O Capital (Le Capital. 2012)

o capital_2012Costa-Gavras consegue magistralmente fazer uma releitura light das ideologias amareladas pelo tempo de “O Capital” de Karl Marx, numa forma brilhante e bem humorada, impossível de não se aplaudir. Essa mesma história tão sonhada por Seguei Eisenstein e idealizada numa megaprodução pelo alemão Alexander Kluge com aproximadamente nove horas e meia, uau, certamente já é um clássico e confesso, tenho muita curiosidade de em algum momento, quem sabe, deleitar-me dessa preciosidade acompanhada do descompromisso diário da labuta e talvez pausa apenas para um café.

Pelos ideais filosóficos do capitalismo, desde que o mundo é mundo, o dinheiro é a própria religião, fala mais alto, é porta-voz da humanidade, manda quem TEM. Tudo é possível com ele comprar, tudo pode desde o luxo, beleza, prazer e o próprio status.

Capital e Poder quase sempre caminham juntos. Para quem tem, portas são abertas com mais facilidade. Compra-se até a liberdade e amigos.

E “O Capital” do século XXI, mesmo Costa-Gravas pegando leve, mostrando um lado humano menos materialista, mas não tão diferente: o cidadão continua escravo do capital; sabe-se que ele nasce bom, até que lhe é dado um pouquinho de poder capaz de transformá-lo em Robin Hood que tira dos POBRES para dar aos RICOS, numa odisseia ilusória que parece não ter fim. E paralelamente a essa história, entra em cena a profissão rotulada como a mais antiga do mundo sob a fantasia de uma bela modelo tentando a qualquer custo “comprar” ou quem sabe, “vender” momentos felizes na sonhada companhia do poderoso chefe de um importante banco também num jogo de sedução perguntando ao espectador quem afinal é a prostituta? Ele? Ela? E quem afinal acaba pagando para devorar quem? Em um mundo consumista leva vantagem o voyeur.

O filme tem ótimas sacadas nas entrelinhas. Convidativo como só Konstantinos mesmo fazer seu público merecer essa joia rara de presente. O Capital é uma ilusão. Bravo!
E.B.

Livro: Depois do Baile (Leon Tolstoi. 1903)

Moscovo I – Wassily Kandinky, 1916, óleo sobre tela

Mazurka é o nome de uma dança tradicional de origem polaca, feita por pares, formando figuras e desenhos diferentes. Certas coisas são fáceis de se compreender e outras não devido à sua complexidade. Há anos atrás, li um conto que, de certa forma, mexeu com o meu emocional. Aconteceu comigo como aquela brincadeira que fazemos com as palavras ao dizer “entendi, mas não compreendi”, mas contando aqui talvez você compreenda.

A vida é feita de pólos divergentes. Antíteses e paradoxos.

Tudo aconteceu DEPOIS DO BAILE. Um conto de Tolstoi. Fiquei anos com a história martelando dentro de mim… e de repente, como acontece com certos sonhos que vira e mexe se repete, voltei a me lembrar… É uma história de amor à primeira vista do jovem Ivan pela encantadora Várenka. Foi um encontro casual num baile e ambos dançaram juntos a mazurka praticamente a noite toda. Ele se encantou pela moça e a descrevia sempre como linda e deslumbrante; a jovem tinha uns dezoito anos na época e era o centro das atenções. O seu sentimento por ela era correspondido. Ele chegou a conhecer inclusive, o seu pai também naquela mesma noite.

De fato, tudo aconteceu DEPOIS DO BAILE. Ivan viu a sua vida inteira se resumir naquele único dia; toda ela foi radicalmente transformada por aquela infinita e inesquecível madrugada em que ele conheceu o BEM e o MAL. A partir daí sua vida nunca mais foi a mesma.

Assim como eu me lembrei dessa história, aconteceu com Ivan. Depois de muitos anos ele relembrou aquele dia e contou para os seus amigos. Contou que Várenka se casou, teve filhos e mesmo estando numa idade avançada, ele a admirava, e a achava linda e simpática. Passagem da vida de Ivan que modificou o seu modo de pensar. Depois de anos ele repensou seus valores. Concordo que certas experiências são universais, capazes de modificar a condição humana individual.

E a medida que ele ia contando aos amigos esse fato, as suas lembranças daquele dia e pensamentos afloravam. Ivan contou que conheceu o pai da jovem também naquele baile. Ele era um militar do exército. O coronel se retirou mais cedo do baile deixando a sua filha ficar um pouco mais naquela festa, talvez até o fim. A noite foi esplêndida para Ivan. Viu-se perdidamente enamorado pela jovem. Foi o dia mais feliz de sua vida.Trocaram olhares e e-mails. Este último é por minha conta.

Como acontece com o conteúdo de uma garrafa que, após a primeira gota vertida, começa a fluir em grandes jatos, também na minha alma o amor por Várenka liberou toda a capacidade de amar que se ocultava no meu íntimo.”

A felicidade de Ivan durou pouco. Ao partir, foi testemunha de algo desagradável que aconteceu no caminho. Ele, DEPOIS DO BAILE, ouvia outro tipo de música que era do tipo áspera, desagradável e maldosa acompanhado ao som de flauta. Eram soldados castigando um tártaro por tentativa de fuga. O tártaro foi maltratado de inúmeras formas, espancado, surrado e arrastado por aqueles militares que apenas cumpriam ordens vindas de seu superior e numa procissão pelas ruas cobertas de neve tudo sob o comando do coronel, pai de Várenka.

Ivan teve em uma única noite a melhor e a pior experiência de sua vida. Conheceu o Amor (bem) e a Dor (mal) no mesmo dia. As pessoas sabem de coisas que não sabemos. Foi exatamente isso que Ivan pensou do coronel.

Se eu soubesse o que ele sabe, talvez eu o compreendesse, e aquilo que eu vi, não me atormentaria assim.”

E por causa dessa noite, Ivan nunca mais foi o mesmo; sua vida inteira foi transformada por esse dia. E ele próprio chegou à conclusão que não prestou para nada. É claro e lógico que ele contando isso aos amigos, eles, evidentemente, não concordaram e achavam tudo isso uma grande tolice. Eles ficaram intrigados com a questão sentimental de Ivan, o que aconteceu com todo aquele amor e por que a sua amada se casou com outro? Então perguntaram:

- Bem, e o amor? Em que deu?
– O amor? O amor, daquele dia em diante começou a minguar. … o amor definhou e acabou.”

Não se chega ao fim sem se passar pelo início; não se morre sem se ter nascido. Trocar uma margem pela outra elimina a possibilidade de totalização. Pode-se até escolher entre a noite e o dia. A aurora  é uma nova possibilidade. Bom quando se faz a coisa certa, mas errar faz parte. Os opostos se atraem: amor e ódio, bem e mal, guerra e paz… dois lados de uma mesma moeda. Uma coisa existe em função da outra.

Às vezes é necessário esquecer o que nos ensinaram e tentar aprender sozinho, pois só assim se acerta ou se erra ainda mais. Adquire-se experiência. Certas passagens da vida ficam registradas para sempre. Guarda-se o que se quer. Lembranças que não se escolhe podem vir à tona quando menos se espera. O ser é resultado daquilo que lê, que come, que faz, que vive; são tantas as possibilidades que o permeiam… do nada pode-se viver situações inusitadas….agora, por exemplo você lendo isto, poderia estar fazendo outra coisa….

Decerto, DEPOIS DO BAILE, depois de um filme, depois do almoço, depois de um beijo, depois de uma leitura de um poema ou um conto… não se é mais o mesmo.

As coincidências do mundo ficcional não são obras do acaso. Tudo depende das circunstâncias. Ela imita a arte da vida.

Anos depois, Ivan, ao contar essa história aos amigos o modo de pensar já era outro; o que ele viu e viveu no passado poderia ser uma perversão. Se a história do tártaro aconteceu era porque alguma coisa eles sabiam que Ivan não sabia, e ele nunca descobriu o que era. E ele conclui que é uma das coisas que podem modificar e dirigir a vida de um homem para sempre.

E a questão do ‘entender e não compreender’ achava terrível e inconcebível que uma obra ficcional não terminasse na forma convencional do ‘Foram felizes para sempre’ como acontece nos contos de fadas.

Na Arte tudo é possível. Relendo um livro, facilmente se consegue tirar novas conclusões, repensar valores e alterá-los; já na vida, devido a muitas circunstâncias diferentemente da ficção, pode-se também rever conceitos e até modificá-los. É difícil, mas não impossível.

Depois do Baile – Leon Tolstoi – Cotação: *****

Abraham Lincoln: O Caçador de Vampiros (Abraham Lincoln: Vampire Hunter. 2012)

O filme “Abraham Lincoln: O Caçador de Vampiros” é uma obra cinematográfica deliciosa e divertida de se assistir, recheada de efeitos especiais e muitas alegorias linguísticas, tomando emprestadas principalmente a metáfora de que criaturas vampirescas coabitam com o ser humano e deste se alimentam. São ideias muito bem construídas e arrematadas, e aqui bem exploradas, deixando claro a partir de seu subtítulo de que eles existem, estão por toda parte sugando mais que a matéria, até a última gota da alma, e por isso, só mesmo alguém de coragem para livrar-se dessa praga, cortando o mal pela raiz.

É uma adaptação livre do romance de Seth Grahame-Smith, sendo ele próprio responsável por roteirizar tão eficientemente quanto a direção impecável de Timur Bekmambetov que procura manter num ótimo enquadramento entre muitos planos e em close a ideia central dos fatos reais em torno da biografia de um dos maiores e mais queridos presidentes americanos – Abraham Lincoln – mesclando, na dose exata, fatos ficcionais com verídicos. E com muita competência, numa miscelânea, transforma esses dois importantes gêneros artísticos – o literário e cinematográfico – que mesmo sendo linguagens distintas cria uma nova e singular obra e fantástica de se testemunhar. E o resultado não poderia ser melhor ao gênero inventivo escolhido que não foi possível rotular. As imagens são eloquentemente bem construídas.

O prólogo nos apresenta rapidamente, em flashback, Abraham Lincoln como presidente dos EUA, e durante os primeiros anos de sua vida, mostrando um jovem de futuro promissor, de personalidade e caráter marcantes, lutando bravamente contra os que representam perigo à família e aos amigos, ou sanguessugas da nação, na obra representada por vampiros, esses são seus inimigos declarados e que para se libertar desses mal e defender tudo o que acredita ser certo, ele aprendeu desde cedo que é preciso ir à guerra, preparando-se, primeiramente, a retórica, daí, só mesmo estudando leis do direito civil para não ferir a Constituição e posterior defesa pessoal.

O homem nasce bom, o vampiro é que o corrompe. Porém, nem todo homem é somente bom, seria fácil se assim fosse, mas sempre se opta e se torce que esse lado se sobressaia à maldade humana. Pode-se ter um amigo não tão anjo como se espera, e quando a amizade é verdadeira, respeito e admiração às vezes são mais importantes que nos próprios laços sanguíneos. E o personagem Abraham Lincohn tinha um amigo vampiro que lhe abriu os olhos e lhe revelou muitas coisas como também o ensinou a lutar.  E vampiro bom e que se preze precisa se cuidar e se proteger com um bom filtro solar, senão…

benjamin-walker_abraham-lincoln-cacador-de-vampirosQue arma escolher, Senhor Presidente? Entra em ação a simbologia do “machado” objeto considerado destruidor de bloqueios e barreiras. O machado é um objeto pesado, cortante e dilacerante feito de aço e de madeira que um dia foi vida, representando Liberdade. Enquanto o direito do homem de ser livre não for respeitado, todos sofrerão as consequências e considerados escravos, sem o direito de ir e vir, de pensar, falar, decidir e muito mais.

A liberdade justa é uma conquista diária e uma luta sem fim.

E a obra é quase que politicamente correta: a luta contra o bem e o mal, devendo sempre prevalecer o bom senso daquilo que se almeja conquistar nas batalhas da vida não tão simples como parece e que se gostaria que fosse. E quem conhece a história desse Presidente, sabe que não foi tão fácil assim, e que a vida não é uma peça de teatro, e o povo não é mero espectador. A vida é um palco e seu protagonista contracena com conflitos diários, chancelando a sangue cada página escrita na busca de um final feliz esperado, mas que nem sempre será possível e com direito a aplausos e pedido de bis! O espetáculo não acaba ao correr da cortina. Faz-se intervalo para que dê oportunidade de todos atuarem, sem exceção,  mesmo que em pequenos papéis ou como figurantes.

Uma obra de muita ação, suspense, aventura e humor inteligente e ainda permeados por fatos e citações históricas do período da guerra civil americana. Bom poder recordar essa senhora aula de história universal.

O ator Benjamin Walker está bem à vontade na pele do presidente, além do carisma, seu  porte físico – altura, peso tudo nos conformes. Muitas cenas de ação e efeitos especiais bem produzidas, além de  cenários e trilhas sonoras impecáveis! Diversão garantida!

Para quem gostou do filme, fica a dica: leia o livro! É a arte imitando a vida.

Karenina Rostov
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Abraham Lincoln: Caçador de Vampiros (Abraham Lincoln: Vampire Hunter. 2012). EUA. Direção: Timur Bekmambetov. Roteiro: Seth Grahame-Smith, baseado em seu próprio livro. Elenco: Benjamin Walker, Dominic Cooper, Anthony Mackie, Mary Elizabeth Winstead, Robin McLeavy, Marton Csokas. Gênero: Ação, Fantasia, Thriller, Terror. Duração: 105 minutos.

O Expresso Polar (2004). Meu filme natalino favorito

O Expresso Polar” foi um dos filmes natalinos mais sublimes que já assisti (ultimamente, claro!) e, tão marcante…

Ele traz uma mensagem singela em forma de fábula e nos faz embarcar numa aventura fantástica, num expresso, num trem negro surgido no meio da noite, do nada, envolvido em brumas, para um passeio surreal, juntamente com outros passageiros escolhidos a dedo, sonhadores, realistas, descrentes, passionais… mas, enfim, um desejo maior e ardente que era o de querer fazer parte daquele mundo e descobrir o que havia de tão especial e de mágico que essa viagem proporcionaria, nos conduzindo uma vez ao ano, nos fazendo sonhar acordado a um mundo onde acredita-se ainda ser possível devanear, e continuar na eterna busca daquele presente tão desejado, aquela jóia preciosa que cada um sabe o seu valor.

O presente nem sempre precisa vir na maior caixa, no melhor embrulho; nem valer pelo quanto pesa; o valor maior é simbólico, ou o prazer que o mesmo irá proporcionar.

O PRESENTE é o AGORA, e ele é o maior presente. E Papai Noel existe. E esse filme realmente nos leva a uma viagem inesquecível.
Karenina Rostov

Uma sutil referência a… ou uma lembrança vaga

Às vezes, assistindo a um filme, nos deparamos em uma determinada cena situações ou aspectos que nos remetem a outro filme. E uma atmosfera gira em torno dessa lembrança que pode sem em forma de música, citações, atores, diretores, lugares, objetos, cenários, enfim, um verdadeiro exercício de memorização, nos leva a uma pesquisa dentro de nosso arquivo-morto ou atual.

Recentemente assistindo ao Pai e Filha do diretor japonês Yasujiro Ozu, a tia da protagonista faz referência ao ator Gary Cooper dizendo achá-lo parecido com o rapaz que é o amigo da família. Ele foi citado tantas vezes que acabei aprendendo o seu nome verdadeiro: Frank James Cooper.

No filme O Nevoeiro do diretor Frank Darabont, baseado na obra do mestre do terror Stephen King, o ator David Drayton (Thomas Jane) é um artista que cria cartazes para filmes de Hollywood. Enquanto está em seu ambiente de trabalho, aparece num canto da parede o cartaz de A COISA, (The Thing) de John Carpenter (aqui no Brasil foi batizado de O Enigma do outro mundo).

E a cena do carrinho de bebê descendo as escadarias de Odessa, do clássico Encouraçado Potemkin de Serguei Eisenstein, inspirou a cena final de Os Intocáveis de Brian de Palma escrito por David Mamet, sem dúvida a arte imitando brilhantemente a arte. Dois momentos emocionantes.

E as lembranças e citações não param por aí. Gosto de encontrá-las. Se acaso você se lembrar de alguma…

Karenina Rostov

Monty Python: A Autobiografia de um Mentiroso (The Untrue Story of Monty Python’s Graham Chapman. 2012)

Festival do Rio 2012 e um dos filmes assistidos: Monty Python: A Autobiografia de um Mentiroso

As chamadas para comemorar mais um Festival de Cinema do Rio 2012, soa bonito e charmoso: “Rio de Janeiro é a capital do cinema… Acorde o cinéfilo que há em você!”. Uma invasão cinematográfica, pacífica, celebrando a parceria entre a Cidade Maravilhosa e Londres, iniciada com a passagem da tocha olímpica de lá para cá. A operação ganhou o nome de Foco Reino Unido e o palco das ações é o Festival do Rio 2012. Os homenageados são Alfred Hitchcock, James Bond…Homenageando também Alberto Cavalcanti, o primeiro cineasta brasileiro a fazer carreira internacional. Bravo!Na minha programação não poderia faltar Monty Python, claro! O filme Monty Python: A Autobiografia de um Mentiroso levou muitos de seus fãs à sala escura. Sessão esgotada. Enredo formidável!

A história alterna gravações feitas pelo falecido Graham Chapman, com trechos de filmes antigos do grupo, mesclando muitos símbolos e metáforas visuais com irreverência e bons momentos de risadas nos episódios destacados e bem escolhidos para compor sua “biografia” representando as memórias deste ícone do humor inglês.

Uma ótima ideia, por sinal, mas não feita para agradar a todos pelo tipo de humor em estado bruto, nonsense, que às vezes peca pelo excesso. Muito bem produzido, passando pela escolha do formato em esquetes, uma total identificação com o biografado, investindo em vários estilos de animação, do mais pueril ao mais rebuscado, mesclados por transições para dar continuidade aos episódios escolhidos da “Vida de Brian”. Algumas partes, concordo, poderiam ter sido suprimidas ou compactadas e, assim, atrairia novos olhares, outros admiradores, quem sabe…

Alguém no cinema argumentou que faltou algo. E lhe responderam num tom de brincadeira que o falecido não compareceria àquela sessão porque no momento estava muitíssimo ocupado. E surgiram outros comentários até de que poderiam reeditar certas passagens, enxugar e fazer novos arremates entre uma composição final e início de outra história. Mas para quê tanta perfeição, exigir tanto do grupo humorístico excêntrico por excelência? Um ajuste mínimo na edição entre o final de uma animação e o começo de outra? Poderia mutilar a obra, perderia sua essência.

Recheado de ótimos diálogos, piadas refinadas, requintadas e também insossas!?! E o obvio! Como assim? Só mesmo Monty Python, pra variar – faz parte – desta vez e sempre. Inegavelmente uma grande produção, que apesar da composição tratar de trechos isolados, perdeu-se num determinado momento o fio da meada, perdendo, assim, a grande chance de ser um dos aclamados deste festival.

Com três diretores e envolvendo quinze diferentes estúdios que produziram dezessete estilos de animação para representar as memórias e mentiras de Graham, mas que, lamentavelmente, alguns fãs torceram o nariz comentando, ao término da sessão que Chapman não merecia essa “homenagem”. Perfeito! Seria estranho se agradasse a todos, não acha?

Uma das brincadeiras feitas por um dos diretores presentes no lançamento do longa foi o ponto alto da noite, muito válido e criativo ao apresentar para o público a sepultura do Graham com os seguintes dizeres numa placa: “Desculpem, não poderei estar à noite com vocês”. Final emocionante e ousado. Aplausos!

E os anfitriões encerraram citando Alberto Cavalcanti como cidadão inglês. Detalhe: este genial diretor é muito mais que isso: Ele é brasileiro e cineasta do mundo. Seria trágico se não fosse cômico. Fãs do diretor brasileiro não ficaram bravos. Bravo!
Karenina Rostov

Nota 9,0.*

Monty Python: A Autobiografia de um Mentiroso (A Liar’s Autobiography – The Untrue Story of Monty Python’s Graham Chapman, Reino Unido, 2012). Dirigido por Bill Jones, Jeff Simpson, Ben Timlett. Com as vozes de Graham Chapman, John Cleese, Terry Jones, Terry Gilliam, Michael Palin, Carol Cleveland e Cameron Diaz.