
Onde tudo isso começa. Se já vem de berço e com o tempo ganha forma. Se é por não saber como lidar com suas próprias emoções. Nesse tocante ela pode ser por revolta, frustração, medo, raiva… ou um mix de tudo. Se é por não saber canalizar toda a força que traz dentro de si, e com isso sai cometendo barbaridades. Se o meio influi… Por conta disso, e muito mais, eis o tema da conversa de agora. E que mais que descobrir o que se passa dentro dos que praticam o bullying, também em ver se há um fim para isso. Vem comigo!

O tema reacendeu em mim após assistir “Ben X – A Fase Final“. Nele, o personagem Ben padece desde os primeiros anos escolares nas mãos dos colegas de classe. Por não o aceitarem no grupo, por ele ser ‘diferente’. O rapaz sofre da Síndrome de Asperger, um tipo leve de autismo. Freqüenta o mesmo colégio dos tidos como normais porque a doença não lhe tirou o entendimento das coisas. É até muito inteligente, com notas altas. Mas em vez de ter solidariedade, recebe é hostilidade. O de ficarem atirndo bolinhas de papel o tempo todo é até algo menor diante das outras agressões. A ponto dele querer dar um fim a tanto sofrimento. Pois seu limite chegara ao fim. Tal qual o jogo de RPG que usava como uma válvula de escape. É revoltante o que fazem. Não deixem de ver esse filme.
O filme também deveria ser visto por educadores, que o levassem para sala de aula. Que colocassem em discussão esse fenômeno bullying. Se já recebeu até um nome próprio, também poderia vir a ser um fato passado. Nossa! Seria bom demais se isso viesse a acontecer. As conseqüências dos que padecem nas mãos desses sociopatas, creio que muitos de nós é sabedor. Ou por experiência própria, ou por ter presenciado. Quando não, por o ter praticado.
Agora, como cortar esse mal pela raiz? Lembrei da minha avó, em algo que dizia ao ver uma criança fazendo alguma malcriação, pirraça, mal-feito… Ela olhava para o responsável pela criança e apenas dizia: ‘É de pequenino que se endireita o pepino!‘.
Eu já citei em um outro texto que filme é antes de tudo um entretenimento. Mas se por ele também se pode suscitar uma busca por uma causa maior. Por que não usá-lo? A partir dele, levar o tema à mesa de debates. Eu meio que entrei numa cruzada após ver esse filme. Levei o tema em algumas comunidades no Orkut. Teve depoimentos emocionantes de pessoas que sofreram nas mãos desses valentões.

Como também estou numa de ver e rever filmes onde há esse tipo de agressão entre pessoas de uma mesma geração. Dai, fui buscar primeiro em rever um Clássico. O filme “Juventude Transviada” (Rebel without a cause). Nele, o curto diálogo abaixo traz um indício, ou não. Eis:
“_Por que temos que fazer isso?
_Porque temos que fazer alguma coisa.“
Pois é, antes de iniciarem a tal prova estúpida para provar que não era covarde, o personagem do James Dean pergunta isso. Com a resposta do outro… Não seria apenas por falta do que fazer. Fica mais parecendo que não param nem para questionarem a si próprio. Fazer por fazer é atributo de uma máquina, não de um ser humano. E uma fala da personagem da Natalie Wood, meio que se constata isso. Que se tornam robozinhos. Ela diz mais ou menos assim:
“_Não dê créditos ao que eu falo quando estou com o grupo. Ali ninguém está falando a verdade. Somos fachada.“

Esse lance de ser apenas uma aparência, que é regra geral nesses grupos, tem como um exemplo, o filme “Grease – Nos Tempos da Brilhantina“. Onde não mostram, alguns, o seu verdadeiro ‘eu’. Onde têm sempre que não apenas bancar o durão, como também mostrar que o é de fato. E nesse também há os que são discriminados. Esses, por assumirem o que são de fato. Parece até que só é aceito no grupo se vier com o carimbo de fábrica. De que saíram da mesma linha de montagem. Por que não aceitar a diversidade da vida?
Agora, onde tudo começou? Não dá para aceitar apena de que todos eles vieram de uma família (lar) desestruturada. Embora seja um fator preponderante. Numa de manterem o ciclo de violência. Mas tem que ter algo mais que aflore neles esse lado violento. Bem, as sociopatias não são a minha praia. Não tenho o conhecimento que me embase. Dai fico nas conjecturas.

Se querem no grupo ‘iguais’, isso viria de copiar os pais, ou alguém que foram eles que elegeram como a figura paterna/materna? E até nisso há exceções. Pois há os que não seguem a mesma carga de preconceitos que vê em seus pais. Ou mesmo num deles. No filme “A Cura” (The Cure), há uma cena onde a mãe de um menino aidético é que mostra a mãe de um outro o quanto o filho dela é humano. Usando uma gíria antiga… O quanto ele é gente paca! Pois ele, por amizade, por carinho ao filho dela, enfrentou o mundo… Gente! A primeira vez que eu vi esse filme, eu chorei muito. Esse é outro filme que deveria ser exibido nos colégios. É lindo demais!

As afinidades entre uns, por ser discriminados por outros. Ou os que discriminam… Me fazem lembrar de alguns filmes que eu vi nas sessões da tarde… Que eu até gostaria de rever. Citando alguns: “Te pego lá fora” (Three O’Clock High); “Manobra Super Radical” (Airbone)… Um outro que eu não consegui lembrar o título, mas se a memória não falhou de todo, nele há a união de dois ‘diferentes’: um é deficiente físico, e o outro, só é bom de briga. Mas como o valentão precisa de notas, há uma troca de favores. Um acordo de cavalheiros.
Um outro que faz os ‘diferentes’ se unirem para mostrar seus valores, é o “Dias Incríveis” (Old School). Esse me pegou de surpresa por fazer a diferença entre outros tão iguais. No caso, refiro-me a trama. Por levar uma história nada rara – em mostrar rixas entre as fraternidades estudantis. Ele é um ótimo sessão pipoca.

Um que, mesmo eu já o tendo sugerido em outro texto, não tem nem como deixar de trazê-lo para esse. Refiro-me ao “Escritores da Liberdade” (Freedom Writers). Onde uma Professora mostra a eles o peso em discriminar um ‘diferente’. E o bom é que entenderam a lição! Pondo um fim nas discriminação.
E para finalizar, um que se não é a solução definitiva para por um fim nesse ‘fenômeno bullying’, pelo menos é um caminho. Por ser um mostrando um Diretor de Escola que traz uma punição adequada a um desses valentões. É o “Um Amor para Recordar” (A Walk to Remember).
Talvez, esse assunto também toquem em velhas feridas… Sorry! Mas não dá para evitar, se o que queremos de fato é não mais ver isso acontecendo. Principalmente com as crianças. Nem para as que poderão vir a sofrerem tal perseguição. Como também as que poderiam continuar perpetuando o bullying. Ficando um desejo de tirá-las disso. See You!Por: Valéria Miguez (LELLA) (Em 29/08/08).
P.s. (Em 02/08/10): Serginho Groisman – Campanha contra o Bullying
Para quem conhece meus textos sobre filmes, sabe que também estou nessa cruzada, e já há algum tempo.
Agora, é muito bom quando uma Campanha contra o Bullying, tem uma mídia como a Globo. Até pelo alcance dela.
Valeu Serginho!
Great!
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Your article perfectly shows what I neeedd to know, thanks!
Te parabenizei no face, e parabenizo por aqui. Depois de ter sofrido com abusos dos colegas por causa do meu peso, acabei desenvolvendo anorexia nervosa, mas por outro lado, faço palestras nas escolas falando dessa violência, alertando não só alunos como também professores.
Assisti alguns filmes também para fazer minha monografia, não sei se conhece “Bang, bang! Você morreu!” É excelente para ser trabalhado em sala de aula.
Não sei se um dia isso terá fim, mas é possível que as escolas criem projetos de prevenção e combate não apenas para uma semana, mas para todo o ano letivo. Aliás, isso é uma coisa que eu questiono muito…
Também acredito na preparação de profissionais para lidar com essa prática, e esta preparação, acredito que deveria vir já nos cursos de graduação seja pedagogia, letras, educação física, etc. Caso contrário, quando o profissional de ensino sair da faculdade e se deparar com essa triste realidade, não saberá como agir, e não sabendo, ficará sentado “dando milho aos pombos..”
Essa questão do agressor é realmente muito complicada, podem existir vários fatores: familiar, a necessidade de chamar atenção, visto que eles podem ter a autoestima baixa por não conseguirem se destacar de forma positiva em nada, podem considerar que não estão fazendo nada demais, porque já que eles passaram por isso, outros também podem, enfim…
Acredito que os professores devem ficar atentos, punir esses agressores porque eles precisam entender que tudo que fizerem seja bom ou ruim trará consequências, e resgatar esse jovem para o lado bom, Não sei se é utópico, mas eu acredito nisso de verdade, afinal, todos temos nosso lado bom.
Desculpe o depoimento enorme, rs, é que realmente esse assunto me interessa e me empolga, rs.
Beijos!
Lidiane!
Fico lisonjeada, e ao mesmo tempo solidária com o seu depoimento!
Vou procurar pelo filme que falou.
E continuarei nessa luta em No More Bullying!
Beijos!
Já eu te parabenizo só aqui porque no FB conheço muita gente (antigos colegas e minha família inteira) e não quero que leiam meu comentário, me sinto exposta, são coisas minhas que dizem só respeito a mim. Realmente muito bom texto. Quem nunca passou por essa situação não pode imaginar a quem ponto ela é traumática. Foi de longe a pior situação pela qual eu passei na vida. A sorte é que eu fui embora daquela escola.
Daia, primeiro pedindo desculpas pela demora nesse retorno. Por certas coisas, resolvi me afastar um tempinho da internet. Já fiz isso outras vezes. Reavaliar alguns pontos. Enfim, voltando
Um que me incomodou por um tempo, eu tive oportunidade de ficar cara a cara com ele muitos anos depois. Como na época do bullying ele era muito criança, talvez uns cinco anos mais jovem que eu, nesse reencontro por acaso, eu não sei se ele lembrou do que me fez. Eu creio que não, seguindo a máxima de: “Quem bate, esquece. Quem apanha, não!”.
Ele virou Professor de Capoeira. Enquanto eu conversava com ele, minha mente viajava em perguntas. Uma delas seria se ele teria mudado. Até porque eu também saí da escola. Pelo papo, eu percebi que a Capoeira pelo menos, e talvez inconscientemente, fez ele canalizar isso.
O que não deixa de ser um alento. Por ele em adulto ter quebrado um ciclo.
Não sei se pelo fato de não ter falado para ele foi um indício que ainda ficara uma lembrança pesada em mim. Na hora, foi para não criar um clima ruim num encontro com muita gente legal, que deixaram boas lembraças da minha infância. E isso sim tem sido a tônica da minha vida: curtir os bons momentos, e amenizar os maus momentos.
Beijos,
É como uma corrente: cada um fazendo a sua parte.
Para quem sofreu por conta do bullying, esse se torna um grande desejo: que ele um dia tenha um fim. Só que é algo impossível. Pena! Mas a sociedade ainda discrimina o “diferente”.
tomara!