Jacob’s Ladder (Alucinações do Passado. 1990)

Quem assistiu ao último episódio de Lost, porém não entendeu, poderá encontrar neste cult um bom caminho para ser seguido, visto que ambas as temáticas caminham de mãos dadas e a influência do filme nas diretrizes de Lost não podem ser negadas.

Arrisco a dizer, inclusive, que a ideia principal de Lost é basicamente uma proposta mais elaborada de Jacob’s Ladder (em português, Alucinações do Passado). Enquanto as inúmeras personagens de Lost trazem consigo uma trama complexa, aliada aos mistérios provenientes da ilha, Jacob’s Ladder se resolve em menos de duas horas.

Os fãs de Lost que haviam aproximado o seriado deste filme já haviam dado pistas do final há algum tempo.

Antes de irmos para a trama do filme, vale ressaltar que Jacob’s Ladder é um termo que se refere ao livro de Gênesis (28:11–19), a qual o filme pode ter sido inspirado. Para conhecimento, segue os versículos bíblicos:

E chegou a um lugar onde passou a noite, porque já o sol era posto; e tomou uma das pedras daquele lugar, e a pôs por seu travesseiro, e deitou-se naquele lugar.
E sonhou: e eis uma escada posta na terra, cujo topo tocava nos céus; e eis que os anjos de Deus subiam e desciam por ela;
E eis que o SENHOR estava em cima dela, e disse: Eu sou o SENHOR Deus de Abraão teu pai, e o Deus de Isaque; esta terra, em que estás deitado, darei a ti e à tua descendência;
E a tua descendência será como o pó da terra, e estender-se-á ao ocidente, e ao oriente, e ao norte, e ao sul, e em ti e na tua descendência serão benditas todas as famílias da terra;
E eis que estou contigo, e te guardarei por onde quer que fores, e te farei tornar a esta terra; porque não te deixarei, até que haja cumprido o que te tenho falado.
Acordando, pois, Jacó do seu sono, disse: Na verdade o SENHOR está neste lugar; e eu não o sabia.
E temeu, e disse: Quão terrível é este lugar! Este não é outro lugar senão a casa de Deus; e esta é a porta dos céus.
Então levantou-se Jacó pela manhã de madrugada, e tomou a pedra que tinha posto por seu travesseiro, e a pôs por coluna, e derramou azeite em cima dela.
E chamou o nome daquele lugar Betel; o nome porém daquela cidade antes era Luz.

Segundo o wikipedia, uma das diversas representações de Jacob’s Ladder aparece no quarto episódio da sexta temporada (chamado O Substituto) de Lost, o que evidencia ainda mais a conexão entre o filme e a série.

Agora sim, chega de Lost e vamos a trama do filme!

Inicialmente nos é retratado um acampamento americano em plena guerra do Vietnã, a qual é atacado subitamente. Durante o ataque, alguns soldados começam a ter comportamentos insanos e Jacob Singer – a personagem principal – na tentativa de fuga acaba sendo esfaqueado por uma baioneta.

Na sequência, vemos um Jacob num mundo onde é atormentado por lembranças da guerra, alucinações e a culpa por ter deixado o seu filho morrer antes de ir para a guerra.

Dia após dia, Jacob começa a vislumbrar coisas esquisitas, aparições demoníacas e passar a buscar a explicação para estes delírios.

Em sua trajetória, um amigo lhe diz que ele está morto, porém a não aceitação faz com que ele seja atormentado por demônios, que queimam as partes de Jacob que não desejam abandonar a vida, como as memórias. Eles não tentam puní-lo, mas apenas libertá-lo. Caso ele conseguisse ficar em paz, os demônios virariam anjos e os libertariam da Terra, o que indica que o bem e o mal são diferentes faces da mesma moeda, uma experiência relativa para aquele que a vive.

De imediato, ele acredita ser vítima de algum experimento no exército americano, que teria lhe deixado num estado quase insano. Logo se encontra com os seus colegas sobreviventes na campanha do Vietnã, que também vislumbram coisas estranhas e concordam em buscar um advogado que pudesse lhes representar contra o governo americano. Porém logo todos os seus colegas desistem da ideia no dia seguinte. Não acreditando, decide ligar para um deles, que melancolicamente diz “o que aconteceu lá aconteceu, nada mais pode ser mudado”.

Jacob continua sua empreitada e descobre que realmente eles foram vítimas de uma droga que aumentava a agressividade, logo concluímos que Jacob foi atacado não por um inimigo, mas por algum membro de seu próprio batalhão, o que explica por que eles foram pegos desavisados.

No fim sabemos que Jacob nunca saiu do Vietnã, que todos os acontecimentos apresentados fora do exército era uma espécie de purgatório provocado por uma experiência de pré-morte. Neste universo criado por Jacob, assim que ele encontra a paz, após conformar se com a situação, ele encontra o seu pequeno filho, cuja lembrança de sua morte lhe persegue por todo o filme. Os dois dão as mãos e sobem as escadas em direção à uma forte luz.

Assim que Jacob passa pelas fases do purgatório, como a redenção e a resignação, ele aceita a sua morte e fecha os olhos para sempre.

Como dito, é um ótimo filme para aqueles que já estão com saudade de Lost e querem encontrar mais referências e temáticas parecidas. Mesmo aqueles que não se envolveram com a série, podem assistir que não irão se decepcionar. Se trata de algo realizado há 20 anos e que desperta elogios por parte daqueles que prezam o gênero suspense, drama e horror, sem perder o estilo cult.

Piratas do Vale do Silício (1999)

Será que você consegue imaginar um mundo sem celulares, computadores e MP3? Talvez até consiga, visto que tudo isto ainda é muito novo e a maioria os adultos de hoje nasceram num tempo onde o que temos em abundância em qualquer lugar era algo raríssimo de vermos antes dos anos 90.

Porém estou certo que esta visão tende a desaparecer ao longo dos anos. Quando o habitante mais velho de nosso planeta tiver nascido no ano de 2000, o século XX será vislumbrado somente nos livros e nos cinemas e não fará mais parte da memória de nenhum cidadão vivo.

Muito embora eu sinta saudade da época em que esperávamos em fila, com um punhado de fichas na mão, a oportunidade de utilizar um orelhão da CTBC para fazer uma ligação e também sinta saudade da época em que ainda envíamos cartas manuscritas para nossos parentes e amigos, é inegável que a revolução tecnológica colocou nossas vidas do avesso.

Entre pontos negativos e positivos, não podemos deixar de destacar a fundamental importância na inclusão de um apetrecho que passaria a fazer parte na vida de qualquer pessoa: o PC (Personal Computer, ou Computador Pessoal). Hoje o computador pessoal é acessível para as diferentes classes. Podemos, inclusive, encontrar em diversas famílias não só um PC, mas também notebooks e netbooks para exemplares diferentes da sociedade.

Em grande, muito da popularização do PC é graças aos esforços de duas empresas de tecnologia: a Apple (conhecida pelo iPod e pelo iPhone) e a Microsoft (conhecida pelo Windows e pelo Office). Conhecer o início destas duas empresas e, principalmente, como surgiu a ideia por trás de seus fundadores (Steve Jobs e Bill Gates) é realmente um grande capítulo a ser incluido nos livros de história vindouros: traição, plágio, intrigas, persuassão e conflitos são os ingredientes que fizeram estas duas empresas decolarem para níveis estratoféricos.

Piratas do Vale do Silício é um filme que retrata bem a ascensão do império destes dois gigantes no mundo virtual. Nele observamos um jovem e ambicioso Bill Gates, calouro na Universidade de Harvard, junto com o seu colega Paul Allen desenvolverem uma linguagem chamada “Basic” para os primeiros computadores pessoais conhecidos como Altair 8800.

Paralelamente observamos um jovem hippie e temperamental chamado Steve Jobs, juntamente com seu colega Steve Wozniak, que havia iniciado o projeto Apple I na Universidade de Berkeley, largarem tudo para fundar uma empresa na garagem de Jobs chamada Apple. Algo interessante é que Wozniak na época trabalhava para a HP que, por contrato, exigia que seus funcionários apresentassem todas as ideias para si. Entretanto, quando Wozniak apresentou o seu Apple I, eis a resposta do executivo da HP: “Meu filho, quem é que vai querer um computador dentro de sua casa?”. Me pergunto como será que estes executivos conseguiram curar a dor de cabeça que surgiu posteriormente ao sucesso da Apple.

Outro ponto de destaque é o marco onde a Microsoft deixa de ser uma empresa pequena para tornar-se uma empresa multimilionária: quando o Sr. Gates vende um sistema operacional (o DOS) que ele não tinha a IBM e ainda mantém no contrato que o sistema continua sendo propriedade da Microsoft, que poderia vender o sistema para quem quisesse. A IBM aceitou o contrato, e como não tinham nada, Bill Gates e companhia correram até um conhecido e compraram este sistema operacional por apenas U$ 50.000,00. Ou seja, Bill Gates não tinha nada e ficou rico sem criar nada!

Mas o mais interessante mesmo são os cruzamentos entre Steve Jobs, que se considerava intocável e tinha uma série de problemas pessoais, e Bill Gates, uma víbora persuassiva. Enquanto Jobs copiou a interface gráfica e a utilização do mouse de um projeto da Xerox, a Microsoft copiou a interface gráfica e o mouse da Apple traindo a confiança de Jobs para sempre.

Porém, em nome dos negócios, alianças são feitas e desfeitas numa grande disputas pela maior fatia do mercado. Enfim, é um filme bem bacana que além de mostrar o início de tudo, mostra também característica pessoais natas que viriam a transformar estas personagens em celebridades do mundo corporativo.

Veronika Decide Morrer

Não são todos os dias em que vemos a história de um autor brasileiro ser adaptada para o cinema internacional. De fato, isto por si só já deveria ser um grande atrativo para o público das terras tupiniquins irem ao cinema: você incentiva ao mesmo tempo que é incentivado a ingressar neste mercado. Fora este detalhe, estamos falando da adaptação de uma obra de Paulo Coelho, um dos escritores brasileiros mais bem sucedidos na literatura mundial – embora admita que ele não figura na lista dos meus prediletos, seu talento é inegável e reflete no número de exemplares vendidos em cada um de seus romances.

Como adendo, temos, em minha singela opinião, a adaptação da melhor obra de Paulo Coelho dentro os livros que li (O Alquimista, Diário de um Mago, O Demônio e a Srta. Prym e esta a qual estamos resenhando). Verônica Decide Morrer é um belo livro onde, embora curto demais por sua dinâmica, temos uma história muito agradável de ser apreciada. Como os demais livros do autor, o texto foi escrito para o público geral, e não especificamente para os ecumênicos dos ciclos cultos e eruditos – a qual erroneamente insiste em dizer que o autor carioca não é digno de representar o Brasil no cenário internacional.

Verônika é uma jovem bem sucedida: tem um bom emprego, uma boa família e um bom lugar para morar. Sua vida é perfeita exceto um simples detalhe: Verônika não se sente como parte de seu mundo. A estrutura de sua vida não lhe sustenta e nada mais parece fazer sentido. Onde será que reside o sentido de viver para Verônika? Se não existe uma razão, talvez não exista vida. Se não há vida, o que estou fazendo aqui?

Verônika, cansada de si mesma, decide morrer. Planeja o fim de todo o seu tormento ao desligar-se para sempre do universo. Para isto, faz um coquetel de remédios e se autointoxica. Porém não consegue chegar para a eterna escuridão. Uma hora abre o olho e se encontra internada num quarto em Villete, uma espécie de casa para tratar pessoas com distúrbios mentais (vulgo manicômio). Logo alguém vem lhe explicar que seu suicídio foi mal sucedido. Uma mistura de decepção – nem isto eu consegui? – com um provável alívio de continuar ali toma conta do rosto de Verônika.

O desenvolver da história mostra a relação de Verônika em Villete e de seus frustrados tratamentos, uma vez que a garota continua propícia ao suicídio. Um tratamento alternativo é colocado em paralelo pelo responsável por Villete: dizer a Verônika que a intoxicação afetou partes de si que fatalmente lhe levariam a morte a qualquer momento. Com a certeza de morte ao invés da possibilidade gerada por si, Verônika reaprende a viver com aqueles que tanto quanto ela estão deslocados em um mundo que não lhes pertencem. Com a certeza que cada dia poderá ser o seu ultimo dia, Verônika passa a viver intensamente cada momento. O tratamento experimental é dado como certeiro.

O filme está bem fiel ao que encontramos nas linhas do livro. Além disto, temos algo a mais na película: a presença de Sarah Michelle Gellar – a eterna Buffy, a caça-vampiros – que neste filme dá uma aula de atuação, com cenas muito marcantes. Todo o filme é retrato como se fosse o ápice, com cenas muito bem trabalhadas e que merecem muita comemoração por parte dos envolvidos. A trilha sonora está impecável e condiz perfeitamente com o clima do filme. O time inteiro trabalha bem e o resultado não poderia ser melhor.

Verônika Decide Morrer é um ótimo exercício de reflexão em torno da questão sobre qual o valor e qual é o nosso papel diante da vida, sendo que o grande presente do universo é que ele está disponível para nós e o grande problema é que procuramos tanto que esquecemos que tudo está diante de nossa face. Belíssimo drama que não deveria ser negado por quem gosta de um bom cinema.

Por: Evandro Venancio. Blog: EvAnDrO vEnAnCiO.

GAMER

Este injustiçado filme tem em sua espetacular trama diversos ingredientes que fornecem bons frutos para análises dentro do tema mais discutido por mim dentro deste blog: hiper-realismo. Antes de iniciarmos, porém, eu não consigo entender por que o público em geral não acolheu tão bem este filme como outros do gênero, afinal temos aqui, ao meu ver, mais um clássico de ficção-científica. Se este filme não segue uma linha tênue entre imaginário e real, como Matrix, Minority Report, Equilibrium e Vanilla Sky deve-se ao fato de uma grande homenagem à filmografia oitentista do gênero, tal como Blade Runner e O Vingador do Futuro. Trata-se de mais uma história num cenário distópico, porém aqui o pano de fundo se assemelha muito ao nosso – envolvido por uma série de dispositivos tecnológicos que nos acompanham a cada passo.

O desenvolver da história é simples, porém a sua plataforma é sensacional: estamos há apenas alguns anos no futuro e duas novas febres do momento praticamente tomam conta da humanidade: a rede social chamada Society (uma clara referência ao Second Life) e o jogo online multiplayer Slayers (uma referência à jogos como o Counter Strike). Embora há cerca de 50 anos isto já seria algo impensável, em nossa atual sociedade não temos nenhuma novidade até aí. Porém no filme é inserido um elemento assustador: um nerd chamado Ken Castle (interpretado pelo especialista em personagens excêntricos Michael C. Hall – vulgo Dexter e Six Feet Under) inventa uma espécie de nanochip que controla a mente das pessoas. Isto lhe deixa bilionário da noite para o dia, virando uma verdadeira celebridade em seu tempo. Com isto, pessoas reais são inseridas no tabuleiro e controladas mentalmente por seus jogadores (que podem até mesmo sentir o que seus “avatares” sentem no jogo).

Os jogadores controlam seres humanos de verdade dentro de uma comunidade “virtual/real”, abandonando de vez a vida fora dali. No centro temos Logan Lerman, um jogador sensação de 17 anos que controla Kable (interpretado por Gerard Buttler), o personagem que está há mais tempo livre dentro do game Slayers. Mais algumas partidas vivos e Kable estará livre para voltar ao mundo “real”, porém o Ken Castle, o nerd por trás de tudo isto, tem outros planos e não pretende facilitar para Kable.

Muita tecnologia online, contratos multimilionários, marketing e consumo desenfreado, além da migração da vida real para a vida virtual são os grandes atrativos para que eu considere Gamer um dos clássicos do cinema atual. Se alguns podem pensar que o filme foi feito para outros nerds, eu afirmo que o seu caracter distópico e niilista está para os olhos que observam mensagens diversas por entre as linhas principais.

Do ponto de vista analítico, podemos observar uma relação confusa e intíma entre o sujeito (aquele que conhece) e objeto (aquele que é conhecido). Se antes tinhámos o sujeito era caracterizado por matéria viva e o objeto por matéria morta, nesta realidade a coisa é um pouco diferente. Como disse Baudrillard uma vez, pela primeira vez temos o objeto modelando o comportamento do sujeito, visto as extremas relações de hiperconsumo como modo de satisfazer uma necessidade básica.

Se outrora necessidades como sede e fome são essenciais para satisfazer requisitos para o bom funcionamento do corpo, temos no consumo a necessidade de satisfazer um desejo proveniente da psiquê. Hoje estar alinhado as ultimas tecnologias, vide revolução de dispositivos móveis como o iPhone e a invasão de Google Androids, é estar alinhado com o meio social. A sociedade pede por isto. Com a internacionalização e globalização proporcionada pela internet, fazer parte de qualquer modismo ou adentrar-se em novas ferramentas online se torna pré-requisito para fazermos parte do meio.

O alerta do filme Gamer é demonstrar até onde iremos chegar para satisfazer esta necessidade que até então nem existia. Até onde a indústria do entretenimento pretende chegar para nos tirar de uma vida e nos inserir em uma outra. De fato, o que acontece é que saímos de um mundo injusto, amoral e cruel para sermos incluidos num mundo mágico, encantado, onde pude ser feito sem que ninguém se machuque (muito embora seja um universo fictício e surreal). Se observarmos que cada ser procura aquilo que é melhor para si, iremos até chegar num argumento que justifica a prática, porém é um argumento egoísta e mesquinho.

Visto que os homens não escolhem os seus locais de nascimento, a vida não se trata de liberdade, mas sim de escolhas limitadas que somos obrigados a fazer dependendo da direção a qual nos encontramos. Há famílias que adquirem mansões milionárias, outros que adquirem barracos em centenas de prestações. Porém o desejo dos ser é ilimitado e ambas as classes podem sonhar a mesma coisa. Onde reside a justiça aqui?

Enfim, precisamos buscar uma solução deste mundo ferido, porém real, no próprio mundo ferido. Se criarmos multi-universos virtuais, estaremos multiplicando o hiper-real em níveis onde jamais saberemos o que existe por trás do virtual. Em Gamer, temos os Humanz, que são hackers dispostos a mostrar para as pessoas condicionadas neste mundo de faz-de-conta que há vida por trás das telas. Pior, que há interesses comerciais em manter os seres ocupados com entretenimento, uma vez que os males do mundo não são descobertos.

É por estes e outros motivos que Gamer ingressa na lista dos meus favoritos. Excelente filme, excelente mensagem. Precisamos de mais obras que alertem as pessoas quanto este tipo de prática, que esta aí para quem quiser ver. Devemos avançar sim (sempre), porém rumo a um avanço tecnológico equilibrado e consciente. Precisamos nos manter no controle para não sermos controlados.

Por: Evandro Venancio. Blog: EvAnDrO vEnAnCiO.

Abril Despedaçado

Se o ser arremessado no mundo e sem consciência de si mesmo é característico do pensamento existencialista – no jargão filosófico “ele não é, vai sendo” – temos aqui uma pérola do cinema existencialista brasileiro. Não é a única, afinal textos de Lispector (a nossa diva existencialista) foram adaptados para as telas. Além disto, temos coisas mais recentes, como Estômago, que é quase um hibrido entre “O Perfume” de Patrick Suskind e “A Metamorfose” de Franz Kafka – talvez seja rotulado como estúpido por fazer esta comparação, porém este é o meu espaço e não me arrependo do que digo (se “Estômago” não é tão profundo e original, as influências dos dois clássicos não podem ser negadas).

Abril Despedaçado é uma adaptação tropical do livro com o mesmo título do escritor libanês Ismail Kadaré. Embora o roteiro tenha sido transportado para o sertão brasileiro, a história se manteve fiel (com exceção do desfecho). O filme é belamente dirigido por Walter Salles, sendo que diversas cenas beiram a uma poesia visual, onde a miséria contrasta com a esperança e a dignidade.

No enredo temos Tonho, filho (ou vítima?) de uma família que vive numa contenda sem fim contra outra família. Seu irmão acaba de ser morto e, por uma tradição que não se sabe como começou, terá que “cobrar” o sangue do falecido. Isto significa uma autorização expressa para matar o algoz. Porém, quando isto ocorrer ele também estará assinando a sua morte, visto que a família do assassino também deverá cobrar a sua vida.

E assim a tradição transcorre numa roda interminável. Tonho nem mesmo sabe a origem da briga, porém terá que arcar com o prejuízo. As contendas antecedem sua própria existência. As dívidas de sangue entre as duas famílias surgiram antes mesmo de seu pai nascer.

Regido pela única explicação plausível, Tonho sabe que aquilo que está em jogo é a honra da família patriarcal, em primeiro lugar, e a sua própria honra. Para que a honra prevaleça, deve-se obedecer a um código antigo: a vingança se dá apenas quando o sangue da camisa do falecido secar. Enquanto isto não ocorre é estabelecida uma trégua provisória, que representa os últimos dias de vida do assassino.

Tonho sabe que a sua vingança também representa sua morte. Sua família também sabe, mas isto não importa. Na parede da sala uma série de retratos mostra o semblante de outros que foram mortos em contendas, isto para não que ninguém nunca se esqueça que a honra precede o próprio sangue. Mas para que haja continuidade na história, após a camisa de seu irmão secar, Tonho vai até o assassino e o mata com tiros de espingarda.

Como o código rege, Tonho vai até a casa do morto velar o seu corpo e pedir a trégua para a família do falecido. Tradicionalmente, uma faixa preta é amarrada em seu braço para indicar a todos que ele estava marcado por uma dívida de sangue, ou seja, logo seria morto também.

E o que é a vida no meio disto tudo? Por onde trilha o desejo dos homens numa relação onde a honra – algo proveniente do imaginário – precede a vida? E para onde os homens devem caminhar, se ele já nasce morto?

Se a história transcreve uma vendeta absurda entre famílias, de tal modo que evidencia uma literatura existencial, o fantástico cinematográfico é retrato de uma prática real: uma prática conhecida no Líbano como Kanun.

No Kanun temos um código descrito em 12 partes onde, devido à ineficiência da justiça e descrédito nas forças policiais, é estipulado um conjunto de regras que objetivam exclusivamente alentar a honra das famílias, sendo que aqueles que são desonrados tem o direito de tirar a vida do seu agressor – mesmo que isto represente assinar o seu próprio atestado de óbito.

Tonho não entende que espécie de vida é esta que te leva por caminhos sinuosos e qual o real sentido da existência. No fundo, ele se conforma com o maior trunfo existencialista: não há significado algum. Simplesmente fazemos parte de um grande absurdo. O que resta á apreciar as coisas simples que a vida nos oferece sem tentar entender o que cada coisa representa.

Por: Evandro Venancio. Blog: EvAnDrO vEnAnCiO.

Link IMDB: http://www.imdb.com/title/tt0291003/
Trailer: http://www.youtube.com/watch?v=Nd7QCc5GcE8

Abril Despedaçado. 2001. Brasil. Direção: Walter Salles. Roteiro: Karim Ainouz. José Dumont, Rodrigo Santoro, Luiz Carlos Vanconcelos, Caio Junqueira, Mariana Loureiro, Wagner Moura. 105 minutos.

Vidas Sem Destino (Gummo)

Filme difícil de digerir, um tanto quanto denso. A experiência não é das mais agradáveis. De fato, durante a projeção fiquei tentado a desistir de chegar até o final – não pela temática do projeto, mas pela maneira que o filme é conduzido. Uma sensação de mal estar é quase que inevitável durante os 89 minutos que nos encontramos em frente à tela.

O responsável pela façanha é o cultuado Harmony Korine, que estrou no cinema ao assinar o roteiro de um outro filme perturbador: Kids. Em Gummo, ele estreia como diretor e faz algumas experiências bizarras no controle das câmeras.

É um exercício penoso tentar elaborar uma sinopse para este filme, porém se eu tivesse que identificar um protagonista para a história (se é que podemos dizer que há uma história) seria a caótica cidade de Xenia, em Ohio. Ao mesclar ficção com fatos reais, Korine nos apresenta a um lugar pós-apocaliptico após um tornado ter devastado à cidade em questão.

Muitos morreram, pessoas foram dizimadas e famílias despedaçadas.Já não há mais adultos e agora as crianças e adolescentes sobrevivem por eles mesmos. Neste contexto, como seria a vida destas pessoas? Harmony Korine traz uma visão niilista em sua película: há uma desconstrução de padrões difícil de suportar. A cidade é imunda e desorganizada – não há uma única cena que não seja extremamente poluída (entenda sujeira, brinquedos despedaçados, pernas de boneca penduradas, camas desarrumadas, louça sem lavar, água preta, carros quebrados, roupas velhas, unhas sujas, entre outros).

O filme não tem uma história central. Ele começa sem um início e termina sem um fim. Simplesmente somos arremessados para dentro da cidadezinha de Xenia. Como uma espécie de guia turístico, o diretor nos convida a conviver por alguns minutos com a rotina de seus moradores. Somos introduzidos para a escória do submundo humano – vamos participar da antivida de seus habitantes e mesmo querendo fechar os olhos, vislumbraremos apenas como se dá a sobrevivência daqueles que, de alguma maneira, já estão mortos.

Dentre estes habitantes, temos um núcleo inspirado no White Trash – ou Lixo Branco, termo utilizado para pessoas brancas de baixíssimo estatuto social, cultural e econômico. Equivale a chamar as pessoas de selvagens ignorados pela civilização. De fato, é isto que encontramos. Pessoas esquecidas que cultivam a sua própria imundice, como num movimento que diz “é isto que vocês querem? Então é isto que vocês teem!” – um freak show depressivo, onde encontramos a podridão da humanidade concentrada num único local.

O mais irônico, e talvez este seja o ponto que Harmony Korine pretenda chegar, é que por mais distante que este mundo pareça estar de nós, encontramos nele tão somente o que encontramos no nosso dia-a-dia. Não há nada de novo, senão repetição do nosso cotiano. Talvez seja por isto que nos sentimos tão perturbados: quando encontramos à nossa imundice espelhadas diante de nós, sentimos repulsa – quando não vergonha – de quem somos.

Basta pegar os elementos tratados em Gummo e comparar com nossa vizinhança – ou mesmo dentro de nosso lar: suícido – há relatos desesperados pelo fim do tormento que é esta vida sem sentido, nem razão; prostituição – há pessoas que vendem seus próprios entes para se prostituirem em troca de algum dinheiro; abuso sexual – pais que estupram filhos e pessoas que forçam uma relação; racismo; dependência de drogas; tortura de animais; violência pró-diversão; doença; preconceito e homofobia.

Tudo isto manifestado por jovens menores de idade. O tapa na cara é forte. A discussão é hiper-real justamente por que não sabemos o que seria da vida caso estivéssemos nesta posição surreal. Existe o real, evidenciado pelas situações acima, ofuscada por um fictício, que é o universo proposto por Korine. Quando pegamos todos os elementos e jogamos num liquidificador temos uma sociedade hiper-real: não falsa, não fantasiosa, mas real em um determinado nível de modo que não podemos alcançar esta realidade – por isto hiper-real.

Filme de alto teor culto e reflexivo, porém na mesma proporção encontramos a melancolia, pessimisto e desânimo. Fora a trilha sonora que te leva entre músicas calmas dos anos 50 para o thrash metal mais pesado possível. Isto atenua ainda mais o mal estar, como se lhe jogassem para cima e para baixo sem freio nem remorso.

Eu, particularmente, não pretendo revisitar o filme, a não ser em minha mente, onde ele está bem vivo, principalmente algumas cenas chocantes que insistem em permanecer. Termino esta resenha e vou direto tomar uma aspirina, para curar a dor de cabeça, e um energético, para me trazer disposição e – quem sabe? – um sorriso. Korine pegou pesado demais neste trabalho. Porém eu bato palmas de pé para o diretor e irei acompanhar os seus outros trabalhos, afinal ele atingiu o seu objetivo apenas ao trazer o espelho para a tela de projeção.

Por: Evandro Venancio. Blog: EvAnDrO vEnAnCiO.

Link IMDB: http://www.imdb.com/title/tt0119237/
Trailer: http://www.youtube.com/watch?v=35Hg8bIFu-A

Gummo. 1997. EUA. Direção e Roteiro: Harmony Korine. Jacob Reynolds, Chloë Sevigny,  Nick Sutton, Jacob Sewell.

Deadgirl

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Embora alguns possam rotular este como um filme de terror medíocre, senão mesmo ruim, eu o considero um bom drama, excelente objeto para algumas reflexões acerca da bestialidade humana – tema tão explorado por mim em meu blog e mesmo em outras análises da sétima arte.

Em Deadgirl temos dois amigos problemáticos e não-sociáveis com o mundo. Na escola não interagem com ninguém. Não obedecem regras do mundo. São invisíveis perante a existência. Entretanto, o vandalismo é a forma que encontram para dizer ao universo “Ei, estamos aqui!”, visto que o próprio sol e a própria lua viraram de costas para ambos.

ATENÇÃO: Contém SPOILERS a respeito da história. Se não quiser saber o que acontece, então não leia o conteúdo abaixo.

Um dia, como tantos outros, os dois resolvem matar aula para se divertirem. J.T – o que mais aceita a sua condição de esquisito e de abandonado por todos – sugere à Rickie – este não se vê como alguém esquecido, embora seja tanto quanto o seu amigo – que eles visitem um hospício abandonado.

Ao chegar ao local, os dois se embebedam e começam a destruir as coisas por pura diversão. Entre quebra de vidros e cadeiras arremessadas, os dois ouvem um barulho proveniente de um corredor. Um cachorro ameaça atacá-los, então eles correm e acabam por entrar numa sala onde uma mulher está deitada, amarrada e, aparentemente, viva!

Diante da cena, Rickie fica preocupado e deseja ir embora. Aquela mulher ali poderia representar problemas para ambos. Porém J.T. fica fascinado ao observar a mulher amarrada, em total submissão e sem poder fazer nada, com um olhar mórbido e cansado. Ao fazer um exame mais minucioso, J.T. acha a mulher bonita e começa a se excitar com a imagem.

Rickie deseja ir embora, porém quando J.T. começa a tocar a mulher, Rickie tenta impedi-lo e acaba levando um murro de seu melhor amigo. É o fim da amizade. Rickiei vai embora e J.T. fica sozinho com a mulher amarrada.

No outro dia na escola, J.T. diz que Rickie precisa voltar com ele ao local para mostrar algo indizível com palavras. Convencido, ambos voltam ao hospício e Rickie observa a mulher com o pescoço quebrado, porém ela ainda se mexe.  Sem entender, J.T. pega a arma de Rickie e dá três tiros na mulher. Ela continua movendo-se. Então J.T. explica que a mulher não morre – que na noite anterior ela começou a gritar e ele quebrou o seu pescoço por três vezes, porém ainda vivia.

Deadgirl

Ao saber que não há um limite para o fim da mulher, J.T. se excita cada vez mais com a tortura. Na contramão, Rickie está cada vez mais horrorizado e rompe em definitivo com o seu ex-amigo. As cenas de tortura não saem de dentro de si, ele pensa constantemente em libertar a mulher dos abusos sofridos. No dia em que planeja fazer isto, encontra um outro colega da escola transando com a pobre mulher amarrada, enquanto J.T. apenas observa, anestesiado pelo sofrimento da mulher morta-viva.

Na escola, Rickie arruma uma briga com o namorado da menina que ele é apaixonado. No meio da uma surra, Rickie oferece a oportunidade de ver algo único e leva o cara para ver a mulher no hospício. O fortão fica com medo, porém com a pressão de J.T. e de outros dois colegas da escola, ele vai manter relações com a defunta, que já está com o pescoço quebrado, com três buracos de bala no corpo, e cheia de hematomas. Acaba mordido por ela. É a vingança de Rickie através da mulher morta.

No outro dia, porém, o brigão começa a falecer e acaba por morrer. Eles então adivinham que a mulher é uma espécie de zumbi: quem ela morder também fica num estado semelhante ao seu. Então J.T. decide transformar uma nova mulher em zumbi para fazer de objeto de desejo junto com a outra.

Eles acabam por pegar a menina que Rickie está apaixonado. Rickie consegue salvá-la enquanto seus amigos morrem, porém ela é ferida. Antes de sair do hospício, Rickiei manifesta o quanto ele a ama. Porém ela repudia este amor e pede apenas para sair dali. Então J.T., ferido e a beira da morte, diz que ainda havia tempo para transformar ela num zumbi também, que ele poderia ter ela por todos os dias naquele mundo. Que no mundo real eles jamais conseguiriam algo assim por que eram rejeitados.

Ao término do filme vemos Rickie feliz na sala de aula. Ao término, ele se direciona para o hospício e lá está a garota de seus sonhos presa como a mulher anterior. Ele acolheu o conselho do falecido J.T. e aceitou o seu estado de invisibilidade.

Por incrível que pareça, este filme tem um objeto de crítica semelhante à uma grande obra, tanto da literatura quanto do cinema: Ensaio Sobre a Cegueira, de José Saramago. Os mesmos demonstram o quão cruel pode ser o homem numa situação onde as leis, a ética e a moral não se aplica. Quando não há nada que possam repreender o homem, eis que ele revela o seu lado mais insano.

Neste filme o que observamos é exatamente isto. Se de um lado o mundo nunca deu bola para J.T., por que ele se importaria com regras agora? Se o caminho que eles trilharam até então era o mesmo dos outros, por que eles não eram aceitos por todos? Neste contexto, suas ações eram justificadas pela aceitação da negação de sua existência perante o universo. Neste caso, não há busca de construção de nada, apenas destruição, alívio e prazer imediato.

No “mundo real” ele era controlado, em seu mundo ele controlava: a punição da mulher morta era a punição para todos aqueles que lhe esqueceram. Era a raiva contida colocada para fora. Era a afirmação que ele precisava: se ninguém se importa eu também não preciso me importar. Adeus condutas leais, adeus leis. Temos o retrato da moral ao avesso.

Se no Ensaio Sobre a Cegueira o tema é tratato de forma filosófica e sociológica, neste Deadgirl o tema é tratado de forma antropológica. Aqui temos a vingança de um homem só. A criação de uma realidade única e exclusiva para o ser solitário arremessado num mundo despreparado para recêbe-lo. Embora Rickie não acreditasse em J.T. e embora ele quisesse mudar a forma como era vista por todos, ao término Rickie descubriu que J.T. tinha razão: eles não pertenciam aquele local.

Neste contexto, quem são os os loucos,  aqueles que estão do lado de fora ou aqueles que estão do lado de dentro desta bolha imensa chamada vida?

Enquanto filme o desenvolver é lento e por vezes cansativo, embora não menos instigante (é aquele filme que você deseja ver o final à todo o custo, embora visualize o visor algumas vezes para saber se ainda falta muito para acabar). Porém enquanto instrumento ele é muito bom. Neste caso, se não houver muitas opções para assistir, fique com este que você não irá se arrepender.

Por: Evandro Venancio. Blog: EvAnDrO vEnAnCiO.

Link IMDB: http://www.imdb.com/title/tt0896534/

Deadgirl. 2008. EUA. Diretor: Marcel Sarmiento. Roteiro: Trent Haaga. Charlotte Frogner, Shiloh Fernandez, Noah Segan, Michael Bowen, Candice Accola, Andrew DiPalma, Eric Podnar, Nolan Gerard Funk.

Død Snø

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Recordo que um amigo uma vez me confidenciou que gostaria de ver o círculo pegar fogo na recente tensão causada no oriente entre a Coréia do Norte e o Japão. Surpreso, questionei o motivo desta posição. Pois ele disse: “Pois aí surgiria uma terceira guerra mundial! Assim teríamos uma série de boas novas histórias para serem contadas à respeito deste tema! Novos romances e novos filmes! A companhia de Hitler já não oferece mais nada interessante para a cultura do século XXI”.

Ele estava errado. Mesmo com um tema que, aparentemente, parece que está esgotado, fui extremamente surpreendido com o filme que dá título à este post! Se trata de um filme de terror gore, thrash mesmo! Vem do Lado B de um vinil bem sem vergonha, de um artista que nunca ouvimos falar e cujo atrativo está no borrachão esverdeado. A temática é a mesma de sempre: jovens se reunem para passar um final de semana afastados da cidade grande com o único propósito de beberem e fazerem sexo. Lá coisas estranhas começam a acontecer e as vítimas começam a desaparecer uma a uma.

Parece maçante e clichê demais, não é mesmo? Pois não se enganem, pois o filme é muito divertido! As coisas estranham são nada mais nada menos que zumbis – e daí? – pois é, meu chapa, só que não são qualquer zumbi não! São zumbis nazistas! É isto mesmo, você não leu errado! Basta ver as fotos deste artigo!

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Um antigo batalhão do regime nazista se converteram em mortos-vivos e agora alastram as proximidades de onde encontram-se os jovens inocentes (burros) que buscam apenas um pouco de perversidade!

O que faz este filme ser diferente dos demais? São várias coisas:

1) Não se trata de um filme americano – eles sabem fazer bons filmes, mas pecam neste gênero (por isto a invasão de filmes orientais e mesmo outros, como “Deixe Ela Entrar ” são exemplos de como fazer um excelente filme de terror).

2) Diferente dos acampamentos de fim-de-semana de outros filmes, onde geralmente a paisagem é linda e o tempo é agradável, nesta filmagem o cenário é debaixo de neve.

3) Não estamos falando de qualquer tipo de zumbi: estamos falando de soldados treinados, regidos por um comandante maligno, impetuoso e voraz!

4) O filme não tenta lhe dar sustos, pois a própria história beira ao rídiculo e isto seria um desastre, portanto você encontrará um filme muito hilário (quase como se fosse uma comédia de terror) e também… muito (mas muito mesmo) nojento…

5) O banho de sangue e as mortes brutais!

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Colega, se você não tem estômago forte nem assista ao filme – ao menos, não depois de uma refeição  – caso contrário suas entranhas sairão por sua garganta. Tripas, sangue, cérebro, sangue, amputações, sangue, cabeças decepadas, sangue, intestino arrancado e muito sangue! Tudo isto sem desviar a câmera!

E mesmo assim você consegue dar boas risadas, como nas cenas finais, onde dois amigos resolvem sair da casa de inverno! Enfim, aos fãs do gênero, eu recomendo como uma opção de bom entretenimento – mas não vá pensar que após ver o filme você terá aprendido algo sobre o nazismo! Quem não gosta, passe para o próximo filme da lista!

Se relacionamos sangue e vinho com filmes vampíricos, com todo o glamour, romance e elegância com um refinado terror, podemos relacionar este filme apenas com sangue e cachaça de segunda linha!

Por: Evandro Venancio. Blog: EvAnDrO vEnAnCiO.

Link IMDB: http://www.imdb.com/title/tt1278340/
Trailer: http://www.youtube.com/watch?v=9SQSijWiOsk

Død snø. 2009. Noruega. Diretor: Tommy Wirkola. Roteiro: Stig Frode Henriksen e Tommy Wirkola. Charlotte Frogner, Ørjan Gamst, Stig Frode Henriksen, Vegar Hoel, Jeppe Laursen, Evy Kasseth Røsten, Jenny Skavlan, Bjørn Sundquist, Ane Dahl Torp, Lasse Valdal. Duração: 91 minutos.

The Hunt For Gollum

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Um ótimo Fan Film de 40 minutos que serve como adendo para a magistral trilogia “O Senhor dos Anéis” de Peter Jackson. Assim como os filmes, este curta também é adaptado do texto de J.R.R. Tolkien.

O curta metragem aproveita-se de um episódio pouco explorado no primeiro filme da trilogia, que é o período que Gandalf parte do Condado ao deixar Frodo como o guardião do anel – logo após a despedida de Bilbo Bolseiro. No filme original a viagem de ida-e-volta ocorre como se fossem apenas alguns instantes, porém no livro ela dura 12 anos e é aqui que a história de “The Hunt For Gollum” é encaixada.

Em “The Hunt For Gollum“, temos um ambiente marcado por muita tensão que irá desencadear no evento conhecido como “A Guerra do Anel”. Sauron sabe que o Um anel foi encontrado e prepara seu exército para encontrá-lo a todas as custas. A única criatura que sabe onde está o anel é o ex-hobbit Gollum e a missão de Gandalf é impedir que ele seja encontrado por Saurom, de modo que Frodo não seja entregue pelo pequeno monstrinho.

Como Gandalf está demasiadamente ocupado com os mais diversos acontecimentos, ele atribui a responsabilidade para Aragorn (que até então era apenas conhecido como Passolargo) de iniciar a busca por Gollum antes que ele caia nas mãos do inimigo e seja tarde demais.

Assim começa a jornada de Aragorn, cuja conversa com Gandalf revela que ele será o protetor do guardião do anel (Frodo, como bem sabemos. Em sua empreitada ele irá combater orcs, proteger o enigmático Gollum e outros sinais característicos que encontramos nas batalhas da trilogia).

Embora as batalhas não ofereçam tanta emoção, o cenário e o figurino é de uma qualidade impressionante, muito acima do que encontramos mesmo em grandes produções de Hollywood. O ator que interpreta Aragorn e o ator que interpreta Gandalf são extremamente semelhantes ao que encontramos no original, por isto mesmo a sensação é que estamos assistindo à uma cena cortada da trilogia.

Portanto recomendo, tanto para aqueles que são fãs de J.R.R. Tolkien quanto para aqueles que são fãs do cinema e gostam de acompanhar como evolui um trabalho independente.

Para assistir o curta-metragem, clique aqui. Para assistir com legendas em português, clique em Menu (ao lado esquerdo player) e selecione PT.

Por: Evandro Venancio. Blog: EvAnDrO vEnAnCiO.

Link IMDB: http://www.imdb.com/title/tt1323925/
Filme na Íntegra: http://www.dailymotion.com/user/huntforgollum/video/x93zji_the-hunt-for-gollum-hd-version_shortfilms

The Hunt For Gollum. 2009. Diretor: Chris Bouchard. Roteiro: Sabina Sattar. Adrian Webster, Arin Alldridge, Pat O’Connor, Rita Ramnani. Baseado no livro de J.R.R. Tolkien.

Batman: Dead End

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Acreditem ou não, antes do reinício da franquia do homem morcego (Batman Begins e The Dark Knight), este foi considerado por muitos como o melhor filme feito para o personagem de todos os tempos. Detalhe: estamos falando de um Fan Film.

Para quem não sabe o que é um Fan Film, como diz a expressão, é um filme amador e não-oficial feito por fãs, geralmente inspirado por filmes de ficção científica, quadrinhos ou desenhos animados. Como não são filmes autorizados, eles não podem ser distribuídos por questões de copyright. Portanto não possuem fins lucrativos e na maior parte das vezes são curtos e de baixo orçamento (geralmente realizados apenas para serem exibidos em alguma feira promocional de SCI-FI ou para um trabalho de conclusão de curso). Com o advento da Internet agora eles são facilmente acessíveis, portanto eles estão crescendo em quantidade e qualidade.

A história traz um Coringa sádico e insano (que eu desconfio que possa ter servido de modelo para aquele interpretado pelo falecido Heath Ledger) que acaba de fugir do Asilo Arkham, uma espécie de Guantánamo de Gotham City.

Batman então é acionado e passa a perseguir o vilão pelos becos de Gotham City. Misteriosamente, o Coringa é arrebatado por um – preparem-se – Alien! Na sequência o mesmo Alien vai para cima de Batman, que graças a um raio disparado por um Predador (!!!) consegue sair ileso raio. Batman está em fogo cruzado: está havendo uma caçada! Resta saber como Batman lidará com a iminente ameaça ao planeta Terra.

O mais interessante aqui não é a história, embora nenhum elemento tenha sido esquecido: Gotham City está mais dark do que nunca. A histeria do Coringa está explícita assim como o ódio de Batman pelo inimigo. Os Aliens continuam criaturas repugnantes e insanas. Os Predadores continuam com a ética e moral de caçadores alienígenas intactos.

O que chama a atenção realmente é a qualidade da produção, que está muito acima da média dos fan films, senão acima mesmo da média dos filmes anteriores. O Batman, até aquele momento, nunca havia sido tão bem caracterizado. Ele nunca esteve tão próximo ao herói que encontramos nos quadrinhos em sua fase mais sombria.

Além disto, esta salada-mista entre três franquias de peso pode ser vista no formato cinematográfico, algo pensável somente nos quadrinhos até então (os chamados crossovers)!

Portanto, clique aqui e confira este curta metragem de apenas 8 minutos que deixa muitos fãs com gosto de ‘quero mais’.

Por: Evandro Venancio. Blog: EvAnDrO vEnAnCiO.

Link IMDB: http://www.imdb.com/title/tt0374526/
Filme na Íntegra: http://www.youtube.com/watch?v=vUQ0jrIuHQA

Batman: Dead End. 2003. EUA. Direção e Roteiro: Sandy Collora. Clark Bartram, Andrew Koenig.