Em um tempo onde coisas coloridas com as calças do Tiririca é a moda e poluem nossos jovens, e vampiros maquiados dita a qualidade das obras destinadas à diversão cinematográfica, baixo minha cabeça e rezo para a boa e velha diversão de qualidade. Ainda que alguns tentem manter isso e levam a sério a coisa, produzindo obras respeitadas, mas com defeitos bobos, como o recente Homem de Ferro 2, que mesmo eficiente acaba de auto flagelando nos próprios erros consegue ser divertido a beça e nos entreter com dignidade, o que podemos notar é um quase apocalipse cultural. As músicas boas tornam-se escassas e os filmes divertidos de verdade acabam se resumindo em saudosas reprises em nossos DVDs ou sessões na TV.
Mas os poucos que lutam para a boa qualidade dos filmes de ação e do entretenimento puro e verdadeiro estão aí. Veio o excelente Kick Ass e agora, me deparo com esse surpreendente Esquadrão Classe A. Antes que faça julgamento errado de mim, o filme é sim, cinematograficamente falando uma bela bosta. Mal dirigido, uma edição porca, clichês e canastrices. Mas tudo isso, é feito com uma maestria digna, e todos os elementos ruins aqui são saudosistas, e nos divertem como nossos amados clássicos absurdos e eternos dos anos de Sessão da Tarde e Cinema em Casa. Trata-se de um filme tão bacana, tão empenhado em divertir, que perdoamos suas falhas e caímos de cabeça. E suas duas horas que passam voando compensa o ingresso.
Baseado em uma famosa série de TV dos anos 80 (olha que coisa), o filme acompanha 4 soldados que trabalham por conta própria. Liderados pelo sistemático e esperto Coronel Hanibal Smith (Lian Neeson), Cara de Pau (Bradley Cooper), Murdock (Sharlto Coopley) e B.A. (o ex lutador de vale tudo Quinton Jackson) usam planos altamente estudados e realizam todo tipo de missão impossível. Em uma delas, a de evitar que placas de falsificação de dólares cheguem em mãos erradas acompanhado de milhões da moeda já falsificados, acabam vítimas de uma traição e vão presos. Com a oportunidade de escapar da prisão e limpar seus nomes, iniciam um plano que dará fim ao esquema e limpará seus nomes.
Joe Carnahan conduz o filme com todo tipo de artifício que lhe foi concebido: efeitos especiais usados até a exaustão, tomadas aéreas vertiginosas, roteiro com as mais mirabolantes idéias e claro, atores que, ainda que canastrões, muito carismáticos, e que fazem a coisa toda valer a pena. Cada clichê que ele insere em cena funciona, e sem exigir muito (coisa que não dá num filme como esse) acaba se divertindo a beça com material de qualidade.
Ao contrário de seres como Michael Bay e Rolland Emmerich, que fazem obras moralistas e carregadas de seriedade quando deviam ser desligados disso, Joe consegue bolar dentro das próprias mentirosas seqüências, momentos divertidos e ritmados, demonstrando estar bem a vontade no filme. Mesmo que desembeste e perca a mão fazendo comprometer o que estava construindo (o que explica a direção ruim) abusando de cortes e cenas montadas em um triturador, o que ele faz é deixar a coisa toda tão descompromissada e se diverte, bem como quem assiste.
Cenas como, o grupo planejando um ataque e ao mesmo tempo o ataque acontecendo, ou a já antológica cena do tanque de guerra (sim, muito boa mesmo!) só mostram isso. E o nível de baboseiras absurdas só fazem o filme crescer no meu conceito. Ele abraça a filosofia do “é um merda, vamos nos divertir com isso”, bem como os filmes de ação das antigas.
Claro que, sem querer comparar com obras inesquecíveis como Máquina Mortífera, Rambo ou Bradock ou qualquer coisa do Charles Bronson, mas a partir do momento que o diretor demonstra culhão suficiente para despir a roupa de cineasta de filmes mais sérios, como o fodaço Narc, ou filmes de ação mais inteligentes como A Última Cartada e se assume um ótimo condutor de aventuras descerebradas, já merece atenção.
O chato é ver a turma abrir mão desses filmes com essa proposta (a de divertir acima de tudo sem outros métodos ou artifícios) para acompanhar a vampirada boiola ou os filmes que lotam as salas 3D. Para isso, Joe nos brinda com outra passagem deliciosa, onde ele alfineta com gosto esse tipo de filme: num sanatório onde esta rolando um filme em 3D. A reação dos pacientes é a grande piada.
Explosões, piadas e frases de efeito, situações cômicas – involuntárias ou não – e saio do cinema feliz. Me diverti por duas horas com um filme imbecil e adorei. Lian Neeson, que errou feio em Fúria de Titãs ganha meu respeito de novo com seu charuto e dizendo ficar louco quando um plano dá certo. Bradley e Sharlto, vindos do hilário Se Beber não Case são os que se mostram ainda mais bem a vontade. Sharlto principalmente, o filme se torna mais agradável devido a seu personagem idiota. Bradley que se mostrou um pouco desconfortável, mas ainda assim se saiu bem. Não dá de exigir a melhor atuação do cinema em um filme desses.
Quinton Jackson, o estreante, é a cara do Mr. T, o eterno B.A. da série original, e ele em seu primeiro filme, consegue ser melhor que a veterana (e infelizmente um dos calcanhares de Aquiles do filme) Jessica Biel. Ela é toda perdida e não é de nenhuma relevância dentro do filme. O show mesmo é ver os 4 juntos com suas palhaçadas e vontade de salvar o mundo destruindo metade dele.
E diferente de bombas como G.I. Joe, Esquadrão Classe A não é aparentemente tão idiota e mesmo o sendo, é tão eficiente e mais divertido, que compensa a assistida. E seus atores são melhores que os do filme do Sommers, que diga-se de passagem, é uma bela bosta. Com esse aqui é diferente. É tudo tão errado que dá certo, e as diversões “sadias” de minha infância voltam com ar saudoso e cara de século XXI. Adorei Esquadrão Classe A e indico a todos que procuram diversão das boas.
Nota: 8,0
Cotação: *****.
The A-Team, EUA (2010)
Direção: Joe Carnahan.
Atores: Liam Neeson , Bradley Cooper , Sharlto Copley , Quinton Jackson , Jessica Biel.
Duração: 124 minutos.
“Se você tem um problema, se ninguém pode ajudá-lo e se você puder achá-los, talvez você possa contratar o Esquadrão Classe A”






















