Um Beijo Roubado (My Blueberry Nights. 2007)

Pra que mentir
Fingir que perdoou
Tentar ficar amigos sem rancor
A emoção acabou
Que coincidência é o amor
A nossa música nunca mais tocou…

Embora o filme tenha uma belíssima trilha sonora, ao longo dele, era esse trecho da canção do Cazuza que ficava como um fundo musical em minha mente. Se o amor acabou de um dos lados… Insistir, pode ser pior. Por outro lado, guardar rancor por não ter recebido aquilo que esperava, também é ruim. Cada um tem um jeito de amar. Tem um jeito em doar esse amor. Cobranças, não abre portas.

Primeiro filme em inglês do Diretor de “Amor à Flor da Pele”, o Wong Kar-Wai. Só nesse quesito já seria um incentivo para que eu assistisse. Ah sim! O Jude Law e o seu queixinho, também.

Viajando no título… Para ser mais preciso, na fruta escolhida para o recheio dessa torta. Ainda bem que ele não escolheu a maçã, até porque essa fruta eu só gosto dela ao natural. Daí, numa rápida pesquisa… Blueberry é nativa dos EUA (Também do Canadá, mas esse não vem ao caso.). De coloração forte. Tem um sabor doce-ácido… A mim, me deu água na boca, pois não gosto muito de doces muito doce. Creio que ele chegou a essa fruta por conta disso: o de que nem tudo é tão doce na vida.

Entrando na história… Jeremy (Jude Law) tem a sua rotina quebrada com a chegada de Elizabeth (Norah Jones). A princípio, seria mais uma sentindo a dor de uma separação. Mais uma que crê que ser a única a sofrer uma desilusão amorosa. Mas Elizabeth tem um diferencial: ela mais do que falar, gosta de ouvir. Um prato feito para esse solitário e encantador dono de um Café. Ele conhece as pessoas por aquilo que pedem no cardápio. Sendo a primeira vez dela, ao final da refeição sugere algo especial. Algo que ninguém pede, mesmo assim ele a prepara todas os dias. Elizabeth então aceita. A torta de Blueberry. E gosta! Ele mais ainda.

Nesse seu posto, sobretudo ciente de que tem talento na cozinha, como também por ser tão encantador, tem a confiança de seus fregueses. E por conta da movimentação, ele rever as fitas gravadas após o expediente. Ficando mais por dentro do que cada um deles faz, come, olha… Seu Café além de um ponto de encontro, também torna-se um ponto de separações de casais. Dão a ele as chaves dos corações desfeitos. Ele as guarda por talvez achar que algum dia se abrirão. No final, ele descobre que… Melhor assistirem. É algo que ele diz a quem… É, tal qual a Elizabeth, ele também fora preterido.

Elizabeth resolve colocar o pé na estrada. Tentar esquecer que fora trocada por outra. Sem um carro, segue de ônibus; decidindo trabalhar com afinco até comprar um. E aí sim, curtir mais todo o trajeto, por poder seguir no seu tempo. Sua curiosidade a faz conhecer outras desilusões. Tal qual Jeremy fez com ela, também trata com carinho àqueles a quem serve. É, não como dona, mas por trás de um balcão, diante de uma mesa.

Tanto Jeremy, como Elizabeth, são duas pessoas cativantes. De diferencial, seria que ele não é chegado à mudanças. Não tem pressa. Para ela, que se lançou ao mar, aquele local, ficou como um porto seguro. Daí, sempre que podia escrevia a ele. Mas como estava na estrada, ele não tinha como responder. O jeito fora esperar.

Enquanto isso, Elizabeth se enternece com a história de Arnie (David Strathaim) e Sue Lynne (Rachel Weisz). Foram casados, mas Arnie ainda desejava a mulher de volta. A prisão que ainda sentiam, faziam com que machucassem um ao outro. Não fisicamente. E sim na alma. Elizabeth conhece então a dor vinda de uma relação maior que a sua. De um casamento onde parecia que não fora alimentado.

Depois, indo trabalhar num Cassino, conhece Leslie (Natalie Portman), uma jogadora compulsiva. Que aprendera jogar ainda em criança com o próprio pai. Mas nem sempre o vento está a favor… Com elas, vamos do riso a emoção. A dor aqui vem de uma relação pai e filha.

Então Elizabeth compreende que aquele a quem deixara atrás daquele balcão era com quem queria ficar para sempre. Restava-lhe saber se ele também queria o mesmo. Pois mesmo enviando tantos postais, não lhe dera chance de responder.

Eu amei esse filme! Atuações brilhantes! Não se vê o tempo passar. Deixou uma vontade de ir lá comer aquela torta de blueberry todas às noites com Jude Law. Esse, entrou para a minha lista de rever. Nota: 10.

Por: Valéria Miguez.

Um Beijo Roubado (My Blueberry Nights). 2007. Hong Kong. Direção e Roteiro: Kar Wai Wong. Elenco: Jude Law, Norah Jones, Rachel Weisz, Natalie Portman, David Strathaim. Gênero: Comédia, Drama, Romance. Duração: 90 minutos.

Amor à Flor da Pele (In The Mood For Love. 2000)

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Um filme que impressiona… Por levar a pensar: como um filme pode exalar tanto erotismo sem uma única cena de sexo explícito? Os olhares, os vestidos, o ambiente onde parece que as paredes têm ouvidos… Uau! Os dois protagonistas, Chow e Su dão um show de sensualidade!

Chow e Su mudam-se para o mesmo prédio no mesmo dia. Ambos, casados. Ele, jornalista. Ela, secretária. Encontram-se, sempre casualmente, pelas escadarias do prédio ou de onde vão comprar comida… nos jogos de mahjongg com os senhorios… na volta do trabalho… Tanto o marido de Su, como a esposa de Chow, não aparece por completo.

Chow e Su descobrem que além de gostarem do mesmo tipo de história (leitura)… Por dois objetos que carregam sempre (a gravata, dele; e a bolsa, dela)… descobrem que estão sendo traídos. É, seus esposos são amantes. E aí?

Pagar na mesma moeda? Fazer o mesmo que eles?

Chow então lhe diz algo lindo… um ode ao amor! Fica difícil resistir a ele. Amei esse personagem!

E a trilha musical é inesquecível! Nat King Cole “é o mestre de cerimônia” para Chow e Su…

sempre que eu pergunto que,
como, quando e onde,
você só me responde,
quizás, quizás, quizás…

Amei! Nota: 10.

Por: Valéria Miguez.

Amor à Flor da Pele (In The Mood For Love). China. 2000. Direção e Roteiro: Wong Kar-Wai. Com: Tony Leung (Chow), Maggie Cheung (Su Chan). Gênero: Drama, Romance. Duração: 98 minutos. Classificação: 14 anos.