Adaptação de Livros para Cinema: Uma Questão de Fidelidade?

Por Alexandre Cavalcante da Silva (Alex).

Olá, pessoal! Estamos começando um ano novo que provavelmente virá com novas adaptações de livros. Já faz um tempo que quero escrever algo sobre o tema, afinal como leitor o que não falta é decepção na sala de cinema. Você vai assistir a um filme esperando ansiosamente durante meses para a estréia daquela adaptação de um dos seus livros preferidos e quando termina a sessão vem a sensação de “podia ter sido bem melhor”. Infelizmente nós temos que aceitar que adaptar um filme não é uma tarefa fácil. Um diretor é, antes de qualquer coisa, alguém comum que tem uma visão específica de como quer que seu trabalho fique, a diferença é que ele está preparando algo para um público extenso. E para ele passar no teste, deve agradar tanto os fãs da obra literária quanto um público novo que desconheça a história. Isso pode gerar resultados satisfatórios para o segundo grupo mencionado, mas detestável para quem leu a obra original.

Pode parecer fácil imaginar ser diretor para quem está lendo o livro, mas na hora de elaborar um roteiro ainda há aquela preocupação de convencer os estúdios de que a trama valerá a pena ser filmada e que tem potencial para o sucesso. E lá vai aquela mania de mexer na história a fim de torná-la mais emocionante. Em alguns casos até é aceitável uma mudança, porém em outros o roteiro fica medonho e não agrada nem leitores e nem o público desconhecido. Mas eu, sinceramente, gostaria de dizer para alguns leitores abrirem os olhos e perceberem que alguns resultados não são tão ruins.

Alguns livros são descritos apenas por metáforas, algo muito difícil de expressar através de imagens, só com muita sutileza e cautela, pois o filme pode ficar lento demais, uma coisa que não ocorre tanto na leitura por estarmos o tempo todo refletindo sobre o que o autor quis passar. Em algumas situações, o livro tem muita emoção e nas telas fazem algo super lento (putz, imperdoável). E há exemplos em que o filme é idêntico ao livro, mas não tem brilho ou personalidade. Outros que fazem algo totalmente diferente da obra literária, entretanto triunfam. E ainda tem aqueles diretores que conseguem a proeza de fazer um filme ótimo de um livro péssimo (meus parabéns a esses). Não podemos deixar de citar os raríssimos casos em que tanto o livro quanto o filme agradam aos fãs do livro e adquirem novos fãs no cinema.

Antes de continuar, gostaria de incluir nesse texto as famosas HQs (Histórias em Quadrinhos). Com o mercado de adaptações Marvel e DC crescendo, há aquelas adaptações que merecem muito destaque como veremos no decorrer do texto.

Eu poderia digitar incontáveis linhas só descrevendo tipos de adaptações, sucessos e fracassos, porém imagino que a melhor maneira de demonstrar o que quero dizer é através de exemplos. Abaixo analisarei a proposta de algumas adaptações famosas (só algumas das que li). Infelizmente “Senhor dos Anéis” não está no meio, mas quero citá-lo neste parágrafo como uma das maiores vitórias baseadas em livros por ter filmes tão bons e recriar um universo literário com tanto empenho.

Parte 1: Adaptação Quadro A Quadro: Ser igual não é sinônimo de sucesso.
Parte 2: Adaptações de Metáforas: A supressão e modelação dos fatos.
Parte 3: Mudanças São Bem-Vindas… Às Vezes.