Uma Família em Apuros (Parental Guidance. 2012)

uma-familia-em-apuros_2012Como bem diz a máxima: “O que uma geração faz, a seguinte desfaz!“. Filhos criados com total liberdade tendem a criar os próprios com uma rigorosa disciplina. Em “Uma Família em Apuros” temos essa inversão no modo de educar os filhos como pano de fundo. Mas na essência o que o filme aborda é o conflito que ficou com a única filha de um casal liberal. Sentiu a liberdade como ausência de amor. Assim, quando pode voou para bem longe desse ninho. E sem intenção de voltar. Mas eis que o destino resolve juntar todos. E agora tendo também a família dessa filha com genro e netos. Além de uma invisível presença dos outros avós.

Não importando o tempo o conceito a se seguir estaria em equilibrar o meio termo com o desejo de quebrar um ciclo. Pois em qualquer relacionamento saudável não se compra um pacote fechado. Ele é construído no dia a dia. E mais! Ciente de que há individualidades ali. Que em vez de anular cada uma delas é tentar encontrar pontes para harmonizar todo o grupo.

uma-familia-em-apuros_01Assim, de um lado temos a personagem de Marisa Tomei: Alice Simmons. Ela é a tal filha única que entendeu a liberdade com o não estar ligada aos pais. Como também pelo modo de ser deles, sentia vergonha deles. É mais uma inversão de valores: pais modernos x filha careta. Com isso mantém sua nova família afastada do que para ela seria uma má influência. Mais a roda da vida gira e um dia a leva a precisar da presença deles. Ter seus pais tomando conta de seus próprios filhos era viver seu pior pesadelo. De dar urticária. Para ela seria uma volta a um passado sem regras.

uma-familia-em-apuros_02Do outro lado temos os pais de Alice. Personagens de Billy Crystal (Artie Decker) e Bette Midler (Diane Decker). Creiam esse casal deu química! Era algo que me perguntei antes. Embora o peso maior seria a também química entre Billy Cristal e Marisa Tomei por estarem em primeiro plano. Enfim, todos em uníssono! Logo na chegada Diane sente e se ressente que os pais de seu genro Phill (Tom Everett Scott) é que são os avós queridos e sempre presente. Que ela e Artie só foram chamados porque os outros avós também tinham uma viagem. Mas Diane despista e decide aproveitar a chance para então conquistar o amor de seus netos. Só que Artie estava mais era preocupado em conseguir um novo emprego. Fora demitido justamente por imprimir um jeito familiar ao narrar os jogos no estádio local. Os patricinadores queriam alguém mais impessoal, que focasse nos resultados dos produtos anunciados e não dando um ambiente leve para os torcedores. Artie tinha o dom da oratória, mas de uma narração romântica demais para os tempos atuais.

uma-familia-em-apuros_03Por conta de uma promoção Phill teria que viajar e viu nisso uma saída para ele e a esposa terem uma segunda lua de mel. Com isso esses dias longes dos filhos – a adolescente Harper (Bailee Madison), o do meio Turner (Joshua Rush) e o pequeno Barker (Kyle Harrison Breitkopf) -, precisavam de alguém da família mais para supervisionar a casa – automatizada -, e os filhos que já seguiam quase um regime militar. Com também severas restrições alimentares. Principalmente em relação a doces: totalmente proibidos. Já dá para imaginar as cenas! Ótimas, por sinal!

O que coloca mais pimenta nessa reaproximação principalmente entre pai e filha era que Alice adotara uma vida mais racional. Com tudo programado. Sem querer imprevistos batendo à sua porta. Mas eles não apenas acontecem, como costumam vir em séries. Assim, além de pai e filha passarem a vida à limpo, além dos netos se assustarem a princípio com uma vida caótica, além de Diane pela primeira vez fazer certas cobranças a Artie, Alice terá que reavaliar o seu papel de filha/mãe/esposa. Eram amarras demais soltas de repente.

uma-familia-em-apuros_04Uma Família em Apuros” não traz uma história tão incomum, nem no mundo do cinema, nem no real. Há muitos jovens de mentes retrógadas. Há muitos que perdem o sentimento família por focar nas conquistas materiais. O que o filme mostra está em se chegar ao equilíbrio entre esses valores: razão e sentimento, e não versus. Onde terá hora que a balança penderá mais para um, mas sem anular completamente o outro lado. Quais as regras deverão ser quebradas? Quais as que deverão se adequar de tempo em tempo? E o filme conduz toda a trama muito bem. Com o timming certo para cada problema e solução. Prendendo a atenção no desenrolar da história, sem a preocupação de se visualizar o final.

Sensível! Com boa dose de humor! Com ótimas atuações do elenco! Bom demais ver Billy Crystal e Bette Midler atuando porque ambos fazem parte da minha memória cinéfila! Assim como também em darem chance a Marisa Tomei mostrar que ela é mais que um rosto bonito em cena! Great!

Gostei! E de querer rever!

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Uma Família em Apuros (Parental Guidance. 2012). EUA. Direção: Andy Fickman. Elenco: Billy Crystal, Bette Midler, Marisa Tomei, Tom Everett Scott, Rhoda Griffis, Dwayne Boyd, Madison Lintz, Gedde Watanabe, Karan Kendrick. Gênero: Comédia. Duração: 104 minutos.

Até que a Sorte nos Separe (2012)

ate-que-a-sorte-nos-separeMais que uma Comédia o filme traz um drama tão comum em muitos lares reais: o do orçamento familiar dando às cartas. Gastar em excesso? Manter um controle rígido dos gastos? Quantos são os que realmente ficam dentro dos limites dos próprios rendimentos? Em “Até que a $orte nos Separe” há eu diria que duas polaridades como exemplos clássicos. A Família do protagonista que vivem esbanjando, gastando em excesso sem a menor preocupação, como se a renda viesse de um poço sem fundo. Já a Família do antagonista vive estritamente dentro do orçamento, contando até as moedinhas desde o iniciar do mês.

Enquanto o dinheiro corria solto, tudo era felicidade para a primeira família. No passado viviam na maior dureza; o que ganhavam mal cobria os gastos com o essencial. Quando então ganham um grande prêmio de loteria. Fazendo então uma promessa: de que nada mais faltaria no novo lar. Assim o casal Tino (Leandro Hassum) e Jane (Danielle Winits) saem da pobreza jovens ainda, com uma filha pequena, e mergulham de cabeça no mundo da riqueza. Onde o céu é o limite, ou nem o é já que o dinheiro compra até o sonho de se sentir no espaço. Compraram o que a infância sonhou…

Ate-que-a-Sorte-nos-SepareMas eis que chega o dia em que o sonho termina. Tino se vê não apenas sem dinheiro, como também que está endividado. Por conta da esposa estar com uma gestação de risco decide não contar a ela, além de ter que ir cortando os gastos. Pior! Voltar a contar cada tostão. Para ajudá-lo nessa empreitada o gerente do Banco (Julio Braga) escolhe seu melhor economista, Amauri (Kiko Mascarenhas). O chefe da Família que vivia sob um rígido planejamento econômico. Que por coincidência moram num prédio vizinho a mansão de Tino. E que sem se dar conta, ele e a esposa invejavam a vida de Tino e Jane. Apimentando a consciência dos adultos, onde ambas as Famílias não chegam a ser Capuletos & Montecchios, tem os filhos adolescentes: Teté (Julia Dalavia) e Juninho (Henry Fiuka). Eles formarão um casal que de certa forma trarão tino, sensatez a guerra instalada.

ate-que-a-sorte-nos-separe_02Tino no fundo tem bom coração. Se no passado de dureza como professor de academia tinha que ralar, ao ficar rico comprou uma para si e seus dois amigos: Nelsinho (Marcelo Saback) e Rickson (Carlos Bonow). Embora um deles ache deplorável ter a presença dele na academia por ter engordado muito, o outro tentará ajudá-lo com as  divídas. Se a compra da academia foi quase um ir as forras em passar de empregado a patrão, a compra de um outro estabelecimento uniu duas paixões: barzinho e o Botafogo. Onde um dia imperou um grande craque da bola: Adelson (Ailton Graça). Esse, ao retribuir a ajuda do amigo, se verá tendo que fazer algo nunca antes pensado. Ou teria sido descobrindo um novo talento em si?

O filme teve como inspiração o livro ‘Casais Inteligentes Enriquecem Juntos‘, de Gustavo Cerbasi. Não li o livro. Mas o mote do filme se baseia no casal, na cumplicidade que deveriam ter até nas questões financeiras. Pois se há discordâncias, e acumuladas, a cobrança no futuro poderá não ter mais volta. Bom quando ainda encontram um caminho para solucionar a crise, e não se chegar a separação de fato e de direito.

Com fortes doses de humor, o filme contou e bem o drama de ambas as Famílias! Gostei!

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Até que a Sorte nos Separe. 2012. Brasil. Diretor: Roberto Santucci. Elenco: Leandro Hassum, Danielle Winitz, Ailton Graça, Kiko Mascarenhas, Rita Elmôr, Henry Fiuka, Maurício Sherman, Carlos Bonow, Julia Dalavia, Julio Braga, Marcelo Saback, Vitor Maia. Gênero: Comédia. Duração: 104 minutos. Classificação: 12 anos. Os atores Marcos Pitombo e Luana de Nigro vivem o casal Tito-Jane quando jovens. Inspirado no livro ‘Casais Inteligentes Enriquecem Juntos’, de Gustavo Cerbasi, pelos roteiristas Paulo Cursino e Angelica Lopes.

Jantar com Amigos (Dinner with Friends. 2001)

jantar com amigos_2001jantar-com-amigos_00Qual seria o tempero certo que sustenta uma relação a dois? Que ingrediente desandaria uma bela relação de amizade? A receita do bolo tem que ser a mesma para os relacionamentos também dos amigos? Essas são apenas algumas reflexões para digerir nesse “Jantar com Amigos“. Onde algum ingrediente fez desandar o prato principal.

Um filme que começa meio despretensioso ao falar sobre a intimidade de quatro amigos. Partindo de um casal principal Gabe: (Dennis Quaid) e Karen (Andie McDowell). Que resolveram dar uma força para que dois amigos se conhecessem num final de semana em sua casa de praia. Karen convida sua amiga Beth (Toni Collette), e Gabe convida seu amigo Tom (Greg Kinnear). Boa comida, um ambiente paradisíaco, a felicidade radiante de Gabe e Karen, acabam seduzindo e levando Tom e Beth a também formarem um novo casal. Esse passado feliz fica registrado numa fotografia com os quatro num pôr do sol. Mas o dia-a-dia dos casais são flagrantes que nem sempre são para ser evelados. São nada objetos decorativos. Há segredos a serem mantidos até para não comprometer a receita tão perfeita que seguiam ao pé da letra.

jantar-com-amigos_01O filme então avança no tempo. Gable e Karen para comemorar mais um sucesso – um livro sobre gastronomia italiana -, esperam o casal de amigos para um jantar. Não apenas da nome ao filme, como nesse jantar serão revelados detalhes mais íntimos de cada um também por postura individual.

Beth vem com os filhos, já que Tom tinha um compromisso. Caia uma chuva torrencial. A felicidade dos anfitriões era tanta que nem notaram que Beth não estava a vontade. Algo a incomodava muito. Talvez o casal tenha notado, mas por acharem uma tendência corriqueira dela resolveram ignorar. O que sem perceberem acabou pesando o clima. Como consequência o mal estar caiu na relação: pais e filhos.

Pois é! Num jantar onde o desejo era uma conversa entre adultos, tendo filhos há de se pesar antes num entretendimento para elas. Até em dar as crianças um pouco de atenção. Para que sintam que fazem parte da famíia. Para que sintam que essa outra opção é mais agradável do que a conversa de “gente grande”. Por aí! Só que Gabe achou que bastava mandá-los todos para o quarto do filho, achando que lá teriam bastante coisas para se distraírem. Mas o que escolheram fazer exigia a presença do pai. Aí rolou o climão: do Gable com o filho dizendo que esse sabia como fazer; e de Karen com Gable dizendo a ele que levaria menos tempo indo lá no quarto do que ficar de longe gritando com o filho. Por fim Gable cedeu.

E aí, aproveitando esse momento a sós entre as duas amigas, Beth desabou. Desabafou todo o drama que vinha passando com o marido. Quando Gable voltou a sala de jantar, Karen já tinha a sua opinião formada e em favor da amiga. Mas Gable tentou ser imparcial, pelo menos até ouvir a versão do amigo. O que acabou gerando uma discussão entre o casal. Talvez tenha sido a primeira por conta de opiniões individuais, e que por sua vez entravam em conflito com a do casal. Beth vai embora. Sendo a vez de Tom chegar, contando a sua versão. Aumentando a discussão entre Karen e Gable.

jantar-com-amigos_02A princípio, aquele jantar rendeu mergulhos em si mesmo individualmente, mas também na relação a dois. Ainda mais! Em como ficaria a amizade deles. Dois deles mudaram, ou melhor, tiveram a coragem de seguir por outro caminho. Dois até que ficaram tentados, mas pesaram os prós e os contras. O que perderiam não compensava. Puro comodismo? Pela estabilidade conquistada que perderiam? Os quatro sabem que mudaram. Os que não admitiram encontraram paliativos para seguir como se nada tivesse mudado.

Pode parecer que compliquei, mas Gable e Karen parecem que seguem uma receita que não há lugar para mudanças. São o casal feliz por compartilharem tudo entre eles. Tudo tem o lugar, a medida exata. E o que fazem no final não assusta de todo porque há pessoas assim. A felicidade deles tem que ser a do topo, e para que todos a admirem. Não aceitando quem por não mais seguir a mesma receita conseguiu atingir a tão sonhada felicidade, e com isso sentindo-se jovens novamente, como no dia daquela foto. Acontece que para o casal perfeito que já se encaminhavam para uma futura velhice feliz ao seu modo, essa velha amizade poderia ser não mais bem-vinda.

Como falei antes o filme não se compromete muito a princípio, talvez por querer evitar comparações com “Closer“, por exemplo. Afinal mostrar as aventuras e desventuras de dois casais amigos não parece ser complicado. Bastaria trazer algo incomum em histórias tão comuns. E “Jantar com Amigos” trouxe esse diferencial. Que os quatro atores souberam mostram muito bem. Principalmente pelo olhar. Mérito também da Direção.

Gostei!

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Jantar com Amigos (Dinner with Friends. 2001). EUA. Direção: Norman Jewison. Gênero: Drama, Romance. Duração: 94 minutos. Baseado em peça teatral de Donald Margulies, que também assina o Roteiro.

Qual é o Nome do Bebê? (Le Prénom. 2012)

Qual-e-o-Nome-do-Bebe_2012Uma divertidíssima Comédia Dramática Francesa que me fez lembrar das Italianas justamente pelo pano de fundo da trama: uma casual reunião em família. Eu citei que também é um Drama? Não, não é! Só se focar com um olhar politicamente correto. É porque nesse jantar muita roupa suja será lavada. Não vai ficar pedra sobre pedra. Assim, abstraiam esse pensamento para aproveitar a diversão com esse barraco em família. Até porque se as pessoas envolvidas pesarem como algo catártico irão remover muita tralha inútil da mente. Ou, como bem disse a anfitriã: “Uma noite onde ninguém tem que pedir perdão a ninguém!” E ligue o fuck you!

Todos irão se tocar que estavam seguindo a máxima de um peso para duas medidas. O que me fez lembrar do filme de Polanski, “Deus da Carnificina“. Até o cenário com a lareira de fundo numa alusão de que tinha lenha alimentando essa fogueira. Tinha muita coisa engasgada pronta para eclodir. Onde o tempero desse jantar começou a desgringolar já na cozinha. Embora sentisse prazer em preparar todo o jantar, Elisabeth (Valérie Benguigui) já estava adentrando numa terceira jornada de trabalho naquele dia. Que além dos cuidados da casa, tinha o ser professora primária. Nem ajuda do marido, Pierre (Charles Berling), obteve para esse jantar.

Com isso os primeiros convidados quando chegam a pegam ainda terminando o jantar. O primeiro a chegar foi Claude (Guillaume de Tonquedec), um amigo de infância da família de Elizabeth. Amigo e confidente dela. Claude comparece sozinho, e até pelo seu modo de ser será posto na fogueira. Cordato e muito gentil, acabará explodindo uma bomba no colo dela e do irmão desta, o Vincent (Patrick Bruel).

Vicent causa uma certa inveja nos demais, pois mesmo não tendo nem levado os estudos a sério, foi o que se deu bem financeiramente. Levava uma vida meio de playboy quarentão até conhecer Anna (Judith El Zein), uma empresária bem sucedida. Após um ano de casados decidem ter um filho. Anna será a última a chegar, quando a discórdia parecia estar apagando, mas na realidade estava em banho-maria.

Para todos quem começou mesmo a discórdia foi Vicent. Que para ele fora uma simples brincadeira com o cunhado. Mas o que quis mesmo foi atazanar a erudição do Pierre. Conscientemente sabia que o outro iria fazer toda uma preleção com o suposto nome que Vincent escolheu para o filho. Anna estava grávida de cinco meses, e nesse dia por uma ultrassonografia ficaram sabendo o sexo do bebê.

Qual-e-o-Nome-do-Bebe_01Pois é! Um nome como pivô. Pensar que um simples prenome fez aflorar: ressentimentos, cobranças, inveja, desânimo, omissões, falsidades, preconceitos, conceitos, segredos… E no que prometia ser um feliz jantar entre eles. Mas que resultou numa apimentada reunião. Mostrando que nem todas as verdades devem ser ditas. A sociedade, ou mesmo na intimidade de um lar a sinceridade não é de toda bem-vinda. De aparências construídas muitos assim preferem viver; se ver.

A bem da verdade o tempo nos coloca como platéia, sem julgar ninguém. Nem mesmo o esteriótipo que o outro tão bem encarna, já que o faz até por força da própria sociedade. As pressões do dia-a-dia o leva a agir assim, meio que ligando o automático. Mal percebendo que acabou se perdendo da sua própria essência ao não assumí-la, nem na intimidade. Ou que não soube canalizar essa sua essência para ser o que é sem se importar com o que os outros pensam de si. E se o outro quer viver, ou não ver que vive esse tormento, isso é um problema dele.

Então, é isso! Roteiro, Direção, Elenco… tudo mais fazem de “Qual é o Nome do Bebê?” um filme redondinho sem nada a retocar. Nem a longa duração tira a atenção. Nem por querer chegar ao desfecho, mas sim em acompanhar todos os segredos que os personagens vão revelando ao longo dele. Um filme que tão logo acabou me deu vontade de rever. Porque há muitas falas. Daí, revendo se pode acompanhar melhor perfomances e cenário. Até mesmo os locais mostrados logo no início do filme. De uma Paris bem sinistra por mostrar que aquelas belas fachadas escondem muita sujeira.

Nota 10!

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Qual é o Nome do Bebê? (Le Prénom. 2012). França.
Diretor: Alexandre de la Patellière, Matthieu Delaporte.
Gênero: Comédia.
Duração: 110 minutos.

Amor (Amour. 2012)

Amor_2012Na cerimônia religiosa há o: “E até que a morte os separe!“. Para quem assistir o filme “Amor“, e estando dentro de uma união sólida, por certo irá se fazer algumas reflexões ao longo dessa história. Uma delas seria, ou melhor, no íntimo desejaria que sua união durasse tanto assim. E também plena de amor. É algo de se admirar um casal de idosos ainda enamorados!

Mas o Diretor Michael Haneke em “Amor” não traz apenas uma radiografia da velhice batendo na porta do casal Georges (Jean-Louis Trintignant) e Anne (Emmanuelle Riva). Pois aqui já adentra uma longevidade não apenas com as limitações impostas pela idade, mas também as complicações geradas por alguma doença. Levando a história a abordar temas ligados a isso. É a Medicina também sendo questionada por avaliações, ou mesmo erros médicos agravando as lesões em vez de melhorar. Ou mesmo esperando dela a cura de todos os males. Mais do que “Agora Inêz é morta!“, é o que fazer com isso?

Amor-2012_Isabelle-HuppertHaneke também põe o dedo na ferida no que concerne aos membros mais íntimos da família: os filhos. Em “Amor” teríamos o peso caindo numa filha única, caso ela mesmo se importasse em ajudar o pai em cuidar da própria mãe. Quem faz a filha, a Eva, é a sempre ótima Isabelle Huppert. Quando o marido de Eva lança um olhar para ela após Georges contar o que fará dali em diante, ela mostra que filha ela é. Mais! Na cena final também onde mostrou que foi bom deixado o pai sozinho.

Não há pressa em contar essa história. Até por mostrar toda a dificuldade diante as limitações impostas pela doença de um, e a velhice do outro. Onde um parece ainda entender o quanto está sendo pesado ao outro. E se parece querer espantar os próprios pensamentos pois nele estaria um “Até quando?”. Nessas horas, é música clássica- paixão antiga de ambos -, que o embala.

Agora, há também um outro tema que Haneke traz à mesa de discussão. Só que ao contrar será um grande spoiler. Confesso que fiquei na dúvida se seguiria ou não, mas por ser um assunto que volta e meia aparece nas manchetes jornalísticas, eu resolvi trazê-lo também. Sendo assim, se ainda não viu o filme pare a leitura, pois daqui para frente haverá spoiler.

Então, em “Amor” nos leva também a pelo menos refletir sobre a eutanásia. Não como a julgar o personagem que meio que clamou por ela, mas mais se também pediria, numa igual situação. E talvez se faria o que o outro fez. São os fins justificando os meios? Há realmente a hora que todos os obstáculos tornam-se o gatilho do tiro de misericórdia? O cansaço foi vencido? E outras reflexões mais. Mas uma certeza nos fica, a de que apesar de todos os pesares, o amor entre Georges e Anne não morreu.

De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.”
(Soneto de Fidelidade, de Vinicius de Moraes)

Amor” é um filme belíssimo! Embora longo, nos mantém atentos a todo o drama do casal. É triste! Até pelo nó na garganta que fica após o fime por entender e aceitar o que foi feito. Talvez seja o nosso lado racional em respeito ao desse casal. Rever? Não sei. Mas com toda a certeza vale muito a pena ver! Nota 10!

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Amor (Amour. 2012). Áustria. Direção e Roteiro: Michael Haneke. Elenco: Jean-Louis Trintignant, Emmanuelle Riva, Isabelle Huppert. Gênero: Drama, Romance. Duração: 127 minutos.

O Voo (2012). Anjo ou Demônio no Comando Daquele Avião?

o-voo_2012O Diretor Robert Zemeckis sem dúvida nenhuma merece o crédito maior em “O Voo“. Muitos aplausos por me deixar quase em suspense ao longo do filme. Eu digo “quase” porque não poderia ficar indiferente ao drama maior dessa história: o alcoolismo e o vício por drogas como a cocaína. Primeiro que quando se conhece pessoas que sofrem dessa doença, arrastando para esse vendaval familiares e amigos, fica difícil não oralizar algumas interjeições. Depois, por levar sem pressa esse “day after” na vida desse que apesar de todos os pesares conseguiu salvar dezenas de vidas inocentes. Também porque não deu para segurar as lágrimas no finalzinho.

Agora, a turma de elenco vem logo atrás nesse merecimento: performances excelentes. A destacar: Denzel Washington, Don Cheadle, Kelly Reilly, John Goodman e Bruce Greenwood. Tirando a personagem feminina, os demais orbitando no problema do personagem do Denzel. Sendo que, enquanto dois deles iriam tentar atenuar, ou até tentar inocentar, o terceiro era o que alimentava o problema do protagonista. Mas também estava em jogo o emprego de muita gente. Pois é! Não tinha apenas álcool e cocaína como vilões dessa história. Tinha também uma companhia com aviões que já deveriam ter virado sucata e um dono querendo se livrar desse elefante branco. Colocando mais lenha nessa fogueira.

O comandante Whip Whitaker (Denzel Washington) mesmo ciente que ainda teria um voo para fazer passa a noite bebendo e cheirando. Que para piorar usa a droga para acordar de vez. Ciente que é muito bom no que faz, faz uma loucura para tirar a aeronave do meio de uma tempestade, com isso forçando ainda mais a máquina. Num voo longo, bate a sede por uma bebida, o cansaço e o sono. Daí não pesou também a falta de experiência do co-piloto. Existem fatalidades. Assim como há também propabilidades de algo que começou errado, terminará errado. Mas existe também aqueles que funcionam bem sob forte pressão. E foi o que Whip fez tornando-se um herói, a princípio.

Mas um acidente dessa monta atrai investigações de todos os lados. Entrando em cena o responsável pelo sindicato Charlie (Bruce Greenwood), amigo de longa data de Whip. Ciente de que uma condenação para Whip atrairia uma avalanche de pedido por indenizações, contrata um grande advogado, Hugh (Don Cheadle). Esse, mesmo sendo bom no que faz sabe que terá um outro desafio: o de conseguir levar um Whip limpo perante a personagem de Melissa Leo, um osso duro de roer. Numa de “os fins justificando os meios”, Charlie e Hugh farão algo inimaginável até então.

Ainda no hospital Whip conhece Nicole (Kelly Reilly), que também por um “milagre” não perde a vida, mas em uma overdose. Nasce uma empatia entre os dois. Ele a convida para morarem juntos. A princípio, ela recebe como uma dádiva: ter onde morar. Mas para alguém que quer sair do vício, termina sendo um inferno. Ela não tem forças para nem para resistir, nem para ajudá-lo a sair dessa. Até porque Whip tem fornecedor “à domicílio”, o Harling, personagem do sempre ótimo John Goodman. Que abstraindo o que Harling representa, sua performance me levou a rir.

A pessoa mais fascinante que eu jamais conheci.”

Não sei se pode-se definir como regra geral que os que mais fazem loucuras exercem um fascínio maior aos demais. Se o carisma em parte vem pela ousadia. Mas que diante de uma tragédia onde o vício esteve como coadjuvante o que dizer, por exempplo, pelo “tapinha” que aspirou para deixá-lo ligadão? Claro que assustou vendo-o fazer isso e ciente do que estaria para acontecer. Mas se é algo não raro fora da ficção, fica a pergunta do porque fazem isso. Duas pessoas podem vivenciar as mesmas pressões, mas uma não procura amparo no vício.

Outro ponto alto de “O Voo” é que embora a história mostre que muitos acreditarão que fora um milagre, ou até que mesmo por linhas tortas foi obra de Deus colocar aquele competente piloto salvando a vida de muitas pessoas, Zemeckis mantém-se imparcial ao mostrar os fatos. Com isso crédulos e céticos terão as respostas que queriam. Como por exemplo o co-piloto e a comissária de bordo que ajudaram Whip a pousar aquele avião e evitando uma tragédia muito maior. Onde ambos terão que passar por mais um desafio: no que dirão em seus depoimentos. Se irão contra seus próprios princípios, morais, éticos, ou se apoiarão na fé, e com isso vendo-o como um enviado de Deus naquele momento? Mas para os que não veem Whip como um Anjo da Guarda, verão que nele talento para pilotar fazia dele o número um.

E quanto a Whip? A quão tanto mais ele iria descer na tentativa de salvar a carreira? Qual seria a provação que o levaria a sair da vida do vício? Até porque precisaria de fato de um milagre para voltar a pilotar um avião comercial. De herói a vilão estava bem próximo. Mas ele mesmo que foi o vilão do seu talento. É muito triste quando o vício arruina a vida de uma pessoa. Whip tinha um preço à pagar! Um preço alto.

Para finalizar, além do Roteiro, Fotografia, a Trilha Sonora também fazem de “O Voo” um filme de querer rever! Nota 10!

Por: Valéria Miguez (LELLA).

O Cinema Mergullha no Universo Feminino E Sai Revigorado!

because-i-said-soQuem diz que nós mulheres somos o sexo frágil por certo não aguentaria a tripla jornada de trabalho que não apenas executamos bem como também ainda com um sorriso face a face. Pois é! Nosso giro cinematográfico será com personagens femininas. De dondocas às que pegam no pesado. Doidivanas ou centradas. Amadas ou não. As que romperam seus próprios limites. Mas acima de tudo com orgulho em ser mulher. Enfim, um pouco de cada uma delas. Vem comigo!

Entre tantos filmes para iniciar acabei optando por um que apesar da crítica ter crucificado, eu gostei! É o “Minha Mãe quer que eu case“. E por que? Não apenas por eu ser fã da Diane Keaton. Mas até por uma passagem do filme (Durante a cena da foto.) onde ela confidencia algo para a sua filha. Algo que era raro de acontecer entre as mulheres de gerações passadas. Não apenas de confidenciar a própria filha sobre relações sexuais, como também o fato de nunca ter sentido orgasmo. Cena belíssima que não deu para segurar as lágrimas. Mas o filme também foca em uma preocupação nas gerações atuais: o casamento. Ou a preocupação por uma filha que focou mais na carreira profissional esquecendo o lado pessoal. Agora, traçando um paralelo com um outo filme, o “Sex and the City – O Filme” – o qual eu resumiria nisso: ‘as-patricinhas-de-beverly-hills-agora-são-quarentonas‘ -, onde o em comum seria procurar por um marido, eu prefiro muito mais o com a Diana Keaton por já escrachar de vez a situação. Ah sim! O ‘quarentona’ não tem um sentido pejorativo. Ok? É apenas um registro da mudança de idade.

Eu vejo que você é uma mulher protagonista, mas por algum motivo está agindo como a melhor amiga. Você deve ser a protagonista da sua própria vida!

Ainda em cima de casamentos, no “Vestida para Casar” tem algo como o que disseram (Frase acima.) no “O Amor não tira Férias“. Onde a personagem em questão (Do primeiro filme.) estava vivendo o ser uma ‘dama-de-honra-oficial’ nos casamentos de outras mulheres esquecendo até de si própria. Aceitando apenas o fantasiar em sua vida. Até curtia um amor platônico pelo chefe. Enfim, como as duas personagens do segundo filme, ela também não estava protagonizando a própria vida. E as três mesmo indo bem profissionalmente, não iam bem no lado pessoal. Quem assina a Direção e Roteiro do segundo filme é Nancy Meyers que mete o dedo na ferida nesse tipo de questão: amar e não ser correspondida.

intolerable-crueltyA protagonista de “O Amor Custa Caro” faz do enlace um meio de vida. Ela e um tal ‘clubinho’ por lá, vivem da pensão advinda do divórcio. Se nome de Diretor pesa em não torcer a cara para alguns tipos de filmes, saibam que quem dirige esse é Joel Cohen. O que poderá motivar alguns. Só que eu confesso que o que me motivou mesmo a assistir esse filme foi o ‘colírio’ George Clooney. Gente! As mulheres desse filme chega a assustar, mesmo tendo muitas delas também no mundo fora da ficção.

Agora, também tem aquelas que após anos de casada de repente se veem sozinhas, tendo que arcar não apenas com as despesas, mas também com dívidas que ficaram. Entre tantas sugestões escolho um filme até por ser de um gênero que eu amo: Comédia. Pois a personagem desse filme encontrou um jeito bem peculiar de quitar a dívida deixada pelo marido, e que a levaria a perder a própria casa. E foi ajudada pelo ex-jardineiro. Precisam ver o “O Barato de Grace” um filme de ver e rever. A Grace é ótima! Até porque precisou pegar um atalho para então voltar ao caminho certo.

Acreditariam que um cara abandonou a esposa por ela ser uma pessoa boa demais? Onde até o Padre a induz que cometa um pecado. Mas para alguém que nunca pecou fica difícil sentir que está pecando. Afinal, o que é pecar? Teria apenas um peso para a Religião? Mais! Sexo é algo tão pecaminoso assim? Mesmo sendo “Sexo por Compaixão“? Pois é! O título do filme é mesmo esse, e que vale muito a pena vê-lo. E o grande barato é que essa personagem só fez o que fez para recuperar o marido. E por tabela, acabou salvando muitos casamentos já com longa quilometragem. Onde também só uma esposa muito mais jovem mostrou-se ser a mais radical.

irina-palm-3Agora, entre ficar rezando por um milagre, uma senhorinha resolveu agir. Para conseguir custear o que seria a última chance de salvar seu netinho internado num hospital, essa personagem arregaçou as mangas e pôs a mão na massa, literalmente. Dona de casa até então, sem nenhum preparo profissional, ela teve que superar o que a sociedade prega como viver dentro da moral e dos bons costumes. Mas seria algo tão imoral assim? Seria o fim justificando os meios? Para ela o que pesava na balança era ter a grana para o tratamento do neto. Ela é “Irina Palm“. E que encarou o único emprego que lhe daria um retorno rápido em dinheiro. Como também lhe deu alma nova. O tal empregou a revigorou. O filme é ótimo!

Como se encara uma traição? Dar um tempo indo para longe e vendo se assim esqueceria mais rápido? Ou tentar pagar na mesma moeda?

Foi meio por ai que a personagem de “Um Beijo Roubado” fez ao por o pé na estrada: tentar diminuir a dor pela traição sofrida. Onde nesse percurso conheceu outras desilusões amorosas. Outras formas de tentar reter um amor que já se foi. Num aprisionamento dolorido para ambos. Ou mesmo os que sufocam a queixa de um amor que não era o que esperavam. Um filme lindo! E do mesmo Diretor de “Amor à Flor da Pele” que também fala dessa dor. Sendo que nesse outro há o encontro dos cônjuges traídos, mas pensando em dar um troco. Uma gravata masculina que fez a ponte. Outro filme belíssimo!

Mas quando se descobre que a traição está dentro da própria família? O que faria se soubesse que o marido a está traindo com sua irmã caçula? O que pesa também o se sentir trocada por alguém mais jovem. Você iria mesmo querer saber? Seguindo a máxima: “O que os olhos não veem, o coração não sente.”. Ou você iria preferir fingir que não está sabendo? Numa de: “Ruim com ele, pior sem ele.”. Essa opção é meio complicada em aceitar nos dias de hoje. Mas para gerações passadas era até bem comum. Numa de dizer: “Prefiro as mentiras de meu marido, a ouvir as verdades dos outros.” Quem disse isso, já na velhice, passou seus últimos dez anos inerte numa cama, e teve do marido, tantas vezes infiel, o mais carinhoso, o mais paciente companheiro. Que não demorou muito a falecer depois dela. É algo a se pensar!

hannah-and-her-sisters1Voltando na história onde o marido a trai com a irmã caçula, é no filme “Hannah e suas Irmãs“. Essa personagem, de toda a família, ela é a mais centrada. O que irrita um pouco alguns. Que não esperam dela chiliques, nem muito menos o “rodar a baiana“. Onde mesmo que inconscientemente todos a têm como um porto seguro, e deles próprio. Ela é uma atriz de sucesso. E que nos deixa em suspense se a sua melhor atuação fora em fingir que de nada sabia. Vale muito a pena ver esse filme de Woody Allen.

Mas na busca por prazeres sexuais tem também aquela que trai o marido. Por querer vivenciar o que não sentia em seu casamento. Um Clássico com esse tipo de história é “A Bela da Tarde“. Onde a bela Catherine Deneuve consegue envolver não apenas a platéia masculina, mas a feminina também. Um lado prostituta de ser por gostar muito de fazer sexo, e sexo selvagem. Mas que queria que esse lado ficasse na clandestinidade. Ou seria na sombra? Até porque gostava de todas as mordomias que a vida de casada lhe dava. E um acidente do destino ouviu suas preces, deixando-a livre para levar as duas vidas: dona de casa e  prostituta.

Falando em Clássicos um filme que nos deixou uma outra personagem feminina marcante, e às vésperas dos 80 anos de idade, é “Ensina-me a Viver“. Onde ela mostra que se pode escolher sair de cena com dignidade. Ela, a Maude é eletrizante até seus últimos dias de vida. Levando a um jovem a ver que ele estava desperdiçando a própria vida. E que nos leva a refletir também em cima desse lance: a eutanásia. Belíssimo filme!

awayfromher1Mas como bem diz a canção “mas eis que chega a roda viva e carrega o destino pra lá…“, há também um tentar sair de cena, não da vida ainda, mas do relacionamento, com dignidade quando ainda terá um pouco de noção de seus próprios atos. Até em libertar o marido do peso que a doença (Alzheimer) trará na vida do casal. Essa personagem além disso também preferiu não dizer que sabia das escapulidas (traição) do marido ao longo do casamento. Levando-o a amá-la mais por isso, mas até por isso se vê obrigado a respeitar essa decisão dela. Em aprender a viver “Longe Dela“. Ela é especial até por isso.

Com certeza voltarei a esse tema. Até porque em minhas críticas costumo salientar que há muito mais filmes que mostram com muita sensibilidade o universo masculino. Onde também há muitos que costumam esteriotipar o universo feminino. Sendo assim, farei questão de trazer mais e mais personagens femininas. Por hora, fico por aqui. E parodiando a canção: “Não as provoque, essas rosas choque!“.

A vida se contrai e se expande proporcionalmente à coragem do indivíduo.” Anaïs Nin.
See You!

Por: Valéria Miguez (LELLA) (Em: 11/07/08)

Série de Tv: The Big Bang Theory

the-big-bang-theory_serie-de-tv_2007Algumas (muitas) pessoas costumam detonar um filme argumentando que têm clichês demais. Daí não deixo de ter uma curiosidade de se fariam então o mesmo com essa série já que em “The Big Bang Theory” há uma explosão deles. São mais que conceitos. É como a personificação e junção de cada um dos esteriótipos tão usados no Cinema. Basicamente em “The Big Bang Theory” temos um grupo de nerdsSheldon Cooper, Leonard Hofstadter, Howard Wolowitz e Rajesh Koothrappali – convivendo pacificamente com uma que seria a “loura” – Penny -, mas que no fundo tem inteligência bastante para lidar com eles. Onde a escolha dos atores assim como a caracterização de cada um foi mais que perfeita!

jim-parsons_como_sheldon-cooperComeço por aquele que deu vida a Sheldon, o ator Jim Parsons. Que o faz de um jeito que não dá para pensar em outro ator fazendo o Sheldon. Dizer que esse personagem é inteligente seria um eufemismo. Ele é um super dotado com uma mente brilhante no campo científico. Físico teórico com doutorado, trabalha na Universidade Caltech. Além disso possui outras particularidades. Manias bem sintomáticas que nele acaba unindo uma síndrome à outra. Como TOC (Transtorno obssessivo compulsivo) à Asperger, por exemplo. Uma outra mania é o pavor aos germes; de ser infectado. Também se ver inapto para dirigir automóveis. O que o leva a depender dos outros que possuem carros. Bem, dependência em termos! Já que Shelton no fundo vence porque assim se livrarão mais rapiamente dele. Como um meio de se sociabilizar usa o termo “Bazinga” para mostrar sua “emoção” a algo. Ficando para os demais interpretar o que de fato ele expressou com ela. Até porque para ele que interpreta tudo literalmente, e naturalmente, há diferenças significativas em seu comportamento. Outra de suas manias é ser totalmente avesso às mudanças. A performance de Jim Parsons é tão perfeita que nessa onda de dublarem tudo na televisão até bate um receio do dublador não captar também a mesma essência do Sheldon. Até o seu modo de bater à porta de sua vizinha: “Penny, Penny, Penny!

johnny-galecki_como_leonard-hofstadterCom Sheldon vai morar Leonard. Tão bem interpretado por Johnny Galecki. Esse é um nerd mais tranquilo e o mais sensato do grupo. O que até vem a calhar para aturar todos os tiques e manias de Sheldon. Do grupo, Leonard seria a ponte que levaria a todos para um mundo nada acadêmico. Mas é como ele ter um manual para uma vida bem social sem saber como colocar isso em prática. O que seria o seu lado sombra, já que profissionalmente sabe executar o que estava em teoria. Sua timidez não faz dele um líder. Para poder dividir o apartamento com Sheldon teve que passar por um extenso interrogatório. Mais que um acordo de uma agradável convivência, foi mesmo um contrato que teria que ser cumprido. Algo que levaria qualquer um a desistir. Denotando o quanto ele não se importa com bizarrices alheias. Alé de Penny, Leonard irá namorar a irmã de Raj, a Prya (Aarti Mann). Ele trabalha num dos Laboratórios da Caltech.

kunal-nayyar_como_raj-KoothrappaliNo prédio, mas em outro andar mora o indiano Raj. Uma ótima interpretação de Kunal Nayyar. Ele vive com o receio de ter que voltar à terra natal, e lá voltar a conviver novamente com os costumes locais. Ele não se ocidentalizou de todo, mas muito mais por ser extremamente tímido. Sem esquecer de aprendeu a amar Hambúrguer de carne de vaca. Mantém contato pela internet com os pais que moram na Índia, e que sonham ver os filhos Raj e Prya casados. Mas Raj só consegue dialogar com as mulheres quando bebe, e mesmo assim não sai muito bem nas conquistas. Aliás, foi por conta de um drinque criado por Penny que todos eles notaram que ele precisava desse “aditivo” para vencer a timidez. Raj também trabalha na Caltech.

raj_coquetel-grasshopperReceita do Coquetel Grasshopper,o favorito do Raj:
Ingredientes:
40 ml de vodka
20 ml de creme de menta
20 de creme de cacau branco.
Modo de preparo: Coloque todos os ingredientes em uma coqueteleira com gelo. Chacoalhe e depois verta o conteúdo em um copo de martini. Algumas pessoas acrescentam creme Chantilly à receita. (Fonte.)

simon-helberg_como_howardO quarto integrante desse grupo é Howard. Também fica difícil pensar em outro ator interpretando-o. Aplausos também para Simon Helberg. Dos quatro é o único que ainda mora com a mãe, e em outra parte de Pasadena. Não se sabe ao certo se ele foi agregado ao grugo por fazer parte do mesma universidade, a Caltech, ou pela paixão em comum aos quatro: historias em quadrinhos, star wars, jogos virtuais… Howard se acha um grande conquistador, mas fica mais na vontade. Dos quatro amigos é o único que não tem doutorado. Seu mestrado em engenharia vira piada para os outros três. Ele trabalha com Engenharia Espacial. Howard ainda é bem dominado pela mãe judia, fato esse que quem tentará cortar esse cordão umbilical será Bernadette (Melissa Rauch). Ela tem doutorado em Biologia, o que faz com que ele se sinta inferiorizado. Bernadette também terá um salário bem mais alto. Fato esse que deixará Howard em dúvida, pois seria como deixar de depender financeiramente da mãe e passar a depender da futura esposa. A questão maior é que ele não abre mão de gastar seu salário com seus hobbies e invenções. Aliás, as suas invenções são um show à parte. Howard também gosta de fazer mágicas.

apartamentos_the-big-bang-theorykaley-cuoco_como_pennyDesde a primeira Temporada temos a Penny, a “loura” da história. Outra grande interpretação dessa Série: Kaley Cuoco. Ela mora no apartamento frontal ao de Sheldon e Leonard. Penny veio morar na Califórnia para tentar uma carreira de atriz, mas enquanto não “acontece” é garçonete da lanchonete Cheesecake Factory, onde os quatros amigos vão lanchar num certo dia da semana. Consumidora, acaba deixando suas contas sempre no vermelho. Aliás esse seu orçamento acaba “enriquecendo” a trama. Além das compras, se endivida por emprestar dinheiro para seus namorados. Que aliás só namora caras fortes e nada inteligentes. O que dá um um tempero maior em sua vida, já que no lado profissional é decepcionante. Após ter um envolvimento com Leonard não vê mais graça nos de então. Ambos após terminarem o namoro volta e meia transam. No fundo ela é apaixonada por ele. Talvez por ele ser além de inteligente, é um cavalheiro. Algo tão diferente dos truculentos que cruzaram a sua vida amorosa. Sua cultura se baseia em saber tudo das celebridades. De todos é a única personagem sem sobrenome, o que deixa a ideia de que o motivo irá aparecer mais tarde. E Penny é então a ponte entre os nerds e a vida social.

mayim-bialik_como_amy-farrah-fowlerMas a Série não ficou só em “meninos” nerd, trouxeram uma “menina”. Que não é a Bernadette, já que essa faz a mulher moderna: inteligente, que trabalha fora, e desencanada até com o fato de deixar as tarefas domésticas para o marido. A entrada dessa jovem nerd veio para abalar outra estrutura. Pois é! Se Penny já fazia Sheldon estremecer até por sua casa está quase sempre bagunçada, suas discussões se tornam um drama menor com a entrada de Amy Farrah Fowler (Mayim Bialik) na vida dele. Sem o conhecimento desse, Howard e Raj o inscrevem em um programa de encontros pela internet na busca de um par perfeito para Sheldon e terminam encontrando a Amy. Ela é uma neurocientista. Levando todos a verem-na como uma versão feminina do Sheldon. Sheldon e Amy então começam uma amizade. Até porque namorar não está nos planos dele. Ele se dedica mesmo a carreira profissional, como também a uma premiação maior: o Nobel de Física. Amy acaba se apaixonando perdidamente por ele. Como também aceita ter um falso namoro porque a ajudaria a dar uma satisfação a pressão que sofre da própria família por sua solteirice. Para alguém que diz ser desprovido de sentimentos, o arrojo de Amy vira um grande pesadelo para Sheldon. Mas que até por sua curiosidade científica ele aos poucos acaba deixando-a avançar nesse terreno. A convivência com Penny e Bernadette levará Amy a se preocupar mais com a aparência. Ficar mais feminina.

sheldon-socorre-pennyAgora, o grande contraponto de Sheldon é mesmo Penny. Quando juntos, Sheldon e Penny, roubam a cena. Desde ele batendo incessantemente na porta do apartamento dela, até em situações onde ele a leva a um hospital, por exemplo. É o 8º Episódio da 3ª Temporada. Se reprisarem, assistam. É hilário! Deixo aqui parte do diálogo já na sala de espera do hospital:
_ De acordo com a enfermeira inexplicavelmente irritada, será atendida após o homem alegando ataque cardíaco. Mas bem o suficiente para jogar doodle jump no iphone. Temos que preencher isso. Descreva a doença ou ferimento.
_ Desloquei meu ombro.
_ Certo. E como o acidente ocorreu?
_ Já sabe como foi.
_ Causa do acidente? Ausência de adesivos de patos. Histórico médico. Já foi diagnosticada com diabetes?
_ Não.
_ Doenças renais?
_ Não.
_ Enxaqueca?
_ Começando a ter.
_ Está grávida?
_ Não.
_ Tem certeza? Está meio gordinha.
_ Mude enxaqueca para sim.
_ Quando foi sua última menstruação?
_ Próxima pergunta.
_ Vou colocar “em andamento”. Passando para transtornos psicológicos. Liste os sintomas recorrentes, ex: depressão, ansiedade, etc…
_ O que isso tudo tem a ver com meu ombro, estúpido?
_ Ocorrência de raiva psicótica.
_ Idiota.
_ Possível síndrome de Tourette. Verrugas, lesões, ou outras doenças de pele? Tatuagem de sopa na nádega direita.”

kevin-sussman-como-stuartAinda há mais um outro personagem nerd ligado aos demais justamente por trabalhar no local onde os quatro amigos vão muitos: a loja de revistas em quadrinhos. Ele é Stuart (Kevin Sussman). Também é do time dos tímidos como os dos enamorados por Penny. O que deixa Leonard com ciúmes. Por ser ele “um igual”. Stuart é outro aficcionado pelas HQ. Promovendo sempre eventos onde os clientes podem ir com fantasias de seus super heróis preferidos.

Os quatro amigos – Sheldon Cooper, Leonard Hofstadter, Howard Wolowitz e Rajesh Koothrappali -, se dão o direito de zoarem entre si. Até como um jeito de vencerem as barreiras dos preconceitos que sofrem. Ante a um olhar reprovador pelo ângulo politicamente correto, é bom lembrar de um outro grupo bem heterodoxo que também zoavam entre si, no filme “Quinteto Irreverente“. Só para citar um exemplo fora do mundo dos nerds. E é válido também como um “tratamento de choque” para enfrentarem seus piores pesadelos. Como também a história deles mostra que o bullying também se de na própria casa. Onde o trauma perdura com mais força.

the-big-bang-theory_jogos-e-fantasiasEu compro o que a infância sonhou!

Pois é! Todos eles seguem essa máxima. Com o salário na fase adullta eles compram tudo o que desejaram em criança. O que de certa forma não pode ser visto como “síndrome de Peter Pan”. No caso deles pesa o fato que dentro dessa fantasia, se sentem fortes. Se veem como super heróis. Mas sendo eu leiga no campo psico, deixo como sugestão de estudos aos profissionais dessa área. E mais! Excentuando a Penny, que pouco se sabe do seu passado, os quatros amigos tiveram, ou melhor, não receberam carinho e respeito de suas mães. Onde ainda ficam intimidados diante elas.

the-big-bang-theory_a-sexuaidadeMesmo com tanta bagagem cultural excetuando a Penny, todos os demais estão engatinhando na vida sexual. Como também na descoberta da própria sexualidade. Com isso a Série vai deixando no ar até a dúvida de alguns personagens acerca de suas preferências sexuais. Como Raj, por exemplo, que tende às vezes para a homossexualidade. No caso de Amy, ela parece ser bissexual: está apaixonada por Sheldon ao mesmo tempo que sente uma grande atração por Penny. Tesão mesmo. A Série não explicita esses lances, talvez para não bater de frente com os Censores Oficiais. Por outro lado, não mostrando tudo de vez dá vida longa a “The Big Bang Theory”.

The Big Bang Theory” uma criação de Chuck Lorre e Bill Prady teve início em 2007. Com seis Temporadas completas, entrando já na sétima. O que tem deixado a nós, fãs da Série, alegres e na torcida por uma vida bem mais longa. No Brasil é exibida pelo canal Warner.

Então é isso! Uma Série muito engraçada! De se ver e rever. Nota 10!

jargao-do-sheldonPor: Valéria Miguez (LELLA).

Erros e Acertos na Entrega do Oscar 2013.

oscar-2013Com toda a certeza eu não daria um para o anfitrião da 85ª edição do Oscar, o Seth MacFarlane. Chegou a me dar sono num momento, que me fez ir até a cozinha e pegar um café. Se a Academia quis nesse evento homenagear os grandes Musicais, sem dúvida poderiam ter escolhido Hugh Jackman, pois esse canta, dança e encanta! Ainda no campo das homenagens, lembrar os 50 anos de James Bond 007 nas telas, foi merecida. Mas eu tenho que concordar com Rubens Edwald Filho (Acompanhei a cerimônia pelo canal TNT.), que faltou estar ali ao vivo os atores que desse personagem. Outro ponto desfavorável aos organizadores dessa grande celebração do Cinema.

De cá, eu aplaudi de fato o Oscar para Quentin Tarantino, por Melhor Roteiro Original. Pelo menos esse teriam que dar a ele. Até porque o pelo Filme, já era carta marcada. Já falo sobre isso. Ainda  com “Django Livre“, é um primor de Filme, onde a escolha do ator Jamie Foxx deixou um pouco a desejar. É que em algumas cenas eu cheguei a pensar se algum novato teria totalizado o personagem, ou até um outro já conhecido, onde nessa hora me vinha à mente Ice Clube. Já a performance de Christoph Waltz foi visceral, o que o levou ao merecidíssimo Oscar de Ator Coadjuvante. Para Quentin Tarantino eu o faria dividir um de Direção com Ben Affleck.

Falando em Ben Affleck… não houve demérito em “Argo” levar o de Melhor Filme. Mesmo parecendo uma premiação de cartas marcadas, como a elevar a moral da tropa, ou mesmo da população estadunidense. O filme é de fato muito bom! Ben Affleck fez um excelente trabalho na direção. Mesmo se conhecendo o final da história, nossa atenção e tensão foi mantida até o final. E se alguém creditar o mérito nos atores, eu citaria um exemplo, e de um filme de um dos produtores de “Argo”, George Clooney, onde esse ele quem dirigiu. Foi em “Tudo Pelo Poder“. George Clooney teve tudo nas mãos para realizar um grande filme, mas faltou a ele o que esbanjou em Ben Affleck: talento na Direção.

Ainda não vi “As Aventuras de Pi“, e mesmo também ainda não tendo visto “Lincoln“, quem levaria o de direção seria Steven Spielberg. Quando eu assistir o primeiro verei se de fato foi merecido o Oscar de Melhor Diretor para Ang Lee. E como a Academia já estava ciente que Spielberg não levaria, poderiam dar a ele um prêmio que faltou esse ano, o pelo conjunto da obra. Que não seria nem uma premiação de consolação, pois se o tema do evento eram Temas Musicais muitos da Filmografia de Spielberg permanecem até hoje na nossa memória cinéfila. Como: “Tubarão”, “Contatos Imediatos do Terceiro Grau”, “E.T. – O Extraterrestre”, “Indiana Jones”"… Bem, se é lenda urbana ou não, vendo Spielberg posicionado bem atrás, nas poltronas, já se visualizava que ele não levaria mesmo esse Oscar.

Spielberg leva então o mérito de ter insistido para que Daniel Day Lewis aceitasse fazer o personagem título do filme “Lincoln“. Com sua performance ele conquista também o Oscar de Melhor Ator. Ainda não vi nenhum dos filmes indicados para essa categoria, mas se Daniel Day Lewis já conquistara outras premiações com esse papel, parece justo então completar a sua coleção com esse Oscar.

Merecido o Filme de Michael Haneke, “Amor“, ganhar o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. Mesmo só tendo visto esse, o filme além de enfocar a velhice deixa no ar um tema que volta e meia aparece nas manchetes jornalísticas. Trata-se de um spoiler: a eutanásia. Haneke tem esse poder de ser imparcial ao mostrar uma realidade, deixando para nós a reflexão ou até um julgamento do fato.

Tirando Seth MacFarlane, a noite da premiação penderia para o lado masculino, não pela falta de surpresa nas escolhas, mas mais pela satisfação na confirmação do prêmio. Pois uma coisa é sonhar, outra é enfim ver o sonho realizado.

Então, o que dizer da presença feminina no Oscar 2013?

Claro que havendo prêmios distintos para Ator e Atriz as mulheres marcam presenças não apenas pelos modelitos. O Tapete Vermelho da Academia vira um Desfile de Grifes famosas do mundo da Moda. Não sei como se dá a escolha entre Atrizes e Estilistas, mas por conta de alguns vestidos bem que poderiam dar uma aula de como se caminhar com ele. Um exemplo foi quando numa entrevista ver que ao fundo aparecia uma delas andando com o vestido vermelho todo levantado aparecendo até as coxas. Sem contar, é claro, com o tombo da atriz Jennifer Lawrence subindo as escadas do palco. Uma “gata borralheira” dos tempos modernos. Com panos demais, noutros de menos, os Estilistas também deveriam conhecer todo o percurso que as atrizes terão que fazer.

De qualquer forma, além das atrizes que fizeram parte dos shows musicais – em destaque a coreografia da Charlize Theron que deu um show dançando -, a bela voz de Adele cantando “Skyfall” foi o maior destaque no Oscar 2013 pelo lado feminino. Levando o Oscar de Melhor Canção Original para o filme “007 – Operação Skyfall“.

Destaque maior teria sido se em vez de Jennifer Lawrence levar o de Melhor Atriz, tivessem premiado Emanuelle Riva. Não que eu esteja desmerecendo a atuação da outra, até porque eu ainda não vi o filme “O Lado Bom da Vida“, mas a performance da Emanuelle foi um primor. Talvez porque muito pouco dos que votam viram “Amor”. Um outro fator surpresa nessa premiação teria sido o prêmio ir para Quvenzhané Wallis. Mas assim como já era esperado a premiação ir para Jennifer Lawrence, também o era para o de Melhor Atriz Coadjuvante para Anne Hathaway.

Sendo então a premiação para jovens atrizes, já que a encantadora menina Quvenzhané Wallis de “Indomável Sonhadora” não levou, temos uma outra destemida levando o prêmio de Melhor Animação para “Valente“, a jovem Merida. Sendo que essa ganhou vida pela computação gráfica. E um Oscar merecido!

A surpresa mesmo ficou para o final, em quem Jack Nicholson chamou pelo telão. Com isso encerrando as participações femininas nessa 85ª edição do Oscar quem disse o “…and the Oscar go to…” final, no caso para o de Melhor Filme, foi a Primeira Dama: Michelle Obama. Mais indicativo que seria “Argo“, só mesmo se fosse anunciado pelo próprio presidente. Em seu pequeno discurso, Michelle disse:

Bem-vindos à Casa Branca. Sinto-me honrada em apresentar o Melhor Filme deste ano. …filmes que elevaram nossos espíritos, ampliaram nossas mentes. …quero parabenizar todos os indicados pelo seu tremendo trabalho. …os filmes levam as pessoas a voltarem no tempo e viajar ao redor do mundo. lições para os jovens. Todos os dias, por meio de seu envolvimento com as artes, nossas crianças aprendem a abrir a imaginação e a sonhar mais alto”.

Em resumo, o filme que mais prêmios levou foi “As Aventuras de Pi”: Melhor Direção, Melhor Direção de Fotografia, Melhores Efeitos Visuais e Melhor Trilha Sonora. “Argo” levou 3 estatuetas: Melhor Filme, Melhor Roteiro Adaptado e Melhor Montagem. E “Lincoln“ que liderava em número de indicações, levou: Melhor Design de Produção e Melhor Ator. Um link com a listagem com todos os indicados e premiados com o Oscar 2013. [em construção ainda; depois serão todos linkados aqui.]

Então é isso! Entre erros e acertos, eu digo que valeu ter visto o Oscar 2013!

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Série de Tv: Elementary

elementary_serie-de-tvarthur-conan-doyle_escritorSir Arthur Conan Doyle fez uma bela contribuição a humanidade com seu personagem Sherlock Holmes. Primeiro por ser ele atemporal, já que transita muito bem por uma Londres vitoriana ou por uma Nova York moderna. Local esse escolhido como cenário para a Série de Tv “Elementary”, uma criação de Robert Doherty inspirada no detetive criado por Conan Doyle. E transmitida aqui no Brasil pelo Universal Channel.

Eu não advinho. Eu observo. E depois deduzo.”

Agora a grande contribuição que transcede o tempo estaria no fato de nos levar a usarmos mais a razão do que a emoção. Para os políticos isso seria péssimo já que controlam a massa justamente porque a grande maioria se deixa levar pelos sentimentos do momento. Muitas das vezes não enxergando nem o óbvio. O que me leva a dizer: leiam mais historias com Sherlock Holmes, como tambem assitam a Série “Elementary“.

elementary_serie-de-tv_01Em “Elementary” temos um Sherlock Holmes com uma mente hiper ativa: focando-se em várias coisas ao mesmo tempo. Não sei se foi por aí que resolveu buscar por uma certa pausa mental pelas drogas ilícitas. Talvez esse recente passado iremos conhecer em outros episódios. O certo é que ele saiu recentemente de uma Clinica de Reabilitação para drogados; aliás, ele fugiu horas antes de receber alta.

A escolha do ator foi mais que perfeita: Jonny Lee Miller. Do chocante filme “Trainspotting – Sem Limites”. Sua caracterização para esse novo Sherlock Holmes prende a nossa atenção. Para os da Área Psico esse é um personagem que dará bons estudos. Para nós leigos será em observar essa relação do homem com um problema comportamental que se torna irrelevante perto do dom nato que possue. Pois Holmes é como um CSI ambulante: com toda uma equipe numa única mente.

Já no primeiro espisódio conhecemos uma outra particularidade dele. Gostar das várias televisões que possui ligadas em canais diferentes e com programações variadas. Como a observar toda a cultura novaiorquina mais rapidamente. Vindo de Londres ele tem pressa em conhecer não apenas os crimes locais, mas também os costumes e gostos das pessoas. Além de uma fome exagerada por cultura, todas e quaisquer informações que assimilar tornam-se fontes que o ajudará nas investigações.

elementary_serie-de-tv_02Tendo pai rico que o sustenta tem nesse trabalho um tipo de exercício mental para tentar em deixá-lo focado em uma coisa por vez. Uma maneira de descarregar a adrenalina que lhe vem da mente e à mente. Já que ela não para nunca, e que está sempre focada nos menores detalhes. Assim, trabalha sem uma renumeração.

Em Nova Iorque Holmes então torna-se um Consultor direto do Capitão Toby Gregson, personagem de Aidan Quinn. Um bem complacente Chefe de Polícia. Admirador de Holmes desde quando ele era então um consultor da Scotland Yard. E que vê nele uma importante ajuda na elucidação dos crimes. Gregson não impõe um ego acima da solução da investigação realizada por Holmes. Pode ate ser que essa calma aparente tenha sido conquistada ao longo da carreira. Talvez um personagem mais novo ficaria batendo de frente com Holmes. Até porque esse se mostra um tanto quanto arrogante por saber que é muito bom no que faz. Que o personagem de Aidan Quinn não se aposente tão cedo. Até porque deu química entre essa dupla.

Isso também se torna uma aula de Conan Doyle para nós. Essa linha tênue entre o dom da pessoa que o leva ser perfeito no que faz, mas sem que se esqueça que ele não é onipotente. Já que o levaria ao ego inflamado. Sem ao menos creditar que um outro ponto de vista no mínimo o levaria a rever o fato em si. E então ver se deixara escapar algo.

elementary_serie-de-tv_03Além do Chefe de Polícia, Holmes também estará sempre em contato com tiras subordinados a esse. Podendo ser por ai uma certa disputa de egos com Holmes. Sendo que só ficaria na cabeça deles, pois o contratempo mesmo de Sherlock Holmes é um outro grande personagem dessa história de Conan Doyle. Que embora uma frase sobressaia a esse personagem, ele vira quase como um paradoxo ao legado de Holmes. A frase em si nasceu numa versão teatral a “Elementar, Meu Caro Watson!“. Então o personagem Watson seria ou levaria Holmes a ficar focado sempre pelo lado direito do cérebro. É que tendo Holmes uma mente muito ativa ele precisa de um freio. Relaxar um pouco. Não dando à intuição, asas demais. Daí o “quase parodoxal”, já que é o próprio Holmes quem nos leva a focar primeiros detalhes antes de já sair julgando. Ou melhor, antes de sair pré-julgando fatos e/ou pessoas. Ponto importante para os da Área Jornalística analisar.

Agora, se a famosa frase inspirou o título da Série, como Watson entraria nessa nova versão?

_Notei que aqui não há espelhos, diz Watson.
_E o que isso significa? Pergunta Holmes.
_Acho que você reconhece uma causa perdida quando você vê uma. Responde Watson.”

elementary_serie-de-tv_04Confesso que uma das minhas motivações em acompanhar essa Série seria porque Watson viria como uma personagem feminina. Achei brilhante a ideia! Ficava a dúvida se Lucy Liu o faria a altura de tão ilustre e também carismático personagem de Conan Doyle. Até porque para mim até então a simples menção de seu nome o que me vinha logo à mente era o filme “As Panteras”, onde atuou. Lucy Liu até que sai bem como Watson. Pela química com o ator Jonny Lee Miller, como também por seu personagem trazer um drama pessoal a trama. Que é a ponte que a leva até Holmes. Ela é a Dr. Joan Watson, monitora nessa sua reintegração à vida social. Fiscalizando se ele conseguirá viver longe das drogas, condição imposta pelo próprio pai para continuar sustentando-o.

Vindo esse personagem como uma monitora, e portanto uma ocupação com um tempo determinado na vida de Holmes, a dúvida em como manteriam Watson até o final, foi apagada ao longo dessa mesma 1ª temporada: porque ela passou a gostar da parceria com ele; ajudando-o nas investigações. Primeiro com seus conhecimento no campo da medicina. Depois por ir aprendendo a se ligar no micro dentro de um macro.

O último episódio exibido em 2012 trouxe uma outra surpresa. Ou teria sido uma nova dúvida? A de que papel ela terá na vida de Holmes nas próximas temporadas? Para quem também acompanha a Série está ciente do que houve. Para quem não viu, seria um tremendo spoiler. Até porque é algo que trará algo divertido a história. Mais atividade para um gênio que já é muito ativo. Ainda a esses que não viram a Série aproveitem as reprises dos episódios dessa primeira temporada antes das próximas. Que eu já aguardo motivada! Até para saber o destino da “Watson”. Pois ainda não está tão “elementar” assim.

É um grande erro teorizar antes das provas, já que predispõe à capacidade de julgar.” (Arthur Conan Doyle)

Vida longa a “Elementary”! O mundo urge de se olhar mais para o que é obvio, mas por uma lógica dedutiva e não de forma passional. Uma Série para ver e rever! Nota 10!

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Curiosidades:
- “Elementary” em 2012, aqui no Brasil, teve a exibição de parte da 1ª Temporada: foram 8 episódios. Os últimos episódios ainda dessa temporada estão sendo exibidos esse ano. E pela página da Série no IMDb já há vários episódios emplacando assim uma segunda temporada. Para grande alegria dos fãs da Série, onde me incluo.