Quebrando Todas as Regras (Global Heresy. 2002)

A chamada do filme dava total destaque a uma dupla inusitada, não apenas pela já caracterização dos personagens, mas também pela longa distância – idade e carreira – entre os dois atores. Um deles já carimbava meu passaporte para assistir: o genial Peter O’Toole. Antes de citar o nome da jovem, cito de uma outra atriz que também me motivou a assistir esse filme: o de Joan Plowright, a nossa inesquecível Sra. Wilson vizinha do Pimentinha. Nesse aqui ela também vive a esposa de um cara nada sociável. Vê-la atuando é sempre um presente; e eu aplauso com entusiasmo a quem dá espaço para os atores de mais idade. Numa atualidade onde se dá destaque aos bem mais jovens, “Quebrando Todas as Regras” mostra que há lugar para todos coabitarem com harmonia. Agora sim o outro nome da tal dupla: Alicia Silverstone. A eterna Patricinha de Beverly Hills.

Já no início, o filme me conquistou, e fui assim até o final. A estória coloca o casal Foxley (Peter O’Toole e Joan Plowright) tendo que conviver por um mês com uma banda de rock em seu castelo, e se passando por empregados. Por estarem à beira da ruína, o casal da folga aos empregados por não querer que ninguém saiba da real situação financeira em que se encontram. Numa de precisarem com urgência de uma grande soma em dinheiro, decidem alugar o castelo. Marinheiros de primeira viagem nessa empreitada, ao contratarem um mordomo e uma cozinheira, acabam caindo numa firma de picaretas; ficando sem os serviçais e sem a grana. Assim, sem tempo, como também sem o dinheiro da multa que pagariam caso cancelasse o aluguel do castelo, eles se vêem obrigados a se passarem por um casal de empregados, e em sua própria casa.

Mas as agruras vão além. Lord Foxley achava que tinha alugado para um grupo de executivos de uma multinacional. Dai pensa em desistir ao ver que seria um grupo de jovens, e integrantes de uma banda, que se hospedariam ali. E para desespero maior, eles vieram para ensaiarem para uma nova turnê. Mas Lady Foxley lembra da multa e diz que era hora de engolir o orgulho: cozinhando, limpando, arrumando, servindo…

E entre som alto, e o menor jeito com os afazeres domésticos, o casal e a turma jovem também tentam se afinarem. Nessa longa jornada também haverá uma misteriosa convidada aumentando o desconforto do Lord Foxley. Como também um espião a serviço da Gravadora. Ainda colocando um tempero a mais, Nat (Alicia Silverstone) que fora contratada como substituto do baixista que desaparecera, terá que provar que pode ficar em definitivo na banda Global Heresy.

Com uma trilha sonora bem legal, confusões, e onde alguns dos personagens reavaliam os próprios pensamentos, somos brindados com um bom filme. Eu me surpreendi. Assisti pela tv, numa de procurar algo para passar o tempo. E até voltaria a rever, se reprisarem.

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Quebrando Todas as Regras (Global Heresy. 2002). Reino Unido, Canadá. Direção: Sidney J Furie.  +Elenco. Gênero: Comédia, Drama. Duração: 106 minutos.

Gigantes de Aço (Real Steel. 2011). Os Vídeos Games tornando-se vida real…

Quando eu vi um teaser desse filme, me deixou no mínimo curiosa. Já que parecia ser, ou ter, uma mistura de “O Campeão”, de Franco Zeffirelli, com “Karatê Kid – A Hora da Verdade”, com Pat Morita, sendo que nesse caso seria o jovem a doutrinar o mais velho. Eu não curto lutas seja de qual categoria for – livre, boxe, ninja… -, mas tendo um personagem em fase de entrar na adolescência num tema como esse é um outro fator que me levar a querer ver o filme. Como se não bastasse, teria Hugh Jackman e a Kate de Lost, a atriz Evangeline Lilly, no elenco. Então, com o passaporte carimbado, era esperar “Gigantes de Aço” aportar em solo brasileiro. Assisti e…

Porque de não gostando de esportes violentos, ter gostado desse filme que traz lutas:

Gigantes de Aço” traz uma certa evolução em lutas: de galos de brigas para robôs. Num tempo onde a luta entre humanos fora proibida, surgiram os robôs criados para esse fim. Verdadeiras máquinas programadas para matar. Fiquei pensando se a tal proibição viera como consequência da onda do politicamente correto. Não que isso faça parte da trama, seria mais para tentar definir o perfil do personagem de Hugh Jackman, o Charlie, como os dos demais que escolhem esse tipo de esporte.

Há bem pouco tempo que eu vi com outros olhos aqueles que escolhem lutar boxe, por exemplo. Sem o menor eufemismo: seriam pessoas que gostam de bater com muita violência, e que não se importam de sofrerem a mesma agressão. O meu preconceito quanto a isso mudou com um programa de tv. Numa região conturbada, carente até de recursos sociais, com o tráfico de drogas agenciando cada vez mais os menores, um morador mantinha com parcos recursos um pequeno Ginásio. Disse ele que cada jovem que ali ia lutar boxe, era um a menos a ser tornar um criminoso. Disse mais, que ele também fora um deles. A chance que ele teve, e o que o fez mudar de vida, decidiu dar aos jovens de agora. Era o que ele sabia fazer de melhor. Enquanto eles queimavam toda a adrenalina naquele ringue, estariam a salvos.

É de fato algo salutar da pessoa que tem em si um lado violento se conseguir canalizá-lo em algum esporte onde poderá descarregar toda a sua adrenalina. Ainda dentro de uma personalidade sem uma sociopatia, porque para essas outras caberia uma pescrição médica. Mas mesmo que seja algo cultural, nem todos possuem esse instinto violento. Um instinto de sobrevivência sim, atinge uma parcela bem maior, e por ele pode-se por em uso um revide violento. Agora tudo isso transparece o não uso do lado racional; ou que ele é quase inexistente. Mas enfim, se é nato ou não, se é por sair-se melhor em algo físico ou não… eu ainda não curto a violência.

Charlie foi uma cria de um ringue. Tivera como mestre o pai de Bailey (Evangeline Lilly). O Boxe era o seu único talento. Com a proibição de lutas homem-a-homem ele passou a comandar robôs quase sucatas. Mas sem muito discernimento, apostava mais do que poderia ganhar. Com isso, sua dívida aumentava e para uma turma que não deixava barato. O que prejudicava Bailey. Ela herdara o antigo Ginásio de Boxe do pai. Embora tenha se aperfeiçoado em comando e mecânica de robôs, com a sequência de derrotas dos seus robôs estava perto de perder o prédio. E meio que ficou esperando por um milagre cair do céu.

A sorte um dia pode mudar, mas o talento fica!

E o tal milagre veio com os dois outros personagens. Primeiro, com Max (Dakota Goyo). Que com a morte da mãe, a justiça procura pelo pai, no caso, Charlie. Obrigados a conviverem por um período, a princípio, os dois se estranham. Depois, como Max é um aficcionado por video-games e dessas lutas entre robôs, a relação entre os dois passa por um período de tolerância. Max após passar por um grande abalo emocional, conhece e se liga a uma sucata de um robô. Ele é Atom. Que com a evolução dos robôs, fora descartado. Max pede ajuda a Baley para colocá-lo operante e então levar o pai a acreditar que Atom poderá voltar a lutar novamente.

Um único ponto negativo, mas que não tirou o brilho do filme, fora com uma personagem feminina.

O da atriz Evangeline Lilly. Ela não fez feio, mas com o seu personagem não tinha como despontar. Já que o filme focou mesmo três personagens masculinos.

Enfim, a trama é previsível, mas ao mesmo tempo prende atenção, a ponto de quase no final ficar uma vontade de que demore mais. O que me fez pensar que se vier uma continuação, eu irei ver. Uma deixa para uma continuação aparece ainda no meio do filme numa cena com Max e Atom. Então, é mais que um pipoca, “Gigantes de Aço” é muito bom! De querer rever!

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Gigantes de Aço (Real Steel. 2011). EUA. Diretor: Shawn Levy. +Elenco. Gênero: Ação, Esporte, Drama, Sci-Fi. Duração: 127 minutos.

Winter, O Golfinho (Dolphin Tale, 2011)

Quando pensamos que estamos perdidos no deserto de uma vida crucial, encontramos no caminho uma flor chamada ESPERANÇA.

O filme Winter, o Golfinho é uma narrativa apresentada por Charles Martin Smith, que conta a história de superação baseada em fatos reais de um golfinho fêmea, que teve sua cauda danificada de modo irreversível.

Como um animal desses não sobrevive sem a cauda, todos perdem as esperanças de salvá-lo no Hospital Marinho de Clearwater, na Flórida, para onde o mesmo foi levado. Todos, menos Sawyer (Nathan Gamble), um garoto disposto a tudo para salvar seu mais novo amigo.

O menino conta com o apoio de um biólogo marinho e com o talento de um brilhante médico de próteses, interpretado por Morgan Freeman, na tentativa de criar uma prótese que ajude o golfinho a voltar a nadar.

Iniciando uma história de amor entre um animal e um garoto. O filme em seu contexto pode ser considerado um poema que invade a alma humana; além de apresentar na sua essência aquilo que nos mantém vivos, a esperança e a fé em dias melhores.

Honestamente a produção cinematográfica trabalha está verdade em seus personagens, descrevendo com propriedade a arte de amar o próximo, algo que deveria ser um dom que habitasse o coração de toda, uma essência puramente humano.

O autor da trama trabalha com propriedade a junção entre poesia, códigos racionais e vida cotidiana dos seres humanos. O filme é uma lição complexa que pode ser visto de diferentes ângulos, mas a sua conclusão nos leva a seguinte afirmação: os sonhos impossíveis podem se tornar realidades quando acreditam na realização dos mesmos.

Simplesmente estou fascinado com a belíssima história de Winter, é impossível ver o filme sem chorar ou sentir vontade de chorar. Como telespectador me sentir dentro da trama, dando força positiva para Winter e Sawyer os protagonista de um poema concretamente belo e real.

Afinal, de forma expressiva o filme promove a revolução dos humildes, nos passando uma mensagem profunda: “se cada um fizesse sua parte, o mundo seria melhor”; uma simples afirmação, em prática mudaria o mundo.

Não poderia fecha está análise sem dizer muito obrigado Sawyer, por semear de forma expressiva a esperança no amanhã e a arte de amar o outro como ele é, sem julgar, o aceitando, o amando e acreditando no ser amor. Winter, O Golfinho é sem dúvida um instrumento do universo que objetivava buscar a essência humana que vem durante anos se perdendo. Charles Smith é o senhor que deu vida a esta belíssima história diante dos olhos de milhões de telespectadores. (Obrigado!)

Winter, O Golfinho (Dolphin Tale, 2011). Diretor: Charles Martin Smith. Elenco: Morgan Freeman, Ashley Judd, Kris Kristofferson, Harry Connick Jr., Nathan Gamble. Gênero: Drama, Família. Duração: 113 minutos. Baseado numa estória real.

O Sétimo Selo (Det sjunde inseglet. 1957)

O filme O Sétimo Selo é uma produção cinematográfica ambientada em um dos mais obscuros e apocalípticos períodos da história, assim é classificado a Idade Média (Período das Trevas, Apocalipse e Revelador), nos anos 1000 onde a expressão, de uma solidariedade ativa, firme, enfrentando tanto a miséria quanto a conseqüência das calamidades; solidariedade que não se restringia aos vivos e sim aos defuntos; na forma de oração, confissão penitência, pois as boas obras permitiam atenuar o temor ao inferno e prestar auxilio as almas do outro mundo. A matança de bruxas e judeus, a guerra dos cem anos e a peste negra afirma a idéia, pois o continente foi quase despovoado e tudo isto semeava a insegurança da sociedade que gemia e lamentava aperca de mais um “homem medroso”.

No século XIV, acumulavam grandes catástrofes, iniciando uma gigante e dramática caça as bruxas, não tardando a guerra dos cem anos, que fez afluir perseguições nas cidades; e em outros lugares a peste negra abateu “um terço do mundo”. As desgraças se multiplicavam e à peste desencadeando na Europa uma enorme angústia.

Segunda a escrita sagrada o “sete selo” implica num malefício sobre a humanidade, a sua abertura leva efetivamente ao fim dos tempos.

O filme pauta constantemente o medo da morte, um imaginário em volta da morte, até nas pinturas, um grande Lúcifer era representado como o grande causador dos problemas, pois ele provocava a fome, a doença, o medo e a morte dos indivíduos. O medo da morte é algo obcecador, e o homem com a sua convivência, passam a cultuar, promovendo ensaios rompendo com o “silêncio do medo”, uma relação direta da morte com grandes temores que ameaçavam o desaparecimento da raça humana.

No filme, todos os aspectos da religiosidade são questionados, porém nunca é dada nenhuma resposta sobre sua veracidade. Nem Deus nem o Diabo se manifestam para o cavaleiro (o personagem central do filme) durante todo o filme, no entanto aparecem falsos profetas que utilizam o dom da palavra para pregar, protagonizando um verdadeiro teatro, onde se puni em nome do sagrado.

Historicamente é visível que o satanás e os demônios eram assustador no imaginário medieval, mas também ridículos e engraçados; baseado na afirmação que “ainda não havia chegado à hora do grande pavor satânico…” (Jean Delumeau, 1923, p. 207); além disso, o poder da Igreja restringia a violência, sacralizando à função militar, preservando em cada homem a garantia da paz divina, alimentando o medo do outro, do normando, do judeu, do sarraceno em esporádica superação.

No entanto na trama tanto Deus como o Diabo apenas existem na voz dos charlatães, em nome de uma igreja decadente e profundamente caída. Dessa forma, vemos como clareza que o “sagrado” permanece mudo no desenrolar da produção cinematográfica.

Todavia, o único personagem que sempre aparece para falar em nome de Deus é o homem que roubava jóias dos mortos e que encabeça a procissão de flagelados, também foi aquele que convenceu o cavaleiro a partir para a cruzada, dez anos antes.

Gostei muito filme e como historiador afirmo que o mesmo deve ser considerado uma obra historiográfica que trabalha os fatos históricos de forma coerente e esclarecedor.

O filme retratar o tempo inteiro uma humanidade desesperada e medrosa, que vive a espreita implacável da morte, algo coletivo e universal, pois na Idade Média todos os seres humanos, independentes da idade, sexo, nível socioeconômico e religioso a temia.

A morte era algo que os espreitavam, os obrigando a usar mecanismos de defesa, os quais se expressam através de fantasias inconscientes sobre a morte. Tornando possível a abordagem com relação o homem e a morte em vários aspectos: o biológico, o jurídico, o econômico, o social e artístico.

Assim, podemos perceber que o homem viva constantemente cercado pelo medo, que vai além da vida, ou seja, o pós-morte é a principal preocupação dos indivíduos. A sua mentalidade foi construída e cerceada pela igreja que dogmatizou comportamentos sexuais e cotidianos.

Nesta jornada o homem, parte em busca de explicações, sendo conduzido pelo medo e consequentemente a sua mentalidade o atrai para o pior inimigo, a morte. Em suma, notaremos que o homem pode conseguir refrear todos os sentidos e paixões do mundo material, no entanto não poderá fugir da experiência de morrer seja ele um homem religioso ou pagão.

No desenvolver do filme podemos chegar à conclusão que a morte é uma certeza irrefutável, uma verdade universal, comum a toda a humanidade. O ciclo da existência acaba por igualar todos na morte, seja qual for o sexo, a condição social, o tempo histórico. O finito é irremediável para todos, como foi indispensável o próprio nascimento.

Afinal, em meio a tantos conflitos o diretor Ingmar Bergman apresenta-nos um final onde é possível ter esperanças mesmo quanto tudo parece mórbido; pois no final de uma tormentosa tempestade, onde as forças sombrias devoram a vida, o sol surge brilhante, abrindo um caminho de esperança no horizonte para os sobreviventes.

O Sétimo Selo. (Det sjunde inseglet. 1957). Suécia. Direção e Roteiro: Ingmar Bergman. Elenco: Max Von Sydow  (Antonius Block),  Gunnar Björnstrand (Jöns), Bengt Ekerot (Morte), Nils Poppe (Jof), Bibi Andersson (Mia), Inga Gill (Lisa), Maud Hansson (Bruxa), Inga Landgré (Esposa de Antonius Block), Gunnel Lindblom (Garota), Bertil Anderberg (Raval), Anders Ek (Monge), Gunnar Olsson (Pintor da igreja), Erik Strandmark (Jonas Skat). Gênero: Drama, Fantasia. Duração: 96 minutos. P&B.

O Conde de Monte Cristo (The Count of Monte Cristo. 2002)

O Conde de Monte Cristo é uma produção cinematográfica que nos leva a um caminho de aventuras e vingança.

Na trama Edmond Dantes (Jim Caviezel) ao tentar comunicar com a cidade proibida, entra em contato com Napoleão Bonaparte que lhe pede um favor. Este favor coloca em risco a sua liberdade. Por inveja o seu melhor amigo, Fernand Mondego (Guy Pearce), o entrega para as forças secretas do governo, sendo levado preso; dentro da prisão Edmond se deixará consumir pelo desejo de saborear a vingança.

Ao longo do tempo Edmond foi espancado e torturado; até que conheceu dentro da prisão um padre, Abbé (Richard Harris), um amigo que o ensinaria tudo, além de entregar em suas mãos o passaporte para a liberdade. Após uma fuga planejada e milagrosa, Edmond se transforma no misterioso Conde de Monte Cristo. Edmond “morre” na prisão e nasce Conde de Monte Cristo um homem astucioso, justo e vingativo.

O diretor, também da trama Robin Hood (1991), promove de forma precisa um enredo alimentado por vingança e sede de sangue. Como historiador, gostei da forma como o diretor conduziu a trama no contexto que envolve a Era Napoleônica.

O filme apresenta uma mensagem profunda e clara, afirmando que a inveja destrói uma amizade, uma história e a união entre seres. Afinal, a produção cinematográfica nos mostra que a injustiça pode eliminar o equilíbrio do homem, levando a morte do ser divino que existe em cada um de nós.

O Conde de Monte Cristo (The Count of Monte Cristo. 2002). Reino Unido, EUA. Direção: Kevin Reynolds. Roteiro: Jay Wolpert. +Elenco. Gênero: Aventura, Drama, Romance. Duração: 131 minutos. Baseado no livro homônimo de Alexandre Dumas.

O Guarda (The Guard. 2011)

Além de gostar muito de Comédias, o título desse me fez ficar com saudades de uma série de filmes onde o ator Louis de Funès interpretava um gendarme. É no mínimo curioso em ver os holofotes focando um cara da lei. Mas também tem Don Cheadle no elenco. Um ator que arrasa em Drama. Dai, quis vê-lo num papel cômico. E por último, o país de origem desse filme: Irlanda.

Começo então pelo Cinema desse povo insular europeu, que possuem um tipo de humor admirável. Se o tema é contravenção acobertada até pela sociedade local, eu lembro de “O Barato de Grace“. Eu não sei se o Diretor, que também assina o Roteiro, John Michael McDonagh, foi, ou é um também fã dos Monty Python. É que há um quê deles aqui. Até em mostrar personagens cultos, mesmo escrachando o modus operandi deles próprios. “O Guarda” transita entre a paródia e uma homenagem a filmes de mocinho versus bandido. Se posicionando contra o FBI, para logo em seguida mostrarem-se fãs da série CSI. Hilário essas cenas.

Embora os caras-da-lei também ajam como foras-da-lei, há um trio de bandidos bem inusitados. Na realidade eram quatro, um deles aparece morto logo no início do filme. Quanto ao trio, temos: o que se acha o poderoso chefão, o Francis (Liam Cunningham); o insatisfeito com a passividade da polícia local dando a eles plena liberdade de agirem, o Clive (Mark Strong); e o que faz questão de dizer que não é um psicopata, mas sim um sociopata, o Liam (David Wilmot). Esses trio, enquanto aguardam um grande carregamento de drogas, que chegará pelo mar, entre matar e corromper tiras, discutem Filosofia e Literatura. Ou melhor, que filólogo ou escritor cada um prefere. Se Schopenhauer, Nietzsche, Bertrand Russell… Ah! O Liam também é fã trompetista Chet Baker.

O personagem principal é o policial nada ortodoxo Sargento Gerry Boyle (Brendan Gleeson). Com ele também teremos o aprofundamento em como chegaram a essa cumplicidade quase explícita com um sistema já tão corrompido. Pode não ser a causa, mas pelo menos explica o fato. Gerry tenta lidar bem com o fato da mãe estar com pouco tempo de vida. Pois não entende como, se ela ainda se mostra cheia de vida. A atriz Fionnula Flanagan é quem faz a mãe de Gerry. Ao visitá-la, entre outros assuntos, gostam de conversar sobre escritores russos.

Em se tratando da Irlanda, não haveria de faltar o IRA. Ou, de quem facilita a chegada de armas até eles. Mas esse não é o motivo que levará um agente do FBI até lá, mas sim o tal carregamento de drogas. Wendell Everett (Don Cheadle) ficará que nem cego em tiroteio para conseguir o seu intento. Além de não perceber o quanto de liberdade tem os bandidos por ali, se sentirá perdido porque os habitantes não falam inglês. Numa de: ‘Se você quer ouvir alguém falar inglês, vá para Londres‘. É um escracho total com o FBI.

Gerry e Everett serão uma dupla para lá de dinâmica. E nesse ponto, é melhor deixar o modo politicamente correto desligado para se divertir com com o que Gerry diz, e a cara de Everett ao ouvir. Gerry não tem papas na língua. A grande questão é que certas falas podem sim magoar as pessoas, por conta do racismo. Mas o exagero aqui fica por conta dos esteriótipos até enfatizados pelo Cinema. Como também pelo filme debochar de muito mais coisas.

Assim, com um Roteiro enxuto e afiado, uma Direção que mostrou que veio pegar o seu lugar ao sol, com ótimas atuações, uma Trilha Sonora também perfeita, temos em “O Guarda” um ótimo filme. De querer rever. Nota 9,0.

Por: Valéria Miguez (LELLA).

O Guarda (The Guard. 2011). Irlanda. Direção e Roteiro: John Michael McDonagh. Gênero: Comédia, Crime, Policial, Thriller. Duração: 96 minutos.