Meu Nome não é Johnny

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Meu Nome não é Johnny

Direção: Mauro Lima

Gênero: Policial, Drogas

Brasil – 2008

“O verdadeiro lugar de nascimento

é aquele em que lançamos pela

primeira vez um olhar inteligente

sobre nós mesmos”

(M. Y)

Esse foi o cartão que João Estrella recebeu de Natal da Juíza que lhe concedeu o indulto. Presente sem preço que ele conseguiu escutar.

Vamos ao início do Drama: João Guilherme Estrella, muito bem representado por Selton Mello (ator excepcional, em minha opinião), nasceu numa família onde os limites não eram colocados na mesa.

Algumas cenas mostram isso muito bem: tudo era de alguma forma aceito pelo pai. Boa coisa isso não dá. As crianças precisam não só de Educação, mas de limites também; aliás, educar é amar dando limites.

Numa família completamente desestruturada, com um pai excessivamente permissivo, uma mãe que pulou fora por não aguentar isso e também por não saber pegar as rédeas da nave, João Estrella se enveredou pelos caminhos da droga e das festas com amigos drogados no Rio de Janeiro. Como ele diz: “O Rio de Janeiro é nosso”.

vlcsnap-644202 O problema do traficante, além de todos que estamos cansados de saber, é que eles são burros.

Sim, são extremamente burros. Pois sobem no poder com extrema facilidade financeira e não arrumam um emprego nem que seja pra disfarçar o dinheiro ganho.

A Polícia tarda, mas não é burra…

Como justificar viagens para Europa, compras, jóias, apartamentos em Copacabana etc sem trabalho?

Essa novela vemos em todos os jornais diários, não é novidade mais, o interessante desse filme é que João é consciente de sua total falta de estrutura, diz ele para a Juíza (Cássia Kiss): “Eu nunca soube o que é dentro da lei e fora da lei, as coisas foram acontecendo”…

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As coisas geralmente acontecem, e esse rapaz nunca soube o que era limite. Palavrinha cara exercida por quem ama de verdade. O olhar benevolente dessa juíza (rara no judiciário, só podia ser filme mesmo) soube captar a falta paterna e materna de João, mesmo tendo pai e mãe.

E ela não errou, pois ouviu que todos os atos dele era nada mais que um pedido de “me tire dessa realidade”.

Filme engraçado que se difere dos fomélicos brasileiros que só abordam as misérias nordestinas e favelas cariocas; mostra que a classe média também tem seus problemas. Gostei muito desse filme, foi um excelente entretenimento para uma sexta-feira comum.

Ah! Já ia esquecendo… Meu nome também não é Johnny, é Vampira Olímpia rs.

Por: Vampira Olímpia.

O Silêncio dos Inocentes (The Silence of the Lambs)

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O Silêncio dos Inocentes – The Silence of the Lambs

Direção: Jonathan Demme

Gênero: Suspense

EUA – 1991

Silêncio dos Inocentes é um dos filmes que mais gosto de rever, rever e rever e rever.

Decorei falas, acreditem. É possível que eu consiga narrá-lo perfeitamente bem rs. Tudo isso porque acredito, assim como disse o psiquiatra do manicômio que Hannibal Lecter estava internado, para a detetive Clarice Starling (Judie Foster), em sua primeira visita: “Em termos de pesquisa, Dr. Hannibal Lecter é nosso espécime mais raro”. CONCORDO! Hannibal é muito diferente.

O filme começa com Starling em seu treinamento no FBI. Depois de sua primeira fala, surgem placas grudadas em uma árvore que diz o seguinte:
*Sofrimento -> Agonia -> Dor -> ADORE.

Isso sempre me chama atenção. Exatamente pelo masoquismo expresso nessas placas, que em contrapartida, é preciso ser sádico tanto quanto para pensar suficientemente parecido. Ou seja, os semelhantes se atraem.

Não sei se vocês repararam, mas a escolha de Hannibal Lecter com relação as suas vítimas é a EDUCAÇÃO. Um fetiche e tanto… Existem falas de Lecter que expressam isso claramente. Como no caso de Miggs. Seu companheiro de cela vizinha, que se masturba ao sentir o cheiro de Starling e joga seu gozo no rosto de Starling; lembram? Lembram do que Lecter disse? Ele disse o seguinte: “Falta de educação me desagrada”. No dia seguinte, Miggs aparece morto. A saber o que Lecter disse a ponto de Miggs se matar…

Penso que deve ter sido algo muito frio, cruel e planejado, embora extremamente sedutor. Que são as características de atuação de perversos como Lecter. Não poderia ser diferente, visto que Hannibal é extremamente educado…

Por: Vampira Olímpia.

A Casa dos Espíritos (The House of the Spirits)

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A Casa dos Espíritos – The House of the Spirits

Direção: Billie August

Gênero: Drama

EUA – 1993

A Casa dos Espíritos nem de longe se refere a fantasmas de outro mundo que morreram e ficaram presos na mansão assombrada… Boooooooooooooooooooo! Entendo “Espírito” num sentido Filosófico do termo. Para a Filosofia Hegeliana, o Espírito é o retorno da idéia (princípio inteligível da realidade) para si mesma. Assim que vejo essa obra: um filme magnífico que retrata a história Política do Chile sob o olhar da família Trueba na narrativa consciente da filha Blanca (Winona Ryder).

Com um elenco fenomenal, que reuniu Meryl Streep, Jeremy Irons, Winona Ryder, Glenn Close, Antonio Banderas, Vanessa Redgrave e Maria Conchita Alonso, a trama se desenrola do macro para o microssocial; aquilo que se externa na sociedade e influencia o interior de uma família e vice-versa.

Seria uma família bastante comum praquela época se não fosse o poder e a personalidade da mãe Clara (Meryl Streep): infinitamente tranquila e de um semblante tão sereno que em certas cenas parece Maria (mãe de Jesus) ou o que pintam dela. Clara consegue unir aqueles que estão pra sempre separados, consegue acalmar e dar paz para a agitação política de seu marido e suas controversas atitudes. Seu nome foi bem escolhido, dá um tom de transparência, sinceridade, leveza. O mesmo ocorre com Blanca, sua filha?

Enquanto Clara está viva, existe uma organização familiar aparentemente Patriarcal mas que é maestrada pelo silêncio e voz calma da Matriarca. Quando ela morre, seu espírito (as recordações das pessoas que a cercaram) ronda aquela família que se desestrutura passo-a-passo.

Percebe-se que aquela mãe era o verdadeiro pilar de tudo, mesmo considerada erroneamente como frágil e fraca.

As pessoas tendem a considerar como fraqueza aquilo que é sereno e tranquilo. Ao contrário, pessoas assim são de uma força interior gigantesca. Meryl Streep está deslumbrante nesse papel, uma mãe IDEAL, uma esposa IDEAL, uma cunhada IDEAL, uma amiga IDEAL, uma patroa também IDEAL. Todos os papéis sociais de uma mulher ela o representa como aquilo que é idealizado pela maioria. Longe de ser passiva, age com passividade e amor. Amarra com fios de cobre toda a trama.

Um filme pra ser visto e revisto.

Por: Vampira Olímpia.

Assassinos por Natureza (Natural Born Killers)

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Assassinos por Natureza – Natural Born Killers

Direção: Oliver Stone

Gênero: Aventura, Ação, Violência

EUA – 1994

Natural Born Killers (literalmente, assassinos natos [matadores natos]), de Oliver Stone, traz ao cinema, junto com “Cães de Aluguel” e “Pulp Fiction”, ambos de Quentin Tarantino, a estética da violência, tornada espetáculo. Trata-se de desfazer o discurso maquiador da violência e mostrá-la realisticamente, o que corresponde ao naturalismo em literatura (Emile Zola).

Stone usou todos os recursos conhecidos para mostrar sua idéia em imagens, da filmagem super-8 à comédia tipo “I love Lucy” (acho que ninguém aí vai lembrar disso rs) – cena da família de Mallory -. Vale a pena manter o controle remoto em mãos e passar quadro a quadro determinadas cenas, pq algumas chaves para a compreensão da personalidade da dupla são dadas muito rapidamente (p. ex., a violência sofrida por Mickey nas mãos de seu pai, o qual inclusive devora ou arranca a dentadas um pedaço do próprio filho na infância, o que só é visível qdo usamos o quadro a quadro).

O tema do filme não é a dupla psicopata Mickey e Mallory (brilhantemente encarnados por Woody Harrelson e Juliette Lewis, esta com sua maravilhosa cara de porra-louca full time) – mas o que a mídia faz da dupla e a identificação idolátrica do povo com ela.

A questão é: pq os criminosos exercem tamanho fascínio, a ponto de serem endeusados pela população?

Cito dois textos de Freud que tratam de criminosos: “Totem e Tabu” (1913) e “Dostoievsky e o parricídio” (1928).

Em “Dostoievsky e o Parricídio”, Freud diz que o criminoso tem duas características: uma quantidade grande de pulsão agressiva e a incapacidade de se ligar afetivamente a objetos humanos. Em suma, um egoísmo (narcisismo) imenso.

Em “Totem e Tabu” (obra que estuda o animismo e o totemismo, a mais antiga religião humana, e a semelhança entre a mente do selvagem primitivo, da criança e do neurótico obsessivo) Freud nos mostra o mecanismo das instituições penais.

Todo homem traz em si uma agressividade inata, por suas pulsões destrutivas dirigidas ao mundo externo. A sociedade exige que ele recalque essa agressividade e a sublime ou desvie para funções socialmente aceitas. Alguns não aceitam tal restrição de sua agressividade (ie, de sua liberdade) e infringem as leis que a proíbem de ser satisfeita – tais são os criminosos.

Porém cada homem tem, em seu inconsciente, o desejo dessa transgressão, seja, o desejo de satisfazer suas pulsões (agressivas e eróticas). Caso alguém satisfaça tal desejo e permaneça impune há o risco de despertar o mesmo desejo nas outras pessoas, que não hesitarão em satisfazer seus desejos anti-sociais (especialmente incesto e parricídio, ie, assassinato).

Por isso a Lei deve se fazer observar graças a uma pena imposta contra os transgressores (essa pena visa a intimidar e dissuadir os demais de cometer o ato proibido, enquanto tb pune o delinquente). O Direito necessariamente é coativo para garantir a observância, pelo medo, das suas injunções. é a coação que especifica a norma jurídica e a difere de outras normas sociais.

Mas o desejo homicida permanece no inconsciente e é contra esse desejo que se volta a instituição penal – pq somos todos “miseráveis pecadores”, nas palavras de Freud – é preciso evitar o contágio pelo exemplo.

Por isso admiramos assassinos e ladrões – pq eles ousaram satisfazer um desejo que nós próprios possuímos em nosso inconsciente. assim, satisfazemos nosso desejo através dos criminosos, igualmente, rejubilamos ao ver o criminoso exemplarmente punido, pq a punição sanciona o nosso recalque. Se não houvesse punição, não teríamos pq nós mesmos respeitarmos o “pacto social”.

O povo que aplaude Mickey e Mallory recomenda2 na verdade os aplaude pq eles ousaram satisfazer os mesmos desejos que nós temos. Esse aplauso não significa necessariamente aprovação – tanto que exigimos sua punição e ninguém deseja ver criminosos soltos e impunes.

Por: Vampira Olímpia

Festa de Família (Festen)

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Festa de Família – Festen

Direção: Thomas Vinterberg

Gênero: Drama, Violência, Sexo

Dinamarca – 1998

“Tratando-se de família, ninguém é leigo. Mesmo se “não tiver” uma família.  Não importa se você veio de Adão e Eva, ou da Evolução ou do Big Bang, no momento em que uma mulher e um homem engravidam já se constitui FAMÍLIA, em minha opinião; vale dizer que alguns Antropólogos discordam plenamente de mim quanto a isso.

Falando em Antropologia, no filme tem uma personagem que é Antropóloga (Helène), contrariando o desejo de seus pais que queriam que ela fizesse Direito. Bem, ela fez tudo ‘errado’ rs..  Quanto à família do filme, trata-se de uma família composta por pais e 4 filhos, sendo dois gêmeos (casal). Reúnem-se em um hotel (nas terras do pai da família), após o suicídio de uma das filhas, a Linda, gêmea de Christian, para comemorar os sessenta anos ‘patriarcais’.

O cerne da questão desta família é o abuso sexual do pai com dois de seus filhos.

O pai é uma figura-base em qualquer família, ele determina a estrutura familiar. Numa sociedade patriarcal como a nossa, assim como a dinamarquesa, o pai é o provedor, o protetor, o acolhedor, o castrador, o limitador, aquele que dá segurança e suporte. Nesta Era de mães-solteiras, me preocupa muito o prognóstico de nossa sociedade para daqui a uns anos. A crise já se iniciou, mas como o ser humano é adaptativo a qualquer meio ambiente e situação, o prognóstico é péssimo.

Voltando ao filme, o perfil dessa família, além de patriarcal, é de um desequilíbrio emocional visível. Ora, mas se são os pais as primeiras referências da criança, como não ser desequilibrada uma família que tem um pai molestador sexual e uma mãe submissa, omissa?

O que tem me assustado muito é esse número, cada vez maior, de abusos sexuais, registros de casos como pedofilia e incesto. Parece-me cada vez mais óbvio que o abusador também é um desequilibrado, mas que se “suporta” na rigidez e arrogância de uma educação quase nazista e fascista. Por falar nisso…

Este filme mostra também algo que para sempre será polê-mico, o Racismo. Helène é namorada de um negro, festen mal-tratado por seu irmão Michael e toda família branca. O que me surpreende, porém não muito, foi a cena em que todos cantam aquele “hino” nazista em plena mesa do jantar; e o rapaz, sem entender aquela “língua”, quase sorri para eles.

Enxergo a Antropologia, infelizmente, como uma espécie de racismo. O estudo do homem, o homem como um animal visto como ‘superior’, evoluído. Será muita evolução esse excesso de violência gratuita em que somos submetidos nas grandes metrópoles?

O filme é um requinte de sintomas patológicos sociais: abuso sexual, racismo, aborto, lesbianismo, suicídio, maus tratos familiares…

Falando em suicídio, Camus escreveu numa época de pessimismo pós-guerra, que só há um problema verdadeiramente filosófico sério: o suicídio. Sem entrar nas nuances filosóficas quanto ao ‘matar-se’, a Europa é campeã em casos de suicídios, não perde nem para o Japão, que tem uma estatística ambiciosa quanto a isso.

Filme denso, tenso, sem trilha sonora, visceral. Faz parte do Movimento Dogma 95 (Movimento Cinematográfico). Eu recomendo.”

Por: Vampira Olímpia

Cova Rasa (Shallow Grave)

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Ficha Técnica:
Título Original: Shallow Grave
Gênero: Suspense
Ano de Lançamento (EUA): 1994
Direção: Danny Boyle

Resenha feita por Vinícius Trovão e Publicado aqui por Vampira Olímpia.

“Alex (Ewan McGregor), David (Christopher Eccleston) e Juliet (Kerry Fox), que dividem um apartamento, concordam em permitir que Hugo (Keith Allen), um desconhecido, vá morar com eles, mas logo ele aparece morto, vítima de overdose. Entre seus pertences existe uma mala cheia de dinheiro, os três que dividem o ap enchem o olho pelo dinheiro e aí que a coisa toda começa…

A ambição humana é algo extravagante. O dinheiro movimenta o mundo tanto interno quanto externo. Nem preciso comentar sobre o capitalismo, suponho. A movimentação interna que o dinheiro causa, provoca afloramentos de sentimentos até então adormecidos; com certeza, com destinos diferentes, já que somos diferentes.

No caso do filme, ‘o enriquecimento’ aflorou sentimentos paranóicos, persecutórios, ambiciosos, infiéis, traiçoeiros etc. Os três cometeram atos “absurdos” o que provocou um certo “poder” num deles…

Essa Cova Rasa é rasíssima, está na superfície toda a podridão que advém do dinheiro, do poder. Podridão que nós criamos e inventamos porque nós somos assim: a espécie animal mais ambiciosa que há na Terra.

Onde ficam as amizades? O capitalismo é “eterno”, os amigos não?”

Por: Vinícius Trovão;

Publicado por: Vampira Olímpia.

Melhor é Impossível (As good as it gets)

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Aqui, pretendo expor minhas impressões sobre o filme baseando-me na Psicanálise.

O neurótico obsessivo tem a característica de evitar entrar em contato com o seu desejo, pois entrar em contato é sair de seu lugar de morto-vivo, é estar na posição de desejante e ter de se haver com isso é o que o neurótico obsessivo mais teme, assim ele desloca para o real dos objetos a sua obsessão em não querer tocar em nada.

Tocar, pegar, entrar em contato equivale para o Obsessivo se responsabilizar por algo. E como sujeitos que padecem dessa neurose não suportam sentir culpa por seus erros e acertos, eles atribuem ao Outro tal sentimento. Logo, evitam tocar.

Esse Neurótico do filme tem TODA a sintomatologia de um Obsessivo de carteirinha rs, daí: Melhor é IMPOSSÍVEL.

Ele não toca, pula as rachaduras do chão e do piso, usa luvas, lava as mãos com mais de 5 sabonetes, usa talheres descartáveis… porque o contato é ‘sujo’, daí vem a mania de limpeza.

Freud nos ensina que a ‘salvação’ do Obsessivo é quando ele ama, pois amar é sair do lugar. Quando ele ama, ele se vê frente a frente ao seu objeto de desejo, então um lado dele repele (com ironias e sarcasmos típicos dessa estrutura clínica) e o outro o condena a entrar em contato.

Primeiro Jack Nicholson se afeiçoa ao cachorrinho do vizinho homossexual; isso já é o primeiro sinal de mudança. Tem uma fala dele que diz:

-”…Por causa de um cachorrinho”.

Quando ele está tocando piano pro cachorro comer rs.

E depois Carol, a garçonete, que provoca nele um sentimento que o faz, inclusive, voltar a clínica de seu psiquiatra para melhorar.

Não é gratuito quando ele fala que a garçonete o fez ser alguém melhor. Pois, o Obsessivo padece dos pensamentos, e seu temor é de que alguém o escute, daí seu louvor a Deus (já que este é Onipresente, Onisciente e Onipotente -> tudo vê, tudo escuta, tudo sabe e em tudo está). Pensar é o exercício mais frequente de um obsessivo, pensa “maldade em cima de maldade”, mas não assume isso, daí seus atos serem de bondade; justo para tamponar seus pensamentos. Carol consegue, aparentemente, torná-lo mais leve, mais vivo e mais desejante.

Por ela e pelo cachorro, ele consegue até se afeiçoar e cuidar do Simon, seu vizinho gay.

Melhor do que isso? Impossível ;) Só mesmo o amor pra fazer essas revoluções acontecerem.

Ficha Técnica: Melhor é Impossível – As good as it gets, 1995, EUA. Direção: James Brooks.

Por: Vampira Olímpia.

Dragão Vermelho (Red Dragon)

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Imagem: Obra de William Blake (Dragão Vermelho)

CANÇÃO LOUCA – William Blake

 

A brava brisa brame

E a noite é fria;

Vem a mim, Sono,

E abraça minha agonia.

Mas arre!

O dia prenhe

Preenche já o leste,

E as aves sonoras da aurora

Da terra se escarnecem.

Arre! Para os ares

Da cúpula celeste

Minhas notas partem,

Fartas de pesares.

Elas batem no ouvido da noite,

Molham os olhos do dia

Brincam com tempestades

Enlouquecem a ventania.

Como um demônio na nuvem

Em uivo agudo,

Pela noite eu procuro,

E com a noite me curvo;

Não me serve o leste

Onde o consolo acresce,

Pois a luz agarra meu cérebro

Com dor frenética.

 

 
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“Comecem por acreditar que vocês não entendem” – Jacques Lacan ao falar de Psicose – Seminário 3 – As Psicoses. 

Tenho a pretensão aqui de articular o filme Dragão Vermelho com o saber psicanalítico.

Não sei o que Brett Ratner tinha em mente quando fez analogia entre um psicótico “Fada do dente” e William Blake; no entanto, ficou excelente…

Um filme com conteúdos fortes e merecedor de horas e horas debruçadas nos detalhes e nuances de todo o enredo.

Uma articulação tentadora, dessa vez, é falar sobre a Psicose. Um clássico seria As Irmãs Papin (filme: Entre Elas), mas o nosso Dragão segue à risca os tantos mandamentos da psicose, mesclando esquizofrenia e paranóia com perfeição!

A estrutura clínica do Fada dos Dentes é, sem margem de dúvidas, a psicose. Um “menino” maltratado por sua avó durante a infância de uma tal maneira que resultou nesta tão problemática estrutura. Resultou em sua foraclusão da realidade, em sua “indiferença” quanto ao que é “real” para os ditos normais.

Faço uma analogia com o filme Roubando Vidas de D.J. Caruso, pois ambos os psicóticos são privados de uma vida tranquila e saudável sendo que o Fada do Dente opta por aniquilar famílias aparentemente felizes e o Rouba-vidas escolhe por viver uma vida outra que não seja tão sofrível quanto a sua.

Será que podemos mensurar o sofrimento de um psicótico? É certo que um perverso não sofre e que o neurótico sofre por sua incapacidade de amar, mas e o psicótico? É da ordem do impossível mensurar o sofrimento do psicótico pois só temos como base nossa realidade neurótica para contar e enquanto nós, neuróticos estruturais, equivocamos a realidade, eles, os psicóticos ignoram a realidade. Aqui o ignorar tem um outro sentido do que seja para os neuro-ticos rs. Será que é penoso ignorar a realidade, vê-la fragmentada, desconectada, rompida?

De fragmentos em fragmentos, o Fada do Dente “juntou” os caquinhos quando conheceu a moça cega; uma ponte para a tal felicidade familiar que ele tanto almejava (aqui, almejar não é sinônimo de desejar, pois psicóticos não desejam. Já chego neste aspecto rs). Infelizmente, isso é da ordem do ideal e ideal é para sempre ideal. Era previsível supor que quando algo nele – Fada do Dente – ignorasse essa realidade, algo nele (também) atrapalhasse tudo.

E o que poderia atrapalhá-lo nele mesmo? As invasões do Outro (grande Outro = tesouro de significantes = inconsciente). É neste ponto que podemos afirmar que o (as)sujeitado pela psicose não deseja. Oras, se ele é engolido/invadido/colado pelo Grande Outro, quem deseja rs? Ele – o psicótico – e o Outro são as mesmas coisas, pois não houve o corte necessário para romper a simbiose entre mãe-filho e, a partir disso, o filho continua se vendo como apêndice de sua mãe sem que haja diferenças.

Então não é incomum em clínicas psiquiátricas o sujeito afirmar que é Jesus Cristo, Elvis Presley, Raul Seixas etc, posto que essa colagem NO tesouro de significantes faz com que o psicótico não se diferencie dos objetos.

Uma dura realidade, certamente…

Um elemento identificatório de Fada do Dente que posso observar no filme é sua admiração… por… por… por… dragao-vermelho-2002-07  HANNIBAL LECTER, É CLARO . Escreveu-lhe cartas com teor de total admiração e afeto, ao mesmo tempo revolta contra a situação “penosa” de Lecter etc. Uma determinada cena do filme, o Fada afirmou para o jornalista (aquele que morreu queimado) que ele (Fada) era um DEUS. Pode-se supor que a intenção identificatória com Lecter é por achá-lo um DEUS também. Não sei de quem é a “sorte”, se é de Lecter ou de Fada por Lecter estar preso rs…

Por estar preso, Hannibal não era visto, em termos competitivos e territoriais, como algo que precisava ser engolido …

Falando em Hannibal, e ele nisso tudo? Manteve-se perversamente ausente/presente como qualquer “sedutor de sua estirpe”… 

Não se incomodem de não entender , a psicose não é para ser entendida, nem mesmo a neurose… A psicose é para ser “analisada” loucamente rs!!!

Saudações Vampirescas.

Ficha Técnica:

Gênero: Thriller
Tempo de Duração: 126 minutos

Ano de Lançamento (EUA):
2002

Direção: Brett Ratner.

Por: Vampira Olímpia.

O Advogado do Diabo (The Devil Advocate)

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O Advogado do Diabo.

Um filme excelente e brilhante!

Quem assistiu com os olhos na beleza do Keanu Reeves e não prestou atenção nas ações dele, por favor, corra à locadora e reveja essa obra!

A palavra Diabo, em alguns, já trás uma resistência, como algo do MAU e MAL. Você mesmo que me lê, faça o favor de suspender os preconceitos, as religiosidades, as igrejinhas e os credo de todo santo dia e de todo dia santo.

Al Pacino, o Diabo, no filme chamado John Milton, levantou questões primordiais: Livre-arbítrio, Humanidade, Ambição, Vaidade, Amor, Amor-Próprio, Culpa.

Mas ainda não é hora de falar sobre isso. Agora é hora de apresentar a ficha técnica da obra:

Título Original: The Devil Advocate

Gênero: Suspense

Origem/Ano: EUA/1997

Duração: 144 min

Direção: Taylor Hackford

Kevin Lomax é um brilhante advogado convidado a trabalhar na empresa de advocacia de John Milton. E aceita! Então ele e sua esposa (Mary Ann), que tinham uma vida mais simples, mas mais amorosa, mudaram completamente suas rotinas: mudaram para NY, Kevin praticamente não tinha mais tempo para a esposa. A partir daí, os testes começaram…

Aliás, como diz Milton, as negociações começaram…

Que negociações são essas? As do livre-arbítrio. Afinal, o que é livre-arbítrio? É a doutrina filosófica de que os homens têm o poder de escolher suas ações. Veja bem, aqui não se trata de dizer que o sujeito é livre para voar ou qualquer coisa parecida.

Levando-se em conta que algumas coisas são pré-determinadas e exigem certas predisposições, estou dizendo que o homem têm o direito à escolher, mesmo que dentre as opções impostas.

O que muda absolutamente tudo.

E Kevin escolheu… escolheu não ter tempo para a família, mesmo com sua esposa adoecendo a olhos vistos, que também escolheu permanecer doente. Kevin escolheu a profissão, a vaidade de vencer sempre, a ambição de ser o melhor advogado criminal de NY, o que equivale dizer ser o melhor advogado dos EUA.

E a vida cobrou o preço disso… sempre alto! A vida não cobra barato nunca! As pessoas devem se conscientizar disso: pra tudo tem um preço. Esse preço, essa dívida simbólica é cobrada ao longo da existência e ninguém tem alguma culpa de sua dívida, ela é apenas sua e de suas escolhas.

O preço que Kevin pagou foi o suicídio de sua esposa. Depois de internada numa clínica psiquiátrica, num momento delirante, ela se matou. E Lomax foi pedir as contas com Milton…

Chegando na Torre de Milton, Kevin o acusa de ter matado Mary Ann.

E aí, no final do filme, há um fechamento, uma síntese de todo desenrolar do filme, de forma brilhante!

Reproduzirei:

Milton diz:

-“ Livre-Arbítrio. É como as asas da borboleta. Se tocar, não saem do chão. Eu só preparo o palco. Você só manipula suas cordas. Nunca perdeu uma causa. Por quê? O que você acha? Por que você é bom? Sim! Mas por quê? Ninguém ganha sempre, Kevin”.

E continua, ao falar de Mary Ann:

-“Mary Ann… Você poderia tê-la salvado. Ela só precisava de amor. Você não tinha tempo… Pare de se iludir! Eu mandei você cuidar de sua mulher. O que eu falei? O mundo vai entender! Não falei? E o que você fez? “Sabe o que me assusta, John? Eu largo o caso, ela melhora, e eu começo a odiá-la”. Lembra-se? Eu não fiz isso, Kevin? O que eu disse naquele dia do metrô? Talvez fosse sua hora de perder. Você não concordou.”

John então respondeu:

-“Perder? Eu não perco! Eu ganho! Eu ganho! Eu sou advogado! Essa é minha profissão!”

E Milton responde brilhantemente, em minha opinião:

-“A vaidade é, com certeza, o meu pecado predileto. Amor-próprio, a droga mais natural. Sabe, não que você não gostasse de Mary Ann, é que você estava mais envolvido com outra pessoa. Contigo mesmo…

Estou te dizendo, a culpa é um saco cheio de tijolos. Tudo que você tem de fazer é largá-lo. Pra quem você está carregando esse saco de tijolos?

Deus? É isso? Pra Deus? Escute aqui! Vou te dar algumas informações sobre Deus.

Deus gosta de observar. Ele é um gozador. Pense! Ele dá instintos ao homem. Ele lhe dá esse extraordinário dom, e o que faz depois?

Eu juro, para a própria diversão, para a própria comédia cósmica particular, ele cria regras contrárias. É a maior piada de todas:

Olhe, mas não toque. Toque, mas não prove. Prove, mas não engula.

E, enquanto você pula de um pé para outro, o que ele faz?

Ele fica se mijando de tanto rir! Ele é um sacana!! Ele é um sádico!!! Ele é um patrão ausente! Adorar isso? Nunca! … Eu me preocupei com seus desejos e nunca o julguei. Por quê? Porque eu jamais o rejeitei, apesar de suas imperfeições. Eu sou fã do homem! Eu sou um humanista! Talvez o último humanista”…

Ficaram sem fôlego rs?

Confesso que essa parte do filme é demais!

Bom, o mal da humanidade é se prender ao pré-julgamento interno do que seja mal e bem. Do fazer bem e mal… Onde nada disso conta, pois tudo não passa de ser Humano, demasiadamente humano…

Ninguém conseguirá ser imagem-semelhança de Deus. Pois ser Homem é ser instintivo, é ser ambicioso e é colocar em jogo a auto-preservação; o que nos torna egoístas e competidores natos de uma cadeia alimentar vasta.

Os instintos “que Deus nos deu” são imperfeitos para o objetivo de ser igual a ele desde e para sempre. Nosso duplo é o diabo, como já dizia o Filósofo Cioran. O Diabo é humano!!! Deus é desumano…

Como Lestat falou em Entrevista com o Vampiro: o Mal é um ponto de vista.

Kevin queria dinheiro, sucesso profissional e fama! Isso é um mal? Quem não quer isso que atire a primeira pedra! Isso é HUMANO!!!

Obviamente que temos o livre-arbítrio de termos uma vida mais simples, de tomarmos na cara sempre, de tentarmos ser a perfeição de Deus… Tudo é uma escolha! Escolha que jogo jogar lembrando-se sempre que SEMPRE há um preço nisso, independente da escolha feita.

Por: Vampira Olímpia.

Roubando Vidas (Taking Lives)

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Há muito tempo que estava para escrever alguma coisa sobre o filme Roubando Vidas, mas o tempo me roubava meu tempo para a escrita.

Agora aqui estou pensando sobre esse filme…

Quem pode dizer se é certo ou errado querer ter outra vida senão essa que foi dada e destinada a ser assim? Querer ter outra vida é blasfemar? Deixando a racionalidade moralizante desse tempo moderno de lado, pensando sob outro viés, só se quer algo diferente quando o que se tem não satisfaz. Não vejo erros nisso.

O Erro talvez possa vir em como se faz para se satis-fazer.

E aí, nesse filme e em qualquer lugar da Sociedade Ocidental e Oriental, roubar é um erro. Dentro ou fora dos dez mandamentos, não importa, está errado roubar.

Diferente de obter outra vida com outros tipos de méritos.

James rouba vidas por não suportar a sua. Não suporta quem ele é, quem ele foi, de onde ele veio, e assim, como quem troca de roupagem, ele mata e se apossa da vida de quem morreu. Talvez nessa era cibernética, muitos são salvos por apenas criar um fake rs, um nick, outra vida. Mas a pergunta que não dá para calar nesse filme é: mesmo na fantasia, há como ter outra vida? Second life?

Aparentemente sim, mas internamente, não. James nasceu James e essa fatalidade não lhe dá chances de ser outro além dele mesmo.

Um filme excelente pra ser apreciado em qualquer tempo, qualquer horário.

Por: Vampira Olímpia.

Roubando Vidas (Taking Lives). 2004. EUA. Direção: D.J. Caruso. Elenco: Angelina Jolie (Illeana Scott), Ethan Hawke (Costa), Kiefer Sutherland (Hart), Gena Rowlands (Sra. Asher), Olivier Martinez (Paquette), Tchéky Karyo (Leclair), Jean-Hughes Anglade (Duval), Paul Dano (Asher – jovem), Justin Chatwin (Matt Soulsby), André Lacoste. Gênero: Suspense. Duração: 103 minutos. Música: Philip Glass. Baseado em livro de Michael Pye.