“Drive” ( 2011)

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O triunfo do filme de Nicolas Winding Refn, se chama Ryan Gosling, que mais uma vez se transforma. O cara não erra uma, por exemplo, este ano Gosling igualmente brilha na comedia “Crazy, Love, Stupid”, e  “The Ides of March”, mas é  por “Drive” que ele deveria ser destinado ao Oscar em fevereiro proximo.

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Refn inspira uma sensação profunda de saudade, amor, choque e pavor, que faz desse filme uma obra interessantissima. “Drive” é centrado nas consequências das escolhas feitas por criminosos e o estado profundamente meditativo da vida que pode vir a ser um reflexo dos crimes que cometemos ao longo dos anos. Achei o filme uma jóia, principalmente o personagem “Driver” (Gosling), um mecânico de automóveis, dublê de Hollywood e piloto de automóveis em potencial de ações que ocasionalmente faz bicos como motorista de fuga criminal. Gosling cria um personagem que é calmo sob pressão, metódico, concentrado , confiável e, claro, um grande motorista. Ele evoca o espírito de cowboy-solitário de Clint Eastwood, e a intensidade de Steve McQueen. Suas escolhas o assombram e, finalmente, o colocam em uma posição onde ele deve buscar a redenção diante do mal que corrompeu o único bem em sua vida.

Num mundo cheio de dor e miséria, o “motorista” de fala mansa que, encontra um grande vázio na vida da sua vizinha, Irene (Carey Mulligan), a quem ele abriga um amor a distância. Quando ele consegue insinuar-se, é instantaneamente encantado com o afeto de Irene, mas logo sofre com a presença de Standard (Oscar Isaac) marido da sua amada, que sai da prisão!. O mais interessante é que em vez de lutar  por sua felicidade, “Driver” tenta ajudar Standard a dar um futuro melhor para Irene e ao filho do casal. Em uma fuga criminal, onde Standard está envolvido, termina em tragédia, deixando “Driver” numa situação onde suas intenções pesa diante da consequência de sua escolha.

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Dirigido numa estética neo- noir, numa mistura inebriante de tom de cores, ângulos interessantes e ideais naturalistas- brilhante trabalho do diretor Refn e o seu fotografo Newton Thomas Sigel-, “Drive” ainda tem outros grandes triunfos, principalemente na trilha sonora de Cliff Martinez, a qual tem um valor indispensável para a narrativa do filme. O elenco é muito bom, com destaque para Gosling e um irreconhecivel Albert Books, que interpreta o vilão.

Nota 8.5

“J. Edgar” ( 2011)

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J. Edgar Hoover era gay? Será que o seu amigo, Clyde Tolson era gay? Será que eles tiveram uma estreita amizade ou era algo mais? Talvez estas perguntas são a chave para entender o novo filme de Clint Eastwood. Se eu podesse definir o que exatamente o filme “J. Edgar” é, eu deria que é a história da relação do diretor da FBI, com o seu amigo Clyde Tolson e o desprezo de ser desaprovado por sua mãe. É uma história de um homem em todas as frentes com as barreiras que ele deveria superar para fazer qualquer coisa, mas a parede que ele nunca foi capaz de romper foi o que lhe permitiria finalmente aceitar Tolson como um amante e não apenas como um bom amigo. Pena que tudo isso é apresentado de  uma forma sem sentido, e, finalmente, coloca menos ênfase sobre o que poderia ser considerado aspectos mais interessantes da vida Hoover.

J.Edgar” tem algo de “ Brokeback Mountain” (2005), e “ O Discurso do Rei ( 2010), mas a única diferença é que a amizade entre o rei George VI e seu terapeuta parecia uma amizade de verdade, assim como o amor dos cowboys em Brokeback Mountain. Esses filmes tinham uma história para contar, e não uma dica e, assim se esconder como Eastwood e o roteirista Dustin Lance Black faz. Não há uma evidência histórica concreta sobre a homosexualidade Hoover, mas o filme sugere demais sem ser sutil, pois muito poderia ser dito em um olhar, mas revela demais, e não soa verdadeiro, quando tenta “dizer” que Hoover era um homossexual enrustido e até um cross- dresser !.

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Eastwood conta a história de Hoover em uma narrativa fraturada, traçando mais de 5 decadas. O filme desnecessariamente vai e volta entre diferentes eras com Hoover recitando as suas memórias, contando as vitórias do passado e construindo a história para se adequar a sua imagem. Por que Eastwood não apenas narrou o filme de forma linear? E por que, ele não contratou atores para viver Hoover e Tolson nas suas versões mais velhas, em vez de transformar as personagens em caricaturas de espuma de borracha?

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Leornardo DiCaprio realmente se entrega ao personagem- mesmo com a maquiagem exagerada, ele se sobressai com dignidade, mas o mesmo não diria do competente Armie Hammer, que alem da borracha na cara, exagera na tremedeira!. Ja Naomi Watts tem o desempenho mais convincente do filme, e oferece uma personagem com mais perguntas a serem feitas. Quem foi essa mulher que dedicou sua vida inteira a carreira profissional, nunca se casou e ficou com Hoover até a sua morte? O filme não se preocupa em responder a estas perguntas, mas talvez o desempenho Watts nunca foi feito para ofuscar todos os outros. E, detalhe, a sua maquiagem suada em Watts é a unica que parece natural!

Eastwood e o diretor de fotografia Tom Stern, mais uma vez usam os tons de cinza de aço, limitando a quantidade de cores no filme-  escuro demais!. O diretor também continua escrevendo a trilha sonora para os seus filmes, aqui usa tons suaves de piano, assim como temos ouvido em praticamente todos os filmes que ele compôs sozinho, e acrescenta mais um aspecto negativo em “J. Edgar”, dando ao seu filme uma alma cansada e preguiçosa. A edição também é uma outra bagunça. Mas sera que se os editores Joel Cox e Gary D. Roach tivessem cortado 40 minutos do filme, o mesmo ficaria menos chato? Não sei não…

No final, “J. Edgar” é um filme que apresenta uma falta de confiança enorme, mas mesmo assim pode dar o Oscar de melhor ator a DiCaprio!. Ele merece mesmo que vença por um filme ruim!

Nota 5

A Invenção de Hugo Cabret (Hugo, 2011)

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Scorsese faz um ode de amor ao cinema clássico no seu novo filme “Hugo”- um conto de fantasia com uma pequena dose de comédia. Filmado notavelmente em 3-D, e expandido por imagens computadorizadas, “Hugo” é baseado na novela grafica de Brian Selznick, “A Invenção de Hugo Cabret”, com roteiro de John Logan, que roteirizou o chatissimo “The Aviator” (2004).

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O filme se passa nos anos 30, em uma estação de trem em Paris, onde um jovem órfão chamado Hugo Cabret (o extraordinario Asa Butterfield), vive secretamente dentro da máquina que mantém os relógios da estação em execução. Nenhum outro filme envocou em tal complexidade as rodas, manivelas, alavancas, catracas e engrenagens, tudo acoplado a um conto de perda, saudade, mistérios revelados e felicidade reconquistada.

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O cineasta abraça as imagens de efeito digital, e Paris nunca pareceu tão bela, e tão falsa em movimentos de câmera 3D. Falo assim pois ainda não cai de amores a esse tipo de linguagem em 3D, mas tudo bem, o filme tem muito mais qualidades do que defeitos. Scorsese teve uma irresistível oportunidade, não só para fazer um filme para crianças e adultos, mas para compartilhar sua paixão pela história do cinema. Isto porque a história de “Hugo” leva ao pioneiro do cinema Georges Méliès ( Ben Kingsley)-  que é também o proprietário da loja de brinquedo, o qual coloca Hugo em apuros. Também, Hugo tem que enfrentar o inspetor da estação interpretado por Sacha Baron Cohen, que quase rouba todas as cenas que aparece. Mas a aventura acontece mesmo quando Hugo se torna amigo de Isabelle (Chloe Moretz). Ambos desfrutem a paixão pelo cinema, e pelos descobrimentos que os levam até Georges Méliès.

A potência temática e o virtuosismo cinematográfico da produção de arte de Dante Ferretti e da bela fotografia de Robert Richardson, são um show a parte, embora Paris tenha aquela aparência brilhantemente falsa. E, Howard Shore escreveu uma trilha muito agradavel!.

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“Hugo” é um filme que depois de vê-lo uma vez eu não preciso vê-lo novamente. Eu aprecio a paixão de Scorsese, sou fã dele, e creio que se o Oscar não fosse uma premiação tão politica, ele deveria ganhar o premio de melhor diretor do ano!. Bem,  ”Hugo” traça esse paixão pelo cinema, mas no final senti que a história geral deu lugar a essa paixão e um pouco da magia se perdeu. Não porque o filme não seja maravilhoso, pois é muito bom, mas seria melhor se não fosse tão longo!.

Nota 8,5

As Diversas Produções Cinematográficas Sobre Jesus de Nazaré

O homem para se manter vivo sempre precisa e precisará de uma força real ou mitológica para o ajudar a seguir a caminhada existencial.

Qual mortal que nunca ouviu falar em Jesus de Nazaré (a personalidade mais comentada nos quatro cantos da terra)? A história de Jesus de Nazaré foi a que mais ganhou versões cinematográficas ao longo da história do cinema. Tais produções buscam descrever a trajetória do homem que mudou a história da humanidade.

Jesus é um ser desconhecido, mas a sua luz transcende qualquer característica ou forma humana pensada, um ser conhecido por todos como divino, nosso irmão, filho de Deus o soberano criador da terra, do universo e de tudo que nele há.

Ao longo da trajetória do Cinema inúmeras foram as produções cinematográficas que tentaram construir uma história que confrontava com a belíssima história narrada na bíblia sagrada.(*)

Não minha opinião, a história de Jesus é um dos maiores eventos que aconteceu na história da humanidade (“humanidade que verdadeiramente não é humana”).

Simbolicamente inúmeros filmes trabalharam este marcante evento, descrevendo com precisão os diversos momentos vividos por Jesus, em uma epopéia profundamente expressiva, dolorosa, divina, humanamente humilde, monstruosa e marcada pela fé.

No entanto muitos destes filmes buscam enaltecer o martírio, a dor e o sangue derramado na macabra tortura vivida por Jesus (“o salvador da humanidade”), mas o que precisa ser evidenciado é a vinda de Jesus um ser que sobrepôs à morte; ele é o único que matou a morte; mesmo no exílio da vida Jesus se manteve vivo.

Essencialmente sentimos a expressão divina que se projeta das telonas, nos arrebatando para uma emoção surreal.

Dentre os inúmeros personagens trabalhados nos inúmeros filmes, Jesus de Nazaré é o personagem mais citado no cotidiano de bilhões de telespectadores que buscam se espelharem neste grande ser considerado como santo.

Podemos até encontrar erros nas produções que retratam o nosso amado irmão Jesus, mas excelentemente todas transmitem a luz, a essência amor pregada por Jesus o ser que marcou a história da humanidade.

Muitos podem até afirma que Jesus é um mito construído ao longo dos tempos, tentam descreve-lo fisicamente como um negro ou não; buscando se firmar em uma visão eurocêntrica pautada no etnocentrismo, e vão alem tentando dizer que Jesus teve um caso com Maria Madalena ou que até mesmo ele não tenha ressuscitado. Mas mesmo com inúmeras afirmações Jesus não deixa e nunca deixará de ser o salvador da humanidade.

Em suma, afirmo que precisamos acreditar e vivenciar todos os dias o amor pregado e praticado por Jesus de Nazaré em sua bendita saga existencial entre nós meros mortais; classificados pelo Mestre Jesus como “seres que não sabem o que fazem”.

(*)- O Rei dos Reis (The King of Kings. 1927), de Cecil B. DeMille
- Salomé (Salome. 1953), de William Dieterle
- Ben-Hur (1959), de William Wyler
- O Rei dos Reis (King of Kings. 1961), de Nicholas Ray
- O Evangelho segundo São Mateus (Il Vangelo Secondo Matteo. 1964), de Pier Paolo Pasolini
- A Maior História de Todos os Tempos (The Greatest Story Ever Told. 1965), de George Stevens
Musical: Jesus Cristo Superstar (Jesus Christ Superstar. 1973), de Norman Jewison
- Jesus de Nazareth (Jesus of Nazareth. 1977), de Franco Zeffirelli
Sátira: A Vida de Brian (Life of Brian. 1979), de Terry Jones (Monty Python)
- O Quarto Sábio (The Fourth Wise Man. 1985), de Michael Ray Rhodes
- A Última Tentação de Cristo (The Last Temptation of Christ, EUA, 1988), de Martin Scorsese
- O Corpo (The Body. 2001), de Jonas McCord
- A Paixão de Cristo (The Passion of the Christ. 2004), de Mel Gibson
- O Código Da Vinci (The Da Vinci Code. 2006), de Ron Howard.