
“Se a gente cresce com os golpes duros da vida, também podemos crescer, com os toques suaves na alma“. (Cora Coralina)
Um tempinho atrás, eu quis ver ‘Paradise Now‘ para então tentar entender o que se passa na mente de um homem-bomba… Algo outro, que também já há algum tempo eu queria entender, era o porque certas mulheres se interessam por criminosos. Não me refiro a um encontrar por acaso e dai vir se apaixonar. É mais do que isso. É se interessar por esse lado bandido nele, e que é mostrado na mídia, ou não. Claro que cada caso é um caso; que em cada um houve um fator inicial. Mas sempre fica a pergunta de que estranho objeto de desejo é esse que as deixam tão fascinadas. Por conta disso, por uma lida numa sinopse, foi o motivo para que eu assistisse esse filme. E o filme é isso, mas muito mais que isso. De tirar o fôlego até por conta das cenas finais.
‘Fôlego‘ vem confirmar algo que já comentei, o de que não se faz necessário alongar um filme para nos trazer uma ótima história. E mais, esse nem muitas falas tem. Nossa! Tão diferente do ‘2 Dias em Paris‘, onde contou literalmente tintim por tintim toda a história. Ponto para Ki-duk Kim! Agora, ouso dizer que é um filme para… digamos para um olhar maduro.
O que temos em ‘Fôlego’? Nossa! Que vontade de já sair contando tudo. Tentarei apenas motivá-los. Deixando a troca de impressões para os comentários. Caso haja outros fãs do Cinema Asiático.
Por onde começar… Seria com a frase do marido (Jung-Woo) de Yeon (Park Ji-a), onde disse que deixasse as esculturas e fosse conhecer outras pessoas? Até que seria uma boa sugestão da parte dele caso estivesse mesmo querendo vê-la feliz. Pois Yeon é muito retraída, quase não fala em casa. O que mesmo morando num apartamento com bastante luz externa, em seu lar pesa um que de sombrio. Há uma cena linda onde ao chegar em casa flagra a filha numa postura antes não vista. Isso já poderia lhe dar um “Acorda!”. Mas o lado mãe não era o ‘objeto de estudo’, mas sim o lado de mulher que descobre que está sendo traída. É, nessas horas o que fazer? Dar o troco na mesma moeda? Bem, no caso dela, quem ela escolheu, tem um motivo anterior ao seu casamento.
Também há duas outras frases do marido, que mostra qual é de fato o interesse dele por ela. Uma delas, ao vê-la tão interessada nos telejornais, mais precisamente no destaque dado a um criminoso que se encontra no ‘corredor da morte’. Onde diz para ver novelas em vez daquilo, reforça mais que a vê muito mais como uma dona de casa e que faz esculturas apenas como hobby. Onde nem respeita, nem valoriza seu lado artístico; um talento que lhe é nato.
Mas ela segue em frente. O que nos deixa uma curiosidade no porque com esse cara. Em o que ele a fascina tanto. Ele é Jin (Chen Chang), e o lance da mídia estar dando mais destaque é por causa da sua segunda tentativa de suicídio. Algo do tipo: se já está condenado à morte pelo seu crime, porque estaria adiantando o tempo.
Yeon começa a visitá-lo. Talvez pelo seu também entediante dia, o Diretor da Penitenciária abre uma exceção para ela. As visitas de Yeon quebram a rotina daquele lugar. Ela vai aos poucos fazendo com que Jin, até então taciturno, converse com ela. Ela provoca uma mudança no interior dele. Algo pressentido por um companheiro de cela que é apaixonado por Jin. Esse não gosta nada. Com esse, talvez eu volte a dizer algo mais mais adiante. Ou não, porque é sobre o final o filme.
As visitas a Jin, ficamos conhecendo todo o mistério que levou Yeon a procurá-lo. Ainda durante essas visitas, também nos deixa algo parecido com a outra frase do marido. Frase essa que já pontua o fato dele querer saber das saídas dela. Pelo fato também dela estar cuidando mais da sua própria aparência, mas que ainda está caladona. Agora, ele sentiu na carne que ela não está mais submissa… Ele diz a ela que quando a traía, ao menos ele era feliz.
Mas para ela, o mergulho ainda não chegara o fim. Ela ainda tinha fôlego o bastante para ir mais fundo nessa história. E foi, e levou Jin a conhecer o quanto ele poderia ganhar com isso.
O final, eu diria que é emocionante para esse triângulo, pois saem renascidos. O peso maior, ficaria para o companheiro de cela, mas ai já seria uma outra história. Bem, após o filme… eu digo: “Bravo, Yeon! Foste de muita coragem e ousadia, mulher!” Filmaço!
Por: Valéria Miguez (Lella).
Fôlego (Soom / Breath). 2007. Coréia do Sul. Direção e Roteiro: Ki-duk Kim. Elenco: Chen Chang, Jung-woo, Ji-a Park. Gênero: Drama, Romance. Duração: 84 minutos.