Corações Perdidos (Welcome to the Rileys. 2011)

A vida é uma história contada por loucos, cheia de som e de fúria, que nada significa.” (Macbeth – Cena V, Ato V)
Logo no início do filme me veio uma fala já ouvida tantas vezes: “Ruim com ele, pior sem ele!“. É! Ela é dita porque dita uma escolha de tantas mulheres casadas. Por talvez terem medo da solidão, terminam fechando os olhos às puladas de cerca do marido. Mas também por ainda amá-lo como antes. Sem saber o que fazer ao certo, termina por afastá-lo de vez. Mais ainda há um outro fator que em muita das vezes acaba roubando toda a sua atenção: os filhos. Um filho é para somar a uma relação. Mas se a balança está pendendo toda para ele, mais a frente virá uma cobrança.

Em “Corações Perdidos” me deixei pensar no porque de um homem estando casado, e ainda amando sua esposa, tem uma amante cativa. Uma relação sem cobranças. Mantida há 4 anos. Onde tendo um único dia da semana para se encontarem e transarem. Algo também estagnado. Sem paixão. Sem tesão pela vida, por estar vivo.

Assim conhecemos um pouco do casal Rileys: Doug Riley (James Gandolfini) e Lois (Melissa Leo). Que após a perda da única filha pareciam não ter mais um sentido na vida. Ambos, sentíam-se culpados. Lois por ter se intrometido demais na vida da filha. Doug, pelo contrário, por ter ficado ausente demais.

Se uma morte os fez ficarem assim, apenas sobrevivendo, uma outra leva Doug a acordar. Mas ainda sem saber que novo rumo vai dar a sua vida, aproveita uma viagem de trabalho para pelo menos ficar longe da esposa. Vai a uma Convenção Anual em Nova Orleans. E ali, em meio a rostos conhecidos, vendo todos fazendo tudo igual, Doug foge também dali.

Nessa fuga, até de si mesmo, Doug conhece uma jovem stripper. Ela é Mallory (Kristen Stewart). Alguém a quem o destino também lhe tirou algo caro: sua mãe. Que a levou enfrentar às ruas bem cedo. Que para sobreviver, colocou uma couraça em seu coração. Ainda não sabendo ao certo o que estava fazendo, Doug resolve cuidar de Mallory. Tentar dar a ela uma outra expectativa de vida. Mas Mallory não está acostumada com gentilezas. Nem muito menos em ter um homem querendo apenas ser um pai. Que não queira transar com ela. Ele comunica a mulher que vai ficar em Nova Orleans.

Vendo que estaria perdendo de vez o marido, Lois tenta vencer o pânico de sair de casa, e viaja até lá dirigindo um carro. Ela também estará acordando para a vida nesse longo trajeto. E será o contraponto na relação entre Doug e Mallory.

Entre fazer uma longa análise com esses três corações perdidos, o que levaria a spoillers, eu preferi traçar apenas um breve perfil e de como o destino levou suas vidas se cruzarem, e ter algum sentido. E motivá-los a assistirem. Pois o filme é ótimo! Com atuações brilhantes!

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Corações Perdidos (Welcome to the Rileys. 2011). Reino Unido / EUA. Direção: Jake Scott. Gênero: Drama. Duração: 110 Minutos.

Meia-Noite em Paris – E o mais encantador divã de Woody Allen

Meia-noite soa como o mais profundo mergulho dentro de si mesmo. Ficar cara a cara com os próprios fantasmas. Vê, rever tudo aquilo que à luz do dia nos cega. Que deixamos escapar. Por vezes, por conta das atribulações do dia-a-dia. Noutras, por se acomodar mesmo com a vida que está levando. Como na máxima: empurrando com a barriga. Então, conscientemente ou não, eis que chega uma ocasião. Claro que há situações, onde se faz necessário ajuda de alguém da área psico. Mas noutras, não. E o que fazer nessas outras? Basta uma simples parada, para então reavaliar com tempo, o empasse. Tentar descobrir aquilo que está amarrando a situação. E esse tête-à-tête consigo mesmo varia ao sabor, ou saber de cada um.

Em “Meia-Noite em Paris” Woody Allen nos brinda com o mais surpreendente dos seus Divã. É! O filme traz essa sua marca. Que para nós, seus fãs, a cada filme, vem como saborear um excelente vinho. Sendo que neste filme em especial, teremos à mão uma taça de champanhe, para acompanhá-lo nessa estória. Onde parece que ele resolve também passar a limpo um antigo desejo. Algo como, em algum momento, mesmo num breve instante, do presente nos questionamos por não termos seguido o que nossa intuição sinalizava. Muito embora, ficar nesse “Se eu tivesse feito assim…” não nos levará longe. Já está feito! Mas se a intuição volta a sinalizar, que esse déjà vu venha como um novo sabor.

Gil, seu protagonista da vez, – Ou seria um jovem Woody Allen? -, ao voltar a Paris, se vê as voltas com um antigo desejo: morar em Paris levando a vida como escritor de livros. Mas há dois grandes impasses a lhe pressionar. O que corrobora a visão dele ser um alter ego bem mais jovem do Diretor. E é onde a escolha do ator me fez ficar em dúvida: se Owen Wilson daria conta do recado. O que para meu espanto, ele incorporou, e bem, e literalmente, Woody Allen. Postura. Tiques. Expressões. Inseguranças… Conseguindo até o que o próprio Diretor faz quando atua: numa simbiose perfeita, dividir o palco com os demais. Evitando um Solo. Onde é a cena por um todo que rouba a cena. Meio louco, mas é assim que ele age. O que o leva a ser um Diretor único. Assim, não sei ao certo se o mérito da atuação de Owen Wilson vai para Woody Allen. Mas deixo aqui meus Parabéns também ao Owen!

Gil embarca com a noiva, Inez (Rachel McAdams), para Paris, acompanhando os pais dela: John (Kurt Fuller) e Helen (Mimi Kennedy). John vai concretizar um rentável negócio com um Grupo francês, mas é só por isso que está ali: dinheiro. Não gosta dos franceses, nem da comida, nem dos hábitos… O que leva a aumentar ainda mais a desaprovação pelo noivo da filha. Já que Gil é apaixonado por tudo isso. Quer dizer, nem tudo. Porque não admira aquilo que Inez e a mãe vêem de Paris: como um imenso e luxuoso shopping para compras e mais compras. Para aumentar ainda mais o choque entre eles, entra em cena um casal amigo de Inez: Paul (Michael Sheen) e Carol (Nina Arianda). Gil vê Paul como um pseudo intelectual. O que leva Inez a reparar mais nele, para contrariar o noivo. Para Paul, Inez seria um passaporte perfeito para viver com luxo. O que o leva a jogar todas as fichas nesses poucos dias junto com os noivos, e com maior ênfase na noiva.

Gil, dando um tempo a si, até para digerir todo aquele glamour que inebria aos demais, resolve caminhar pelas ruas de uma Paris noturna. Mas que iluminada por uma atmosfera de nostalgia. O cartaz do filme já nos antecede a essa magia ao incorporar a tela Noite Estrelada, de Vincent Van Gogh. E sua carruagem não o faz voltar a realidade à meia-noite, ela o leva a essa hora numa Paris do Passado.

Nesses giros, Woody Allen leva Cole Porter a frente da Trilha Sonora. Gil frente a frente com suas músicas preferidas. E no embalo da música, ele encontra com autores, escritores, pintores, artistas e até anônimos que fizeram o que para ele foi a Era de Ouro cultural: Ernest Heminghay, Zelda e Scott Ftizgerald, Pablo Picasso, Gertrude Stein, Henri Matisse, Luis Buñel, Salvador Dalí… Gil aproveita para mostrar o copião do que pode vir a ser seu primeiro romance. Seu primeiro livro.

Como Roteirista de Filmes, Gil lhe tem aberta todas as portas de Hollywood. O que encanta Inez. O que lhe traz desconfiança se é por isso que uniu ela a ele. Meio que não confiante na sua capacidade de escrever mais do que roteiros de filmes caça-níqueis, o faz hesitar em jogar tudo para o alto, e concretizar o seu sonho dourado. Quem irá fazer esse contraponto, serão duas personagens femininas: uma da noite, Adriana (Marion Cotillard); e outra do dia, Gabrielle (Léa Seydoux). E assim, Gil passará seu presente em xeque.

Um excelente filme! De querer rever!

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Meia-Noite em Paris (Midnight in Paris. 2011). EUA / Espanha. Direção e Roteiro: Woody Allen. +Elenco. Gênero: Comédia, Fantasia, Romance. Duração: 94 minutos.

Kirikú e a Feiticeira (Kirikou et la Sorcière. 1998)

Kirikú e a Feiticeira é um filme baseado nas lendas da África Ocidental que conta a história de uma comunidade que vivia subjugada pelo poder de uma feiticeira. A produção visa destacar o desenho animado de forma simples, buscando agradar aos pequenos, jovens e os adultos; os quais encontram muitos ensinamentos nesta lenda. Um desenho moderno com linguagem capaz de falar com as crianças, sem contudo subestimar os adultos.

É uma história que celebra a coragem de um garoto que era diferente dos outros companheiros de sua aldeia. Um menino bem precoce, perspicaz, astucioso, e muito amigo de sua mãe, que nasce falando, ou melhor, já fala dentro da barriga da mãe! Muito esperto e ativo, logo que vem ao mundo já entende que precisa fazer algo para salvar as pessoas da vila em que vive.

O diálogo cultural africano, travado na obra Kirikú e a Feiticeira, de Michel Ocelot, pode ser interpretado numa dimensão mais ampla, no tempo e no espaço, estendendo-se até nossos dias e a todos os continentes. Nas personagens principais, podemos observar as conseqüências dos atos masculinos incutidos nas mulheres. Temos duas visões divergentes (da mãe de Kiriku e da feiticeira Karabá) que, porém, apontam para o mesmo objetivo: a afirmação feminina enquanto indivíduo livre e independente.

O filme visa descrever o papel da mulher na sociedade africana; podemos ver claramente tal ideia no momento em que a criança nasce e a mãe ordena que ele se lave sozinho, mostrando que o “Herói”, para sê-lo, precisa ser independente. A própria independência que ela adquirira, mesmo fazendo parte de uma sociedade com papéis estritamente bem definidos entre o homem e a mulher.

Considerando a visão de Michelle Perrot, em sua obra “Les femmes et les silences de l’Histoire”, observamos que a História das mulheres foi sempre contada sob o ponto de vista do homem. O que se tem de menos influenciada é a oralidade privada, domínio em que as mulheres sempre puderam interferir e o fizeram de maneira marcante junto aos filhos e às crianças em geral. “A memória das mulheres é verbo. Ela está ligada à oralidade das sociedades tradicionais que lhes confiavam à missão de narradoras da comunidade do vilarejo.” (PERROT, 1998, p. 17).

No contexto do filme podemos observar que o autor da vida e grande importância no papel da mulher em meio não só a sociedade africana, mas todas as sociedades existentes.

A cultura local é retratada sem retoques, deixando de lado o etnocentrismo, os preconceitos e as culturas ocidentais, é bom, porque traz realismo à história e veracidade aos fatos. Ao estudar tal conceito podemos compreender que é uma característica de quem só reconhece a legitimidade e validade das normas e valores vigentes na sua própria cultura ou sociedade. Tem sua origem na tendência de julgarmos as realidades culturais de outros povos a partir dos nossos padrões culturais. Pelo que não é de admirar que consideremos o nosso modo de vida como preferível e superior a todos os outros.

Os valores da sociedade a que pertencemos em muitos momentos são declarados como valores universalizáveis aplicados a todos os homens, ou seja, dada a sua “superioridade” tal modelo deve ser seguido por todas as outras sociedades. Adaptando está perspectiva não é de estranhar que alguns povos tendem a intitularem-se os únicos com legítimos e verdadeiros representantes da espécie humana.

O conceito etnocêntrico está envolvido com a grande estranheza que se dá no encontro do grupo “eu” e o grupo do “outro” que utilizam como referências e características algo como exótico, excêntrico, anormal, exuberante e primitivo. Iniciando a formação de preconceitos, manipulações ideológicas, julgamentos precipitados e sérias distorções culturais, comportamentais e educacionais.

Mas a defesa legítima da diversidade cultura conduziu, contudo muitos antropólogos atuais a enxergarem a diversidade das culturas e das sociedades. Kirikú e a Feiticeira é um grande exemplo na nossa contemporaneidade, pois visa quebra de forma simples, mas muito bem feito, e bastante divertido os preconceitos, ou seja, o etnocentrismo e o machismo embatido nas diversas sociedades. Para quem está acostumado com nossos desenhos infantis ocidentais, pode parecer até um pouquinho estranho.

Ao trabalhar tal perspectiva devemos nos remeter á questão do misticismo, algo complexo em meio à construção da mentalidade africana. Amadou em sua obra “Amkoullel, o menino fula de Amadou Hampâté-Bâ”, trabalha com clarividência, á questão mística e religiosa, enfrentando dualidades constantes, pois recebeu como herança a religião africana da mãe e mulçumana do pai.

No filme percebemos de forma precisa o poder matriarcal, pois a mãe em meio à construção dos processos sócios culturais é considerada de extrema importância nas decisões tomadas pelos homens.

Porém para tornar possível a permanência da cultura e da memória africana, os griots contavam a história e os anciãos eram fundamentais na transferência do conhecimento, da sabedoria e dos ritos de seus ancestrais.

Amadou nos deixa claro em sua narrativa que os griots deveriam trabalhar com a verdade “absoluta”, pois eles tinham como missão transferir esse saber para a juventude africana, como objetivo de não perder a história. Trabalho que traz à tona a fusão entre memória e oralidade com relação ao poder da palavra na África. A palavra tinha o poder de levar o conhecimento e ao mesmo tempo acarretava ali o poder de amaldiçoar toda uma geração. Portanto, notamos em meio à análise que a oralidade é de extrema importância para concretização dos saberes de um povo anterior que antecederia a gerações futuras.

Assim fica claro que o trabalho da memória e da oralidade se funde como algo primordial na cultura do povo africano. Tornando vivo as representações do imaginário que envolve todo um proceder sócio cultural em relação há um procedimento historiográfico amplo, diversificado e complexo com relação à linguagem, os dialetos, os ritos, a cultura e a religiosidade que se mistura em meio há uma dialética que permanece viva na memória dos anciãos e na oralidade dos griots.

Em suma, podemos concluir que as mulheres tiveram um papel fundamental durante todo o filme e, sobretudo, no início e no final da narração, fazendo com que as ações fossem, sutilmente, propiciadas por elas. Mãe e feiticeira corroboraram para o segmento de uma e da outra, dando sentido para a trama cinematográfico. Kiriku foi um apêndice, ou seja, o laço entre as duas e foi isso que o transformou Kiriku em “Herói”. Ele sabiamente ouviu os conselhos da matriarca, absorveu as histórias contas pelos anciões e com sua astúcia “conquistou” Karabá, libertando todos os homens das garras da feiticeira.

Kirikú e a Feiticeira (Kirikou et la Sorcière. 1998). França / Bélgica / Luxemburgo. Direção e Roteiro: Michel Ocelot. Vozes/Cast. Gênero: Animação, Aventura, Família. Duração: 74 minutos.

Minhas Tardes com Margueritte (La Tête en Friche. 2010)

Creio que cada um de nós tem um tipo de listinha invisível onde selecionamos qual o amigo mais indicado para determinada atividade. Onde até o mais ranzinza há de se querer a companhia dele. Aquele que gostamos de tê-lo junto num jogo, num acampamento, comprando roupas, indo ao mercado, num barzinho, no cinema, conversar… Nos mostrando o quanto é legal essa variedade em personalidades. Que não é nada legal se todos parecem saídos de uma linha de montagem: todos iguais a você. Agora, nessa listagem completa, houve aquele que entrou na sua vida como um divisor de água? Aquele que apareceu de repente e fez toda a diferença.

É por ai que o Diretor Jean Becker nos brinda mais uma vez: com um amigo divisor de águas. No anterior, o “Conversas com Meu Jardineiro“, ele se alongou mais. Já nesse aqui, “Minhas Tardes com Margueritte“, ele resolveu contar a estória mais enxuta. Eu gostei muito do outro, mas esse aqui me fez querer assistir de novo, e logo em seguida. Apesar de ambos partirem de uma mesma temática – a pessoa que entra de repente na sua vida, conquista a sua amizade e que faz toda a diferença -, são estórias diferentes. Mostrando que cada estória de vida é única. Com capítulos guardados com muito carinho.

Em “Minhas Tardes com Margueritte” temos um cara meio bronco, mas no sentido de pouco estudo. Porque é dono de um coração enorme. Ele é Germain, personagem de Gérard Depardieu. Ao longo do filme, em flashback, vamos conhecendo o passado dele. Onde chega dar um nó na garganta, prendendo um xingamento diante da estupidez de pelo menos duas pessoas que deveriam educá-lo, e não destratá-lo. Um, o seu Professor que por conta de ridicularizar sempre, terminou levando Germain abandonar a escola. Se achando incompetente para continuar com os estudos. A outra pessoa, é a própria mãe de Germain. Que nem no presente, o trata com carinho. Mesmo envelhecida, o maltrata, além de tentar estragar a horta do filho.

Ora nossos olhos ficam marejados condoídos com o tratamento que ele recebeu de algumas pessoas. Para logo em seguida, brilharem de encantamento por esse homenzarrão. Pois Germain é mais um a corroborar com um pensamento meu: de que o homem não é produto do meio. Que trazem dentro de si a resposta que dará ao mundo: nem todos pagam na mesma moeda. Germain até causa espanto aos amigos por cuidar bem da mãe. Ele é gentil por natureza.

Quebrando o bucolismo do local – onde as pessoas se cumprimentam à rua -, temos um moderno ônibus que faz a linha local. Não sei se é por conta de um merchan, mas pela aquela que o conduz, ele vem como uma esperança futura para Germain. Mostrando que ele tem sim muita coisa para ensinar, para educar, para finalmente dar muito carinho. A motorista é a bela Annete. Apaixonada por Germain. Ela terá um papel importante numa decisão tomada por Germain. E em relação a outra pessoa.

Germain ganha a vida fazendo pequenos serviços, o que lhe deixa um tempo livre para ir lanchar numa pracinha. Numa dessas vezes, uma senhorinha puxa conversa. Que pelo teor, ela já o observava há um tempo. A partir dai, é quase como um encontro marcado de Germain com Margueritte (Gisèle Casadesus) nas tardes de folga. Sendo ela uma leitora voraz, a conversa recai em livros. O que a princípio o apavora. Mas com o tempo, ele se apaixona pelas estórias que Margueritte ler para ele. Mas nem tudo são flores nessa nova amizade. Parecendo que o destino iria tirar o prazer dessas tardes. Germain toma uma importante decisão.

Margueritte entrou na vida de Germain com delicadeza, e carinho. O fez gostar de livros, a descobrir mais palavras para usar no seu dia-a-dia, a acreditar que ele era capaz de aprender a ler… Enfim deu a ele um novo futuro. Embora quisesse continuar perto desse novo e dileto amigo, a vida lhe impôs outra grande tristeza. E é quando Germain toma outra grande decisão. Ele que até então não batalhara, aceitando o que o destino lhe reservara, não iria aceitar dessa vez. Por essa dádiva que entrou na sua vida iria lutar sim.

O final é emocionante! Não contive as lágrimas. Ficou um querer ver de novo. Um excelente filme!

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Minhas Tardes com Margueritte (La Tête en Friche. 2010). França. Direção e Roteiro: Jean Becker. Elenco: Gérard Depardieu (Germain Chazes), Gisèle Casadesus (Margueritte), Sophie Guillemin (Annette), Maurane (Francine), Patrick Bouchitey (Landremont), Jean-François Stévenin (Jojo), François-Xavier Demaison (Gardini), Matthieu Dahan (Julien), Claire Maurier (Mãe). Gênero: Comédia, Drama. Duração: 82 minutos. Baseado no livro de Marie-Sabine Roger. Classificação: 12 anos.

Cinco Dias Sem Nora (Cinco Días Sin Nora. 2008)

A última instância de recurso é a observação e a experimentação. Não a autoridade.” ( Thomas H. Huxley)

Valeu o ingresso! Assim como a ida até outro ponto da cidade. O que faz valer também uma reclamação aos Distribuidores que limitam as Salas onde filme que não são tidos como comerciais serão exibidos. Mais! Ao determinarem também o local, demonstram preconceitos aos que moram no Subúrbio, numa de que ai não há cinéfilos que gostam desses filmes. Se visam o número de ingressos vendidos, nessa sessão tinham menos de 20 pessoas. Enquanto que para a Sala ao lado o pipocão “Se Beber, Não Case 2” já estava com ingressos esgotados meia hora antes do início da sessão. O que os Shoppings nos Subúrbios deveriam fazer: exibir na maioria das Salas os caça-níqueis e deixando uma delas para os tidos como Cult. Bem, reclamação feita, ora e vez de comentar o filme.

Cinco Dias Sem Nora” traz um tema que nem todos digerem bem: a morte de um ente querido. Ele vai além, já que foi por suicídio. O filme não determina que tipo de problema específico a personagem título, a Nora, tinha, mas ao longo da estória ficamos sabendo que houve outras tentativas. O que mesmo para um leigo denota que ela tinha um distúrbio psíquico. Mas a doença em si não vem muito ao caso. O perfil dela como um todo sim.

Logo no início do filme vemos o quanto Nora é metódica. Segue numa preparação de uma grande ceia. Mesa posta para vários comensais. Vários potes etiquetados com alimentos na geladeira. Envelopes endereçados para algumas pessoas. Sendo que uma das fotos de um deles, por um descuído cai embaixo do sofá. Algo não planejado que irá alterar o que ela planejara para o seu Funeral.

Por mais macabro que possa parecer de alguém organizar o próprio funeral, não se cabe aqui em um julgamento a ela. Porque o que vem à mente é algo como: os fins, justificando os meios. E até porque nos pegamos a rir com quem ela encarregou de dar vida ao seu plano. Ele é José (Fernando Luján), seu ex-marido. Pelo seu comportamento, se vê que era o oposto de Nora. José até tenta boicotar os planos de Nora. Mas se hora o destino está a seu favor, noutra ele se vê preso a trama.

Se o livre-arbítrio leva até alguém a se matar, termina por interferir na vida de quem irá enterrar o corpo. E é quando entra em cena a Religião. A desse filme é a Judáica. Se por um lado Nora tramou de morrer às vésperas de um feriado judeu – Pessach -, o que reteria a todos nessa celebração, lhe escapou que o suicídio não é bem aceito no Judaísmo.

José, ateu, está se lixando para todo o cerimonial que o Rabino pretende fazer. Ambos se desentendem. Até pelo jeitinho que o Rabino sugere a título de encobrir o suicídio e por conta do sogro do filho de Nora e José. Por ser ele uma figura importante na Sociedade local. Já contrariado por se vê obrigado a seguir em frente com os planos de Nora, meio enojado com que os dogmas da religião abre caminho por conta de quem tem dinheiro, José ainda se vê atado ali no apartamento de Nora porque o filho está tendo dificuldade em encontrar uma passagem aérea, e por conta do tal feriado. E o filho, junto com a esposa e filhas, quer estar presente no enterro.

Enquanto vela o corpo, José vê a chegada de mais pessoas que como ele, não sabiam que Nora estava morta. Durante isso, José descobre a tal foto. Nela, Nora está em trajes de banho, numa praia, com um homem que não é ele. Pelo tempo mostrado na fotografia, ele acredita que ainda estavam casados. Como sabe que a esposa escrevia tudo, tenta abrir a escrivaninha. Mas quem consegue, é uma prima que se mostra não ser tão cega assim. Ela esconde dele o Diário de Nora.

Sem a presença das Religiões, o que se enterra não passa de um corpo sem vida. Mas que elas terminam dando um peso maior, até porque irão lucrar, financeiramente com esse, e mais tarde com os demais, num ciclo perpétuo.

Pai e Filho entram em choque, e em xeque. Num balanço de tudo que ficara enterrado até então. E ambos saem revigorados, cientes que perderam um tempo estando afastados um da vida do outro. Quando o filho cai em si, e que não quer que sua mãe seja enterrada na parte do cemitério junto com criminosos, cabe a José a decisão final. Numa de: “A vez é sua Nora!”

O filme é ótimo! De querer rever. Com momentos hilários! E um final emocionante! Tomara que saia logo em Dvd para que mais pessoas possam ver. É o Cinema Mexicano nos presenteando com mais esse. Bravo!

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Cinco Dias Sem Nora (Cinco Días Sin Nora. 2008). México. Direção e Roteiro: Mariana Chenillo. Gênero: Comédia, Drama. Duração: 92 minutos. Censura: 14 anos.

Os Agentes do Destino (The Adjustment Bureau). 2011

O destino, como os dramaturgos, não anuncia as peripécias nem o desfecho.” Machado de Assis.
Os Agentes do Destino é mais um filme que me chamou a atenção pelo argumento inteligente, misterioso e instigante. Uma mistura de romance, religião, filosofia, aventura, misticismo e ficção-científica, tudo na dose exata. É baseado no conto The Adjustment Team, de Philip K. Dick com roteiro e direção de George Nolfi e já bastante cotado para se tornar um clássico moderno.

O filme conta a história do político David Norris candidato ao Senado interpretado pelo ótimo Matt Damon, fazendo campanha eleitoral pelos cantos da cidade, e que casualmente conhece dentro do banheiro masculino a simpática Elise Sellas, uma bailarina vivida pela atriz Emily Blunt, pela qual se apaixona. Só que a partir daí coisas estranhas começam a acontecer: o destino, literalmente, entra em ação, pregando-lhe uma peça, manipulando a todo custo a história de amor que mal está começando, a fim de que a mesma cumpra o seu destino, não se alterando pela livre escolha conforme o escrito no livro da vida de cada um, e que a união do casal não se concretize.

É aí que entra o genial da história: a religião e a ficção caminhando sutilmente juntos, se mesclando e fazendo crer que o destino está mesmo escrito, e no mundo é representado por um grupo de homens trajando paletó, gravata e chapéu, cuidando para que nada atrapalhe ou mude o já traçado, itinerário do casal. O grupo procura estabelecer regras ao congressista para que nada seja alterado em sua vida predeterminada, nem mesmo a religião para se meter ou ditar normas no que diz respeito ao livre-arbítrio; a sua musa seguindo carreira profissional de bailarina de sucesso e ele como político podendo chegar a presidente da república.

Os “agentes do destino” estão em todos os lugares e deveriam se portar como seres invisíveis agindo para que a sorte de cada um se cumpra, só que, por uma fatalidade do próprio destino do protagonista, o candidato ao Senado, é que  ele consegue ver esses seres por todos os cantos, e assim descobre que não pode manipular ou mudar o já traçado para si, isto é, Elise não deveria fazer parte de seus planos, de sua vida, e ele não poderia voltar a encontrá-la. Mas David reencontra sua amada Elise dentro de um ônibus, porque um dos agentes dormiu no ponto e deixou isso acontecer, alterando o destino de ambos. A partir daí, esses agentes passaram a ter mais cuidado e David perdeu o contato com sua amada por três anos, até que um dia, pela sua força de vontade, a reencontra na rua, entrando aqui a ação do livre-arbítrio.

O ponto culminante deste filme  é a perseguição ao casal pelos agentes por toda Nova Iorque usando os portais como atalho para que fugisse desse destino para eles traçado, e brinca com a percepção dos espaços de Manhattan, passando de maneira genial de um corredor apertado para o imenso estádio dos Yankees, a Estátua da Liberdade, as largas avenidas e outros pontos turísticos nos brindando com ótimas imagens. Eis um contraponto, uma singular releitura do filme Monstros S.A., um imensa fábrica de sustos existente que constrói inúmeros portais que levam os monstros para os quartos das crianças.

O veterano e charmoso ator Terence Stamp dá um tom especial ao filme, agindo como o chefão do grupo. Outro ator de destaque neste filme é Anthony Makie que ficou bem conhecido pela sua ótima atuação em Guerra ao Terror. Makie atuando como o agente Harry Mitchell dividido entre seu trabalho e seus sentimentos de solidariedade, e no ponto de virada ajudando o casal a tornar o relacionamento e esta história em ‘happy end’.  “Tudo deve seguir de acordo com o plano” o plano desses agentes é que  “não pode fugir do teu destino”.

E quanto ao livre-arbítrio? Bem, como é um assunto, digamos, de cunho religioso, comento aqui apenas como forma de ilustrar a história do filme.

O destino do homem já vem traçado ou é ele é que faz? E quanto ao livre-arbítrio? Assunto polêmico, não? Bem… bem explorado neste argumento. Digamos que o destino de Judas seria trair o filho de Deus com um beijo, e ele se quisesse poderia optar não ter feito isso, teria o livre-arbítrio; a prova disso é o seu arrependimento; Diversos textos bíblicos provam que o ser humano possui a liberdade de escolha. A Bíblia diz que o homem possui certa “liberdade” de escolha, mas não específica o quanto ele tem de livre-arbítrio. O livro sagrado está recheado de citações que confirma o tema livre-arbítrio, como, por exemplo em:

Apocalipse 3:20: “Eis que estou à porta, e bato; se alguém abrir…”.
João 6: 37: “O que vem a mim não o lançarei fora…”.
Isaías 28:12: “ao qual disse: Este é o descanso, daí descanso ao cansado; e este é o refrigério; mas não quiseram ouvir”.
Mateus 25:45: “Então lhes responderá: Em verdade vos digo que sempre que o deixastes de fazer a um destes pequeninos, a mim o deixastes de fazer”.

Independentemente dos assuntos polêmicos abordados na história, vale a pena conferir este romance pela ótima direção, fotografia, atuações e locações.

Bem, agora é com você que tem o livre-arbítrio de escolher assistir ou não a este filme delicioso filme!
Karenina Rostov

Se Beber, Não Case! Parte II (The Hangover Part II. 2011)

No primeiro, a motivação maior fora o Diretor Todd Phillips. Por ele conseguir traduzir um universo masculino meio sacana. Algo como: é homem, então pode aprontar. Bem que eu queria que alguém fizesse o mesmo para nós, mulheres. Mas antes teríamos que ter essa liberdade culturalmente, até para ser bem aceita. Enfim, até que isso aconteça, eu vejo esses filmes com um pouquinho de inveja.

Assim, fui ver a continuação  e sem esperar mais que uma diversão momentânea. Até porque do primeiro esqueci quase tudo. Então, como um bom sessão pipoca, Todd Phillips cumpriu bem a lição. Teve momentos engraçados, muito embora eu não sei se ri mais do filme, ou da risada de uma mulher na platéia. Ela sim, riu muito. Mas mais do que rir, o filme prende a atenção em saber o que aprontaram dessa vez. O que num breve momento eu pensei: “Alguém cai mesmo no mesmo erro?” Para em seguida ao lembrar de fatos reais, vi que sim, cai. Então relaxei e foquei só no  filme.

Vou tentar não trazer spoiler, mas que dá vontade de contar pelo menos uma, isso dá. Veio como um “Bem-feito!”. Que foi com o noivo da vez. Falando em noivo, eu não entendi porque que o Doug (Justin Bartha), que foi o que sumiu no filme anterior, não quis se divertir com os amigos nesse. Estaria o ator comprometido com outras filmagens? Ou por imposição dos Produtores, já que deu certo a química entre os outros três: Phil (Bradley Cooper), Stu (Ed Helms) e Alan (Zach Galifianakis). Ou até por conta de não ficar um grupo muito grande. Enfim, não fez falta.

Nessa continuação quem está para casar é Stu. Que marcou a cerimônia na Tailândia, de onde é a família da noiva. Como tentativa de evitar uma despedida de solteiro do gênero da de Doug, marca um café com os amigos: Doug e Phil. Esse insiste que pelo menos uma cerveja na praia, num tipo de luau. Mas antes disso, Doug o convence a levar Alan para o casamento.

E é com a ida de Alan que vem o erro fatal para Stu. Mas garantia de risos para nós. Até exclamamos: “Estão nos marshmallow!”, mas nada que comprometa a diversão. Afinal, já sabemos que houve uma noite agitada para eles. Sendo que dessa vez quem sumiu foi o futuro cunhado de Stu. Eles acordam de ressaca num lugar desconhecido, com Stu com uma tatuagem na face, Alan careca, um miquinho de jaqueta jeans e algo num copo. Ah sim! Com Chow (Ken Jeong) também por lá. Na busca pelo jovem, descobrem que foram parar em Bangcoc, e que tudo foi armado por Alan. Mas como na outra despedida de solteiro, a dose fora cavalar.

Não foi só o Doug que mal apareceu no filme, as personagens femininas fizeram concorrencia a bela paisagem da Tailândia onde aguardaram pela volta da turma. Mike Tyson mesmo que numa breve cena, marcou mais ponto. Pelo menos no quesito: “Surprise!”. Destaque maior teve Paul Giamatti.

Em resumo: é um bom sessão pipoca! Esquecível como o outro. Mas vale pela hora e meia de risos. E Todd Phillips carimbou meu passaporte para um próximo filme seu.

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Se Beber, Não Case! Parte 2 (The Hangover Part II. 2011). EUA. Direção: Todd Phillips. +Elenco. Gênero: Comédia. Duração: 102 minutos.

Reino Animal (Animal Kingdom. 2010)

Começo com um convite em especial. Para todos aqueles que torcem o nariz para filmes brasileiros. Com a desculpa que mostram: pobreza, violência urbana, favelas, corrupção… Enfim, na visão deles porque mostram as mazelas de um mundo atual, eles excluem os filmes brasileiros da lista. Assim, fica um convite para assistirem “Reino Animal” (Animal Kingdom), porque esse filme australiano tem todos esses itens, e em dose cavalar! Um outro convite, ficaria para os da área psico. Pois terão numa avó, um interessante perfil para estudos.

Melbourne está chamas!

Sigo, convidando aos que não ficam intimidados com cenas de um mundo cão. Onde a Lei é ditada por um jogo de interesses, numa teia tão invísivel que não se vê quem de fato é que manda. Talvez melhor seria em dizer, em o que, em vez de quem domina o sistema. E é em seguir essa trilha que temos o forte desse Roteiro. De se seguir atentos, quase sem respirar. Mais! Sendo baseado em fatos reais, a mim, deixou uma vontade de saber o que houve depois. Porque o final é impactante. Volto a ele mais adiante.

Não temos aqui um Capitão Nascimento tentando encontrar alguém que fique com o seu cargo, por querer sair do Sistema… Em “Reino Animal” temos sim um Detetive, Leckie (Guy Pearce) que antes de sair do Sistema, resolve tirar um jovem, recém chegado a cidade. Alguém que caiu meio de para-quedas dentro de um esquema com o qual os policiais se veriam livres de toda a sujeira de anos. Era um jogo de cartas marcadas: com sentenças de morte. A queima-de-arquivos era com os criminosos de rua; e não com os do departamento. O Sistema lá já estava tão deteriorado, que acharam melhor transferir o máximo de membros que pudessem. Deixando para os novos que chegassem começassem do zero.

A Família na linha do tiro!

O jovem “J”Cody (James Frecheville) se vê sozinho no mundo, de repente. Sua mãe morrera de overdose. Como ainda não tem a maioridade, decide ligar para a avó materna, Janine “Smurf” Cody (Jacki Weaver). Ela o leva para a sua casa. Ou melhor dizendo, para o seu covil. Lá ele conhece os seus tios: Pope Cody (Ben Mendelsohn), Craig (Sullivan Stapleto) e Darren (Luke Ford). Quando “J” chega, Pope já está jurado de morte. É quando ele se dá conta do antro onde veio parar, e que piora a cada dia. “J” então entende o porque de sua mãe o tê-lo afastado de sua própria família. Mesmo assim, ela falhou em se deixar levar pelo vício. Da avó, “J” viu que não ganharia afeto. Não se não entrasse para a carreira dos tios. E com uma avó como essa, teria sido melhor vagar pelas ruas.

Quem protegia quem, ou o que!

Leckie se compadece de “J”. O quer ver livre dali. Mas como o cerco se fecha oferece uma proteção – que não poderá dar de fato -, se “J” contar o que sabe no pouco tempo de convivência com os Cody. Se não fosse por algo que seu tio fizera, ele até conseguiria ir levando a vida até completar 18 anos de idade. Com 17 completos, restaria pouco tempo. Mas aquilo que fizeram não era fácil de aceitar.

O ser mais fraco buscando uma saída!

Se a proteção policial se mostrou ineficaz, se para a sua própria famíliia virara carta fora do baralho, só restava a “J” uma saída: também fazer uso do Sistema para sair vivo daquilo tudo. E teria sido preciso mesmo chegar até a fazer aquilo? Sendo baseado em fatos reais, fiquei curiosa em saber o desdobramento do seu ato.

O filme é excelente! E por um todo: sem pontos negativos. Até por ter saído logo em Dvd no Brasil, pois assim muito mais terão como assistir, do que quando fica restrito a algumas Salas de Cinema.

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Reino Animal (Animal Kingdom. 2010). Austrália. Direção e Roteiro: David Michôd. +Elenco. Gênero: Crime, Drama, Thriller. Duração: 113 minutos. Baseado em Fatos Reais.

O Castelo Animado (Hauru No Ugoku Shiro. 2004)

Hayao Miyasaki nasceu em 1951 e continua desenhando. Seu talento é indiscutível, entretanto, apesar de ter ganhado um Oscar com “A Viagem de Chihiro”, pouco dele se fala. E mais uma vez nos surpreende com um mundo maravilhoso, rico em detalhes, uma fábula com príncipes, guerra, bruxas e inúmeras metáforas cheias de significados embutidos. Serve para qualquer idade, basta gostar de sonhar.

A história é simples. Uma menina chapeleira, que vive quase que reclusa, sai para passear e é atacada, um rapaz longilíneo e sedutor a salva. No mesmo instante ela é abordada por uma bruxa que lança um feitiço que a transforma numa anciã. Somente o jovem feiticeiro pode reverter isso.

Se nova ele nada sabe ou conhece, e sua auto-estima é no chão, agora os mundos se abrem para ela. Cada giro na porta do castelo animado, onde ela vai procurar o mago que a ajudou, é um universo totalmente diferente. Além de tudo os personagens secundários são interessantíssimos e profundos.

Calcifer é um demônio do fogo. Capturado por Howl, ele é a energia da casa em movimento. Sim, o castelo caminha com pés de galinha e corpo de ave gorda e complexa. Seu interior é sujo e bagunçado, como qualquer quarto de adolescente. Porém cheio de magia. Sophie põe ordem em tudo, conquistando o pequeno aprendiz que lá coabita, o Marki. Este reverencia o proprietário, que todo o tempo viaja e enfrenta perigos inomináveis de guerra.

Ah, as batalhas lá fora são ferozes, naves enormes. Selvageria em que Howl está envolvido até as penas. Ele voa, ele ataca, ele combate. Mas foge de seu destino, não enfrenta os magos e não sabemos o porquê dele ser tão misterioso e depender tanto de sua beleza… Howl é enigmático e cativante. Praticamente todos os personagens querem ser donos do seu coração.

Acredito que apenas o espantalho Cabeça-de-Nabo, que resgatado por Sophie, não é grande fã de Howl. E neste afã de lutar e ao mesmo tempo evitar confrontos Howl envia Sophie para conversar com o príncipe e sua conselheira, a poderosa Madame Suliman.

Esta vive num castelo alto, cercada por miniaturas infantis de Howl, que um dia foi seu aprendiz. A subida das escadarias, lado-a-lado da bruxa rival, a gigantesca Bruxa do Nada é um desafio de poder.

Lá chegando o filme toma um rumo mais abrupto e os destinos são definidos de maneira rápida. Ela declara seu amor a Howl e neste momento podemos ver claramente quando é que ela está nova ou velha. A infância dele tão bem representada, é singela. As cenas de desarranjo do castelo animado, sobrando apenas uma jangada é algo estupendo.

E no final, o amor é vencedor, claro. E fica aquela lembrança de que o coração de um homem nunca tem dono, a não ser ele próprio, que o comanda e o alimenta.

O que há de bom: metáforas ricas, desenhos extremamente detalhados, enredo criativo
O que há de ruim: pouca divulgação de uma animação desse nível
O que prestar atenção: será qual a verdadeira idade de uma pessoa? A cronológica ou a sonhológica?
A cena do filme: quando a Bruxa do Nada entrega para quem é de direito, o coração

Cotação: filme ótimo (@@@@)

COBRA

O Castelo Animado (Hauru No Ugoku Shiro. 2004). Japão. Direção e Roteiro: Hayao Miyazaki. Atores: Chieko Baiko, Takuya Kimura, Akihiro Miwa, Tatsuya Gashuin. Gênero: Animação, Ação, Aventura. Duração: 119 minutos.

As Melhores Coisas do Mundo (2010)

O filme “As Melhores Coisas do Mundo” se baseia em uma série de livros escritos por Gilberto Dimenstein e Heloísa Prieto, os quais descrevem como ninguém as aventuras do adolescente chamado de Mano.

Mano tem 15 anos. Adora tocar guitarra e sair com os amigos. No decorrer do filme Mano percebe que virar adulto não é brincadeira.
Em meio a este processo ele se depara com: o Bullyng na escola e nas ruas, o primeiro beijo, a primeira transa, o relacionamento com a família que a cada dia se complica em nome da liberdade, as inseguranças, os preconceitos e a descoberta do amor, e uma série de fatores que transforma a adolescência numa travessia de complicações e aprendizados os quais corrobora para a construção de uma identidade.

Muitos filmes sobre adolescentes já foram produzidos, mas por enquanto nenhum tinha retratado com tanto propriedade a adolescência do século XXI.

Sob direção de Laís Bodanzky, que já vem realizando grandes trabalhos na produção cinematográfica como: “Bicho de Sete Cabeça” filme o qual Rodrigo Santoro atua muito bem em seu papel.

Laís com “As Melhores Coisas do Mundo” conseguiu mais uma vez marcar o Cinema Brasileiro com mais uma produção que foge dos padrões dos grandes sucessos brasileiros os quais visam destacar: “violência, sexo, palavrões ou comédia rasgada”.

Laís visa destacar a adolescência, buscando dar vida há uma fotografia desta geração de jovem que se desenvolve em meio à era tecnológica e modernizada; objetivando gozar de uma chamada “liberdade”.

No entanto o filme promove um mergulho profundo no oceano de informações e mudanças vividas no mundo dos adolescentes; destacando com propriedade e veracidade uma fase que todos nós humanos essencialmente precisamos vivenciar.