O Apedrejamento de Soraya M. ( The Stoning of Soraya M.) 2008

O Apedrejamento de Soraya M.” narra a história angustiante de uma mulher condenada à morte depois de ser acusada pelo marido por ser infiel. Soraya, na verdade, era regularmente abusada, insultada e espancada pelo marido, que queria se casar com outra mulher, 19 anos mais jovem. O filme é baseado no livro do jornalista Friedoune Sahebjam, que vale a pena ser lido antes ou depois do filme.

O livro de Sahebjam é Testimonio — de narrativa de teor coletivo, isto é, o autor descrever o drama de Saraya a partir do ele ouviu de Zahra (tia da vitima), vivida no filme, pela atriz iraniana Shohreh Aghdashloo. Zahra fala de Soraya, e sobre Soraya, assim como representa a cultura da sua comunidade, mas será que tudo escrito por Sahebjam, é autêntico?. Tanto no livro quanto no filme de Cyrus Nowrasteh, Zahra é vista sobre um ponto de vista político, isto é, ela fala e representa todas as mulheres  abusadas moral, fisica, e psicologicamente, sendo elas muçulmanas ou não. Ao representar Soraya, Sahra não abandona a sua responsabilidade contra a injustiça que a sua sobrinha foi vitima, pois segundo os fatos, Soraya era inocente.

Dividido pela crítica, “O Apedrejamento de Soraya M.” foi pouco visto nos cinemas, mas é acima da média. O elenco é muito bom,  destacando rostos conhecidos como o de Aghdashloo, e James Caviezel, que faz o jornalista Freidoune Sahebjam. Além disso o filme tem um lindo trabalho de fotografia assinado por Joel Ransom e, John Debney escreveu uma emocionante trilha sonora. Mas a força do filme, está  no seu tema: “crimes de honra,” embora para muitos seja sobre o papel dos extremista islâmicos, e o papel na mulher.

Foi difícil para eu assistir esse filme. Diria que por ser baseado numa história verdadeira, o diretor Cyrus Nowrasteh exagerou na crueldade, que muito me fez lembrar da violência que Mel Gibson usou e abusou em “Paixão de Cristo”(2004)— não por acaso, ambos os filmes foram produzidos por Steve McEveety. Quase não consegui dormir depois das cenas mostrando Soraya ser parcialmente enterrada viva, e brutalmente apedrejada até a morte por uma multidão de homens, que incluiu seu próprio pai, marido e dois de seus filhos. Depois, me perguntei o porque um filme como este, com 20 minutos de violência que retrata a morte lenta de uma mulher “real” não é considerado tão violento? Os retratos de atos brutais de violência baseados em casos reais me vem como uma verdadeira catarse— quando o filme terminou, me senti purificado por causa da descarga emocional que essa história me provocou, e ao mesmo tempo com um vontade de gritar, de expressar a minha revolta.

Vamos a trama: Ali, o marido abusivo, pede ao mulá (nome dado ao líder da mesquita, mas também é como o prefeito da comunidade) a convencer Soraya a lhe conceder o divórcio. Ela se recusa. Em seguida, o mulá propõe que Soraya se torne amante de Ali, em troca de proteção e apoio financeiro para cuidar dos filhos. Em meio termo, após a morte súbita da esposa de um vizinho, o mulá pede a Soraya para trabalhar na casa do viúvo. E, assim, Ali articula algo para se livrar da esposa: acusando-a de dormir com o vizinho. Entre chantagem e mentiras, o destino de Soraya foi traçado.

Tem uma cena de “tribunal”, onde os homens da lei, baseado no sharia—  a lei sagrada do Islã—,  decidem o destino de Soraya: Ser condenada a morte por apedrejamento. É perturbador vê como os radicais islâmico subvertem o Alcorão para justificar assassinatos tortuosos, pois em nenhum lugar no livro sagrado do Islã, é mencionado o apedrejamento como uma punição. É sabido que poligamia  é parte da cultura islâmico, por exemplo:

E se tu ficares apreensivo por não seres capaz de fazer justiça aos órfãos, podes se casar com duas ou três ou quatro mulheres da tua escolha. Mas compreendes que talvez não sejas capaz de fazer justiça a elas, então se case apenas com uma mulher…” (Sura 04:03, minha tradução)

O Alcorão ensina que o homem dever ser responsável pelas suas mulheres, mas a destaca que haja a desigualdade de sentimentos, então o homem  não é obrigado a ter 4 esposas. Allah fortemente proíbe o sexo fora do casamento, afirmando que os crentes não deve cometer adultério ou fornicação (17:32, minha tradução). A maioria dos muçulmanos acreditam que o Sharia estabelece as revelações divinas encontradas no Alcorão, e nos exemplos dados pelo profeta Maomé. Mas a lei do Sharia diverge quanto ao que exatamente ela implica. Os modernistas, os tradicionalistas e fundamentalistas todos têm opiniões diferentes do Sharia, indo além do que está no Alcorão.

A partir do topo a esquerda: a lapidação iraniano real, o apedrejamento na Somália. Embaixo à esquerda: a lapidação na Somália, o apedrejamento do Oriente Médio. Centro: a verdadeira Soraya Manutchehri aos 9 anos de idade.

No Código Penal iraniano, uma mulher casada não tem direito ao divórcio, que é um privilégio reservado para o marido. As mulheres não têm direito da guarda dos filhos após sete anos de idade, como resultado, as mulheres podem obter o divórcio se provar que seus maridos sejam abusivos ou viciados, mas optam a não se separar, temendo a perda de seus filhos. Um homem pode casar com até quatro esposas ao mesmo tempo, e pode estabelecer um relacionamento sexual com outra mulher por meio de um único casamento temporário sem as exigências de registro de casamento. Assim, se um homem está sexualmente insatisfeito, e num relacionamento infeliz, ele tem muitos caminhos abertos para dissolver o casamento.

É inaceitável que alguém seja condenado a ser apedrejado até a morte, mas é ainda mais inaceitável que este castigo seja dispensado às mulheres. E, mesmo se Soyaria tivesse sido infiel ao marido, seria justo apedrejá-la?  O filme ainda  assim seria cruel. Não se justifica a crueldade das leis do sharia.  Triste que a poligamia, ou o adultério clandestino em outras religiões e civilizações, ainda reduzem a mulher a uma posição subalterna, sendo violentadas e mortas pelos nojentos “crime de honra.”

Se você é como eu, que sofre com filmes que retratam o sofrimento humano, especialmente aquelas baseados em uma história verdadeira, vejam “O Apedrejamento de Soraya M” e aproveite para assistir esse vídeo no youtube com Mozhan Marnò, e o diretor Cyrus Nowrasteh: 

Nota: 7

“O Apedrejamento de Soraya M.” ( The Stoning of Soraya M.) 2008. Alemanha / Inglaterra. Direção Cyrus Nowrasteh; Roteiro: Betsy Giffen Nowrasteh ; Elenco: Shohreh Aghdashloo ( Zahra), Mozhan Marno( Soraya), James Caviezel ( F. Sahebjam), Ali Pourtash ( Mula). Gênero: Drama. Duração: 116 minutos.

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23 comentários em “O Apedrejamento de Soraya M. ( The Stoning of Soraya M.) 2008

  1. Estou meio perplexa com essa estória. Vou dar uma pesquisada… É que a Ong Avaaz fez correr pedidos de Assinaturas para livrar uma mulher de ser apedrejada. Isso foi no ano passado.
    E esse filme é de 2008.

    Volto aqui depois. Com mais detalhes.

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  2. Oi, Lella,

    Eu acho que fiz algo errado. Pensei q tinha deixado o texto em rascunho….pois, tinha baixado as fotos, mas ainda tinha que dar uma revisaoQ. Como eu tiro o texto na pagina do “cinema e minha praia?”

    Soraya foi morta em 1986. Se o filme ja foi lancado no Brazil……veja….e se tiver a aportunidade de encontrar o livra…..leia!

    Curtido por 1 pessoa

  3. O “purificado” que fiquei foi em relacao ao ato de violencia…..de sentir que quaisquer problemas que tenho diante de tanta violencia….que o diretor ilustrou….me fez aliviar!! Me senti mais leve do meus proprios “simples” sofrimento!

    Esse filme eh bastante profundo…..e me deu uma revolta…..uma dor….uma vontade de gritar…..mas como vivi numa comunidade Islamica ( na Birmania)…..vc nao tem ideia que ato de crueldade….eh pequeno….tem muito mais…..e mais…..opressao…e opressao das mulheres e dos homosexuais “visiveis!”

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    • Acho que entendi o seu “purificado”! Se eu pensar, por exemplo, no filme Bastardo Inglórios.

      Mas nesse filme aqui, meu sentimento ainda seria de nojo.

      E mande um pouquinho do frio dai, pra cá :D

      Tenha um Bom Dia!

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  4. Acho que consegui fazer a revisao! Adoraria lhe mandar um pouco de muito neve daqui! Cara, ainda estou no aeroporto. Agora, em Dallas……por causa da neve, meu voo foi cancelado….e fiquei num hotel…..e tenha ainda 4 horas de voo para chegar a Seattle!!!!! Um forte abraco!

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  5. Assisti ao filme pela internet, no ano passado, em inglês. Há alguma versão com legendas em português? A história é fantasticamente contada de modo a causar revolta e indignação ante tamanho ato de crueldade, injustiça e fanatismo. Tocou-me profundamente o drama revivido no filme, sabendo que se trata de uma história verídica. Grande abraço!

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  6. O filme causou profunda angustia ao assistir cenas do apedrejamento de Saraia M. Quantas mulheres são violentadas, mortas, agredidas, humilhadas por todo crápula. O filme é de causar revolta.

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  7. O q se torna inacreditável é saber que crueldades como essa acontecem e nada se faz a respeito!!!!onde ficam os direitos humanos ??? isso me da nojo o pior e mais profundo nojo .

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  8. Quantas pessoas inocentes vão continuar a ser condenadas, apedrejadas por falta de sensibilidade, de caráter do ser humano. As cenas do Apedrejamento de Soraya M. é realmente de causar nojo.

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  9. Nossa assisti ao filme e digo, tem que ter estômago, pq a cena em que ela está enterrada esperando a morte é muito forte, mas é um filme que traduz na história, o qto DEUS pode ser um divisor de água para alguns povos.

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  10. Eu assisti o filme e me deu muita revolta… É, sem sombra de dúvidas, o filme mais triste que já vi…. Principalmente pelo fato de ser uma história real…

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  11. Assisti a esse filme ontem e não consegui dormir direito. Acordei a noite toda com as imagens do filme. Nunca vi um filme tão impressionante e triste. Fiquei chocada, como a trama foi armada pelo marido, como as mulheres são tratadas e podem estar sujeitas a tanta humilhação e horrores.

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