Série: “CSI: Cyber” (2015 / ). A Realidade do Mundo dos Softwares Supera a Ficção!

csi-cyber_2015A Série “CSI: Cyber” ganha identidade própria em vez de ser apenas mais um dos laboratórios dentro da “nave mãe“. E talvez nesse início uma parcela dos fãs de “CSI: Investigação Criminal” ainda não perceberam que deveriam sim dar mais atenção a ela. Será que por exemplo já se esqueceram do que Edward Snowden contou ao mundo? Do quanto há de vulnerabilidade por ela para os que sabem se mover lá por dentro? Ou mesmo que atualmente cada vez mais estamos mais dependentes da Internet! Dai ser um prato cheio para um hacker black hat invadir perfis, contas bancárias… E muito mais!

Antes da informática, pedófilos usavam uma caixa para manter suas fotos embaixo da cama. Sendo geograficamente isolados dos outros pedófilos eram obrigados a reprimir os desejos socialmente inaceitáveis. Mas hoje a Internet conecta pessoas com as mesmas tendências depravadas. E uma vez que se reúnem, eles normalizam o comportamento e encorajam os outros.

Mary-Aiken_e_Anthony-Zuiker_CSI-Cyber_2015Anthony Zuiker, criador das “CSI“, teve a ideia para mais essa, a “CSI: Cyber” pelo do trabalho de Mary Aiken: psicóloga especializada em crimes na internet. Vale lembrar que a Internet vem desde a década de 90, daí haja chão para todos os tipos de estudos. Bem, entre a ideia até a concretização do projeto levaram alguns anos. Até que Mary Aiken se juntou a equipe como produtora e consultora. Emprestando assim sua experiência em inteligência e comportamento de cyber criminosos. Participando desde elaboração dos episódios até o andamento com o roteiro e as filmagens. Também em instruir a protagonista, Patrícia Arquette, em como agir em situações onde a personagem precisa analisar os suspeitos cara a cara.

Habilidades evolutivas de sobrevivência instintamente tendem a levá-los a lugares altos.”

Só a título de curiosidade é uma série que merece ser vista! Além do que Edward Snowden contou sobre espionagem eletrônica de um país para vários outros, temos também a farta documentação que Julian Assange mostrou, mostra pela Wikileaks… Pois é! Nem tudo tem um caráter criminoso… Onde talvez até “CSI: Cyber” mostre algumas dessas histórias mesmo que seja de um modo a “salvar” a própria pátria como em outras Séries e Filmes dos Estados Unidos… É esperar para ver!

mundo-dos-softwaresCoitados desses pais. Eles compram uma babá eletrônica pra proteger o filho deles. E é a mesma coisa que convidar o sequestrador.

Pode ser que “CSI: Cyber” até fique mais em cima dos trojan (software espião), phishing (envio de e-mails fraudulentos para infectar dispositivos e roubar informações), roteador clonado… Em como até por uma babá eletrônica hackeada descobriram um leilão de bebês para adoções. Já que o mesmo aparelho que daria uma pretensa segurança aos pais, também pode dar a sequestradores a chance de pegar o bebê sem serem notados. Ou de como em uma dessas empresas de Táxi por aplicativo também foi invadida… Enfim, se inteirar desse mundo dos softwares que temos também dentro de casa.

Passei a maior parte da minha carreira lutando contra gangues de rua, atentado, tráfico e outras guerras sangrentas… Mas hoje estamos diante de alvos anônimos obcecados em impressionar pessoas que nem mesmo conhecem! Com encorajamento e reconhecimento… vem a escalada.”

csi-cyber_patricia-arquetteCSI: Cyber” tem a frente a personagem de Patricia Arquette, a agente do FBI Avery Ryan que responde pela divisão de Crimes Cibernéticos. Bem, no mundo atual tudo que envolva dispositivos eletrônicos conectados a internet ou não é por definição: Cibernético. O que por si só já mostra o quanto ainda há de desconhecimento de todos nós. Mesmo para os que trabalham com eles. Os softwares se multiplicam. Talvez por isso sua personagem possa aparentar “andar em papel de arroz”. Pois acima de tudo ela estuda o comportamental das pessoas, muito mais do que o trabalho dos aparelhos eletrônicos. Para isso tem a sua equipe. Em sua apresentação inicial em cada episódio temos um perfil do que ela é, do que houve, e de que vem com tudo. Mas também mostra um lado mais sensível. Até de mãezona. Sem estereotipar por também ser uma agente de policial, sua performance está conseguindo sim levar esse personagem! Great!

Contrações das pupilas indicaram que dizia a verdade. As micro-expressões sinalizaram que não mascarava os seus sentimentos. Ele é inocente.

csi-cyber_elencoEnquanto a Agente Avery Ryan (Patricia Arquette) parece ter o “dom” de pegar os suspeitos na mentira por simples reações corporais, já que também é psicóloga, em sua equipe temos:
Elijah Mundo (James Van Der Beek): braço direito de Avery. Agente de campo. Especialista em armamento, veículos e bombas.
Daniel Krummitz (Charley Koontz): agente na área técnica. O melhor hacker “white hat” no mundo. Tem raciocínio rápido. Não tem medo de ser brutalmente honesto. Antissocial. Parece “viver” na sede da divisão de Crimes Cibernéticos.
Brody Nelson (Shad Moss): Hacker “pego” por Krumitz. Escolhendo trabalhar para o FBI em vez de viver uma vida de cibercrime.
Raven Ramirez (Hayley Kiyoko): especialista em investigações de mídia social, relações internacionais e tendências cibernéticas. Ela acha qualquer pessoa em qualquer rede social de qualquer parte do mundo. Detém um segredo que irá colocar a divisão em risco.
E Simon Sifter (Peter MacNicol): Diretor do FBI e superior de Avery. Atua como o meio de comunicação entre a divisão de Crimes Cibernéticos e restante do governo. Ele é duro, justo e sabe jogar o jogo político.

A tecnologia pode facilitar a vida das pessoas. Mas certamente não a deixou tão segura.”

Então é isso! A Série “CSI: Cyber” também chegou esse ano pelas bandas de cá, Brasil. Transmitida às 22 horas nas quartas-feiras pelo canal AXN. Se vai emplacar mais temporadas? Ainda é duvidoso até porque também fica na pendência da audiência por lá, nos Estados Unidos. Eu espero que sim!

O nosso bandido é um bom empresário. Ele entende de oferta e demanda. Tente adotar uma criança nos dias de hoje. Triagem, lista de espera, contas com advogados… Ele achou uma maneira de encurtá-la.”

Séries: “CSI: Investigação Criminal”, “CSI: Miami” e “CSI: NY”. Porque Acabar com Elas…

csi_csi-miami_csi-ny_cartazCSI_cartazA primeira a chegar e o quase a última a sair, assim chega a vez da Série “CSI: Investigação Criminal” se despedir após 15 Temporadas e com um bônus extra nesse encerramento: um episódio estendido como num longa-metragem. Agora, terminar por que? Já que teria fôlego e histórias para outras temporadas mais. Mas como sempre acontece para os fãs de outros países ficam à mercê do “mercado de audiência” no país de origem; e não apenas para os dessa Série.

Pessoas loucas fazem pessoas sãs agirem loucamente.” (CSI) “Nunca confunda absolvição com inocência.” (CSI: Miami) “As pessoas perdem tempo para colocar os seus segredos mais sombrios e então enviá-los para alguém que não conhecem. Duas perguntas: por que e…por quê?” (CSI: NY)

Será que os Produtores, ou mesmo os principais responsáveis dos canais onde as Séries são criadas, não entendem que o principal rival atualmente não é uma outra Série e de um outro Canal de Televisão, mas sim a Web. Que até tendo um canal pela internet, onde se veria os programas de televisão, esse ainda trava muito para ainda a maioria de usuários da internet. Daí muitos fãs ainda prefiram assistir por um canal à cabo ou de um da televisão aberta. Bem, a realidade mudou… Onde uma grande parcela da sociedade atualmente prefiram muito mais às mídias sociais do que acompanhar Séries por televisão. Pensem! Dentro do universo das pessoas que você conhece pessoalmente quantas ainda gostam de acompanhar Séries de Televisão? Que até haja um número maior dos quem acompanhem novelas até por que elas lançarem “tendências” e assim se sentirem “na moda” pelas mídias sociais. Até porque são os personagens de novelas que mais lançam modas… Por outro lado… Creio ainda ter muito menos desistências de fãs de Séries do que dos que passam a gostar delas.

Pessoas mentem, evidências não.” (CSI) “A culpa nos mantém em alerta, nos torna melhores.” (CSI: Miami) “Um pequeno erro pode ser usado para mudar toda a dinâmica do que vem a seguir.” (CSI: NY)

csi-miami_cartazComo também que mesmo que a desculpa seja por altos salários de alguns atores… creio que em séries como “CSI” os personagens são sim coadjuvantes de peso, mas é a trama que é o ponto alto. Mesmo que alguns dos personagens tenham sua própria legião de fãs… a grande maioria continuaria assistindo-a sem o seu ídolo… E meio que para “cortar os custos”… Para esses com altos salários bastaria “aposentá-los”, ou em serem “assassinado”… Gerando assim uma nova história…

Se o mundo não se adapta a você, você tem que se adaptar a ele, certo?” (CSI) “A descoberta de algo inesperado é interessante. Mas, muitas vezes, a ausência inesperada de algo é ainda mais interessante.” (CSI: Miami)

Hoje até pode ser mais fácil montar todo uma estrutura como dos laboratórios que aparecem em “CSI: Investigação Criminal“, até por computação gráfica… A título de uma comparação em locações e cenários… Vale lembrar de que para o início da gravação da Série “ER” – chamado de “Plantão Médico” quando da exibição por um canal de tv abertA no Brasil -, usaram de fato um hospital real que se encontrava desativado, e que só depois que foi criado um para as gravações. De qualquer forma, atualmente os custos de filmagens em “CSI: Investigação Criminal” mesmo com alguns salários altos devem ser bem menor do que em 2000 quando ela foi criada. Claro que respeitando a proporcionalidade dos custos entre 2000 com o de 2015.

As melhores intenções são abastecidas com desapontamentos.” (CSI) “Só porque você sabe uma coisa sobre uma pessoa não significa que saiba tudo sobre ela.” (CSI Miami) “Às vezes, o esquecimento é o melhor.” (CSI: NY)

CSI-NY_cartazAlém do que a trama não ficava apenas dentro do que acontecia nos Estados Unidos. Nem muito menos com apenas histórias fictícias. Pois alguns dos episódios “levavam” para lá histórias baseadas em fatos reais ocorridos em outros países. Como por exemplo, quando se “inspiraram” no ocorrido na Boate Kiss, no Brasil… Ou como a falta de água em São Paulo também foi parar num dos episódios quando investigavam a morte de um corretor do Mercado de Ações… Sendo que esse não sei ao certo em quais dos “CSI” passou: se no principal ou em um dos spin-offsCSI: Miami” ou “CSI: NY” (Ambas canceladas, respectivamente, em 2012 e 2013.). Ou apenas trazendo algo ocorrido em outro continente como a chuva ácida nas lavouras cacaueiras na África… Onde também não deixou de citar o trabalho infantil e escravo que há por lá, mesmo que en passant… O que corrobora de que sempre teriam o que contar em suas tramas: “CSI: Investigação Criminal” (2000–2015); “CSI: Miami” (2002–2012); “CSI: NY” (2004-2013).

Se o mundo não se adapta a você, você tem que se adaptar a ele, certo?” (CSI) “Bem aventurados são aqueles que não tem que enfrentar aquilo que são capazes de fazer.” (CSI) “Nós acordamos do sonho apenas uma vez.” (CSI)

De qualquer forma há as reprises para não nos deixar de todos órfãos e em pelo menos dois canais a cabo: o “TNT Series” e o “AXN“. Além do que há um novo, o “CSI: Cyber“, mas esse terá um texto único. No mais, fica uma torcida para que um dia voltem com episódios inéditos!

_O medo tende a vencer a lógica.
_Depende da lógica.
_Ou do medo.” (CSI: NY)

Por: Valéria Miguez (LELLA).

CSI: Investigação Criminal (2000–2015)
Ficha Técnica: na página no IMDb.

CSI: Miami (2002–2012)
Ficha Técnica: na página no IMDb.

CSI: NY (2004-2013)
Ficha Técnica: na página no IMDb.

Mad Max: Estrada da Fúria (Mad Max: Fury Road. 2015)

Mad-Max-Estrada-da-Furia_2015_cartazmad-max_tina-turner_e_mel-gibsonDa Saga Mad Max iniciada 1979 (Um outro em 1981 e mais um em 1985) as lembranças se foram quase por completo. Ficando mais de dois personagens, ou melhor, da caracterização deles: de um Mel Gibson com uma jaqueta de couro preta e uma Tina Turner com um visual meio que de uma amazonas futurista… O forte mesmo na lembrança vem de um dos temas musicais de um dos filmes com a poderosa voz de Tina Turner cantando “We don’t Need Another Hero“. Aliás a simples menção do nome “Mad Max” é essa música que de imediato vem da memória. Sendo assim era pegar a pipoca para assistir “Mad Max: Estrada da Fúria” com sabor de uma primeira vez. E o que o tempo dirá do que ficará dessa nova versão também com a assinatura de George Miller.

vietnam-napalm_criancas_foto-de-nick-utMas antes um pouco da história real da década de 70 já que foi quase no final dela que a história do filme foi escrita. Uma década recém saída de Woodstock: o mundo não era nada “paz e amor“. Da corrida armamentista. Da revolução iraniana. Da União Soviética ganhando status de potência mundial. Das Ditaduras Militares na América Latina. Do genocídio em Timor Leste. Dos Estados Unidos perdendo na Guerra do Vietnã. Onde a imagem de uma menina correndo fica como símbolo dos inocentes das guerras estúpidas. Onde se manterem no poder institucionalizam a censura, a tortura, a repressão e um clima de terror do tipo “alerta laranja” em nome de uma segurança nacional. Década da grande crise do petróleo com os países árabes dando às cartas. Com isso afetando a Economia de vários países… Com jovens saídos da era de aquário e mulheres tentando se integrar no mercado de trabalho, mas sem muita formação especializada. Com as migrações até em busca de uma vida melhor, mas deixando-os marginalizados nas novas pátrias… Agora, para não dizer que não falei das flores… A preocupação pela devastação dos recursos naturais do planeta assumiu um caráter mais coletivo, saindo do campo visionário e colocando o timbre em documentos: os primeiros passos na proteção do meio ambiente! Pelo menos algo positivo numa década que no mínimo bem explosiva e com um futuro pouco animador: meio apocalíptico. E esse era o mundo que inspirou George Miller: um mundo onde a realidade supera a ficção…

Mad-Max-Estrada-da-Furia_2015_Tom-HardyAgora sim entrando na história do filme o qual tentarei não trazer spoiler. Mesmo não sendo um Thriller, deixar um pouco de suspense é sempre bom num filme de muita Ação.

Nessa nova versão, além dos avanços tecnológicos, a história coloca o herói já na estrada tentando fugir dos seus próprios fantasmas ao mesmo tempo que tentando sobreviver num mundo pós apocalíptico: Max Rockatansky já se tornara um selvagem solitário e ele é o mestre de cerimônia em “Mad Max: Estrada da Fúria“. Uma pausa para falar do ator Tom Hardy que nas primeiras cenas me fizeram lembrar de Russell Crowe do que de Mel Gibson. Sinal de que para mim o filme continuava com ares de primeira vez, mas em pensar em outro ator para o personagem daria a Tom Hardy um peso maior na performance até o final… E posso dizer que ele conseguiu! Conquistou de vez papel: atuou muito bem!

Max é logo capturado por um grupo e feito prisioneiro para algo um tanto quanto estranho. Mais ainda quando o levam em uma missão com “garotos da guerra“: jovens preparados para morrer com a promessa do paraíso. Algo familiar ao mundo real, não? Como também pelo contexto da trama me fez lembrar da do livro “Os Meninos do Brasil“, de Ira Levin.

Não só esses jovens, mas um grande exército, aliás são três porque mais dois se juntam a esse primeiro numa perseguição a algo maior que fora roubado desse primeiro. E quem o levara fora alguém dessa elite. Logo a Imperatriz que se rebela e foge com esse pequeno grande tesouro; e à ela irão se juntar Max e mais um dos tais jovens, (Nicholas Hoult). Bem nem se trata de um spoiler pois faz parte do contexto de um herói: os mosqueteiros ajudando a mocinha do filme. Muito embora, e com o nome de Furiosa, ela é uma destemida guerreira. Parte dessa trama com ela entre essas perseguições e outras coisas mais, me fizeram lembrar do filme “Tank Girl“, de 1995. Que em nada descaraterizou a heroína desse aqui: a uma lembrança me levou a sorrir. Sei lá, mas talvez o Diretor George Miller tenha deixado um lado também para o humor, ou mesmo mais leve para essa personagem. Até porque ela ainda tem história para contar num próximo filme. Agora, em uma da cena onde ela se prostra ao chão… ficaria muito melhor tendo ao fundo a música “We don’t Need Another Hero“, muito embora eu também pensei nesse trecho de uma das nossas: “Um homem pra chamar de seu, mesmo que ele seja eu“… Contudo mesmo com todo o elenco estando ótimos… a performance de Charlize Theron em “Mad Max: Estrada da Fúria” foi magistral.

mad-max-estrada-da-furia-2015_01Em “Mad Max: Estrada da Fúria” parece que o mundo fora dividido entre três governos tiranos. Com cada um controlando algo muito importante: um é a água, o outro combustível e o terceiro os alimentos. O do combustível parece que queria mais ser um astro de rock (Richard Carter)… Mas é o que detém o controle da água, o tirano Immortan Joe (Hugh Keays-Byrne) o grande vilão dessa história. E é a sua Cidadela que iremos conhecer um pouco mais de perto. Digo isso porque até como o título do filme mostra ele se passa quase todo por estradas num deserto com direito a corridas também em desfiladeiros. Possesso, Immortan Joe, vai pessoalmente, e com todos os outros, atrás dos fugitivos numa perseguição alucinante.

Então é isso! A nova roupagem para a “Saga Mad Max” está aprovada! Já ansiosa para a continuação! Peguem bastante pipoca para não perder nenhum segundo em quase duas horas de filmes! Parabéns a George Miller pelo conjunto da obra! Um filme de querer rever! Nota 10!

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Mad Max: Estrada da Fúria (Mad Max: Fury Road. 2015).
Ficha Técnica: na página do IMDb.

A Família Bélier (La Famille Bélier. 2014)

a-familia-belier_2014E tem um passarinho querendo abandonar o próprio ninho… Mas que para essa gaiola há uma muito chave especial

O filme “A Família Bélier” traz como pano de fundo a entrada para a adolescência, mas muito mais daqueles que não passam o dia com seus celulares nas mãos. Daqueles que já levam uma vida bem mais produtiva ajudando aos pais nos afazeres diários e de onde sai o sustento da família. Nesse em especial, a criação de um pequeno gado leiteiro para o fabrico de queijos. O que já é um convite parra assistir e ver um cenário bucólico. O filme se passa num Um vilarejo na região do Mayenne, na França. É! O filme fala dos que ainda nem descobriram o próprio talento e que o levaria a abandonar o ninho familiar.

a-familia-belier_2014_01Em muitas das vezes o talento é nato precisando apenas vir à superfície, e de ter alguém com um olhar mais apurado, ou mais específico para essa descoberta. Nesse filme veio de um professor: o meio ranzinza Professor Thomasson. Numa bela atuação de Eric Elmosnino. Ele também se sente engaiolado: dando aula de canto numa escola no campo. E o primeiro vislumbre de uma joia rara entre os alunos veio meio que por intuição. Mas esse diamante a ser lapidado parecia estar intimidada até de fazer uso da própria voz…

a-familia-belier_2014_02Em “A Família Bélier” temos então a jovem Paula (Louane Emera). Uma adolescente que se divide entre a escola, a labuta na fazendola, o gerenciar preços de compra e venda desse negócio familiar e além de ajudar a família na feiras de produtores… Sem quase tempo de sobra, correndo de um lado para outro… Tem em seus breves momento de lazer, o conversar com a única amiga, Mathilde (Roxane Duran), e que esta está sempre levantando o astral “cansado” da Paula. Pois é! Com tantas atividades diárias, Paula nem tem tempo para os “dramas” tão comuns na adolescência, principalmente dos sem responsabilidades… Mas eis que nesse novo ano letivo para bagunçar o coração dessa jovem, surge um belo príncipe, Gabriel  (Ilian Bergala)… É! Até o primeiro amor veio nesse pacote surpresa…

a-familia-belier_2014_03Assim temos Paula tentando conciliar tudo que veio num rompante mexer com sua vida de corre-corre rotineira. Onde o cuidado maior estaria em cortar o cordão umbilical, mas muito mais dos pais para com ela… E essa inversão se dá pelo fato de que seus pais – Rodolphe (François Damiens) e Gigi (Karin Viard) – e o irmão caçula (Luca Gelberg) serem surdos. Paula era a ponte que ligava essa família ao mundo sonoro e um onde quase ninguém sabia a língua dos sinais. Fora ela, apenas um outro morador local que conhecia, o Rossigneux (Bruno Gomila), mas tendo esse um certo retardamento mental tal feito o levava a não ter o mesmo jogo de cintura em “traduzir” o humor ácido de Rodolphe… Humor esse que nos leva a certas situações cômicas. Até porque saindo do lugar comum, as falas são um dos pontos altos do filme.

lingua-dos-sinaisO filme “A Família Bélier” é mais um a não fazer uma dramalhão com certas limitações pessoais, tal e qual em “Os Intocáveis“, de 2011. A surdez na família em questão é mostrada com humor. Claro que há momentos que levariam qualquer um ao desespero na vida real. Mas o filme não veio para isso, seria mais para mostrar que assim como essa filha que eles também poderiam encontrar um jeito de ficarem mais independente dela. E assim deixá-la seguir seu próprio caminho. Ele mostra o dia a dia da família de surdos, até dos voos de alguns deles, como o pai querer adentrar na carreira política… Mas mais para mostrar a ligação dela para com eles. Sim! Porque esse filme é dela, da Paula!

a-familia-belier_2014_04Gente! É Cinema Francês! Logo sem nenhuma pressa em contar uma história. Dessa em questão, de uma deliciosa e até comovente momento na vida de uma jovem onde tudo acontece quase ao mesmo tempo. Onde o peso maior será abandonar a família. Nas esperanças e desistências dessa tomada de decisão. De uma adolescente que a vida a levou a amadurecer antes do tempo. O que dificulta ainda mais a ir adiante com a cara e a coragem, sem medo de ser feliz. Tendo como bagagem o talento recém descoberto. Ficar, seguir… Tendo apenas a certeza de que sempre terá um ninho para voltar. Até porque ela nunca deixará de ama-los. E mesmo sendo uma Comédia, não deu para segurar as lágrimas em dois momentos: um deles da Paula “cantando” para o pai…

Então é isso! O filme “A Família Bélier” é Nota 10!

Por: Valéria Miguez (LELLA).

A Família Bélier (La Famille Bélier. 2014)
Ficha Técnica: na página no IMDb.

O Amor é Estranho (Love is Strange. 2014)

o-amor-e-estranho_2014É! O amor é estranho por levar a uma decisão que deixará ambos felizes, mesmo tendo consciência que isso terá consequências desagradáveis. Mas pelo momento em si, vai lá e faz assim mesmo! Arrojo, maturidade…? Pode ser… O amor é estranho por levar alguém a ficar de longe admirando a pessoa amada, e que depois descobre que ela fazia o mesmo, e que mesmo assim travou o desejo da aproximação. Timidez, inexperiência…? Poder ser… O amor é estranho por fazer alguém a ser quase coadjuvante na vida do outro até que decide protagonizar a própria vida quando então o outro descobre o quanto esse amor era importante. Seguir em frente? Dar outra chance?… São certezas, dúvidas que permeiam a todos, principalmente em relacionamentos… No fundo é quase um momento de olhar no espelho e dizer amigavelmente: “Olá, estranho!

Muito bom quando se vê uma Hollywood colocando como protagonistas um casal homo e que por décadas levam uma vida plena de amor! Não que isso seja o pano de fundo em “O Amor é Estranho“, mas sim porque isso é que se deveria ver em toda a sociedade moderna. O que o filme traz são as incongruências das e nas atitudes que as pessoas são levadas a fazer em nome do amor. Até pela atitudes destemperadas por falta de um diálogo mais franco. Que às vezes nem se trata de ser por falta de amor, mas sim por acumular coisas mal resolvidas. Até pelo imediato de não pesar prós e contras… Indo por uma boa intenção… Levando então as explosões que poderão deixar feridas… E aí é cada um assumindo de um jeito próprio por mais estranho que isso possa parecer.

o-amor-e-estranho_2014_01Em “O Amor é Estranho” o casal Ben (John Lithgow) e George (Alfred Molina) após décadas de uma relação cheia de amor resolvem oficializar a união. Família e amigos comparecem até para abençoarem o gesto. Acontece que sai das intimidades desses lares… incomodando a Igreja. Tudo porque George dar aulas de Música num Colégio Católico. Todos – pais, alunos, corpo docente – até sabiam da relação dos dois, mas ao colocar num papel… O Diretor da instituição se vê obrigado a seguir a um outro papel: onde o casamento de George e Ben peca contra os preceitos da religião.

Com isso, só a renda da aposentadoria de Ben e somada as aulas particulares de piano dadas por George não dariam para cobrir todos os gastos de onde moravam. Decidem vender o imóvel e comprar um mais acessível aos bolsos dos dois. Mas até lá precisariam ficar de favor na casa de alguém. Ben então vai para a casa do sobrinho Elliot (Darren E. Burrows) e George vai para a casa do filho Roberto (Manny Perez). E é quando se convive sob o mesmo teto com esses familiares que a coisa começa a desandar.

o-amor-e-estranho_2014_02Elliot é casado com Kate (Marisa Tomei) e têm um único filho, o “adolescente” Joey (Charlie Tahan). Kate trabalha em casa: é escritora. Ben dorme numa beliche no quarto de Joey que não gostou nada dessa intromissão. Ben fica sem saber onde passar as horas do dia, sem querer também incomodar Kate que está escrevendo um novo romance… Para piorar essa nova vida dos quatro… Algo vem à tona: um temor de Elliot em relação ao próprio filho. É! Na intimidade de um lar é que se conhece de perto alguém… Mas mais do que uma panela de pressão prestes a explodir… É de Ben que Joey recebe uma real atenção, e mesmo tendo sido tão rude com o tio. Se na outra casa é por demais silenciosa… Na casa de Roberto que vive maritalmente com Ted (Cheyenne Jackson) mais parece uma boate onde todas as noites acabam em festas. Levando George a poucas horas de sono, e acabam deixando-o sem paciência durante as aulas… À primeira vista pode-se achar que Ben e George deveriam ter trocado de casas: um poderia dormir à noite e o outro durante o dia. Enfim, mesmo parecendo terem errado nessa “estadia provisória”… Foi devido a uma dessas baladas noturnas da casa do filho que George conheceu Ian (Christian Coulson) e…

Fora um jeito do destino tentar reorganizar a vida de todos? Mesmo já tendo abalado alguns dos relacionamentos? Essa nova virada ainda estaria em tempo para aproveitá-la? As feridas se cicatrizaram? Pode até ser… Pois tendo amor no coração ele tambem deixa um convite a fechar um capítulo, tendo novas páginas para seguir em frente até como se nada tivesse acontecido… Afinal, o amor é estranho mesmo!

o-amor-e-estranho_2014_diretor-e-proagonistasO Diretor Ira Sachs merece aplausos pelo conjunto da obra: atuações, trama, trilha sonora…! Um filme que pelo o que consta gerou polêmica nos Estados Unidos até pela “liga da moralidade e dos bons costumes” a MPAA – órgão censor daquele país -, que classificou-o como inapropriado para menores de 17 anos. Caramba! Só por beijos na boca entre homens? Mas enfim, querendo saber mais sobre essa tal MPAA, sugiro o Documentário “Este Filme Ainda Não Foi Classificado“, do Diretor Kirk Dick. Há um porém nesse filme e numa fala que o liga ao Brasil, a um certo estigma, e que eu fiquei sem entender até porque quem também assina o Roteiro é o brasileiro Mauricio Zacharias (de “O Céu de Sueli”). Ele bem que poderia não ter colocado tal estigma. Seria ele um “coxinha”?

No mais, “O Amor é Estranho” é muito bom! Merece ser visto! Quanto a rever, quem sabe algum dia… Nota 08!

O Amor é Estranho (Love is Strange. 2014)
Ficha Técnica: na página no IMDb.

Livre (Wild. 2014). A Jornada de uma Rebelde Sem Causa

livre_2014_filmeEm “Livre” temos a jornada de uma rebelde sem causa em que só vai tomando consciência disso milha após milha, vendo passar diante de si – em flash back para nós – a vida que levava e que reclamava tanto. Queria tanto sofisticação e dinheiro, mas se entregara às drogas pesadas numa vida promíscua… Reclamava do pai, mas nem enxergava o real valor da mãe que pode não ter dado a vida de luxo que tanto queria, mas dera amor e ótimas lições de vida… E após o destino ter levado sua mãe ainda na flor da idade… essa jovem resolve carregar também todas as suas “assombrações” (Sombra – Jung) percorrendo a pé uma longa trilha e fazendo dela o seu próprio purgatório…

Completaria toda a trilha da Costa do Pacífico? Quantas e quais bagagens iria deixando pelo caminho? Entenderia o quanto desperdiçou de tempo de vida? Por que escolhera essa longa caminhada e em contato com uma natureza ainda selvagem? Percorrendo em grande parte sozinha o que nunca fora ligada a uma vida assim em contato direto com a natureza. Se até odiava… Enfim, vejam o filme! Que daqui por diante terá spoiler!

Nos últimos anos agi como ela se fosse nada. Mas ela era tudo mesmo.”

livre-2014_laura-dernEnquanto essa jovem se auto destruía – sexo com qualquer um e muita droga pesada -, a mãe continuava levando sua vida por eles. Fora esposa e depois mãe em tempo integral. E só às vésperas da morte se deu conta de que não vivera por si mesmo. Nem fora um lance de egoísmo, apenas sentira um certo vazio dentro de si… Quem sabe por conta de nem ter recebido dessa filha um gesto de carinho. Uma filha que em vez de sentir vergonha de si própria, sentia do jeito caipira de ser da própria mãe.

Nós somos ricas em amor.”

Um câncer leva a doce e gentil Barbara “Bobbi” Grey. Numa ótima performance de Laura Dern. Uma mãe que ensinou que ela deveria encontrar o melhor de si e se valer dele pois dias piores poderiam vir. Que também ante a fazer uso de uma grosseria que buscasse ser gentil. Pois é! Gentileza gera gentileza… Uma mãe que ensinou a ela que há um nascer do sol todos os dias e que a vida dava a ela a opção de estar lá para ver.

Se sua coragem sumir, vá além.

livre_2014_01A jovem até tentou fazer uma terapia, mas como ainda não estava pronta… escolhe quase um auto flagelo percorrendo uma trilha muito longa. Para alguém que até então levara uma vida desregrada, e que nunca tivera um espírito desportivo, como também meio que odiava uma vida na roça, a trilha viria como uma punição… Como uma dívida com sua mãe… Onde o cansaço, a dor física, o suor, o frio, o medo… fizesse transpirar tudo fizera até então… Ela era a Cheryl, vivida por Reese Witherspoon que mostrou e bem toda a superficialidade da personagem: da rebelde sem causa que iniciou a jornada.

Cheryl precisava mesmo resgatar a si própria nessa natureza selvagem que também impõem limites e superações. Muito mais do que uma comunhão com a natureza, ela caminhava em direção a sua própria redenção. Assim como em se render de fato ao amor que recebera de sua mãe. Um pouco tarde, mas teria no irmão o sentimento família que antes não dava valor. Assim, Cheryl consegue expurgar o passado, com páginas em branco a vivenciar o presente, com muitas bagagens a menos para a vida que teria pela frente.

livre-2014_reese-witherspoonÀs vezes colocam maquiagem demais, mas nesse aqui faltou. Até para dar mais realidade a atriz Reese Witherspoon pelo o que vivenciou a personagem. A não ser que tenha usado um protetor solar de última geração, já que a pele do rosto continuou como bumbum de neném ao final da jornada de uns quatro meses. Teria vindo a calhar uma maquiagem que mostrasse por todas as intempéries que enfrentou. Mas enfim, sua performance foi excelente!

O filme “Livre” muito bom! Parabéns ao Diretor Jean-Marc Vallée que soube contar e bem essa biografia de Cheryl Straved. O cenário da trilha da Costa do Pacífico é belíssimo. A Trilha Sonora também atua como um ótimo coadjuvante! Vale muito a pena ver! Mas não me deixou vontade de rever. Nota 08!

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Livre (Wild. 2014). Uma Jornada de uma Rebelde Sem Causa
Ficha Técnica: na página no IMDb.
Baseado no livro “Livre – A Jornada de Uma Mulher Em Busca do Recomeço”, de Cheryl Strayed
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