Lembranças (Remember Me. 2010)

Remember Me, Lembranças e Robert Pattinson

Para quem conhece o trabalho do ator Robert Pattinson somente das histórias vampirescas ou de aprendiz de feitiçaria, não imagina que o rapaz é um pouco mais que um rosto bonito; ele tem um talento singular e seu público cativo certamente não faz ideia, podendo se surpreender com outros trabalhos de sua filmografia. A Prova está em duas de suas últimas atuações: o drama “Remember Me” (Lembranças) e “Poucas Cinzas” - neste último ele protagoniza o pintor surrealista Salvador Dali quando jovem.

Em Remember Me, Robert Pattinson é Tyler, um rapaz rebelde, sofrido e traumatizado por ter perdido o irmão mais velho, difícil para ele, tão jovem, entender e aceitar a morte desse ente querido. Além disso, enfrenta outras questões de ordem familiar: desentendimento com o pai, assuntos particulares mal resolvidos e a mais delicada de todas é que ele se sente responsável pela irmã caçula o qual cumpre muito bem esse papel dedicado, zelando por ela que é vista pela sociedade como uma garota problemática ou ”diferente”, os pré-conceitos da vida, e lhe dá apoio e carinho na medida certa. A tristeza parece ser sua companheira inseparável instigando-o a amar profundamente pessoas a seu redor, seus amigos e por fim sua namorada, sem aquela necessidade ou cobrança de declarações verbais exageradas como de praxe, e sempre que possível procura se afastar de estranhos, mantendo-se numa redoma invisível de proteção, não se importando muito com o que pensem a seu respeito. Isso faz lembrar um determinado personagem saído das páginas da literatura dando um tom bucólico encantador e quase que não permitindo acesso ao mundo arbitrário, cortando a comunicação entre o real e a fantasia.

O filme é comovente, porém, trágico do início ao fim, deixando sequelas e marcas na alma dos mais emotivos. A história é ambientada em Nova York de 1991, mostrando um violento assassinato de uma mãe bem diante da pequena filha e também diante do espectador. Dez anos depois Tyler (Pattinson) transformou-se num rapaz atormentado e triste. O filme é recheado de detalhes que envolvem fatalidades e semelhanças com o mundo real. Uma mera coincidência? Uma história por assim dizer, emblemática, impossível esquecer, ou simplesmente passar a borracha e apagar da memória; são fatos que se carregará como uma cruz para o resto da vida. Mesmo não sendo dono da história são lembranças que deixam cicatrizes profundas em nossas mentes. Era uma vez… o conto pega carona na tragédia de um povo, usando como pano de fundo para contar outra fatalidade.

Parece mesmo que o galã Robert Pattinson amadureceu…. E eu nem sou fã dele. “Lembranças” é um belo e singelo filme.

Tyler Roth (Robert Pattinson) sente-se frustrado por tentar se recuperar emocionalmente e enterrar de vez a tragédia que marcou sua vida, mas sua luta parece ser em vão. Durante muito tempo a dor continua intensa, difícil de superar.  Nesse meio tempo, ele conhece Ally (Emile de Ravin), a filha de um policial, que teve a mãe brutalmente assassinada. Percebendo que pode compartilhar seu pesar com ela, os dois acabam se apaixonando e o nobre sentimento começa a libertá-lo da angústia. Tyler descobre que a perda pode ser superada e a amargura que envenenava sua alma pode ser curada a partir desse envolvimento na companhia de Ally.

Não se trata de uma obra fácil e Robert Pattinson acaba carregando “Lembranças” nas costas. O desfecho inesperado pode decepcionar aos amantes de finais felizes, mas talvez concluam que o investimento foi válido porque o fato trágico lembrado aqui é suficientemente complexo para qualquer entendimento da razão humana. E finaliza unindo os laços afetivos que havia se perdido.

O filme basicamente usa a tristeza como alegoria. Talvez por nos remeter a fatos do mundo real ainda latente. Vale conferir porque a vida é feita de momentos.
Karenina Rostov

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Diretor: Allen Coulter

Elenco: Robert Pattinson, Emilie de Ravin, Chris Cooper, Lena Olin, Pierce Brosnan, Martha Plimpton, Peyton List, Ruby Jerins.
Produção: Carol Cuddy
Roteiro: Will Fetters, Jenny Lumet
Fotografia: Jonathan Freeman
Trilha Sonora: Marcelo Zarvos
Duração: 113 min.
Ano: 2010
País: EUA
Gênero: Drama

Isto Não é um Filme (In Film Nist. 2011)

É triste saber que enquanto em determinados lugares sobra liberdade e não se sabe exatamente o que fazer com ela, desperdiçando-a, em outros sobra entusiasmo, força de vontade e boas ideias, mas infelizmente esbarra na censura e não liberdade de expressão. É o que aconteceu com o diretor iraniano Jafar Panahi condenado a seis anos de prisão domiciliar e vinte proibido de fi…lmar.

Jafar encontrou uma brecha e conseguiu produzir “Isto Não é Um Filme” para nossa felicidade possibilitando o espectador a lamentavelmente saber que a repressão é uma realidade em pleno século XXI, e que este “não-filme” conseguiu sair de seu país de maneira clandestina, através de um mero pendrive escondido dentro de um bolo.

Parabéns ao diretor por estar dando voz aos outros diretores iranianos impossibilitados de realizar seus trabalhos, mesmo sabendo que está correndo risco de sofrer punições com a produção caseira agora espalhados pelos quatro cantos do mundo.

Sonhar ainda é permitido em qualquer nação… bom que ele encontrou um meio de partilhar este seu sonho com o publico. Agradeço profundamente pela coragem e ousadia.
Karenina Rostov
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Isto não é um filme (In Film Nist, This is not a film. 2011)
Filme iraniano dirigido por Jafar Panahi e Motjaba Mirtahmasb.

Os Gigolôs (2006). Um Filme Moderno e Descartável.

Modernos E Descartáveis

Quem nunca viu um filme que certamente tenha se decepcionado, ou que se pudesse não teria assistido? Filmes que, com perdão da palavra, consideramos um lixo pelas péssimas atuações, direção, roteiro, edição de som ou imagem e outras coisas mais. Considere aqui ‘Moderno’ aquele que é atual, recém-lançado.

Os Gigolôs” é um filme do Reino Unido de 2006, dirigido por Richard Bracewell; um exemplo de péssimo! Ah, dizer que ‘ruim’ é  um elogio. O roteiro engana direitinho. Dinheiro mal investido. A sinopse até que chama a atenção: Em Londres, pessoas solitárias buscam encontros furtivos e, muitas vezes, profissionais, e marcam encontros em ambientes elegantes; Sacha (Sacha Tarter), é o gigolô preferido de senhoras ricas.

Mesmo não gostando de um filme faço questão de ver até o fim, pois sempre penso que pode melhorar ou, bem ou mal, trazer uma mensagem e se tirar proveito. O pior de tudo é que não nos desfazemos dele; é um contato para sempre, pessoal e intransferível com a memória.

Fica o registro.
Karenina Rostov.

A Invenção de Hugo Cabret (Hugo, 2011)

É o filme mais-que-perfeito que vi nos últimos cem anos. Parece que todos os deuses da sétima arte resolveram colaborar com o mestre Scorsese a superar seu próprio recorde de genialidade. Uau! Nessas horas até podemos nos dar ao luxo de esquecer por alguns minutos da eterna pergunta “Quem surgiu primeiro: o ovo ou a galinha?” Ou quem foi que inventou o cinema: Thomas Edison ou irmãos Lumière? Em Hugo, os dois eis que contracenam.

O importante é lembrar que também somos feitos da mesma matéria do cinema e a história resume-se na re-união de todos os elementos desde sua criação.

“A chegada do trem na estação” pode-se dizer que esse veículo sai dos trilhos pegando de surpresa os passageiros na poltrona: um 3D para ninguém reclamar de susto. E um presente com um pouco dos 80 filmes de Georges Méliès foi “A viagem à Lua”,… e as mais acertadas escolhas para nos brindar são as presenças de Christopher Lee, Ben Kingsley, Chloë Grace Moretz, Sacha Baron Cohen, grande elenco, grandes nomes, filme fantástico.

Bravo, bravíssimo!
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Ser ou não ser CINÉFILO?

Presentear é uma arte. Arte no sentido de fazer a escolha certa, aquela que vai realmente agradar ao presenteado. De aniversário ganhei uma camiseta e na manga está escrito “Louco por Cinema”. Quem me presenteou é um artista. Gostei tanto que usei no mesmo dia. Exagerou. Não sou tão louca assim por cinema.

Talvez amante da sétima arte que é sinônimo de cinéfilo. E como não há sinônimos perfeitos, fica a dúvida. Entre Cinéfilo e Amante da Sétima Arte existe um abismo.

Considero uma das palavras mais elegantes da língua portuguesa. Cinéfilo é composto por duas partes: cine e filo. Esta última quer dizer amigo, amante. Cinéfilo é, pois, Amante do Cinema.

O filo- de cinéfilo é o mesmo filo que aparece em bibliófilo e filósofo. O primeiro morre de paixão pelos livros. O segundo, pela sabedoria. Imagino o cinéfilo um exímio conhecedor deste universo artístico.

E basta gostar de um filme, uma trilha sonora, uma frase, um ator, diretor, roteiro etc, para que a pessoa rotule-se Cinéfilo, e a questão é que surgem cobranças de se mostrar um profundo conhecedor e dominar e saber tudo e qualquer assunto dessa arte, de modo a andar preocupado em ser cinéfilo, ao invés de apenas ver e gostar de filmes.

São tantas considerações em torno do significado dessa palavra, muito aquém, que quando se assume um cinéfilo de carteirinha cria-se uma expectativa diante das pessoas que passam a exigir que se saiba tudo de um determinado diretor, por exemplo, ou tudo sobre o Oscar, ou ficam desconfiados quando se diz nunca ter assistido a um filme asiático, ou nunca ter ouvido falar em Kubrick, algo assim…

1º Cinéfilo eclético;
2º Cinéfilo nerd;
3º Cinéfilo pipocão;
4º Cinéfilo clássico;
5º Cinéfilo, mas só de filme Europeu;
6º Cinéfilo, só de lançamento;
7º Cinéfilo cult – não assiste a qualquer coisa;
8º Cinéfilo de todos os gêneros;
9º Cinéfilo de suspense e terror;
10º Cinéfilo rato – De festivais ao Anima Mundi.
11º …

It´s a joke!

Cinéfilo: A palavra tem um significado especial, alguém que gosta muito de assistir a filmes, que eternamente ama cinema e atualmente é um simples rótulo e banalizou-se o termo. Não se pode negar que é um entretenimento formidável, faz parte da minha, da sua vida. É essencial, não posso viver sem. E sem rótulo, por favor!

Aos Cinéfilos de plantão, hoje é um dia especial, dia de Festa. OSCARito 2012. Então prepare-se, alegre o seu coração e divirta-se! Em Ultraje a Rigor

Karenina Rostov.

Filmes que Citam Livros

Já falei aqui numa outra ocasião que o cinema está sempre citando os clássicos da literatura ou é a própria literatura.

O livro O Apanhador no Campo de Centeio deve ser o recordista, tanto que já perdi a conta de quantos filmes o citaram, (exagero da minha parte) aparece em “Teoria da Conspiração” e no filme “Capítulo 27“. “Oliver Twist” é o Charles Dickens, não? Woody Allen cita constantemente Dostoievski em suas obras. Em “Match Point”, no desfecho, o protagonista está lendo Crime e Castigo, depois de se tornado assassino, comemorando por não ter sido descoberto (Crime perfeito?). Em O Morro dos Ventos Uivantes é o próprio de Emily Bronte; e é citado no filme “A Proposta”. “Meu Primeiro Amor” cita Guerra e Paz de Tolstói. Já o filme “10 Coisas que Odeio em Você” é o próprio de Shakespeare. O filme “O Clube de Leitura” de Jane Austen que obviamente fala sobre as obras da própria. Em “Um Amor para Recordar“, há uma encenação de obras de Shakespeare. No filme “O Leitor” cita obras de Tchekhov, e por aí vai…

O filme “A Casa do Lago” que revi recentemente, além de citar Persuasão de Jane Austen, cita também o clássico de Dostoiévski, Crime e Castigo, logo na cena inicial na conversa entre mãe e filha:

Kate (Sandra Bullock) – O que é isso?
Mãe – Nada de importante. É um livro do seu pai.
Kate – Dostoievski?
Mãe – Huuuummm, sim! É sobre um homem que quebra o pescoço de uma pobre mulher com um machado. Aí ele se martiriza e se arrepende.
Kate – Gostou?
Mãe – Gostei, muito bom!
Mãe – Hummm, o que está pensando?
Kate – Nada…
Mãe – Quando seu pai faleceu foi penoso…. ao segurar os livros dele eu sinto que está comigo… saber que ele leu as mesmas páginas, as mesmas palavras…

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CRIME E CASTIGO – DOSTOIEVSKI (Fragmentos):

Há muito tempo que já se enraizara e crescera nele toda a tristeza que sentia agora; nos últimos tempos ela se acumulara e se reconcentrara, assumindo a forma de uma horrível, bárbara e fantástica interrogação que torturava o seu coração e a sua alma, reclamando uma resposta urgente.”

Mas a ciência hoje diz: ‘Antes de mais nada ama-te a ti próprio, porque tudo no mundo está baseado no interesse pessoal. Se amares a ti próprio farás os teus negócios como devem ser, e o teu cafetã permanecerá inteiro’.”

Acham que eu estou assim porque eles mentem? Tolice! Eu gosto que eles mintam! A mentira é o único privilégio do homem sobre todos os outros animais. Mente, que vais acabar atingindo a verdade! É precisamente por ser homem que eu minto. Nem uma só verdade poderias alcançar se antes não mentisses quatorze vezes, e até cento e quatorze vezes, o que representa uma honra sui generis; simplesmente, nós nem sequer sabemos mentir com inteligência! Tu mentes, mas mentes de uma maneira especial, e eu ainda por cima te dou um abraço. Mentir com graça, de uma maneira pesssoal, é quase melhor que dizer a verdade igual todo mundo; no primeiro caso é um homem e, no segundo, não se é mais que um papagaio! A verdade não anda depressa, mas podemos fazer a vida correr; há exemplos disso.”

Nesse sentido, efetivamente, todos nós, e com muita frequência, somos quase dementes, com a única diferença que os doentes são um pouco mais loucos do que nós, porque repare, é preciso distinguir. Mas é verdade que não existe o homem normal, de maneira nenhuma; talvez entre dezenas, e pode até ser que entre centenas de milhares, apenas se encontra um, e, ainda assim, em exemplares bastante fracos…

Após ter pronunciado essas palavras tornou a ficar perplexo e empalideceu; outra vez como que uma nova e terrível sensação de frio mortal lhe correu pela alma, de repente compreendeu claramente que acabara de dizer uma mentira horrível, que não só não teria mais oportunidade de falar com ninguém, como jamais teria de que nem com quem falar. Foi tão violenta a impressão que essa dolorosa idéia lhe causou que, por um momento, se esqueceu praticamente por completo de tudo, levantou-se do seu lugar e, sem olhar para ninguém, quase saiu do quarto.”

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Folhear livros que alguém já tenha lido e uma sensação estranha e uma experiência única. Não sei bem quem leu antes de mim ou quantos leram o meu Crime e Castigo comprado num sebo na época de estudante. Ler é viajar através das palavras e quando o livro é usado, então, como diz um filme que fala de livros, é uma “Historia sem Fim“, queremos saber quem, quando, onde, e tudo o mais do livro e dos leitores anteriores, do autor, dos personagens, lugares… lemos e descobrimos novos encantos ao relermos.

K.R.

O Leitor, A Dama do Cachorrinho e Tchekhov

Três histórias de paixão: paixão por Anton Tcheckov, paixão pelo filme O LEITOR e pelo filme OLHOS NEGROS ou  A DAMA DO CACHORRINHO, um dos mais célebres do já citado escritor russo.

A Dama do Cachorrinho é um dos contos mais populares da literatura russa. Tão popular que recentemente se teve a oportunidade de ouvir a história sendo contada pelo protagonista Michael no filme O LEITOR lançado em 2008, e anteriormente também nas telonas sob o título OLHOS NEGROS, em 1987 pelas mãos do cineasta Nikita Mikhalkov. Evidentemente que em 118 minutos de duração, perde-se muito, já que se tem o hábito de comparar alhos com bugalhos, não se pode esquecer que a obra literária e a cinematográfica são linguagens distintas, ficando mais ou menos assim a sinopse do dirigido pelo russo:

A bordo de um navio no final do século XIX, italiano de meia idade conta sua história de amor a um russo. Ao visitar um spa, o homem, ainda casado, conhece uma mulher russa por quem se apaixona. Ela é infeliz no casamento e os dois transam. Ao voltar para casa, o homem está resolvido a deixar a esposa e se casar com a russa.
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Essa história fala sobre desencontros e encontros da vida; casamento, sentimentos falidos, amor, traição, adultério, vergonha, culpa…

Viajando um pouco mais pela obra literária, transcrevo aqui o resumo do conto.

Dmítri Dmítrich Gurov, casado e com três filhos, entediado com a vida matrimonial, há algum tempo passara a trair sua esposa. Mantinha aventuras passageiras com suas amantes e, amargurado com suas fúteis experiências amorosas, passa a referir-se às mulheres com desprezo.

Dmítri morava em Moscou e estava em Ialta, já há duas semanas, para descansar. Lá comentavam sobre uma dama que aparecera à beiramar e andava em companhia de um cachorrinho, como não sabiam seu nome a chamavam simplesmente: A dama do cachorrinho. Interessado, Dimitri a vê em diversos lugares passeando com seu cãozinho, até que, certa noite, ambos jantam no mesmo local e ele tenta aproximação, atraindo o cachorrinho.

Ana Sierguéievna, a dama do cachorrinho, era natural de S. Petersburgo e morava na cidade de S. com seu marido. Também se sentia infeliz no casamento e como estava sozinha em Ialta, conversa com o estranho para diminuir sua solidão. Os dois passaram a se encontrar todos os dias e Dmítri sente-se muito atraído por aquela mulher, até que o marido manda uma carta a Ana pedindo que ela retorne, pois ele está doente. Eles se despedem com a promessa de não mais se verem.

Dmítri retorna a Moscou e não consegue esquecer Ana. Mudado já não trata as mulheres com arrogância e percebe que está apaixonado. Resolve então ir para a Cidade de S. para reencontrar Ana. Descobre onde ela mora, mas não a procura esperando um encontro casual. Vai à estreia de uma peça teatral e encontra Ana que, perturbada com a presença do amante, revela que também não o esquecera, mas pede que ele vá embora, temendo o flagrante do marido.

Ana promete ir a Moscou e cumpre com a palavra. Passa a viajar periodicamente para encontrar o amante. Amam-se com sentimento de culpa, mas se perdoam ao perceber que aquele amor os transformara. Juntos conversam sobre o desconforto do amor às escondidas, pensam começar uma vida nova, mas não sabem como recomeçar. Tornava-se claro para ambos que o fim ainda estava distante e que o mais difícil e complexo apenas se iniciava.
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E por último, a sinopse do filme O Leitor

Nos anos de 1950, pouco depois do fim da Segunda Guerra Mundial, o jovem Michael Berg adoece e passa a ser cuidado por uma bela e estranha mulher, Hanna, que tem o dobro de sua idade. Michael logo se recupera, mas Hanna foi embora. Ao encontrá-la, os dois têm um breve, mas intenso romance. Uma paixão cada vez maior, temperada com as leituras de obras clássicas que Hanna sempre pede para que o amado leia. Apesar disso, Hanna misteriosamente desaparece outra vez. Passados oito anos, Michael é agora um aluno de Direito que acompanha julgamentos de crimes de guerra cometidos pelos nazistas. É nesse momento que Hanna reaparece na vida do rapaz. Mas para a surpresa dele, a mulher está no banco dos réus do Tribunal. Enquanto o passado de Hanna é revelado, Michael descobre um segredo que poderá impactar na vida de ambos.
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O filme O Leitor é uma história bastante fiel ao livro e acaba abordando os mesmos sentimentos como em Olhos Negros: culpa, amor, vergonha, remorso pelo que não foi feito no momento oportuno. Define-se em uma única palavra: Romance. Uma singela história de amor.

A ficção e a realidade nas obras de Tchekhov (con)fundem-se de tal maneira que nos faz devanear tanto quanto o tocante filme O LEITOR, e este, por sua vez em inúmeras nuances de muitas outras histórias sensacionais brindando o expectador duas vezes pelo menos: 1º a obra cinematográfica, e 2º conhecendo histórias da literatura universal. Considerei super válido o diretor Stephen Daldry de uma sensibilidade  ter traduzido o romance do escritor alemão Bernard Schlink em outra linguagem artística, transformando-nos em protagonistas de sua obra, ou melhor, nos colocando na posição de Hanna -  a ouvinte – que se apaixona pelo adolescente Michael na Alemanha após a 2ª Guerra Mundial e ambos começam uma aventura que marcará a vida do rapaz para sempre. Ela tem o dobro da idade dele o que não impede que daí nasça um sentimento de amor e desejo carnal. Há muitas outras diferenças entre o casal.  Em cada encontro, antes do sexo, ela pede que ele leia algo para ela, o que ele faz com prazer, lendo os clássicos da literatura: A Odisséia, Guerra e Paz etc, até chegar em A Dama do Cachorrinho. Ele é O LEITOR e nós somos OS OUVINTES, contracenando com a obra. Relembrei a história com saudosismo. Hanna as ouve com muita   atenção e só mais adiante que se entende o seu drama. É analfabeta. Sente vergonha dessa sua condição e em momento algum revela esse seu “segredo” ao amado.

Culpa dela e vergonha dele. Muito tempo depois quando já não estão juntos é que ele acaba descobrindo isso, por mero acaso esse segredo dela. Ela é julgada e condenada por crimes de guerra, e ele poderia salvá-la da condenação mas por vergonha decide se calar.

Culpa e vergonha são os ingredientes principais na tocante obra O LEITOR. Um filme riquíssimo em significados e interpretações que  levam a questionamentos perturbadores. É sem dúvida uma obra-prima.

A 4a paixão é que sou uma ótima ouvinte. Gosto que me contem histórias interessantes. É uma viagem indescritível. Explicar é impossível. Guardo boas recordações dos tempos de ouvinte. Acho que não tive infância…

Assista ao filme, leia o livro, não deixe de prestigiar. Aproveite para ver também MOSCOU de Eduardo Coutinho e conhecerá um pouco mais de Tcheckov. Deleitem-se! Afinal faz um  bem danado para a alma.

Karenina Rostov

Greta Karenina Tolstoi & histórias mais…

O Velho e o Novo

O mundo atual anda estressante e um pouco assustador, o corre-corre, o avanço tecnológico e suas constantes transformações, tudo isso contribui para me dar um certo medo e frio na barriga. Nem tudo dá para se acompanhar. Eu confesso que parei no tempo.  A mudança rápida de modelos de aparelhos eletrônicos chega a me causar calafrios, e medo é apelido. Onde o mundo vai parar assim? O que mais falta para ser inventado? Não que isso seja ruim, aliás, em qualquer situação, nada de exageros, nem 8, nem 800. Eu simplesmente é que parei na máquina de escrever, parei no PC 486, tenho fitas K-7, tenho filmes em VHS, o toca-discos é movido a manivela, o celular é bloqueado e com um único chip, meu meio de transporte é bicicleta, e ainda gosto de namoro no mundo real, ao vivo e em cores. Nada contra a tecnologia, mas, sei lá, será que precisamos mesmo nos tornar robôs, escravos de objetos e coisas, e mudar de hora em hora de aparelho celular para aquele modelo moderninho, com internet, GPS, mp10, máquina fotográfica, diabo a quatro?

Certamente necessitamos de determinados objetos em nosso dia a dia, e se o que temos suprem nossas necessidades materiais básicas, não vejo motivo para o troca-troca desnecessário. Penso que é uma grande bobagem.

Já sabe que coleciono algumas velharias das quais não consigo abrir mão. Uma delas é o filme em VHS Anna Karenina com a atriz Greta Garbo que não posso, não quero, não devo me desvencilhar. E como descartaria assim Leon Tolstoi, a eterna e divina musa de Hollywood e Anna Karenina?

…no entanto ela sobressaía da multidão como uma rosa num ramo de urtigas, ela era o sorriso que tudo ilumina em redor… evitando olhá-la de frente, como ao Sol; mas, tal como ao Sol, não precisava de a olhar para a ver.”

A propósito, a atriz escocesa fez duas versões para a mesma história do romance russo: o primeiro filme Anna Karenina foi rodado em 1927 sob o título Love em interpretação muda e em preto e branco.

Uma curiosidade interessante sobre a primeira versão de Anna Karenina é que gravaram dois finais: o primeiro respeitando na íntegra a obra original de Tolstoi; o segundo com  final alternativo a fim de agradar a platéia americana que queria um happy end.

Anna Karenina de 1935 é a versão falada do filme mudo anterior, estrelado pela própria diva Greta Garbo e agora respeitando o final original, mas com uma curiosidade nos bastidores: o ator que fez o papel de Vronsky, o amante de Anna, Fredric  March, tinha fama de mulherengo e de dar em cima das atrizes com quem contracenava. Greta Garbo sabendo disso, como forma de afastá-lo, vivia mastigando alho para ficar com mau hálito e evitar as investidas do ‘galã’.  Dizem que essa nova versão do romance russo foi um presente de natal para Greta Garbo e valeu para ela o prêmio de melhor atriz segundo o Círculo de Críticos de Cinema de Nova Iorque.

As famílias felizes parecem-se todas; as famílias infelizes são-no cada uma à sua maneira.”

O filme Anna Karenina, conta a história de uma mulher na Rússia do Século XIX, casada com um influente político russo e com um filho, que joga tudo para o alto em nome de uma paixão impossível por um ardente conde russo. Greta Garbo e John Gilbert, estavam namorando na época, e a MGM quis tirar proveito do filme para fazer uma propaganda do romance deles, tanto que nos EUA mudaram o título do filme para Love, para poder fazer uma frase assim: “John Gilbert in Love with Greta Garbo”, e o filme teve dois finais, um original e outro alternativo.

No final original, que foi mostrado na Europa, mostra Anna Karenina, a personagem de Greta Garbo, sem mais nada a perder, pois não pode mais ver o filho por imposição do marido, é mal vista pela sociedade, foi abandonada por Alexei Vronsky, o personagem de John Gilbert e sua paixão, já que ele teria que servir o exército russo; com isso, Anna se suicida ficando parada na linha do trem, esperando o próprio passar. Esse é o final que tem no livro.

O final alternativo, foi criado para as platéias americanas, onde Anna, três anos depois do romance com Vronsky, visita seu filho com frequência, este que está estudando e praticamente se formando, e descobre também que Karenin, seu marido, morreu, e o filho dela está junto com Vronsky, à espera de Anna, que quando se encontram, os três vivem felizes para sempre. Final típico de contos de fada, que não existe no livro de Leon Tolstoi, e que foi criado simplesmente para promover o romance entre Greta Garbo e John Gilbert.

Atualmente, dizem que é possível acessar o filme com os dois finais, assim agradando ambas as partes, os que preferem o trágico final original do livro, e os que preferem o feliz final alternativo.

Acabara de ouvir as palavras que a sua razão temia, mas que o seu coração desejava.”

Em 2 de Janeiro de 1928, mais um filme com Greta Garbo e John Gilbert estreava, Anna Karenina, ou Love, como preferirem chamar o filme. O filme foi uma divisão de opiniões entre americanos e europeus, devido aos já citados finais diferentes. Seu romance com John Gilbert acabou, após ele tê-la pedido em casamento e ela não ter comparecido.

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Greta Garbo recebeu uma estrela na Calçada da Fama e ficou em 38º lugar na lista das 100 maiores estrelas do cinema, que foi realizado pela revista britânica Empire.
Ela ela merecia o 1º lugar, não?

E essa é a história do clássico da literatura russa, Anna Karenina, transformado no clássico da sétima arte e guardado num clássico objeto obsoleto que é o VHS. Como me desfazer de uma raridade dessas? Não tem como, né? E hoje Tolstoi, Greta Garbo e Eu vamos de LOVE. Por enquanto, é isso… inté!

Karenina Rostov

Verônika decide morrer

“Veronika decide morrer” – um título formado por três palavras marcantes, bem escolhidas, bem pensadas por sinal, de uma das obras do escritor brasileiro mais lido da atualidade: Paulo Coelho. O objetivo aqui não é falar do autor, mas de alguns assuntos relevantes citados na obra.

É o único livro que li do letrista, compositor e filósofo nacional; talvez por ter sido um presente de um aluno, e como dispensaria um agrado desses? Talvez porque o título tenha me chamado a atenção, enfim, não posso negar que a obra remeteu-me a diversos momentos que guardo na lembrança e que se entrelaçam formando um mosaico de situações instigantes.

“Veronika” é nome fantasia bastante conhecido dos filmes sobre a vida do Filho de Deus; é a mulher que durante o caminho de Jesus para o calvário conseguiu enxugar o Seu rosto. O detalhe é que essa emocionante história não encontrou um mote para intertextualidade com os textos bíblicos.

“Verônica” é uma forma latinizada de Berenice, um nome macedônio que significa “portador da vitória”. A etimologia popular atribui sua origem às palavras para “verdade” (em latim: vera) e “imagem” (em grego: eikon).

A história contada na Bíblia no evangelho de Mateus 9: 20-22 de uma mulher que por doze anos padecia de uma hemorragia, e que chegou por detrás de Jesus e o tocou, e Ele imediatamente a curou, chamava-se “Berenike” que derivou “Verônica”.

Essa Verônica, então, que por longos anos sofreu da terrível hemorragia, não se pode negar, foi uma vitoriosa, uma heroína, porque ela decidiu viver.

Decidi usar o presente duas vezes, afinal a obra brasileira deve ter lá um “q” a mais, já que foi adaptada para o cinema hollywoodiano e, por curiosidade, acabei assistindo ao filme a fim de tentar desvendar o mistério em torno da intrigante história nessa outra expressão artística. Bem o mal, o livro e o filme estão acessíveis. Não me surpreenderia uma atriz encarnando Veronika em uma peça teatral, quem pode duvidar? Não que eu queira…

Alguém simplesmente decide morrer. Tomar uma decisão não é tarefa fácil. E o título “decide morrer”, causou estranheza e curiosidade, afinal, dificilmente se encontra alguém que tome uma decisão drástica dessa… Decide-se casar, decide-se mudar a cor do cabelo, decide-se, mudar de profissão, decide-se mudar de país, decide-se ter ou não filhos, mas decidir morrer? É mais fácil decidir viver, e quando um projeto não se realiza como se desejava, recomeçar é a melhor saída, não acha?

O que leva uma pessoa a tomar uma decisão drástica dessas? Loucura? Depressão? Desespero? Falta de amor próprio?

Viver é o melhor presente que se pode receber, e como diz o ditado que se encaixa perfeitamente aqui: “A vida não tem preço”, isto é, não há dinheiro no mundo que pague. Mesmo sabendo que viver é correr risco.

Decidir morrer é covardia ou ser corajoso? É burrice ou falta de opção? A sinopse praticamente entrega o filme, revelando parte do desejo osblético de querer pôr um ponto final à própria vida.

Veronika é uma jovem de 28 anos que, aparentemente, tem uma vida perfeita: possui um bom imóvel, é bonita e tem um ótimo emprego. Porém ela sente um vazio dentro de si sem conseguir entendê-lo. Sem conseguir entender o significado de sua vida, ela decide se suicidar tomando vários remédios. Duas semanas depois, Veronika desperta do coma e percebe que está em uma clínica para doentes mentais. Lá ela é informada que sua tentativa de suicídio fez com que seu coração parasse, gerando ferimentos que jamais se recuperarão. Sem saber ao certo quanto tempo ainda lhe resta, ela decide viver de uma forma inteiramente diferente do que vinha fazendo até então.

Não é qualquer um que toma essa decisão radical. Confesso que decidi ler a obra para tentar desvendar o mistério da ficção e da realidade capaz de se mesclarem não sabendo distinguir a linha tênue que separam ambas. Tive três amigas que tomaram essa decisão. Decidiram não mais viver. Nem vale a pena comentar se elas tinham motivos bizarros e grotescos para tal decisão inaceitável aos olhos da sociedade e aos ensinamentos religiosos usando Judas como modelo do que não é permitido e que até então é julgado e condenado pelos homens e ele, arrependido do que fez, decidiu tirar a própria vida.

Venonika de Paulo Coelho é ficção apenas no nome. Veronika consegue enxergar seu destino. Ela é bem nascida, tem um maravilhoso emprego e um ótimo salário, mas depois de algum tempo, imaginando-se casada, gorda e acabada, cuidando das tarefas domésticas, filhos para criar, não mais atraente ao marido, sendo traída, sua vida transformando-se em rotina, um futuro incerto e por não ter mais sentido, e nem ser mais novidade do momento, amargurada por tudo isso, decide morrer. O autor conta que esta é uma obra autobiográfica, sendo o personagem Eduard que entra na narrativa no terceiro capítulo é o próprio, a ponte que liga os dois universos. Ele conta que foi internado pelos pais em um hospício porque admirava o mundo das Artes, e lá acaba descobrindo o mundo da loucura e insanidade, conhece pessoas até que encontra Veronika.

A história de uma jovem, suas angústias e melancolias já imaginando como seria o seu futuro e destino. Seu início, melancólico, depois, uma verdadeira celebração à vida!

Bem ou mal Paulo Coelho é um dos autores mais lidos da atualidade, traduzido em vários idiomas, imortal da ABL, fundado por Joaquim Maria Machado de Assis.

Um bom argumento, sem dúvida, e não posso negar que o assunto é instigante. A boa ideia em torno da obra ficcional para “Verônika decide morrer” originou o filme Dirigido por Emily Young e Veronika interpretado pela atriz Sarah Michelle Gellar. Para quem lê de tudo, e / ou assiste a todos os gêneros, deixo a dica. Veja o filme ou leia o livro, sabendo de antemão que cinema e literatura são linguagens distintas, ouse, sem compromisso porque mesmo ao final não gostando, com certeza você não vai morrer por isso, vai?

Karenina Rostov

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Veronika Decides to Die (no Brasil e em Portugal: Veronika Decide Morrer) é um filme americano de 2009 do gênero drama baseado no livro de mesmo nome de Paulo Coelho. Dirigido por Emily Young, o filme é estreado por Sarah Michelle Gellar no papel principal, Veronika.

Título no Brasil: Veronika Decide Morrer
Título Original: Veronika Decides to Die
País de Origem: EUA
Gênero: Drama
Classificação etária: 14 anos
Tempo de Duração: 102 minutos
Ano de Lançamento: 2009

Paulo Coelho vendeu 70 milhões de exemplares de seus livros, que foram traduzidos para vários idiomas.

Nota de rodapé:
 1 – Não sei quem selecionou a coleção de títulos 1001 Livros para ler antes de morrer, e esta obra de Paulo coelho é um deles.
 2 – A literatura guarda os seus mistérios. Esoterismo e auto-ajuda são gêneros que não curto.

Isolados (Long Weekend. 2008)

Diz um ditado que o mundo é pequeno e cheio de coincidências. De fato, e sou testemunha de duas ótimas do mundo cinematográfico tão irresistível que não comentar aqui seria maldade.

Cultivo um carinho especial pelo ator Jim Caviezel, e admiro os trabalhos do diretor Terrence Malick, duas figuras da sétima arte que recentemente me surpreenderam. Malick está nas telonas com seu maravilhoso “Árvore da Vida”, e Caviezel foi manchete dos jornais nesta semana, numa crítica relevantemente maldosa sob o título “Da Paixão à ressurreição pela via da TV”, diz que “Crucificado como o Jesus ensanguentado de Mel Gibson em “A Paixão de Cristo” o ator James Caviezel encara estréia do seriado “Person of interest”, novo projeto da grife J.J. Abrams (“LOST”), que tem escolhido mal seus projetos, que sua carreia está sucateada, e o ator que assinava Jim Caviezel desde a sua estréia , nos anos 1990, desistiu até de seu apelido, passando agora a usar profissionalmente seu nome de batismo James Caviezel.

“– A grande responsabilidade de um artista em relação à televisão é que, a cada novo episódio de uma série, você consegue se relacionar não apenas com o seu público de cinema, mas com os milhões de espectadores que não frequentam as salas exibidoras” disse Caviezel.

O primeiro filme com o ator Jim Caviezel que eu assisti foi o de guerra “Além da Linha Vermelha” dirigido pelo ótimo Terrence Frederick Malick, (que bela coincidência novamente!) (do mais novo e badalado trabalho que falei acima, “Árvore da Vida”) – no qual Caviezel interpretava um soldado americano enviado para substituir um pelotão já muito cansado, e lá ele conheceu um terror que nem imaginava, tendo uma atuação impecável deixando uma ótima impressão, e foi a partir daí que passei a admirá-lo pelo seu talento e brilhantismo, super metódico e completamente à vontade, buscando através da expressividade bastante convincente do seu olhar encontrar o do espectador… Como acontece… Às vezes se olha e não se vê, ou se vê e não se enxerga. Quando assisti a “A Paixão de Cristo” dirigido por Mel Gibson com Jim Caviezel interpretando o Filho de Deus, a minha certeza do excelente ator definitivamente se confirmou. Naquele instante pensei comigo que esse ator poderia até se aposentar, que não precisaria de nenhum outro trabalho para provar o quão bom profissional ele é. Mas Caviezel é jovem tem muita história pela frente para interpretar e dar esse prazer aos seus fãs por longa data ainda, nos divertindo e nos fazendo ir ao filme por sua causa, não acha? A vida segue e… de repente me deparei com ele que, para mim, andava sumido, em DVD em uma prateleira de locadora trazendo o próprio como protagonista de um filme, digamos, não tão grandioso como o que o consagrou, mas que vale a pena conferir.

Isolados (Long Weekend) é o título contando a história de um jovem casal que decide acampar em uma praia paradisíaca – a terra que o mundo esqueceu – a fim de tentar salvar seu casamento e aproveitar um feriado prolongado e também para surfar. O cachorro que não deveria ir, acaba sendo descoberto escondido no bagageiro para a alegria de Peter e indignação de Karla.

Vão de carro e combinaram com um casal de amigos para se encontrarem lá. Acontece que acabam se perdendo, e param em um posto à beira de estrada e pedem informações, em vão, não conseguem ajuda, e mesmo assim encontram um ótimo lugar para acampar e percebem que não estão sós: uma família teve a mesma idéia.

Nota-se que desde o início há algo de estranho no ar; coisas incomuns começam a acontecer. O casal é do tipo que não está nem aí aos bons hábitos e atitudes; bons costumes junto à sociedade, principalmente nesses tempos em que se ouve muito falar na questão ambiental, em cuidar, preservar, plantar parece não fazer parte do vocabulário dele. Essa preocupação inexiste.

O que era para dar certo, acabar sendo uma tragédia anunciada. Já ouviu gente gorando que a natureza é vingativa? O que o homem faz de errado a ela recebe de volta? Mas essa bizarrice é pura fantasia desmitificando que nem sempre Vox populi, vox Dei, simplesmente porque a natureza não faz mais que seguir o seu curso… o rio correndo em direção ao mar, os pássaros procuram os céus, os animais a mata, e as sementes a terra. No decorrer dos dias, coisas misteriosas começam a acontecer com Peter e Karla.

Na estrada, Peter, da janela do seu carro, lança seu toco de cigarro que acaba provocando um incêndio na floresta; ao chegar ao paraíso perdido, sem motivo algum, sem necessidade, ele começa a derrubar uma árvore; Karla encontra um ovo de águia e o quebra propositalmente. E a partir daí coisas muito bizarras começam a perturbá-los e os aterrorizar.

A impressão que fica ao espectador é que a natureza entende que está sendo destratada e dá o troco. Há outro ditado que diz que aqui se faz aqui se paga…

O filme é basicamente a desconstrução psicológica de ambos. Como sair dali? Procuram pela válvula de escape em vão… e a natureza ou a mão de algum ambientalista tentando reverter a situação não deixando que destruam ainda mais o maravilhoso cenário que a bela fotografia nos brinda: mar, montanha, mata, animais, céu… parece que só o homem está sobrando ali e ele não é bem-vindo.

O filme não é nenhuma obra de arte, mas vale a pena conferir pela instigante história e como forma de conscientização na tentativa de ouvir o que a natureza tem para nos dizer levantando sua bandeira branca como forma de alerta aos de boa vontade e desavisados como que gritando sem agonizar para se defender “- E aí, esqueceu a educação em casa?” São alguns pequenos detalhes que deixamos escapar entre os dedos…

Para quem é fã de Jim Caviezel, vale conferir!

Karenina Rostov

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Sinopse: Um jovem casal decide acampar em uma praia isolada durante um feriado prolongado como uma última tentativa para tentar salvar seu casamento. Peter (James Caviezel) e Karla (Claudia Karvan) pensando apenas neles mesmos não se preocupam em preservar o local, fogueira, churrascos, serra elétrica e até uma espingarda fazem parte da diversão. Vale tudo nesse feriado. Agora, esse casal vai enfrentar a fúria da natureza e conhecer o seu lado mais sombrio.

ISOLADOS
Título original: Long Weekend
Duração: 88 minutos (1 hora e 28 minutos)
Gênero: Drama / Terror
Direção: Jamie Blanks
Ano: 2008
País de origem: AUSTRÁLIA