Cavalo de Guerra (War Horse, 2011)

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Vi a aclamada peça de Nick Stafford, e amei!. Li o roteiro de Richard Curtis e Lee Hall antes de ir ao cinema. E, embora nunca tenha lido o livro de Michael Morpurgo que deu origem tanto a peça quanto ao filme, sei que “War Horse” é uma obra da literatura infantil.

Honestamente, fiquei surpreso quanto li algumas criticas negativas sobre o filme de Spielberg. Achei de puro mau gosto que alguns criticos tenham comparado esse filme com o resta da obra do cinesta. Bem, o sentimentalismo tem sempre sido marca nos filmes do diretor de “E.T.” E, em “War Horse”, me senti conquistado pela emoção. Melhor dizer que me rendi a essa emoção em vez de tentar questionar as minhas próprias reações emocionais.

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O filme começa no seio de uma família de agricultores. O pai (Peter Mullan) é um falido veterano de guerra, tentando ter sucesso como agricultor. Enquanto isso, seu filho Albert (Jeremy Irvine) rapidamente cria um vínculo com um cavalo chamado Joey, que foi comprado para ajudar a familia na agricultura. Com o advento da guerra, o pai, desesperado por dinheiro vende Joey para o exército britânico. Albert, que é muito jovem para se alistar, sofre com a idea de perder Joey, mas o capitão Nicholls  (Tom Hiddleston) – que muito faz lembrar do capitão Ashley Wilkes, de Leslie Haward, de “ E o Vento Levou”-,  assegura ao garoto que ele vai tomar conta do cavalo e trazê-lo de volta no final da guerra. Esta é apenas a primeira de várias vezes que Joey vai mudar de proprietários no decorrer no narração.

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O retrato de devastação da Primeira Guerra Mundial é vista através dos olhos Joey.  Com uma encarnação mítica, quase sobrenatural, o cavalo tem grandes qualidades: leal, nobre, determinado e forte. No entanto, Joey não é apenas esse vaso simplista de valores universais, ele é também, às vezes teimoso, e obstinado. Tem seus momentos de grandeza, mas também seus momentos de fraqueza e medo da perda. Por exemplo a sequência mais comovente do filme é justamente uma que ilustra Joey correndo bravamente e assustado, em meio aos campos de batalha, no norte da França.  Ah, as cenas de batalha são lindamente bem feitas, mas sem serem graficamente sanguentas como as que Spielberg fez em “Resgate do Soldado Ryan”. Aqui, nenhuma gota de sangue é derramada, pois Spielberg respeita o público mais jovem, nos fazendo focalizar tudo sobre o ponto de vista de Joey.

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Spielberg reúne um bom alenco britanico, David Thewlis, Emily Watson, David Kross (de “O Leitor) e Eddie Marsan, apenas para mencionar uns poucos, porém nenhum desses atores se destacam. Todos tem boas atuações, mas não me importei com suas personagens. O novato Jeremy Irvine cresce no decorrer da projeção do filme, mas mesmo assim, não oferece nada de tão especial. Também achei uma chatice o avô feito por Niels Arestrup, que tem a mesma cara da sua personagem em “Un prophète” (2009), e de sua neta adolescente Emilie (Celine Buckens). O personagem que mais gostei, o capitao feito por Tom Hiddleston, morre logo no inicio do filme.

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Mas isso não dimini as qualidades de “War Horse”, pois a verdadeira estrela é o cavalo — ou melhor, os cavalos que interpretam Joey, em que o foco permanece apesar de alterar as configurações e outros personagens vêm e vão, muitas vezes tragicamente. Os treinadores de animais faziram um trabalho realmente magistral ao transmitir a personalidade, emoções e pensamentos do belo cavalo. E, isso é também muito mérito do fotografo Janusz Kaminski!

Este ano, muitos cineastas têm olhado com carinho para o passado em busca de inspiração. Scorsese celebra o nascimento do cinema em “Hugo”; Hazanavicius homenageou a transição do cinema mudo para o falado em “The Artist”, e para não ficar de fora, Spielberg remete para um modo antigo de cinema – mais do que qualquer filme do cineasta fez na década passada, “War Horse”, incorpora as características do grande cinema clássico de Hollywood, incluindo uma citação visual de “E, o Vento Levou…”, nos segundos finais do filme. Fiquei todo arrepiado, até deu uma vontade de ver Scarlett O’Hara ali com um punho erguido prometendo nunca mais sentir fome novamente.  Emocionante!!

Há um bom tempo, venho escutando a belissima trilha sonora de John Williams. Achei que no filme, as faixas são excessivamente tocadas, mas embaixam essa proposta do cinema clássico de Hollywood, que Spielberg homenageia!. “War Horse” não é o melhor filme de Spielberg, e nem está na minha lista entre os 10 melhores filmes que assisti esse ano, porém o mesmo me envolveu tanto que quero ve-lo novamente na tela grande!. Sua cara de Oscar vem lhe rendendo criticas negativas, mas se ganhar – o que acho impossivel-, pode ser uma maneira muito boa de homenagear o passado!.

Nota 8.5

Os Muppets – O Filme (2011)

Postado por Joice Machado.
Ontem (12/12/2011), pegando uma sessãozinha promocional do Cinemark das 15h (que está custando R$6,00 – aumentou dois pila :( reclamação da pobre aqui), eu e meu marido assistimos ao filme dos Muppets…

O que dizer do filme??? Primeiro que gostei! Mas é preciso dizer que é um filme diferente de tudo que se vê hoje em dia relativo aos filmes infantis… É um filme bem doido, em alguns momentos ficamos com vergonha alheia pelos personagens, mas é um filme corajoso, porque resgata bem o que eram os Muppets lá nos tempos antigos… Bem diferente dos Smurfs, por exemplo, que vestiram uma roupa pop pra voltarem…

Os Muppets continuam os mesmos, são doidos, cantam o tempo todo, fazem lá uma coisa ou outra constrangedora, tipo as piadas do Fozzie ou a roupinha do Gonzo… Mas esses são os Muppets, se os transformassem em animações modernas e pops, não seriam os bonecos de pano que fizeram tanto sucesso…

Eu me criei vendo os Muppets Baby. Dos Muppets bonecos só lembro de uns filmes que passavam de vez em quando na televisão… Mas é o mesmo estilo, música pra contar a história e descrever os sentimentos dos personagens, coisas loucas como um doido chamado Animal que todo mundo da minha época se lembra quem é, seqüestrar uma celebridade pra rechear um show, um amor lindo entre um sapo muito fofinho e uma porquinha histérica…

Vale a pena! Achei perfeito pras crianças, puro entretenimento antigo dos bons e bem feitinho!!! Recomendo!

Postado por Joice Machado – Blog Eu e os meus botões.

As Aventuras de Tintin (The Adventures of Tintin, 2011)

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Honestamente, não achei que os quatro minutos de crédito de abertura foram cansativos. Contudo, acredito que “The Adventures of Tintin” seja um bom exemplo de filme que vai ser “apenas” para os fãs de história em quadrinhos, do qual ele é baseado.

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Nunca ouvi falar de Hergé antes, e nunca li uma única página do “Tintin.” Fui ao cinema totalmente “vazio”, sabendo apenas que iria assistir um filme de Spielberg- e, que Peter Jackson era o produtor!. Entrei no cinema em 3D em total desvantagem.

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Como se consta, Tintin( Jamie Bell) é um jornalista investigativo – uma espécie de Indiana Jones com uma máquina de escrever-, e sem muita demora ele está na caça para desvendar o segredo em torno de pequeno modelo de um barco do século 17 chamado “Unicorn.”  O barco se relaciona com a família Haddock de marinheiros e, o arrogante vilão  Red Rackham (Daniel Craig).

A história é bastante fácil de seguir e Spielberg injeta toda a ação e aventura que temos visto e desfrutado em semelhante características temáticas como em “Indiana Jones”. O único problema aqui, foi que eu nunca fui capaz de me importar com o que está acontecendo. Não  existe conexão entre os personagens, e todo o mistério que parece ter sido inventado apenas com a necessidade de contar uma história, e não como uma progressão natural dos eventos.

Logo no inicio do filme, Tintin se depara com o modelo de “Unicorn”, e decide comprá-lo, más imediatamente é abordado por dois senhores. O primeiro sugere que Tintin se livre do “Unicorn”, e o outro sugere que Tintin venda a miniatura de barco para ele. Fiquei super curioso em saber quem são essas pessoas, quem é o vilão ou vilões nesta trama sinistra. Talvez eu fosse aprender mais tarde … mas talvez não …

Spielberg trata o material como se todos que forem ver o filme, já estão familiarizados com o personagem e tenham um conhecimento íntimo de suas peculiaridades e características. Eu particularmente, me perdi, porque “The Adventure of Tintin” simplesmente salta de um local para outro, revelando algumas pistas novas em relação ao mistério no centro da trama, mas os personagens são tão “vazios” que foi impossível para eu me preocupar com a história ou o resultado final.

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Sim, o filme é belissimo, as imagens e as caras dos personagens de animação são realmente muito impressionantes, assim como é a trilha sonora escrita por John Williams, principalmente nas  seqüências de ação, particularmente em uma cena sem cortes de mais de 2 minutos pelas ruas de Baghar – na verdade, todas as cenas em Baghar foram perfeitas, e para mim, foi a parte que mais gostei em todo o filme!. A edição de Michael Kahn é maravilhosamente interessante, assim como o trabalho de edição de som.

Como é de se esperar, é bem comum existir personagens cômicos em filmes desse gênero, mas o Capitão “bêbado” Haddock (Andy Serkis) é chatissimo do inicio ao fim, em sua repetição e variação das mesmas frases: “blistering barnacles” & “pilfering parasites”- e isso, apenas me irritou mais.  Honestamente, os diálogos desse filme são muito chatos, e muitas vezes nem consegui entender ou mesmo me importar com o que os personagens falam!

Motivações e intenções são claras, mas uma maior compreensão dos personagens e suas razões em relação a trama em si, é vago, por exemplo, Spielberg não releva muito, que tipo de vida Tintin tem e sua personalidade. Sim, ele é um investigador certinho, com um nariz para o problema, o que é bom, mas não é muito interessante. O cineasta coloca toda a ênfase do filme na parte de aventura.

Mesmo com 107 minutes de duração, achei o filme longo, e impacientemente queria sair da sala de cinema, e pedir o meu dinheiro de volta!. :(

Nota 6.0

“Drive” ( 2011)

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O triunfo do filme de Nicolas Winding Refn, se chama Ryan Gosling, que mais uma vez se transforma. O cara não erra uma, por exemplo, este ano Gosling igualmente brilha na comedia “Crazy, Love, Stupid”, e  “The Ides of March”, mas é  por “Drive” que ele deveria ser destinado ao Oscar em fevereiro proximo.

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Refn inspira uma sensação profunda de saudade, amor, choque e pavor, que faz desse filme uma obra interessantissima. “Drive” é centrado nas consequências das escolhas feitas por criminosos e o estado profundamente meditativo da vida que pode vir a ser um reflexo dos crimes que cometemos ao longo dos anos. Achei o filme uma jóia, principalmente o personagem “Driver” (Gosling), um mecânico de automóveis, dublê de Hollywood e piloto de automóveis em potencial de ações que ocasionalmente faz bicos como motorista de fuga criminal. Gosling cria um personagem que é calmo sob pressão, metódico, concentrado , confiável e, claro, um grande motorista. Ele evoca o espírito de cowboy-solitário de Clint Eastwood, e a intensidade de Steve McQueen. Suas escolhas o assombram e, finalmente, o colocam em uma posição onde ele deve buscar a redenção diante do mal que corrompeu o único bem em sua vida.

Num mundo cheio de dor e miséria, o “motorista” de fala mansa que, encontra um grande vázio na vida da sua vizinha, Irene (Carey Mulligan), a quem ele abriga um amor a distância. Quando ele consegue insinuar-se, é instantaneamente encantado com o afeto de Irene, mas logo sofre com a presença de Standard (Oscar Isaac) marido da sua amada, que sai da prisão!. O mais interessante é que em vez de lutar  por sua felicidade, “Driver” tenta ajudar Standard a dar um futuro melhor para Irene e ao filho do casal. Em uma fuga criminal, onde Standard está envolvido, termina em tragédia, deixando “Driver” numa situação onde suas intenções pesa diante da consequência de sua escolha.

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Dirigido numa estética neo- noir, numa mistura inebriante de tom de cores, ângulos interessantes e ideais naturalistas- brilhante trabalho do diretor Refn e o seu fotografo Newton Thomas Sigel-, “Drive” ainda tem outros grandes triunfos, principalemente na trilha sonora de Cliff Martinez, a qual tem um valor indispensável para a narrativa do filme. O elenco é muito bom, com destaque para Gosling e um irreconhecivel Albert Books, que interpreta o vilão.

Nota 8.5

“J. Edgar” ( 2011)

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J. Edgar Hoover era gay? Será que o seu amigo, Clyde Tolson era gay? Será que eles tiveram uma estreita amizade ou era algo mais? Talvez estas perguntas são a chave para entender o novo filme de Clint Eastwood. Se eu podesse definir o que exatamente o filme “J. Edgar” é, eu deria que é a história da relação do diretor da FBI, com o seu amigo Clyde Tolson e o desprezo de ser desaprovado por sua mãe. É uma história de um homem em todas as frentes com as barreiras que ele deveria superar para fazer qualquer coisa, mas a parede que ele nunca foi capaz de romper foi o que lhe permitiria finalmente aceitar Tolson como um amante e não apenas como um bom amigo. Pena que tudo isso é apresentado de  uma forma sem sentido, e, finalmente, coloca menos ênfase sobre o que poderia ser considerado aspectos mais interessantes da vida Hoover.

J.Edgar” tem algo de “ Brokeback Mountain” (2005), e “ O Discurso do Rei ( 2010), mas a única diferença é que a amizade entre o rei George VI e seu terapeuta parecia uma amizade de verdade, assim como o amor dos cowboys em Brokeback Mountain. Esses filmes tinham uma história para contar, e não uma dica e, assim se esconder como Eastwood e o roteirista Dustin Lance Black faz. Não há uma evidência histórica concreta sobre a homosexualidade Hoover, mas o filme sugere demais sem ser sutil, pois muito poderia ser dito em um olhar, mas revela demais, e não soa verdadeiro, quando tenta “dizer” que Hoover era um homossexual enrustido e até um cross- dresser !.

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Eastwood conta a história de Hoover em uma narrativa fraturada, traçando mais de 5 decadas. O filme desnecessariamente vai e volta entre diferentes eras com Hoover recitando as suas memórias, contando as vitórias do passado e construindo a história para se adequar a sua imagem. Por que Eastwood não apenas narrou o filme de forma linear? E por que, ele não contratou atores para viver Hoover e Tolson nas suas versões mais velhas, em vez de transformar as personagens em caricaturas de espuma de borracha?

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Leornardo DiCaprio realmente se entrega ao personagem- mesmo com a maquiagem exagerada, ele se sobressai com dignidade, mas o mesmo não diria do competente Armie Hammer, que alem da borracha na cara, exagera na tremedeira!. Ja Naomi Watts tem o desempenho mais convincente do filme, e oferece uma personagem com mais perguntas a serem feitas. Quem foi essa mulher que dedicou sua vida inteira a carreira profissional, nunca se casou e ficou com Hoover até a sua morte? O filme não se preocupa em responder a estas perguntas, mas talvez o desempenho Watts nunca foi feito para ofuscar todos os outros. E, detalhe, a sua maquiagem suada em Watts é a unica que parece natural!

Eastwood e o diretor de fotografia Tom Stern, mais uma vez usam os tons de cinza de aço, limitando a quantidade de cores no filme-  escuro demais!. O diretor também continua escrevendo a trilha sonora para os seus filmes, aqui usa tons suaves de piano, assim como temos ouvido em praticamente todos os filmes que ele compôs sozinho, e acrescenta mais um aspecto negativo em “J. Edgar”, dando ao seu filme uma alma cansada e preguiçosa. A edição também é uma outra bagunça. Mas sera que se os editores Joel Cox e Gary D. Roach tivessem cortado 40 minutos do filme, o mesmo ficaria menos chato? Não sei não…

No final, “J. Edgar” é um filme que apresenta uma falta de confiança enorme, mas mesmo assim pode dar o Oscar de melhor ator a DiCaprio!. Ele merece mesmo que vença por um filme ruim!

Nota 5

A Invenção de Hugo Cabret (Hugo, 2011)

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Scorsese faz um ode de amor ao cinema clássico no seu novo filme “Hugo”- um conto de fantasia com uma pequena dose de comédia. Filmado notavelmente em 3-D, e expandido por imagens computadorizadas, “Hugo” é baseado na novela grafica de Brian Selznick, “A Invenção de Hugo Cabret”, com roteiro de John Logan, que roteirizou o chatissimo “The Aviator” (2004).

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O filme se passa nos anos 30, em uma estação de trem em Paris, onde um jovem órfão chamado Hugo Cabret (o extraordinario Asa Butterfield), vive secretamente dentro da máquina que mantém os relógios da estação em execução. Nenhum outro filme envocou em tal complexidade as rodas, manivelas, alavancas, catracas e engrenagens, tudo acoplado a um conto de perda, saudade, mistérios revelados e felicidade reconquistada.

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O cineasta abraça as imagens de efeito digital, e Paris nunca pareceu tão bela, e tão falsa em movimentos de câmera 3D. Falo assim pois ainda não cai de amores a esse tipo de linguagem em 3D, mas tudo bem, o filme tem muito mais qualidades do que defeitos. Scorsese teve uma irresistível oportunidade, não só para fazer um filme para crianças e adultos, mas para compartilhar sua paixão pela história do cinema. Isto porque a história de “Hugo” leva ao pioneiro do cinema Georges Méliès ( Ben Kingsley)-  que é também o proprietário da loja de brinquedo, o qual coloca Hugo em apuros. Também, Hugo tem que enfrentar o inspetor da estação interpretado por Sacha Baron Cohen, que quase rouba todas as cenas que aparece. Mas a aventura acontece mesmo quando Hugo se torna amigo de Isabelle (Chloe Moretz). Ambos desfrutem a paixão pelo cinema, e pelos descobrimentos que os levam até Georges Méliès.

A potência temática e o virtuosismo cinematográfico da produção de arte de Dante Ferretti e da bela fotografia de Robert Richardson, são um show a parte, embora Paris tenha aquela aparência brilhantemente falsa. E, Howard Shore escreveu uma trilha muito agradavel!.

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“Hugo” é um filme que depois de vê-lo uma vez eu não preciso vê-lo novamente. Eu aprecio a paixão de Scorsese, sou fã dele, e creio que se o Oscar não fosse uma premiação tão politica, ele deveria ganhar o premio de melhor diretor do ano!. Bem,  ”Hugo” traça esse paixão pelo cinema, mas no final senti que a história geral deu lugar a essa paixão e um pouco da magia se perdeu. Não porque o filme não seja maravilhoso, pois é muito bom, mas seria melhor se não fosse tão longo!.

Nota 8,5

As Diversas Produções Cinematográficas Sobre Jesus de Nazaré

O homem para se manter vivo sempre precisa e precisará de uma força real ou mitológica para o ajudar a seguir a caminhada existencial.

Qual mortal que nunca ouviu falar em Jesus de Nazaré (a personalidade mais comentada nos quatro cantos da terra)? A história de Jesus de Nazaré foi a que mais ganhou versões cinematográficas ao longo da história do cinema. Tais produções buscam descrever a trajetória do homem que mudou a história da humanidade.

Jesus é um ser desconhecido, mas a sua luz transcende qualquer característica ou forma humana pensada, um ser conhecido por todos como divino, nosso irmão, filho de Deus o soberano criador da terra, do universo e de tudo que nele há.

Ao longo da trajetória do Cinema inúmeras foram as produções cinematográficas que tentaram construir uma história que confrontava com a belíssima história narrada na bíblia sagrada.(*)

Não minha opinião, a história de Jesus é um dos maiores eventos que aconteceu na história da humanidade (“humanidade que verdadeiramente não é humana”).

Simbolicamente inúmeros filmes trabalharam este marcante evento, descrevendo com precisão os diversos momentos vividos por Jesus, em uma epopéia profundamente expressiva, dolorosa, divina, humanamente humilde, monstruosa e marcada pela fé.

No entanto muitos destes filmes buscam enaltecer o martírio, a dor e o sangue derramado na macabra tortura vivida por Jesus (“o salvador da humanidade”), mas o que precisa ser evidenciado é a vinda de Jesus um ser que sobrepôs à morte; ele é o único que matou a morte; mesmo no exílio da vida Jesus se manteve vivo.

Essencialmente sentimos a expressão divina que se projeta das telonas, nos arrebatando para uma emoção surreal.

Dentre os inúmeros personagens trabalhados nos inúmeros filmes, Jesus de Nazaré é o personagem mais citado no cotidiano de bilhões de telespectadores que buscam se espelharem neste grande ser considerado como santo.

Podemos até encontrar erros nas produções que retratam o nosso amado irmão Jesus, mas excelentemente todas transmitem a luz, a essência amor pregada por Jesus o ser que marcou a história da humanidade.

Muitos podem até afirma que Jesus é um mito construído ao longo dos tempos, tentam descreve-lo fisicamente como um negro ou não; buscando se firmar em uma visão eurocêntrica pautada no etnocentrismo, e vão alem tentando dizer que Jesus teve um caso com Maria Madalena ou que até mesmo ele não tenha ressuscitado. Mas mesmo com inúmeras afirmações Jesus não deixa e nunca deixará de ser o salvador da humanidade.

Em suma, afirmo que precisamos acreditar e vivenciar todos os dias o amor pregado e praticado por Jesus de Nazaré em sua bendita saga existencial entre nós meros mortais; classificados pelo Mestre Jesus como “seres que não sabem o que fazem”.

(*)- O Rei dos Reis (The King of Kings. 1927), de Cecil B. DeMille
- Salomé (Salome. 1953), de William Dieterle
- Ben-Hur (1959), de William Wyler
- O Rei dos Reis (King of Kings. 1961), de Nicholas Ray
- O Evangelho segundo São Mateus (Il Vangelo Secondo Matteo. 1964), de Pier Paolo Pasolini
- A Maior História de Todos os Tempos (The Greatest Story Ever Told. 1965), de George Stevens
Musical: Jesus Cristo Superstar (Jesus Christ Superstar. 1973), de Norman Jewison
- Jesus de Nazareth (Jesus of Nazareth. 1977), de Franco Zeffirelli
Sátira: A Vida de Brian (Life of Brian. 1979), de Terry Jones (Monty Python)
- O Quarto Sábio (The Fourth Wise Man. 1985), de Michael Ray Rhodes
- A Última Tentação de Cristo (The Last Temptation of Christ, EUA, 1988), de Martin Scorsese
- O Corpo (The Body. 2001), de Jonas McCord
- A Paixão de Cristo (The Passion of the Christ. 2004), de Mel Gibson
- O Código Da Vinci (The Da Vinci Code. 2006), de Ron Howard.

Histórias Cruzadas (THe Help, 2011)

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Baseado no romance de Kathryn Stockett, “The Help”, o filme de Tata Taylor, narra a história de uma determinada jovem branca, que se sente injuriada com o tratamento que as empregadas domesticas afro-americanas são vitimadas por suas patroas, em Jackson, Mississipi, na década de 1960.

Não li o romance de Stockett, mas o roteirista e diretor Tate Taylor não sacrifica muito, pois nada é explicíto no seu modo de narrar. A violencia vivida pelos negros no conturbado anos 60 nos Estados Unidos, não tem a mesma visão realista usada por Alan Parker, em “Mississipi em Chamas” (1988). Em “The Help”, o saldo se mede em comédia, drama- o que permite que os espectadores sintam compaixão e tornem parte do mundo das personagens.

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“The Help” é uma vitrine para seus atores. Viola Davis e Emma Stone, aparecem como fio contudor do filme. Stone vive Skeeter, a tal determinada jovem, que luta pela causa da classe minoritaria. Aibileen (Davis) é a voz que representa todas essas mulheres afro-americanas violadas pela discriminação racial. E, o seu testemunho serve de base para o livro “The Help” escrito por Skeeter, que subsequentemente representa outras multiplas vozes, dispositando uma Metaficção, onde Tayler exponhe ficção na ilusão ficcional, para dar um clima de verdade a narrativa.

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Curiosamente, achei as performances de apoio bem melhores do que as que foram entregues a Viola Davis e Emma Stone. Por examplo, a bela Bryce Dallas Howard como Hilly, encarna a personificação do mal como uma dona de casa racista, e ignorante. No entanto, o destaque do filme pertence a Octavia Spencer como a amiga de Aibileen, Minny, e Jessica Chastain como adoravel Celia Foote. Esta ultima é vista como uma “white trash” por Hilly e outras senhoras.  Chastain brilha em todos os filmes que fez este ano- “The Tree of Life”, “Take Shelter”,  “Debt” e Coriolanus-, e deveria concorrer ao Oscar contra si mesma da categoria de melhor atriz coadjuvante de 2011.  A Celia de Chastain é uma personagem cheia de vida, mas que sofre por não se enquadrar no grupo das senhoras respeitadas da cidade. Como Minny, Spencer está em fuso. Com os olhos arregalados e de fogo, ela comanda a atenção do público tanto quanto ela chama a atenção dentro da narrativa. Minny é o personagem que você torce, ri e deseja ser. Se Davis e Stone são o coração deste filme, Chastain e Spencer são o sangue pulsando a alma, e corpo  de “The Help”.

Por mais que haja aquela mensagem social, o filme de Taylor é vago. “The Help” não me tocou depois que acabou. Não que seja ruim, pois não é, mas não me deixou com aquele gostinho de querer rever.

P.S.: Sucesso de público e crítica, o filme provavelmente vai receber muitas indicacões ao Oscar. E, merecidamente Davis vai ser indicada como atriz – mesmo que o material aqui não chegue aos pés do seu desempenho em “Doubt” ( 2009).

Lindissima a trilha escrita pelo sempre injusticado Thomas Newman, que diferente do seu pai, o maravilhoso Alfred Newman, esse ganhou 9 Oscars, nunca ganhou nada, e esse ano provavelmente nem indicado aos Oscar vai ser! :(

 Nota: 6

A Árvore da Vida (The Tree of Life. 2011)

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É sabido que Terrence Malick é um cineasta como nenhum outro. Para desfrutar dos seus filmes, você não pode seguir uma norma, mas se deixar transportar emocionalmente e visualmente. “A Árvore da Vida” é o filme mais ambicioso do cineasta, e também o mais dificil de se transportar.

Embora visualmente seja um filme de cair o queixo, Malick introduz vários conceitos que nunca realmente se unem. Talvez o Livro de Jó seja o fio contudor, especialmente os versos 38:4-7, no qual Deus está lembrando Jó de seu poder e sua criação os fundamentos da terra a partir do mar para as estrelas. “ A Árvore da Vida” dá testemunho dessa criação, em conjunto com outros elementos do Livro de Jó, em geral, incluindo o questionamento da justiça de Deus, a inocência contra a maldade e o sofrimento humano.

O filme começa com o Sr. e Sra. O’Brien (Brad Pitt e Jessica Chastain) sendo informados da morte de um dos seus três filhos. A natureza de sua morte não é totalmente clara, mas esta é a primeira instância em que a fragilidade da vida é mencionada será revisitada com freqüência. Movendo mais ou menos 40 anos no futuro, nós nos encontramos próximos entre torres de vidro gigantes e a selva de concreto onde se encontra o filho mais velho do casal,  Jack (Sean Penn), agora crescido. É o aniversário da morte de seu irmão e pegamos trechos breves de um telefonema que ele está tendo com seu pai, desculpando-se por coisas do passado e claramente perturbado.

Neste ponto, não temos exatamente um testemunho para a vida, pois, somos logo transportados para a criação do universo: a mudança dos cosmos; os vulcões entram em erupção; e os dinossauros caminham sobre a terra. Depois disso, o filme logo se estabelece, mais uma vez, na vida do casal, 20 anos antes de nossa primeira introdução à medida que entramos em algum momento de suas vidas, os anos 1950. Começamos com visões de sonho de Sr. e Sra. O’Brien, no amor, que então se move para o nascimento de Jack (Hunter McCracken), cuja vida é realmente o cerne de “A Árvore da Vida” mais do que qualquer outro. Jack é logo cercado por dois irmãos (Laramie Eppler e Tye Sheridan), e embora a relação entre esses irmãos desempenha um papel, é o efeito de seu pai tem sobre eles que realmente molda o filme.

Chastain desempenha um papel mais passivo e carinhoso como a senhora O’Brien, e Pitt, faz um pai opressivo, de uma forma perfeita!. Através deste estilo de parentalidade, Jack e seus dois irmãos ficam com medo de seu pai e procuram a mãe pelo amor que desejam, embora o amor de ambos os pais têm para seus filhos é evidente a partir de uma perspectiva parcial. Com isso, a idéia das conversas consistentes que os personagens têm com Deus, em busca de sentido e a razão porque certas coisas acontecem – um empate neste segmento das ações de Jó na cena de abertura como os O’Briens perguntando o porque Deus poderia tirar a vida de sua criança inocente.  É justo?

“A Árvore da Vida” acrescenta muitas camadas, e muitas são fáceis de interpretar, outras você precisara explorar de forma bem profunda. Não é um filme preocupado com a história, e nem com valores, conceitos e idéias, mas mais preocupado com o ser humano de um forma clara que cada um de nós somos ainda como nossos pais.

Todos atores estão perfeitos, especialmente o Pitt. E, a fotografia de Emmanuel Lubezki é apenas a alma do filme!

 Nota 9

Melancholia ( 2011)

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O entediado e deprimido diretor Lars von Trier não faz um filme sem surpreender. A sua mais recente obra “Melancholia” é um meio-irmão do apocalíptico  “The Tree of Life” de Terrence Malick. O filme  é sobre o fim do mundo. E, Von Trier parte da instância de felicidade humana: um “feliz” casamento, ou uma recepção de casamento para ser mais específico, o qual é realizado em um castelo luxuoso, onde o cineasta- roteirista traça o significado da total (in) felicidade.

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A sequência de abertura, de oito minutos, é um espetaculo aos olhos; e prenuncia a destruição da terra em câmera lenta. Depois isso, encontramos os felizes recém-casados Justine e Michael (Kirsten Dunst e Alexander Skarsgard), ao caminho da recepção de casamento organizada  pela irmã da noiva, Claire (Charlotte Gainsbourg) e seu marido John (Kiefer Sutherland) .

Os pais da noiva (Charlotte Rampling e John Hurt) parecem catalisadores para o clima pesado da festa. A mãe dispara aos recém-casados, “aproveitem enquanto dura.” A partir dessa cena, o sorriso visto no rosto de Justine ( Dunst) ilustra o seu olhar vazio, onde residirá até a duração do filme. O casamento de Justine é esmagado apenas horas depois de dizer “o sim”, e, é não impossivel de notar que a moça é a depressão em forma de gente. Diante do fim do mundo, Von Trier deixa claro a ingenuidade de todos que rodeiam a sua heroina, mais precisamente, Claire, que lamentávelmente como muito de nós, é dominada pela ansiedade -  o medo de enfrentar a realidade, e se deparar com a morte. Mas não seria o medo uma forma de morrer antes da propria morte em si?

A atuação de Dunst é nada menos do que espetacular – vai do olhar ao sorriso vazios, até ao silencio. O restante do elenco é igualmente muito bom, especialmente a Gainsbourg, que tem aqui um desempenho bem melhor do que fez em “Anticristo” (2009).

Embora o filme não seja tão controverso como o “Anticristo”, “Melancholia” estimula questionamentos em relação do porque Justine se casa com Micheal, sabendo que o mesmo não a fara feliz. E, por que ela deixaria a sua festa para urinar no campo de golfe, e depois ter relações sexuais com um estranho?.

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Von Trier está certissimo quando disse que esse é um belo filme. Um filme que tem também a capacidade de assombrar a gente por dias, ou semanas, isto, graças a fotografia de Manuel Alberto Claro, e o pessimismo impiedoso do proprio Von Trier. “Melancholia” é mais uma prova que cada um de nós teremos uma percepção diferente ao chegar a conclusão do filme.

 Nota 9