Adaptação Quadro A Quadro: Ser igual não é sinônimo de sucesso

[Complemento do artigo: Adaptação de Livros para Cinema – Uma Questão de Fidelidade?]

Para esta categoria, não consigo esquecer o recente Batman: Ano Um. Perdoe-me quem não gosta de HQs, mas acredito que este seja o melhor exemplo para ser citado primeiramente, por ser um longa praticamente igual à revista e infinitivamente inferior a ela. Neste quesito, não se trata de ausência de fidelidade, porém ausência de visão criativa do diretor. Ele praticamente copiou tudo da revista (até a animação é bem parecida), mas fez algo tão vazio que me deixou impressionado. Acho muito importante ressaltar a falta de emoção que perdura durante todo o filme, a trilha sonora não passa sentimento, os desenhos não são feios, mas a paleta de cores não chama a atenção, principalmente pela animação ser quase estática.

Nós não assistimos à visão de alguém, nós assistimos à revista. O quesito imaginativo da leitura é algo muito interessante, conseguimos ditar a velocidade com que tudo está acontecendo, imaginar as vozes dos personagens e de que modo cada um se movimenta. Quando vamos assistir a algo inspirado naquilo que lemos, temos esperança de que seguiu parte do que imaginamos, mas a visão do diretor é o que importa, ele é quem conduzirá tudo aquilo citado nas linhas acima.

Para provar isso podemos ver o filme Watchmen. Não estou comparando o live action de Zack Snyder à animação recente de Batman, sabemos que se tratam de histórias totalmente diferentes. Mas se lermos a revista de Watchmen, comprovaremos que o longa foi bastante fiel, colocando 90% da HQ no roteiro, e se tornou um bom filme. A diferença é que Snyder pôs personalidade no seu trabalho, ele soube reconhecer a importância da fidelidade com a revista e moldar os fatos de uma maneira que despertasse o interesse do público.

O elenco de Watchmen foi muito bem caracterizado para que parecesse com as personagens, houve emoção nas cenas de ação, foram suprimidos alguns monólogos que não se encaixariam bem no longa e a trilha sonora foi cúmplice de todo o sucesso escolhida da maneira certa e ficando alta quando necessário). Todos esses fatores foram bem considerados antes da gravação, Snyder conseguiu fazer uma boa adaptação por não ter medo de imprimir sua visão agitada no filme. Em entrevistas, disse que várias vezes teve que convencer a produção e o estúdio do que queria. Isso é mais um quesito que se destaca nas adaptações, nem sempre é possível colocar a essência do livro pelo estúdio (ou até mesmo o diretor) imaginar que não funcionará nas telas, como veremos no exemplo a seguir (Parte 2).

Por Alexandre Cavalcante da Silva (Alex).

[Continua em: Parte 2 – Adaptações de Metáforas: A Supressão e Modelação dos Fatos .]

[Comentários, no texto inicial: Adaptação de Livros para Cinema – Uma Questão de Fidelidade?]