O Primeiro Que Disse (Mine Vaganti. 2010)

Mine Vaganti” de Ferzan Ozpetek conta o dilema de Tommaso (Ricardo Scamarcio), herdeiro de uma rica família italiana produtora de massas, que volta de Roma empenhado em contar aos pais sobre sua condição homossexual para se livrar dos encargos burocráticos da empresa e se dedicar a sua arte de escrever. Se depara com um inesperado acontecimento, uma “bala perdida” que muda o curso de seus planos na forma de outra revelação imprevista.

O filme é acusado de caricatura embalada em moralismo dissimulado. De fato, o filme lembra antigas comédias recheadas de clichês sobre gays. E o que há de errado nisso se a obra é realizada de forma impecável, com bons atores, música primorosa e momentos divertidíssimos? O lugar-comum de um grupo de rapazes que precisa disfarçar para convencer o severo chefe de família rende cenas hilariantes bem como o já batido recurso de desenvolver uma trama paralela à estória principal para convergirem num clímax comum conduz a um desfecho bacana e bem solucionado.

Apesar da falta de originalidade, O despretensioso “Mine Vaganti” é um filme digno que cumpre o básico propósito fundamental do cinema: Entreter sem maiores pretensões.

Carlos Henry

O Primeiro Que Disse (Mine Vaganti). 2010. Itália. Direção e Roteiro: Ferzan Ozpetek. +Elenco. Gênero: Comédia, Drama, Romance. Duração: 110 minutos.

PS: A peça “Shirley Valentine” com Betty Faria e direção de Guilherme Leme é uma grata surpresa. Vale a pena conferir o momento de uma mulher que decide mudar o seu cotidiano a partir de uma viagem para Grécia. Humor, beleza e emoção no palco por apenas 10 reais no CCBB.

Doce Vingança (I Spit On Your Grave. 2010)

O filme “A vingança de Jennifer” (1978) de Meir Zarchi, exemplar cultuado de trash movie estilo sadomasoquista erótico daquela época era de um mau gosto atroz e pareceu ter sido criado somente para suprir certos instintos ultra violentos de cunho erótico ainda que supostamente levantasse uma bandeira de proteção ao sexo frágil. No entanto, a estória forte de uma escritora que decide se vingar de um grupo algoz após ser estuprada tem lá o seu encanto assustador e transformou-se num remake competente por conta da direção segura de Steven R. Monroe e de um elenco excelente encabeçados pela bela Sarah Butler e pelo bonitão Jeff Branson.

Se o original “I Spit on your grave” era explicitamente tosco e quase pornográfico, a novidade homônima de Steven R Monroe apresenta uma dignidade técnica surpreendente ainda que flerte com aqueles elementos em sua essência, a começar pelo cartaz que é muito parecido com a primeira versão: nádegas expostas e um punhal ensanguentado sugerindo um apelo tão erótico quanto violento.

Tanto a primeira parte do filme que consiste na mulher sendo brutalmente violada por cinco homens quanto a segunda que descreve a sua vingança com detalhados requintes de crueldade, compõem um desfile de cenas muito fortes que atrapalham que “Doce Vingança” seja criticado como um outro filme qualquer. O preconceito impede que estes temas primários inerentes à base humana sejam julgados imparcialmente ainda que numa embalagem de qualidade.

Carlos Henry

Doce Vingança (I Spit on Your Grave). 2010. EUA. Direção: Steven R. Monroe. Roteiro: Stuart Morse. +Elenco. Gênero: Crime, Terror, Thriller. Duração: 107 minutos. Unrated (versão sem cortes). Baseado na história de Meir Zarchi.

Incêndios (Incendies. 2010)

A morte nunca é o fim de tudo. Sobram traços.”
Filmado na Jordânia, o filme de Denis Villeneuve “Incêndios” (Incendies) que concorreu ao Oscar de melhor filme estrangeiro este ano, se situa numa região fictícia do Oriente Médio, onde os eternos conflitos religiosos entre cristãos e maometanos rendem estórias assustadoras.

Neste caso, a trama intrincada e cheia de revelações e segredos chocantes gira em torno de Nawal Marwan, uma mulher com a vida marcada por tragédias iniciadas pelo desaparecimento do primeiro filho, fruto de uma união proibida. A partir de sua busca desesperada pela criança supostamente morta até sua agonia no leito de morte, sua trajetória de sofrimentos será desvendada aos poucos através de duas cartas a serem entregues pelos seus dois outros filhos, um casal de gêmeos: uma destinada ao pai, outra ao irmão dos dois. A tarefa é difícil, pois eles não conhecem nem um, nem outro e contam com a ajuda de um tabelião amigo de Nawal para unirem um misterioso quebra-cabeças de pistas até encontrarem os destinatários das cartas.

O roteiro, de Wajdi Mouawad, navega habilmente entre cenas do passado e presente numa montanha-russa de emoções fortes. É preciso estar atento a todas as sequências e diálogos, mesmo que pareçam estar soltos ao longo do filme, para aproveitar a pungente e extraordinária estória da “mulher que canta” para suportar a dor. A peregrinação decorrente das procuras que acontecem dá o tom certo de fábula que embala e por vezes, até ameniza convenientemente um acontecimento tão aterrorizante quanto verossímil.

Carlos Henry

Incêndios (Incendies). 2010. Canadá / França. Direção: Denis Villeneuve. Roteiro: Wajdi Mouawad. Elenco: Lubna Azabal (Nawal Marwan), Mélissa Désormeaux-Poulin (Jeanne Marwan), Maxim Gaudette (Simon Marwan), +Cast. Gênero: Drama. Duração: 130 minutos.

O Inferno de Henri-Georges Clouzot (2009)

Serge Bromberg e Ruxandra Medrea decidiram fazer um documentário sobre a obra inacabada de Clouzot: “L’Enfer” assim que tiveram acesso a cerca de treze horas de filmagem através da viúva do diretor.

O projeto delirante e caríssimo envolvia estrelas do porte de Romy Schneider (Sissi) no auge de sua beleza e ousadias visuais nunca antes experimentadas. A ação do roteiro original de Clouzot se passava na região de Cantal no centro-sul da França tendo como cenário um suntuoso hotel à beira de um lago. Serge Reggiani fazia par romântico com Romy. As cenas reais da conturbada relação foram rodadas em preto e branco e os delírios causados pelo ciúme doentio do homem em colorido feérico.

O documentário acaba por resultar num fiasco em parte por não se aprofundar nos bastidores da filmagem e por outro lado por deixar o espectador frustrado diante de uma obra-prima despedaçada. Os depoimentos são desinteressantes, inconclusivos e repetitivos até o momento da inesperada morte de Clouzot que aborta o projeto.

No entanto, é valido, exclusivamente para os amantes do cinema, para assistir às cenas preciosas nunca antes vistas como a impressionante sequencia de Romy mudando de expressão somente pelo movimento da luz, além de muitas outras imagens caleidoscópicas e com testes inéditos mirabolantes de cor e maquiagem.

Melhor teria sido utilizar o enorme material encontrado e tentar montar um novo filme com os novos recursos digitais disponíveis e com base no roteiro palidamente aproveitado por Claude Chabrol em 1994 (Ciúme – O inferno do amor possessivo).

Carlos Henry

O Inferno de Henri-Georges Clouzot (L’enfer d’Henri-Georges Clouzot). 2009. França. Direção: Serge Bromberg (Roteiro) e Ruxandra Medrea. Elenco: . Documentário. Duração: 102 minutos.

Curiosidade: Em 1964, Clouzot começou a filmar O INFERNO, uma produção financiada por americanos [COLUMBIA], de quem recebeu carta-branca, com um orçamento astronômico. Contaria a história de um gerente de hotel de Provence [Serge Reggiani], de mais de 40 anos, que se casa com uma deusa de 26, Romy Schneider, e passa a desenvolver um ciúme doentio. O hotel enche de turistas a fim de curtir as férias diante do lago. Marido e mulher trabalham para entreter os hóspedes.
O diretor se prepara durante meses para filmar seu grande clássico. São 3 equipes de filmagem, que captam cada cena, depois de 4 meses de ensaios, testes e invenções de traquitanas. Um dos câmeras era COSTA GAVRAS.
Convocou artistas plásticos para criarem efeitos óticos. Era a pop art dando seus primeiros passos. Decidiu criar uma obra que fugisse da linguagem tradicional. A trama ajudava, já que os delírios do marido ciumento poderiam levar à tela imagens distorcidas. O filme seria em preto e branco. Os delírios, coloridos. Na era pré-computador, pintavam os atores de azul.
No entanto, depois de 3 semanas de filmagens delirantes, a produção foi interrompida. CLOUZOT, diretor, roteirista e produtor, sofria um surto psicológico.
Filmava e refilmava as cenas diversas vezes, em dias alternados. O filme não andava. A equipe se desgastava. Levava os atores e a equipe à exaustão. Acordava-os de madrugada para discutir o filme. Até o ator abandonar a produção, e CLOUZOT enfartar e morrer. As imagens ficaram guardadas num depósito por mais de 40 anos.
Recuperam e contam a história do filme interrompido.

Site do autor da caricatura de Henri-Georges Clouzot: http://www.nalair.fr/

O Mágico (L’illusionniste. 2010)

Sylvain Chomet já havia feito uma homenagem sutil e emocionante ao célebre cineasta de “Mon Oncle” com o excelente trabalho anterior: “Bicicletas de Belleville”. Desta vez, o diretor foi mais longe e baseou-se num roteiro original inédito do próprio Tati para criar o extraordinário “O Mágico” (L’illusionniste).

O personagem principal é muito parecido com Monsieur Hulot, o famoso personagem de Tati, desta vez encarnado num simpático mágico cuja atividade parece fadada à extinção devido às modernas e novas formas de diversão que surgem nos anos 50. Em meio à decadência de sua profissão, o mágico conhece uma jovem camareira que se torna sua fã e o acompanha pela Escócia.

Com uma sensibilidade rara e um traço artesanal impecável lindo de doer, o desenho animado desfila com maestria tipos curiosos que formam o séquito do personagem principal: Um ventríloquo, um palhaço e três acrobatas. Todos acabam sucumbindo aos novos entretenimentos que surgem através de raros diálogos e um humor singelo e algo melancólico. No final, até mesmo a última admiradora do mágico ganha novos interesses, deixando claro que a arte pura e bela está aos poucos perdendo sua plateia mais seleta.

O Mágico (L’illusionniste). 2010. França. Direção e Roteiro (Adaptado): Sylvain Chomet. Gênero: Animação. Duração: 80 minitos. Baseado num Roteiro de Jacques Tati.

Carlos Henry.

Muita Calma Nessa Hora (2010)

Filmes de verão normalmente fazem muito sucesso. Vide “American Graffit” do George Lucas, “Summer Lovers” do Randal Kleiser e as películas com Frankie Avalon e Elvis Presley. O filme nacional dirigido por Felipe Joffily em questão nos remete a “Menino do Rio” de Antonio Calmon, um estouro nacional nas bilheterias dos anos 80.

O enredo é simples como deve ser: Um trio de belas garotas (Andréia Horta, Gianni Albertoni e Fernanda Souza) que atravessam a ponte e vão para Búzios para esquecer desilusões amorosas. No caminho encontram a hippie Estrella (Débora Lamm) e se unem em aventuras leves e divertidas com rapazes de tirar o fôlego.

O trunfo maior de “Muita Calma Nessa Hora” é justamente o elenco que une veteranos como Louise Cardoso, Lúcio Mauro e Laura Cardoso (ainda que sua cena seja uma das poucas embaraçosamente ruins) com gente jovem, boa e talentosa como os protagonistas, além das participações notáveis de Maria Clara Gueiros (a empregada desconfiada Rita), Marcelo Adnet (o NERD Augusto Henrique), Luís Miranda (o gay espalhafatoso Buba), Leandro Hassum (policial), Marcos Mion (Cebola), Sérgio Mallandro (tatuador), Heloísa Périssé (cartomante) e Nelson Freitas (Pablo).

Curiosamente, o filme não é apelativo e as cenas de sexo são oportunas. Na verdade, o tema principal gira em torno da amizade verdadeira e do amor fraternal.

Para fazer deste o “Menino do Rio” dos nossos tempos, só faltaram mesmo um título menos idiota e uma trilha sonora mais caprichada embora Caetano Veloso e Pitty estejam nos créditos finais.

Carlos Henry

Muita Calma Nessa Hora. 2010. Brasil. direção: Felipe Joffily. Gênero: Comédia. Duração: 92 minutos.

Um Parto de Viagem (Duo Date). 2010

Depois do sucesso de “Se Beber, Não Case” (The Hangover – A ressaca), Todd Phillips continua reformulando o humor pastelão cujos elementos de outrora ainda estão lá acrescidos de uma sensibilidade e sofisticação peculiares ao diretor. Se no outro longa, o protagonista fazia das tripas coração para chegar a tempo no próprio casamento após uma louca despedida de solteiro em Las Vegas atravessando os Estados Unidos em situações surreais, a trama se repete na essência em “UM PARTO DE VIAGEM” (Due date) trocando o matrimônio pelo nascimento do primeiro rebento de um casal.

O trapalhão deste filme não tem noção do perigo que representa e se desmancha em pieguice com o novo amigo Peter (Robert Downey Jr.) que é obrigado a aceitar sua parceria na estrada em meio a passagens inacreditáveis na companhia do cachorro que se masturba como o dono e dos restos mortais do pai do estranho sujeito guardados numa latinha de café para serem devidamente espalhados no Grand Canyon. É justamente este sentimentalismo exacerbado e afetado do personagem Ethan vivido pelo excelente Zach Galifianakis, que faz de “DUE DATE” uma comédia diferente e especial.

O humor rasgado de antigamente dá lugar a uma gargalhada nervosa oriunda de elementos psicológicos profundos apesar do exagero nonsense de tudo o que acontece no filme. Esta parece ser a graça do novo século. Convém acostumar.

Carlos Henry

Um Parto de Viagem (Duo Date). 2010. EUA. Direção: Todd Phillips. Elenco: Zach Galifianakis (Ethan Tremblay), Robert Downey Jr. (Peter Highman), Michelle Monaghan (Christine Highman), Jamie Foxx (Jim), Juliette Lewis (Heidi), Danny McBride (Lonnie), RZA (Segurança do aeroporto), Todd Phillips (Barry), Bobby Tisdale (Carl), Aaron Lustig (Dr. Greene), Jon Cryer (Alan Harper), Charlie Sheen (Charlie Harper). Gênero: Comédia. Duração: 100 min.

A Suprema Felicidade (2010)

Arnaldo Jabor, o excelente cineasta dos ótimos “Eu te amo” e “Tudo Bem” quebra o jejum de décadas e reestreia nas telas com “A Suprema Felicidade”. O diretor vem sendo duramente criticado por ser pessoal e nostálgico nesta última obra, esquecendo que Fellini, Ingmar Bergman e outros gênios já fizeram o mesmo em vários de seus trabalhos.

Munido de um elenco excelente, Jabor reinventa suas próprias reminiscências com maestria, sensibilidade e experiência, criando cenas que provavelmente não serão esquecidas facilmente. Evitando um roteiro linear, a ação se concentra numa família comum no meio do século XX desfilando tipos e situações que poderiam se misturar às lembranças de qualquer um. O protagonista é o menino Paulinho (Caio Manhent) que aparece em várias idades sem ordem cronológica. Quando os hormônios afloram, o rapaz (Jayme Mataraz) se envolve com uma estranha cantora médium (Maria Flor envolvida com espíritos e ectoplasmas) e com uma belíssima artista de cabaré (Tammy Di Calafiori) sem perceber que o melhor amigo também se interessa por ele.

O avô (Marco Nanini) é músico e sugere o título em vários momentos. É casado com uma polaca vivida pela ótima e subestimada Elke Maravilha. Dan Stulbach faz o papel do pai aviador com a perfeição de sempre e Mariana Lima vive a esposa intensa e atormentada pelo constante fantasma da traição. Há personagens e cenas paralelas que pouco acrescentam ao roteiro mas colorem e floreiam o enredo com eficiência, como o pipoqueiro desbocado (João Miguel de “Estômago”), o padre afetado (Ary Fontoura) que ameaça as crianças com as punições divinas ao pecado do “sexo solitário”, a mãe bêbada (A talentosíssima Maria Luísa Mendonça) que agencia a própria filha adolescente e a interessante sequência de homicídio num movimentado e decadente prostíbulo.

As memórias do autor podem confundir-se com as do expectador mais sensível que é lembrado o tempo todo de que é apenas uma obra de arte flertando com os sentimentos, a descoberta do sexo, a ambiguidade, o carnaval daqueles tempos em imagens reais, o sobrenatural, a música e o glamour de alguma época. Apesar do desfecho não corresponder ao nível geral do filme, “A Suprema Felicidade” é puro cinema e um deleite para os sentidos.

Carlos Henry

PIRANHA 3D

O remake de Alexandre Aja é tudo o que o filme “PIRANHA” de Joe Dante tentou ser e não conseguiu.

Embora sem o charme característico e nostálgico das películas das décadas de 70/80, a nova realização brinca com clássicos e cults daquela época sem temer o exagero e o explícito. A começar pelo cartaz que remete imediatamente à pintura de Roger Kastel que realizou o famoso desenho de “TUBARÃO”. A citação ao filme de Spielberg não para aí e (pasmem!) o ator Richard Dreyfuss aparece na sequência inicial na pele de uma cópia do personagem que o consagrou. Matt canta a mesma canção (“Show me the way to go home”) entoada pelo trio de caçadores da fera naquele filme antes de ser devorado no rio. É como se o diretor quisesse dizer: O tempo de “JAWS” já passou. Abram caminho para o monstro do século XXI!

Christopher Lloyd revive o cientista louco de “DE VOLTA PARA O FUTURO” envolvido em cenas inacreditáveis com suas descobertas a respeito de um cardume de peixes carnívoros pré-históricos libertados de cavernas subterrâneas por um tremor até um lago onde acontece uma festa de adolescentes com os hormônios à flor da pele.

Nem “FOME DE VIVER” escapa ao escracho com “Flower Duet” de Lakme de Leo Delibes como música de fundo para um balé erótico submarino entre duas mulheres completamente nuas. Impossível também não lembrar os serial-killers como Jason (“SEXTA-FEIRA 13”) ou Michael Myers (‘HALLOWEEN”) quando surgem as mortes horripilantes e sucessivas punidas com os exageros da luxúria.

O efeito 3D ainda que convertido, funciona bem em várias sequências valorizando a carnificina e o sexo sem poupar carne dilacerada e peitos turbinados.

Quem for ao cinema sem esperar sutilezas e atuações de primeira linha ou um roteiro próximo ao verossímil e encarar o filme como uma brincadeira despretensiosa que homenageia de verdade os longas-metragens citados e seus clichês, vai se divertir bastante. Afinal, cinema ainda deveria ser a maior diversão.

Carlos Henry

Piranha 3D (Piranha 3D). 2010. EUA. Direção: Alexandre Aja.Elenco: Jessica Szohr, Elisabeth Shue, Ving Rhames, Christopher Lloyd, Adam Scott, Richard Dreyfuss. Gênero: Comédia, Terror, Thriller. Duração: 89 minutos.

Como Esquecer (2010)

Como Esquecer” de Malu Di Martino tem Julia como personagem central, uma lésbica  de temperamento difícil que se fecha em barreiras intransponíveis após ter sido abandonada pela companheira Antonia. O caráter hermético se dá na forma de atitudes grosseiras e respostas corrosivas que fuzilam os que tentam se aproximar. No início, o espectador se aborrece com o mau humor exacerbado de Julia, mas aos poucos a atriz Ana Paula Arósio conduz o papel de forma mais humana e compreensível revelando nuances e detalhes delicados que justificam o comportamento.

O elenco é o ponto alto do filme com Murilo Rosa perfeito como a antítese de Julia: Hugo, um gay engraçado e otimista apesar de também ter perdido o amor de sua vida. Ele e Lisa (Natalia Lage) uma jovem que está grávida são amigos de Julia e todos se isolam no balneário afastado de Pedra de Guaratiba, um local propício às reminiscências e introspecções do grupo. Helena (Arieta Corrêa) e Carmen Ligia (Bianca Comparato) chegam até a praia e vão tentar penetrar no mundo fechado de Julia com as armas da sedução.

O resultado é uma interessante reflexão sobre a dor e a solidão amparada em diálogos inteligentes e naturais onde Virginia Woolf e Cassandra Rios são citados oportunamente.

Um desfecho um pouquinho mais elaborado poderia elevar a categoria de “Como Esquecer” a um grande filme.

Carlos Henry

Como Esquecer. (2010). Brasil. Direção: Malu Di Martino. Elenco: Murilo Rosa, Ana Paula Arósio, Natália Lage, Arieta Correia. Gênero: Drama, Romance. Duração: 100 minutos. Adaptado da história autobiográfica de Miriam Campello.