Curta: Ilha Das Flores (1989)

Por Sara Lasi.

O ser humano se diferencia dos outros animais pelo telencéfalo altamente desenvolvido, pelo polegar opositor e por ser Livre. Livre é o estado daquele que tem liberdade. Liberdade é uma palavra que o sonho humano alimenta, não há ninguém que explique e ninguém que não entenda.”

Podem me chamar de idealista, romântica, sentimentalóide, tola, sonhadora, mas eu creio numa coisa: o Capitalismo rouba a Liberdade das pessoas. Liberdade no seu conceito mais puro e desejado, que traz intrínseco todas as causas e consequências que o estado nos expõe.

Então, aqui e agora, você terá a ‘liberdade’ de achar que estou falando besteira, mas mesmo que discorde de mim, ou até concorde (é mesmo?!), assista este curta e deixe-se conduzir pela lógica simples, que tão inteligente e ironicamente ele expõe, sobre o funcionamento da sociedade de consumo, que em muitos momentos chega a ser tão podre quanto o lixo que produz.

Ainda dentro do tema trouxe algo sobre a teoria da indústria cultural, para reflexão e apreciação de quem gostou desse Curta:

Os meios de comunicação de massa (veículos da indústria cultural) nos prometem, através da publicidade e da propaganda, colocar a felicidade imediatamente em nossas mãos, por meio da compra de alguma mercadoria: seja ela um CD, um calçado, uma roupa, um comportamento, um carro, uma bebida, um estilo etc. A mídia nos promete e nos oferece essa felicidade em instantes. O público, infantilizado, procura avidamente satisfazer seus desejos. Uma vez que nos tornamos passivos, acríticos, deixamos de distinguir a ficção da realidade, nos infantilizamos e, por isso, nos julgamos incapazes, incompetentes para decidirmos sobre nossas próprias vidas etc. Uma vez que não nos julgamos preparados para pensar, e desejamos ouvir dos especialistas da mídia o que devemos fazer, sentimo-nos intimidados e aceitamos todos os produtos (em formas de publicidade e propaganda) que a mídia nos impõe.” (http://www.urutagua.uem.br//005/14soc_barbosa.htm)

Ilha das Flores“, criado há mais de 20 anos, mas extremamente atual. Não deixem de assistir, é muito, muito bom!!

ILHA DAS FLORES – curta metragem
Brasil – 1989 – Direção: Jorge Furtado – Elenco: Paulo José (narração) e Ciça Reckziegel (D. Anete).

Curta: Os Fantásticos Livros Voadores do Sr. Morris Lessmore (2011)

A leitura de um bom livro é um diálogo incessante: o livro fala e a alma responde.” (André Maurois)

Um jovem na varanda de um hotel, imerso na leitura de um livro, em meio a muitos livros. Solitário? Talvez prefira a companhia dos livros. Talvez tenha um melhor diálogo com eles. Tranquilo, segue a leitura até ser pego de surpresa por um furacão.

Quando a tempestade passa, ele caminha entre os escombros. O hotel se foi, e com ele seu quarto moradia. Seus livros também se foram. Assim, sem suas raízes que o prendiam a esse local, sai caminhando sem um rumo certo.

Mas parecia que o destino já traçara uma rota para ele. Teria uma nova moradia, e na companhia de livros. Algo que ele gostava muito. Era uma Biblioteca. Mas não uma comum. Ela possuía livros especiais. Pareciam que tinham vida própria. Faltava a ela alguém que amasse muito os livros a ponto de dedicar-se com carinho a zelar por eles.

Dupla delícia – O livro traz a vantagem de a gente poder estar só e ao mesmo tempo acompanhado.” (Mário Quintana)

Ele se sentiu realmente em casa. E amou esse novo ofício: em ser um Bibliotecário. Como ajudante mor: o Humpty Dumpty em pessoa. Ops! Quero dizer: Humpty Dumpty em livro. Que amava tocar um piano. Assim, entre leituras e uma boa música, com pausa para ajudar as pessoas a escolherem uma leitura que lhes agradassem mais, a vida seguiu tranquila. Do jeitinho que mais gostava.

The Fantastic Flying Books of Mr. Morris Lessmore” (2011) foi o vencedor do Oscar 2012 de Curta-Metragem de Animação. Como é mudo, ou seja, não há falas, e como também são raros atualmente em serem exibidos nas Salas de Cinema, eu o trouxe para cá. É uma história simples, mas feita com muito esmero. Não há surpresas. Mas há homenagens mesclando três vertentes que também convergem para a formação de um Filme: Cinema, Música e Livro. A saber: Autores, Personagens, Histórias, Sons… Há de agradar com certeza o público infantil. Mas também aos demais que amam os livros. Que adorariam ter, ver, uma Biblioteca Pública perto de casa.

Eu gostei! Vejam se também irão gostar:

The Fantastic Flying Books of Mr. Morris Lessmore (2011). EUA. Ilustrador: William Joyce. Realização: William Joyce e Brandon Oldenburg. Gênero: Animação, Aventura, Curta-Metragem, Drama, Famíla. Duração: 15 minutos.

O Amigo Imaginário

Traz outro amigo também!

Quem teve oportunidade de se deliciar com o Festival do Rio 2011, certamente sentirá saudades. Por outro lado, terá como prêmio as novas boas recordações que serão acrescentadas à memória. Dos muitos idiomas estrangeiros, escolhi um da minha pátria para guardar com carinho dentre outros de diferentes nações que selecionei para prestigiar. Trata-se do Curta Traz outro amigo também (2010), de Frederico Cabral, contando uma belíssima e singela história que costuma pertencer ao universo infantil, mas a surpresa aqui é descobrir que é algo que independe de faixa etária.

É a história de um detetive (Felipe Mônaco) que foi contratado por um homem (Clemente Viscaíno) para encontrar seu amigo imaginário de infância, desaparecido há mais de cinquenta anos. Como encontrar alguém que só existe na imaginação de um homem? Esse é o dilema do detetive particular que pede ajuda a algumas crianças para resolver esse impasse.

Um conto fantástico que remete o expectador ao maravilhoso universo infantil. Um amigo imaginário pode povoar o mundo de qualquer  um que queira.

E como resgatar o amigo imaginário? Eis a questão. Manter viva a criança que agora ocupa o espaço do adulto tem um lado compensador e desafiador.

O curta permite diversas associações ligadas ao comportamento infantil, e o detetive usou a lógica para cumprir sua missão, ou seja, estabelecer contato com o imaginário da criança e a partir daí fazer sua expedição em busca do suposto amigo imaginário de seu cliente.

A vida é assim, feita, às vezes, de grandes momentos vividos em poucos minutos, mágicos instantes em breves segundos, parecidos com um curtametragem, e que ficam eternizados para sempre na memória da gente…

Não vou contar mais para não estragar a surpresa. Um filme comovente. Taí o vídeo. Divirta-se!

Traz Outro Amigo Também. 2010. Brasil. Curta metragem. Direção: Frederico Cabral. Elenco: Felipe Mônaco – Samuel, Clemente Viscaíno – Artur, Gabriel Rocha – Gonçalo, Renan Brambath – Luís, Nataniélhe Pacheco – Carla. Adaptado do conto de mesmo nome, do escritor português Yves Robert.

Karenina Rostov.

Sempre Conte à Sua Esposa (Always Tell Your Life. 1923)

1. “A única maneira de me livrar dos meus medos é fazer filmes sobre eles.”

2. “Sorte é tudo… Minha sorte em vida é ser uma pessoa medrosa. Tenho sorte de ser um covarde, em ter um baixo limiar de medo, porque um herói não poderia fazer um bom filme de suspense.” Alfred Hitchcook

Sempre Conte à sua Esposa (1923) – Always Tell Your Life

Um poeta brasileiro diz em um de seus poemas que a língua portuguesa é a sua pátria, e eu como gosto de pegar carona na fala dos outros, afirmo que o cinema, por não ter fronteiras, é a minha pátria. E o Rio de Janeiro, a cidade que escolhi para viver está elegante, radiante e mais maravilhosa do que nunca. É de fato o centro cultural do país. A razão disso é por estar sediando a maior e a mais completa retrospectiva do artista único e ousado, o inventor de sua arte e divulgador extraordinário e divertido de suas próprias idéias: Alfred Hitchcock, o mestre do suspense. Não conheço todos os filmes dele, e isso não me tira o mérito de ser sua fã e admiradora incondicional. Ao todo são 59 filmes, 129 episódios de séries de tevê totalizando 8.954 minutos de suspense, além de cursos, debates e eventos para que os amantes do mestre se deliciem.

O maior elogio ao mestre é afirmar que seus filmes continuam tão intrigantes hoje quanto à época em que foram lançados. É o melhor presente dos últimos tempos aos cinéfilos que vivem nesta cidade. Uma pena que o festival ibero-americano de cinema e vídeo esteja acontecendo paralelamente neste mesmo período, isso quer dizer que, nem sempre dá para se assobiar e chupar cana. O cineSUL que está em sua 18ª edição e que este ano homenageia o Paraguai, exibe curtas e longas-metragens de ficção e documentário e produções diversificadas destes dois continentes relacionados ao mundo das artes em geral. Deu para matar a curiosidade e um tira-gosto.

Mas voltando ao meu querido Hitch, o público carioca terá a oportunidade de ver seus 54 longas e três curtas, mais os episódios produzidos para a tevê que o diretor comandou entre os anos 1950 e 1960, além de conferir aspectos menos conhecidos da obra desse consagrado artista. Consegui assistir a alguns dos seus primeiros longas da sua fase young, alguns dos episódios e um curta. Sem dúvida, incomparável ver suas obras preferivelmente em um telão.

Alguns trabalhos dele, literalmente, foram perdidos, como o média-metragem “The Mountain Eagle” (1926) e alguns curtas do início da carreira, por isso ficaram de fora da mostra, o que é uma lástima. Outras raridades dos filmes mudos tiveram sessão especial com acompanhamento ao piano. Muito chique, não?!

Tive o privilégio de assistir ao “O Jardim dos Prazeres“, o primeiro longa de Hitckcock, como também ao fragmento de nove minutos de seu curta “Sempre conte à sua Esposa“, única parte conservada do curta-metragem que ele co-dirigiu em 1923, sendo o trabalho mais antigo a ser exibido nessa mostra. Esse filme foi rodado na Inglaterra, mudo, em P&B, em 35mm, com duração de 20 minutos e guardados em dois rolos dos quais restaram apenas 9 minutos preservados, não sendo possível restaurar a outra parte pelo fato de estar  bastante danificada.

Sempre Conte à Sua Esposa é a história de Jim Chesson um rapaz que se diz apaixonado pela sua mulher e sempre fiel, mas eis que no dia do seu aniversário acontece algo inesperado e ele passa por um grande sufoco, como se diz hoje em dia, uma tremenda saia justa: uma antiga paixão sua reaparece e ameaça contar tudo à sua esposa caso ele não a leve para jantar nessa noite especial. Atordoado, ele começa a planejar uma saída com a ajuda de um amigo, mas a sua esposa a essa altura do campeonato já descobriu parte da história: primeiro ela encontra fotos da ‘ex’ e ele não ‘sabe’ explicar quem é a dita cuja; ele guardava também cartas e outras lembranças mais da ‘finada’, por que será? Ele acaba dando a foto para o seu animal de estimação, um papagaio linguarudo, e que em poucos minutos o bichinho faz um estrago comendo parte dela. A ex manda um telegrama convidando-o para esse dia de comemoração de mudança de idade, e quem recebe a correspondência é justamente a esposa enquanto ele está no trabalho. Jim comenta com um amigo essa sua pulada de cerca e infidelidade e ambos elaboram uma estratégia para que sua esposa não descubra, mal sabendo ele que ela já está a par inclusive recebeu e abriu o telegrama e já contou para uma amiga que foi, por acaso, nesse dia visitá-la em sua casa.

Bem, o que acontece depois só mesmo com a ajuda de uma cartomante ou pondo a imaginação para funcionar porque o que é bom durou esses nove minutos mesmo. Que chato!

Concordo em gênero, número e grau: sempre conte à sua esposa que é a pessoa amada (ou deveria ser, não?) TUDO! Abra o coração e não esconda nada, afinal não é uma vida em comum? A outra metade da laranja com a qual dormimos e trocamos confidências e intimidades na qual nada deve ser escondido, e trancado, onde tudo deve vir à tona, compartilhar na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, tudo. Portanto, não esconda nada. O segredo não é receita de bolo para uma vida feliz, muito menos a mentira que tem pernas curtas. Vive-se o admirável mundo novo, tempos de redes sociais do ‘vale tudo’ e tudo  é mostrado, despudoradamente,  o mundo e as carnes expostas como na vitrine de açougue, o big-brother agora pertence a todos, ao alcance de  um click; é a febre do mundo virtual, vive-se o boomm(da) vida privada, transbordando pelos esgotos e bueiros que constantemente explodem pelas ruas da cidade, vitimando, inclusive, pessoas inocentes, trazendo à tona os ratos, o mau cheiro,  os dejetos da podridão humana tudo compartilhado  e a tristeza e o desânimo para alguns.

Afinal como acabou essa história? I don,t know…Teve um final feliz? Maybe… Quem sabe alguém tenha tido a sorte de ter assistido a cópia completa e poderia aparecer por aqui e nos contar?
Por: Karenina Rostov
*
Créditos:
Diretor: Hugh Croise e Alfred Hitchcock
Roteiro: Hugh Croise baseado na peça de Seymour Hicks
Produção: Seymour Hicks
Duração: 20 min , P&B, 35 mm
Distribuição: 1923
Sempre Conte à Sua Esposa (1923)

O curta-metragem mudo de 9 minutos é o primeiro filme de Hitchcock que sobreviveu ao tempo. Quer dizer, sobreviveu em parte: eram dois rolos; um desapareceu. E Hitchcock, na verdade, não foi creditado. Originalmente, ele havia sido contratado como assistente de direção, mas o produtor brigou com o diretor Hugh Laurie, e Hitchcock foi promovido de função. Remake de um filme de mesmo nome de 1914, o curta é apenas uma curiosidade histórica e, ao mesmo tempo, fundamental para a história do cinema.

“Um diretor tão excepcional não poderia ser tema de uma retrospectiva qualquer”, Para quem gosta desse maravilhoso diretor como eu, ainda dá tempo. A mostra está no CCBB do Rio e acaba no dia 15/07. Prestigie!

Ataque Homofóbico das Laranjas (2010. Curta)

Calma gente não precisa fazer alarde ou mesmo protestos é apenas um curta do Festival ZineGoak realizado na Espanha em que as regras são bem simples fazer um curta ( gay ) em quatro dias com um objeto dado pela organização, neste caso uma laranja .

Neste caso é um trailer falso de El ataque de las naranjas homofobas de Pablo Isidro [HQ] Mas com muito bom humor ..

Adorei :)

Curiosidades: O Show do Gongo, evento do Festival Mix Brasil de Cinema da Diversidade Sexual, é tão incrível que está fazendo escola. O Zinegoak, festival de cinema gay de Bilbao, na Espanha, se inspirou no concurso brasileiro para criar o Show del Txistu. A fórmula é a mesma que conhecemos: qualquer pessoa pode inscrever um vídeo, que é submetido ao crivo de uma voraz plateia. Quem resiste ao gongo do público ganha um prêmio absurdo.
E o campeão do primeiro Show del Txistu foi mais que merecido. Em “O Ataque das Laranjas Homofóbicas”, frutas cultivadas e modificadas geneticamente em solos do Vaticano querem porque querem exterminar homossexuais da face da Terra. (Irving Alves)

Tarantino’s Mind

Selton Mello, Quentin Tarantino e Seu Jorge (necessariamente nessa ordem!)

“Tarantino’s Mind” é um curta-metragem brasileiro dirigido pela dupla carioca 300ML, com o ator Selton Mello como protagonista, contracenando com Seu Jorge, o seu interlocutor. O cenário é um barzinho onde Selton, numa conversa informal e com diálogos descontraídos, inteligentes e engraçados, defende a tese de que os filmes do diretor Quentin Tarantino pertencem, na verdade, a uma obra única havendo intertextualidade com outras histórias de outros filmes que reaproveitam, inclusive, cenários, personagens e situações.

Selton Mello vai dando pistas, citando e enumerando os respectivos atores e diretores. Ele vai fazendo sua explanação, argumentando de que há certas peculiaridades entre um filme e outro desse diretor do cultuado “Pulp Fiction” ou apenas dos produzidos por ele e até mesmo dos dirigidos por terceiros, como: ”Eles Matam e nós Limpamos”, ”Cães de Aluguel”, “Um Drink no Inferno”, “Kill Bill”, “Top Gun”… tendo unidade, ligação e particularidades, acrescentando ainda várias referências filmográficas e outros apontamentos interessantes.

Tarantino’s Mind pelo seu estilo nada convencional, ousado e original, entrou para a lista dos curtas cult movies. Vale a pena conferir!

Nunca escondi que sou fã desse formidável ator brasileiro tipo exportação! Rs.

Conheci o ator Selton Mello pessoalmente na Maratona Odeon (que acontece na primeira sexta-feira de cada mês do mês) no lançamento de seu filme “O Cheiro do Ralo”.  Coincidência ou não, nesse dia o ar condicionado não funcionou e fazia um calor insuportável justamente nessa sessão e, de repente, o ambiente ficou tomado pelo mau cheiro de esgoto sanitário. Até hoje não sei se foi armação para promover o filme ou realmente foi um acontecimento inesperado, o tal ‘elemento surpresa’. Sempre o admirei pelo seu talento e simplicidade.

Considero-o um dos melhores de sua geração, versátil, perfeccionista e talentoso em tudo o que faz. Mostrou que veio pra ficar e fazer história. Logo cedo, Selton conquistou o reconhecimento, a começar pela família. Os pais se mudaram para São Paulo quando ele ainda tinha oito anos, por causa de seus trabalhos.

Um ator versátil. Dança conforme a música, graças ao seu espírito de camaleão. E não deixa nada a desejar.

Conquistou, merecidamente, reconhecimento do seu trabalho pelo público e crítica. Foi convidado para realizar reportagens internacionais, apresentar programa, fazer novelas, gravar CD, dirigir vídeoclipe, entre outros projetos de dublagens e vários comerciais.

Selton nasceu dia 30 de dezembro de 1972, em Passos – MG.

Em sua terra, acontece até festival de vídeo em sua homenagem.
O rapaz está com tudo. Obrigada, Selton pelos bons momentos de diversão que você nos proporciona.

E eis o curta. Pegue o refrigerante, a pipoca e divirta-se!
Karenina Rostov.

Ano de produção: 2006
Duração: 13 min
País: Brasil
Direção: 300 ML
Elenco: Selton Mello, Seu Jorge
Gênero Comédia, drama
Idioma: português

Day and Night. Finalmente um bom 3D

Por: NotObviusCinema.
Volta e meia eu reclamo aqui de filmes feitos em 3D: a única coisa que a tecnologia 3D adiciona, em geral, é um precinho mais salgado nos ingressos. [*]

Pois não é que apareceu um filme em que o 3D é usado de forma genial, sem os truques babacas de jogar coisas na direção da plateia? O filme se chama Day & Night, e já está nos cinemas – quase que sem divulgação. É o curta que precede Toy Story 3.

Provavelmente o filme mais estranho da Pixar, ele conta a estória de dois personagens bidimensionais que têm pensamentos (sonhos?) tridimensionais. O personagem diurno acorda adequadamente aos acordes iniciais da abertura de Guilherme Tell de Rossini – clássico que os desenhos animados associaram no subconsciente coletivo ao amanhecer. O seu encontro com o personagem noturno desencadeia uma série de eventos do mais puro nonsense. A animação usa inclusive um fundo preto para resolver o problema da falta de luminosidade dos filmes 3D.

Excelente. Veja em 3D. E se quiser matar a curiosidade, dê um pulo no site da Pixar.

Por: NotObviusCinema (05/07/2010).

[*] e possivelmente uns milhões de bactérias nos óculos (que competem com os microorganismos que se aconchegam nos carpetes e estofados da sala de projeção).

The Hunt For Gollum

hunt-for-gollum

Um ótimo Fan Film de 40 minutos que serve como adendo para a magistral trilogia “O Senhor dos Anéis” de Peter Jackson. Assim como os filmes, este curta também é adaptado do texto de J.R.R. Tolkien.

O curta metragem aproveita-se de um episódio pouco explorado no primeiro filme da trilogia, que é o período que Gandalf parte do Condado ao deixar Frodo como o guardião do anel – logo após a despedida de Bilbo Bolseiro. No filme original a viagem de ida-e-volta ocorre como se fossem apenas alguns instantes, porém no livro ela dura 12 anos e é aqui que a história de “The Hunt For Gollum” é encaixada.

Em “The Hunt For Gollum“, temos um ambiente marcado por muita tensão que irá desencadear no evento conhecido como “A Guerra do Anel”. Sauron sabe que o Um anel foi encontrado e prepara seu exército para encontrá-lo a todas as custas. A única criatura que sabe onde está o anel é o ex-hobbit Gollum e a missão de Gandalf é impedir que ele seja encontrado por Saurom, de modo que Frodo não seja entregue pelo pequeno monstrinho.

Como Gandalf está demasiadamente ocupado com os mais diversos acontecimentos, ele atribui a responsabilidade para Aragorn (que até então era apenas conhecido como Passolargo) de iniciar a busca por Gollum antes que ele caia nas mãos do inimigo e seja tarde demais.

Assim começa a jornada de Aragorn, cuja conversa com Gandalf revela que ele será o protetor do guardião do anel (Frodo, como bem sabemos. Em sua empreitada ele irá combater orcs, proteger o enigmático Gollum e outros sinais característicos que encontramos nas batalhas da trilogia).

Embora as batalhas não ofereçam tanta emoção, o cenário e o figurino é de uma qualidade impressionante, muito acima do que encontramos mesmo em grandes produções de Hollywood. O ator que interpreta Aragorn e o ator que interpreta Gandalf são extremamente semelhantes ao que encontramos no original, por isto mesmo a sensação é que estamos assistindo à uma cena cortada da trilogia.

Portanto recomendo, tanto para aqueles que são fãs de J.R.R. Tolkien quanto para aqueles que são fãs do cinema e gostam de acompanhar como evolui um trabalho independente.

Para assistir o curta-metragem, clique aqui. Para assistir com legendas em português, clique em Menu (ao lado esquerdo player) e selecione PT.

Por: Evandro Venancio. Blog: EvAnDrO vEnAnCiO.

Link IMDB: http://www.imdb.com/title/tt1323925/
Filme na Íntegra: http://www.dailymotion.com/user/huntforgollum/video/x93zji_the-hunt-for-gollum-hd-version_shortfilms

The Hunt For Gollum. 2009. Diretor: Chris Bouchard. Roteiro: Sabina Sattar. Adrian Webster, Arin Alldridge, Pat O’Connor, Rita Ramnani. Baseado no livro de J.R.R. Tolkien.

Batman: Dead End

deadend-batman

Acreditem ou não, antes do reinício da franquia do homem morcego (Batman Begins e The Dark Knight), este foi considerado por muitos como o melhor filme feito para o personagem de todos os tempos. Detalhe: estamos falando de um Fan Film.

Para quem não sabe o que é um Fan Film, como diz a expressão, é um filme amador e não-oficial feito por fãs, geralmente inspirado por filmes de ficção científica, quadrinhos ou desenhos animados. Como não são filmes autorizados, eles não podem ser distribuídos por questões de copyright. Portanto não possuem fins lucrativos e na maior parte das vezes são curtos e de baixo orçamento (geralmente realizados apenas para serem exibidos em alguma feira promocional de SCI-FI ou para um trabalho de conclusão de curso). Com o advento da Internet agora eles são facilmente acessíveis, portanto eles estão crescendo em quantidade e qualidade.

A história traz um Coringa sádico e insano (que eu desconfio que possa ter servido de modelo para aquele interpretado pelo falecido Heath Ledger) que acaba de fugir do Asilo Arkham, uma espécie de Guantánamo de Gotham City.

Batman então é acionado e passa a perseguir o vilão pelos becos de Gotham City. Misteriosamente, o Coringa é arrebatado por um – preparem-se – Alien! Na sequência o mesmo Alien vai para cima de Batman, que graças a um raio disparado por um Predador (!!!) consegue sair ileso raio. Batman está em fogo cruzado: está havendo uma caçada! Resta saber como Batman lidará com a iminente ameaça ao planeta Terra.

O mais interessante aqui não é a história, embora nenhum elemento tenha sido esquecido: Gotham City está mais dark do que nunca. A histeria do Coringa está explícita assim como o ódio de Batman pelo inimigo. Os Aliens continuam criaturas repugnantes e insanas. Os Predadores continuam com a ética e moral de caçadores alienígenas intactos.

O que chama a atenção realmente é a qualidade da produção, que está muito acima da média dos fan films, senão acima mesmo da média dos filmes anteriores. O Batman, até aquele momento, nunca havia sido tão bem caracterizado. Ele nunca esteve tão próximo ao herói que encontramos nos quadrinhos em sua fase mais sombria.

Além disto, esta salada-mista entre três franquias de peso pode ser vista no formato cinematográfico, algo pensável somente nos quadrinhos até então (os chamados crossovers)!

Portanto, clique aqui e confira este curta metragem de apenas 8 minutos que deixa muitos fãs com gosto de ‘quero mais’.

Por: Evandro Venancio. Blog: EvAnDrO vEnAnCiO.

Link IMDB: http://www.imdb.com/title/tt0374526/
Filme na Íntegra: http://www.youtube.com/watch?v=vUQ0jrIuHQA

Batman: Dead End. 2003. EUA. Direção e Roteiro: Sandy Collora. Clark Bartram, Andrew Koenig.

A Conselheira Antropófaga (La Concejala Antropófaga)

A Conselheira Antropófaga – La Concejala Antropófaga

Direção: Pedro Almodóvar

Gênero: Comédia

Vale a pena perder ou ganhar, depende da referência, 8 minutos de seu tempo para ver esse curta Almodovariano; num primeiro instante, é hilário esse monólogo, depois, é algo pra se pensar.

Pra mim, Almodóvar explorou bem a atual concepção de comer e de comer, se me entendem, como forma de engordar o niilismo atual: tudo em nome do desejo?

Até o Desejo segue leis próprias que o Homem não consegue quebrá-las, e num suspiro de alívio, penso: Ufa! Ao menos tem coisas que nem que seja na base da força da natureza, é respeitado.

Vale a pena assistir esse curta, longe dos pudins rsrsrs.

Por: Deusa Circe.