O triunfo do filme de Nicolas Winding Refn, se chama Ryan Gosling, que mais uma vez se transforma. O cara não erra uma, por exemplo, este ano Gosling igualmente brilha na comedia “Crazy, Love, Stupid”, e “The Ides of March”, mas é por “Drive” que ele deveria ser destinado ao Oscar em fevereiro proximo.
Refn inspira uma sensação profunda de saudade, amor, choque e pavor, que faz desse filme uma obra interessantissima. “Drive” é centrado nas consequências das escolhas feitas por criminosos e o estado profundamente meditativo da vida que pode vir a ser um reflexo dos crimes que cometemos ao longo dos anos. Achei o filme uma jóia, principalmente o personagem “Driver” (Gosling), um mecânico de automóveis, dublê de Hollywood e piloto de automóveis em potencial de ações que ocasionalmente faz bicos como motorista de fuga criminal. Gosling cria um personagem que é calmo sob pressão, metódico, concentrado , confiável e, claro, um grande motorista. Ele evoca o espírito de cowboy-solitário de Clint Eastwood, e a intensidade de Steve McQueen. Suas escolhas o assombram e, finalmente, o colocam em uma posição onde ele deve buscar a redenção diante do mal que corrompeu o único bem em sua vida.
Num mundo cheio de dor e miséria, o “motorista” de fala mansa que, encontra um grande vázio na vida da sua vizinha, Irene (Carey Mulligan), a quem ele abriga um amor a distância. Quando ele consegue insinuar-se, é instantaneamente encantado com o afeto de Irene, mas logo sofre com a presença de Standard (Oscar Isaac) marido da sua amada, que sai da prisão!. O mais interessante é que em vez de lutar por sua felicidade, “Driver” tenta ajudar Standard a dar um futuro melhor para Irene e ao filho do casal. Em uma fuga criminal, onde Standard está envolvido, termina em tragédia, deixando “Driver” numa situação onde suas intenções pesa diante da consequência de sua escolha.
Dirigido numa estética neo- noir, numa mistura inebriante de tom de cores, ângulos interessantes e ideais naturalistas- brilhante trabalho do diretor Refn e o seu fotografo Newton Thomas Sigel-, “Drive” ainda tem outros grandes triunfos, principalemente na trilha sonora de Cliff Martinez, a qual tem um valor indispensável para a narrativa do filme. O elenco é muito bom, com destaque para Gosling e um irreconhecivel Albert Books, que interpreta o vilão.
Nota 8.5













