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	<title>Cinema é a minha praia! &#187; evenancio</title>
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		<title>Cisne Negro (Black Swan. 2010)</title>
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		<pubDate>Fri, 04 Feb 2011 10:00:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>evenancio</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Não esperava outra coisa, que não fosse excelente, de um diretor do gabarito de Darren Aronofsky. Ainda muito jovem este é um dos iluminados do cinema, visto que desde Pi – seu filme de estreia – todos os seus trabalhos são clássicos do novo cinema (a título de curiosidade, no IMDB, seu pior filme tem [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=cinemaeaminhapraia.com.br&amp;blog=1479777&amp;post=8628&amp;subd=lella&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="separator" style="clear:both;text-align:center;"><a style="margin-left:1em;margin-right:1em;" href="http://lella.files.wordpress.com/2011/02/cisnei_negro2.jpg"><img src="http://lella.files.wordpress.com/2011/02/cisnei_negro2.jpg?w=320&#038;h=253" border="0" alt="" width="320" height="253" /></a></div>
<p>Não esperava outra coisa, que não fosse excelente, de um diretor do gabarito de <strong>Darren Aronofsky</strong>. Ainda muito jovem este é um dos iluminados do cinema, visto que desde <em>Pi </em>– seu filme de estreia – todos os seus trabalhos são clássicos do novo cinema (a título de curiosidade, no <a rel="NOFOLLOW" href="http://www.imdb.com/name/nm0004716/">IMDB</a>, seu pior filme tem a nota <a rel="NOFOLLOW" href="http://www.imdb.com/title/tt0414993/">7.4</a>).</p>
<p>Logo já sabia que o filme seria algo melhor do que temos nos habituados a averiguar no cenário atual – onde remakes e continuações persistem num cinema que está ficando sem criatividade e a beira da falência. O que eu não sabia é que <strong>Cisne Negro</strong> era a principal obra de <strong>Aronofsky </strong>até o momento, candidato à melhor filme dos últimos anos.</p>
<p><strong>Aronofsky </strong>demonstra ter habilidade de sobra para retratar os homens e seus demônios, parece conhecer como ninguém a loucura presente em cada um de nós, o grito contido na garganta e as consequências do sentimento reprimido. Como diria <strong>Gabriel Garcia Marques</strong> – “<em>todo escritor sempre escreve o mesmo livro</em>”, neste caso este diretor sempre dirige o mesmo filme, explorando cada vez mais a angústia do homem presente no mundo, assim como doenças da alma e do coração.</p>
<p>Uma breve sinopse: <strong>Cisne Negro</strong> é uma história que mostra a expectativa e o esforço da bailarina <em>Nina </em>em busca da apresentação perfeita para a estreia da nova montagem de <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/O_Lago_dos_Cisnes">O Lago dos Cisnes</a>, balé composto em quatro partes pelo russo <a rel="NOFOLLOW" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Tchaikovsky">Tchaikovsky</a>. <em>Nina</em>, já com 28 anos, sempre treinou arduamente para o papel principal, e agora que é selecionada, exerce uma enorme pressão em torno de si mesma.</p>
<p>Esta pressão faz com que <em>Nina </em>se torne uma mulher atormentada, perturbada e com mania de perseguição, que passa a ver coisas e imaginar situações que se confundem com o nível real. Logo <em>Nina </em>passa da breve pressão para ataques constantes de psicose e delírio pré-loucura. De certo modo, lembra muito o declínio de <a href="http://www.evenancio.com/2008/08/rodion-romanovitch-raskolnikov.html">Raskólnikov</a>, protagonista de <a href="http://www.evenancio.com/2008/08/crime-e-castigo-uma-analise.html">Crime e Castigo</a>, obra clássica de <strong>Fiódor Dostoiévski</strong> – tenho lá minhas dúvidas se o filme não foi influenciado pela literatura do escritor russo (coincidência ou não, existe um filme brasileiro chamado <a href="http://www.evenancio.com/2009/12/nina.html">Nina</a> que é baseado em <em>Crime e Castigo</em>).</p>
<p>O <strong>Cisne Negro</strong> permite uma série de análises complexas nos seus diferentes atos. É um filme que traz algumas fendas de reflexão que nos autorizam a mergulhar por horas em suas diretrizes distintas. Entre estes pontos podemos destacar a relação entre <em>Nina </em>e sua mãe, uma mulher protecionista que abdicou de sua carreira de bailarina, para cuidar de <em>Nina </em>– fruto de um relacionamento do que podemos classificar como “<em>Uma Noite e Nada Mais</em>”.</p>
<p>Nina pode ser vista como uma <span style="text-decoration:underline;">consequência</span> de sua mãe (e não como uma <span style="text-decoration:underline;">filha</span> ou uma cria): <em>Nina </em>é a oportunidade de sua mãe vingar-se como a continuidade da carreira de bailarina que foi “<em>obrigada</em>” a abandonar. Além disto, <em>Nina </em>é sempre vista como uma menina por sua mãe – o quarto decorado como uma menina de 12 anos, mais as regras e deveres impostos a protagonista, causam uma repressão e uma espécie de fúria contida, que traz graves sequelas posteriores.</p>
<p>Este relacionamento complexo entre mãe e filha corrobora ainda mais com minha teoria: nunca um escritor explorou tão bem a conturbada relação entre pais e filhos do que <strong>Dostoiéski</strong>, ilustrada tão perfeitamente em <a href="http://www.evenancio.com/2009/12/os-irmaos-karamazov.html">Os Irmãos Karamazov</a>. Inclusive o ápice do delírio chega a um notável grau de semelhança entre o<strong> Cisne Negro</strong> e o livro. Deveras, os traços de influência estão lá, como se fossem <em><a rel="NOFOLLOW" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Ovo_de_p%C3%A1scoa_(virtual)">easter eggs</a></em> para os apreciadores do escritor russo.</p>
<p>Outro ponto de destaque é a conversão da menina ingênua, que é uma abstração do cisne branco, para a menina perversa, que nada mais é do que o cisne negro tão almejado. De fato, o cisne branco tem uma apresentação impecável, perfeita, onde devido aos traços inocentes da personalidade de <em>Nina</em>, não há dificuldade em preservar o papel. Entretanto o cisne negro peca em excesso: o cisne negro está muito distante de <em>Nina </em>e acaba por influenciar a sua apresentação.</p>
<p>Para que ela consiga chegar ao seu objetivo, há uma série de iniciativas provenientes principalmente de <em>Thomas Leroy</em> – o diretor da montagem – que tenta despertar o espírito malvado em <em>Nina </em>tão necessário para encarnar a personagem obscura do balé. Este dualidade entre o negro e branco desperta constantes desequilíbrios na protagonista, que chega a ter acessos esquizofrênicos durante boa parte do filme.</p>
<p>Por fim, não menos importante, é o relacionamento entre <em>Nina </em>e <em>Lily</em>, uma colega do balé que é personificação do próprio cisne negro. <em>Lily </em>é substituta direta de <em>Nina</em>, que vê em sua colega uma ameaça para o seu papel, o que acalenta ainda mais a pressão exercida por si mesma. <em>Lily </em>é o Gral de <em>Nina</em>, objeto de perseguição e obsessão. É para lá que <em>Nina </em>deve caminhar se quiser se tornar o cisne negro perfeito.</p>
<p>É neste clima que o filme se desenvolve. Não irei citar nenhum caso em específico para não diminuir a experiência daqueles que irão assistir. Entretanto é interessante guardar estes pontos em sua mente para que se possa criar uma posterior reflexão dissertativa, visto que possibilidades não faltam. Ademais, outros pontos, que não os apresentados neste texto, podem ser explorados. O filme é quase inesgotável.</p>
<p>Portanto <strong>Clint Eastwood</strong> que se cuide, pois está chegando <strong>Darren Aronofsky</strong>, um diretor da nova safra que ainda trará outras preciosas iguarias para o nosso cinema. Arrisco-me a dizer que no futuro ele será considerado o melhor de todos os tempos. Se continuar neste ritmo, o que eu disse não será nenhuma adivinhação, mas um fator lógico a ser considerado.</p>
<p>Por: EvAnDrO vEnAnCiO.   Blog: <a href="http://www.evenancio.com/">EvAnDrO vEnAnCiO</a> / <a href="http://www.universohiperreal.com.br/">Universo Hiper-Real</a>.</p>
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		<title>O Monstro (Il Mostro, 1994)</title>
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		<pubDate>Wed, 02 Feb 2011 02:02:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>evenancio</dc:creator>
				<category><![CDATA[Itália]]></category>
		<category><![CDATA[Comédia]]></category>
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			<content:encoded><![CDATA[<div class="separator" style="clear:both;text-align:center;"><a style="margin-left:1em;margin-right:1em;" href="http://lella.files.wordpress.com/2011/02/il-mostro-original.jpg"><img src="http://lella.files.wordpress.com/2011/02/il-mostro-original.jpg?w=320&#038;h=180" border="0" alt="" width="320" height="180" /></a></div>
<p>&#8220;Um <em>serial killer</em> está à solta e o paisagista e pintor de letreiros <strong>Loris</strong>, um caloteiro de primeira e artista de segunda que vive fugindo do proprietário de seu apartamento para não pagar o aluguel, é o principal suspeito. Isso graças a seu péssimo hábito de ser surpreendido em situações comprometedoras.</p>
<p><strong>Jessica</strong>, uma policial à paisana, é incumbida pelo excêntrico psicanalista policial, <strong>Taccone</strong>, de seguir <strong>Loris </strong>e adquirir provas para efetuar sua prisão. Mas as coisas não saem como planejado&#8230; Você vai morrer de tanto rir.&#8221;</p>
<p>Esta é a sinopse de <strong>O Monstro</strong>, filme escrito, dirigido e protagonizado pelo cineasta italiano <strong>Roberto Benigni</strong>, que em 1997 ficaria internacionalmente conhecido pelo brilhante <a href="http://cinemaeaminhapraia.com.br/2009/04/24/a-vida-e-bela-la-vitta-e-bella/">A Vida é Bela</a> – vencedor do <strong>Oscar </strong>de <em>Melhor Filme Estrangeiro</em>. Acompanhado de sua inseparável musa (a esposa <strong>Nicoletta Braschi</strong>) <strong>Benigni </strong>desenha, em minha opinião, um dos melhores filmes de <em>comédias </em>desde <strong>Charles Chaplin</strong>. Poucos filmes do gênero fazem parte de minha estante, e este é um deles.</p>
<p>Sua interpretação é impecável, marcante e inigualável. <strong>Benigni </strong>é uma espécie de <strong>Mr. Bean</strong> agregado com aquele exagero característico que é peculiar dos cidadãos italianos: articulados, sotaque cantarolado e descontraídos. De fato, os filmes de <strong>Benigni </strong>sempre ascendem a estes atributos, amplificando em níveis estratosféricos de modo que o humor seja imbatível.</p>
<p>Esta comédia não é aquela pastelona, nem se trata de besteirol, mas sim de um humor sútil e inteligente dado ao roteiro suave idealizado por <strong>Benigni</strong>, que cria situações cômicas no cotidiano comum de um malandro nato – que é personificado por <strong>Lori</strong>, nosso anti-herói que se envolve em tantas confusões que acaba se tornando o principal suspeito referente a um assassino em série que estava fazendo vítimas na redondeza.</p>
<p>Desde o princípio já sabemos que <strong>Lori </strong>não tem nada a ver com isto – simplesmente está sempre no local e na hora errada. Entretanto é esta fórmula que faz desta uma das grandes comédias: no ponto de vista das outras personagens, é quase impossível pensar que <strong>Lori </strong>não seja de fato o criminoso, afinal todas as situações levam os a esta conclusão. As cenas são hilárias, com diálogos excelentes, visto que as personagens são quase todas excêntricas e carismáticas.</p>
<p>Do ponto de vista de interpretação, este filme é uma aula de atuação. Para quem está iniciando sua carreira como ator, seja no teatro, seja no cinema, não deveria deixar de ver este filme por nada. De fato, ele é quase um laboratório para aquilo que veríamos três anos depois em <strong>A Vida é Bela</strong>. Os outros atores do filme também estão à altura do filme – não vou falar de <strong>Nicoletta Braschi</strong>, que interpreta a policial disfarçada que se aproxima de Lori para servir de isca numa operação, afinal seu papel propositalmente é não ofuscar o cintilante mestre.</p>
<p>Temos aí um filme completo, com começo, meio e fim, entretenimento de alto nível que, assim como certas séries, não cansamos de ver: uma, duas, três, quatro, cinco vezes, enfim, independente da quantidade de vezes que assistirmos, não tiramos a expressão de riso do rosto. Filme que eu recomendo para todos que eu conheço, logo não poderia deixar de recomendar neste blog.</p>
<p>Por: EvAnDrO vEnAnCiO.   Blog: <a href="http://www.evenancio.com/">EvAnDrO vEnAnCiO</a> / <a href="http://www.universohiperreal.com.br/">Universo Hiper-Real</a>.</p>
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		<title>Appaloosa &#8211; Uma Cidade Sem Lei (2008)</title>
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		<pubDate>Sun, 30 Jan 2011 15:19:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>evenancio</dc:creator>
				<category><![CDATA[EUA]]></category>
		<category><![CDATA[faroeste]]></category>

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			<content:encoded><![CDATA[<div><a style="margin-left:1em;margin-right:1em;" href="http://lella.files.wordpress.com/2011/01/appaloosa.jpg"><img class="aligncenter" src="http://lella.files.wordpress.com/2011/01/appaloosa.jpg?w=320&#038;h=240" border="0" alt="" width="320" height="240" /></a></div>
<p>Desde os fabulosos <strong>Os Imperdoáveis</strong> e <strong>Tombstone</strong> eu não havia encontrado mais nada no gênero <em>Western </em>que me chamasse a atenção. Estes dois são clássicos do cinema que estão para além de qualquer suspeita, afinal existe uma grandiosa história por trás de intocável elenco. Nada poderia ser melhor.</p>
<p>Nem mesmo <strong>Onde os fracos não tem vez</strong> (o fajuto ganhador do <em>Oscar</em> de Melhor &#8211; argh! &#8211; Filme) e nem mesmo o excelente <strong>O Assassinato de Jesse James</strong> conseguiram repetir a façanha destes dois citados acima.</p>
<p>Porém recentemente conferi um hit que conseguiu saciar a minha sede do estilo. Trata-se do magnífico <strong>Appaloosa &#8211; Cidade Sem Lei</strong>, filme que repete a fórmula de sucesso dos clássicos: excelente roteiro aliado a um excelente elenco.</p>
<p>Neste caso temos um ingrediente especial: um dos meus atores prediletos do cinema assina o roteiro, a direção e ainda atua como personagem principal! Este cara é <em>Ed Harris</em> e os louros são todos para si, devido ao imenso risco de fracassar ao assumir tudo sozinho.</p>
<p>Se o filme não fosse bom, a imagem de <em>Ed Harris</em> poderia ser prejudicada, mas não: tudo funciona perfeitamente bem!</p>
<p>Na companhia de <em>Ed Harris</em>, ainda temos<em> Viggo Mortensen</em> &#8211; representado pelo seu fiel escudeiro Everett -, <em>Renée Zellweger</em>, como a senhora que mexe com os brios do mocinho, e o estupendo <em>Jeremy Irons</em>, como o vilão da história.</p>
<p>Coloque estes quatro cidadãos no liquidificador, bata e veja o que sai: uma bebida com um sabor inesquecível. Assim é Appaloosa, um grande momento do cinema.</p>
<p>Appaloosa é uma cidade tomada pelos bandidos e constituem uma terra sem lei. Virgil e Everett formam uma destemida dupla que está habituada a este tipo de situação e que são contratados para restabelecer a ordem.</p>
<p>A dupla chega a lembrar de dois personagens clássicos de Miguel de Cervantes: Dom Quixote e Sancho Pança, e desconfio que ambos tenham sido verdadeiramente inspirados pelo livro do espanhol.</p>
<p>Agora o triunfo do filme reside nos irreverentes diálogos. É uma provocação sem fim que lhe deixa tenso em diversos momentos. Se tivesse que comparar com a televisão, Virgil é como um Dr. House versão Bang-Bang. Imagine só então o que vem por aí! Recomendado!</p>
<p>Por: EvAnDrO vEnAnCiO.   Blog: <a href="http://www.evenancio.com/">EvAnDrO vEnAnCiO</a> / <a href="http://www.universohiperreal.com.br/">Universo Hiper-Real</a>.</p>
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		<item>
		<title>A Ilha: Uma Prisão Sem Grades (Boot Camp, 2008)</title>
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		<pubDate>Sun, 30 Jan 2011 08:05:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>evenancio</dc:creator>
				<category><![CDATA[Canadá]]></category>
		<category><![CDATA[EUA]]></category>
		<category><![CDATA[prisão]]></category>
		<category><![CDATA[sistema prisional]]></category>
		<category><![CDATA[tortura]]></category>

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		<description><![CDATA[Neste final-de-semana assisti a um filme que não chega a ser sensacional, porém é chocante. Se não fosse os dizeres &#8220;Este filme é baseado em fatos reais&#8221; talvez passaria despercebido por mim. Entretanto, após chegar ao término, fui investigar mais a fundo e descobri que coisas muito piores do que as relatadas no filme acontecem [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=cinemaeaminhapraia.com.br&amp;blog=1479777&amp;post=8626&amp;subd=lella&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="separator" style="clear:both;text-align:center;"><a style="margin-left:1em;margin-right:1em;" href="http://lella.files.wordpress.com/2011/01/a-ilha-boot-camp.jpg"><img src="http://lella.files.wordpress.com/2011/01/a-ilha-boot-camp.jpg?w=229&#038;h=320" border="0" alt="" width="229" height="320" /></a></div>
<p>Neste final-de-semana assisti a um filme que não chega a ser sensacional, porém é chocante. Se não fosse os dizeres &#8220;<em>Este filme é baseado em fatos reais</em>&#8221; talvez passaria despercebido por mim. Entretanto, após chegar ao término, fui investigar mais a fundo e descobri que coisas muito piores do que as relatadas no filme acontecem ainda hoje.</p>
<p>O filme se chama <a href="http://www.imdb.com/title/tt0870204/" target="_blank">Boot Camp</a> (que pode ser traduzido como <em>Acampamento de Recuperação</em> em português) e segundo o site <a href="http://www.choveu.net/locadorafilme/dvd.aspx?keyfilme=14721" target="_blank">Choveu</a> ele sairá por aqui, a partir do dia 16/07/2008, direto em DVD, com o nome de <em>A Ilha &#8211; Uma Prisão sem Grades.</em></p>
<p>Segue a Sinopse:</p>
<p><em>Boot Camp é um thriller psicológico sobre um grupo de jovens rebeldes que são enviadas para uma casa de reabilitação em um remoto campo das Ilhas Fiji. Mas o que seus pais acreditam ser uma respeitosa e artística instituição de luxo em um lugar calmo e perto da natureza se torna uma prisão onde esses jovens são levados a um pesadelo. E é neste verdadeiro campo de batalha que eles serão submetidos a diversos abusos e lavagens cerebrais. Submetidos as situações extremas e com a sanidade mental ameaçada, estes jovens deverão enfrentar o diretor militarista e sua utópica visão de ordem, para conseguirem escapar.</em></p>
<p>O filme é um show de tortura psicológica e física, e assemelha-se bastante ao que acontece nos campos militares, com uma exceção: os torturados são crianças enviadas pelos próprios pais na espectativa que os filhos aprendam a lhes obedecer. Para eles pararem de serem torturados, precisam torturar os outros. Só assim podem subir de nível,  numa espécie de hierarquia onde quanto mais alta, mais direito a regalias.</p>
<p>Enfim, só vendo o filme para se sentir chocado ao ver crianças, que muitas vezes não cometem nem ao menos um crime, sendo enviadas para verdadeiros campos de concentração. Porém eu, em minha ingenunidade, achei que o filme era exagerado e o inicio que dizia que <em>&#8220;Este filme é baseado em fatos reais. Há atualmente mais de 20.000 acampamentos de recuperação ou com regras similares ao chamado </em><a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Tough_love" target="_blank"><em>Amor Duro</em></a><em>, abrigando milhares de crianças no mundo. Eles operam virtualmente sem nenhuma regulamentação ou fiscalização do governo.&#8221;</em> fazia parte da estratégia de instigar a curiosidade do público. Porém, no fim, os produtores do filme insistem na questão e complementam os dizeres iniciais com os seguintes: <em>&#8220;Desde o começo do movimento Amor Duro de reabilitação em 1970, centenas de milhares de crianças têm sido enviadas para programas iguais ou similares a este. Tem sido relatados mais de 40 mortes nos acampamentos. Não há estatísticas de quantas vidas têm sido irreparavelmente danificadas.&#8221;</em></p>
<p>Fiquei com isto na cabeça, muito incomodado pela possibilidade do real, e fui investigar a veracidade dos eventos demonstrados. Segundo o wikipedia, <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Boot_camp_%28correctional%29" target="_blank">Boot Camps</a> fazem parte do sistema de correção de jovens que cometeram o primeiro delito como substituição ao tradicional sistema de carceragem no EUA, ainda que diversos países adotem sistemas semelhantes. O modelo deste tipo de punição é baseado nos mesmos moldes de campos de recrutamento militares e o objetivo é fazer com que eles sejam re-educados, aprendam a obedecer regras e respeitar hierarquias para serem re-inseridos na sociedade. O tempo de tratamento varia entre 90 e 180 dias e caso o programa não seja completado, o jovem volta para o sistema tradicional de punição e é encarcerado. Estes campos de recuperação podem ser empresas privadas ou do próprio governo.</p>
<p>Neste caso, temos uma espécie de <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Funda%C3%A7%C3%A3o_CASA" target="_blank">Febem</a> paulista, porém com regras mais rígidas para os criminosos de primeira viagem, o que, em teoria, seria válido como forma de tentativa, pois assim estes jovens não retornariam a cometer outros crimes quando voltassem para as ruas. A punição segue o príncipio de agir antes, ainda que com certo rigor,  do que tentar fazer alguma coisa quando não tiver mais o que fazer. O problema é que no comando destes lugarem estão homens, e sabemos que o poder corrompe os homens, então surgem episódios como a do garoto <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Martin_Lee_Anderson" target="_blank">Martin Lee Anderson</a>, que no início de 2006 teve um colapso e faleceu enquanto era obrigado a continuar correndo mesmo sem aguentar e visivelmente fatigado, durante um exercício. Vídeos flagaram toda a ação e a negligência em atender o garoto mesmo após ele estar esparramado no chão &#8211; demoraram cerca de 20 minutos para chamarem o socorro médico. No julgamento pela morte de Anderson, todos os envolvidos foram inocentados. Toda a ação, vídeos e afins podem ser acessadas no <a href="http://www.martinleeanderson.com/index.php" target="_blank">site oficial</a> do menino, para isto, clique <a href="http://www.martinleeanderson.com/index.php" target="_blank">aqui</a>.</p>
<p>Porém, embora exista polêmica, assim como no tratamento da Febem, não era exatamente isto que eu vi no filme. O que eu vi foram jovens enviados para campos de recuperação privados apenas com o consentimento dos pais. Estaria os criadores do filme equivocados?</p>
<p>Como sempre faço ao terminar de assistir qualquer filme, fui avaliar o mesmo no <a href="http://www.imdb.com/" target="_blank">imdb</a> e dei nota 8 de 10 possíveis. Ao ler a parte de discussões do filme, vi dois tópicos que me chamaram a atenção: <a href="http://www.imdb.com/rg/title-tease/boards-subject/title/tt0870204/board/nest/108548439" target="_blank">Este filme é realmente inspirado em fatos reais?</a> e <a href="http://www.imdb.com/title/tt0870204/board/nest/105696902" target="_blank">Estes lugares existem</a>. O primero levanta uma questão que estava dentro de mim e o segundo responde.</p>
<p>Para sintetizar a discussão, a resposta é <strong>sim</strong>, caros amigos, <strong>estes lugares existem até os dias hoje</strong>. Tem preço, endereço, telefone, fotos, vídeos e depoimentos de quem passou por lá. No próprio imdb existem relatos de quem teve parentes e conhecidos colocados nestes lugares e a coisa parece ser bem pior do que as demonstradas no filme. Um membro relata que a sua ex-namorada foi agredida e molestada por funcionários. Um destes lugares é conhecido como <a href="http://www.tranquilitybay.org/" target="_blank"><strong>Tranquility Bay</strong></a>, que é o local que inspirou o filme. Se trata de uma ilha isolada na Jamaica que, segundo o próprio site da empresa, a especialização é no tratamento de jovens e adolescentes problemáticos, entre 11 e 19 anos de idade.</p>
<p>Na web, estão centenas de artigos e depoimentos denunciando os maus tratos e abusos desta instituição, onde caminha a própria Besta e a Crueldade entre as crianças. Os pais pagam até o equivalente a <strong>R$ 5000,00 por mês</strong> para terem os seus filhos tratados nestes campos e muitas vezes não sabem o que acontecem por lá, visto que ligações e visitas são geralmente proibidas.</p>
<p>Alguns depoimentos podem ser conferidos através de movimentos como o <a href="http://www.tbfight.com/" target="_blank">TBfight.com</a> e o <a href="http://cafety.org/index.php?option=com_content&amp;task=view&amp;id=188&amp;Itemid=2" target="_blank">cafety.org</a>, que lutam pelo fim destes tipos de instituições. É barbaridade o que acontece. São recorrentes cenas de abuso, estupro, tortura psicológica e agressão física. Uma garota chegou a ficar três meses sem poder falar com alguém, isolada num quarto. As vezes são obrigados a comer uma &#8220;comida estranha&#8221;, que eles mesmo não sabem distinguir e são horríveis. <a href="http://tranquilitybayabuse.blogspot.com/2007/06/abuse-at-tranquility-bay.html" target="_blank">Um garoto apanhava de chinelo e ficou sem as suas medicações &#8211; sendo que ele tinha sérios problemas para respirar</a>.</p>
<p>Veja algumas fotos do local encontradas na web:</p>
<div style="text-align:center;">
<div class="separator" style="clear:both;text-align:center;"><a style="background-color:transparent;margin-left:1em;margin-right:1em;border:0;" href="http://bp0.blogger.com/_z1TBmSGrVQ4/SINKTMHnzsI/AAAAAAAABN8/c8V4-CphMN4/s1600-h/9_05_07_07_1_11_25.jpg"><img style="border:0;" src="http://bp0.blogger.com/_z1TBmSGrVQ4/SINKTMHnzsI/AAAAAAAABN8/HVoBWvYd8mE/s200-R/9_05_07_07_1_11_25.jpg" alt="" /></a><a style="background-color:transparent;margin-left:1em;margin-right:1em;border:0;" href="http://bp1.blogger.com/_z1TBmSGrVQ4/SINKVTOH2pI/AAAAAAAABOE/r-OCtr6pTlU/s1600-h/tb%2520boys%2520on%2520floor%25204.jpg"><img style="border:0;" src="http://bp1.blogger.com/_z1TBmSGrVQ4/SINKVTOH2pI/AAAAAAAABOE/xIHAisX_7w0/s200-R/tb%2520boys%2520on%2520floor%25204.jpg" alt="" /></a></div>
</div>
<div class="separator" style="clear:both;text-align:center;"><a style="background-color:transparent;margin-left:1em;margin-right:1em;border:0;" href="http://bp2.blogger.com/_z1TBmSGrVQ4/SINKZfOskhI/AAAAAAAABOM/XF7JU7cw5D8/s1600-h/Hersh_TranquilityBay.jpg"><img style="border:0;" src="http://bp2.blogger.com/_z1TBmSGrVQ4/SINKZfOskhI/AAAAAAAABOM/CrHw1KzHKSU/s400-R/Hersh_TranquilityBay.jpg" alt="" /></a></div>
<p>Numa discussão, os próprios pais relatam os abusos e demonstram arrependimento ao terem optado em colocar os seus filhos nestes locais. Um deles diz que assim que ele ficou sabendo que seu filho era mal tratado, ele o transferiu para um outro local. Então um outro participante da discussão disse: &#8220;Por acaso o problema não seriam vocês, pais que colocam os seus filhos em verdadeiras prisões?&#8221;. A resposta é comovente: &#8220;Não diga isto! Quando você for pai você irá entender o que é querer fazer de tudo para que seu filho ande por vias normais e as medidas desesperadas que muitas vezes tomamos. Jamais deixamos de amar os nossos filhos!&#8221;.</p>
<p>Estes são os fatos. A verdade nua e crua sem maiores detalhes ou ornamentos. Para mim, uma coisa que parecia somente ficção mostrou que a realidade é pior do que qualquer filme, por pior que seja. Sim, vivemos numa comunidade de monstros que querem ganhar dinheiro a qualquer custo moral ou ético, sem se importar em ferir valores, histórias ou tradições que um ser humano possa ter.</p>
<p>Pois estes Boot Camps são apenas empresas que visam o dinheiro e desprezam totalmente o homem, os tratando como lixos, com nojo e repugnância, como se fossem insetos miseráveis.</p>
<p>Quanto mais eu vejo, mais eu sinto vontade de desistir de tentar mudar alguma coisa. É duro, porém, devemos continuar. O caminho é a luta e a persistência,  só assim poderemos nos manter seres íntegros e que respeitam o direito e as escolhas dos outros.</p>
<p>Por: EvAnDrO vEnAnCiO.   Blog: <a href="http://www.evenancio.com/">EvAnDrO vEnAnCiO</a> / <a href="http://www.universohiperreal.com.br/">Universo Hiper-Real</a>.</p>
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		<title>Battle for Haditha (A Batalha de Haditha, 2007)</title>
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		<pubDate>Thu, 27 Jan 2011 14:36:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>evenancio</dc:creator>
				<category><![CDATA[Reino Unido]]></category>
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		<category><![CDATA[Guerra do Iraque]]></category>
		<category><![CDATA[inocentes]]></category>
		<category><![CDATA[terroristas]]></category>

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			<content:encoded><![CDATA[<div class="separator" style="clear:both;text-align:center;"><a style="margin-left:1em;margin-right:1em;" href="http://lella.files.wordpress.com/2011/01/battle_for_haditha_ver2.jpg"><img src="http://lella.files.wordpress.com/2011/01/battle_for_haditha_ver2.jpg?w=300" border="0" alt="" /></a></div>
<p>Neste final-de-semana assisti ao filme &#8220;<a href="http://www.imdb.com/title/tt0870211/">Battle of Haditha</a>&#8220;, que veio a calhar num momento propício à discussão realizada no YouTube, no Orkut e em outros canais a respeito do documentário Fitna. Embora não haja uma aproximação direta do filme com o documentário, podemos estabelecer algumas relações interessantes, principalmente no que se refere à injustiça que os muçulmanos sofrem em relação aos atos terroristas de grupos isolados.</p>
<p>Como sinopse, o filme recria os acontecimentos do dia 19 de Novembro de 2005, onde um grupo de &#8220;Marines&#8221; das forças armadas nortes americanas assassinaram 24 pessoas, entre mulheres, homens e crianças, após terem um veículo atacado por uma bomba que foi acionada por uma célula terrorista na cidade de Haditha, no Iraque.</p>
<p>Se você quiser saber o que aconteceu com mais detalhes, clique <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Haditha_killings">aqui</a> e leia o artigo públicado sobre o episódio no Wikipedia, em todo o caso irei comentar a respeito nas próximas linhas. Ou seja, contém Spoilers sobre a trama do filme, que não é um suspense, apenas reconta acontecimentos reais.</p>
<p>Logo no início, vemos um homem andando pelas ruas do Iraque. De repente ele observa um grupo linchando um homem no chão. Com ar de reprovação, ele entra em sua casa e desabafa com sua mulher: &#8220;Estes loucos da Al-Qaeda acabaram de matar o professor de inglês!&#8221;.</p>
<p>Claro está que a intenção do diretor é mostrar que nem mesmo os muçulmanos aprovam as atitudes destes grupos extremistas que se dizem muçulmanos fundamentalistas. Ou seja, não é possível relacionar religião com terrorismo.</p>
<p>Numa outra fala, um muçulmano diz: &#8220;Meu medo é que surja alguém pior do que Saddam Hussein&#8221;. Mais uma vez vemos que não são todos que concordavam com o regime do antigo ditador.</p>
<p>Numa fala, um soldado americano diz: &#8220;Este povo é hostil. Ou seja, caso necessário, não hesitem em atirar numa mulher ou criança, porque basta que o seu marido morra que elas virão para cima de você com armas nas mãos.&#8221; Isto me lembra uma série de comentários a respeito do Fitna que eu ando lendo em diversos fóruns. As pessoas consideram todas culpadas, apenas por adotar uma crença diferente daquelas que estão julgando.</p>
<p>O ataque ao comboio dos Marines foi uma estratégia de um grupo terrorista. Eles colocaram uma bomba na estrada que seria acionada através de um celular. Dois terroristas vigiavam a estrada buscando o melhor momento para ativar os explosivos. Porém, de frente para a estrada, haviam diversas casas com moradores que não tinham nada a ver com os terroristas.</p>
<p>Durante a passagem de um comboio do exército norte-americano, o dispositivo é acionado e um dos veículos explodem. Resultado: uma morte e dois feridos. O responsável pela operação, ordenou que os responsáveis fossem encontrados. Logo de cara, eles chacinaram cinco pessoas que estavam dentro de um carro que estava passando por ali no momento. Depois começaram a invadir as casas e a chacinar quem estava pela frente, ainda que ninguém tivesse nem mesmo a oportunidade de falar. Enquanto isto os terroristas filmavam tudo as escondidas, posteriormente este vídeo seria divulgado entre os iraquianos para inflar moradores comuns a aderirem à causa terrorista (que promove a matança com o intuito de destruir o &#8220;inimigo&#8221;). No vídeo, uma menininha com o rosto ferido diz que seus país e seus irmãos foram assassinados e que ela odeia os americanos.</p>
<p>Nem preciso ir adiante, mas veja que os terroristas que dali surgiriam são produtos do próprio meio. Aqueles terroristas seriam fábricados pelo próprio governo dos Estados Unidos da América, e todos os atos provenientes dali, deveriam ser responsabilidade dos mesmos. Pessoas comuns, algumas estavam em festa, morreram sem saber o porque.</p>
<p>E ainda tem gente que continua a defender o exterminio dos islâmicos. Afinal, neste caso, a culpa é de quem? O importante é: os muçulmanos são muçulmanos, os terroristas são terroristas. São coisas distintas. Se calhou de alguns terroristas serem muçulmanos não tem nada a ver. Alguns deles poderiam ser corinthianos, palmeirenses, flamenguistas, grêmistas, e ainda assim deveríamos combater somente os terroristas, e não os torcedores. Devemos combater este mal, e não a religião.</p>
<p>Será que é tão difícil assim?</p>
<p>Por: EvAnDrO vEnAnCiO.   Blog: <a href="http://www.evenancio.com/">EvAnDrO vEnAnCiO</a> / <a href="http://www.universohiperreal.com.br/">Universo Hiper-Real</a>.</p>
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		<title>Nina (2004)</title>
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		<pubDate>Wed, 26 Jan 2011 08:27:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>evenancio</dc:creator>
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		<category><![CDATA[_Mais Um Olhar]]></category>
		<category><![CDATA[Dostoievski]]></category>
		<category><![CDATA[Existencialismo]]></category>

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		<description><![CDATA[Este filme brasileiro, do cineasta Hélio Dhalia, que posteriormente nos trouxe uma outra obra muito interessante (O Cheiro do Ralo), traz em sua história uma livre adaptação do mais famoso romance de Fiódor Dostoiévski &#8211; Crime e Castigo. Contextualizada com os dias atuais, num ambiente alternativo e underground paulista, Nina é a contraparte de Rodion [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=cinemaeaminhapraia.com.br&amp;blog=1479777&amp;post=8630&amp;subd=lella&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="separator" style="clear:both;text-align:left;"><a href="http://lella.files.wordpress.com/2011/01/nina.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-8631" title="Nina" src="http://lella.files.wordpress.com/2011/01/nina.jpg?w=500" alt=""   /></a></div>
<div class="separator" style="clear:both;text-align:left;">Este filme brasileiro, do cineasta <strong>Hélio Dhalia</strong>, que posteriormente nos trouxe uma outra obra muito interessante (<em><a href="http://cinemaeaminhapraia.com.br/2008/03/11/o-cheiro-do-ralo/">O Cheiro do Ralo</a></em>), traz em sua história uma livre adaptação do mais famoso romance de <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Dostoi%C3%A9vski">Fiódor Dostoiévski</a> &#8211; <a href="http://www.evenancio.com/2008/08/crime-e-castigo-uma-analise.html">Crime e Castigo</a>. Contextualizada com os dias atuais, num ambiente alternativo e underground paulista, <em>Nina</em> é a contraparte de <a href="http://www.evenancio.com/2008/08/rodion-romanovitch-raskolnikov.html">Rodion Raskolnikov</a>, uma jovem excêntrica e miserável que mal tem dinheiro para comer, muito menos para pagar o aluguel do quarto a qual vive. Com o atraso no pagamento, a velha mesquinha, proprietária do imóvel, a pressiona de todas as maneiras, chegando, inclusive, a racionar a comida de <em>Nina</em>, além de cobrar juros exorbitantes para cada dia que o pagamento deixa de ocorrer.</div>
<p>Nina, numa situação desesperadora, com fome, vivendo na miséria das ruas paulistas, utiliza-se de todos os recursos para adquirir algum dinheiro. Nas vezes em que consegue, a velha lhe tira tudo, sem demonstrar a menor piedade do estado precário da jovem &#8211; mesmo quando esta tenta lhe agradar. Com prazo final para efetuar o pagamento, Nina começa a declinar rumo a insanidade, sem saber o que fazer, sem poder sonhar com um futuro, com toda a pressão possível exercida em cima de si. Logo passa a idealizar, de forma inconsciente, o assassinato da proprietária de seu imóvel.</p>
<p>A velha decide, então, colocar o quarto de <em>Nina</em> para alugar e logo aparece um interessado, que faz pagamento adiantado. <em>Nina</em> observa toda a cena e entrar num estado eloquente, ainda pior do que se encontrava. Com os nervos a flor da pele, ela precisa agir. Da pior maneira possível, ela resolve o seu problema e assassina a velha mesquinha. Porém, o sentimento de culpa surge no mesmo momento, ainda mais quando o novo inquilino passa a bater na porta e não encontra a velha disponível para lhe receber.</p>
<p>Logo ela passa a delirar sobre um sentimento de constante perseguição. Acredita que todos desconfiam de si perante o crime. Logo <em>Nina</em> não conseguirá suportar sua própria existência mediante um sentimento de culpa incalculável. Ela sente a necessidade de pagar pelo ato cometido e sua consciência não lhe deixe em paz por um minuto sequer.</p>
<p>É dentro desta narrativa que encontramos os personagens sombrios de <strong>Nina</strong>. O movimento e a direção dá um tom extremamente desconfortável na película, o que ressalta a proposta do filme em demonstrar os sentimentos da protagonista. Tirando a personagem título, temos uma série de outros personagens marcantes e característicos, que reforçam ainda mais o teor da obra de <strong>Heitor Dhália</strong>.</p>
<p>Porém, ainda assim, <strong>Nina</strong> é um filme que transita em minhas sensações de forma negativa e positiva simultaneamente. Até agora não sei se gosto ou não do resultado final. Para melhor atestar a minha mensagem, fico feliz por um brasileiro, dentro do cenário nacional, trazer uma leitura cinematográfica para uma das melhores obras de literatura do mundo (sim, o terceiro mundo também lê <em>Dostoiévski</em>!), por outro lado a complexidade das personagens de <em>Dostoiéski</em> não se resolvem também quando transportados para a sétima arte.</p>
<p>A trama principal de <em>Crime e Castigo</em>, embora encurtada e adaptada, foi bem construida no roteiro de Nina. Porém quem já leu algo de <em>Dostoévski</em> sabe que o enredo principal é mero detalhe perto da grandiosidade de cada livro. O trunfo de <em>Dostoiévski</em> reside nas entrelinhas e nos conflitos psicológicos de cada personagem. Isto, obviamente, foi deixado de fora em <strong>Nina</strong>. Em<em> Crime e Castigo</em> temos personagens que são essências para que este se tornasse um dos mais respeitados livros da literatura e que foram totalmente abandonados nesta adaptação: como vislumbrar um releitura do livro sem equivalentes para <em>Porfiry Petrovich</em> e sua grande habilidade de dedução e persuação ou mesmo a irmã de <em>Raskolnikóv</em>? E o seu grande e fiel amigo <em>Razumikhin</em>, que desempenha papel tão importante? E o sacana <em>Ludin</em>? E pior, onde está <em>Sônia</em> &#8211; talvez a mais importante das personagens de apoio à <em>Raskolnikóv</em>?</p>
<p>Enfim, <strong>Nina</strong> faz bem aquilo que se propõe a fazer, porém a proposta não está a contento para os fãs de <em>Dostoiéski</em>. De alguma forma bebemos roteiro que não saceia a sede de literatura. Pela limitação do tempo em que uma história deve ser contada para os cinemas, entendemos o que<strong> Heitor Dhália</strong> fez com <strong>Nina </strong>(talvez seja por isto que ele não se atreveu a chamar o filme de <em>Crime e Castigo</em>, e nem mesmo diz que é uma adaptação, mas tão somente foi inspirado pela obra). Mesmo assim, por vezes penso que se é para ficar na retaguarda e não ser mais ousado (como <em>Meirelles</em> foi em <a href="http://www.evenancio.com/2008/09/ensaio-sobre-cegueira-analise.html">Ensaio Sobre a Cegueira</a>), melhor não filmar e deixar como está.</p>
<p>Por: EvAnDrO vEnAnCiO.   Blog: <a href="http://www.evenancio.com/">EvAnDrO vEnAnCiO</a> / <a href="http://www.universohiperreal.com.br/">Universo Hiper-Real</a>.</p>
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		<title>A Partida (Okuribito, 2008)</title>
		<link>http://cinemaeaminhapraia.com.br/2011/01/25/a-partida-okuribito-3/</link>
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		<pubDate>Tue, 25 Jan 2011 04:38:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>evenancio</dc:creator>
				<category><![CDATA[Japão]]></category>
		<category><![CDATA[_Mais Um Olhar]]></category>
		<category><![CDATA[Comédia]]></category>
		<category><![CDATA[Drama]]></category>
		<category><![CDATA[morte]]></category>
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		<description><![CDATA[Esta obra de arte do cinema nipônico é uma das experiências mais agradáveis que pude compartilhar com o meu televisor nos últimos tempos. Este é um daqueles filmes deliciosos, de fácil digestão, com toques suaves de humor e drama sob medida, além de momentos de emoção e um ápice comovente. Se fosse um filme americano [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=cinemaeaminhapraia.com.br&amp;blog=1479777&amp;post=8633&amp;subd=lella&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div><a style="margin-left:1em;margin-right:1em;" href="http://lella.files.wordpress.com/2011/01/okuribito.jpg"><img class="aligncenter" src="http://lella.files.wordpress.com/2011/01/okuribito.jpg?w=400&#038;h=225" border="0" alt="" width="400" height="225" /></a></div>
<p>Esta obra de arte do cinema nipônico é uma das experiências mais agradáveis que pude compartilhar com o meu televisor nos últimos tempos. Este é um daqueles filmes deliciosos, de fácil digestão, com toques suaves de humor e drama sob medida, além de momentos de emoção e um ápice comovente. Se fosse um filme americano apostaria qualquer valor que seria o grande campeão do Oscar.</p>
<p>Não estamos diante de um quebra-cabeça. O filme não é de suspense e nem exige uma bagagem intelectual para sua apreciação. Na verdade é uma trágica comédia, ou talvez um drama engraçado, defina como quiser. O fato é que os mais de 130 minutos do filme passam como num piscar de olhos. Elogios a parte, vamos a história (spoilers), que embora aparentemente não tenha nada demais, é extremamente bem desenvolvida.</p>
<p>Daigo Kobayashi é um perdedor nato. Assim que consegue realizar o seu sonho de tocar numa orquestra sinfônica e, obter com isto, uma melhor posição social, ele adquire um violoncelo caríssimo especialmente para executar a sua tarefa, porém logo após a sua primeira apresentação, o patrocinador encerra as atividades da orquestra por falta de público.</p>
<p>Logo, Daigo está sem emprego e com um instrumento financiado para pagar. Com o aval de sua apaixonada esposa, ele vende o instrumento e volta para a sua terra natal, numa zona afastada dos grandes centros. Passa a morar com sua esposa na casa que sua falecida mãe deixou de herança. A casa remonta à diversas lembranças que Daigo teve em sua infância, e as lembranças não são as melhores, visto que seu pai &#8211; a qual gostava muito &#8211; abandonou a casa para viver com outra mulher.</p>
<p>Em sua nova vida, Daigo busca um emprego nos anúncios de um jornal regional. Uma oferta lhe chama a atenção: um ótimo salário para um trabalho que não necessita experiência numa empresa que auxília os seus clientes em suas jornadas. Daigo imagina ser uma agência de viagens e decide ir até a empresa para se candidatar a vaga.</p>
<p>Na empresa, temos a secretária e o chefe, mais ninguém. Na entrevista, o chefe não faz questões, apenas diz o valor do alto salário, que espanta Daigo de tal maneira, que o chefe promete lhe pagar por dia e imediatamente lhe dá um adiantamento. Daigo acaba por aceitar a importância e sua contratação é efetivada.</p>
<p>No dia seguinte, conhecemos o trabalho de Daigo. Eles preparam defuntos recém-mortos numa cerimônia pré-cremação. Eles atuam como uma extensão da funerária. Além de maquiar e limpar o corpo dos mortos num ritual onde todos os familiares observam, também executam um ritual bonito e respeitoso de purificação da alma, antes mesmo de fechar o corpo num caixão.</p>
<p>Porém o trabalho onde seja necessário tocar o corpo dos mortos é considerado uma profissão de baixo escalão. Portanto Daigo esconde de todos o que eles faz, para não desonrar seus amigos e sua esposa. O desenrolar do filme segue uma fórmula interessante: cada vez que o escritório de Daigo é acionado, temos uma experiência totalmente diferente em relação ao morto e os seus familiares. Há casos que são engraçados, outros são trágicos. Outros ainda mesclam um pouco dos dois gêneros. Em alguns momentos, me recordei de uma série antiga da HBO chamada &#8220;Six Feet Under&#8221; (traduzido como &#8220;A Sete Palmos&#8221;).</p>
<p>Entre cada caso, Daigo beira entre o rídiculo e o dramático, quando seus temores estão próximos de se tornarem realidade e seus fantasmas do passado lhe atormentam ainda mais. A dinâmica do filme faz com que tudo seja muito bem explorado e a temática não acabe por nos cansar. É como se estivéssemos diante de um seriado com diversos episódios de curta duração. Se eu tivesse que falar do que se trata este filme, diria que se trata da relação entre pais e filhos. Daigo &#8211; o filho rebelde que nem mesmo se recorda da face do pai e seu inconformismo por ter sido abandonado. Do outro lado o pai &#8211; a qual só conhecemos através da perspectiva de Daigo e de alguns vizinhos.</p>
<p>Diante da perspectiva de tantas mortes, além de conviver num local que lhe remete a tantas coisas ruins, Daigo se transforma num herói. É carismático a ponto de sofrermos com suas quedas e sorrirmos com as suas ascensões. Há momentos que os corações mais duros certamente se amolecerão. Se você não quer se desmontar na frente dos outros, aconselho que assista este filme sozinho, por que o risco disto acontecer é real.</p>
<p>Por: EvAnDrO vEnAnCiO.   Blog: <a href="http://www.evenancio.com/">EvAnDrO vEnAnCiO</a> / <a href="http://www.universohiperreal.com.br/">Universo Hiper-Real</a>.</p>
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		<item>
		<title>Ben X &#8211; A Fase Final (2007)</title>
		<link>http://cinemaeaminhapraia.com.br/2011/01/24/ben-x-a-fase-final-2007/</link>
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		<pubDate>Mon, 24 Jan 2011 02:42:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>evenancio</dc:creator>
				<category><![CDATA[Bélgica]]></category>
		<category><![CDATA[_Mais Um Olhar]]></category>
		<category><![CDATA[altismo]]></category>
		<category><![CDATA[Bullying]]></category>

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		<description><![CDATA[Geralmente os filmes que retratam episódios de bullying são, simultaneamente, revoltantes, chocantes e emocionantes. Sempre torcemos para que a coisa acabe bem e no fim o que é resta é mais uma tragédia. O bullying, assim como a Segunda Guerra Mundial, gera diversos materiais para o mundo das artes, seja na literatura, no teatro ou [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=cinemaeaminhapraia.com.br&amp;blog=1479777&amp;post=8624&amp;subd=lella&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="separator" style="clear:both;text-align:center;"><a style="margin-left:1em;margin-right:1em;" href="http://lella.files.wordpress.com/2011/01/benx.jpg"><img src="http://lella.files.wordpress.com/2011/01/benx.jpg?w=300" border="0" alt="" /></a></div>
<p>Geralmente os filmes que retratam episódios de <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Bullying">bullying</a> são, simultaneamente, revoltantes, chocantes e emocionantes. Sempre torcemos para que a coisa acabe bem e no fim o que é resta é mais uma tragédia. O bullying, assim como a Segunda Guerra Mundial, gera diversos materiais para o mundo das artes, seja na literatura, no teatro ou no cinema, afinal é tanta história para contar, e todas tão cruéis – ao mesmo tempo que são belas – que parece que por mais que se fale nunca é o suficiente e sempre nos surpreendemos.</p>
<p>Foi assim com o espetacular <a href="http://www.evenancio.com/2008/01/klass-e-questo-da-morte.html">Klass</a>, que refez o episódio conhecido como “<a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Columbine_High_School_massacre">O Massacre de Columbine</a>” – a mais famosa consequência de um caso de bullying, e com o emocionante <a href="http://www.evenancio.com/2008/05/ondskan-evil-razes-do-mal.html">Ondskan</a>. Agora resenho para vocês o holandês <strong>Ben X</strong> – mais um que segue a mesma fórmula: um adolescente constantemente violentado moralmente numa escola cujo o desfecho não é dos mais alegres.</p>
<p>Ben é um jovem com um leve nível de autismo, que é o suficiente para deixá-lo com as notas mais altas da escola e com uma dificuldade de socializar com os seus colegas. Ben não sabe – não consegue – responder questões simples ou mesmo manter um breve diálogo. Na verdade, ele nem ao menos consegue expressar uma frase completa. Ele é o modelo ideal para ser vítima dos baderneiros de sua classe, graças ao sistema competitivo e desumano que ensinamos aos nossos filhos desde o primeiro dia que ele vem ao mundo: “você deve ser o melhor”.</p>
<p>Ben só consegue ter o controle da situação quando está em frente ao computador jogando o <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/MMORPG">RPG OnLine</a> <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/ArchLord">ArchLord</a>. No universo do jogo, lá ele é visto com respeito por toda a comunidade, afinal é um dos mais poderosos, tem uma grande admiradora – que acaba por se tornar sua grande paixão – que jamais conheceu no mundo real. Ou seja, a vida para ele acontece no virtual. No mundo de faz-de-conta proposto pelo jogo, ele está em âmbito superior. Lá ele rege a sinfônia e sabe como lidar com qualquer coisa que apareça. Em contrapartida, fora das telas ele não é ninguém. Porém nem esta invisibilidade irá deixá-lo em paz. Como figura atormentada, alguns de seus colegas aproveitam deste quadro para lhe torturar.</p>
<p>Para Ben, a salvação está sempre no jogo. Então ele estabelece paralelos entre o mundo real e o mundo virtual para tentar entender as coisas. Logo, observa as coisas similares entre ambos os universos e percebe que é hora de jogar a última partida da vida. Durante todos os momentos, o que irá lhe ajudar a suportar seus medos será a figura de sua paixão virtual, que até propõe um encontro na vida real para Ben. Porém, inseguro, ele até se encaminha para o local combinado, mas não consegue se aproximar da garota.</p>
<p>Então Ben irá criar toda uma fantasia no mundo real, como se fosse um jogo, para triunfalmente chegar até o fim da partida. O que vemos a seguir é um espetáculo de imagens, numa poesia visual extremamente bela. Finalmente ele chega num consenso de como ele gostaria de que as coisas fossem e consegue vivenciar cada momento até chegar ao fim. O virtual se confunde com o real e o imaginário.</p>
<p>Plenamente satisfeito, Ben finalmente está feliz. Tomado as palavras de <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Alvares_de_Azevedo">Alvares de Azevedo</a>, poeta brasileiro, é como se dissesse “<em>deixo a vida como quem deixa o tédio</em>”. Se suícida. O bullying tem uma nova vítima.</p>
<p><em>Game over</em>.</p>
<p>O diretor e roteirista <a href="http://www.imdb.com/name/nm0051206/">Nic Balthazar</a>, <a href="http://theeveningclass.blogspot.com/2008/01/psiff08-ben-x-q-with-director-nic.html">disse</a> que ele se inspirou num fato real para fazer o filme, quando em uma cidadezinha, leu em um daqueles jornais de bairro, a respeito um jovem de 17 anos com <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/S%C3%ADndrome_de_Asperger">síndrome de Asperger</a> que havia se arremessado de um castelo graças a pressão exercida pelos praticadores de bullying (conforme carta escrita por ele). Isto fez com que ele ficasse chocado e retratasse a história através do cinema. É um triste, porém, bonito filme num gênero que sempre faz com que pensamos nos nossos atos e neste mundo tão cruél.</p>
<p>Por: EvAnDrO vEnAnCiO.   Blog: <a href="http://www.evenancio.com/">EvAnDrO vEnAnCiO</a> / <a href="http://www.universohiperreal.com.br/">Universo Hiper-Real</a>.</p>
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		<title>Amen. (2002)</title>
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		<pubDate>Sun, 23 Jan 2011 15:18:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>evenancio</dc:creator>
				<category><![CDATA[Alemanha]]></category>
		<category><![CDATA[França]]></category>
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		<category><![CDATA[Existencialismo]]></category>
		<category><![CDATA[judeus]]></category>
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			<content:encoded><![CDATA[<div class="separator" style="clear:both;text-align:center;"><a style="margin-left:1em;margin-right:1em;" href="http://lella.files.wordpress.com/2011/01/amen-costa-gravas.jpg"><img src="http://lella.files.wordpress.com/2011/01/amen-costa-gravas.jpg?w=320&#038;h=320" border="0" alt="" width="320" height="320" /></a></div>
<p>Como este artigo irá falar sobre os problemas e implicações do ser humano através do filme <strong>Amen.</strong>, do <em>cineasta grego </em>- e totalmente politizado &#8211; <strong>Costa-Gravas</strong>, vale ressaltar que contém alguns <strong>SPOILERS </strong>que podem estragar o prazer daqueles que gostam de desfrutar uma história sem conhecer sua trama principal. Porém vale ressaltar que <strong>Costa-Gravas </strong>não faz filmes de <em>suspense</em>, nem de <em>terror</em>, nem de <em>comédia</em>, sendo que nada do que for dito aqui irá comprometer o resultado impactante do filme. Sendo assim, fica a seu critério: ler este artigo para se interessar pelo filme ou assistir o filme para se interessar pelo artigo. Dado o recado, vamos as devidas análises que proponho discutir.</p>
<p>Não irei falar sobre os detalhes do filme. Não irei me ater ao nome dos personagens, situações corriqueiras, e outros afins. O que interessa é apenas a ideia principal.</p>
<p>O filme se passa na <strong>Alemanha </strong>em pleno <strong>nazismo</strong>, diversos soldados alemães vivem o seu dia-a-dia normalmente: têm rotinas de patrulhamento, visitam suas famílias nos dias de folgas, vão à igreja e se divertem no tempo livre. Diversos judeus estão sendo recrutados para trabalharem em campos nazistas em atividades que desenvolvam ainda mais o país. Um dos soldados alemães &#8211; e também um dos dois personagens principais da trama &#8211; é um químico que desenvolve um produto de limpeza eficiente, onde uma pequena quantidade basta para limpar grandes proporções.</p>
<p>Porém, inesperadamente, o exército alemão começa a encomendar grandes quantidades deste produto. De pronto, este soldado atende a demanda com bastante satisfação, ao saber que sua invenção está a contento os militares. Porém, no decorrer do tempo, ele estranha que esta quantidade sempre aumente, visto que não existe a possibilidade de utilizar este produto apenas com fins de limpeza. Decidido a investigar o que estaria por trás, primeiramente ele questiona um dos responsáveis por fazer a encomenda: rasgando elogios, o questionado e mais um pequeno grupo decide levar este soldado para observar com seus próprios olhos o porquê encomendas maiores se fazem necessárias.</p>
<p>Ao chegar no local, o questionado pede para o soldado espreitar através de um buraco criado para observar uma enorme casa. Enquanto isto acontece, ele começa a explicar: &#8220;<em>Antes de utilizarmos o seu produto, demorávamos horas e horas para matar os judeus através destas câmaras de gás. Eles ficavam agonizando por grandes tempos, o que era muito caro para nós, visto que a demanda aumentou e precisávamos cumprir a nossa meta de chacinas diárias. Com o seu produto, as mortes se tornam muito mais rápidas. Bastam apenas alguns minutos</em>.&#8221;</p>
<p>O soldado observa perplexo e fica desorientado. O questionado responde que ele está fazendo um grande bem aliviando as dores daquelas pessoas de forma rápida e ajudando a Alemanha a fazer uma verdadeira limpeza racial. Não irei me ater a isto, porém perceba a interessante relação entre o produto de limpeza comum, para limpar imundices, e a utilização do mesmo com o propósito de limpeza racial. Só esta comparação nos levaria a longas discussões no que se refere as divergências no tratamento humano orientado à uma posição social (seja religiosa, econômica ou racial).</p>
<p>A primeira coisa que podemos afirmar em relação à reação do soldado é que ele desconhecia os fatos, que tratavam do <em>genocídio </em>e <em>extermínio </em>de <strong>judeus </strong>na Alemanha. Se ele desconhecia os fatos, surge a esperança de que outras pessoas no exército nazista também desconheciam. Em segundo lugar, a sua reação após conhecer estes fatos não foi de alegria ou aceitação, pelo contrário, foi de angústia e enorme surpresa. Ou seja, as motivações para aquele extermínio não estavam explicitas, logo, não era um consenso.</p>
<p>Sabendo destas coisas, o soldado entrou em conflito: estavam usando o seu produto para matar pessoas &#8211; sim, pessoas &#8211; sem o seu consentimento. E ainda aproveitaram a deixa para encomendarem ainda mais produtos para a mesma finalidade. Ele não podia negar uma solicitação do seu próprio exército, que representava os interesses de seu país. Então, como ele poderia salvar as vidas que estariam condenadas por sua criação? Como ele poderia denunciar esta abominação sem ser considerado traidor? Será que, ao saber destes acontecimentos, o povo e as autoridades de seu país aprovariam o que estava acontecendo? Eram muitas as questões que estavam em sua cabeça no momento.</p>
<p>A pressão começou a fazer com que o soldado começasse a tomar algumas atitudes estranhas. Não sabendo como fazer, resolveu se aconselhar com o padre de sua igreja local. Para ele, era óbvio que a igreja não toleraria a morte de outras pessoas de forma tão covarde e desleal. Ao mencionar os acontecimentos ao padre local, e inclusive solicitar que seu relato fosse transmitido aos frequentadores da igreja, o mesmo se recusou a prestar-lhe a ajuda necessária, afirmando que ele jamais poderia ficar contra os interesses do exército, visto que eles representavam a vontade dos comandantes de seu país. Se ficasse seria acusado de traidor e seria condenado a pena de morte.</p>
<p>Um jovem padre, com menor autoridade e que escutou tudo (este é o segundo protagonista do filme) resolve ajudar o soldado e recontar a sua história para uma hierarquia mais elevada da igreja, visto que seu pai era muito influente dentro do <strong>Vaticano </strong>e trabalhava como assessor de imprensa do <strong>Papa</strong>. Mesmo com o relato chegando nos mais altos níveis de hierarquia, a igreja se recusa a se intrometer nesta questão, chegando à dizer que o problema dos judeus não é um problema cristão.</p>
<p>O desenrolar do filme, e seu tronco principal, demonstrar as diversas tentativas frustradas de, tanto o soldado como o jovem padre, quererem denunciar o extermínio dos judeus e as pessoas, principalmente a igreja, fecharem os olhos e os ouvidos sobre estes acontecimentos. Chega ao cúmulo do jovem padre forçar um encontro com o próprio Papa, relatar os acontecimentos, receber a promessa de que a santidade falaria ao vivo, em rede internacional, sobre o que acabara de ouvir, como forma de intervenção, e ele não cumprir com a sua promessa.</p>
<p>No fim, os dois entram em colapso: o jovem padre entra em um trem com diversos judeus, com uma estrela de <strong>Israel </strong>costurada em sua batina, rumo a um campo de concentração, e passa os seus dias trabalhando no local. Como ele foi reconhecido como padre, e por portar a estrela de Israel, os soldados nazistas o forçam a trabalhar no enterro de corpos de judeus (que seria considerado um castigo muito cruel).</p>
<p>O soldado-químico tenta novamente argumentar com outros soldados do exército se o povo alemão sabia o que estava ocorrendo ali. A resposta: &#8220;<em>O mundo inteiro sabe!</em>&#8220;. Esta resposta deixa o soldado-químico ainda em maior crise, visto que a resposta enaltece a sua ingenuidade simultaneamente com a certeza que independente do que ela faça, nada mudará pois as pessoas não querem mudar.</p>
<p>A maioria das conclusões deste filme podem ser retiradas de suas próprias análises. <strong>Costa-Gravas </strong>é um cineasta que faz provocações para lhe permitir refletir acerca das situações colocadas. O ponto de destaque que gostaria de apontar é a capacidade do ser humano em não se intrometer em assuntos que não lhe diz respeito, independente do que seja. Isto amplifica a visão egoísta e egocêntrica a respeito do homem, que se preocupa apenas com os fatos que estão dentro do seu próprio universo de relações. Parece que tomar isto como verdadeiro pode ser um disparate, visto que entre o nazismo e a contemporaneidade há uma enorme diferença, porém perceba que a fórmula essencial continua a mesma: podemos ver um mendigo na rua e achar suas vestes ou sua aparência engraçada, e diante de uma tragédia anunciada, conseguimos sorrir e sermos indiferentes aos acontecimentos. Pai mata filho e filho mata pai, e, diante desta realidade, descobrimos como fazer uma ótima piada contendo estes ingredientes.</p>
<p>Além desta falta de sensibilidade, é possível destacar também outro ponto: a satisfação em saber que um adversário ou concorrente está por baixo. Neste caso, me matéria de religiões, é a igreja católica satisfeita em saber que os judeus estão sendo massacrados. Pois poderia haver interferência! Não houve, justo que não era de todo ruim para o catolicismo que esta tragédia acontecesse. Nos dias de hoje, podemos ilustrar com torcidas de futebol: palmeirenses estão satisfeitos com a tristeza dos corinthianos, devido ao <a href="http://www.estadao.com.br/noticias/esportes,corinthians-empata-com-o-gremio-e-e-rebaixado-para-a-serie-b,89358,0.htm">rebaixamento para a série B do futebol brasileiro</a>. Num nível mais agressivo, são paulinos estão satisfeitos, ainda que não tenham participado diretamente, em verem torcedores santistas sendo agredidos violentamente, de tal forma que não interferem na briga (não para que não se machuquem, mas para que seus opositores possam apanhar ainda mais).</p>
<p>Para concluir, segue um terceiro ponto-de-destaque:<em> histeria coletiva </em>gerada por um acontecimento de massa. Como a própria descrição sugere, é quando a boiada estoura. Não há nenhuma razão aparente para desencadear uma série de acontecimentos anormais, que inibe a racionalidade, aumenta a animalidade, assim como a força e o descontrole, de tal forma que sugerimos que o homem é um animal irracional. No filme, esta expressão se dá com o nazismo e o massacre dos judeus. Por mais que a ordem venha de cima, o homem tem a sensibilidade de executar ou não tal ordem, mas justamente por não ser uma iniciativa própria, não consegue se sentir culpado. O nazismo é uma histeria que contagiou a todos os soldados alemães. Passou a ser divertido matar judeus, ainda que fossem crianças de colo.</p>
<p>Eles passaram a enxergar judeus como insetos, e não havia nada de errado neste estado de ânimo que eles se encontravam. Nos dias de hoje, podemos aplicar esta histeria coletiva em alguns atos de vandalismo que observamos, como no exemplo dos <a href="http://g1.globo.com/Noticias/Brasil/0,,MUL23764-5598,00.html">garotos de classe alta que incendiaram um índio que estavam dormindo</a>. <em><a href="http://www.evenancio.com/2009/08/laranja-mecanica.html">Laranja Mecânica </a>In Loco</em>. Algo totalmente irracional despertou nestes selvagens, motivados não-sei-pelo-quê e não-se-sabe-por-onde a cometer tamanha atrocidade. Os chamados PitBoys, que são garotos que fazem lutas marciais e que saem a noite em busca de confusão, se enquadram no mesmo princípio.</p>
<p>Enfim, entre tantos pontos-de-destaque, o filme serve, acima de tudo, para demonstrar a ignorância, a mesquinhes, e incapacidade do homem em ser humano. Demonstra que a ética e a moral são apenas disciplinas de <strong>Direito </strong>e de <strong>Filosofia</strong>, e que não servem na praticidade para absolutamente nada.</p>
<p>E sabe o que é o pior? É que o filme, infelizmente, não mostra nada de novo. Serve, entretanto, para relembrar quem somos e isto incomoda bastante. Filme perturbador. Eu recomendo!</p>
<p>Por: EvAnDrO vEnAnCiO.   Blog: <a href="http://www.evenancio.com/">EvAnDrO vEnAnCiO</a> / <a href="http://www.universohiperreal.com.br">Universo Hiper-Real</a>.</p>
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		<title>O Livro de Eli</title>
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		<pubDate>Tue, 08 Jun 2010 03:27:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>evenancio</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<div><a href="http://4.bp.blogspot.com/_z1TBmSGrVQ4/TAvSccPd9kI/AAAAAAAADpA/cvpIyDt3tL0/s1600/bookofeli_02.jpg"><img src="http://4.bp.blogspot.com/_z1TBmSGrVQ4/TAvSccPd9kI/AAAAAAAADpA/cvpIyDt3tL0/s320/bookofeli_02.jpg" border="0" alt="" width="320" height="239" /></a></div>
<p>Num mundo pós-apocalipse, onde o sol é tão intenso que obriga as pessoas  a cobrirem diversas partes do corpo, além de protegerem os seus olhos  para não ficarem cego, <strong>Eli</strong> peregrina por entre becos e  locais destruídos rumo ao Oeste, carregando consigo um livro a qual lê  todos os dias. Em sua jornada, Eli se depara com inúmeras aventuras, em  parte devido a um mundo habitado por homens desnudos de honra, ética e  moral &#8211; em sua natureza mais selvagem, cujo objetivo de vida é apenas  sobreviver ao término do dia.</p>
<p>No decorrer da história, sabemos que Eli carrega consigo o único  exemplar do livro sagrado de Deus &#8211; a <strong>Bíblia </strong>- que  sobrou após a destruição em massa de todas as outras edições,  consequência de uma guerra que provavelmente deixou o mundo como nos é  apresentado no filme: sem vida, acinzentado e caótico. A Bíblia, na  visão de Eli, não representa somente a salvação do mundo através da  propagação da fé, nem somente a ordem tão necessitada nestes dias  tenebrosos, mas significa também o compromisso com a sua própria crença,  afinal foi uma voz que lhe pediu para percorrer esta empreitada.</p>
<p>Eli, interpretado pelo excelente <strong>Denzel Washington</strong>, é  um <em>profeta</em> de Deus. É o instrumento do divino para salvar uma  vez mais a humanidade, assim como já fizeram tantos outros &#8211; segundo  registros bíblicos. Eli é o grande herói de seu tempo, protegido pela  alcunha do mestre dos mestres. A sua história representa o primeiro  capítulo de uma espécie de novíssimo testamento, uma parte jamais  escrita da Bíblia que relata as proezas divinas desta época. Até nisto o  título do filme vem muito a calhar.</p>
<p>Através do título, muito interessante pela proposta que eu observei em  particular percepção, entendo que os idealizadores trabalharam com a  ideia que se trata de uma versão filmada de um livro bíblico jamais  escrito, que viria logo após o <em>apocalipse de João</em>, que  supostamente teria sido escrito há muitos anos e que retrata como Deus  salvou a humanidade através de sua palavra, carregada pelo profeta Eli. <em>O  Livro de Eli</em>, portanto, não é somente o título do filme, mas o  título do que poderia ser um livro bíblico.</p>
<p>Imagine se a história do filme fosse escrita em papiro, com o devido  estilo bíblico aplicado, e encontrado numa região remota, num local  inusitado, daqui a 1000 anos. Qual seria o efeito da obra? Se tornaria  um objeto de adoração global? Se tornaria um evangelho <em>apócrifo</em>?  Não temos como saber, porém creio que, no mínimo, haveria pessoas que  acreditariam na história, talvez a igreja católica &#8211; se existisse no ano  3010 &#8211; até canonizaria o <em>Santo Eli</em>. Talvez se tornasse uma  história a ser contada nas igrejas, dos dias em que <em>Satã</em> habitou na Terra e como um homem tocado por Deus conseguiu expulsá-lo  somente com a fé nas escrituras.</p>
<p>Em determinados versículos do Livro de Eli talvez houvesse sermões sobre  como o conhecimento excessivo &#8211; típico da sociedade da informação &#8211;  trouxe o mal ao homem, cuja ganância fez com quisesse ser Deus para  controlar a humanidade, lição encontrada nas passagens sobre <strong>Carnegie</strong>.  Material para que os líderes espirituais formulassem os seus sermões é o  que mais encontrariam no Livro de Eli.</p>
<p>Mas será que o roteirista, ao escrever a história, queria passar uma  mensagem religiosa, sobre a necessidade de redenção e sobre a  necessidade de ter fé no Deus Uno para termos uma vida organizada e,  principalmente, feliz? Será que o homem, por si só, não obteria os  valores éticos e morais para organizar-se sem a necessidade de Deus  dentro de si, e por isto mesmo este reencontro com o divino era  totalmente necessário? Nos dias atuais cada vez mais dispensamos a fé  para nos apegarmos às explicações materiais, seria o filme uma crítica a  esta afirmação? Ultima questão: será que o filme realmente é uma  espécie de pregação religiosa?</p>
<p>Eu, felizmente para alguns e infelizmente para outros, não veja desta  forma. Sobre a minha ótica a mensagem pode ser ligada diretamente ao  problema conhecido como a <em>origem do mito</em>. Da mesma maneira que o  Livro de Eli foi escrito, outros livros épicos da Bíblia também, como a  história de <em>Noé, Moisés, Abraão, José, Jó e Jesus Cristo</em>.  Sabemos que o Livro de Eli não passa de ficção, portanto onde reside a  credibilidade dos outros livros presentes na Bíblia? A credibilidade,  obviamente, reside na fé. A mesma fé que levou Eli a crer que jamais  poderia ser ferido em sua jornada &#8211; e quem assistiu ao filme sabe que  ele foi gravemente ferido.</p>
<p>Além disto, a fé é incondicional e indiscutível, afinal se trata de um  sentimento relacionado com uma certeza que não sabemos de onde vem. É  ela que nos guia quando não sabemos para onde ir. Ou seja, a fé é cega e  Eli é cego. Desde o início do filme temos evidências para acreditar  nisto, porém somente no final temos uma revelação conclusiva. A questão  é: a cegueira de Eli é uma dádiva ou uma maldição para as pessoas que  estão ao seu redor? Com Eli não tem diálogo, quem cruza o seu caminho e  tenta lhe impedir acaba sendo morto impiedosamente &#8211; entretanto a culpa  pelo assassinato nunca foi um sentimento presente e nem mesmo empecilho  nos profetas de Deus. Estamos diante de uma crítica ao fanatismo  religioso?</p>
<p>Talvez não, talvez isto seja apenas um delírio provocado por minha mente  <a href="http://www.evenancio.com/2009/07/especial-agnosticismo.html">agnóstica</a>,  porém relembremos que no passado houve uma guerra devastadora, cujo se  acreditava que todas as Bíblias haviam sido queimadas. Entretanto aqui  temos uma importante e insolúvel questão: as Bíblias foram queimadas  antes ou depois da guerra? O teor do filme sugere que o mundo ficou  caótico por que as pessoas se afastaram e perderam a fé em Deus, porém  esta é apenas uma sugestão. Numa outra leitura podemos dizer que a  guerra foi tão destrutiva e tão cruel com as pessoas, a maioria delas  provavelmente não tinham nada a ver com o conflito, que elas mesmos  perderam a fé. Neste contexto, Deus não lhes protegeu, logo eles se  rebelaram ou perceberam que era tudo uma farsa. Em paralelo Eli, que é  cego (sua cegueira pode ser considerada uma metáfora para o que estou  dizendo) continuou a acreditar.</p>
<p>Além disto, quando Eli chega ao término de sua jornada, ele entrega e  traduz o livro, que está em braile, para uma pessoa que conserva outros  livros, em tese, conserva o conhecimento. Ao fim, esta pessoa imprime  diversos exemplares, o que poderia simbolizar a renovação da esperança,  porém ao pegar uma destas edições e inserir entre dois outros  importantes livros para a religiosidade, a Torá e o Alcorão, o  roteirista abriu novas questões: se eles já tinham a <strong>Torá</strong> e o <strong>Alcorão</strong> em mãos, por que o mundo continuava  imoral, visto que estes livros também trazem consigo mensagens do mesmo  Deus (vide <em>Pentateuco</em>)? Será que apenas a <em>Bíblia Cristã</em> seria distribuída entre as pessoas?</p>
<p>Ou a Bíblia seria apenas mais um livro na prateleira? O que garante que a  distribuição da Bíblia iria tornar aquele um mundo melhor? Se você  achou o final do filme uma alternativa otimista para um filme que  retrata uma realidade pessimista, saiba que este sentimento veio do  tema-mor da história: a fé. A fé é mágica, fascinante e também elabora  opiniões. Para aqueles que possuem fé no divino, a história trará uma  excelente lição de moral, e ficará satisfeito com o resultado. Para os  mais céticos, como eu, o filme trará uma série de dúvidas sobre o seu  propósito, e este também ficará satisfeito. Já aqueles que não possuem  fé nenhuma, o filme poderá ser lido como uma excelente ironia sobre como  surgem os mitos e, assim como os outros, também estará satisfeito com o  resultado final.</p>
<p>A possibilidade de múltiplas interpretações, sem precisar exigir muito  do telespectador, cria um diálogo tão interessante entre sujeito (aquele  que assiste &#8211; nós) e o objeto (aquele que é assistido &#8211; o filme), que  não há como não inserir esta obra na minha lista de prediletas da sétima  arte. Estamos diante de uma joia rara, daqueles que permitem uma série  de debates. Há pessoas mesmo que ainda discutem se a personagem  principal era mesmo cega, conforme insinuado ao término do filme.</p>
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