e sobre o passado de seu grande inimigo Lord Voldemort.

 

- Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban (2004). Harry após sair da casa de seus tios conhece o transporte dos bruxos o Nôitibus Andante, uma adaptação cômica dos ônibus ingleses para o mundo da magia, é então que Harry descobre que um perigoso assassino chamado Sirius Black, evadiu-se da prisão. Harry descobre então que o famoso assassino é acusado de ter traído seus pais e por causa dele, seus pais foram mortos. Os assustadores guardas da prisão de Azkaban foram chamados para vigiar as entradas da escola, pois ao que tudo indica o principal alvo de Sirius Black é Harry. O que acontecerá com Harry diante dessa ameaça?

 

- Harry Potter e o Cálice de Fogo (2005). Em seu 4º ano na Escola de Magia e Bruxaria de Hogwards, Harry Potter (Daniel Radcliffe) é misteriosamente selecionado para participar do Torneio Tribruxo, uma competição internacional em que precisará enfrentar alunos mais velhos e experientes de Hogwards e também de outras escolas de magia. Além disso a aparição da marca negra de Voldemort (Ralph Fiennes) ao término da Copa do Mundo de Quadribol põe a comunidade de bruxos em pânico, já que sinaliza que o temido bruxo está prestes a retornar.

 

- Harry Potter e a Ordem da Fênix (2007). Harry descobre que Alvo Dumbledore, diretor de Hogwarts, fundou a Ordem da Fênix, composta por bruxos de sua confiança, cuja missão é trabalhar contra Voldemort e proteger Harry e seus dois amigos. Nesse período, o Ministério da Magia começa a interferir em Hogwarts, a fim de que Harry e Dumbledore sejam impossibilitados de avisar ao resto do mundo mágico que Voldemort está de volta.

 

- Harry Potter e o Enigma do Príncipe (2009). “Na minha vida, eu já vi coisas realmente terríveis. E agora eu sei que você verá ainda piores.” Com esse alerta do professor Dumbledore, Harry Potter inicia o seu 6 º ano letivo em Hogwarts. É o prenúncio de sua aventura mais perigosa até aqui. Auxiliado por Dumbledore e pelo professor Slughorn, Harry descobre os segredos da infância de Lord Voldemort e se prepara para a batalha final, na qual terá de lutar sozinho.
- Harry Potter e as Relíquias da Morte (Parte I) (2010). O poder de Voldemort está aumentando cada dia mais. Ele agora tem o controle sobre o Ministério da Magia e de Hogwarts. Harry, Rony e Hermione decidem terminar o trabalho de Dumbledore e encontrar o resto das Horcruxes para derrotar o Lorde das Trevas. Mas a esperança continua pouca para eles, então tudo o que eles fazem tem que sair como planejado.
- Harry Potter e as Relíquias da Morte (Parte II) (2011). Na segunda parte do final épico da série, a batalha entre o bem e o mal no mundo da magia se torna uma guerra entre centenas de bruxos. Os riscos nunca estiveram tão altos e nenhum lugar é seguro o suficiente. Assim, Harry Potter precisa se apresentar para fazer o seu último sacrifício, enquanto o confronto final com Lorde Voldemort se aproxima. Tudo acaba aqui.
 

A Partida (Okuribito, 2008)

Esta obra de arte do cinema nipônico é uma das experiências mais agradáveis que pude compartilhar com o meu televisor nos últimos tempos. Este é um daqueles filmes deliciosos, de fácil digestão, com toques suaves de humor e drama sob medida, além de momentos de emoção e um ápice comovente. Se fosse um filme americano apostaria qualquer valor que seria o grande campeão do Oscar.

Não estamos diante de um quebra-cabeça. O filme não é de suspense e nem exige uma bagagem intelectual para sua apreciação. Na verdade é uma trágica comédia, ou talvez um drama engraçado, defina como quiser. O fato é que os mais de 130 minutos do filme passam como num piscar de olhos. Elogios a parte, vamos a história (spoilers), que embora aparentemente não tenha nada demais, é extremamente bem desenvolvida.

Daigo Kobayashi é um perdedor nato. Assim que consegue realizar o seu sonho de tocar numa orquestra sinfônica e, obter com isto, uma melhor posição social, ele adquire um violoncelo caríssimo especialmente para executar a sua tarefa, porém logo após a sua primeira apresentação, o patrocinador encerra as atividades da orquestra por falta de público.

Logo, Daigo está sem emprego e com um instrumento financiado para pagar. Com o aval de sua apaixonada esposa, ele vende o instrumento e volta para a sua terra natal, numa zona afastada dos grandes centros. Passa a morar com sua esposa na casa que sua falecida mãe deixou de herança. A casa remonta à diversas lembranças que Daigo teve em sua infância, e as lembranças não são as melhores, visto que seu pai – a qual gostava muito – abandonou a casa para viver com outra mulher.

Em sua nova vida, Daigo busca um emprego nos anúncios de um jornal regional. Uma oferta lhe chama a atenção: um ótimo salário para um trabalho que não necessita experiência numa empresa que auxília os seus clientes em suas jornadas. Daigo imagina ser uma agência de viagens e decide ir até a empresa para se candidatar a vaga.

Na empresa, temos a secretária e o chefe, mais ninguém. Na entrevista, o chefe não faz questões, apenas diz o valor do alto salário, que espanta Daigo de tal maneira, que o chefe promete lhe pagar por dia e imediatamente lhe dá um adiantamento. Daigo acaba por aceitar a importância e sua contratação é efetivada.

No dia seguinte, conhecemos o trabalho de Daigo. Eles preparam defuntos recém-mortos numa cerimônia pré-cremação. Eles atuam como uma extensão da funerária. Além de maquiar e limpar o corpo dos mortos num ritual onde todos os familiares observam, também executam um ritual bonito e respeitoso de purificação da alma, antes mesmo de fechar o corpo num caixão.

Porém o trabalho onde seja necessário tocar o corpo dos mortos é considerado uma profissão de baixo escalão. Portanto Daigo esconde de todos o que eles faz, para não desonrar seus amigos e sua esposa. O desenrolar do filme segue uma fórmula interessante: cada vez que o escritório de Daigo é acionado, temos uma experiência totalmente diferente em relação ao morto e os seus familiares. Há casos que são engraçados, outros são trágicos. Outros ainda mesclam um pouco dos dois gêneros. Em alguns momentos, me recordei de uma série antiga da HBO chamada “Six Feet Under” (traduzido como “A Sete Palmos”).

Entre cada caso, Daigo beira entre o rídiculo e o dramático, quando seus temores estão próximos de se tornarem realidade e seus fantasmas do passado lhe atormentam ainda mais. A dinâmica do filme faz com que tudo seja muito bem explorado e a temática não acabe por nos cansar. É como se estivéssemos diante de um seriado com diversos episódios de curta duração. Se eu tivesse que falar do que se trata este filme, diria que se trata da relação entre pais e filhos. Daigo – o filho rebelde que nem mesmo se recorda da face do pai e seu inconformismo por ter sido abandonado. Do outro lado o pai – a qual só conhecemos através da perspectiva de Daigo e de alguns vizinhos.

Diante da perspectiva de tantas mortes, além de conviver num local que lhe remete a tantas coisas ruins, Daigo se transforma num herói. É carismático a ponto de sofrermos com suas quedas e sorrirmos com as suas ascensões. Há momentos que os corações mais duros certamente se amolecerão. Se você não quer se desmontar na frente dos outros, aconselho que assista este filme sozinho, por que o risco disto acontecer é real.

Por: EvAnDrO vEnAnCiO.   Blog: EvAnDrO vEnAnCiOUniverso Hiper-Real.

Ben X – A Fase Final (2007)

Geralmente os filmes que retratam episódios de bullying são, simultaneamente, revoltantes, chocantes e emocionantes. Sempre torcemos para que a coisa acabe bem e no fim o que é resta é mais uma tragédia. O bullying, assim como a Segunda Guerra Mundial, gera diversos materiais para o mundo das artes, seja na literatura, no teatro ou no cinema, afinal é tanta história para contar, e todas tão cruéis – ao mesmo tempo que são belas – que parece que por mais que se fale nunca é o suficiente e sempre nos surpreendemos.

Foi assim com o espetacular Klass, que refez o episódio conhecido como “O Massacre de Columbine” – a mais famosa consequência de um caso de bullying, e com o emocionante Ondskan. Agora resenho para vocês o holandês Ben X – mais um que segue a mesma fórmula: um adolescente constantemente violentado moralmente numa escola cujo o desfecho não é dos mais alegres.

Ben é um jovem com um leve nível de autismo, que é o suficiente para deixá-lo com as notas mais altas da escola e com uma dificuldade de socializar com os seus colegas. Ben não sabe – não consegue – responder questões simples ou mesmo manter um breve diálogo. Na verdade, ele nem ao menos consegue expressar uma frase completa. Ele é o modelo ideal para ser vítima dos baderneiros de sua classe, graças ao sistema competitivo e desumano que ensinamos aos nossos filhos desde o primeiro dia que ele vem ao mundo: “você deve ser o melhor”.

Ben só consegue ter o controle da situação quando está em frente ao computador jogando o RPG OnLine ArchLord. No universo do jogo, lá ele é visto com respeito por toda a comunidade, afinal é um dos mais poderosos, tem uma grande admiradora – que acaba por se tornar sua grande paixão – que jamais conheceu no mundo real. Ou seja, a vida para ele acontece no virtual. No mundo de faz-de-conta proposto pelo jogo, ele está em âmbito superior. Lá ele rege a sinfônia e sabe como lidar com qualquer coisa que apareça. Em contrapartida, fora das telas ele não é ninguém. Porém nem esta invisibilidade irá deixá-lo em paz. Como figura atormentada, alguns de seus colegas aproveitam deste quadro para lhe torturar.

Para Ben, a salvação está sempre no jogo. Então ele estabelece paralelos entre o mundo real e o mundo virtual para tentar entender as coisas. Logo, observa as coisas similares entre ambos os universos e percebe que é hora de jogar a última partida da vida. Durante todos os momentos, o que irá lhe ajudar a suportar seus medos será a figura de sua paixão virtual, que até propõe um encontro na vida real para Ben. Porém, inseguro, ele até se encaminha para o local combinado, mas não consegue se aproximar da garota.

Então Ben irá criar toda uma fantasia no mundo real, como se fosse um jogo, para triunfalmente chegar até o fim da partida. O que vemos a seguir é um espetáculo de imagens, numa poesia visual extremamente bela. Finalmente ele chega num consenso de como ele gostaria de que as coisas fossem e consegue vivenciar cada momento até chegar ao fim. O virtual se confunde com o real e o imaginário.

Plenamente satisfeito, Ben finalmente está feliz. Tomado as palavras de Alvares de Azevedo, poeta brasileiro, é como se dissesse “deixo a vida como quem deixa o tédio”. Se suícida. O bullying tem uma nova vítima.

Game over.

O diretor e roteirista Nic Balthazar, disse que ele se inspirou num fato real para fazer o filme, quando em uma cidadezinha, leu em um daqueles jornais de bairro, a respeito um jovem de 17 anos com síndrome de Asperger que havia se arremessado de um castelo graças a pressão exercida pelos praticadores de bullying (conforme carta escrita por ele). Isto fez com que ele ficasse chocado e retratasse a história através do cinema. É um triste, porém, bonito filme num gênero que sempre faz com que pensamos nos nossos atos e neste mundo tão cruél.

Por: EvAnDrO vEnAnCiO.   Blog: EvAnDrO vEnAnCiOUniverso Hiper-Real.