Seus Cem Anos Fizeram Companhia a Solidão de Muitos! Valeu Gabo!

gabriel-garcia-marquez_cem-anos-de-solidaoSe o exercício da leitura é num momento de solidão, de quem escreve precisa antes estar em meio as vozes do mundo para buscar a inspiração. E então, talvez, um recolhimento para encontrar o tom certo da história. Gabriel García Márquez partiu para o mundo, mas foi numa volta às raízes que vislumbrou que tinha em sua bagagem uma grande história. Nessas tiradas em que o destino presenteia alguém, sua mãe lhe chama para vender a casa dos avós com quem passara a infância. E entre memórias da família e lendas populares do interior da Colômbia, nasce “Cem Anos de Solidão“.

Cem anos de solidão” se passa na fictícia aldeia de Macondo e acompanha ao longo de gerações a saga da família Buendía. Obra prima literária da segunda metade do século XX é um livro que dispensa apresentação e que deveria ser lido principalmente pelos latinos americanos.

Eu li Cem anos de solidão há muito tempo atrás. Com isso traçar uma análise de toda a história ficariam muitas lacunas. O mais certo seria reler o livro e que até o faria com prazer, mas com o falecimento de Gabriel García Márquez não teria tempo hábil para então prestar um tributo a esse grande escritor. Deixando essa singela homenagem a quem não chegou aos cem anos de idade, mas que por certo suas histórias nos levaram a viver tanto quanto.

Assim, contando algo que ocorreu-me tão logo terminei de ler Cem anos de solidão”, deixando como sugestão para quem for ler ou mesmo reler o livro. Pegue uma folha em branco e um lápis. Vá montando uma árvore genealógica à medida que for avançando na leitura. Comece pelo personagem principal José Arcadio Buendía; o casamento com Úrsula Iguarán; os nascimentos de filhos e netos; marcando também as mortes… Pois a trama é muito rica em personagens e histórias até particulares. Com esse diagrama em paralelo parece que fazemos a mesma trajetória ao mesmo tempo e com isso sem perder nada. E foi assim que quando eu reli e chorei no final. Quando se sente no âmago a solidão desses cem anos.

Difícil não era inventar histórias. Difícil era fazer um norte americano, um europeu acreditar na realidade de qualquer país da América Latina.” (Gabriel García Márquez)

O Escritor se vai (1927/2014), a Obra permanece!
Aplausos a Gabriel García Márquez!
Vai em Paz!.

As Palavras (The Words. 2012)

as-palavras_2012_cartazTalvez haja dois critérios básicos para se tornar um grande escritor: talento com as palavras e um olhar atento para o que acontece ao redor. Para então conseguir traduzir num texto o que sentiu, o que viu, o que imaginou, o que vivenciou… Deixando o pensamento correr livre. Sem cercear até mesmo a imaginação. E quando conta a história num longo texto terá também que manter o interesse do leitor até o final. Que mesmo escrevendo um breve conto se faz necessário também encantar quem o ler. Num misto de admiração e surpresa na leitura de todas aquelas palavras impregnadas de carga emocional.

Saber escrever bem até pode ser até pode ser um misto de constância com a escrita e técnicas de redação. Mas sobre tudo há o de se gostar de escrever. Descrever em palavras o pensamento. Em narrar a emoção da historia vivida ou imaginada. Onde muita das vezes mesmo tendo um talento nato ele pode ficar adormecido. Onde só ira acordar com um fator desencadeante. Que pode ser vindo de outra pessoa, mas em geral o estalo vem de algo vivido pela própria pessoa. Seja como for deve dar o primeiro passo. E mais outro. Escrevendo sempre, e principalmente quando der a vontade. Podendo até ser pequenas anotações. Onde a própria crítica seja mais como um incentivo a ser aperfeiçoar na escrita.

Agora, quem ou o que define quem é um grande escritor a ponto de colocá-lo no topo dos clássicos? A história em si? O número de leitores? A quantidade de palavras em cada livro? A continuidade nas escritas para não ser um autor de uma única obra?

No filme ‘As Palavras‘ temos três formas distinta de escritores: o verdadeiro autor da obra, o que se apropriou da obra e o que conta a estória desses dois. Deixando para quem assiste separar a ficção da realidade. Ou julgar ou se solidarizar com eles.

Rory Jasen (Bradley Cooper) trabalha em uma editora de livros alimentando um sonho em um dia ter o seu próprio livro publicado. Mas passar o dia naquele mar de palavras em nada lhe ajuda como inspiração. Falta talento? Pode ser. O tempo vai passando e o sonho virando um pesadelo. Somado a essa frustração lhe vem a realidade das contas a serem pagas no final do mês. Sua esposa Dora (Zoe Saldanha), um pouco alheia ao real drama de Rory, mas por ele não lhe confidenciar, tenta incentivá-lo. Até o leva a uma pequena loja de antiguidades e lhe dá de presente uma pasta de couro. Mal sabendo ambos que aquela peça antiga trazia escondida um tesouro. Tal qual a lâmpada mágica era o sonho de Rory virando realidade. Pois ao limpar a tal pasta ele encontra um maço de folhas amareladas pelo tempo. Ele então ler todo o texto que o deixa fascinado. E logo se vê digitalizando todo o texto. Copiando palavra por palavra.

Ainda alheia a agora ao novo dilema em que se encontra o marido Dora ler o texto achando ser dele. Pronto! Era o incentivo que faltava a Rory. Então ele apresenta como sendo seu ao seu chefe. Que publica o livro. Virando um sucesso em vendagem, crítica e prêmios. Só que o tempo vai passando e com ele a cobrança de um novo livro. De uma outra grande história. Que também não vem. Mas dessa vez em vez de encontrar um novo texto surge o tal gênio da lâmpada. Ou seja, o verdadeiro autor da obra. Personagem do sempre ótimo Jeremy Irons. A princípio tudo que impõe a Rory que ouça toda a história. Como todas aquelas palavras surgiram. Ele vivenciou tudo aquilo, e soube contar em palavras.

Palavras apenas / Palavras pequenas / Palavras

as-palavras_2012Não há como voltar atrás depois de ter feito uma escolha. Até pelas consequências desse ato. Ainda mais quando houve perdas irreversíveis. Foram perdas e ganhos na balança do destino. É tentar se redimir? Buscar por uma expiação ou por uma redenção? Culpabilizar o forte e egoísta desejo de se tornar um escritor? Mas aí não deveria ter seguido o caminho solitário para não deixar na solidão os entes mais próximos? Pois como bem disse Saint-Exupéry “Você se torna responsável por aquilo que cativas.

Se para um ao contar toda a história seria como exorcizar antigos fantasmas, para o outro ao ouvir seria como ficar frente e a frente com os seus ainda lhe assombrando. E para quem conta toda essa história que sentimento quis tirar dali?

Eu gostei do filme! Foram palavras que resultaram numa bela história. Mostrando que Direção e Atuação possuem intimidade com as palavras. No mínimo terão um exercício para que quem saiba um dia venha se tornar um escritor. Nota 10!

Por: Valéria Miguez (LELLA).

As Palavras (The Words. 2012). EUA. Direção e Roteiro: Brian Klugman, Lee Sternthal. Elenco: Dennis Quaid (Clay Hammond), John Hannah (Richard Ford), Jeremy Irons (The Old Man), Bradley Cooper (Rory Jansen), Zoe Saldana (Dora Jansen), J.K. Simmons (Mr. Jansen), Olivia Wilde (Daniella). Gênero: Drama, Mistério, Romance. Duração: 102 minutos. Idade Indicativa: 12 anos.

O Cinema Mostrando o Papel de um Professor em Sala de Aula

ao-mestre-com-carinhoQual é o papel de um Professor em Sala de Aula?
Será que por conta de terem mais chances numa carreira profissional no futuro, alguns pais não estariam sobrecarregando as crianças com muitas atividades? Que terminam gerando nelas muito mais o espírito de competição, em detrimento do da solidariedade, por exemplo? Com isso não estariam delegando aos Professores algo que teria que vir mais da parte deles? Nossa viagem de hoje pelo Filmes será essa relação entre o Mestre e seus Pupilos. Vem comigo
!

Numa das madrugadas insones, revi ‘Ao Mestre com Carinho II‘. Que me fez ficar emocionada por também recordar do primeiro filme. O professor, personagem do Sidney Poitier, fez o papel também de pais dos seus alunos. Foi além do ensino curricular. Até hábitos de higiene ele transmitiu aos alunos. Sua sala de aula não se restringiu apenas a um espaço físico. E é isso que também está contido na frase inicial desse artigo. Ela representa o momento dessa relação. Quase como uma unção. Ou como na canção tema:

Como agradecer a alguém que te fez crescer como gente?

escritores-da-liberdadeO filme ‘Ao Mestre com Carinho‘ reinava tranquilo no topo dos filmes com esse tema. Confesso que nem o ‘Sociedade dos Poetas Mortos‘ chegou ao topo para mim. Esse outro ensinou sim os alunos a pensarem em vez de receberem tudo mastigadinho, mas ao ensinar também a quebrarem certas regras não pesou os contras. Nem tampouco mostrou praticidade. Mas eis que um filme veio ficar ao lado do primeiro mestre: ‘Escritores da Liberdade’.

Esse filme conta uma história real. De uma jovem Professora que fez mais que ensinar um bê-a-bá aos seus alunos. Eles sem ela continuariam um círculo viciante de reagirem com violência por terem sidos violentados pela vida. Conto muito mais desse filme aqui.

o-clube-do-imperadorPor vezes um Professor investe mais num único aluno. O por que disso? Talvez como um pai ou uma mãe que faz o mesmo com um filho que entre os demais ser esse o que necessita de mais atenção. No filme “O Clube do Imperador” um único aluno ocasionou esse tipo de atenção. Agora, e quando isso acaba prejudicando um outro? Mais! E quando isso foi feito de um modo que fere até a sua lição maior? Lição essa sintetizada nessa frase:

O caráter de um homem é o seu destino.

Esse filme diferente dos dois outros mostra o dia-a-dia num colégio para ricos. Logo, é uma outra realidade. Tem mais aqui. Mas ricos ou pobres são jovens e em formação. Onde os princípios básicos já teriam que ser administrado desde a tenra idade. Valores éticos e morais. Como também tendo que aceitar certos limites, como um simples horário para dormir, por exemplo. O que me leva a contar um episódio pela internet. Num certo fórum (Orkut) alguém reclamara de uma cena numa novela das 21 horas, por conta do filho (Ou filha.) de 7 anos também estar assistindo. Fui curta e grossa ao dizer: ‘Desligue a tv e vá ler um Livro de Monteiro Lobato com seu filho. Ambos sairão ganhando com isso.’

zona-do-crimeGente! Peço até desculpas por ter trazido tão poucas sugestões de filmes dentro de um tema tão fascinante. Mas por conta de um filme que vi e que me deixou chocada, peço aos que têm filhos que conversem, observem, procurem saber o que já assimilaram de bons valores. Principalmente no quesito: respeito ao próximo. Que até assistam filmes juntos com eles, e em seguida conversem com eles. Saber o que ficou retido na mente deles. Dependendo da idade conversar também sobre a violência que está nas ruas. Enfim, sejam também Mestres, Mentores desses jovens. Para que ao assimilarem uma conduta do bem, possam também transmiti-la como uma corrente. O mundo está carecendo disso. As pessoas estão se fechando em guetos. E até bem luxuosos, como no tal filme que me deixou bem impressionada, ‘Zona do Crime‘. Não deixem de ver, mas dessa vez sem as crianças. Comento sobre ele aqui.

Para que de fato sejam o futuro da nação, saibamos nós dar-lhes um presente salutar.
See you!

Por: Valéria Miguez (LELLA). (Em 03/07/08)

Cinema em 3D. Estão esquecendo de um grande detalhe…

avanco-em-oculos-3DAqui o assunto será mesmo sobre o Cinema em 3D: Filmes e Salas. Em destaque as Salas onde não tem como passar esse tipo de filmes, mas assim mesmo exibem filmes com essa tecnologia. Em específico sobre as Salas IMAX, o Evandro escreveu um texto delicioso de ser lido, esse: IMAX Fundo do Mar 3D. Além de uma tecnologia diferente, as Salas IMAX ainda são em um número bem menor no Brasil. Agora, voltando aos 3D…

Mesmo tendo alguns filmes em 3D produzidos bem antes, o boom do Cinema em 3D foi na Década de 50. Uma projeção onde a visão reproduzida aparentava estar em formato de relevo. Mas esse jeito não persistiu por muito tempo. O porque ao certo, não sei. Há muito poucos dados sobre esse início. Numa pesquisa que fiz para colher dados para esse artigo o que achei foi numa página em inglês. E o mais curioso era a fonte: o Guinness Book. Ficando uma pergunta se deram pouca importância a essa tecnologia, ou até por não ter atraído muito o público depois disso. Quem sabe com o novo boom do momento apareçam mais estudos sobre o Cinema em 3D.

Cronologia da História do Cinema em 3DCom o avanço dessa tecnologia, inclusive nos óculos, os filmes em 3D voltaram à cena. Mas ainda faltava mais. James Cameron esperou por mais de uma década para só então filmar ‘Avatar‘. Por querer usufruir de todo avanço. E fez bem! Pois o filme Avatar fica como marca na História do Cinema em 3D. Mesmo os que não gostaram desse filme terão que concordar com esse fato. Com esse feito desse Diretor. Fiz um gráfico para ilustrar essa trajetória.

Eu fiquei encantada com o ‘Avatar’ em 3D! Por um tipo de campanha viral* na Blogosfera eu ganhei um Dvd desse filme. Chegando na minha casa fui correndo rever o filme. Parando nas cenas onde me lembrava do 3D. Uma em específica por ter sido a única que me “assustou”… E vi que nesse filme a Fotografia não perdeu em nada na nitidez e nem na minha televisão que nem HD é.

nitidezFiz isso até para tirar uma dúvida. Tudo por conta de outro filme. Talvez a Sala de Cinema onde vi o tal filme tenha sido a grande vilã dessa história. Fora algo que me irritou quase a ponto de sair do Cinema. O filme foi ‘Como treinar o seu dragão‘. Numa Sala comum exibiram uma versão em 3D. Ficando tudo esbranquiçado ao fundo, só destacando algo no meio… e em várias cenas. A colagem que fiz com o dragão ilustra um pouco o que estou contando. Na segunda foto mostra como fica a cena do 3D numa Sala comum: perde a nitidez. Acontece que até para ir num Cinema mais próximo onde de onde eu moro eu gasto também com o táxi, e não é por frescura, mas sim porque sou cadeirante. Sendo assim pelo menos quero ver num filme uma ótima Fotografia. Uma boa imagem eu até aceito. Mas uma péssima me leva a odiar essa “febre 3D”.

Pelo jeito os Produtores, ou mesmo os donos das Salas, não estão nem ai para esse detalhe importante.

Numa comparação seria assistir um show de um excelente cantor, num acústico – no gogó e acompanhado de um violão, por exemplo -, ou ouvi-lo num grande e potente show. A essência dele – voz, letra, melodia -, está nas duas apresentações. O que muda, é o espírito de quem vai assisti-lo em cada um dos shows: se quer algo mais intimista ou não. E que o mesmo não aconteceria num cantor de playback. Pois não saberia cantar, e encantar, num ao vivo. Ou até que poderia ser ouvido em casa mesmo.

É meio por ai para diferenciar os filmes em 3D. Não apenas os bons dos ruins. Dos que o 3D entrou de fato como um Coadjuvante, daqueles que estão mesmo aproveitando do 3D como caça-níqueis. Como disse antes até a ida ao Cinema tem um custo, como também o preço do ingresso. Se a Sala não tem a tecnologia para exibir um em 3D que projete um sem essa tecnologia. E quem não tem a competência para fazer um nos moldes do que Cameron fez com “Avatar”, deveria pelo menos fazer o filme em duas versões. O público merece esse respeito. Ou eu é que teria ficado mal acostumada com a qualidade do 3D no filme do James Cameron. Eu até tentarei ir com mais complacência nos próximos em 3D. Mas por favor! Respeitem também o meu bolso.

E vocês, o que teriam a dizer do Cinema em 3D?

p.s: (*) A tal Campanha partiu da iChimps. E me escolheram pela segunda vez. Grata! E fica aqui o registro de que são profissionais de markenting confiáveis. Espero continuar sendo escolhidas nas próximas Campanhas.

Por: Valéria Miguez (LELLA), em 13/10/2010.

Uma Família no Limite (La Bellezza del Somaro. 2010)

uma-familia-no-limite_2010O Cinema Italiano continua dando as cartas em mostrar os dramas familiares, e num jeito que muito me agrada com muito humor. E que pelo raio-X que traz de cada personagem por vezes alguns acham um tanto amargo na dose.

Em “Uma Família no Limite” temos como pano de fundo conflitos de gerações, mas mais em cima do que de fato se pode retirar da convivência em família. O homem como ser social que é tirando o essencial das regras estabelecidas. O filme até passa por conflitos entre classes sociais, com o foco em indivíduos tentando reintegrar-se com todos na pirâmide social. E por conta disso até onde o belo só é o que se vê pelo próprio espelho? Pelo próprio parâmetro que se dá para as diferenças individuais. A aceitação natural da beleza que há em cada ser do jeito que ele é. Uma beleza que há muito mais quando se é jovem, por ainda não ter ou receber os pesos e medidas que chegam com a fase adulta. E aí é que também entra aos que adentram na velhice de fato, por essa se despir com mais naturalidade das armaduras impostas ao longo da vida. Mas a maturidade mete medo em todas as idades por achar que não terá a formosura de antes. Talvez por usar a medida usada no julgamento do seu semelhante. São os pesos e medidas que mudam ao passar dos anos, mesmo que para alguns fica difícil aceitar essas mudanças. Então se apega a juventude externa. Quando poderia ter, manter um espírito livre que o faria sentir-se jovem. É meio por por aí significado do título original: La Bellezza del Somaro (A Beleza do Asno).

No fundo, o homem se espelha nas coisas, considera belo tudo o que lhe devolve a sua imagem. O Feio é entendido como sinal e sintoma da degenerência. Cada indício de esgotamento, de senilidade, de cansaço… tudo provoca a mesma reação: o juízo de valor ‘feio’. O que odeia aí o ser humano? O próprio declínio?” (Nietzche)

Em “Uma Família no Limite” temos em destaque um casal de classe média alta. O marido, Marcello, é um arquiteto bem conceituado até pelos políticos e clérigos que mesmo não gostando muito do seu trabalho o contratam. Suas linhas tenta o equilíbrio do clássico com o moderno retirando o ideal claustrofóbico do passado. Esse pensamento arrojado com mais liberdade também o leva para a vida pessoal. Uma liberdade bem machista. Quem o interpreta é quem assina a Direção e parte do Roteiro: Sergio Castellitto. Marcello é casado com Marina (Laura Morante), uma psicanalista em crise até por tentar seguir a regra de que é proibido proibir, além também de não conseguir superar um trauma do passado. Aliás, Marcello também traz um trauma mal resolvido. Ambos tentam compensar seus problemas pessoais educando a filha, Rosa, numa de liberdade vigiada. Rosa recebe a alcunha de a ‘Rosa de Luxemburgo‘, mas mais pela rebeldia aos pais, já que não corta o cordão umbilical das mordomias que tem em casa.

O feio é também um fenômeno cultural. Os membros das classes altas sempre consideraram desagradáveis ou ridículos os gostos das classes baixas.” Umberto Eco)

Às vésperas de completar 50 anos de idade, Marcello e família seguem para um feriado na belíssima residência de campo na também bela região da Toscana. Além de outros familiares, irão também amigos de infância dos três, dois dos pacientes de Marina (Os loucos são os seres humanos mais livres que existem?) que mantém quase uma relação familiar com eles, além de uma empregada de origem alemã meio mal humorada (A classe trabalhadora terá seu dia de glória.). Completando o belo quadro serão apresentados ao novo namorado de Rosa. Que para Marcello e Marina é um jovem negro. Aliás, a alusão que fazem por aceitar o tal jovem na família é ótima. Acontece que na verdade o novo namorado será como um tapa na cara do Marcello no durante, e até no final. Mostrando quem de fato sai imune a cobras e lagartos que terão que digerir após uma grande lavagem de roupa suja que acabou se transformando essa reunião.

Por fim, o filme também põe em xeque os valores de uma elite atual que não necessariamente a italiana. Pode ser vista em outras culturas que estejam mais globalizadas. Em até onde a grama do vizinho incomoda. Em até onde vai a superficialidade quando se desnuda ante a realidade da vida que se leva. Será um divisor de água para alguns. Agora, se terão ou não consciência disso já é outra história!

Eu assisti “Uma Família no Limite” no Cine Conhecimento do canal Futura. Vi e amei! Eu ri muito! Os diálogos são de perder o fôlego tamanha é a velocidade em que são apresentados. Atuações brilhantes! Uma Trilha Musical como coadjuvante. Enfim, tudo em uníssono num filme Nota 10! E que me deixou uma vontade de revê-lo.

Por: Valéria Miguez (LELLA)

Uma Família no Limite (La Bellezza del Somaro. 2010). Itália. Direção e Roteiro: Sergio Castellitto. +Elenco. Gênero: Comédia. Duração: 107 minutos. Também assina o Roteiro: Margaret Mazzantini.

Uma Radiografia do Bullying pelo Cinema!

bullyingSerá que um dia o Bullying terá um fim?

Onde tudo isso começa? Se já vem de berço e com o tempo ganha forma? Se é por não saber como lidar com suas próprias emoções? Nesse tocante ela pode ser por revolta, frustração, medo, raiva… ou um mix de tudo isso. Se é por não saber canalizar toda a força que traz dentro de si, e com isso sai cometendo barbaridades? Se o meio influi? Por conta disso, e muito mais, eis o tema da conversa de agora. E que mais que do descobrir o que se passa dentro dos que praticam o bullying, também em ver se há um fim para isso. Vem comigo!

ben-xO tema reacendeu em mim após assistir “Ben X – A Fase Final“. Nele, o personagem Ben padece desde os primeiros anos escolares nas mãos dos colegas de classe. Por não o aceitarem no grupo, por ele ser ‘diferente’. O rapaz sofre da Síndrome de Asperger, um tipo leve de autismo. Frequenta o mesmo colégio dos tidos como normais porque a doença não lhe tirou o entendimento das coisas. É até muito inteligente, com notas altas. Mas em vez de ter solidariedade, recebe é hostilidade. O de ficarem atirando bolinhas de papel o tempo todo é até algo menor diante das outras agressões. A ponto dele querer dar um fim a tanto sofrimento. Pois seu limite chegara ao fim. Tal qual o jogo de RPG que usava como uma válvula de escape. É revoltante o que fazem. Não deixem de ver esse filme.

O filme também deveria ser visto por educadores, que o levassem para sala de aula. Que colocassem em discussão esse fenômeno bullying. Se já recebeu até um nome próprio, também poderia vir a ser um fato passado. Nossa! Seria bom demais se isso viesse a acontecer. As conseqüências dos que padecem nas mãos desses sociopatas, creio que muitos de nós é sabedor. Ou por experiência própria, ou por ter presenciado. Quando não, por o ter praticado.

BULLYING_na-escolaAgora, como cortar esse mal pela raiz? Lembrei da minha avó, em algo que dizia ao ver uma criança fazendo alguma malcriação, pirraça, malfeito… Ela olhava para o responsável pela criança e apenas dizia: ‘É de pequenino que se endireita o pepino!‘.

Eu já citei em um outro texto que filme é antes de tudo um entretenimento. Mas se por ele também se pode suscitar uma busca por uma causa maior. Por que não usá-lo? A partir dele, levar o tema à mesa de debates. Eu meio que entrei numa cruzada após ver esse filme. Levei o tema em algumas comunidades no Orkut. Teve depoimentos emocionantes de pessoas que sofreram nas mãos desses valentões.

rebel-without-a-causeComo também estou numa de ver e rever filmes onde há esse tipo de agressão entre pessoas de uma mesma geração. Dai, fui buscar primeiro em rever um Clássico. O filme “Juventude Transviada” (Rebel without a cause). Nele, o curto diálogo abaixo traz um indício, ou não. Eis:

_Por que temos que fazer isso?
_Porque temos que fazer alguma coisa.

Pois é, antes de iniciarem a tal prova estúpida para provar que não era covarde, o personagem do James Dean pergunta isso. Com a resposta do outro… Não seria apenas por falta do que fazer. Fica mais parecendo que não param nem para questionarem a si próprio. Fazer por fazer é atributo de uma máquina, não de um ser humano. E uma fala da personagem da Natalie Wood, meio que se constata isso. Que se tornam robozinhos. Ela diz mais ou menos assim:

_Não dê créditos ao que eu falo quando estou com o grupo. Ali ninguém está falando a verdade. Somos fachada.

greaseEsse lance de ser apenas uma aparência, que é regra geral nesses grupos, tem como um exemplo o filme “Grease – Nos Tempos da Brilhantina“. Onde não mostram, alguns deles, o seu verdadeiro ‘eu’. Onde têm sempre que não apenas bancar o durão, como também mostrar que o é de fato. E nesse também há os que são discriminados. Esses, por assumirem o que são de fato. Parece até que só é aceito no grupo se vier com o carimbo de fábrica. De que saíram da mesma linha de montagem. Por que não aceitar a diversidade da vida?

Agora, onde tudo começou? Não dá para aceitar apenas de que todos eles vieram de uma família (lar) desestruturada. Embora seja um fator preponderante. Numa de manterem o ciclo de violência. Mas tem que ter algo mais que aflore neles esse lado violento. Bem, as sociopatias não são a minha praia. Não tenho o conhecimento que me embase. Dai fico nas conjecturas.

a-curaSe querem no grupo ‘iguais’, isso viria de copiar os pais, ou alguém que foram eles que elegeram como a figura paterna/materna? E até nisso há exceções. Pois há os que não seguem a mesma carga de preconceitos que veem em seus pais. Ou mesmo num deles. No filme “A Cura” (The Cure) há uma cena onde a mãe de um menino aidético é que mostra a mãe de um outro o quanto o filho dela é humano. Usando uma gíria antiga… O quanto ele é gente paca! Pois ele, por amizade, por carinho ao filho dela, enfrentou o mundo… Gente! A primeira vez que eu vi esse filme, eu chorei muito. Esse é outro filme que deveria ser exibido nos colégios. É lindo demais!

tepegolaforaAs afinidades entre uns, por ser discriminados por outros. Ou os que discriminam… Me fazem lembrar de alguns filmes que eu vi nas sessões da tarde… Que eu até gostaria de rever. Citando alguns: “Te pego lá fora” (Three O’Clock High); “Manobra Super Radical” (Airbone)… Um outro que eu não consegui lembrar o título, mas se a memória não falhou de todo, nele há a união de dois ‘diferentes’: um é deficiente físico, e o outro só é bom de briga, mas como o valentão precisa de notas há uma troca de favores entre eles. Um acordo de cavalheiros: o valentão o protege da turma dos bullying.

Um outro que faz os ‘diferentes’ se unirem para mostrarem os seus reais valores é o “Dias Incríveis” (Old School). Esse me pegou de surpresa por fazer a diferença entre outros tão iguais. No caso, refiro-me a trama. Por levar uma história nada rara – em mostrar rixas entre as fraternidades estudantis. Ele é um ótimo sessão pipoca.

freedom-writersUm que mesmo eu já o tendo sugerido em outro texto não tem nem como deixar de trazê-lo para esse. Refiro-me ao “Escritores da Liberdade” (Freedom Writers). Onde uma Professora mostra a eles, seus alunos, o peso em discriminar um ‘diferente’. E o bom é que entenderam a lição! Pondo um fim nas discriminação.

E para finalizar, um que se não é a solução definitiva para por um fim nesse ‘fenômeno bullying’, pelo menos é um caminho. Por ser um mostrando um Diretor de Escola que traz uma punição adequada a um desses valentões. É o “Um Amor para Recordar” (A Walk to Remember).

Talvez esse assunto também toquem em velhas feridas… Sorry! Mas não dá para evitar se o que queremos de fato é não mais ver isso acontecendo. Principalmente com as crianças. Nem para as que poderão vir a sofrerem tal perseguição. Como também as que poderiam continuar perpetuando o bullying. Ficando um desejo de tirá-las disso. See You!

Por: Valéria Miguez (LELLA) (Em 29/08/08).

P.s. (Em 02/08/10): Serginho Groisman – Campanha contra o Bullying. Para quem conhece meus textos sobre filmes sabe que também estou nessa cruzada, e já há algum tempo. Agora, é muito bom quando uma Campanha contra o Bullying, tem uma mídia como a Globo. Até pelo alcance dela. Valeu Serginho!

P.s 2 (Em 07/10/2013): Em 2011 eu postei esse texto numa das páginas desse blog, mas resolvi trazer para cá, em post, por ter um alcance maior. Também vou repostar os comentários.