O filme O Sétimo Selo é uma produção cinematográfica ambientada em um dos mais obscuros e apocalípticos períodos da história, assim é classificado a Idade Média (Período das Trevas, Apocalipse e Revelador), nos anos 1000 onde a expressão, de uma solidariedade ativa, firme, enfrentando tanto a miséria quanto a conseqüência das calamidades; solidariedade que não se restringia aos vivos e sim aos defuntos; na forma de oração, confissão penitência, pois as boas obras permitiam atenuar o temor ao inferno e prestar auxilio as almas do outro mundo. A matança de bruxas e judeus, a guerra dos cem anos e a peste negra afirma a idéia, pois o continente foi quase despovoado e tudo isto semeava a insegurança da sociedade que gemia e lamentava aperca de mais um “homem medroso”.
No século XIV, acumulavam grandes catástrofes, iniciando uma gigante e dramática caça as bruxas, não tardando a guerra dos cem anos, que fez afluir perseguições nas cidades; e em outros lugares a peste negra abateu “um terço do mundo”. As desgraças se multiplicavam e à peste desencadeando na Europa uma enorme angústia.
Segunda a escrita sagrada o “sete selo” implica num malefício sobre a humanidade, a sua abertura leva efetivamente ao fim dos tempos.
O filme pauta constantemente o medo da morte, um imaginário em volta da morte, até nas pinturas, um grande Lúcifer era representado como o grande causador dos problemas, pois ele provocava a fome, a doença, o medo e a morte dos indivíduos. O medo da morte é algo obcecador, e o homem com a sua convivência, passam a cultuar, promovendo ensaios rompendo com o “silêncio do medo”, uma relação direta da morte com grandes temores que ameaçavam o desaparecimento da raça humana.
No filme, todos os aspectos da religiosidade são questionados, porém nunca é dada nenhuma resposta sobre sua veracidade. Nem Deus nem o Diabo se manifestam para o cavaleiro (o personagem central do filme) durante todo o filme, no entanto aparecem falsos profetas que utilizam o dom da palavra para pregar, protagonizando um verdadeiro teatro, onde se puni em nome do sagrado.
Historicamente é visível que o satanás e os demônios eram assustador no imaginário medieval, mas também ridículos e engraçados; baseado na afirmação que “ainda não havia chegado à hora do grande pavor satânico…” (Jean Delumeau, 1923, p. 207); além disso, o poder da Igreja restringia a violência, sacralizando à função militar, preservando em cada homem a garantia da paz divina, alimentando o medo do outro, do normando, do judeu, do sarraceno em esporádica superação.
No entanto na trama tanto Deus como o Diabo apenas existem na voz dos charlatães, em nome de uma igreja decadente e profundamente caída. Dessa forma, vemos como clareza que o “sagrado” permanece mudo no desenrolar da produção cinematográfica.
Todavia, o único personagem que sempre aparece para falar em nome de Deus é o homem que roubava jóias dos mortos e que encabeça a procissão de flagelados, também foi aquele que convenceu o cavaleiro a partir para a cruzada, dez anos antes.
Gostei muito filme e como historiador afirmo que o mesmo deve ser considerado uma obra historiográfica que trabalha os fatos históricos de forma coerente e esclarecedor.
O filme retratar o tempo inteiro uma humanidade desesperada e medrosa, que vive a espreita implacável da morte, algo coletivo e universal, pois na Idade Média todos os seres humanos, independentes da idade, sexo, nível socioeconômico e religioso a temia.
A morte era algo que os espreitavam, os obrigando a usar mecanismos de defesa, os quais se expressam através de fantasias inconscientes sobre a morte. Tornando possível a abordagem com relação o homem e a morte em vários aspectos: o biológico, o jurídico, o econômico, o social e artístico.
Assim, podemos perceber que o homem viva constantemente cercado pelo medo, que vai além da vida, ou seja, o pós-morte é a principal preocupação dos indivíduos. A sua mentalidade foi construída e cerceada pela igreja que dogmatizou comportamentos sexuais e cotidianos.
Nesta jornada o homem, parte em busca de explicações, sendo conduzido pelo medo e consequentemente a sua mentalidade o atrai para o pior inimigo, a morte. Em suma, notaremos que o homem pode conseguir refrear todos os sentidos e paixões do mundo material, no entanto não poderá fugir da experiência de morrer seja ele um homem religioso ou pagão.
No desenvolver do filme podemos chegar à conclusão que a morte é uma certeza irrefutável, uma verdade universal, comum a toda a humanidade. O ciclo da existência acaba por igualar todos na morte, seja qual for o sexo, a condição social, o tempo histórico. O finito é irremediável para todos, como foi indispensável o próprio nascimento.
Afinal, em meio a tantos conflitos o diretor Ingmar Bergman apresenta-nos um final onde é possível ter esperanças mesmo quanto tudo parece mórbido; pois no final de uma tormentosa tempestade, onde as forças sombrias devoram a vida, o sol surge brilhante, abrindo um caminho de esperança no horizonte para os sobreviventes.
Por Dhiogo Caetano.
O Sétimo Selo. (Det sjunde inseglet. 1957). Suécia. Direção e Roteiro: Ingmar Bergman. Elenco: Max Von Sydow (Antonius Block), Gunnar Björnstrand (Jöns), Bengt Ekerot (Morte), Nils Poppe (Jof), Bibi Andersson (Mia), Inga Gill (Lisa), Maud Hansson (Bruxa), Inga Landgré (Esposa de Antonius Block), Gunnel Lindblom (Garota), Bertil Anderberg (Raval), Anders Ek (Monge), Gunnar Olsson (Pintor da igreja), Erik Strandmark (Jonas Skat). Gênero: Drama, Fantasia. Duração: 96 minutos. P&B.










