Por Eduardo Maurício.
Esse definitivamente não foi o ano da ficção, apesar de algumas ressalvas como o ótimo “Sem Limites” e o bonzinho “Contra o Tempo”, o gênero passou batido em 2011, e “O Preço do Amanhã” não é aquele que vai mudar esse fato.
Apesar de incoerente, a história é interessante de fato, o erro está na execução, realizada de forma decadente, clichê e cheia de furos.
Em um futuro distante, as pessoas não envelhecem a partir dos 25 anos. O que determina sua mortalidade é um relógio biológico refletido no pulso. O dinheiro não existe mais, com isso, as pessoas são pagas com tempo. O lado ruim disso é que os pobres estão com a corda no pescoço, cada vez mais presos ao trabalho e sem tempo a perder, enquanto os ricos gozam da imortalidade em uma região nobre separada da classe baixa.
Will (Timberlake) é um jovem de 28 anos que mora no gueto, trabalhador de classe baixa, segue sua corrida e sofrida vida naturalmente, até que no mesmo dia em que sua mãe morre, recebe de um homem mais de 100 anos de vida com a condição de não desperdiçar este tempo. Will então resolve iniciar um plano de infiltração que consiste em derrubar o sistema que favorece os ricos e que pouco se importa com os muitos pobres que morrem todo o dia.
PONTOS NEGATIVOS
O filme (que à princípio me lembrou o ótimo “Gattaca”, de 1997) começou bem, embora já ignorando uma explicação valiosa: “Como diabos uma criança nasce com uma contagem regressiva no pulso?”…
No desenrolar da trama, outras dúvidas começam a pipocar:
“Como os vivos conseguem viver eternamente contando unicamente com um relógio biológico? Até onde sabemos, não é mencionado nenhuma substituição de órgãos internos que impedissem o desgaste dos naturais”… Tudo bem, seguimos em frente…
Surgem então os ladrões, obviamente os caras que vagariam pelas ruas roubando tempo de vida dos cidadãos mais indefesos. Dado o caótico ambiente em que vivem, nada mais natural, se não fosse por um pequeno detalhe: para se roubar ou transferir um tempo de vida basta um aperto braçal.
Aí eu me pergunto… Não deveria existir algum tipo de senha que impedisse a transferência indevida de uma pessoa para a outra? Afinal não estamos falando só de dinheiro, mas de uma vida humana! Como algo tão tecnológico consegue ser tão desprotegido?…
Tudo bem, mais uma vez seguimos em frente.
Ai surge a personagem de Amanda Seyfriend, Sylvia, uma garota rica que acaba se envolvendo com Will. Pronto, é a gata d’água. Dois jovens bonitos, solteiros, sendo obrigados a andar juntos 24 horas por dia. Independente do que estiver acontecendo, independente do mundo estiver acabando, sempre vai haver sexo, beijos e amaços entre eles, e nos momentos mais inconvenientes possíveis – como na lamentável cena em que Will, mesmo cercado por seguranças durante uma festa de gente poderosa, bota seu “importantíssimo plano” à perder convidando Sylvia, a filha do grande chefão para tomar um banho de praia… O rapaz é muito, mas muito ousado sem noção.
Ignora-se totalmente o bom senso de tornar o roteiro crível para se aprofundar numa trama cheia de clichês, incoerência e imaturidade.
“O Preço do Amanhã” é o tipo de filme que começa ganhando sua atenção, só para depois te obrigar observar sua decadência ao longo dos minutos. São poucos os momentos inspirados e o final então nem se fala, mais fraco impossível.
O triste é imaginar que em boas mãos, com uma base dessas, o resultado poderia ter sido épico! Em fim…



