Pecados Íntimos é um filme estadunidense, dirigido por Todd Field, com roteiro baseado no romance de Tom Perrotta. Foi indicado ao Globo de Ouro na categoria de melhor filme. O drama cinematográfico é ambientado em uma cidadezinha de Massachusetts, estado onde vive Perrotta.
“Queridas Crianças” (Little Children) seria a tradução literal de “Pecados Íntimos”, que soa pretensioso num filme onde as crianças são usadas como parte dos desejos obscuros dos adultos.
O filme narra a história de Ronnie J. McGorvey (Jack Earle Haley, o Rorschach de Watchmen). Ele é um molestador de crianças que sai em liberdade condicional para morar com a mãe num bairro tranquilo, rico e familiar. O desconforto de todos é geral diante da potencial ameaça. Porém, logo se percebe que ele é apenas o lado visível da podridão que aquela sociedade oculta sobre os tradicionais pilares das aparências. Cada personagem ao seu modo tem perversões e profundas tristezas a esconder. O filme é tenso e sufocante, repleto de atuações brilhantes. “A memorável sequência da piscina, na qual o pedófilo é expurgado do lugar como um vírus mortal, diz tudo e mais um pouco”.
Quando assisto ao filme, vejo Haley e sinto na pele o medo, e na memória vêm à tona os momentos que também fui vítima de pedófilos; não entendia o comportamento daqueles monstros que conviviam à minha volta. Eu era simplesmente uma criança mas, mesmo assim, aqueles seres me atormentavam. Fui perseguido, obrigado a fazer coisas que nem mesmo eu sabia o que era. Mas dentro de mim sentia que era algo errado e que não deveria ser feito. Mas aqueles monstros me obrigavam, me ameaçavam. E eu era obrigado a fazê-lo. Eu me sentia culpado. Tinha medo e vergonha, também. Dentro de mim um desalinho, pois sabia que algo errado estava acontecendo, mas tinha medo de contar e omitia pra mim mesmo aquela cena terrível. Não fui violentado graça a Deus! Mas foram inúmeras as vezes que me deparei com pessoas ditas honestas e humanas, que olharam pra mim, uma simples criança e diziam, olhando para o seu membro genital: “eu deixo você pegar”. Não foi uma só pessoa; foram algumas pessoas em momentos diferentes da minha vida. Nada aconteceu no meu corpo físico, mas na alma ficaram as marcas de uma experiência que nunca será esquecida. Fui utilizado como parte da fantasia sexual de indivíduos que se diziam humanos, mas que na verdade não passavam de seres irracionais, monstros da pior espécie. Viver tal experiência é um estigma que fica registrado na alma. No decorrer da vida, encarei essa cruel realidade e sobrevivi, e hoje busco defender pessoas que, como eu, foram traumatizadas por monstros que não respeitam ninguém.
Pois podemos ver ainda na atualidade a coisa acontecer em todos os lugares e de variadas formas, mas com um único ser; os mais especiais, puros e frágeis também: as nossas crianças que são usadas e humilhadas por monstros em forma de seres humanos. A cada esquina um olhar enigmático, mas louco! A cada passo um medo e, na garganta, um sufoco. A cada momento nada se pensa, sobre o que aconteceu, o nosso corpo pode ser pertence de quem abusos tece. Mas tudo silencia e nada nos descansa quando surge um novo dia e alguém se apropria da doçura da alma de uma criança. Por isso respeite as crianças. Seja humano e se coloque no lugar das mesmas, assim você verá, ou melhor, sentirá na pelo o medo, o desalinho da alma.
Voltando ao filme, podemos dizer que Haley, interpreta um pedófilo quarentão que vive com a mãe. E tem sua patologia vista como aberração pela comunidade em que vive. O “mundo não perdoa os pedófilos” e são intransigentes ao pensar em dar uma segunda chance. Haley o personagem mais interessante do filme, pois ciente do seu problema, não se faz de vitima. Os diálogos com a mãe são tocantes, sensíveis e desesperadores.

























