Ao Mestre, com Carinho (To Sir, with Love. 1967)

O filme Ao mestre Com Carinho é uma produção cinematográfica que trabalha a sala de aula e o professor em uma fusão de métodos pedagógicos, emoção e aprendizagem. Neste clássico filme que refleti alguns dos problemas e medos dos adolescentes dos anos 60.

Sidney Poitier tem uma de suas melhores atuações como Mark Thackeray, um engenheiro desempregado que resolve dar aulas em Londres, no bairro operário de East End. Thackeray é um jovem professor que enfrenta alunos indisciplinados e com métodos pedagógicos desenvolvidos por ele no decorrer da relação com os alunos, consegue transformar a sala em um exemplo para aquele colégio.

A classe, liderada por Denham (Christian Roberts), Pamela (Judy Geeson) e Barbara (Lulu, que também canta a canção título) estão determinados a destruir Thackeray como fizeram com seu predecessor, ao quebrar-lhe o espírito. Mas Thackeray acostumado à hostilidade enfrenta o desafio tratando os alunos como jovens adultos que breve estarão se sustentando por conta própria.

A história trabalha a essência do ser professor, os “monstros” enfrentados por eles em sala e arte de ensinar e de aprender ao mesmo tempo. O ser professor é algo que transcende ao outro. Uma ligação de conhecimentos, ideias e sonhos. O professor deve ensinar com uma visão de aluno. Ele deve ter a sensibilidade de ver o mundo a sua volta de vários ângulos. O ser professor auto se disciplina, em meio às problemáticas encontradas. Ele vê seus alunos como pupilas que evolui a cada dia. Ser professor é ser um eterno aluno da vida. É levar o pouco que sabe e receber muito em troca. É saber falar e ouvir ao mesmo tempo. O professor deve amar o que faz; deve sentir o sabor de levar o conhecimento e ao mesmo tempo se deliciar com o que se aprende com o aluno. É ter o saber e sabedoria de entender as diferenças.

Todos nós somos eternos alunos e professores. Pois o saber é ilimitado e nós como seres humanos, devemos estar aberto para nos possibilidade. Todavia ser professor é uma arte que fascina a todos que tem a oportunidade de ser mestre por um dia.  O filme trabalha de forma clara está ideia, pois quando Thackeray recebe um convite para voltar à engenharia, ele decidi continuar a sua arte de ensinar.

Ao Mestre, Com Carinho (To Sir, with Love. 1967). EUA. Direção e Roteiro: James Clavell. Gênero: Drama. Duração: 105 minutos.

Planeta dos Macacos: A Origem. Tecnologia demais às vezes atrapalha.


Um dos filmes que eu aguardava nesse ano de 2011. Até por estar na minha memória afetiva. A simples menção desse título – Planeta dos Macacos -, me vem à mente uma pequena estória. E é com os olhos de um ator. Foi a partir desse filme que eu passei a prestar mais atenção no nome dele. Debaixo de tanta maquiagem, seus olhos se destacavam num personagem carismático: o Cornelius. Mas foi assistindo um outro filme, e já de cara lavada, que em pensei: “Eu conheço esses olhinhos! Conheço, sim!” Numa rápida pesquisa, descobri que era o ator Roddy McDowall. Fica aqui um pequeno tributo a esse ator: seu Cornelius foi memorável.

Mas “Planeta dos Macacos – A Origem” não é um remake.

Como o título original – Rise of the Planet of the Apes – diz, ele veio para contar como tudo pode ter iniciado. Numa nova roupagem, se adequando ao mundo de agora. Por mais primitiva que possa ser a estória – ascensão dos símios ao comando do planeta -, a parte científica dos homens continua evoluindo ininterruptamente. Muito embora muitos dos humanos ainda vivam irracionalmente. E embora muita das pesquisas científicas possam ter um caráter humanitário, ela precisa de alguém que a banque. É aí que mora o perigo!

O filme também tem agora todo avanço da computação gráfica.

Assim, os atores se livraram do peso da maquiagem e da roupagem de antigamente, para atuarem cheio de filamentos pelo corpo diante de uma tela-verde (Chroma Key), ou até em externas, cujas performances ganham um “novo corpo” pelo computador. Mas essa tecnologia de agora não veio para tirar o glamour dos filmes de outrora. Pois esses já têm um lugar cativo na nossa memória cinéfila. Os filmes atuais estão vindo para que também os apreciemos. Desde que esses avanços venham como um novo coadjuvante. Até por conta disso que eu quis conferir “Planeta dos Macacos – A Origem“. Conferido! E…

Saudosismo à parte… como tudo começou!

O filme atual até para mostrar uma evolução dos símios traz como grande mote uma pesquisa no campo farmacológico. Descobrir, se não a cura, pelo menos um jeito de estacionar o “Mal de Alzheimer“. Basicamente, essa doença mexe com o sistema cognitivo dos idosos. A perda da memória é o fator inicial. Sem entrar muito nos méritos da doença, a pesquisa no filme era para se chegar a um fator que estimulasse o cérebro a produzir “novas células” numa autoregeneração. Sem nenhum Greenpeace, ou Ong de Proteção Animal por perto, o Laboratório Gen-Sys, usava livremente símios em suas pesquisas. Mais em específico: chimpanzés.

No meio do caminho tinha um (des)humano.

Há de se perguntar o porque de alguém tão jovem como Will (James Franco) se dedicar a pesquisar a cura para o campo geriátrico. A resposta está em querer ajudar o próprio pai, Charles (John Lithgow. Que roubou todo o filme. Foi brilhante a atuação de Lithgow!). Mas um funcionário do laboratório pos tudo a perder ao buscar a chimpanzé Olhos Brilhantes para a apresentação da droga ALZ-112 ao Conselho dos Acionistas. Já que são eles que iriam liberar verba maior para se chegar a virar um Medicamento legalizado. Em vez de docilidade, ele a incita. Então ela revida com fúria. Numa cadeia de tensões e medos por quase todos, um dos seguranças a mata. Pondo fim a pesquisa. E mais! Acreditando que essa fúria era um efeito colateral da droga, Jacobs (David Oyelowo), dono da empresa, manda Franklin (Tyler Labine) sacrificar todos os outros chimpanzés, cobaias do ALZ-112.

Mas Olhos Brilhantes deixara um filhote recém-nascido.

Franklin (Tyler Labine) que omitiu o fato, sem muitas opções deixa nas mãos de Will o filhote para que ele tome uma decisão: ou o mata, ou o leva para longe dali. Will então leva o pequeno símio para a sua casa. Mostrando ao seu pai. Já que precisava saber se ele reagiria bem a essa nnovidade. Charles não apenas gosta, como escolhe o nome: César. Com isso, Will leva sua pesquisa também para casa. Mas foi seu pai quem primeiro notou a super inteligência de Cesar.

Alguns poucos anos depois, num descuido, Will deixa a janela aberta. César que sempre acompanhou do seu quarto as crianças andarem de bicicleta, resolve experimentar. Uma das crianças se assusta, o pai dela machuca César. Will o leva a uma Veterinária do Zoo. Ela é Caroline (Freida Pinto), especialista em Chimpanzés.

Um lugar na mata…

Caroline acha que já estava na hora de César se exercitar também ao ar livre. Charles, já curado com o ALZ-112, os leva até um Parque de Sequóias. Passado mais uns anos, já com Will e Caroline juntos, numa saída do tal Parque, o cachorro de uma família, preso numa coleira, leva a César a questionar Will sobre sua existência. Que papel ele representava na vida de Will. Um bicho de estimação? Sem ainda saber que ele era parte de uma experiência. Uma cobaia. Que de certa forma, ajudou na recuperação de Charles. Mas se aquela revelação abala as estruturas de Caroline, que dirá de César, agora um jovem adulto de cinco anos de idade.

Somos todos cobaias?

Superficialmente, o filme traz à mesa de debate a questão da cobaia. Não apenas com animais, mas o lance dos portadores da doença. Se eles não mais têm condições de aceitarem ou não embarcarem numa possível cura, pesará para a família deixarem que sejam cobaias. Se um membro dessa família for um cientista, e com os meios para continuar tentando achar a cura, há de se ter algo ou alguém que o faça pensar, pesar o que está de fato querendo. Se ainda tem maior peso o caráter humanitário da pesquisa.

Se para os chimpanzés o sistema imunológico reagiu bem a tal droga, o mesmo não aconteceu com o de Charles, que fabricou anticorpos resistentes. Com isso a doença voltou. Sendo a vez de César de querer cuidar dele. Os papéis se inverteram, até numa breve escapada agora de Charles. Esse ao querer dirigir, entra num carro. Ao sair batendo, provoca a ira do proprietário do veículo. César sai em sua defesa. Acontece que sendo agora um chimpanzé adulto, estando brabo, intimida muito mais. Acabando sendo preso. Numa prisão com outros símios.

O início da revolta.

Os animais ficam lá até serem requisitados por Laboratórios. Se por conta de uma burocracia ou não, Will não se empenha muito em tirá-lo dali. Estando mais interessado numa fórmula mais agressiva que não deixe o sistema imunológico humano combatê-lo, mas que o aceite. Então convence Jacobs de partir para o ALZ-113. Enquanto se dedica a nova pesquisa, mais sentindo-se abandonado fica César. Com o tratamento recebido naquela prisão, a docilidade de César vai dando lugar a uma ferocidade.

Acontece que César quer controlar a todos, ciente de que em maior número terão mais chances de sobreviverem. Mas é contido por um orangotango que também entende a linguagem dos sinais. Com esse conselho, César dar prosseguimento ao seu plano. Com tempo. Tudo estudado. Enquanto isso, Will percebe que o ALZ-113 despertou a cobiça de Jacobs, a ponto de não mais cobrar por uma pesquisa mais criteriosa. Com César e Jacobs inflamados, cabe a Will contornar a situação que ele que iniciou.

Planeta dos Macacos: A Origem” talvez só traga surpresa quanto ao final, para os bem mais jovens que desconhcem os filmes de outrora. Para mim, nem ficou uma pequena torcida para que ultrapassem a Golden Gate Bridge. Gostei sim de vê-los indo por cima e por baixo da ponte nessa fuga final. Aliás, desde a primeira cena, todas com os símios foram ótimos. E a emoção mesmo, nesse final, ficou com a despedida entre César e Will.

O desejo por uma continuação não ocorreu como em “Sherlock Holmes“, mas se vier, será bem-vinda! Foi um bom filme! Vale conferir! Mas não eletrizou, nem me empolgou. A Trilha Sonora é legal, mas fiquei pensando em Hans Zimmer, logo não me encantou de todo. E Andy Serkis que fez o César não o deixou memorável como o Cornelius de Roddy McDowall. Com isso, “Planeta dos Macacos – A Origem” não me deixou vontade de rever. Pelo conjunto da obra, dou nota 08. Talvez meu saudosismo teria me deixado com muita expectativa!

Por: Valéria Migue (LELLA).

Planeta dos Macacos: A Origem (Rise of the Planet of the Apes. 2011). EUA. Direção: Rupert Wyatt. +Elenco. Gênero: Ação, Aventura, Drama, Sci-fi, Thriller. Duração: 105 minutos.

Mamute – O importante não é o destino, mas a jornada.

Um filme tosco contando uns dias na vida de um cara mais tosco ainda.

Talvez por isso que ficou restrito a poucas Salas de Cinemas. O que é uma pena porque passará despercebido para a maioria dos cinéfilos. Se bem que até por parecer um filme de amadores, não deva atrair a esse contingente muito mais afeitos em apontar detalhes técnicos específicos nas grandes produções, do que ver o filme – e aqui válido para os de todos os tipos -, por um todo. Algo mais a ressaltar, estaria no fato de mostrar os atores sem os exageros de maquiagem, verdadeiras máscaras faciais tão comuns nos filmes hollywoodianos. Para o Cinema Francês, as rugas, a passagem dos anos nas faces dos atores não ficam escondidas. O que é ótimo!

Tosco é o termo que melhor define o personagem de Gerárd Depardieu: Serge Pillardosse.

Diferente do seu personagem em “Minhas Tardes com Margueritte“, já que esse era um simplório, e muito carismático. Em “Mamute” até há uma cena onde um ex-patrão o define como um idiota no sentido em ter dificuldade nos estudos, como era também seu personagem nesse outro, mas Gerárd Depardieu conseguiu diferenciar os dois mesmo com esse ponto importante em comum.

Serge é um cara fechado, sem ser antipático.

Durante o filme ficamos sabendo o porque: há um peso pesado que vem carregando desde muito tempo. De poucos amigos. Se não tem quem goste dele, também não tem quem desgoste. Só não passa despercebido, pelo seu tamanho. Cabeludo. Ainda guarda uma moto antiga: uma Mammuth. E é com ela que ele irá fazer uma jornada ao seu passado.

Aposentar de que?

Serge sempre trabalhou, mas ao requerer sua aposentadoria lhe dizem que faltam um período. Então é aconselhado pela esposa, Catherine (Yolande Moreau) a procurar por seus antigos patrões. Sem outra opção, ele monta na moto e parte em busca dessa papelada, que comprove que ele trabalhou. Mas ao fazer essa viagem de volta, irá também reviver um velho fantasma. Velho, pelo tempo. Porque mesmo com um rosto muito marcado, não dá para desviar o olhar de Yasmine (Isabelle Adjani).

O importante não é o destino, mas a jornada.

Assim, vamos nessa garupa da Mammuth, embalados ao som da deliciosa “Des Questions Me Reviennent”, de Gaëtan Roussel, nessa viagem com Serge. Onde há cenas surreais, de uma eu exclamar sorrindo: “Não estou acreditando no que estou vendo!” Essa cena é para um Top Ten… Só não posso falar qual para não tirar a surpresa. Direi apenas que é dele com um primo.

Em “Mamute” vemos um homem já não dando valor a si mesmo, achando meio perdido com aposentadoria, descobrir que se antes trabalhou como a formiga, que agora seria uma cigarra. Livre, também na essência! Eu gostei! De querer rever. Nota: 09.

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Mamute (Mammuth. 2010). França. Direção e Roteiro: Gustave de Kervern, Benoît Delépine. +Elenco. Gênero: Comédia, Drama.

Na Natureza Selvagem. Em busca da liberdade!

Por Reinaldo Matheus Glioche
O livro reportagem sobre a vida do jovem Christopher McCandless sempre fascinou Sean Penn que, finalmente, transformou o livro em filme. Na natureza selvagem (Into the Wild, EUA 2007) é um filme apaixonado. Comprometido com a idéia de jogar luz sobre a história do jovem que após se formar em uma prestigiada universidade abandona a civilização para uma viagem sem volta rumo ao Alasca, Penn evita o paternalismo tão caro a produções que se esmeram em fatos reais e recentes.

O diretor oxigena a jornada de Chris(Emile Hirsh) que se rebatizou com o libertário nome de Alexander Supertramp, com a bela música de Eddie Vedder. A trilha sonora realizada pelo líder do Pearl Jam é de uma suavidade e sensibilidade ímpares. É ela que conecta o expectador ao estado de espírito do protagonista. É sem dúvida alguma, um valioso uso da trilha sonora como elemento narrativo.

Penn também mostrou discernimento na escolha do elenco. Emile Hirsch apresenta uma performance devotada como o jovem inconformado que parte para a grande aventura de sua vida. Penn escala grandes atores para cruzar o caminho de Chris, mas o grande destaque recaí sobre Hal Harbrook. O veterano ator é o último personagem a se cruzar com Chris e é também o mais poderoso de todos. Harbrook vive um homem soterrado em sua dor. Que vê em Chris, por mais de uma razão, a força redentora dessa dor.

Na natureza selvagem não é um filme memorável. Talvez seu aspecto lúdico, sua introspecção, sua moral evasiva desviem qualquer avaliação de seu foco. Mas é justamente esse o filme imaginado por Penn. Um filme que não só falasse da busca pela liberdade, mas que a emulasse em cada fotograma. Do ponto de vista da realização, Na natureza selvagem é um triunfo. Enquanto experiência visual é riquíssimo. Sonoramente é estimulante, no entanto, é como  se o todo não fizesse jus as partes. Como diria um personagem: “O importante não é o destino, é a jornada”.

Capitão América: O Primeiro Vingador. 2011

Por Reinaldo Matheus Glioche, 02/08/2011.
Asas da liberdade!

Chris Evans estava receoso em assumir o posto de protagonista de “Capitão América: o primeiro vingador” (Captain America: the first avanger). Ele tinha medo de não estar à altura do desafio. Foi a partir de sua hesitação que Kevin Feige, o mega produtor da Marvel Studios, teve certeza que Evans era o Capitão América ideal. Não dá para dizer que Evans usou esse expediente da dúvida na sua composição de Steve Rogers, o franzino patriota que se vê como cobaia do exército americano para se tornar um supersoldado, mas é possível entender o raciocínio de Feige quando os créditos sobem. Evans facilita a identificação com Rogers em uma performance carismática, envolvente e rigorosa. Tanto antes de se tornar o Capitão América quanto depois.

E o filme se esmera em seu protagonista como que dependesse dele para alçar voo. Joe Johnston se recupera do tenebroso “O lobisomem” com essa aventura deliciosa em que o nazismo é pano de fundo para o surgimento do herói americano mais categórico em termos etimológicos.

Capitão América: o primeiro vingador”, diferentemente do que se poderia supor, não é mero link para o “Os vingadores”. É um filme sólido, com ótimos momentos e uma trama, embora simplista, bem delineada.

Não se avexa de satirizar a própria figura ao submeter o Capitão América ao jugo da propaganda pró-guerra. Uma bifurcação de uma ideia já incutida no primeiro “Homem de ferro”. É lógico que todo aquele componente patriota, que desagrada a tantos, está presente. Mas de maneira inteligente, a produção evita os exageros e ainda brinca com o fato em uma fala do Caveira vermelha (encarnado com prazer pelo australiano Hugo Weaving ): “A arrogância pode não ser exclusividade dos americanos, mas ninguém é melhor do que vocês nisso”.

Capitão América: o primeiro vingador” não deseja ser sério como X-men ou profundo como Batman, mas preenche uma lacuna nessa seara dos filmes de heróis: é o tipo de entretenimento para as famílias. Pode-se argumentar que esse não seria o público alvo, mas a Marvel com este filme vem flexibilizar essa noção de público alvo. Talvez por isso, Johnston, que foi assistente de Steven Spielberg em alguns filmes de Indiana Jones e começou de maneira promissora na direção com “Jumanji”, recupere a boa forma a frente de um filme formatado para levar a outro, mas com a incumbência de angariar mais fãs. Nessa conjunção de ambições, “O primeiro vingador” se mostra mais do que bem sucedido.

O elenco, afinadíssimo, contribui para o sucesso da fita. Tommy Lee Jones está impagável como o coronel cheio de frases de impacto que hesita em depositar a fé que Peggy Carter (Hayley Atwell) põe em Rogers. Toby Jones, Stanley Tucci e Dominic Cooper também fazem participações inspiradas.

No final das contas, a fita é essa produção incapaz de desagradar. Em tempos que até a Pixar deu marcha a ré com “Carros 2”, voltar ao passado com o Capitão América é um alento e tanto.

Professora Sem Classe. E a Bad Teacher descobre onde ela é Good!

Confesso que teria passado batido por esse filme. Até porque não sou muito fã da Cameron Diaz. Não sei se pelos biquinhos, ou mesmo o biotipo dela, mas ela parece carregar sempre uma mesma personagem. Mesmo quando atua bem num drama, como no “Uma Prova de Amor“, se para mim fica a ideia de que com uma outra atriz deixaria o personagem memorável, ela cai num lugar comum: o papel não era para ela. Acontece que eu vi um trailer do filme. Com o qual eu pensei: “Está aí um papel adequado para ela!” Então o negócio era esperar pelo filme e conferir. Conferido! E…

Tinha uma sogra no meio do caminho…

Professora Sem Classe” veio mesmo sob medida para Cameron Diaz. Ela é Elizabeth, uma Professora em busca de um marido rico. O que me fez pensar se ela seria uma quinta “Sex and The City“, mas sem classe. Uma bad girl. Estando feliz da vida, por estar noiva de um ricaço, se despede “com um sinal” ao o que seria o seu último ano lecionando. Mas a mãe do rapaz abre os olhos dele.

Noivado desfeito, de volta à Classe, ou a um novo marido rico

Sem outra opção, Elizabeth volta a lecionar. Ops! Volta a marcar presença em sala de aula. Até que, por conhecer marcas, descobre que o novo professor de matemática, Scoth (Justin Timberlake), é um rico herdeiro. Então começa a jogar seu charme, mas caindo na asneira de achar que Scoth gosta de mulheres peitudas. Na busca de grana para os peitos de silicones, seus meios usados deixam mais irritada uma outra professora também afim de Scoth. Ela é Amy (Lucy Punch), que jogará feio, também.

Enquanto Scoth está alheio a essa disputa entre Elizabeth e Amy, um outro professor também entra nesse jogo de sedução, mas de um jeito bem irreverente. Já que não tem dinheiro, nem é típico galã de filmes. Ele é Russel (Jason Segel), que mesmmo sem os tais predicativos, tenta chamar a atenção da Elizabeth.

Beleza! “Professora Sem Classe” não é uma Comédia Romântica!

Pois é! Apesar de todos os ingredientes para isso, o filme fica mesmo na Comédia. Onde o final eleva-o ao patamar de um bom sessão pipoca. Até por fazer a personagem feminina em questão fugir do esteriótipo tão comum como nos “Sex And The City” do mundo do cinema. Good!

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Professora Sem Classe (Bad Teacher. 2011). EUA. Direção: Jake Kasdan. +Elenco. Gênero: Comédia. Duração: 92 minutos.

Quebrando o Tabu. 2011

Antes de se posicionar contra ou favor da descriminalização do uso da maconha, ou mesmo de sua legalização, é preciso louvar um documentário que se propõe a debater a ética de uma guerra contra as drogas e avaliar, ainda que sob uma perspectiva bastante parcial, seus efeitos.

Quebrando o tabu representa um marco evolutivo na carreira do cineasta Fernando Grostein Andrade, que às vésperas de completar 30 anos, promove uma sacudida daquelas no gênero documentário no cinema nacional. Não que Quebrando o tabu e Coração vagabundo, filme de 2009 que acompanhava Caetano Veloso em turnê, sejam obras que rompam esteticamente com cânones do cinema ou que se insurjam contra paradigmas narrativos. Os filmes se encaixam dentro de um esquematismo didático disponível em qualquer manual de roteiro. Mas em compensação, transbordam coragem, poesia e propriedade.

Grostein inicia Quebrando o tabu apresentando seu principal personagem: Fernando Henrique Cardoso. O ex-presidente e sociólogo colaborou com Grostein na confecção do argumento do longa. FHC surge como um questionador que já tem uma certeza. A guerra contra as drogas faliu. É preciso, segundo suas ilações, rever medidas e posturas. O filme acompanha a jornada de FHC em busca de embasamento para uma tese que o filme já defende de pronto – e a bem sacada animação que dá início à fita não faz questão de esconder esse fato. Essa aparente arrogância (os macacos bêbados ao som da potente trilha sonora de 2001: uma odisséia no espaço dão vez ao letreiro do filme) cede espaço a uma construção ideológica bem arquitetada por meio de depoimentos precisos de valiosos cabos eleitorais como os ex-presidentes americanos Bill Clinton e Jimmy Carter, o médico Drauzio Varela e autoridades sanitárias e políticas da Suíça e Holanda.

Quebrando o tabu, no entanto, não se desvia de argumentos antigos dos defensores da legalização da maconha. Contudo, ao sublinhar a hipocrisia e leniência dos governos em relação ao álcool e ao tabaco, o filme atinge seu melhor momento. A ideia de mudar a política de combate às drogas é pontual e itinerante. Mas cercá-la de demandas pouco substanciais – como dar voz a usuários que admitem preferir se arriscar no trato com o traficante do que respeitar a lei – enfraquecem a discussão em seu traçado mais humanitário, reforçando seu viés ideológico.

Quebrando o tabu arranha questões interessantes. Ao abordar as bem sucedidas intervenções dos governos de Portugal, Suíça e Holanda na questão das drogas, o filme dá um passo à frente a seus opositores. Sugere que a famigerada guerra contra as drogas perde de vista a questão da saúde pública e o impacto positivo passível de efeito mediante uma mudança de abordagem. Mas o filme ignora que a simples legalização da maconha não representa o fim do tráfico de drogas como conceito. Não só pelo fato de que outras drogas proibidas continuarão em oferta (e muito provavelmente mais ampla e barata), como que outras vias de acesso à maconha se viabilizarão.

Os prós e os contras não tiram o mérito de Quebrando o tabu; pelo contrário, os reafirma. Incidir sobre uma questão tão polêmica e revestida de ideologias tão proativas é um serviço à sociedade. Em um mundo em que Michael Moore subverte verdades a seus caprichos, não dá para dizer que Grostein erra ao defender tão veementemente a legalização da maconha. É uma postura corajosa que precisa ser respeitada e discutida dentro do jogo democrático que o cinema conclama. Quebrando o tabu pode até soar ingênuo de enxergar um país melhor do que o Brasil demonstra ter vocação. Os exemplos buscados na Europa não convenceram um importante interlocutor do filme; um coordenador de um programa social desenvolvido pelo AfroReggae disse em determinado momento à FHC que não vê o país suficientemente maduro para legalizar a maconha. Quebrando o tabu faz parte desse processo de amadurecimento. Justamente por isso, com seus erros e seus acertos, além de bem vindo, é muito importante.

Por Reinaldo Matheus Glioche.

Quebrando o Tabu. 2011. Brasil. Diretor: Fernando Grostein Andrade (Coração Vagabundo). Elenco/depoimentos: Fernando Henrique Cardoso, Bill Clinton, Jimmy Carter, Anthony Papa, Ruth Dreifuss, Paulo Coelho, Drauzio Varela, Ethan Nadelmann. Roteiro: Fernando Grostein Andrade, Ilona Szabó, Ricardo Setti, Thomaz Souto Correa, Bruno Módolo, Rodrigo Oliveira, Carolina Kotscho. Gênero: Documentário. Duração: 80 minutos. Classificação: 18 anos.

Melancolia (Melancholia/Lars Von Trier/2011)

Por: Celo Silva.

Um lançamento do diretor e autor Lars Von Trier é um excelente motivo para uma ida ao cinema, mexe com os cinéfilos e as realizações do diretor sempre são obras para serem sentidas, que valem muito o clima da sala escura, que de maneira notada influi para uma melhor apreciação de Melancolia, longa imbuído de polêmica mesmo antes de seu lançamento, por conta de declarações infelizes de seu criador, mesmo que não necessariamente sobre a obra.

Logo após o epílogo apoteótico ao som de uma bela e condolente canção instrumental, o áudio é cortado bruscamente, os créditos sobem em silêncio total e o mais impressionante que a sala relativamente cheia, todas as pessoas saíram taciturnas, como em respeito a obra que tinham presenciado. Confesso que sai um tanto angustiado, não com a possibilidade do fim do mundo, mas com o sofrimento que o ser humano é passível de sentir, sofrimento que pode virar tristeza e consequentemente depressão, às vezes nos transformando de maneira aterradora, como acontece com a noiva Justine (Kirsten Dunst, em excelente atuação) no dia de seu casamento, abatimento e desordem atingem a moça de uma maneira brutal, levando a atos extremos, como se premeditasse o que viria a acontecer.

O próprio cineasta citou em certa entrevista, que Melancolia é um belo filme sobre o fim do mundo, a expressão é mais do que correta, até porque com tantas cenas dolorosas, Lars Von Trier consegue dar ao filme sempre um olhar terno, seja com a irmã de Justine, Claire (a talentosa Charlotte Gainsbourg) que cuida da irmã nos momentos de depressão e guarda um medo cruciante de que o planeta Melancholia, em rota de colisão com a Terra, acabe com suas vidas e principalmente a de seu pequeno filho ou com as pequenas, importantes e marcantes participações de John Hurt e Charlotte Rampling, cada um a seu jeito transmitem sentimentos conflitantes e protagonizam situações constrangedoras que influenciam o esmorecimento de Justine.

Melancolia também pode ser visto como uma opera trágica, ate pela pulsante trilha sonora instrumental, com belas seqüências que remetem a pinturas, como uma em que Kirsten Dunst aparece nua em pelo, deitada na beira de um rio, com a lua refletindo seu belo corpo, como se redimindo, aproveitasse seus últimos momentos de existência. O fio condutor da parte mais cientifica da historia vem de Kiefer Sutherland, que defende o marido de Claire, estudioso, um homem centrado e preocupado com a família, mas que em certo momento também perde seu equilíbrio. Outro fato interessante é ver Lars Von Trier usando de efeitos visuais para conceber seus belos e tocantes momentos, como quando o planeta Melancholia se aproxima do nosso. Com certeza, Melancolia é o filme mais poético desse controvertido, habilidoso e inventivo cineasta, mesmo que para isso ele nos leve a uma jornada de sofrimento e tristeza.

Tudo Ficará Bem (Alting bliver godt igen. 2010)

Estória demais, em roteiro de menos?

Fiquei meio sobre impacto ao término do filme. Com uma sensação de ter “cochilado” durante a projeção. Mas aconteceu justamente o contrário. O thriller prende a atenção o tempo todo. Então me veio a pergunta acima. Estória tinha sim, bastante. Mas faltou tudo ficar amarradinho.

Se não, vejamos! O cara é um viajandão! Claro que para quem escreve, dar asas a imaginação é mais do que produtivo. Acontece que esse do filme, Jacob Falk (Jens Albinus), se encontra em meio a um bloqueio criativo. De não conseguir colocar em texto, toda a sua estória. Mais! O Produtor está no seu pé. Seu prazo limite está se esgotando. Ele tem até uma maquete do cenário. Tem os atores. Tem já toda a equipe de iluminação… Todos, tudo esperando pelas Falas, pelo Roteiro. Meio que “8 1/2″, de Fellini. Então Jacob ao se deparar com umas fotos, coloca toda as suas energias nelas.

Pediram a ele que fizesse um filme de guerra que pesasse na alma. O que me fez lembrar de “Gallipoli“. Mas quando o filme traz esse assunto, levanta alguns pontos. Um deles, seria em mostrar que mesmo num país “nórdico” há uma de torturar com crueldade física seus presos, e pelos militares. O que me fez lembrar de “A Vida Secreta das Palavras“, onde um tipo de tortura e por quem fez, além de ter tudo a ver com o contexto do filme, quando ele vem à tona, fica sim a ideia de que nos machucam saber desse lado negro da História da Humanidade.

Mas nesse, “Tudo Ficará Bem“, quem é o portador de tais fotos é alguém de origem muçulmana, que foi recrutado por falar árabe, e a tortura é feita por soldados dinamarqueses. O que levanta a dúvida de que esses soldados também entraram nas guerras no Oriente Médio. Ou em que parte eles de fato participaram.

Outra coisa que intriga é que: até onde isso é um fato no filme. Se não se passa de viagem do Jacob. Como se não bastasse essa estória em paralelo, há a da vida particular dele, que também parece ter algo fictício: já que não há uma ligação entre a esposa e a irmã de Jacob. Como se uma não existisse, ou ambas não existissem. Agora, a cena onde ele mais parece ser um viajandão, é a dele comendo uvas.

A tal maquete com as cenas do filme da estória, não é apenas uma ilustração do início do filme real. Ela é real no filme: Jacob a manipula. Nela, há um corpo estendido no asfalto. Na realidade do filme, serão dois, cada um num contexto. Sendo que um, a cena em si ficaria como: a vida imitando a arte? Porque não dá para aceitar como: um dos seus problemas, acabou!

E onde entraria o significado do título original – Tudo se torna bom de novo (Alting bliver godt igen)? O título dado aqui no Brasil – “Tudo Ficará Bem” -, denota que: haja o que houver, tudo entrará no eixo. Mas pelo título original, há o significado de finitude de algo para algo florescer. Mas pelo final, causa espanto esse desprendimento tão cedo. Se essa parte foi de fato real na vida de Jacob, ele é bem viajandão. Se foi ficção, também.

Parece confuso, e é! “Tudo Ficará Bem” é daqueles filmes onde se deve prestar atenção ainda nos créditos iniciais. Como ir juntando as peças de um quebra-cabeça onde não se conhece o resultado final. Como Thriller, é 10! Como Drama, é loucura demais, dai também é 10! Pela atuação de Jens Albinus, também é 10! E até pelo final que foge do padrão comum. É um filme de querer rever! Parabéns para o Diretor, que também roteirizou, Christoffer Boe. Uma longa vida cinematográfica para ele!

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Tudo Ficará Bem (Alting bliver godt igen). 2010. Dinamarca. Direção e Roteiro: Christoffer Boe. +Elenco. Gênero: Drama, Suspense. Duração: 90 minutos.

O Sequestro de um Herói (The Rapt / Lucas Belvaux / 2009)

Por Celo Silva.

O sugestivo titulo nacional O Seqüestro de um Herói, com certeza, faz alusão a determinado momento da trajetória de Stanilas Graff (Yvan Attal), presidente de uma influente indústria francesa, que almoça com o presidente da nação, negocia com lideres mundiais, joga pôquer com artistas famosos, é casado e tem duas filhas, mas antes de ir para casa sempre visita a amante. Um dia, antes de ir para o trabalho, Stanilas é seqüestrado por uma quadrilha que exige que seja pago 50 milhões de Euros de resgate. O seqüestro desencadeia uma investigação jornalística que joga todo o mau comportamento de Stanilas no ventilador, desde incontáveis dividas no jogo, até as inúmeras amantes que o empresário possui. Aparentemente falido, Stanilas se vê na mão dos impiedosos e profissionais seqüestradores, que não acreditam que ele não detenha a quantia e estão dispostos a tudo para receber o pagamento, até mesmo cortar partes do corpo do industrial. Enquanto isso, André Peyrac (André Marcon), líder do conselho fiscal, parece manipular a família e o conselho para que Stanilas seja destituído do poder.

Inegavelmente, O Seqüestro de um Herói, dirigido e roteirizado pelo também ator Lucas Belvaux, tem toda pinta de trilher no seu prólogo, até pela enervante seqüência em que os seqüestradores cortam um dos dedos de Stanilas, mas o filme vai perdendo o seu ritmo de suspense durante a exibição, tornando – se um drama que trata do impacto que o seqüestro tem na vida do industrial e dos que o rodeiam. Na verdade, a obra de Belvaux se divide em dois atos, o primeiro bem suspense, marcado por uma excelente trilha sonora, com cenas escuras e de tom violento; no segundo ato, a trama trata mais do desenrolar dos fatos relativos ao seqüestro, em um bem desenvolvido drama familiar, com certas nuances politicas que não vou citar para não estragar o prazer de quem se predispor a assistir. O ator Yvan Attalentrega uma boa atuação, marcada pelo sofrimento que seu personagem sofre no cárcere.

O Seqüestro de um Herói está mais para cinema comercial do que para cinema artístico, que tanto caracterizou as produções francesas; não que seja ruim, até porque o filme apresenta com certa qualidade ao que se propõe e tem um epílogo bem interessante. O estranho foi essa produção de 2009 pintar em uma sessão cult no Cinemark, e o mais estranho ainda, a sessão estar relativamente cheia e com vários adolescentes perturbando a paz. Prova de que ingressos mais baratos, como os que são utilizados nessa “sessão cult”, podem ser catalisadores de publico para obras menos prestigiadas.

Postado por Celo Silva, do Blog: Um Ano em 365 Filmes.