Um Crime de Mestre (Fracture. 2007)

Um Crime de mestre é diferente de um crime perfeito.

Me parece que a diferença é que um crime de mestre é possível. A Polícia consegue descobrir quem matou, e até o por que matou, mas não sabe como provar por não ter provas.

Já um crime perfeito cometido por um animal imperfeito, me parece impossível; e de fato, é. O homem, como qualquer outro animal, deixa rastros, marcas, impressões, que o denunciam em seus atos, mesmo com uso de luvas etc e tais.

O mestre desse filme é um mestre como ator: Anthony Hopkins! Marido traido por sua esposa decide matá-la. Faz, mata. Consegue burlar todas as provas contra ele, e numa luta entre o bandido e o mocinho, o filme se desenrola de uma maneira muito interessante e até cômica. Convenhamos que o humor de Hopkins não é abalado nunca rsrsrsr. Quem ganha somos nós, fãs de carteirinha.

Uma curiosidade: Hopkins escolheu Ryan Gosling para contracenar com ele tão logo recebeu o roteiro do filme em mãos.

Achei a escolha muito assertiva. Deu muito certo o casamento do protagonista com antagonista. Afinal, a Polícia para alcançar o bandido tem que pensar como ele…

Um Plano Simples

Um Plano Simples – A Simple Plan

Direção: Sam Raimi

Gênero: Drama, Suspense

EUA – 1998

Decidi assisti a todos os filmes de Sam Raimi; não que eu pense que se trate de um diretor excepcional, mas tem algo nele que eu gosto: ele não faz do cinema um momento de contos de fadas (o final desse filme deixa claro a que me refiro). O quanto de metáfora isso possa significar, a saber.

De saída, um filme que se pretende simples já demonstra ser complicado. Porém, nem por isso o diretor precisa complicar as coisas. Neste sentido, Sam Raimi está de parabéns. Não dificultou o contexto e nem coloriu com fantasias todo o plano, ou melhor, o longa. Aliás, as cores do filme são duas: o branco da neve e o preto dos corvos. No entanto, não é por isso que o filme não se apresenta colorido.

O branco da neve é uma constância nos 121 minutos de longa-metragem. Cenário gélido, relações gélidas. Tudo é muito gelado no filme. Tanto a relação de Hank Mitchell (Bill Paxton) com seu irmão Jacob Mitchell (Billy Bob Thornton, de Vida Bandida), quanto sua relação com sua esposa grávida Sarah Mitchell (Bridget Fonda) são congelantes, mesmo quando os ímpetos violentos comparecem. Na verdade, Hank Mitchell é o branco da neve (não confundir com Branca de Neve :P ).

Em contrapartida, há de se lembrar do preto dos corvos. O corvo já foi fonte de inspiração para Edgar Allan Poe, e é preciso reconhecer que o escritor não se engana em eleger como sua musa esse pássaro que anuncia a morte; afinal, “é apenas uma visita que pede entrada na porta” (…). No filme, o corvo não é tão facilmente identificável. Tende-se a pensar que são as pessoas mortas ou as mortes que batem na porta de entrada; mas, a morte, ou melhor, o corvo, isto é, o preto dos corvos, é o dinheiro.

Aqui é necessário rebobinar a fita e falar um pouco do que se trata o filme: Hank, Jacob e Lou (Brent Briscoe), em uma reserva florestal, encontram um avião abandonado, piloto morto e uma sacola contendo 4,4 milhões de dólares. Ou seja, 4,4 milhões de “problemas” em uma sacola. O corvo à espreita sabe que os três, por maior que seja a deliberação, vão decidir ficar com o dinheiro. Pois se 4,4 milhões é sinônimo de problemas, então é sinônimo de soluções, também. O que pesa mais: problemas ou soluções? Eis o plano simples proposto por Hank Mitchell, o branco da neve, “quando a neve passar, a primavera chegar e ninguém reclamar da falta do dinheiro, então o dividiremos em três partes iguais. Até lá a soma ficará comigo”, não é literal, mas a ideia é essa. A partir desse momento, o branco e o preto se misturam. E a raposa? Bom, esta já capturou sua parte há muito tempo.

Por: Deusa Circe.

AntiCristo

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AntiCristo – AntiChrist

Direção: Lars von Trier

Gênero: Complexo demais para defini-lo, mas … Thriller Psicológico, Terror

Dinamarca – Alemanha – França – Suécia – Itália – 2009

Von Trier,  cineasta dinamarquês, não poupa esforços para fazer de sua obra a mais complexa amostra de cultura de 2009 no mundo. Mal compreendido no Festival de Cannes, onde fora questionado do por que fez esse filme, defende-se como pode e deve, entenda como quiser:

“Trabalho para mim mesmo. Não devo satisfação a ninguém. Não tive escolha (ao fazer o filme). Foi a mão de Deus, eu temo. E eu sou o maior diretor de cinema do mundo. Não sei se Deus é o melhor Deus do mundo”, completou.

Polêmico.

AntiCristo (nome também de uma bela obra de F. Nietzsche – Filósofo Alemão) foi realizado pelo diretor num momento em que tentava superar uma crise de depressão. Segundo ele:

“Não conseguia trabalhar. Seis meses depois, apenas como um exercício, escrevi um roteiro. Foi um tipo de terapia, mas também uma procura, um teste para ver se eu ainda faria algum filme”.

E fez bonito!

A Depressão não é um fetiche burguês, um piti nostálgico que liga nada a lugar algum. Não. A Depressão corrói o sujeito por dentro entre uma Melancolia faltosa e um vazio absoluto que vai aos cumes do desespero. No texto Luto e Melancolia, Freud conceitua Luto como um trabalho psíquico que diz respeito a  reação à perda de objeto de investimento libidinal, onde uma de suas maiores características é a incapacidade de investimento em outro objeto. O momento do luto, portanto, é do sujeito se recompor de tal perda para então conseguir investir energia em outro objeto.

Sabedoria popular: Não dizem que cura-se um mau de amor com um amor mais especial? Exatamente. No momento em que “aparece” um amor mais especial é o momento em que o sujeito já dá conta de investir energia em outro.

E a Melancolia que é agente direta da Depressão? Conceitualmente é a mesma coisa do Luto, porém com nuances mais delicadas. Primeiramente, demora demais para cessar o tempo de reação à perda. Segundo, uma das maiores características é a Autodepreciação. A autodepreciação é importante para entender que na verdade quando o sujeito diz: “eu não presto pra você, sou chato, mau, idiota etc” ele está dizendo que o objeto de seu investimento libidinal que não presta ;) . Por isso, os suicidas escrevem cartas maravilhosas: “Eu não presto, o mundo é bonito demais pra mim” ou “Essa vida não me traz mais nada, não compensa ficar nela para te dar trabalho” e por aí vai, no fundo trata-se de um ódio absoluto que ao invés de ser dirigido pra fora é dirigido pra dentro, pra si próprio. Autoagressividade. O Suicida quando se mata está matando o objeto de amódio. Por isso, também, a carta. É preciso que ele culpe o objeto a ponto de deixá-lo – o objeto – com o máximo sentimento de culpa que ele puder.

Obviamente que o assunto não cessa aqui, é longo, vasto e in-tenso. Mas com essas premissas em mão é possível entender melhor a obra de von Trier que se divide em capítulos que pelos títulos já se tem uma noção do que virá.

Respeitar o Luto é de suma importância tanto pra quem sente, quanto para quem convive com um sujeito de e em luto. Explicações racionais não são alcançadas para quem sofre. Não adianta um médico dizer para um sujeito às raias do desespero: “Você tem depressão”. E daí? Saber disso não o cura!!! O diagnóstico serve mais para o profissional como forma de saber como vai trabalhar com aquela pessoa do que para a pessoa em si que nem sabe o que fazer com isso…

Além disso, o filme é uma crítica direta ao americanismo do fast food terapêutico, onde são pautados no Behaviorismo que privilegia apenas a consciência do sujeito. Mas, isso é um longo assunto que pode ser massacrante para um blog onde a pauta é cinema rsrsrs. Freud, felizmente, não morreu.

Paciência, silêncio e atenção são elementos básicos para assistir o filme. Ele lida com questões humanas densas, feridas, fraturas expostas. Segundo Freud, quando se abre uma caixa de escorpiões o que encontrará lá dentro? Escorpiões. Não se iludam.

Por: Deusa Circe, Vampira Olímpia (Vamp) e Morgana.

G.I. Joe – A Origem de Cobra (The Rise of Cobra)

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G.I. Joe – A Origem de Cobra – G.I. Joe – The Rise of Cobra

Direção: Stephen Sommers

Gênero: Aventura – Ação.

EUA, 2009

“Luz, câmera, AÇÃO”!!!!

Impressionante como existem diretores que levam isso ao pé da letra, não? G.I. Joes lá fora, no Brasil chamados de Comandos em Ação. Se as meninas tem Barbie, Susie, Bebezinho e a turma da Moranguinho para brincar de bonecas, nos anos 80, os meninos tem, com os Joes, os bonequinhos de ação. A beleza do Cinema é não fazer dessa cultura um Apartheid, serve para meninas e meninos.

Porém, desliguei o dvd pensando: Será que eu não gostei por que esse filme é “de” menino demais? Não, não. Não é por isso, é porque o excesso de ação poluiu de tal maneira o filme que ficou ruim.

Excesso de computação gráfica + flashbacks mal feitos + sem surpresas + todos os clichês típicos do cinema = esse filme.

Digo sem surpresas porque foi extremamente maniqueísta: eterna luta do Bem contra o Mal. gijoe_62 Quem vence? A bandida que era mocinha e se tornou bandida pq foi abandonada, o que acontece com ela? A mala que dá um fora em todos os rapazes até que aparece um mais atrevidinho, o que acontece com eles? E por aí vai…

Os Joes tem muitos poderes. Vestem umas roupas e podem ficar até mesmo invisíveis. Mas, aquela luta subaquática não me convenceu. Bom… ainda bem que as roupas deles variaram, deu pra identificar os malzinhos dos bonzinhos. Confesso que com a minha hipermetropia, tinha momentos que não sabia quem era quem.

Muito ruim! Não recomendo!

** Imagens retiradas da Internet.

Por: Deusa Circe.

Nascidos para Matar – Full Metal Jacket

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Nascidos para Matar – Full Metal Jacket (Born to Kill)

Direção: Stanley Kubrick

Gênero: Guerra

EUA – 1987

“Sim, estou num mundo atolado em merda. Mas, estou vivo e não estou com medo”.

Não sei se começo falando da inusitada música infantil “Mickey Mouse”, se passo pela ironia de “papaum-mau-mau-papaum-mau-mau” em pleno ataque e guerrilha ou se já chego direto ao ponto: Esse filme foi dirigido por Stanley Kubrick.

Com exceção de “De Olhos bem Fechados”, gosto muito desse Diretor. O inusitado nele não me decepciona, ao contrário, por vezes me faz rir.

Born to Kill é uma crítica ao militarismo que leva à desumanização. Composto por duas partes onde a primeira os fuzileiros se encontravam na Coorporação, em treinamento e aqui vale dar uma pausa para fazer algumas colocações:

O filme já se inicia com a dura realidade do “Exército”. Porém, não vemos duras torturas, nada que seja abominável, o que alimenta o teor psicológico do filme.

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Pyle, da equipe, é o que não se encaixa. Seu humanismo é visível, ele não tem o perfil dos demais companheiros. Está acima do peso, não faz os exercícios direito, tem medo, hesita. É a ovelha negra.

Essa primeira parte é importantíssima pra captar a idéia de Kubrick: como treinar o homem a deixar de ser humano e se tornar um cão.

A segunda parte mostra os fuzileiros já na Guerra do Vietnã.

“Os mortos só sabem de uma coisa:

É melhor estar vivo”.

Será que sabem? E os vivos, será que sabem como é bom estarem vivos?

Na composta narrativa de Joker, um fuzileiro que faz parte da “Imprensa de Guerra”, podemos conferir o dia-a-dia dos soldados, seus treinamentos e momentos em guerra sob o pano de fundo de uma crítica implícita aos objetivos de um combate. Kubrick usa do humor sarcástico, negro, do sadismo de alguns personagens, para montar esse quadro, acredite, quase sem sangue e sem apelações comotivas.

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“Escrevemos nosso nome nas páginas da História hoje”

Não entrarei no mérito da Guerra do Vietnã como real e histórica porque, ao menos pra mim, não vem ao caso essa discussão agora; pois Kubrick mostra a exemplo dessa Guerra a falta de sentido de todas as outras Guerras… que a humanidade presenciou e ainda vai presenciar.

Perante tanto imperialismo: ‘Mickey Mouse’ (…) ‘Mickey Mouse’ , pode ser visto como o resgate da fantasia de que tudo está bem.

E foram felizes para sempre.

Por: Deusa Circe.

O Homem Elefante

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O Homem Elefante – The Elephant Man

Direção: David Lynch

Gênero: Biografia, Drama

EUA – 1980

Nunca, nunca!
Nada morrerá.
O rio corre,
o vento sopra,
as nuvens movem-se rapidamente,
o coração bate.
Nada morrerá.

**Baseado em fatos reais.

Há tempos queria assistir esse filme, mas sempre algo me tirava desse destino. As coisas não são por acaso, é preciso um olhar mais calmo com esse filme de Lynch, o mais “normal” até então, em minha opinião. Também não daria pro Lynch chafurdar o bizarro, pois o Homem-Elefante já é por demais estranho e o Homem-normal, mais ainda.

O ser humano, pra mais uma vez comprovar que não respeita as diferenças, faz de uma deformidade física, uma doença rara,  uma atração circense. À margem da sociedade até que um médico (Anthony Hopkins, super novo) volta seu olhar pra ele. Interesse? Status? Descoberta Científica?

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Fato é que de um suposto bronco em nome de seu aspecto físico deplorável, temos uma bela criatura em seu interior dócil, inteligente e gentil. A Bela e a Fera morando na mesma casa, no mesmo corpo. As atitudes pacíficas de Merrick (Homem-Elefante) tornam-se cada vez mais tocantes quando postas frente-a-frente à arrogância de um homem saudável; homem que colonializa, que é mais predador do que qualquer outro animal no Planeta.

Lynch não poupa esforços pra ilustrar essa crítica. Ele me tirou o fôlego em três cenas:

1. Quando seus companheiros de circo e feira (corcundas, anões, gigantes e outros seres dotados de deformidades) se unem e o conduzem para a liberdade;

2. Na Estação Ferroviária onde as pessoas o cercam como se ele fosse um bruto, uma besta, e ele se defende afirmando sua humanidade (bem mais humano que muitos “humanos”);

3. Quando ele serve de atração para bêbados e prostitutas.

Um dos melhores trabalhos de Lynch, sem dúvidas. E pros que dizem que a Trilha Sonora não se diferencia, essa é bem diferente. Conta com “Adagio for Strings (Tiësto)” de Samuel Barber, uma música triste que a Rede Globo usou muito em suas novelas da década de 80…

Curiosidades:

- O diretor Mel Brooks foi um dos produtores executivos de “O Homem Elefante”, tendo sido o responsável pela contratação de David Lynch e pela decisão em filmar em preto e branco. Entretanto, para evitar que o público considerasse que o filme fosse um sátira pela simples presença de seu nome, Brooks pediu que não estivesse presente nos créditos do filme.

- O diretor David Lynch chegou a tentar ele mesmo fazer a maquiagem de “O Homem Elefante”, mas desistiu após concluir que não conseguiria fazê-la de forma satisfatória.

- A maquiagem de “O Homem Elefante” levava 12 horas para ser feita a cada vez que era aplicada em John Hurt.

- O orçamento de “O Homem Elefante” foi de US$5 milhões.

Por: Deusa Circe.

Trilogia das Cores: Liberdade é Azul

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Trilogia das Cores:

Liberdade é Azul – Trois Couleurs – Bleu

Direção: Krzysztof Kieslowski

Gênero: Drama

França – 1993

Quando me deparei com os três filmes intitulados como parte da Trilogia das Cores, onde Liberdade é Azul, Fraternidade é Vermelha, Igualdade é Branca, percebi se tratar das cores da bandeira da França e do lema tão querido por todos nós pós-Revolução Francesa: Igualdade, Fraternidade, Liberdade.

Quis saber um pouco mais sobre esse diretor que ainda não tinha entrado em contato. Trata-se de um polonês que fez filme polonês e francês. Esses três fazem parte de um segundo momento de sua obra, totalmente produzida na França.

Pretendo falar sobre esses três filmes aqui no nosso Cinema, hoje arrisco umas linhas sobre Liberdade é Azul.

Eu fiquei muito contente em saber que cor ela tem, pois na verdade tenho pra mim que uma das impossibilidades humanas é ser livre. Entendo como ser livre não aquele que goza do direito de ir e vir, apenas; mas, aquele que de tão livre as palavras faltam por não conseguir apreender a totalidade do conceito.

Julie (Juliette Binoche) sofreu um acidente com sua família e foi a única sobrevivente. Tenta se matar mas não consegue. Viver, parece, é maior do que essa perda e dor. A dor dela é visível, é notória, mas sufocada. Completamente sufocada. Cada um com sua maneira de lidar com seus sentimentos.

Achei belíssimo a cena em que ela encontra sua empregada chorando e então lhe diz:

- Marie, por que você chora?

E Marie, experiente de cabelos brancos, responde:

- Choro porque a Senhora não chora.

Aquilo ali foi lindo… sem palavras! Elas se abraçam e Julie consola Marie não sei se como quem diz: “Passa” ou como quem diz: “É… não consigo chorar…”

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Por mim, contemplaria esse diálogo por longas horas na companhia de um bom vinho, mas de tão bom que é o filme, sou convidada por mim mesma a continuar a escrever.

Julie, riquíssima, esposa de um excepcional compositor que toca as músicas que ela faz rsrsrs, abandona toda sua riqueza, toda a matéria que a cerca, para gozar de um anonimato e de uma liberdade que se pretende azul. Como ela diz, essas coisas todas são armadilhas…

Será?

Faz amizade, por acaso, com uma prostituta. Achei significativo o diretor colocar isso em cena e em pauta… Admira um flautista e se assume humana…

Será possível ser livre com o abandono da matéria? Os Budistas acreditam que sim, ainda que numa perspectiva outra.

Eu já penso diferente, embora não tenha apegos materiais. Penso que o que nos prende, além de um corpo limitado e limitante que todos nós temos (não sabemos voar), são os conceitos que formamos das coisas, as idéias. Isso não está na matéria, está em nós mesmos e tudo depende da forma como lidamos com a vida…

Indico, recomendo, esse filme pra ontem!

Por: Deusa Circe.

Harry Potter e o Cálice de Fogo

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Harry Potter e o Cálice de Fogo – Harry Potter and the Goblet of Fire

Direção: Mike Newell

Gênero: Aventura, Fantasia

EUA – Reino Unido – 2005

Escolhi falar desse filme por alguns motivos que marcam uma passagem, tanto em estrutura, quanto em amadurecimento desenvolvimentista dos personagens.

1. Esse é o filme que dá entrada à sexualidade.

2. A competição, como requer o mundo capitalista, foi dada a largada sem retornos.

3. A morte comparece.

4. As crises, portanto, começam a fazer parte não apenas externo aos personagens, mais internamente também.

Vamos começar do início.

O ano em Hogwarts é de competição, provas pesadas. Torneio Tribruxo que reúne alunos de várias escolas de magia é sediado pela escola comandada por Dumbledore. Tribruxo já deixa a entender que são três competidores, um de cada escola, mas por uma armação vinda sabemos de quem Harry Potter entra na jogada.

São os competidores:

*Harry Potter,
*Cedrico,
*Victor Krum,
*Fleur.

Com essa simples sinopse, podemos falar dos conteúdos apresentados no filme.

O Cálice de Fogo começa com a família de Ron, unidos a Harry Potter e Hermione, indo ao campeonato mundial de Quadribol, no caminho, encontram com Cedrico e seu pai.

Importante notar essa cena. Assim que Gina (irmã caçula de Ron, também bruxa) e Hermione batem os olhos em Cedrico a platéia da obra já percebe que finalmente os nossos bruxinhos favoritos estão no caminho do amadurecimento corporal-sexual. São adolescentes. Sairam do mundo infantil onde a sexualidade é latente, não-manifesta.

E esses indícios não param por aí. Já na escola, Minerva reúne seus alunos para ensiná-los a dançar no baile de confraternização. A dança do acasalamento rsrsrs. Ser humano é tão bonito de vez em quando… Hoje temos grandes boates com gente que dança de maneira mais esquisita do que antigamente, antes, dançávamos agarrados, hoje, cada um na sua em nome da esquisitice chamada individualismo. Mas bem da verdade, os bailes de outrora e as boates de hoje fazem parte do jogo de sedução de nós, Homo sapiens. Resumidamente, as danças de acasalamento. Não deixa de ser lindo… Contemplo de maneira cosmopolita e distante essas atitudes humanas descritas por muitos como “muito loucas” sendo que no fundo o objetivo é o mesmo: se unir sexualmente a alguém e evitar assim, a solidão tão temida por muitos.

O ser humano é um bichinho demasiadamente frágil… essa é uma das partes que acho mais bela no ser humano: sua fragilidade constante disfarçada entre a força dos grupinhos e panelinhas rsrsrs. Aqueles que não tem medo da solidão, ou ao menos convive bem com ela, consegue entender melhor essa observação.

Mas voltemos ao filme…

A escolha do par! Oh my god!!! rsrsrs Esse é sempre um ponto confuso, mas os adolescentes conseguem confundir mais ainda, tudo em nome da inexperiência. É bonita essa fase: Será que ele vai me convidar pra festa? Será que se eu chamá-la, levarei um não? rsrsrs
E aí acontece de tudo, a menina admirada por X também é por Y e já foi convidada por Z, enquanto algumas ainda nem foram cogitadas a serem convidadas. Aqueles mais tímidos, os mais atrevidos, os pares vão se formando ou não. Mas, por fim, “Deus” não abandona ninguém rsrsrs: todos se divertem, de uma maneira ou outra, mesmo que seja só-depois quando lembrar das festinhas da escola. rsrsrs

Victor Krum, esportista e admirado por Ron, convida Hermione pro baile. Motivo de ciúmes. Engraçado também notar mais esse elemento nesse filme: o ciúmes como “sinônimo” de amor e proteção… rsrsrs. À distância, todo ciúmes saudável é interessante de ser notado rsrsrs. Cedrico convidou a menina que Harry gosta e por aí vai…

Já no baile, aqueles olhares que dizem tudo fazem parte da festa, tanto dos personagens quanto de nós do outro lado da telona. Beijos, danças, promessas não-ditas…

Enquanto isso, na Sala de Justiça, o campeonato pesadíssimo, com provas estranhas, acontece. Os nossos heróis são posto sob o crivo da morte e da vida.

Freud dizia que sexo e morte caminham juntos… Tem uma longa e vasta explicação pra isso, coisa que não esgotarei aqui essa proposta, mesmo porque é inesgotável. E de maneira interessante, justo no filme do Harry em que a sexualidade vem à tona de maneira não disfarçada, com ela vem também a morte.

“Volde-morte” fez sua vítima, não a que ele tanto deseja, mas alguém especial tanto quanto. Os alunos não são poupados, recebem a notícia por Dumbledore como ela é. Já cresceram, já até dançaram e namoraram, não há mais motivos de disfarçar o indisfarçável e dizer que o amiguinho foi pro céu pra se unir a Deus…

Esse filme não se esgota em detalhes, se procurar é certo que acha, mas paro por aqui, resta a vocês assistirem a esse filme e/ou comentarem abaixo.

Por: Deusa Circe.

Bruxa de Blair

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Bruxa de Blair – The Blair Witch Project

Direção: Daniel Myrick e Eduardo Sánchez

Gênero: Terror

EUA – 1999

“JOOOOOOOOOOOOOOOSSSSSHHHHHHH!!!”

Quando se fala em Bruxas os afetos mais infantis vêm à tona, ainda que não seja percebido por muitos. Bruxas fazem parte da maioria dos contos de fadas e os pais se valem muito disso para amedrontar os filhos desobedientes.

Um filme que leva o nome de Bruxa automaticamente já é sondado nas mentes da maioria como algo misterioso e assustador. Histórias de acampamentos! Quem não gosta do momento em que o papo passa a ser sobre o sobrenatural em plena luz da fogueira com todos já mais pra lá do que pra cá depois de boas doses de “cachaça e risadas”?

Talvez por isso que muitos não gostaram de Bruxa de Blair, por imaginarem bruxas narigudas e cheias de verrugas com o poder de magia incrível, por quererem ver, de fato, uma bruxa em ação. Fato é que as “bruxas” compõem um terror muito mais psicológico, ao contrário dos Vampiros do cinema, que com uma estaca bem cravada acaba com o terror imediatamente e todos são felizes pra sempre.  Já as bruxas, o que fazer com elas?

Ser bruxa não demanda transformações corporais como outros seres mitológicos, mutantes e assustadores. Ao contrário.

Bruxa de Blair tem alguns defeitos, mas foi genial a maneira como foi divulgada: “Um documentário real”.

Uma curiosidade é que para manter o máximo de veracidade, os atores concordaram em ceder seus próprios nomes para os personagens que estavam interpretando. Outra curiosidade que ajudou a dar status de verídico é que durante a realização das filmagens, os diretores Daniel Myrick e Eduardo Sánchez utilizaram um método incomum: deram o mínimo de material para os atores e os deixaram na mata, cada um com uma câmera de vídeo.  A produção do filme apenas entrava em contato com os atores ocasionalmente e através de bilhetes que diziam o que cada um devia fazer.

Ou seja, nem os atores sabiam direito o que fazer e qual resultado teria. De maneira que a histeria coletiva torna-se mais verdadeira. Claro! Os Diretores provocaram o pânico psicológico e isso foi brilhante, – coisa de bruxos rsrsrs – em meu ponto de vista.

Outra curiosidade e esta eu achei genial sob o ponto de vista do retorno obtido em nome da criatividade é que o  filme é o recordista absoluto de lucro nas bilheterias. Tendo custado apenas 50 mil dólares, o filme arrecadou, nas bilheterias mundias, cerca de 202 milhões de dólares. Tem diretores que gastam 100 milhões e arrecadam pouco mais do que isso… Isso prova que pra ser inovador e inteligente, a criatividade conta bem mais do que o dinheiro, embora este seja também importante.

Eu gostei de Bruxa de Blair, ainda que a câmera passeou demais pra lá e pra cá. Eu, na época, pensei sim que aquilo era real, a internet que desmitificou essa idéia pra mim rsrsrs.

Teve continuação… vou revê-la e depois escrevo sobre aqui no nosso Cinema.

Por: Deusa Circe.

Deixe Ela Entrar

Deixe Ela Entrar

Deixe Ela Entrar – Låt den Rätte Komma In

Direção: Tomas Alfredson

Gênero: Drama, Terror

Suécia – 2008

Antes  de ser um filme sobre vampirismos e suas transformações, é um filme sobre as diferenças e suas aceitações.

A diferença é naturalmente uma ameaça para aqueles que não tem auto-confiança em seus espaços; é preciso, portanto, que se reconheça como uno e como diferente de todos os demais para abrir espaço pro novo.

Oskar é um exemplo que acontece em qualquer escola do mundo: um menino que é maltratado e apanha dos colegas no colégio  por não ser igual à maioria, por ser nerd [????], por ser diferente, melhor dizendo. Faz amizade com sua vizinha Eli, a menina-estranha que só aparece à noite.

Acima de mostrar a “chateação” prática em ser vampiro, ou seja, não poder se expor à luz, só se alimentar de sangue etc – isso que outros cinemas mostram à exaustão – , esse filme  mostra bem mais o que é uma vida sem socializações: não poder ter amigos, não poder ir à escola, não poder sair à luz do dia que já é tão fraca na Suécia e maior parte da Europa, não poder envelhecer e passar anos a fio com a mesma idade e tamanho… Já imaginaram o sofrimento disso?

Têm sofrimentos que são mais leves de serem carregados quando se tem um amigo…

Por: Deusa Circe.